Notas iniciais
Oie!!!Grande beijo as pessoas que acreditaram em mim e fizeram as últimas indicações.Ivis, Carla Priscila e Dani. Valeu!Leiam as notas finais.

Nenhuma missão especial do fim de semana necessitou de sua participação direta, mas mensagens com coordenadas de andamento de investigações chegaram vez ou outra no seu telefone corporativo.

\n\n

Bella não o perturbou mais no fim de semana, mas, na segunda, enviou mensagem por sábado, domingo e segunda. Ela não desistiria disso, Edward pensou resignado. Uma das mensagens: A angústia de ter perdido não supera a alegria de um dia ter possuído, fazia alusão ao que conversaram no sábado sobre a mãe dele, Lisandra. Erick entrou em sua sala e surpreendeu-o distraído com as mensagens.

\n\n\n

Santo Agostinho http://pensador.uol.com.br/frase/Mjg5OTM/

\n\n\n

‒E aê, chefe, a isca entrou em contato? ‒ bisbilhotou e atacou os doces sobre a mesa. Edward enrijeceu-se tenso com o modo como Erick a chamou.

\n\n

‒ Não ‒ mentiu. Iniciou o notebook e procurou arquivos inexistentes. Erick o observou.

\n\n

Droga, não podia levar isso adiante, repetiu Edward para si. A garota não merecia ser usada assim.

\n\n

‒ Ah, que pena ‒ Erick lamentou. O chefe ignorou seu comentário e continuou abstraído, indisposto a dar assunto.

\n\n

A rotina semanal sucedeu-se normalmente: denúncias, flagrantes, papéis para assinar, investigações, insônias, pesadelos, mensagens.

\n\n

Sábado, Bella foi novamente a sua casa, fez o almoço e repetiu os enfadonhos exercícios que ele só fazia para não contrariá-la. Queria que ela parasse de vir por conta própria.

\n\n

‒ Vou te ensinar outro exercício para você adicionar à sua rotina ‒ avisou depois que fizeram a sessão de relaxamento por dez minutos. ‒ Fique em pé, afaste as pernas e flexione um joelho. Essa é a posição dos guerreiros ‒ indicou. Ele fez.

\n\n

Ela vestia uma blusinha de alça lilás que expunha parte da barriga ao movimentar-se. A atenção dele claudicou ali. Engoliu em seco.

\n\n

‒ Agora abra os braços e mantenha-os na mesma altura dos ombros, de olhos fechados ‒ exibiu a posição. ‒ Esquece tudo. Ouça o toque do seu próprio coração ‒ posicionou-se atrás dele e segurou seus braços no ar. ‒ Direcione seu pensamento a si, ao seu pulmão, às reações do seu corpo ‒ instruiu baixinho. Seu fôlego fez um arrepio inexplicável correr da nuca à coluna de Edward. ‒ Esse exercício é indicado para desenvolver determinação e autoconfiança ‒ explicou atenciosa. Ele inspirou longamente. A respiração e cheiro dela tornou o ar denso. Essas reações lhe eram estranhas. ‒ Agora faça com a outra perna ‒ pediu. Ele fez. Após a sessão de exercícios, ela explicou sua teoria para a recuperação dele.

\n\n

‒ Seres humanos habituam-se por repetição, por isso vamos repetir exercícios para equilíbrio da mente e condicionar seu corpo a necessitar até que já faça parte de sua rotina.

\n\n

Ele não respondeu. Sentou-se no carpete. Hoje estava particularmente introspectivo.

\n\n

‒ Eu trouxe um livro para você ‒ ela abriu a bolsinha e lhe entregou. ‒ Treinando a emoção para ser feliz.

\n\n\n

Cury, Augusto, Treinando a emoção para ser feliz,planeta, 2007

\n\n\n

Ele alternou o olhar do livro a ela, confuso.

\n\n

‒ Por que você acha que eu preciso de um livro de motivação?

\n\n

‒ Não é que você precise. O mundo precisa ‒ ajoelhou-se ao seu lado, pegou o livro da mão dele e contou as páginas. ‒ Faz assim: leia dois capítulos. Se não te chamar a atenção, abandone ‒ sugeriu amistosa, olhou no relógio e fez uma careta. ‒ Tenho que ir ‒ deu-lhe um beijo gentil no rosto e caminhou para porta.

\n\n

Ele seguiu para seu quarto e desabou na cama. Depois de uma semana sem dormir direito, iria compensar. Acordou no fim da tarde quando um pesadelo se iniciava. Levantou-se tenso, preparou leite com cereais e sentou-se no sofá. O livro que ela deixou estava no chão, desafiando-o a ler. Abriu a primeira página. A introdução falava sobre a busca da felicidade pela humanidade. Leu criticamente até o momento em que a autor citou sobre gerenciar pensamentos. Rejeitou o argumento com um esgar cético, jogou-o sobre o sofá e voltou ao quarto. Não precisava de livro de autoajuda. Dividir a emoção multiplica a felicidade. Cada uma!

\n\n

Terça-feira seguinte, após uma reunião com o Coordenador Marcus Denalli e todos os líderes da DEA da Califórnia, recebeu um telefonema preocupado do juiz Carlisle falando sobre o vazamento de uma investigação em cima de antigões da Narcóticos de Los Angeles.

\n\n

‒ Para mim são só especulações. A minha unidade é honesta ‒ defendeu.

\n\n

‒ Em horas como essa repito que você era muito inexperiente para assumir a Agência ‒ retrucou. ‒ Fique de olhos abertos.

\n\n

‒ Você sempre vai jogar na minha cara que estou aqui por sua influência? ‒ acusou ofendido. ‒ Pode deixar que irei observá-los ‒ e desligou hostilmente. Eram desgastantes as críticas do seu pai ao seu trabalho.

\n\n

Passou a observar mais os agentes no decorrer dos dias. Analisou que carro usavam, roupas que vestiam. Procurou diferenças exorbitantes entre os bens que tinham e o que o salário poderia pagar. Nada lhe chamou a atenção.

\n\n

Sexta-feira, nove da manhã, após treinar no stand de tiro, Edward encontrou Erick na academia de musculação e seguiram juntos pelo corredor para sala de Edward. A maioria dos agentes treinava àquela hora. Nadavam, malhavam na academia, corriam no campo de futebol.

\n\n

Ao entrar na sala, Erick confidenciou, ansioso.

\n\n

‒ Peguei uma gravação sobre uma negociação de cocaína pura...

\n\n

O oriental explicou que o material seria entregue domingo, cem quilos, mas que teriam que montar guarda para vigiar o suspeito até descobrir o local. Edward instruiu a equipe Alfa e Delta a revezar na vigilância ao suspeito durante o fim de semana.

\n\n

Sábado, o federal fez uma caminhada curta pelo calçadão ao invés de pedalar mais de sessenta quilômetros. Ao retornar ao apê, encontrou Bella sentada no chão.

\n\n

‒ Vai ter que me dar uma cópia ‒ ela reclamou, pegou a chave-cartão na sua cintura e lhe deu um beijo morno no rosto. ‒ Você devia ter me esperado ‒ cobrou e enfiou o cartão na porta.

\n\n

‒ Eu não sabia que você vinha ‒ defendeu-se.

\n\n

‒ Devia ter imaginado, se eu vim dois sábados seguidos ‒ argumentou. Ela parecia um pouco temperamental hoje, ele notou e seguiu para o banho. Vestiu bermuda e camiseta pretas no banheiro. Encontrou-a no quarto com o livro dela na mão.

\n\n

‒ Você leu?

\n\n

‒ Um ou dois capítulos ‒ respondeu indiferente, deu as costas e esfregou a toalha no cabelo.

\n\n

‒ Vou deixá-lo aqui mais uns dias ‒ colocou-o na mesinha de canto. ‒ Vamos ao mercado comprar algo para o almoço? Hoje eu não passei na feira. Daniel não quis ir comigo ‒ explicou aborrecida. ‒ Estou indignada com ele. Por que as pessoas confundem amor com opressão? ‒ Resmungou ausente. ‒ Você vai comigo?

\n\n

‒ Pode ser ‒ assentiu. Após calçar o Nike preto, desceram pelo elevador. Ela estava silenciosa. Ele deu-lhe espaço.

\n\n

‒ Este é o seu carro? ‒ apontou com censura para o Porshe quando ele desativou o alarme.

\n\n

‒ Sim. Por quê?

\n\n

‒ Preto, com vidros pretos e rodas pretas, é sério demais ‒ criticou.

\n\n

‒ Não acho sério. Ele é discreto e confortável ‒ rebateu. Ela sentou-se no banco do passageiro.

\n\n

‒ Eu gosto de coisas coloridas. Preto é ausência de cor ‒ ela explicou. ‒ Se você gosta de carro preto, decoração cinza e roupas pretas é porque faltam cores dentro de você ‒ enfatizou. Deixaram a garagem rumo ao mercado. Ele não quis discutir suas preferências com alguém cheio de teorias sobre tudo.

\n\n

Dentro do supermercado, ele manteve-se em alerta como se estivesse sendo seguido. Não queria ser surpreendido por conhecidos em comum a Emmett. Ela escolheu verduras, cenouras, alfaces e tomates, tranquila. Comprou uma traíra assada, e, quando saíam do supermercado, ele encontrou uma assistente social da Agência.

\n\n

‒ Olá! ‒ ela cumprimentou-o calorosamente, o que o surpreendeu. Normalmente eram bem formais.

\n\n

‒ Olá, Srta. Cryer.

\n\n

‒ Ah, me chame de Kate ‒ pediu com um sorriso coquete.

\n\n

‒ Só se você me chamar de Edward ‒ condicionou e sorriu gentil, um sorriso que pouco se via, mas que fez a mulher se derreter encantada.

\n\n

Isabella rolou os olhos incrédula com o flerte e olhou-os criticamente.

\n\n

‒ Ok ‒ a mulher concordou, corada.

\n\n

‒ O que está fazendo parada aqui fora? ‒ perguntou ele atencioso.

\n\n

‒ Estou esperando um táxi. Meu carro está na revisão e eu tinha que fazer umas comprinhas ‒ sorriu sem jeito.

\n\n

‒ Vamos comigo. Eu te deixo em casa.

\n\n

‒ Não. Não precisa. Não quero atrapalhar seu caminho ‒ relutou. Um táxi se aproximava.

\n\n

‒ Não vai atrapalhar ‒ empurrou o carrinho dela em direção ao seu carro.

\n\n

Kate era uma mulher que, se ele não estivesse evitando sair com pessoas do convívio, poderia se relacionar. Ela era adulta, sofisticada, discreta e bonita. Enquanto caminhavam, Bella abraçou as sacolas e ficou passos atrás. Kate conversava animadamente assuntos concernentes às atividades sociais da Divisão.

\n\n

‒ Ontem nossa palestra foi para alunos de Riverside. A prevenção é a nossa melhor arma ‒ acentuou para impressioná-lo. ‒ Quem é a mocinha? ‒ apontou para Bella.

\n\n

‒ Er... ‒ olhou para Bella em dúvida. Ela era a imagem adolescente patricinha. Vestia um conjunto de ginástica rosa bebê com branco de capuz, óculos de sol de lente rosa e fone de ouvido. Para piorar, mascava chiclete. ‒ Er, filha de... ‒ improvisou desorientado em que resposta dar enquanto abria a porta da frente para a assistente social.

\n\n

‒ Ele é meu tio ‒ Bella se intrometeu ao ler seu embaraço e estendeu a mão para cumprimentá-la. ‒ Prazer ‒ sorriu receptiva.

\n\n

Edward suspirou aliviado, guardou as compras de Kate no porta-malas, deu partida e observou Bella pelo retrovisor. Ela cantarolava distraída no banco de trás. Ouvia música tão alto que ele também ouvia.

\n\n

Kate conversou sobre seu trabalho com menores enquanto orientava seu endereço. Ele teve a cautela de desviar de assuntos sobre a Narcóticos. Estacionou em frente à casa dela e rodeou para abrir sua porta. Ela sorriu grata e caminharam juntos para o porta-malas.

\n\n

‒ Obrigada, Edward. À noite vou dar uma festinha para íntimos. Se você quiser aparecer, está convidado.

\n\n

‒ Se der, eu passo aqui ‒ prometeu gentil, embora suspeitasse que não fosse.

\n\n

‒ Até mais ‒ ela deu-lhe um beijo polido no rosto e despediu-se cheia de sorrisos. Ele esperou-a entrar.

\n\n

‒ Bella, passa para frente agora ‒ pediu ao dar partida. Ela não respondeu. Ele olhou para trás. Ela cantava uma música da Britney olhando para fora da janela. ‒ Hei ‒ ele moveu a mão no ar chamando a sua atenção. ‒ Passa para cá ‒ bateu no banco da frente.

\n\n

Ela baixou os óculos e fez tsc tsc.

\n\n

‒ Não. Você vai como meu motorista ‒ sentenciou com um sorriso perverso e voltou os óculos ao lugar. Ele não entendeu seu novo humor, mas como faltavam poucos quarteirões para chegar ao seu apartamento, deixou passar.

\n\n

Após estacionar na garagem de seu prédio, ele desceu desatento e esperou-a no hall. Bella irritou-se com sua falta de cavalheirismo, quando com a mulher que descera há pouco ele abriu e fechou portas, ainda a ajudou com as compras. Seria porque a mulher era mais velha? Bom, se fosse por isso, dispensava ajuda. Tinha dois jovens braços e sabia se virar.

\n\n

Ela colocou as compras sobre o balcão da cozinha e começou a lavar as verduras, ainda ouvindo música alta. Fez arroz enquanto o brócolis refogava, depois cortou o tomate e colocou a salada sobre a mesa. Sozinha. Quando tudo esteve pronto, tirou o peixe assado que aquecia no forno, abaixou o capuz, tirou o fone de ouvido e sentou-se para comer, em silêncio. Ele observou-a advertindo-se que lidava com uma adolescente. Adolescentes costumam ser bipolares, não? Rosalie era.

\n\n

‒ O que foi? Algum problema? ‒ questionou e sentou.

\n\n

‒ Nada ‒ negou monossilábica.

\n\n

Foi estranho comer em silêncio. Estranho e desconfortável, quando o normal era ela ser hiperativa e tagarela. Depois de almoçar, ele sentou-se no sofá e observou-a fazer caras e bocas para cada música que ouvia. Ora Link Park, ora Edie Brown, Ênia.

\n\n

‒ O que foi, Bella, que você hoje parece irritada? ‒ tentou novamente. ‒ É por causa do seu amigo da pastoral?

\n\n

‒ Também ‒ admitiu. ‒ Ele ficou com ciúmes quando eu disse que vinha aqui de novo. Geralmente, quando eu terminava na casa de recuperação, ficávamos o resto da manhã juntos, almoçávamos... Eu fiquei chateada com nossa discussão, mas vai passar. Vem? ‒ e sentou-se indiana no carpete.

\n\n

Ela programou uma música calma, fechou os olhos e inspirou longamente. Ele imitou-a, mas sentia um clima pesado.

\n\n

‒ Hoje eu também vou exercitar para ver se fico mais leve ‒ ela avisou e seguiram os exercícios básicos por dez minutos. Ambos abriram os olhos juntos. Encararam-se. Uma consciência estranha os envolveu. Uma faísca no ar. Ele rejeitou a emoção e desviou o olhar. ‒ Hoje vou te ensinar outro exercício ‒ ela quebrou o silêncio e ficou em pé. Deixou a coluna ereta, o queixo erguido, segurou uma perna atrás com a mão e apoiou-se no outro pé. ‒ Faça isso e alongue-se ao máximo, na ponta dos pés ‒ exemplificou com uma desenvoltura e graça que o fez abrir a boca admirado. Aliás, o que o fez quase babar foi a blusinha de alças branca que subiu, expondo o umbigo. Lindo. Desviou o olhar. ‒ Não se esqueça de respirar ‒ ela instruiu, séria, deu dois passos à frente, levantou o braço dele e segurou-o. Ele sentiu a comichão estranha na pele arrepiando-o. Droga. O que era isso?

\n\n

‒ Levante o queixo ‒ com a outra mão ela levantou o queixo dele, carinhosamente. Ele queria fechar os olhos e apenas sentir sem culpa as sensações da presença feminina. ‒ Esse exercício é para o equilíbrio da mente, por isso só um pé no chão ‒ explicou e espelhou-o.

\n\n

Depois de exercitarem-se, ela afastou-se e alongou o corpo. Ele parou, observando-a. Ela ergueu os braços e a blusinha subiu mais. Fez abertura total no chão. Ele engoliu em seco. Apreciou, impotente, o corpo bem feito e flexível. O ar ficou rarefeito na sala... Pela primeira vez teve inveja de Emmett por ela pertencer a ele.

\n\n

‒ Você fez ballet? ‒ questionou rouco. O corpo reagiu quando o seio inchou sob o decote ao inclinar-se... Inferno, pare de olhar!

\n\n

‒ Sim. Dois anos quando era criança ‒ foi à cozinha beber água e trouxe para ele. Sentou-se no chão para calçar seu tênis, depois o olhou determinada.

\n\n

‒ Eu te ensinei a buscar equilíbrio do corpo e mente ‒ acentuou séria. ‒ Te dei um livro para te ajudar a acreditar em si e buscar a felicidade. Você agora precisa praticar. Faça exercícios, gerencie as emoções, alimente-se saudável, invista em amigos ‒ aconselhou. Ele observou-a com um inexplicável fascínio. Ela o confundia. Atraía e repelia. Em alguns momentos era uma imatura adolescente Paty; em outros, referia-se à vida como se fosse experiente.

\n\n

‒ Esses conselhos fazem parte de sua religião? ‒ questionou confuso com as três ideologias distintas. Por um lado ela fazia parte de uma pastoral Católica Ortodoxa, também praticava cultura oriental e lia livros de autores protestantes. Não podia defini-la.

\n\n

‒ Não. A caridade e altruísmo não pertencem a nenhuma religião. Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que podemos ver ‒ pegou sua bolsinha e colocou nas costas. ‒ Já vou. Espero que tenha uma noite agradável com sua amiga cabelo de ovo ‒ resmungou e deu as costas, já abrindo a porta.

\n\n

‒ Quem? ‒ questionou desentendido.

\n\n

‒ A mulher que você deu carona ‒ torceu o lábio altiva. Ele entrecerrou os olhos sem compreender sua repentina hostilidade. Cabelo de ovo?

\n\n

‒ O que vai fazer hoje que está com mais pressa? ‒ ignorou seu humor e tentou prolongar o tempo juntos. Não queria que ela se fosse, ainda.

\n\n

‒ Vou ao parque de diversões com o Peter e Alie. Todos os sábados à tarde saímos juntos ‒ explicou mais dócil.

\n\n

Voltou da porta como se lembrasse de algo importante, aproximou-se e pôs as mãos em seus ombros para despedir-se com um beijo no rosto.

\n\n

Tudo aconteceu muito rápido. Numa reação irrefletida, puramente masculina, ele pôs as duas mãos em sua cintura e puxou-a contra ele. A tensão acumulada cresceu. O ar crepitou. Ela inspirou profundo e parou com a boca encostada em sua bochecha, surpresa e confusa com o abraço inesperado. Ele acariciou suas costas. Calor e frio duelou na boca do estômago dela em antecipação e dúvida. Tudo parou. Sua respiração quente o fez sentir a última coisa que admitiria: desejo enlouquecedor. Ele fechou os olhos. Como um adolescente impúbere, seu coração acelerou, a mão suou e os dedos moveram-se ávidos na pele exposta da cintura. A lei da gravitação manifestou entre suas pernas. Apertou-a mais, comprimindo-a.

\n\n

Isso é errado!

\n\n

Ela relaxou, dócil, a boca aberta na bochecha. Sem pensar, arrastou a boca e beijou-o na mandíbula, com sensação de irrealidade. Por trás das pálpebras, ele vislumbrou como seria delicioso ter seus dentes mordiscando-a na cintura, lamber o umbigo, ter os redondos seios na mão. Ela era um atrativo erro. Bonita. Complexa. Jovem. Complicada. Barulhenta. Diferente. Intensa. Doce.

\n\n

Não podia estar acontecendo!

\n\n

‒ Divirta-se então ‒ rejeitou-a, autocensurando-se pela vontade abrupta de derrubá-la no carpete. Ela afastou-se meio atordoada, balançou a cabeça confusa e caminhou até a porta.

\n\n

‒ Até mais ‒ saiu apressada.

\n\n

Ele sentou na sala de TV aborrecido. Nada ganhou sua atenção. Acordou de um cochilo com a reação natural do corpo excitado lhe incomodando pela abstinência sexual prolongada. Por volta de nove da noite, tomou banho e resolveu ir à casa de Kate, assim distrairia a mente e obrigaria o corpo a esquecer a menina de Emmett.

\n\n

Kate o recebeu sorridente e esperançosa. Ele encontrou quase toda a turma de antigões da agência bebendo cerveja e contando piadas. Kate lhe serviu refrigerante e sentou-se ao seu lado. Ela era tranquila, fácil, madura, descomplicada, trinta e um anos, exatamente seu tipo... Para satisfação casual, claro. Obviamente a noite renderia.

\n\n

‒ Boa noite, Edward ‒ Rachel surpreendeu-o por trás. Ele levantou para recebê-la. ‒ Bom te ver ‒ abraçou-o possessiva e lhe deu um selinho.

\n\n

‒ Oi, Rachel ‒ Kate recepcionou-a desapontada e foi à cozinha buscar bebidas. Rachel sentou-se ao lado de Edward.

\n\n

‒ Como vão suas noites? ‒ perguntou naturalmente. Ele fez uma careta reprovando a pergunta pessoal. Mas o que podia fazer? Ela foi sua psicóloga.

\n\n

‒ Durmo umas quatro horas sossegado. Às vezes mais.

\n\n

‒ Está tomando os remédios?

\n\n

‒ Antidepressivos, não. Só quando quero dormir mais tempo que tomo um calmante natural que comprei pela internet ‒ explicou tranquilo.

\n\n

‒ Mas você parece melhor ‒ analisou-o detalhadamente. ‒ Não parece cansado, irritadiço, e hoje ainda se socializou ‒ ressaltou e acariciou seu rosto. ‒ Isso é evolução no quadro.

\n\n

Ele esquivou-se do carinho ao notar ser observado pelos antigões das mesas próximas.

\n\n

‒ Vinho? ‒ Kate voltou, serviu a taça de Rachel e sentou-se ao lado livre de Edward.

\n\n

‒ Obrigada ‒ Rachel agradeceu incomodada ao ver a amiga cercar seu homem.

\n\n

‒ Sua sobrinha não quis vir? ‒ Kate puxou assunto.

\n\n

‒ Não. Ela foi ao parque de diversões ‒ Edward respondeu embaraçado com a mentira.

\n\n

‒ Que sobrinha, Edie? ‒ Rachel pressionou desconfiada. Ela conhecia Jasper, único irmão de Edward, e sabia que Jazz não tinha filha.

\n\n

‒ É uma amiga da família ‒ emendou desconfortável.

\n\n

Rachel olhou-o com os olhos em fenda, imaginando quem poderia ser a amiga da família.

\n\n

‒ Sei ‒ minimizou a importância e passaram a conversar assuntos femininos que não o interessavam.

\n\n

Edward se sentiu incomodado com a atenção feminina, principalmente por elas serem mulheres muito cobiçadas pelos agentes da Narcóticos. Observou o cabelo de Kate e lembrou automaticamente o comentário de Bella: cabelo de ovo. Quis rir sozinho. Queria lhe mandar uma mensagem dizendo que concordava com o apelido, inclusive que ela se esqueceu de um detalhe: cabelo de ovo caipira, já que o tom era alaranjado. Desistiu antes de começar a escrever. Ela poderia estar com Emmett, lembrou revoltado.

\n\n

‒ Bom, eu tenho que ir ‒ levantou-se, já perto da meia-noite.

\n\n

‒ Mas você mal chegou ‒ Kate reclamou sem dissimular a decepção.

\n\n

‒ Você pode me levar em casa, Edie? ‒ Rachel pediu, demarcando território. Kate a olhou ressentida. ‒ Acho que bebi além da conta ‒ fez cena, acercando-se dele, o braço em volta de sua cintura.

\n\n

‒ Tudo bem.

\n\n

Ele despediu-se de todos e saiu com Rachel da festa. Estacionou em frente ao prédio dela e rodeou o carro para abrir a porta. Ela o surpreendeu com os braços em seu pescoço e o beijou entusiasmadamente. Ele não resistiu, devido à tensão sexual acumulada. Subiu para o seu quarto e transaram.

\n\n

Em nenhum momento Bella saiu da sua mente.

\n\n

Abandonou Rachel na cama logo que terminou e seguiu para seu apartamento como que em fuga do vazio e enfado que costumava dominá-lo após o sexo. Dormiu confuso e culpado por ter pensado em Bella durante o ato. Culpa também por ter usado e iludido Rachel. Seus pesadelos foram intensos e atordoantes aquela noite. Acordou suado e com a mandíbula travada. Os sintomas seguintes foram a comum tristeza, saudade e revolta.

\n\n

Decidiu pedalar sem destino pela cidade para arejar o cérebro e minimizar o tédio e solidão. Pôs um boné, óculos e pedalou pela rua beira-mar curtindo o sol tímido de início de manhã. Antes que se desse conta, passava em frente à Igreja Ortodoxa que Bella frequentava. Será que ela estaria lá?

\n\n

Curioso, encostou-se perto de uma árvore e conferiu as horas. Nove.Viu-a sair de mãos dadas com uma criança loura. Seguiram sorridentes rumo a um Lótus lilás estacionado no estacionamento interno da igreja. Antes de ela sair, um rapaz forte e moreno abordou-a, inclinou-se e deu-lhe um selinho. Edward franziu o cenho confuso.

\n\n\n\n

Por volta de dezesseis horas, Edward pegou sua moto, Harley Davidson motor 1600 e seguiu para a rota 66, para um ponto de encontro de motoqueiros. Seu telefone funcional tocou no bolso. Lembrou que tinha homens em missão e parou no acostamento para atender.

\n\n

‒ Chefe... ‒ Erick chamou ofegante. ‒ Tá ligado que de acordo com o que eu ouvi sexta-feira a entrega é hoje, né? ‒ lembrou. Edward bateu a mão na testa e assentiu.

\n\n

‒ Sim ‒ tirou o capacete completamente e encostou-se em um canto mais seguro na estrada.

\n\n

‒ Pois é, estávamos seguindo o suspeito e ele entrou em uma mansão em Malibu... E adivinha o que mais? ‒ incitou em expectativa.

\n\n

‒ Fala ‒ registrou o tom sugestivo.

\n\n

‒ Emmett Mattel acabou de chegar com suas duas garotas, uma criança e uma senhora para uma festa infantil.

\n\n

A mão de Edward apertou o celular inconsciente.

\n\n

‒ Vou ligar para meu pai e ver se ele consegue com algum amigo juiz de plantão um Mandado de Busca ‒ decidiu frio.

\n\n

‒ Ok.

\n\n

Edward ligou na central de plantão da Divisão pedindo que convocassem a equipe Alfa e Delta urgentemente à Divisão para operação emergencial. Ligou para seu pai pedindo cooperação, mas a discussão foi desgastante. O juiz negou irredutível, defendendo que como havia uma festa no local, o Mandado constrangeria os convidados.

\n\n

Edward desligou transtornado e resolveu seguir seus instintos. Se Erick estivesse certo e fosse haver a negociação e entrega da droga, ocorreria flagrante delito, logo o Mandado seria desnecessário. Todavia, se Erick estivesse errado e essa droga não existisse, Edward e sua Divisão estariam ferrados. Definitivamente na merda.

\n\n

Correria o risco, decidiu teimoso.

\n\n

Acelerou 200 km/h rumo à Divisão. Em vinte minutos encontrou parte das duas equipes organizando-se. Parou em frente a seu armário e vestiu a roupa tática. Calça preta, camiseta manga longa preta, colete balístico, suspensório e cinto tático. Calçou o bute e pôs na cabeça a touca balaclava para esconder o rosto. Organizou seus equipamentos individuais no cinto tático: pistola Glock, 9mm, com três carregadores cheios; faca, Glock baby de uso contínuo no coldre de calcanhar; algemas e rádio comunicador. Os outros pegavam seus equipamentos conforme suas funções usuais.

\n\n

‒ Tem certeza de que precisa de tudo isso? ‒ Sebastian apontou cético. Pareciam armados para guerra.

\n\n

‒ São cem quilos de cocaína pura. Não estamos lidando com traficantezinhos de frente de escola ‒ enfatizou sério e deixaram a Divisão.

\n\n

Dezoito horas, vigiavam o perímetro da mansão posicionados de modo que restringissem as chances de fuga. Duplas de agentes faziam ronda em carros descaracterizados, outros se camuflaram em copas de árvore. Erick e Stephan não se vestiam taticamente, então se passavam por moradores da vizinhança usando bermudões e camisetas regatas.

\n\n

‒ Chefe, tenho uma filmadora posicionada em cima do muro filmando toda a movimentação externa do jardim ‒ Erick avisou via telefone móvel funcional.

\n\n

‒ Isso é bom. Servirá de provas futuras ‒ sentenciou com mãos suadas pela pressão. O medo do erro, entrelaçado à incerteza e tantos outros sentimentos diante do ato precipitado, obrigava-o a ter controle emocional e perseverança.

\n\n

O sol desapareceu no céu. Observavam a movimentação e aguardavam o momento certo para surpreendê-los, enquanto a equipe de Inteligência de plantão tentava por meios burocráticos o Mandado com algum juiz de plantão, já que o pai de Edward negou-se a intermediar.

\n\n

O movimento de carros luxuosos crescia cada vez mais. Perto das dezenove horas, um veículo furgão de carga entrou de ré na garagem da casa onde acontecia a festa. Sebastian sugeriu que ou o carro faria parte do Buffet, ou eram as encomendas. O chefe ligou novamente para seu pessoal da Inteligência.

\n\n

‒ O juiz está enrolando ‒ explicou o operador da central. ‒ Deve ter sido alertado por seu pai, o juiz Carlisle ‒ concluiu.

\n\n

‒ Tudo bem ‒ desligou. Filhos da puta burocratas de merda! Odiava essa morosidade bizarra que só favorecia os bandidos! ‒ Sebastian, comigo ‒ chamou-o e caminhou inclinado ao lado do muro, aproveitando o escuro de uma sombra, depois o escalou silenciosamente, com a adrenalina fervendo no sangue. Prendeu o ar ao pular e encostou-se à parede da casa. Escutaram uma discussão em voz baixa, no quarto.

\n\n

‒ E aê, chefe? ‒ Sebastian pressionou. ‒ Por mim, invadimos logo ‒ sussurrou.

\n\n

A exposição frente ao perigo revela ao homem exatamente quem ele é. A racionalidade brigava com a emoção dentro de Edward diante do dilema entre agir ou não. Era óbvio o plano de Emmett. A negociação ocorreria com sua família como álibi. O transporte seria em seu carro. Em casa faria o batismo químico, então o milagre da multiplicação ocorreria, transformando esses cem quilos em oitocentos. Uma atividade rentável que desencadearia em um complexo problema social.

\n\n

De uma coisa tinha certeza: essa distância entre seu trabalho e o Judiciário não poderia atrapalhar suas atuações. Não poderiam perder o princípio da oportunidade esperando até que o Mandado fosse emitido.

\n\n

Deu o comando.

\n\n

‒ Vinte segundos para assalto ‒ determinou via rádio, assumindo todas as ações questionáveis que pudessem responder em patamares superiores.

\n\n

Quatorze homens altamente treinados para combater o tráfico atuavam nessa missão. Contaram mentalmente os últimos dez segundos, o chefe fez sinal, ajustou a touca balaclava no rosto e óculos de proteção e invadiu o jardim frontal.

\n\n

‒ DEA! Mãos à vista!

\n\n

Os convidados cooperaram tranquilos, erguendo as mãos obedientes. Edward avistou Bella com a única criança presente no jardim. As demais crianças encontravam-se no circo de brinquedos infláveis a cinquenta metros do jardim. Emmett abraçava protetoramente Bella. A ruiva segurava-o no braço assustada, como se os policiais fossem os bandidos e Emmett seu protetor.

\n\n

‒ Deitem no chão, senhores, para sua segurança! ‒ instruiu alto e encarou Emmett desafiador. Ele se ajoelhou devagar e deitou de bruços entre as duas meninas.

\n\n

‒ Sebastian, leve a criança para outro lugar ‒ Edward sibilou. ‒ Finja que é uma brincadeira ‒ adicionou preocupado. Sebastian convidou o garotinho, que estendeu a mão receptivo. Edward o reconheceu, surpreso, ao vê-lo apontar curioso a arma de Sebastian. O garoto do Pier.

\n\n

‒ Emm, eu preciso ir ao banheiro ‒ ouviu-se o choramingo de Bella após minutos de silêncio pesado.

\n\n

‒ Daqui a pouco, Florzinha ‒ sussurrou carinhoso, o que provocou asco e revolta em Edward. Abusador!

\n\n

‒ Estou apertada ‒ insistiu. Edward olhou-a preocupado. Não queria que ela passasse por aquilo, embora esse fosse procedimento padrão de segurança para caso de resistência e tiroteio. Foi atraído a olhar a curta saia rodada que ela usava, a qual acentuava significantemente suas curvas traseiras naquela posição.

\n\n

Um chamado no rádio resgatou sua atenção. ‒ Fizemos a varredura no QTH e o resultado é positivo ‒ um agente posicionado na casa informou.

\n\n

‒ QSL, prossiga ‒ afastou-se.

\n\n

‒ Precisamos de apoio técnico.

\n\n

Fez sinal a outro químico da equipe e o instruiu a ir à casa fazer o teste prévio com os equipamentos especiais de sua função.

\n\n

‒ Odeio polícia ‒ Alice atacou mal-humorada. ‒ Eles se acham a lei. São desumanos e nos tratam como merda. Você não tá vendo que ela quer mijar? ‒ desafiou Edward.

\n\n

‒ Alice! ‒ Bella censurou-a. ‒ Já disse que mulher não fala assim! ‒ ralhou séria.

\n\n

Edward mordeu o lábio para não rir. Sinalizou aos outros próximos que mantivessem vigilância, inclinou-se e tocou a mão de Bella convidando-a a levantar-se. Ela encolheu a mão repugnando-o, apoiou-se no joelho e se levantou, olhando-o com superioridade. Ele escoltou-a pelo corredor que a levaria ao banheiro. Esperou-a do lado de fora. O telefone pessoal tocava no bolso insistentemente. Seu pai, obviamente. Não iria atender. Estava feito.

\n\n

Bella o olhou da cabeça aos pés ao sair, mas não poderia reconhecê-lo por causa da balaclava e dos óculos de proteção. Ele se sentiu intimidado com seu olhar de fria acusação. Apontou o caminho para que ela andasse e seguiu-a. A saia curta de pano flexível balançou de um lado ao outro, chamando sua atenção. Com um rugido de raiva, repreendeu o adolescente hormonal em si que se fixava no traseiro empinado. Por Deus, era adulto. Um homem feito! Tinha que parar de olhá-la como se ela fosse um delicioso chocolate proibido.

\n\n

Em meio às emoções conflitantes, para ganhar controle emocional, Edward garantiu para si que acabou. Depois de hoje, não precisaria nunca mais ter contato com essa garota.

\n\n

Um comentário entre dentes em sua frente o atingiu. As mãos tremeram nervosas ao registrar a ameaça.

\n\n

‒ Você é tão previsível, Edie. Está cavando um túmulo com o garfo. Isso aqui é só uma mostra das porras de suas atitudes equivocadas e precipitadas ‒ Emmett zombou desafiador. Edward desejou atirar acidentalmente nele para descontar o ódio. Mantenha o foco. Ordenou-se. Você é a Justiça aqui.

\n\n

Bella olhou confusa para Emmett, depois para Edward, com os olhos não quentes e acolhedores como Edward lembrava-se. ‒ Você o conhece, Emm? ‒ quis saber carinhosa.

\n\n

Edward fechou a mão em punho, irado. Não podia suportar que Emmett tivesse alguém que o amava, enquanto não tinha mais ninguém, por sua culpa.

\n\n

‒ Não ‒ negou, o rosto apoiado no braço no chão.

\n\n

Edward permaneceu firme, posição de guarda, muito consciente da presença dela. Vê-la no chão desmanchava algo nele. Queria que ela não fosse de Emmett. Queria não tê-la conhecido, inferno!

\n\n

Com os pés firmados no chão, o suor descendo por suas costas, tentou buscar o controle e ignorar a sensação estranha na boca do estômago. Tinha vontade de socar algo, chutar alguém... Erguê-la no colo e correr. Rejeitou o pensamento confuso.

\n\n

‒ Chefe, o seu pai na linha ‒ Erick se aproximou e entregou-lhe seu telefone pessoal.

\n\n

Após ouvir o sermão do juiz Carlisle Cullen condenando sua ação, desligou transtornado e recebeu o relatório verbal do perito da equipe, que diagnosticava ser cocaína pura.

\n\n

‒ Mas não são cem quilos, chefe, como esperávamos. E, sim, trinta ‒ completou.

\n\n

‒ Ok ‒ o chefe isolou-se no canto e apertou o botão no rádio comunicador. ‒ Façam o flagrante ‒ ordenou e encarou Emmett com olhar de sombrio triunfo. Voltou-se para Erick, que estava no portão, e fez sinal para que ele algemasse Emmett Mattel. Erick balançou a cabeça negando.

\n\n

‒ Não, cara ‒ aproximou-se e sibilou baixinho. ‒ Sob qual acusação vamos prendê-lo? Ele não estava lá dentro ‒ alertou-o disfarçadamente para não expor a discussão.

\n\n

‒ Você vai fazer seu serviço ou quer que eu mesmo faça? ‒ pressionou entre dentes.

\n\n

‒ Você vai levar todos os convidados que estão aqui fora? ‒ apontou para os outros homens deitados no chão.

\n\n

‒ Não. Só ele ‒ destacou como óbvio. Erick balançou a cabeça. Edward precipitava-se quando se tratava do ex-amigo. Ficava fora de si.

\n\n

‒ Não faz isso. Você vai se queimar. Qualquer pessoa aqui pode testemunhar que ele não estava lá dentro. Além disso, temos aquela câmera ali ‒ apontou para o muro.

\n\n

O chefe suspirou e fechou os olhos, perturbado, flertando com a ideia de levar Emmett em flagrante e obrigar a equipe a testemunhar contra ele. Era o chefe. Ninguém ousaria desacatar ordens. Olhou para o muro e ponderou destruir a filmagem.

\n\n

‒ Ai, ai, a grama está coçando minha perna ‒ ouviu um resmungo de Alice.

\n\n

‒ Daqui a pouco vamos pra casa, Alie ‒ Bella consolou-a e continuou abraçada a Emmett.

\n\n

‒ Por que você não dá logo dinheiro a eles, Emm, para irmos logo embora? ‒ Alice sugeriu encarando Edward. Ele olhou-a cético. Garota atrevida.

\n\n

Edward deixou os ombros caírem e admitiu que não passaria de um policial corrupto de merda se envolvesse problemas pessoais em sua profissão, caso levasse Emmett sob uma acusação falsa.

\n\n

Olhou Bella no chão e entreviu mais um porquê de não querer que fosse assim. Queria que ela descobrisse quem era Emmett por meio da verdade, não armações.

\n\n

Sob a luz da razão, baixou a cabeça e balançou-a chocado com o conflito de emoções. Não compreendia como um agente politicamente correto como ele cogitou trapacear. Se não fosse a análise do que a garota pensaria, postergaria cegamente a Justiça. Aborrecido consigo, caminhou em passos duros até o portão, seguido por Erick.

\n\n

‒ Yorkie, explique ao convidados o ocorrido, peça desculpas pelo incômodo e agradeça peça compreensão ‒ instruiu esmorecido, abriu o portão e saiu covardemente.

\n\n

Cinco homens deixaram a casa algemados, incluindo o dono da casa. Foram conduzidos a duas viaturas e seguiriam para a delegacia próxima. Antes de sair, Edward deu um último olhar a Emmett. Não acabaria aqui. Prometeu. Emmett manteve um sorriso insolente nos lábios.

\n\n
Notas finais
Bom, quero falar uma coisa. A fic é um romance. A parte policial é só o mundo que os abriga. Mas eu quero trabalhar mesmo é no romance. Não criem expectativas em cima da parte policial, pq eu nem sei se sei escrever ação. Eu só tento. Se vocês já estiverem pelo menos vendo algo na operação policial, eu já fico muito realizada.Outra coisa, não tenham dúvidas, o prólogo já avisa que Edward se envolverá com a menor sim. Então, explicarei argumentos de que não será apologia ao crime de pedofilia, até porque, ainda não existe esse crime propriamente dito. Pedofilia não é um tipo penal (crime), é doença. No Brasil, inclusive, pedofilia é um ato somente contra menor completamente incapaz, ou seja, crianças até 14. O que se pode consideram crime é o que a pedofilia desencadeiaa: sexo com menor de 14, que é considerado estupro de vulnerável. Portanto sexo com maior de 14, se chama, de acordo com uma lei antiga que foi revogada, corrupção de menores. Isso, se a menor já não for corrompida, ou melhor, se já não for virgem.E vamos falar sério, uma menina de 16 hj já sabe muita coisa. Quando alguém perto de vcs falar: esse cara de 22 vai ser preso por pedofilia por namorar uma menina de 16; digam assim: Você não sabe de nada, mermão. E explica tudo acima. Então todos arregalarão os olhos para você e perguntarão boquiabertos: AONDE VOCÊ APRENDEU ISSO!? Você responderá: lendo fic. Pirei na batatinha, né? rsrsrLembrem que eu posto de 15 em 15Então até mais, obrigada pela atenção. É muito bom ter vocês para compartilhar o que para mim é muito divertido.Grande beijo e bom fim de semana.Bom, uma coisa, a Bella não teve ciume propriamente dito do Ed aqui. Ela teve reação a uma atitude dele. Ao fato dele tê-la colocado para o banco de trás. Cara chato! Trata ela como criança! Ah, mas ele vai ver.Outra coisa, Ed é adulto. Ele tem uma vida adulta, portanto, tem mulheres. Lógico que depois que ele ficar com a Bella não terá mais.Por último, existe outras pessoas como a Bella no mundo real. Eu por exemplo, quem cuidava de mim desde bebê era minha irmã de 09 anos. Então Bella tem maturidade sim para cuidar de um bebê. Ela é uma adolescente com atitudes adultas.Tem 16 e ele... Acho que já dá p saber a idade dele, que eu não coloquei de propósito. Mas é menos de 30. É só fazer as contas. (se o irmão mais velho dele, Jasper, é doze anos mais velho que Bella, que idade tem Jasper? Então que idade máxima Edward pode ter?)Mas a Bella chama o Edward de velho não por ele ser velho, e sim, por ter atitudes ranzinzas.Bjks