Flor de Lótus-edward e Bella
12 Capítulo 11- Adolescente x Adulto
Notas iniciais
Coberto de compromissos e papéis, Edward iniciou uma semana tumultuada. Segunda-feira, antes de chegar a sua sala na Divisão, arrancou cochichos e olhares furtivos. Vestia-se de jeans e camisa quando costumava usar no início da semana seus sóbrios ternos escuros.
\n\nEle rejuvenesceu pelo menos dez anos com o corte novo. Foi um dos comentários.
\n\nAlheio a perplexidade e suspiros, passou o dia, em sua maioria do tempo, distraído. Quando acreditava concentrar-se num assunto ou papel, a imagem de Bella invadia sua mente. Sai da minha cabeça! Ordenou, impaciente. Você não é nenhum adolescente, Edward, para ficar aí sorrindo para o nada!
\n\nPassou por uma reunião, assinou documentos e ouviu relatórios de investigação. No fim do dia, encontrava-se girando em sua cadeira, comendo Donuts e discutindo com o pai ao telefone por exatos vinte minutos. O assunto era o casamento de Jasper. Carlisle avisava cauteloso que Jasper iria convidá-lo para ser o padrinho de casamento, juntamente com Rachel.
\n\n‒ Pra que isso, pai? Nossa relação não é boa. Jasper não precisa fingir que nos damos bem. E eu não preciso fingir que aguento a noiva dele.
\n\n‒ Edie, é você que não se permite ter boa relação ‒ Carlisle lembrou tranquilo. ‒ Seu irmão tenta.
\n\n‒ Eu não vou ‒ rematou, convicto. ‒ Muito menos com Rachel! ‒ bastava ter que conviver com a mulher possessiva diariamente, pior ainda seria ter exposições públicas.
\n\n‒ E com quem você quer ir? ‒ questionou, impaciente. ‒ Com a menina do Emmett? ‒ sugeriu mordaz.
\n\n‒ O quê? ‒ Edward inclinou-se sobre a cadeira chocado com a maldade no tom do juiz.
\n\n‒ A menina do Emmett ‒ repetiu devagar. ‒ Erick me falou tudo ‒ completou.
\n\n‒ Pai... ‒ Edward esfregou a testa, subitamente nervoso. ‒ Esquece o que Erick disse. Isso não é assunto de vocês.
\n\n‒ É sim. Eu sou seu pai ‒ contrapôs sério, depois suspirou. ‒ Quero ajudar você, filho. Tire a criança dessa briga.
\n\n‒ O que você sabe sobre ela?! ‒ aumentou o tom de voz.
\n\nCarlisle hesitou no início, mas seu silêncio não perdurou. ‒ Que ela é uma criança e você um homem vingativo querendo usá-la para atingir alguém que não tem culpa do que aconteceu à nossa família.
\n\n‒ Lá vem você defendê-lo de novo! ‒ ironizou e deitou novamente as costas na cadeira.
\n\n‒ Estou sendo justo... Sua mãe era uma insensata.
\n\n‒ Não fale da minha mãe! ‒ aumentou o tom novamente. ‒ E diga a Jasper que se for com Rachel, eu não vou ‒ avisou e desligou irritado.
\n\nSua relação com o pai sofria oscilações. O pai era teimoso, e ele não baixava a guarda. Porém amava o pai. O pai, assim como Jasper, era tudo que tinha restado do que chamava de família.
\n\nApós passar a ansiedade e choque por seu pai estar ciente sobre Bella, ponderou por segundos como seria ir a essa tediosa festa... Como seria se aparecesse com Bella na festa, não com Rachel. Sorriu, rebelde. Como seria posar ao lado dela com suas roupas rosas, glitter, gloss, florzinhas no cabelo e comportamento agitado? Podia até ouvir o som de suas risadas divertidas.
\n\nDebatendo-se com a ideia, quis muito ligar para ela depois que encerrou a ligação... Mas não ligou. Ateve-se à necessidade de dar uma comida de rabo em Erick por abrir o bico ao seu pai sobre ela. Afinal, não era nenhuma criança para ter seu pai envolvido em sua vida.
\n\nDuas semanas se passaram. A rotina seguiu atarefada no trabalho. Em compensação, os fins de semana se repetiram cheios de sorrisos, passeios e carinhos. No sábado seguinte, o programa do dia escolhido por Bella foi passear pela praia Long Beach. Ela trouxe a bicicleta de rodinha de Peter e, enquanto o menino pedalava a beira-mar, ela o empurrava e o encorajava a andar sem as rodinhas. Quando Peter cansou da bicicleta, os dois corriam um atrás do outro pela areia.
\n\nNo segundo fim de semana, Peter estava indisposto por um resfriado e ficaram no apartamento, obrigando todos a jogar no game que insistiu em levar. Vez ou outra, os dois, Bella e Peter, rolavam no carpete, brincalhões, fazendo cócegas um no outro e brincando de guerra de almofadas. Também brincaram de jogar pipocas no ar e capturá-las com a boca. Na grande parte do tempo, Edward somente os observava.
\n\nNo mais, foi novidade ter que formular respostas para a mulher que cuidava da limpeza semanal do apartamento, Kebi, quando ela perguntou de quem era o xampu infantil que ficou no box de hóspedes, ou se podia lavar as roupinhas de criança que esqueceram no quarto, ou de quem eram os brinquedos e desenhos espalhados pelo apartamento, ou por que embaixo do sofá tinha uma grande concentração de pipocas. Também quis saber de quem era o capacete rosa no armário, o novo perfume e a nécessaire que esqueceram no banheiro, e quem eram as pessoas da foto na cabeceira da cama.
\n\nCom o passar dos dias, decidiu que só as mensagens diárias de Bella na semana não eram contato suficiente para aplacar o sentimento estranho dentro dele. Queria muito ligar à noite quando voltava do expediente. No entanto, com a desculpa de que não sabia que horas a garota dormia na semana, não ligava. Também perguntou-se por que ela não ligava. Ela não sabia a droga do seu telefone! Ela já tinha ligado uma vez, por que não ligava mais? Será que não sentia saudade? Ou será que esperava alguma atitude?
\n\nMais dias se passaram e nenhum dos dois orgulhosos tomou a iniciativa de fazer uma coisa simples como ligar. Ela não queria pressionar. Ele não queria ceder. Ficaram limitados a sábados.
\n\nCerta sexta-feira, após receber sua mensagem diária, sempre enigmática, analisou-a, tentando decifrar as entrelinhas. Todas as mensagens, desde que voltaram a se ver, estavam relacionadas a aspirações, desejo. O que será que ela queria dizer?
\n\nNada é impossível àquele que acredita. Nossos sonhos podem ser alcançados. Basta crer.
\n\n\nBíblia Sagrada
\n\n\nPensando na mensagem, lembrou que não tiveram mais intimidades desde o baile. O desejo reprimido estava tão incontrolável que não via a hora de ter um tempo a sós com ela. Ele sempre sugeria, em meio a sussurros, quando rolavam no carpete: Apareça por aqui na semana... Traga novas florzinhas... Venha passear por aqui com aquele seu uniforme. Usava qualquer meio para persuadi-la. No entanto, ela não tomou nenhuma iniciativa para avançar etapas. Um dia ela chegou a dizer: Você quer que eu deixe de trazer Peter aos sábados? Ele demorou um tempo antes de responder. Não. Eu quero que você venha me ver mais vezes, não que deixe de trazer o garoto.
\n\nEle queria o menino por perto. Existia um laço invisível que os unia que não sabia explicar. A pergunta seguinte de Bella foi o que o deixou pensativo. Mas, e você, quando vai fazer algo por mim? Foi a primeira vez que ela cobrou algo. Ele ficou sem palavras. Não sabia se estava preparado para uma relação com cobranças. Pior ainda quando não podia cobrar nada dela.
\n\nMas, agora, atentando para a mensagem que ela mandou, pensou que talvez ela estivesse mandando avisos. Tamborilando os dedos na mesa de sua sala, relia a mensagem e resolveu tomar uma iniciativa, mandando, pela primeira vez, em meses, uma mensagem de volta.
\n\nEspero que o universo conspire em realizar o meu desejo por você... Porque eu desejo insanamente você nua embaixo de mim. Desejo ter você se contorcendo em minha boca novamente. Desejo te deixar tão louca por mim que você vai mudar conceito e nunca mais dirá que brincar em um parquinho de diversões é a melhor sensação do mundo. Serei seu parque particular. Escorregar e balançar sobre mim será sua maior diversão.
\n\n\n\nPor um instante Isabella ficou chocada ao receber a mensagem de volta. Não só por ter tido alguma resposta, mas pelo teor erótico. Jogou o celular no console do carro como se ele tivesse lhe dado choque, e Alice o pegou, curiosa em ver o que deixou a dona do celular branca como papel.
\n\n‒ Meu Deus! O tio é quente! ‒ comentou, e Isabella arrependeu-se de ter contado sobre os dois para a prima.
\n\n‒ Solta isso aí, Alie ‒ Isabella resmungou, acanhada. Sexualmente falando, sentia-se muito primária para não ficar tímida.
\n\n‒ Ah, mais nós vamos responder de volta ‒ Alie sorriu arteira e pôs os pés em cima do painel.
\n\n‒ Não! ‒ Isabella estendeu a mão para alcançar o celular na mão da prima, mas teve que manter a atenção no volante.
\n\n‒ Sim!
\n\n‒ Não!
\n\n‒ Sim. Vamos ver o que ele vai pensar depois de receber o que eu vou enviar ‒ disse quando já começava a digitar.
\n\n‒ Rá, ele vai saber que não fui eu! ‒ Isabella deu de ombros, fingindo indiferença, e continuou dirigindo para casa.
\n\n‒ Vamos ver.
\n\n\n\nEdward passou o restante do dia incomodado após receber a mensagem de volta. Não imaginou que sua pequena brincadeira fosse tomar aquelas proporções. Lia e relia a mensagem e não conseguia associar aquilo à Bella. Ela nunca foi tão expressa. Mesmo com seu ar seguro, ela sempre manteve reservas. Estava surpreso.
\n\nAmanhã vamos nos divertir nesse parque de diversões. Vou balançar minha língua na torre, escorregá-la na haste e brincar com cada centímetro seu até a garganta.
\n\nO dia não rendeu. O Federal passou o dia ofegante, vermelho, duro. À noite, mal conseguiu dormir quatro horas. Primeiro, foi o desejo; depois, a insônia e, por fim, os pesadelos distorcidos. Acordou cedo no dia seguinte. Tudo que conseguia pensar era que sua garota bem disposta iria estar em sua casa em algumas horas. E, embora quisesse conter a ansiedade, andava de um lado para o outro, olhando no relógio.
\n\nSete horas, alguém bateu em sua porta. Passou em frente ao aparador, pegou o cartão reserva do apartamento e abriu a porta. Deu um involuntário muxoxo ao notar Peter de mãos dadas com Bella. Não por que não quisesse ver o menino, mas porque imaginou que o dia seria só deles e que poderiam cumprir as promessas eróticas.
\n\n‒ Bom dia! ‒ Bella cumprimentou-o, naturalmente.
\n\n‒ Bom dia ‒ ele devolveu o abraço, desanimado. Soltou-a e inclinou-se para cumprimentar Peter que, após encostar o punho no dele, entrou com sua mochila nas costas e uma sacola de brinquedos. Tal como a mãe, era o filho. Espontâneo e fácil de lidar. Edward sorriu ao compará-los, pegou uma bolsa na mão de Bella e a seguiu.
\n\n‒ Faremos um programa diferente hoje ‒ Bella contou quando caminhava rumo ao quarto de Edward. ‒ Iremos ao cinema. Então não precisamos nos preocupar com o almoço porque iremos comer sushi no shopping.
\n\n‒ Tudo bem ‒ Edward assentiu, colocou a bolsa dela na cômoda e sentou-se na cama. Peter ficou na sala de TV. Bella abriu o armário de Edward e pendurou roupas dela e de Peter.
\n\n‒ Divirtam-se então ‒ ela despediu-se quando terminou de organizar a roupa, aproximou-se de Edward e lhe deu um selinho. ‒ Tchau.
\n\nSurpreendendo-a, Edward a abraçou e rolou na cama, ficando por cima dela. ‒ Não tão rápido, mocinha ‒ beijou seu pescoço. ‒ Pensei que depois daquela mensagem de ontem iria parar de me enrolar ‒ desviou beijos para sua orelha.
\n\n‒ Sábados são dias do Peter, lembra?
\n\n‒ E qual é o meu dia, hein? ‒ cobrou e voltou os beijos para o pescoço, a mão passeando na sua barriga, dentro da blusa.
\n\n‒ O dia que você quiser... Porém, quero que você converse com Emmett sobre nós e peça que saiamos convencionalmente.
\n\nEdward parou o que fazia e olhou-a cético.
\n\n‒ O que você acha que eu devo falar com Emmett? Acha que eu devo pedir-lhe que divida você comigo? ‒ zombou. Isabella deu um suspiro triste, chateada com essa situação de mentiras. Continuando, Edward especulou. ‒ Ele sabe que você vem para cá todos os sábados? ‒ pressionou, sem entender o silêncio de Emmett, se o provocava tão abertamente. O que estaria planejando?
\n\n‒ Não. Só minha prima ‒ respondeu desanimada. ‒ Ele anda tão ocupado esses dias que nem dormir em casa ele dorme. Vira as noites no laboratório.
\n\n‒ Então você não tem dormido com ele? ‒ juntou as sobrancelhas, interessado.
\n\n‒ Não.
\n\n‒ E o que ele pensa que você faz aos sábados?
\n\n‒ Ele deve pensar que eu levo o Peter para a casa de recuperação comigo, depois saio com ele. Eu já fiz isso antes ‒ ela ficou em pé, tirou o grampinho do cabelo que tinha afrouxado e voltou a prender.
\n\n‒ Hummm ‒ resmungou pensativo e examinou atenciosamente sua barriga exposta ao ter levantado os braços. ‒ Bella, você usa hormônios contraceptivos? ‒ questionou curioso com o fato de ela não ter tido nenhum outro filho depois de Peter.
\n\n‒ Anticoncepcional? ‒ franziu o cenho em dúvida. ‒ Sim. Desde os onze anos quando fiquei mocinha.
\n\n‒ Sabe... Às vezes eu queria saber como foi a gravidez do Peter ‒ murmurou, introspectivo, levantou a mão e passeou os dedos, distraído, abaixo do umbigo da garota. Era bizarro ter saído alguém dali.
\n\n‒ Foi problemática ‒ discorreu tensa ao notar aonde ele iria chegar. ‒ Nasceu prematuro, de seis meses ‒ adicionou e fechou o zíper da blusa de tactel rosa, impedindo que ele continuasse a examiná-la. ‒ Por quê? Sua mãe também teve uma gravidez problemática? ‒ evadiu-se. Não estava disposta a falar sobre Peter, ainda.
\n\nEle relaxou e deitou de costas na cama, as mãos atrás da nuca. ‒ Sei lá. Acho que não. Suas duas gestações parecem que foram calmas. Partos cesáreos, pelo que me contaram. E o parto de Peter, foi o quê? ‒ aproveitou o ensejo.
\n\nEla suspirou inquieta. Sentia-se encurralada. Entretanto, dessa pergunta não precisava fugir. ‒ Cesárea também. Er, eu tenho que ir ‒ ajoelhou-se na cama e deu-lhe um selinho.
\n\nEle puxou sua cintura e a abraçou, frustrado e possessivo. Não queria que essa fosse a história dela: uma garota com um filho aos onze anos de idade. Queria poder voltar no tempo e mudar tudo isso. Ela não merecia o que passou.
\n\nPara ela, tinha horas, como essa, que a verdade ficava na ponta de sua língua. No entanto, ainda estava insegura. O que ele faria se soubesse de tudo? O que faria se soubesse que ela era uma garota normal de sua idade, tolinha e infantil como qualquer outra, ao invés da imagem que ele fantasiou? Será que perderia o encanto?
\n\nA falta de respostas era o que a levava a continuar. Sabia o que queria. Não queria abrir mão de conquistá-lo. E se para isso precisasse manter a percepção falsa de mulher experiente, era isso que iria fazer. Podia parecer uma atitude egoísta, insegura e infantil. Mas que outras armas poderia usar para competir com as mulheres adultas de seu mundo, quando ele mantinha essa férrea ideia de justiça em se tratando de envolver-se com uma menor comum?
\n\n‒ Eu não sei o que você quer de mim, Edward ‒ Isabella começou a dizer ao ler o carinho no seu gesto ao abraçá-la. ‒ E tenho medo de saber... Mas você não pretende ser meu namorado, não é?
\n\n‒ Por que fala isso? ‒ levantou o olhar, surpreso. Não pensou que ela ainda aspirava a isso, relacionamento sério.
\n\n‒ Porque sei que sou só um passa tempo.
\n\n‒ Mas você já tem namorado ‒ justificou-se pensativo. Nunca tinha cogitado compromisso sério com ela ou com ninguém.
\n\nEla movia os dedos tranquilamente em seu peito. ‒ Não. Não tenho. Estou tentando te mostrar isso há dias ‒ esclareceu, suspirou e continuou. ‒ Olha só, que você é um dependente ou viciado, isso foi fácil de descobrir que não é, mesmo com aquela maleta que encontrei. Que você precisa de ajuda – pelo menos do jeito que eu pensei –, claro que não. Eu só não sei por que você foi à minha escola aqueles dias. Por que não deixou as coisas simplesmente como estavam. Não sei por que você disse que sentia minha falta e me beijou daquele jeito na montanha, se não queria um relacionamento comigo. Sinceramente eu não sei o que esperar. Você se abre comigo, como fez na noite do baile, depois não dá nem sinal na semana. É só desejo sexual, como você deixou claro na mensagem de ontem?
\n\n‒ Não! ‒ negou, constrangido.
\n\n‒ Então o que é?
\n\nEle hesitou, mudou de posição na cama, deitou-a de lado frente a ele e acariciou seu rosto. ‒ Eu gosto da sua companhia. Você é... muito especial.
\n\nIsabella suspirou. Então por que ele não a procurava na semana? Por que não agia como homem e ia a sua casa?
\n\nAh, sim, por pensar que ela era garota de Emmett. Mas que homem era ele que admitia essa situação sem contrapor? E pior era ela, como podia conformar-se com tão pouco?
\n\nApós divagar, sem respostas, decidiu chegar ao ponto principal que gerou todo aquele prelúdio. ‒ Sabe, Edward, quinta-feira eu encontrei a psicóloga do Peter na boate... ‒ interrompeu-se sugestivamente, deixando o tema assentar enquanto fingia casualidade.
\n\nEdward apoiou a cabeça na mão e distraiu-se com a lembrança da abordagem da ruiva naquela quinta, à tarde, quando ela veio lhe questionar sobre o convite para o casamento. Chegou à sala confiante, sentou-se em seu colo e elogiou seu novo corte de cabelo.
\n\n‒ Mariah me ligou... ‒ inclinou-se para beijá-lo no rosto, como fazia todas as vezes que o abordava. Ele recebeu o beijo com certa resistência e afastou-a gentilmente, apontando com a mão a cadeira para que ela se sentasse. Afinal, estavam na Divisão, e já era falta de ética o envolvimento de psicóloga e paciente, pior ainda o envolvimento de dois profissionais no local de trabalho. A ruiva afastou-se a contragosto e encostou-se à mesa. ‒ Ela disse que seremos padrinhos de Jasper.
\n\n‒ Eu não poderei ir ‒ negou sério e voltou a ler uns relatórios sobre a mesa.
\n\n‒ Por quê?
\n\n‒ Estou com muito trabalho. E provavelmente estarei viajando para um curso na academia, na Virginia.
\n\n‒ Hummm... E como estamos nós dois? ‒ cobrou e segurou seu queixo para que ele a olhasse. ‒ Já se passou um bom tempo.
\n\nEle esfregou o cabelo e preparou-se para a série de cobranças.
\n\n‒ Nós já conversamos.
\n\n‒ Não. Não conversamos. Você está fugindo de mim como o diabo da cruz. Nunca responde meus telefonemas. Está sempre ocupado... Ouvi a Ângela dizer por aí que te viu no parque com uma garota... Seria a mesma daquele dia na Sky? A menina do Emmett? ‒ questionou com a sobrancelha arqueada.
\n\n‒ Rachel, eu não quero ser rude, mas a minha vida não é assunto de ninguém ‒ repeliu-a cansado e, por um instante fugaz, observou-a, involuntariamente, comparando-a a Bella. Rachel não era capaz de despertar seu interesse. Era uma mulher fria, sofisticada demais para rir alto em público, contida demais para jogar as mãos para cima enquanto dançava. Não pulava euforicamente quando estava animada. Não andava desfilando pela casa. Não conversava com plantinhas. Não comia no prato dele... Para completar, também não gritava quando tinha prazer. Era uma comparação desonesta. Ela não era sua garota. Nunca poderia competir.
\n\nDe volta ao presente, Bella interrompeu sua distração, ainda falando sobre a conversa que ela e Rachel tiveram.
\n\n‒ ... Ela falou sobre Peter, sobre Emmett. Porém eu notei que ela estava divagando... Ao final, comentou, fingindo acaso, que conhecíamos alguém em comum e que coincidentemente esse alguém era o homem dela ‒ Bella contou, zombeteira, sentou-se, olhou para o tênis, desamarrou e apertou seu cadarço, tentando mostrar despreocupação. ‒ Acredita que ela usou as palavra meu homem!? ‒ rolou os olhos. ‒ Argh, ela parecia tão culta para usar esse vocabulário. Eu nem sabia que as pessoas usavam essa expressão ‒ gesticulou nervosa. ‒ Ela poderia usar o homem com quem eu saio, ou o homem com quem eu durmo, mas meu homem? Que horror! Ah, por favor, avisa para ela não usar essas palavras com você. Isso quer dizer o quê? Que ela te viu em uma prateleira, te comprou e agora pode desfilar por ai dizendo este é o meu homem? ‒ dramatizou. ‒ Tá, tudo bem que eu não tenho nada a ver com sua vida. Você já deixou isso bem claro quando me disse na montanha que não podemos ter um relacionamento, logo não nos é permitido cobrança. Mesmo assim, fale para ela que eu não preciso ouvir isso. E daí que ela dorme com você? E daí que...
\n\n‒ Para, Bella! ‒ interrompeu-lhe e prendeu suas mãos, que gesticulavam como se o alvo do assunto nem estivesse lá. ‒ Eu não tenho nada com a Rachel ‒ defendeu-se, sério. ‒ Isso é coisa da cabeça dela ‒ argumentou e também se sentou, desgostoso com o que ouviu. ‒ Só trabalhamos juntos, tudo bem?
\n\n‒ Trabalham juntos? ‒ ela inquiriu, desconfiada. ‒ Pensei que você não trabalhasse.
\n\nEle enrijeceu o maxilar, tenso pelo peso da mentira, passou os dedos no cabelo e tratou de inventar um argumento.
\n\n‒ Não. Er, quer dizer, trabalhamos juntos porque ela foi minha psicóloga... Ela me atendeu algumas vezes ‒ balbuciou, nervoso.
\n\n‒ Mas saíram muitas vezes ‒ ressaltou enquanto mexia o pé no ar, fingindo naturalidade.
\n\n‒ Sim. Algumas.
\n\n‒ Transavam? ‒ pressionou, orgulhosa demais para demonstrar suas reais emoções.
\n\nEle viu-se acuado e surpreendido com a pergunta direta, ficou tenso e suspirou.
\n\n‒ Bella, sexo é só um intercâmbio para o prazer físico. Comigo sempre foi assim ‒ explicou, na defensiva.
\n\n‒ Nunca fez sexo com sentimentos?
\n\n‒ Não ‒ respondeu, incomodado.
\n\n‒ Ah... ‒ suspirou, frustrada, levantou-se e caminhou rumo à porta, dissimulando o momento inseguro. ‒ Ela é boa de cama? ‒ tentou ser casual, mas sua voz a traiu.
\n\n‒ Nossa, Bella, cada assunto... ‒ censurou. ‒ Ela não é importante, você é ‒ sentenciou e caminhou até ela com o cartão e controle da garagem na mão. ‒ Este cartão pertence a você. Eu tenho três vagas na garagem e uma delas é sua. Você pode vir aqui quando quiser, entrar e sair quando quiser.
\n\nSe sua intenção era distraí-la, teve sucesso, pois o sorriso no rosto da garota abriu-se feliz. Abraçou-o, grata e ele a abraçou de volta, conscientizou-se de que adorava isso nela. Essa facilidade de relevar situações. Aliás, ainda procurava algo que não o agradasse nela.
\n\nPor instantes, sentiu-se um crápula. Principalmente porque, arquitetadamente, deu-lhe as chaves, contando que assim ganharia sua confiança caso precisasse de retribuição futura. Mas não se sentia completamente culpado. Iria, além de fazer justiça, livrá-la do jugo de Emmett. Quando este fosse preso, ela teria um restante de adolescência saudável. Nesse caso, poderia, quem sabe, esperá-la ter mais idade e assumir algo mais sério com ela. De qualquer modo, se não desse certo para os dois, ela não ficaria desamparada. A patente que Emmett usurpou de sua mãe certamente manteria financeiramente a ela, à prima, ao garoto e à tia.
\n\nEla soltou-se do abraço, levou a mão ao seu rosto e acariciou sua sobrancelha com a ponta dos dedos. ‒ Eu só quero que você não me magoe, Edward ‒ voltou a dizer. Já era difícil tolerar o domínio rígido dele sobre os próprios atos, quando dosava controladamente seu tempo e emoções, pior seria dividi-lo com outra. ‒ Se preferir a ela, por ela ser mais velha e, quem sabe, experiente, eu aceitarei numa boa. Só não minta para mim... Não fui eu quem foi atrás de você. Foi você quem não conseguiu ficar longe ‒ lembrou-o, decidida, deu-lhe um selinho, segura, e seguiu para a sala para despedir-se de Peter.
\n\nEdward pensou no que ela disse no decorrer da manhã. Por que não terminava tudo? Até hoje essa relação não ajudou em nada na investigação com Emmett. Pelo contrario, ela o distraía. No entanto, a relação afetiva tomava proporções profundas. Encaminhava-se para um caminho sem volta.
\n\nEdward passou parte da manhã ensinando Peter a nadar em uma parte calma do mar, segurando-o enquanto o menino batia os pés e mãos. Peter evoluía dia a dia. Cansados, sentaram-se sobre a toalha e Peter iniciou uma conversa por sinais.
\n\n‒ Não entendi, repete ‒ pediu Edward. O garoto novamente apontou para Edward, fez um coração no ar e completou dizendo ‘mama’. Edward citou, desentendido ‒ Eu, coração, sua mãe?
\n\nPeter deu um sorriso largo, assentindo. Edward decifrou o que dizia e balançou a cabeça. ‒ Não. Isso não. Somos somente amigos.
\n\nPeter balançou a cabeça afirmando frenético, inconformado, e deu uns tapinhas leves em seu rosto num gesto de ‘acorda, Edward!’.
\n\n‒ Ai, porra, isso dói ‒ reclamou e passou a mão na bochecha ardida, sensível por ter feito a barba mais cedo. Peter fez cara feia e deu um tapinha leve na boca de Edward, lembrando que era proibido xingar.
\n\n‒ Hummm, merda, desculpe. Eu não vou mais xingar ‒ sorriu e bagunçou o cabelo de Peter. Se a mãe do menino soubesse o que andava fazendo perto da criança iria proibi-lo de sua companhia, pensou sorrindo. Primeiro levou-o ao stand de tiro; duas vezes deixou-o entrar no mar; agora ficava falando palavrão na frente do garoto. Ela iria matá-lo se descobrisse!
\n\nO menino repetiu o gesto anterior sério e teimoso.
\n\nEdward, coração, Bella.
\n\n‒ Não. Eu não coração sua mãe. Eu sou somente, er... ‒ o que eu sou mesmo?
\n\nPeter insistiu no assunto, agora fazendo outro gesto, dizendo primeiro mamã, um gesto de coração grande no ar e apontou para Edward, que franziu o cenho.
\n\n‒ Como você sabe que ela coração grande eu?
\n\nO garoto fez um gesto com dois dedos nos olhos, dizendo que via tudo, depois apontou para Edward.
\n\n‒ Você acha isso mesmo? ‒ sorriu de canto. O garoto assentiu, contente. Edward gargalhou, balançando a cabeça, depois apontou a metralhágua para Peter, brincalhão. ‒ Você está vendo demais! ‒ encerrou o assunto e iniciou outra brincadeira. Como o garoto podia saber? Será que estavam tão claros assim seus sentimentos pela garota?
\n\nUma hora de brincadeiras depois, os dois subiram, tomaram um banho e Edward procurou algo para comer. Ofereceu uma maçã ao garoto, ligou a TV no canal da Disney, deitou-se no sofá e se assustou quando ouviu um choramingo.
\n\n‒ O que foi, garotão? ‒ sentou-se, preocupado.
\n\nPeter abriu a boquinha e mostrou sangue em sua boca. Edward tocou seu dentinho.
\n\n‒ Vejamos... Parece que seu dente amoleceu ‒ comentou. A maçã fez sangrar a dentição inferior. Peter fez beicinho.
\n\n‒ Não, não precisa chorar. Está doendo?
\n\nUhum, Peter assentiu, balançando a cabeça. Edward ficou desorientado ao ver as pequenas lágrimas silenciosas.
\n\n‒ Toda criança troca os dentes, eu acho ‒ adulou-o sem saber o que fazer. Com alívio, ouviu o barulho da porta se abrindo. ‒ Sua mãe chegou. Ela vai saber resolver.
\n\n‒ Hei, garotos ‒ Bella pôs alegre o rosto sob o portal da sala de TV. Sobressaltou-se ao ver o semblante rosado de Peter molhado de lágrimas e o inspecionou frenética, conferindo mãos, braços, procurando machucados ‒ O que foi, bebê? ‒ perguntou, preocupada.
\n\nEdward levantou as duas mãos no ar, isentando-se de culpa.
\n\n‒ Não me olhe assim. Ele comeu uma maçã e o dentinho sangrou ‒ defendeu-se.
\n\n‒ Deixe-me ver ‒ pediu Bella, bajuladora. Obediente, Peter abriu a boquinha. Ela conferiu, cautelosa. Era o primeiro dentinho que ele perdia. ‒ Tio Edward, consegue um fio dental para mim ‒ pediu e caminhou para o banheiro, tentando aparentar segurança. Edward lhe entregou. ‒ Olha só, bebê, Bella vai amarrar esse dentinho e puxar, tudo bem?
\n\nA criança lhe perguntou com os olhos angustiados se iria doer. Era nessas horas que Isabella se arrependia de mimá-lo tanto. Deu graças a Deus por ser Edward e não Emmett a presenciar. Se fosse Emmett, iria reclamar e limitar mais ainda os cuidados dela com Peter.
\n\n‒ Não, amor, lógico que não. Eu estou aqui cuidando de você. Se começar a doer, você aperta bem forte os dedinhos no meu braço que a dor vai passar. Combinado?
\n\nHesitante, Peter suspirou e deixou que Bella enlaçasse o dente com o fio dental. Fechou os olhinhos e apertou no braço de Bella, que se ajoelhou em sua frente. ‒ Fica calminho ‒ pediu, carinhosamente, segurou diligentemente o fio dental e puxou de uma vez. ‒ Aêê! ‒ ofegou, animada. ‒ Meu bebê é quase um homem! Viu, tio Edward, o Peter é forte!
\n\nEdward, que estava tenso no canto, deu um suspiro audível de alívio. Ela ajudou Peter a lavar a boca, depois deu o dentinho em sua mão e combinaram de mais tarde esperar a fada do dente. Após isso, o garoto pôs-se em frente a ela e disse algo em linguagem de sinais.
\n\n‒ Você não precisa pedir desculpa por ter chorado ‒ ela o tranquilizou enquanto acariciava seu rosto. Peter argumentou movendo os dedinhos no ar. Bella deu um sorriso amoroso e o abraçou. ‒ Você é meu homenzinho. Homens também choram. Não acredite no seu pai.
\n\nEdward sorriu ao ver a segurança contagiante de Bella e a confiança do garoto nela. Peter voltou para sala, e Bella sentou-se exausta na cama, ao lado dele.
\n\n‒ Você já fez isso antes? ‒ perguntou, admirado com a facilidade que ela teve de lidar com a situação.
\n\n‒ Não ‒ sorriu.
\n\n‒ Pareceu tão segura ‒ comentou e deslizou os dedos pela sua mandíbula. Tão nova para ter tanta experiência. ‒ E que técnica foi aquela para acalmá-lo?
\n\n‒ Teoria oriental de transferência de dor ‒ balançou os ombros. ‒ É uma maneira de se desviar do verdadeiro foco. A maioria da dor é psicológica ‒ explicou, naturalmente.
\n\nEdward puxou-a para a cama, deitaram um de frente ao outro e beijou-a. Aproveitou estarem sozinhos, segurou sua cintura e forçou o aprofundamento do beijo, inserindo a língua. Ela recepcionou-o afável, acariciou-o e apertou seu pescoço, sentindo que derretia. Sua delicada mão aproveitou a ausência da camiseta nele, deslizou por seu peito e desceu acariciando pelo abdômen. Ele gemeu irrequieto, aprovando, mas ela afastou-se.
\n\n‒ O Peter ‒ lembrou ofegante. Ele jogou-se na cama, frustrado. ‒ Vou tomar um banho ‒ ela avisou com um pedido de desculpas nos olhos. Levantou-se e pegou uma toalha no armário dele. ‒ Vem conversar comigo enquanto isso ‒ convidou, conciliadora, desfez-se da blusa de frio de tactel toda charmosa e jogou-a na cama. Desfilou rumo ao banheiro enquanto desfazia-se da regata.
\n\nEdward acompanhou-a vidrado no rebolado hipnótico. Ela tirou a calça branca de algodão, ficando somente de calcinha e sutiã, prendeu o cabelo e entrou na área do box. Ele seguiu-a, trancou a porta, baixou a tampa do sanitário e sentou-se em cima, sentindo-se muito tentado a acompanhá-la.
\n\n‒ Tem dormido bem? ‒ ela questionou quando ligou a ducha.
\n\n‒ Não muito. Ainda tomo uns soníferos naturais.
\n\n‒ E os pesadelos, continuam? ‒ perguntou sob o som do chuveiro ligado.
\n\n‒ Sim. Todas as noites. Mas agora eu tenho outro tipo de sonho também... ‒ sugeriu malicioso e arrumou a frente erguida da bermuda, importunando-o ao pensar nela tomando banho tão próxima. Maldição.
\n\n‒ Qual?
\n\n‒ Tenho sonhos eróticos ‒ revelou naturalmente. ‒ De uns tempos para cá fico em uma tormenta constante entre os pesadelos habituais e sonhos com seus gemidos... ‒ novamente passou a mão sobre o incômodo, mentalmente dizendo ao seu órgão sexual que se acalmasse. ‒ Bella, eu tenho uma dúvida... Naquela tarde que dormimos os três no carpete, eu e você tivemos alguma intimidade enquanto eu estava dormindo? ‒ distraiu-se com a carícia inconsciente que fazia na parte superior de seu membro coberto pelo pano fino da bermuda.
\n\n‒ Sim. Você abaixou a frente da minha blusa enquanto dormia e sugou meus seios ‒ ela confidenciou, sorridente. Ele fechou os olhos excitado em ouvir, abriu os primeiros botões da bermuda e, como um adolescente levado por instintos básicos, passou os dedos pela parte sensível que saía da boxer e apertou a glande necessitada de carícias.
\n\n‒ Você estava acordada? ‒ perguntou com a voz cheia de luxúria, afastou-se mais para trás e tirou parte para fora, a fim de facilitar a manipulação que não resistiu em iniciar. Seria rápido. Fácil. Era melhor que se aliviasse para conseguir passar o restante do dia com ela sem pressioná-la.
\n\n‒ Bem acordada ‒ admitiu, divertida e maliciosa.
\n\n‒ Foi bom pra você? ‒ estremeceu, concentrado. Não se atentou ao fato do chuveiro ter sido desligado.
\n\n‒ Muito ‒ reconheceu honesta, abriu silenciosamente a porta de correr do box e parou em choque.
\n\nArregalou os olhos e atentou para o modo como ele se tocava, subindo os dedos fechados até a ponta na parte brilhosa e rosada, depois descendo a mão apertada em volta dele, quase enforcando. Congelou, fascinada com o que via. Já sentiu o tato de sua masculinidade, mas ver pessoalmente era deslumbrante.
\n\nPara não perturbar o momento tão íntimo, não ousou dizer nada que interrompesse exposição tão atraente. Aos poucos, o homem compenetrado libertou-se totalmente, ela abriu a boca ofegante com o que via e, sem que notasse, fez algum barulho que o despertou. Os olhos de ambos se encontraram. Segundos em que ondas flamejantes de emoções poderiam ser tocadas. Verde no azul.
\n\nUm olhar destilava desejo; outro, fascínio.
\n\nMesmo flagrada, ela foi incapaz de se constranger diante de tão descarado exame. E, saindo do transe, imediatamente ele tentou dissimular o que fazia, desconcertado.
\n\nDroga, não queria ter sido surpreendido comportando-se como um adolescente que não tinha controle sobre si e masturbava-se às escondidas! Fez menção de compor-se e guardar, porém a garota foi mais rápida.
\n\n‒ Não! ‒ interrompeu-o, ajoelhou-se e pôs a mão delicadamente por cima da dele, com todos os seus sentidos aguçados, os hormônios hiperativos impulsionando-a. ‒ Continue ‒ sussurrou com os olhos brilhando, aproximou-se e ofereceu os lábios para que ele beijasse.
\n\nO beijo começou com mordidas provocativas enquanto uma das mãos dele reiniciou a massagem por baixo da dela e a outra se alojou no seio molhado, deixando-o eriçado.
\n\nEla sentia espasmos todas as vezes que ele apertava o bico. O que havia nele que a deixava com o corpo em alvoroço, com o cérebro vazio? Absorta, desviou-se de sua boca e continuou mordiscando seu queixo. Abriu os olhos e baixou o olhar furtivamente para observar os movimentos da mão, ansiosa em aprender o ritmo que ele usava. Viu seu sexo aparecer e desaparecer em sua mão, uma gloriosa visão da exuberante virilidade, forçou a troca da mão dele pela dela e sentiu-o inchar e endurecer mais ainda. Um novo gemido saiu de boca de Edward, em seu rosto.
\n\n‒ Não sabe quantas vezes tenho feito isso pensando em você ‒ ele a animou e novamente apertou o bico do seio.
\n\nA sensação entorpecente daquela voz rouca distribuiu calafrios nas entranhas da garota, e ela experimentou pequenas contrações no ventre. Enlevada, impulsionou a mão a subir e a descer na haste grossa e comprida que terminava escorregadia.
\n\n‒ Eu pensei que você iria ignorar para sempre que eu precisava disso ‒ reclamou e mordiscou a orelha dela entre um gemido e outro.
\n\nCom o corpo em chamas, um cio recém desperto pulsando no âmago ansioso, ela desviou sua boca para a clavícula, desceu beijos pelos músculos desenvolvidos que acentuavam o peitoral, mordiscando, e acariciou o mamilo com a língua, dando uma mordidinha que o fez estremecer. Ele tinha o gosto bom, de homem. E ela queria explorá-lo mais. Por que teria vergonha de dar vazão aos naturais impulsos físicos ante o conhecimento do prazer?
\n\nDepois de vê-lo gemer ansioso, ela desceu com a boca molhada pelo abdômen, sentindo o coração bater forte ante a expectativa de lhe proporcionar prazer. Nervosa em antecipação pelo que faria, desceu a boca, inclinou-se até a ponta daquele membro ereto e passou a língua exploratoriamente em volta da glande.
\n\nA lambida quente e molhada fez Edward grunhir, fechar os olhos e jogar a cabeça e parte do tronco para trás, de um modo que deu mais acesso para a boca macia da garota. Ela permaneceu por segundos com a língua rodeando a ponta, experimentando, conhecendo, para então ousar aprofundá-lo.
\n\nEle olhou com os olhos entrecerrados para a garota ajoelhada em sua frente e pensou em quão sexy e inocente figurava a imagem. A boca pequena e rosada bem ocupada, sua carinha de anjo. Estremeceu, soltou os cabelos dela nos ombros e voltou a acariciá-la, ansioso. Ela observou-o com bem abertos olhos verdes. Curiosa e disposta. Será que ela sempre agia assim quando fazia uma oral? Ele perguntou-se.
\n\nPuta merda, não pense nisso, não pense nisso. Não é hora de ter ciúme.
\n\nTudo bem que ela parecia tão encantada que diria que nunca viu um desses antes... Ou será que ela só admirava a novidade?... Bom, várias opções explicava sua fascinação. Não ter feito uma oral antes não parecia ser uma delas. Certamente já fez... Embora não parecesse tão experiente assim.
\n\nDepois de um tempo de confusão com a atitude pueril da garota, sua mente o acusou, dizendo ser errado ser mais um que a usava naquele triângulo. Era promíscuo.
\n\nSeu corpo egoísta e vil debateu-se argumentando ser certo. Os dois queriam isso. Foi ela que tomou a iniciativa. Cedo ou tarde chegariam a essa intimidade.
\n\nSob esses pretextos, ignorou a acusação mental, desobedeceu ao que julgava ser correto, fechou os olhos e permitiu-se apenas sentir as carícias daqueles lábios juvenis.
\n\nInocente.
\n\nInocente.
\n\nInocente.
\n\nParte do seu cérebro ainda argumentava. Não havia somente luxúria nos seus gestos. Era algo mais para carinho do que volúpia. Mas como podia ser inocente se já era mãe, ainda dormia com Emmett?
\n\nMas ela disse que não era assim...
\n\nPorém, o que mais ela poderia ser de Emmett!?
\n\nPare de pensar nisso. Pare de pensar nisso.
\n\nNão adiantou dizer. Pensar nisso fez com que um sentimento indomável carregado de ciúme explodisse em seus olhos e toda a consciência evaporou. Com a urgência suplantando a razão, levantou-se, com uma mão segurou na base de seu membro e com a outra puxou a cabeça de Bella contra si. A princípio, ela perdeu-se e seus dentes o incomodaram. Então encontrou uma posição, abrigou-o profundo e um gemido se formou nos lábios dele.
\n\nBella desceu completamente a bermuda e boxer dele, apoiou as mãos em suas coxas e predispôs-se a descobrir o que ele queria, oferecendo seu melhor. Os sons no ambiente transformaram-se em gemidos e incentivos sussurrados. ‒ Mais fundo... ‒ ouviu-o instruir com um silvo.
\n\n‒ Não consigo... ‒ reclamou , mas segurou-o decidida e transformou suas lambidas inexperientes de reconhecimento em sugadas possantes. Sentia-se poderosa, dona da situação. Ouvir Edward gemer tão indefeso e se contorcer por causa de sua carícia conscientizava-lhe de seu poder, o que era uma forra para seu ego feminino.
\n\n‒ Está deliciosa... ‒ ele aprovou-a, e seus dedos tornaram-se mais ansiosos nas mechas louras. Ela sentiu a aflição nos movimentos sutis de seu quadril para frente e para trás. A luxúria recém-acordada em Bella percorria-lhe em ondas potentes. Em seu interior, algo se alterava, os músculos internos se comprimiam e, aos poucos, se umedeciam, convertendo-se em intensa pulsação.
\n\n‒ Uau! ‒ o corpo de Edward estremeceu totalmente, esfregou a nuca da garota e um arrepio cruzou sua coluna.
\n\nEla levantou o olhar para ele, procurando sua aprovação com o olhar. Ele travou o maxilar e encarou-a com olhos em fenda.
\n\n‒ Você me deixa louco ‒ elogiou-a admirado com a vocação e habilidade em aprender nela.
\n\nEla adorou essa falta de controle nele. Sentia-se irresistível. Antes que ela registrasse, ele libertou-se do confinamento quente e úmido, fez com que ela se levantasse e invadiu sua boca com um beijo faminto, ao tempo que levantava impaciente uma perna dela sobre o sanitário.
\n\n‒ Eu... não... tenho preservativo... aqui... no banheiro ‒ advertiu com sua língua deslizando por seus lábios, a mão deslizando pela barriga até encontrar os pelos curtos da parte íntima. Ela estremeceu. Ele espalhou a umidade nela e esfregou-a.
\n\n‒ Não precisamos... ‒ ela incentivou-o e enrijeceu-se ao sentir a mão de Edward ser substituída pelo roçar do membro no seu sexo. Arregalou os olhos surpresa e mentalmente preparou-se para a invasão. Ele somente acariciou-a, deslizando na umidade.
\n\n‒ Que quente você é... ‒ murmurou com presunção masculina e ocupou novamente sua boca, enquanto decidia mentalmente o que fazer. Não sabia se ia lá fora buscar o preservativo ou se faria desprotegido.
\n\nDesceu com os lábios pelo seu pescoço, alcançou os seios e mordiscou o bico. Ambos gemeram de prazer, ele desceu a perna da garota e aumentou a pressão em volta de seu sexo. Moveu-a para frente e para trás, devagar, agora as duas mãos segurando no seu quadril, a boca sugando forte os cheios seios.
\n\nEla deixou-se ser conduzida ao novo, com o prazer de ser explorada sobrepujando o receio da inexperiência, os dedos embrenhados nos cabelos dele, encorajando-o a mais. Ele moveu os quadris, encaixando-se mais e mais nela, ofegante, deleitando-se com o vértice quente. Gemeu quando seu tenso sexo exigiu movidas mais selvagens, desesperado por alívio naquele calor úmido. Humm, tão perto... Bastava desviar um pouquinho para estar fundo nela... Não. Sem preservativo, não. Permaneceria em suas coxas.
\n\nEla sentia-se subir, entorpecida, incapaz de respirar por causa do estímulo no seu nervo tenso.
\n\n‒ Eu adoro essa sua receptividade ‒ ele adulou-a rouco e voltou a enfiar a língua profundamente em sua boca, dando arremetidas cegas, fortes, as bocas reclamando uma à outra. Sentiu um formigamento espalhar-se por sua perna. Seu corpo sacudiu e sufocou o grunhido com os dentes no ombro da garota.
\n\nEla abriu os olhos fascinada, absorta com o choque voluptuoso ao ver as ondas de prazer convulsivos nele. Adorou ouvir o grunhido febril que saiu de sua garganta, um estrépito sensual nos lábios molhados e vermelhos. Sentiu-o por fim inchar e esvaziar entre suas pernas, fechou novamente os olhos e o abraçou maravilhada ao tê-lo ainda se estremecendo, umedecendo-a entre as coxas.
\n\nApós um tempo, ele afastou-a um pouco e olhou-a analisando seu rosto rosado e olhos fechados. Inclinou-se e distribuiu beijos na bochecha, olhos, testa, abraçando-a possessivamente. A intensidade do que acabou de experimentar deixou-o extasiado com a sensação de ter se desconectado do mundo por segundos... Foi incrível. Inexplicável. Ela conseguiu infiltrar-se em sua mente. Cada célula do corpo era consciente dela. Ela transpusera defesas que antes jurava ser inexpugnável. Estava assustado.
\n\n‒ Por que, er...? O que foi...? ‒ ela deixou morrer a pergunta, lembrando então de dissimular sua condição débil de inexperiente. Abriu os olhos, suspirando, e Edward lhe deu selinhos nos lábios, confuso com o que ela teria desistido de perguntar. Será que não sabia o que fizeram? Ou será que estava somente lhe cobrando não ter satisfeito suas necessidades?
\n\n‒ Fui egoísta ‒ revelou com um sorriso brincalhão, apertou-a mais no abraço e acariciou sua nuca, inferindo ser essa a pergunta evitada. ‒ Mais eu não posso mentir que estou arrependido ‒ revelou cínico. ‒ Você foi maravilhosa... ‒ deu-lhe selinhos. ‒ ...E ter essa sua boca gostosa em mim não foi fácil.
\n\nEle desceu a mão e acariciou-a no quadril. Ela estremeceu, ainda sensível.
\n\n‒ Bem, é melhor só eu satisfeito que ninguém. Você estava em dívida ‒ piscou e olhou no relógio de braço. ‒ A não ser que tenhamos algum tempo ainda. Então fazemos as coisas direito no quarto, de portas fechadas ‒ sugeriu com duas arqueadas de sobrancelhas.
\n\nEla afastou-se sorrindo, prendeu de novo o cabelo, abriu a mangueirinha e lavou suas coxas, avaliando a espessura do líquido pegajoso que se instalou entre elas, sem pudor em estar nua perto dele. Ele também fez sua higienização, secou-se, depois a abraçou. Era claro, como um outdoor, que depois de hoje viraram amantes, mesmo sem ter consumado o ato.
\n\n‒ Esse seu jeito ambíguo de agir me enlouquece. Ao mesmo tempo em que parece ser experiente por tomar a iniciativa, me deixa confuso com sua aparente inocência ‒ brincou e acariciou sua bochecha com as costas da mão. ‒ Acho que não tem consciência do poder que tem sobre mim. É desonesto o que você faz. Nem parece que sou eu que tenho vinte e cinco anos. Parece o contrário. Com você, eu me comporto como um impúbere que lambe calcinhas me massageando no banheiro ‒ zombou, cheio de humor, enquanto cobria de beijos o rosto jovem. Ela sorriu presunçosa e fechou os olhos, deliciando-se com a intimidade. ‒ Diz pra mim o que eu faço ‒ gracejou e não pareceu um comentário pesaroso.
\n\nUm toque forte na porta, juntamente com uma voz manhosa chamando ‘mama’, lhes tirou da bolha. Bella assustou-se e empurrou-o.
\n\n‒ Meu Deus, o Peter! ‒ ofegou, nervosa. ‒ Ele deve estar com fome ‒ comentou preocupada e jogou a bermuda para que ele vestisse. ‒ Só um pouquinho, bebê. Bella já vai ‒ avisou aflita. Como pôde ter tão pouca sensatez ao ponto de estar trancada no banheiro com um homem enquanto Peter estava no apartamento!?
\n\nEdward vestiu a bermuda, apressado, encostou-se atrás da porta e esperou que ela saísse. Minutos depois saiu sem jeito ao ver o garoto sentado sobre a cama conversando com Bella por sinais. Pegou roupas no guarda-roupa e foi arrumar-se no outro quarto, dando espaço aos dois. Esperou-os na sala, usando uma calça jeans, camisa polo preta listrada e sapatênis. Peter voltou à sala e tentou iniciar um diálogo com ele.
\n\n‘Você estava com dor de barriga?’, apontou para Edward e girou a mãozinha na barriga. Edward entrecerrou os olhos para decifrar.
\n\n‒ Não. Por quê?
\n\nPeter fez uma careta, inclinou-se e gemeu, fazendo alusão ao barulho que ouvira minutos atrás. Edward passou as mãos no cabelo, embaraçado.
\n\n‒ Só um pouco ‒ mentiu.
\n\nO menino aproximou-se, pôs as duas mãozinhas na barriga do homem e empurrou-o, pedindo que deitasse. Sem entender, Edward deitou. Peter levantou sua camisa e começou a esfregar a mãozinha em sua barriga. Edward juntou as sobrancelhas, surpreso.
\n\n‒ Você está fazendo massagem? ‒ perguntou, sorrindo da inteligência do garoto. Peter assentiu solene. Edward balançou a cabeça e deitou o pescoço, relaxado. ‒ Sua mãe faz massagem em você quando está com dor de barriga? ‒ quis saber, divertido com as cócegas.
\n\nO garoto assentiu novamente e Edward, para não contrariar seu pequeno amiguinho, pôs a mão atrás da nuca e deixou as mãozinhas desajeitadas esfregarem seu abdômen.
\n\nApós almoçarem no restaurante japonês do shopping, seguiram silenciosos rumo à brinquedoteca. Ela notou, de novo, o modo como Edward analisou sua roupa. Sua atitude intrigou-a. Sentaram-se em um banquinho do lado de fora da brinquedoteca, onde ela podia ver Peter brincando sozinho na piscina de bolinhas.
\n\n‒ Hei, você... ‒ ela chamou Edward, cruzou as pernas como aquelas atrizes dos anos cinquenta e piscou, flertando. ‒ Por que não se aproxima? Você está sozinho? ‒ mordeu os lábios brincalhona, fazendo charme.
\n\nEle balançou a cabeça, sorrindo para a encenação, e aproximou-se um pouco.
\n\n‒ Não. Estou acompanhado ‒ fingiu esnobá-la.
\n\n‒ Ah... Tô a fim de te conhecer ‒ piscou.
\n\n‒ Não dá. Tô saindo com uma garota aê ‒ virou o rosto, dando uma de difícil.
\n\n‒ Eu não me importo ‒ bateu o ombro no ombro dele, brincalhona. ‒ Não precisa contar pra ela.
\n\n‒ Sendo assim, então passa lá em casa depois ‒ sugeriu com um sorrisinho de canto.
\n\n‒ Hummm, você só pode ficar comigo na sua casa? ‒ provocou e passou o braço em volta do seu ombro. ‒ Que tal eu te dar um trato aqui? ‒ passou a língua nos lábios, tentando parecer sensual.
\n\n‒ Não. Aqui está muito público. Alguém pode ver.
\n\n‒ Não te reconhecerão. Você ainda não é famoso para ter que manter a aparência ‒ aproximou mais os rostos.
\n\n‒ Mas alguém pode filmar e, quando eu for famoso, vender para a imprensa. Então acabou minha carreira! ‒ dramatizou, teatralmente.
\n\n‒ Garanto que eu poderia te beijar aqui ‒ desafiou, pôs a mão em sua nuca e o puxou para que pudesse beijá-lo. Ele deu-lhe um selinho, sorrindo, esquivou-se, sutilmente, depois olhou para os lados.
\n\n‒ Melhor lá, afinal, o que vão pensar de mim por estar beijando no shopping uma mocinha de vestidinho, sapato e bolsinhas de bolinha rosa? ‒ brincou, apontando para a barra do vestido da garota.
\n\n‒ É. Realmente todos veriam que você é muito, muito, velho para andar comigo ‒ gracejou zombeteira, bagunçando seu cabelo.
\n\n‒ Não. Não sou eu que sou velho demais para você... ‒ levou a mão ao seu rosto e acariciou-a, mais sério. ‒ É você que é nova demais para mim ‒ admitiu, pesaroso.
\n\n‒ Hummm, tenho certeza de que, se estivéssemos no banheiro, faria você esquecer esse fato rapidinho ‒ sugeriu, sorrindo, mas a brincadeira para ela já tinha perdido a graça ao notar a rejeição. Refletindo, descruzou as pernas, sentou-se ereta e apoiou as duas mãos na ponta do assento.
\n\nPeter saiu da brinquedoteca, ela segurou na mão do garoto e caminharam para a fila do cinema, quietos. Depois do resultado desastroso do momento de descontração, a tensão em Edward era mais clara ainda.
\n\n‒ Posso te falar uma coisa...? ‒ ela começou ao notar seu olhar atento de um lado ao outro, antes de chegar a vez deles comprarem. ‒ Você não precisa ir ao cinema conosco ‒ disse, carinhosamente. ‒ Este é um programa meu e do Peter. Você não precisa se sentir obrigado a ir ‒ apontou para o filme infantil em cartaz.
\n\n‒ Sou eu quem tem que me encaixar no programa de vocês, não o contrário. Eu quero ficar com vocês ‒ respondeu, decidido, depois pagou os ingressos.
\n\nAo receber os tickets, um movimento estranho chamou a atenção dele perto do caixa ao lado. Dois meliantes usando capuz renderam o caixa três, um deles apontando uma arma para a sua cabeça. Edward viu e ficou alerta. Puxa vida, lugar errado e hora errada.
\n\nAs pessoas entraram em pânico, uns se jogaram no chão; outros, correram. Edward abaixou-se até deitar no chão, com Peter de um lado e Bella do outro.
\n\nObservou todos os movimentos, conferindo que só um deles estava armado, o ladrão que fazia cobertura ao que recolhia o dinheiro. Sentiu um beliscão no braço esquerdo, virou o rosto e encontrou os olhos questionadores de Peter, que lhe apontou uma arma imaginária. Edward olhou para o lado preocupado e conferiu se Bella vira aquele gesto de Peter. Não. Reprovou com uma careta e pediu segredo com o indicador na boca. O menino gesticulou, impaciente. Demorou a decifrar os sinais. ‘Por que ela não pode saber?’
\n\n‒ Porque não ‒ sussurrou.
\n\nPeter beliscou-o de novo, escorregou um pouco o corpo no chão e levantou a barra da calça de Edward, lugar onde sabia que ficava a pequena Glock. Edward balançou a cabeça, negando. Peter fez um bico e virou o rosto. Edward rolou os olhos.
\n\nOs assaltantes terminaram de esvaziar um caixa e já rendiam o outro. Ele obrigou-se a encontrar um plano, mas deveria agir de modo que não revelasse sua verdadeira profissão à garota. Aproximou a boca do ouvido de Peter e sussurrou:
\n\n‒ Vamos ser uma equipe. Distraia sua mamãe ‒ instruiu. Peter abriu um sorriso largo. Edward inverteu as posições colocando Peter entre os dois. O menino abraçou Bella.
\n\n‒ Ei, moço, deixe meu filho ir ao banheiro ‒ improvisou Edward, apontando para Bella e Peter, estrategicamente, sem olhar os adolescentes.
\n\n‒ Fica na tua, mané. Que porra de banheiro o quê! Ninguém sai e ninguém entra aqui ‒ o adolescente armado respondeu.
\n\n‒ Ele está apertado ‒ Edward tentou novamente. Bella olhou-o desentendida. O assaltante balançou a cabeça indeciso se guarnecia o assalto ou se liberava o menino. Fez um movimento com a mão e mandou que Peter se levantasse. Bella levantou-se junto.
\n\n‒ Não. A gostosinha não pode ir, não. Só o garoto ‒ balançou a arma em direção aos dois.
\n\nEdward fechou os punhos, irado, e figurou mentalmente o prazer de puxar sua arma e apertar o gatilho, estourando assim os miolos deles. Dominou a ira, em seguida fez um gesto com a sobrancelha para Peter. O garoto, esperto como era, agarrou-se à mão de Bella e choramingou pra que ela fosse.
\n\n‒ Para de chorar, seu frutinha! ‒ o ladrão gritou e apontou a arma em direção a Peter e Bella.
\n\nFoi um erro fatal. Cego de fúria, Edward rolou no chão, pondo-se entre o marginal e Bella, surpreendendo-o com um golpe preciso no pulso que fez a arma cair. No mesmo ato entrou uma chave de perna, desequilibrando o bandido, que caiu de bruços.
\n\nContinuando, chutou a arma em direção contrária ao balcão, apoiou os joelhos nas costas do meliante, mantendo-o cativo no chão, e torcia seu braço fortemente nas costas até a altura da cabeça.
\n\n‒ Não faça gracinha ou é você que vai gemer de dor igual um frutinha ‒ disse entre dentes e inclinou-se mais para falar baixo. ‒ E nunca mais mexa com mulher dos outros, filho da puta! ‒ torceu mais o golpe perversamente, arrancando um urro de dor do trombadinha, depois pegou a própria arma no coldre do calcanhar e apontou para sua cabeça com postura assassina.
\n\nO assaltante desarmado que recolhia o dinheiro, ao perceber o ato, fez menção de fugir, no entanto, outros cidadãos próximos o seguraram e o jogaram ao chão, ao lado do outro.
\n\nMinutos mais tarde, Bella assistiu, de longe, à cena dos seguranças algemarem os flagrantes, depois viu Edward recolher-se a um canto com o chefe da segurança, mostrar sua carteira e guardar a arma na cintura. Ele encontrou o olhar avaliativo dela, segurou o olhar e caminhou tenso em sua direção.
\n\n‒ O que foi aquilo? ‒ ela questionou nervosa logo que ele a alcançou. ‒ Por que você se atravessou na frente daquele homem armado? ‒ gesticulou, aflita. ‒ Você podia morrer! ‒ acusou e abraçou-o, apalpando-o para verificar se estava bem.
\n\n‒ Ele estava com a arma apontada para você ‒ defendeu-se, torcendo que ela não tivesse visto mais detalhes.
\n\n‒ E por que você tem uma arma de brinquedo na cintura? ‒ perguntou trêmula e fez menção de pegar na arma.
\n\n‒ Não é de brinquedo ‒ pôs a mão sobre a arma, protegendo-a.
\n\n‒ Você poderia se machucar ‒ comentou, quase histérica. ‒ E se aquela arma disparasse? E se aquele garoto fosse mais forte que você? Você me deixou com medo! ‒ disparou sem tomar fôlego, pálida.
\n\nEle segurou-a pelos ombros e a calou com um abraço.
\n\n‒ Shiu... ‒ deslizou os dedos em sua nuca, acalmando-a. ‒ Eu estou bem... Passou... Sou treinado para isso ‒ beijou-a na testa.
\n\n‒ É treinado para o quê? ‒ afastou-se transtornada, ainda nervosa e trêmula. ‒ Você é um burguesinho que mal sai à rua!
\n\nEle riu aliviado depois do susto que passaram, desistiu de reprimir-se, passou o braço sobre o seu ombro e beijou-a para acalmá-la. Ela relaxou em seus braços. Ele afastou-se, segurou na mão de Peter e caminharam abraçados para o cinema. Estava cansado de mentiras. A essa altura, arrependia-se intensamente de ter começado tudo às avessas.
\n\n‒ Você não me distraiu ‒ acusou, sentou-se entre os dois e olhou-o ansiosa, aguardando a resposta que ele tardava.
\n\n‒ Ok. Eu tenho porte de arma, Bella. Além disso, treino defesa pessoal. Não foi difícil imobilizá-lo.
\n\nEla suspirou e deitou a cabeça em seu ombro, ainda tensa. ‒ Você nunca me disse que tinha uma arma ‒ resmungou e abraçou-o pela cintura, protetora. ‒ Eu fiquei com medo. Deixe-me vê-la ‒ estendeu a mão.
\n\n‒ Ok, tome o refri que eu te mostro ‒ tirou o carregador, desmuniciou, abriu a arma e colocou-a em sua mão.
\n\n‒ Nossa, como é pequena. Parece arma de brinquedo! ‒ comentou, apreensiva. ‒ Ela pode disparar? ‒ pegou como se pegasse uma batata quente.
\n\n‒ Agora não ‒ sorriu, encorajando-a.
\n\nPeter desceu da poltrona em que estava e sentou na perna de Edward, à vontade. A garota continuou analisando curiosa a pequena arma.
\n\n‒ Não precisa ter medo. Ela está vazia ‒ tranquilizou-a. ‒ Se quer conhecê-la, este é o momento ‒ segurou a arma na palma da mão. ‒ Ela só parece de brinquedo, mas o poder é letal ‒ explicou didaticamente. ‒ O segredo está na munição ‒ e tirou uma munição de dentro do carregador. ‒ Está vendo isso aqui? ‒ mostrou a ponta do projétil. ‒ Viu que a ponta é oca? ‒ Peter e Bella concordaram, interessados. ‒ Bom, se eu der um tiro em uma pessoa com essa munição, na hora, essa pessoa cai. Esse projétil faz um buraco pequeno onde entra, mas, quando sai, deixa um buraco parecido com um cogumelo. Chama-se munição Gold ‒ ambos ouviram atentos, pegaram na munição e passaram o dedo na ponta. ‒ A arma sozinha não é uma inimiga. Inimigo é quem pode estar por trás dela ‒ explicou, depois a montou novamente e guardou-a no coldre de calcanhar. Podia respirar aliviado por pelo menos isso não precisar mais esconder.
\n\nAo fim, sem que ninguém esperasse por tal atitude carinhosa, Peter lançou os braços em volta do pescoço de Edward, abraçou-o forte e, quando se afastou, fez um gesto com os dedos apontando para si, depois fez um coração grande no ar e apontou para Edward.
\n\n‒ Você entendeu? ‒ perguntou Bella, sorridente. Edward assentiu, olhando cúmplice para Peter.
\n\n‒ Obrigado, garotão... Er, eu gosto muito de você também ‒ declarou embaraçado e devolveu o abraço, deixando-o um tempo deitado com a cabeça em seu peito.
\n\nAs luzes do cinema apagaram, os trailers começaram no telão e Peter foi sentar-se do outro lado de Edward, deixando-o no meio. Bella sorriu contente ao ver o afeto sincero de Peter, deitou a cabeça no ombro de Edward e passou os braços em volta de sua cintura.
\n\n‒ Sabe, eu quero que vá à minha casa... Está na hora de apresentar meu mundo para você.
\n\nEdward travou com a proposta, que veio mais cedo do que esperava, e obrigou-se a se portar natural.
\n\n‒ Seria interessante. Mas... E o que Emmett acharia disso?
\n\n‒ Ele não vai estar lá pelos próximos dias. Vai viajar semana que vem. Boa ocasião para você ir ‒ sugeriu, esperançosa.
\n\nEdward sentiu uma pressão em seu braço esquerdo, virou um pouco o rosto e deparou-se com Peter olhando-o com olhos arregalados. Edward lembrou qual era o problema. A tia de Bella, assim como Peter, estava aquele dia no Pier, portanto, provavelmente, ela o reconhecesse como o policial do Pier.
\n\n‒ Quando Emmett viaja? ‒ questionou interessado.
\n\n‒ Ouvi-o conversando no telefone que seria quarta. Mas não tenho certeza. Parece que ele tem que fazer uns contatos e entregas antes, não sei.
\n\n‒ Hummm. Me confirme antes dele ir. De repente eu vá a sua casa no mesmo dia ‒ propôs sombrio. Não tinha a intenção real de ir, mas precisava que ela confirmasse as coordenadas. Tinha uma operação arquitetada após investigação por escutas. Se tudo desse certo dessa vez, não precisaria mais ter abertas as portas da casa de Emmett para investigá-lo. Iria prendê-lo quando ele desse o primeiro passo para contrabandear drogas pela fronteira com o México.
\n\n‒ Ok. Fica combinado assim. No dia que eu souber que ele vai viajar, aviso você, faço um jantar e te convido ‒ propôs animada. Então contaria a verdade sobre Emmett, ela pensou.
\n\n‒ Tudo bem ‒ ele inclinou-se e abraçou-a forte, esperançoso de que dessa vez pudesse resolver tudo. Será que ela iria odiá-lo por metê-la nisso? Tinha medo de pensar no que poderia acontecer.
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