Flor de Lótus-edward e Bella
2 Capítulo 1- Investigações
Notas iniciais
A estória não será longa. Pelo menos, é o que eu pretendo.
Vocês devem ter se perguntado por que um nome tão docinho em uma estória que terá como realidade o mundo policial... As respostas serão dadas conforme vocês forem lendo.
Pretendo postar com o espaço de 15 a 20 dias. Eu já expliquei o porquê. É que além de escrever, eu tb leio e preciso desse tempo para me situar
Meus capítulos não serão grande. Eu pretendo que não seja.
E por último. Não pulem as partes policiais. Elas são importantes na estória.
Bjus
Espero que a gente se divirta por aqui.
A quem interessar:
Sobre a lei Californiana quanto a sexo com menores.
Caso um maior de 21 anos tenha relações sexuais, ainda que, consentidas com um menor, ele terá que pagar uma multa de 25 mil dólares e cumprir uma pena de até 4 anos.
Funcionários públicos da educação, agentes de policia e do Judiciário pode ter a pena aumentada. (Lembrando que professores não podem se envolver com alunos, porque a primeira sanção serão demissão e ficha suja)
Quando sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar.Johnnie Walker
\n\nA sala de reuniões do Departamento Antidrogas do Governo Americano — DEA, em Los Angeles, mantinha um clima tenso na reunião pós-operação. O chefe da unidade andava de um lado ao outro, sob o olhar atento de seus subordinados, com um cupcake na mão enquanto era feito o relatório da operação.
\n\nLongos e exaustivos dias de investigação antecederam a operação que envolvia o flagrante de narcotraficantes. Uma combinação tática com ações pontuais e cirúrgicas foi minuciosamente arquitetada, onde pistas recebidas por informantes foram estudadas e decodificadas, direcionando-os a ocupar pontos estratégicos no local onde supostamente ocorreria a negociação e distribuição de um grande carregamento de cocaína.
\n\nEntretanto, a operação foi um fiasco.
\n\nOs agentes participantes ouviam o relator receosos. Ao se tratar de casos em que se suspeitava do envolvimento do bioquímico Emmett Mattel, o Agente Especial Edward Masen Cullen, chefe da unidade, normalmente imparcial e distante, transformava-se significativamente. Fúria velada e frustração eram claras no seu semblante.
\n\n‒ Não posso crer que todos esses meses de investigação nos levaram a isso ‒ apertou o cupcake na palma. ‒ Bolos. Bolos de laranja ‒ fez uma careta inconformado. ‒ Fomos manipulados, só há essa explicação ‒ juntou o pacote de bolo aos outros sobre a mesa e suspirou, controlando-se. ‒ Sabemos o que um caso desses significa ‒ ressentiu-se, internamente, deparando-se com o cunho pessoal do caso.
\n\n“É Emm quem me traz cocaína” podia ouvir novamente Rosalie repetir no fundo de sua mente.
\n\nEdward esfregou a testa ansioso. Não era sensato permitir que os presentes suspeitassem de seus motivos. ‒ Significa tirar as drogas das ruas, livrar adolescentes de vícios, diminuir a violência ‒ discursou meramente retórico enquanto gesticulava com as mãos no ar, controlando, sob a máscara de frieza e indiferença, a amargura e a dor que a lembrança de Rosalie despertou.
\n\nDo outro lado da sala, dois integrantes da equipe de Inteligência cochichavam entre si, um deles pondo em questionamento os motivos do chefe.
\n\n‒ O Agente Especial Cullen deve ter um caso mal resolvido com o bioquímico, um caso de amor ‒ zombou baixinho o agente Mike.
\n\n‒ Penso que ele foi traído ‒ acrescentou com escárnio o agente Stephan.
\n\n‒ Os agentes Mike e Stephan podem compartilhar conosco o assunto que os diverte? ‒ Edward sugeriu austero, os braços cruzados no peito, exalando intolerância e mau humor.
\n\nErick, agente recém-formado integrante da Inteligência, aproveitou a interrupção e manifestou-se discretamente.
\n\n‒ Chefe, o senhor teria um tempo para mim?
\n\nEdward estudou o nerd de óculos por segundos, suspeitando que o assunto devia tratar-se de informação obtida ilegalmente.
\n\n‒ Dispensados, senhores ‒ avisou aos restantes, esperando que deixassem a sala.
\n\nErick começou a falar ao estarem completamente a sós.
\n\n‒ Eu consegui pegar algo suspeito em uma gravação ‒ expôs, inseguro de como seria recepcionada a informação. O chefe costumava ser Caxias no que se referia a escutas ilícitas em outros casos. ‒ Um telefonema de uma das meninas de Emmett ‒ explicou, pegou o chip em sua mochila e entregou-o a ele. Edward deu um meio sorriso a Erick.
\n\n‒ Vejamos ‒ sentou-se em frente a um computador e ligou as caixas de som da sala de reunião. O som da conversa eclodiu no ambiente.
\n\n“... Florzinha, eu já disse para não ligar desse telefone”.
\n\nEdward fechou a mão em punho ao ouvir a voz de Emmett. Automaticamente lembrou-se de como ele gostava de apelidar pessoas com nomes de flores. Rosalie apelidou de Crisântemo. Sua mãe, Lisandra Masen Cullen, de Líria.
\n\n“Eu precisava de alguns itens” disse uma voz de adolescente em tom rouco e arrastado. “Perto da casa do Daniel tem um mercado grande. Ele pode ir comigo” propôs animada.
\n\n“Não. Você sabe que eu não quero que fique por aqueles lados. Do que você precisa, Isabella?”
\n\n“Açúcar, farinha de trigo especial. Acho que uns cinco quilos de cada. Também preciso de laranjas, maçãs, embalagens de plástico”.
\n\nEdward examinou a proposição, encarou Erick e entrecerrou os olhos com desconfiança. Açúcar e farinha de trigo no submundo do crime era gíria que se referia à cocaína. Edward inclinou-se com as duas mãos na mesa e continuou a sondar a conversa.
\n\n“Também quero um pouco de fermento”.
\n\nUm golpe com o punho no ar foi dado por Edward, triunfante. Se alguém dentro da casa do bioquímico ligou pedindo o que supostamente era solvente, a droga era modificada dentro de sua propriedade, deduziu.
\n\n“Só isso?” Emmett gracejou.
\n\n“Não” ela sorriu. “Por isso eu queria ir. Tem muita coisa para comprar. Mas vou fazer a lista e te mandar por mensagem”.
\n\n“Tudo bem. Algo mais?”
\n\n“Alie manda um beijo” disse mais baixo. “Ela tá com saudade”.
\n\n“Fala para ela não fazer drama. Passei o dia todo a menos de cem metros daí” retrucou brincalhão.
\n\n“Mas você não entrou em casa” reclamou carinhosamente.
\n\n“Vou tentar passar aí mais tarde e pegar vocês acordadas”.
\n\nFez-se uma pausa.
\n\n“Emm...”
\n\n“Hummm”.
\n\n“Eu também estou com saudade de passar um tempo com você” cobrou manhosa. Emmett suspirou.
\n\n“Eu sinto falta de vocês, mas eu preciso trabalhar... Agora tenho que ir. No fim de semana vou arrumar um tempo e levar vocês a uma matinê para dançar” prometeu, impaciente.
\n\n“Emm, não queremos ir a uma matinê” negou decidida. “Queremos dançar numa festa de adultos”.
\n\n“Quando vocês forem adultas, pode ser que eu leve. Em primeiro lugar, vocês nem podem entrar em uma casa de festa”.
\n\n“Na boate que você é sócio a gente pode” sugeriu obstinada.
\n\n“Flor...” Emmett a censurou.
\n\n“Tá, Emm” desanimou-se. “Eu já cresci. É injusto. Para um monte de coisa eu tenho que ser adulta, para o que eu quero, não” argumentou.
\n\nOs homens da sala ouviam atentos a discussão. Há alguns dias sondavam a movimentação externa da casa de Emmett Mattel e viam sair, vez ou outra, um Audi cupê rosa ou um Lótus Elise lilás. Vidros espelhados e óculos de sol impediam identificar os perfis. High School Beverly Hills e Beverly Hills Junior eram seus destinos. Supostamente tinham entre quatorze e dezessete anos e eram tratadas no submundo do crime pelo codinome meninas do Emmett, o que impunha respeito e proteção, segundo boatos. Edward não duvidava de que, além de todas as suspeitas, Emmett também abusasse de adolescentes. Recordava que, quando Emmett começou a ficar com Rosalie, ela não tinha quatorze anos completos.
\n\n“Tudo bem. Quinta-feira vou pedir que Rilley leve você e Alie à Sky. Mas vocês só ficarão de onze até uma da manhã” condicionou claramente insatisfeito.
\n\n“Obrigada, Emm!” ouviu-se sons de palmas e gritinhos animados do outro lado da linha. “Yeah! Uhuu!”
\n\n“Mas e o Peter, Isabella?” Emmett lembrou preocupado.
\n\n“Eu o deixo com Esme. Ele não vai sentir minha falta. Coloco-o para dormir antes”.
\n\n“Como ele está?” perguntou chateado.
\n\n“Também sente sua falta... Hoje ele disse mamã. Fiquei tão feliz!” aplaudiu sonoramente. Segundo a percepção de Edward, a garota pareceu muito alegre e expressiva.
\n\n“Dá um beijo nele por mim. Quanto às coisas que precisa, mandarei comprar e entregar aí”.
\n\n“Ok. Te amo” disse ela naturalmente.
\n\nEle pareceu embaraçado, pois pausou um tempo antes de responder. “Er, eu também te amo”.
\n\nE desligaram.
\n\n‒ Uh, que romântico ‒ Edward zombou com um ofego sufocado, lembrando-se de Emmett anos atrás com Rosalie. ‒ Bom, Erick, ótimo trabalho. Tudo indica que as garotas sabem do esquema. Pelo jeito, além de garotas do Emmett, elas ajudam a manipular e embalar as drogas ‒ sentenciou enquanto andava pela sala sugerindo tranquilidade que não dispunha. ‒ Precisamos de uma estratégia para investigar lá dentro ‒ ponderou reflexivo.
\n\n‒ A Justiça não autorizará ‒ Erick lembrou, referindo-se a todas as dificuldades de investigar esse caso. As provas obtidas vinham recheadas de labirintos. Nada provava a participação de Emmett, que aparecia e sumia de cenas incriminadoras, isentando-se sempre de qualquer acusação. ‒ No entanto, alguém da agência poderia se infiltrar no mundo delas para ganhar confiança ‒ sugeriu distraidamente enquanto estudava suas anotações.
\n\n‒ Como? ‒ Edward franziu o cenho curioso e se virou para o colega, instigando-o com o olhar a elaborar.
\n\n‒ Se algum agente se convertesse em amigo delas, por exemplo ‒ indicou tranquilo.
\n\nEdward estudou Erick detidamente, tempo em que conjecturou a possibilidade de seus agentes novatos passarem-se por adolescentes. Seria fácil. Mike Newton tinha pouco mais de vinte e dois anos. Erick Yorkie tinha vinte e três e, por vestir-se com jeans e tênis All Star, aparentava ter menos.
\n\n‒ Ok. Amanhã você e Newton na Sky para se infiltrarem ‒ Edward escalou. ‒ Eu irei para dar cobertura.
\n\n‒ Quê...? Mas, chefe... ‒ Erick alarmou-se. Seu trabalho costumava ser intelectual, não ação. Tinha funções específicas de especialista em redes, além de altas habilidades em desvendar intrincadas linguagens de comunicação. Todavia, como agente da Narcóticos, seu trabalho mais importante foi ficar em salas de varreduras de escutas.
\n\n‒ Sem mas ‒ sentenciou Edward. ‒ A ideia foi sua ‒ sentou-se sobre a mesa com olhar sombrio. ‒ Será somente aproximação e conversa casual ‒ esclareceu diligentemente. Erick era o mais confiável dos agentes e talvez o único que Edward se relacionava extra corporação. Por ser filho de uma antiga namorada de seu pai, o juiz Carlisle Cullen, da Suprema Corte da Califórnia, conheciam-se há algum tempo. ‒ Amanhã use lentes de contato e roupas modernas ‒ o chefe encerrou.
\n\nQuinta-feira, sentado atrás de sua mesa, o chefe da unidade traçava planos metodicamente sobre a disposição de suas equipes nas diversas investigações do fim de semana enquanto ouvia repetidamente a gravação da conversa de Emmett, ocasião em que tentava decifrar prováveis mensagens subliminares. Sua atividade foi interrompida pela presença da psicóloga da agência Rachel Denalli, filha do Coordenador-Geral da DEA da Califórnia, Marcus Denalli.
\n\n‒ Edie, precisamos falar ‒ exigiu decidida.
\n\n‒ Estou bem ocupado agora. ‒ dispensou-a distraído, sem tirar os olhos do papel.
\n\n‒ O assunto é nós ‒ insistiu.
\n\nEle levantou o olhar e a estudou. Ruiva, alta, magra, olhos cor de mel, cabelo repicado nos ombros. Bonita e sofisticada, porém não o fazia perder a indiferença natural que o mantinha distante e a salvo de relacionamentos.
\n\n‒ Não posso dar o que você exige ‒ dispôs sem preâmbulos. ‒ Deixei claro desde o início.
\n\n‒ Eu me apaixonei ‒ ela inclinou-se e pôs as duas mãos na mesa. ‒ Acredito que posso te ensinar a amar ‒ persistiu carinhosa. ‒ Há algo errado comigo?
\n\n‒ A questão não é você ‒ explicou incômodo. Evitava relacionar-se com pessoas conhecidas justamente para não ter o inconveniente de justificar seus atos ao decidir dar um basta. Conhecia Rachel desde adolescente. Seus pais eram amigos. E imaginou que, por Rachel ser mais velha oito anos e, supostamente, mais madura, não teria cobranças. No entanto, a história repetia-se. Depois de meses de cômodas saídas para satisfação física, aparecia a cobrança inoportuna sob a alegação de amor.
\n\nEla tocou o seu rosto e o acariciou.
\n\n‒ Só precisamos de uma chance. Eu te quero há anos.
\n\nMaldição. Não queria ouvir declarações. Pensou que poderia protelar em evasivas até que ela percebesse seu desinteresse. Mas não queria vê-la sofrer mais expectativas. Durante um tempo, ela foi boa companhia, discreta, conveniente. Depois, mudou. Tornou-se inoportuna. Então a relação ficou maçante e virou obrigação. Precisava dar um fim antes que a magoasse.
\n\n‒ Não posso mais, Rachel ‒ sentenciou resolvido.
\n\nEla levou a palma da mão dele à boca e beijou-a. Ele não podia ser um homem completo, ela pensou. Não com a amargura que vivia, mantendo sempre distância emocional de tudo.
\n\n‒ Este não é o fim para nós. Eu não vou desistir de você ‒ declarou antes de deixá-lo.
\n\n**
\n\nIsabella vestia uma saia de pregas preta com costuras rosa, camisa de manga japonesa branca de botões rosa e uma bota cano baixo rosa envelhecido. Alice usava vestido curto vermelho, tomara-que-caia e uma bota envernizada da mesma cor, na altura do joelho. Ambas usavam apliques de cabelos cacheados e longos com o intuito de dissimular suas identidades. Os cachos artificiais louros de Isabella davam-lhe a aparência adulta.
\n\nAlice retocou mais uma vez o batom vermelho no espelho do carro e balançou de um lado para o outro seu rabo-de-cavalo ruivo. Estavam excitadas por finalmente conseguirem sair como adolescentes normais. Quanto mais o motorista se aproximava da Rua Spring, mais se agitavam.
\n\n‒ Rilley, você vai nos dar um tempinho para paquerarmos, não vai? ‒ Alice perguntou. Rilley não respondeu, mas olhou-a hostil pelo retrovisor. Isabella sorriu prevendo uma discussão. ‒ Merda! Quero liberdade! ‒ Alice resmungou.
\n\n‒ Alie! Garotas não falam esse nome! ‒ Isabella repreendeu com um belisco brincalhão em sua cintura.
\n\nAlice pôs no rosto uma máscara provocadora e mordeu os lábios, encarando Rilley pelo espelho. ‒ Você até poderia ser o prato do meu dia, se fosse legal ‒ espetou zombeteira.
\n\n‒ Quem disse que eu quero ser o prato do seu dia? ‒ Rilley retrucou.
\n\n‒ Você não me deixou completar ‒ umedeceu o lábio superior, num epítome de sedução. ‒ Poderia ser o prato do dia, mas é velho demais para mim. Qual a sua idade? 30? 35? ‒ zombou, fingindo calcular. ‒ O único homem mais velho que eu pegaria de boa é Emmett, porque ele tem a idade que tem, mas é um lindo, jovem. Já você é um velho, feio, Matusalém. E quem gosta de velho é museu! ‒ provocou, sorrindo afetada.
\n\nRilley não era feio. Pelo contrário. Algumas mulheres diriam que ele era bonito e sexy. Louro, alto, forte, com cabeça raspada, uma tatuagem dos fuzileiros navais no braço, porém muito fechado e sério.
\n\nEle a encarou, aborrecido.
\n\n‒ Você é uma fedelha que mal saiu das fraldas!
\n\n‒ Você é um velho feio! ‒ repetiu teimosamente, cruzou os braços e olhou para as ruas pela janela.
\n\n‒ Alice, eu tenho 29 anos!
\n\n‒ É um velho. Idoso. Cheira a mofo! ‒ provocou. Rilley girou o volante, puxou o freio de mão e freou bruscamente. Alice se assustou com o drifting, mas não se intimidou. ‒ Tão velho que nenhuma gatinha como nós olharia para você ‒ rematou cheia de birra.
\n\n‒ Alice e Isabella, desçam! Meia-noite e cinquenta, eu pego vocês exatamente aqui! ‒ ordenou impaciente. ‒ Não importa quem vão pegar. Estejam aqui esse horário e ponto.
\n\nAlice desceu empolgada com o resultado da provocação. Isabella desceu preocupada com o que aconteceria a seguir. Ela sempre tinha que ser o lado mais sensato.
\n\n‒ E Emm, Rilley? ‒ inclinou-se sobre a porta. ‒ Se ele souber que não ficou conosco, vai te encher.
\n\n‒ Vocês não falam. Eu não falo. Essa pirralha me cansa.
\n\n‒ Ok ‒ Isabella sorriu. ‒ Até mais tarde.
\n\nElas caminharam de mãos dadas até a porta lateral da casa de festas com cartões Vips em mãos. O barulho no local era ensurdecedor. Fascinadas, elas gritaram e dançaram ao som de David Guetta, as mãos para cima. Sem que percebessem, eram observadas, desde que entraram no recinto, por dois agentes.
\n\nO terceiro homem, Agente Especial Edward Cullen, encontrava-se no mezanino com postura de fria civilidade e uma lata de Coca-Cola na mão, examinando minuciosamente o local. Vestia-se diferente da normal austeridade diária, jeans preto, camisa preta dobrada em três quartos e dois botões abertos, exalando seriedade e charme. Foram inúmeros declínios de assédios só naquela noite. Embora seu objetivo fosse vistoriar a efetividade da operação, era exigente com o nível intelectual de suas companhias. Não sairia em busca de companhia num lugar como aquele.
\n\nA presença dos seus subordinados próximos às garotas no andar de baixo, chamou-lhe atenção. Elas não ocultavam a pouca idade que tinham. Rostos jovens, traços semelhantes no perfil do nariz afilado e queixo. Corpos esbeltos e roupas teens. Poderiam ser irmãs, Edward ponderou, surpreso com a beleza e juventude delas.
\n\nA ruiva sorriu receptiva aos rapazes, a loura os ignorou e continuou dançando. Edward bebeu mais um gole de Coca e viu a ruiva puxar o braço da loura e reclamar. A resposta da loura foi um esgar censurador, a seguir a ruiva foi deixada só. Não seria fácil, pensou Edward. Ficou claro na escuta telefônica a lealdade e o amor por Emmett. Não deixariam estranhos se aproximarem.
\n\nIsabella seguiu para o banheiro irritada com Alie. Não gostava que armassem para ela, principalmente ficar com um garoto que não conhecia quando já era comprometida. Se Alie queria ficar com o oriental, que ficasse. Ela, não. Saíram para dançar, não para procurar garotos. Se Emmett soubesse, não confiaria mais nelas.
\n\nEdward observou a loura voluntariosa e notou que um de seus agentes a seguiu. Preocupado, desceu as escadas rapidamente atrás de Mike rumo ao corredor do banheiro feminino. Encontrou-o parado, tranquilo, em frente à porta onde dezenas de garotas transitavam.
\n\n‒ O que diabos você está fazendo aqui? ‒ questionou o chefe, pondo-se ao seu lado.
\n\n‒ Estou esperando a ninfeta ‒ o rapaz explicou. ‒ Erick já está passando a lábia na outra ‒ adicionou, zombeteiro.
\n\n‒ Eu vi um homem as observando. Devem ter homens de Mattel por todos os lados ‒ Edward alertou e tocou o seu braço para tirá-lo de lá. Seu intento foi interrompido pela voz que soou próxima.
\n\n‒ Você veio atrás de mim ‒ saiu como acusação. Mike ficou imóvel. Edward reconheceu a voz rouca que ouviu repetidas vezes desde o dia anterior. Automaticamente afrouxou o aperto e disfarçou, o olhar num quadro na parede. ‒ Não gosto de me sentir perseguida ‒ a garota comentou naturalmente e deu um meio sorriso.
\n\nEla não notou Edward, mas fitou Mike curiosa.
\n\n‒ Er... Eu queria dar um espaço para meu colega e sua amiga ‒ Mike improvisou sem jeito. ‒ E, como você veio por esses lados, pensei que podia te ver por aqui. Eu queria te conhecer. Você é muito gata ‒ adicionou mais seguro. Edward rolou os olhos ao ouvir a cantada clichê.
\n\n‒ A primeira coisa que precisa saber é que só vamos conversar ‒ a garota enfatizou decidida. ‒ Não bebo nada que me oferecem em festas, não fumo e não vou sair daqui com você para lugar algum. Se não estiver interessado em só conversar, encerramos aqui ‒ ressaltou direta, o que fez Edward franzir o cenho admirado. Mike abriu a boca sem palavras. Ela continuou. ‒ Qual sua idade? ‒ olhou-o da cabeça aos pés.
\n\n‒ Dezoito ‒ Mike mentiu.
\n\n‒ Ah, legal. Você já se formou no colegial?
\n\n‒ Sim.
\n\n‒ Onde você estudou?
\n\nEdward ouviu o interrogatório perplexo. Mike parecia intimidado.
\n\n‒ Em Nevada.
\n\n‒ Vem muito a estas festas?
\n\n‒ Er... Sim ‒ respondeu desconfortável por ter o chefe tão próximo avaliando-o em sua primeira vez num caso. Edward, às costas de Isabella, fez um gesto com a mão para que Mike elaborasse e ganhasse a confiança dela. Mike atendeu. ‒ E você? Seus pais deixam você vir mesmo sendo tão nova?
\n\nEla sorriu e relaxou um pouco. ‒ Não sou tão nova assim ‒ gracejou. ‒ E esta é a primeira vez que eu venho. Um amigo da família nos trouxe sob seus cuidados ‒ fez um gesto de aspas no ar.
\n\n‒ Você está na escola secundária, né? ‒ Mike supôs, imaginando que ela tivesse entre dezesseis e dezoito anos.
\n\nEla baixou a cabeça relutante em responder.
\n\n‒ Não. Estou atrasada dois anos. Ainda estou no último ano do Junior ‒ explicou baixo.
\n\nEdward olhou-a de canto. Ela parecia chateada por ainda não cursar o secundário, deduziu. Emmett, além de usar libidinosamente suas garotas, interferia em seus estudos. Maldito!
\n\nAvaliou-a abertamente. Espertos olhos verdes enfeitados por longos cílios chamaram sua atenção, numa maquiagem alegre e delicada. Os cabelos longos repletos de cachos formados no babyliss os fez, involuntariamente, associar aos cabelos de Rosalie. Um perfume doce, mas não enjoativo, pairava no ar, tutti-frutti e algodão doce. O bizarro é que era a mesma fragrância que Rosalie usava. Será que Emmett faz com que ela use o mesmo perfume de Rosalie? Isso é doentio!
\n\nAinda inspecionando-a, lembrou-se de quem se tratava: uma jovem com sua inocência usurpada. Ela não parecia tão magra como quando a olhou do andar de cima. Era um rosto adolescente no corpo de uma mulher de um metro e setenta e cinco de altura, aproximadamente.
\n\n‒ Por que atrasou dois anos? ‒ Mike perguntou, interrompendo sua inspeção. ‒ Reprovou?
\n\n‒ Em parte. Um ano eu reprovei por falta, o outro eu parei no início do ano ‒ explicou. Conversaram ainda alguns minutos amistosamente, então ela sorriu. ‒ Gostei de conversar com você ‒ encerrou. ‒ Até mais ‒ dispensou-o naturalmente. O chefe fez um gesto para que Mike a seguisse.
\n\n‒ Não vai nem pegar meu telefone? ‒ questionou matreiro e segurou o ombro dela de um jeito camarada. Antes de responder, ela viu a figura de Rilley os observando a alguns metros. Baixou o olhar para seu braço, alertando que Mike avançou limites.
\n\n‒ Não. Eu não vou te ligar ‒ avisou seguramente.
\n\nO olhar de Edward encontrou-se ao dela, que segurou o olhar curiosamente nele, depois fitou ansiosa o fim do corredor.
\n\n‒ Eu fiz algo errado? ‒ Mike perguntou confuso. Edward acompanhou o olhar dela, viu Rilley e disfarçou um gesto a Mike para que ele se afastasse.
\n\n‒ Não. Tchau. ‒ Ela torceu os lábios nervosa, depois caminhou apressadamente para o lugar onde a ruiva estava.
\n\nContinua...
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