Flor da meia-noite
29 Amor, eu só sirvo pra despedaçar seu coração
Notas iniciais

“6 de outubro
Eu tinha feito dezessete anos há poucos dias, e um novo guarda chegou hoje, seu nome é Jason, Jason Benacci. Foi uma chegada inesperada já que há tempos nosso pequeno país não enfrentava uma crise ou uma guerra, logo, qual a necessidade de um novo guarda de já tínhamos tantos? Decidi não perguntar ao meu pai, ele anda ocupado esses dias. (...)
22 de novembro
(...) Enfim, o guarda Benacci foi promovido a general, e agora ele constantemente fica na minha porta, andando de um lado para o outro como se quisesse algo. Eu não ousaria reclamar, tudo o que eu queria era passar os dedos pelos fios dos seus cabelos negros e bagunça-los. Ultimamente eu tenho sentido uma enorme vontade de puxa-lo para os meus aposentos e beija-lo como se fosse o último dia da minha vida. Eu não sabia explicar o que estava acontecendo, só sabia disso: Estava acontecendo.
15 de dezembro
Hoje sinto como se meu coração fosse sair pela boca. Aqui, sentada nessa mesa, deveria estar cuidando dos relatórios de meu pai, mas não consigo parar de pensar naqueles lábios, não consigo parar de pensar no nosso beijo de ontem, quando ele me deixou na porta depois do jantar e não queria me deixar entrar, quando ele deslizou os dedos pelo meu rosto e me puxou pra perto. Sim, eu sei que é perigoso, mas essa sensação de adrenalina correndo pelas minhas veias me deixava extasiada. Amy, minha criada, me disse que o nome disso é paixão, é claro que eu sabia o que era paixão, só não queria acreditar. Sei que estou adorando descobrir essas coisas novas ao lado de Jason. (...)
9 de fevereiro
A noite passada foi um sonho. Papai organizou um baile pra receber a família real de uma província da França. Perdi as contas de quantas vezes Jason me puxou pra dançar. Ah, como ele estava lindo naquele uniforme de gala, como ele estava lindo. Quase me derreti em meu vestido quando ele me olhava com tal... paixão. Amor, eu diria. Como se dependesse de mim até para respirar. Era intenso, forte, mágico e lindo. Até meu pai me puxar para um canto e me apresentar a Oliver, o filho de vossa majestade Anne. Meu pai queria que eu me casasse com ele, eu sabia disso, mas como me casar com uma pessoa se eu amava outra? (...)
17 de julho
(...) Bom, e pra piorar, as coisas estão ficando cada vez mais complicadas. Jason e eu raramente nos vemos já que estou ocupada cuidando de tarefas que meu pai me passava. Faltavam poucos meses para o meu aniversário, logo, minha coroação. Eu tinha que aprender a ser uma boa rainha para o povo de Tarsus, então eu acompanhava meu pai em todas as reuniões do conselho e tomava decisões importantes. Essa noite Jason estaria de guarda na minha porta, e eu tentaria tirar proveito daquela situação.
10 de setembro
Falta pouco de um mês para o meu aniversário, e Jason tem andado estranho comigo, falando coisas sem sentido, e fazendo planos. Contei a ele que pretendia dizer tudo ao meu pai, dizer sobre nós, já que ele estava me pressionando cada vez para um casamento no qual eu não queria. Oliver era nojento, um patife, andava de nariz em pé como se nada fosse o atingir. Era completamente o oposto de meu general: gentil, atencioso, lindo e... distante (?). Eu não sabia mais como proceder com aquela situação. Eu, Amélia Bennet, princesa e futura rainha de Tarsus sabia lidar com qualquer falha no país, mas não sabia lidar com o amor.
31 de setembro
Eu fiz a proposta. Perguntei a Jason se ele queria fugir comigo pra bem longe, disse que contaria para o meu pai e ele teria que aceitar. Mas ele apenas... disse que tudo seria diferente a partir de amanhã, disse que tudo ia mudar, mas eu senti que já estava mudando. Não sei se me declarei cedo demais, se o assustei, mas a verdade era que eu o amava tanto que a ideia de viver sem ele doía, literalmente falando, doía.
Eu o queria como nunca quis ninguém. O queria na minha cama, debaixo dos meus lençóis, seu corpo colado no meu enquanto nos empregávamos com nossos perfumes. Prometi a mim mesma que seria amanhã, depois da festa de coroação. Eu seria a nova rainha e precisava de um marido. Ninguém mais vai estar acima de mim e minha decisão estava tomada. Vou me casar com Jason Benacci, o guarda que havia roubado meu coração e nunca mais me devolveu. Meus dezoito anos mudariam tudo, realmente mudariam.”
Ler o diário de Amélia me acalmava. Apenas algumas partes cruciais ficavam na minha memória e se recusavam a sair. A forma como ela tinha se apaixonado por Jason tão rapidamente ainda me deixava intrigada, mas ao mesmo tempo aliviada já que isso também havia acontecido comigo. Era o elo, eu tinha que acreditar nisso, era pouco tempo pra um amor assim.
Quando eu não estava lendo tinha que ouvir alguma música que me fizesse dormir. Ontem eu quebrei uma prateleira da minha estante porque comecei a pensar em Riverland e aquela luz saiu das minhas mãos de novo.
Meu celular tocou e eu rejeitei a quinta chamada de David só naquele dia, e ainda eram duas tarde. Ele não sabia o que tinha acontecido, e eu preferia manter assim até decidir o que fazer. Hoje eu enfrentaria os nephilins do Peter, eles estavam tão esperançosos que não posso me deixar levar por sentimentos e estragar toda a chance deles de serem felizes.
—Oi senhora Hale — Ouço a voz conhecida lá de baixo e me sento na cama, deixando o diário gasto de Amélia ao meu lado. Tiro meus fones e ouço com mais clareza. Tem vezes que eu amo essa habilidade — A Ally tá aí? Eu ligo, mas cai direto na caixa postal.
—Ah, oi David, entra — Minha mãe diz e fecho os olhos com força. Merda — Ela tá lá em cima, se quiser subir.
—Mãe! — Grito na esperança de que ela entenda o recado, e pra reforçar, faço uma voz manhosa — Pode vir aqui por favor?
—Já volto, David, mas senta, fica a vontade — Uma Lana muito irritada aparece na porta do meu quarto — O que foi? Não basta não ter descido pra almoçar?
—Fiquei com medo de estragar a mobília da casa.
—Sabe que não é assim — Ela se senta ao meu lado — O David tá lá embaixo.
—Não deixa ele subir, diz que tô doente, ou sei lá, inventa alguma coisa.
—Aquele menino gosta de você, Allyson.
—Eu sei, mas não posso deixar ele me ver assim, não posso deixar que ele me veja como uma aberração.
—Você não é uma aberração.
—Mãe...
—Tudo bem.
Minha mãe bufa e se levanta, ouço ela descendo as escadas e logo depois David indo embora. Coloco meus fones de novo, pronta pra continuar o álbum do The Weeknd, e uma música que conhecia bem começou a tocar: Angel.
Minhas mãos queimam, eu as fecho com força e escuto umas pedrinhas na minha janela. Me levanto ainda com os fones na orelha e abro a sacada. David está lá embaixo.
—Eu sei que você não tá doente coisa nenhuma — Ele diz em tom de voz normal, sabendo que eu ia conseguir escutar. Tiro os fones e sorrio — Me deixa subir.
—Tem uma escada ali do lado, perto da garagem.
Poucos minutos depois ele estava na minha sacada, me puxando pela camiseta do pijama até estar com o corpo colado no meu, e sua respiração no meu pescoço.
—O que tá acontecendo? — Seu sussurro me fez arrepiar.
—Nada.
—Allyson...
—Eu ganhei um tipo de dom novo.
—Ah — Ele se afasta, mas continua com as mãos na minha cintura — Que dom? — Abaixei a cabeça para as minhas mãos, sem saber se mostrava ou não, eu poderia machuca-lo, isso não valia a pena — Ei, sabe que pode me contar qualquer coisa.
—Acho melhor você ir.
—Qual é, Allyson.
—Por favor, vai embora, David.
—Não, não vou — Ele puxa a cadeira de rodinhas da minha escrivaninha e se senta cruzando as mãos — Você vai sim me dizer, e vai me dizer agora.
—Fala baixo, minha mãe ainda tá aqui.
—Ok, pode começar.
—É... é uma coisa ordinária — Me sento na cama, mexendo na ponta da colcha.
—Às vezes as coisas mais ordinárias podem torna-se extraordinárias, simplesmente se realizadas pela pessoa certa.
—Não precisa ficar falando essas frases inspiradoras, ok?
David ri e se aproxima pegando minha mão, eu deixo e me viro, ficando frente a frente com ele, os nossos olhares estavam conectados e sei que ele entendeu que aquele não era o momento.
—Você tem aquela cara que quase diz: Amor, eu só sirvo pra despedaçar seu coração – Sorrio e beijo sua bochecha. David suspira – Sei que você tá tramando alguma coisa, Allyson, e tudo bem se não quiser me contar, mas não deixa eu ficar sabendo de tudo em cima da hora, tá bom? Porque você é mestre nisso.
—Tá bom. Acha que o destino é determinado pelo acaso ou pela escolha?
—Onde viu isso?
—Não sei, mas o que você acha?
—Acredito que cada uma das escolhas que eu fiz me trouxe cada vez mais pra perto de você. E você sabe que te procuro há muito tempo, Ally.
Aquelas palavras têm um peso um pouco maior pra mim do que pra ele, eu me lembro de tudo o que fiz, de todas as besteiras do ensino médio, me lembro de todas as vergonhas que fiz ele passar, de todas as acusações.
—Você usa drogas? – Pergunto ao me lembrar e ele ri.
—Deus, não, porque vocês sempre acharam que eu usava drogas?
—Sei lá, foi se espalhando, disseram até que seu ponto de trocas era na sala de química – Rio junto com ele e caímos na cama com o estômago doendo – Acho que era o cabelo.
—Com certeza era o cabelo.
—Eu sinto muito.
—Tudo bem, já passou – David se inclina sobre o cotovelo e cola nossos lábios. Nunca senti nada que fosse tão especial quanto aquele beijo. Gostaria que fosse algo que eu pudesse pegar com uma rede ou colocar em um livro. Gostaria que fosse algo que eu pudesse guardar, e ao mesmo tempo, contar pra todo mundo: é isso, é assim que você sente quando se apaixona. E sei que só estou pensando assim porque sei o que vai acontecer amanhã.
—Ok, vamos ser sinceros, você está apaixonada por mim — Os olhos deles eram profundos se comparados aos meus — E eu por você – Sorrio e me levanto.
—Acho mesmo é que tá na hora de você ir, porque tenho que pensar no que vou dizer a minha mãe quando ela te ver saindo pela porta sem ter entrado por ela.
David me abraça e suas mãos na minha cintura me trazem uma sensação de paz que não consigo explicar. Sinto minhas mãos queimando e ele ri.
—Ei, você tá quente – O abraço mais forte – Ai! Allyson! – David reclama e eu o solto rapidamente, morrendo de vergonha. Escondo as mãos atrás das costas – O que é isso?
—Não é nada, agora vá.
—Ahn, tudo bem então.
Antes de sair ele deu uma saudação de escoteiro, mas seu sorriso era o que há de bom. O sorriso de um menino mau, o sorriso perverso e encantador que demorei tempo demais pra conhecer.
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—O aço é forjado pelo fogo, e assim como o aço, ficamos mais fortes, estamos preparados para o futuro! – Peter grita e uma onda de nephilins famintos por justiça urra seu nome. É assustador – Eu sei que estão assustados, sei que a gangue do Darko invadiu Ellicot e agora estão por aí sequestrando alguns de nós e nossos filhos, mas vamos dar um jeito nisso – Pela milésima vez eu checo minha roupa enquanto estou escondida atrás do palco improvisado. Calça jeans escura, um suéter preto fechado e all star – Agora nós temos um chance, a filha da profecia! – Mais gritos – Minha filha, Allyson lutará conosco – É a minha deixa. Hazel pisca pra mim e eu subo. É meio patético, mas pessoas gritam meu nome e aplaudem, isso quando nem me conhecem, porque se conhecessem fariam o contrário.
—Povo de Ellicot – Começo meio insegura – Nós não vamos lutar, não vejo necessidade derramar sangue por uma causa que podemos resolver com ações nada fatais.
—E que ações seriam essas? – Alguém do fundo grita.
—Darko não tá nem aí em derramar o nosso sangue pela causa dele— Uma menina jovem perto de mim resmunga – E nós nem sabemos o que ele quer.
—É a mim que ele quer – O silêncio de novo – Eu tenho sangue dele correndo pelas minhas veias, sangue original.
—Mas como isso é possível? – Um homem de pelo menos 40 anos questiona.
—Parei de fazer essa pergunta há muito tempo – Ele sorri e eu continuo – O que importa é que estou partindo pra Riverland amanhã.
—Allyson? – Peter se aproxima com um olhar curioso no rosto, e ao mesmo tempo medo. Eu o ignoro.
—Tenho uma bruxa muito poderosa ao meu lado, e ela vai me ajudar nessa jornada. Riverland tem segredos ocultos sobre a minha profecia e eu vou descobrir. Darko precisa do meu sangue pra acordar, e se eu não estiver aqui, isso não vai se possível, então podem ficar tranquilos, os ataques não vão continuar – Ouço um coro de alívio e me viro pro Peter, que ainda me encara com confusão. Hazel deve estar pirando. Penso em David e cerro os punhos – Eu voltarei com a liberdade de cada um de vocês, juro, mas enquanto isso não acontecer, peço que confiem em mim, e no meu pai – É a primeira vez que o chamo de pai, e sei que ele está emotivo atrás de mim, sinto na alma dele, que emana com tanta facilidade. Pego a foto que ele me deu da minha mão e a olho mais uma vez antes de continuar – Eu vou vingar a todos, prometo.
—Não pode fazer isso — Hazel me puxa pelo braço assim que desço do palco improvisado — Nem sabe onde fica essa cidade agora.
—É na Grécia — Digo naturalmente e ela me olha feio — Os caídos tem um propósito, ressuscitar Darko, sem o Darko, eles perdem o líder, perdem o propósito, e voltam a serem esses selvagens, e aí eu dou um jeito de limpar o sangue.
—Sem o Darko? O que diabos você pretende fazer?!
—Riverland tem as respostas pra todas as minhas perguntas, Hazel, pra todas as nossas perguntas.
—Não deixarão que se aproxime dele, e se deixarem, se matá-lo...
—O que? Vão me matar? Se eu não for vão me matar assim mesmo.
—Qual é Ally, não tente ser mais esperta que eu — Ela diz pegando minha mão — Sabe que não vão só te matar. Sabe que o que aconteceu com o Adam foi picada de mosquito comparado ao que aconteceria.
—Você tem razão, é um plano ruim. Qual o seu plano? Sentar e esperar? Desculpe Hazel, mas sabe que eu não sou assim.
—Tudo bem – Ela bufa.
—Se você contar pra alguém antes de eu ir, pros meus pais, pra Clove, eu juro que arranco suas orelhas e grudo no pescoço.
—Tá, Allyson, mas ainda acho que é loucura.
—Você me fazer mais um favor?
—O que?
—Entregar essa carta ao David – Tiro o papel perfeitamente dobrado do bolso de trás da calça jeans e coloco em suas mãos, como um presente precioso – Depois que eu for, tudo bem?
—Então tá.
“Essa carta começa assim mesmo, sem rodeios, com sinceridade e sendo clara: Eu escrevo pra você. Talvez esteja tentando e ansiando que, ao terminar, tudo seja mais claro ou no mínimo entendível. Porque não, eu ainda não entendi o que aconteceu naquelas semanas que ficaram marcadas de um jeito bom na minha vida justamente por uma coisa singular: Você.
Tudo começou um copo d'água difícil demais de segurar. Eu meio que te pedi para que você me ajudar, e eu acreditei que você havia me ajudado, que nunca mais eu viria segura-lo sozinha de novo, porque você nunca deixaria. Mas eu acabei atirando o copo em você, sem me lembrar que seus movimentos podiam ser lentos, sem me lembrar que o ser humano enxerga apenas 180º, sem me lembrar que, para você, o copo era pesado demais.
E aqui estou jogando o copo em cima de você de novo porque eu sou assim, incerta e cheia de defeitos.
Eu te contei meus segredos mais profundos enquanto estávamos presos em um abrigo ridículo. Contei que nunca planejei casar, mas que queria uma filha com o nome de Vênus, que minha cor preferida era cinza e simplesmente cinza. Contei que tinha um sonho de fazer ballet. Contei que amava pizza com sorvete, mas nunca mais comeria pelas aparências e você riu de mim. Contei que gostava do se sorriso, que eu havia sonhado contigo logo depois do dia da praia.
E você me contou que era apaixonado por mim, e que falar comigo te fazia bem, mesmo quando eu era uma vadia sem tamanho e fazia você limpar minhas botas, você era apaixonado por mim, e isso nunca, nunca vai sair da minha cabeça, ou do meu coração, porque não, eu não sou digna.
Foi apenas um toque, um beijo e um perfume que não era meu na minha roupa. E algumas lembranças de você sorrindo. Era tudo o que eu tinha: você. E você tinha tudo de mim, tudo. Você faz eu me sentir melhor do que eu posso ser, sei que posso estar dando a isso um peso gigante, mas acontece que isso é realmente gigante pra mim.
Você é uma parte de mim da qual eu nunca queria abri mão, mas estou te dando um breve adeus por meio dessa carta porque meu destino não é aqui, meu lugar não é em Ellicot, e talvez também não seja ao seu lado, porque tenho medo de te machucar, já estou te machucando sentimentalmente, mas acontece que tenho medo de te machucar fisicamente também, e pra mim, isso é o fim, eu não suportaria conviver com isso.
Embora eu ainda tenha fé, fé que tudo vai mudar e nós ainda nos veremos de novo. Estou partindo para Riverland esta noite e não tenho coragem de dizer isso olhando para os seus profundos olhos castanhos. Espero que me perdoe um dia. Desejo que isso não seja egoísta da minha parte, mas se você me esperar, David, eu juro que posso aguentar qualquer coisa, até mesmo bruxas torturando o meu sangue.
Com carinho, Allyson Hale.”
—Porque tá fazendo isso, Ally? Porque tudo isso?
—Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que o mundo não para por causa do seu coração partido.
Mas no dia seguinte, quando eu já estava prestes a embarcar pra Grécia encontrar com as ancestrais de Kaleesa, uma mensagem chegou no celular, eu sabia muito bem de quem era, a essa altura a carta já tinha sido entregue, então decidi não abri-la naquele momento.
Coloquei a pequena bolsa na esteira pra ir pro avião, receberia roupas novas assim que chegasse lá, e era melhor pros meus pais não desconfiarem, mas tenho certeza que eles pensaram que eu era maluca por ter lhes dado um abraço tão forte quando eu aparentemente, só iria dormir na casa da Hazel.
A foto de Marie continuava no meu bolso, e eu pretendia mantê-la ali por um tempo como um lembrete das muitas coisas na qual eu me vingaria quando conseguisse o que vou buscar. A lista de Kaleesa junto com as instruções estavam no meu outro bolso. A preciosa lista. O pequeno caderno no qual Kaleesa me confiou valia minha vida.
O diário de Amélia junto com a história de Adina estavam na bolsa. Era isso. Entrei no avião e peguei o celular do bolso. Sabia que a viagem seria longa, tanto de avião, quanto de carro, e aquela mensagem preambularia pelos meus pensamentos até chegar no meu destino:
“Espero que encontre uma pessoa sem a qual não possa viver. E desejo que nunca precise saber como é tentar viver sem ela.”
Tomei coragem pra enfrentar o que estava por vir. Eu me fiz de forte. Enfrentaria o que surgisse. Quanto ao que tinha ficado pra trás, decidi que era melhor assim: deixar pra trás.
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