Flames Of Death

15 Capítulo 15 Chamas da morte


Notas iniciais
Leitores, eu agradeceria muito se vocês deixassem comentários sobre o capítulo, isso me incentiva a escrever e postar mais rápido e me ajuda a saber se estão ou não gostando da minha história, muito obrigada por sua atenção e boa leitura.

Capítulo 14 Chamas da morte

Eu caminhava decidida em direção a pequena igreja no centro da floresta, dali a pouco eu ouviria os sinos tocando alto, anunciando a chegada da meia noite.

Meus pés faziam barulho ao tocarem no chão repleto de folhas molhadas, mas eu não era a única que caminhava.

Olhei para Luci e sorri, encorajando-a a continuar. Ela carregava um enorme saco de pano sujo.

Quebrando o silêncio, ela se virou para mim e resmungou:

-Katherine, seria muito melhor e mais fácil se você me ajudasse com esse cadáver.

Ela apontou para o saco que segurava.

-Luci, querida, isso não é um cadáver, minha linda, ele ainda está vivo, no momento está apenas inconsciente. Cadáveres são homens mortos.

-Me lembre quando que eu concordei com isso.

-Você não está em posição para concordar com nada, Luci. Lembre-se que você me devia um favor. Portanto está apenas pagando pelo o que devia.

Ela fechou a cara mas continuou andando, carregando o saco sozinha. Garota ingênua, fácil de se manipular. Tão inocente...

O barulho de nossos passos ecoavam em minha mente, tinha medo de chegar lá e não ser esperta o suficiente, rápida o suficiente, forte o suficiente. Meu pequeno plano genial exigia de mim muito mais do que pensei que poderia fazer. Era normal que ficasse nervosa por isso.

Por fim chegamos em frente a igreja. Luci largou o saco pesado no chão e olhou para a entrada da igrejinha boquiaberta.

-Eu não vou entrar ai, Kath.

-Por que não? Já chegamos tão longe, vai desistir agora?

Desta vez ela hesitou antes de responder, pensando na resposta que eu queria escutar.

Ela bufou, se rendendo.

-Está certo, Kath, não vou desistir a essa altura do campeonato.

-Então não desista, agora vista sua armadura, pois nós vamos lutar.

É claro que nem eu nem Luci realmente tínhamos uma armadura, e isso tudo não era guerra para nós lutarmos, porém a frase foi mais como um incentivo para continuar. Além de que ao falar "armadura" eu também queria dizer para Luci tirar aquela máscara de garotinha ingênua e boba e se transformar na bruxa forte e manipuladora que tão bem conhecia.

Luci captou a mensagem com sucesso; antes que eu percebesse sua áurea havia mudado, ela emitia poder sem ao mesmo perceber, e tinha uma expressão mais séria e poderosa. Essa sim era a minha amiga guerreira e vitoriosa.

Os sinos da igreja começaram a tocar alto e estridentes.

Havia chegado a hora, nós estávamos prontas, ou pelo menos era essa a impressão que gostaríamos de passar aos nossos inimigos.

Com todo o cuidado e delicadeza peguei uma parte do corpo inconsciente, ajudando Luci a continuar.

Entramos na igreja com o maior cuidado, hesitando na hora de passar pela porta dupla de madeira.

Passei a olhar por todo o aposento escuro, apenas iluminado por velas estrategicamente posicionadas. Meu mordomo, Damon e Lexi estavam parados em um canto do aposento, com um perfeito contraste de escuridão e luz, uma vez que as sombras lambiam seus corpos e a pouca luz das velas revelavam apenas a sua silhueta.

Seus rostos estavam escuros e assustadores, de forma que pareciam fantasmas.

Tive medo.

Queria poder dizer que não ou no mínimo fingir que não, mas não vejo mais utilidade para essas mentiras. Sim, eu sentia. E sim, eu tinha medo.

Me aproximei de Luci e agarrei com mais força o saco com o corpo, com tal força que pensei sentir um gostinho de sangue vindo à tona na pele de meu refém desmaiado.

Soltei o saco depressa, não queria machucar a pessoa que se encontrava prisioneira dentro deste, além de que logo ele acordaria.

Aproveitei minha mão livre para passá-la de leve pela saia de meu vestido, verificando se o livro que roubara da biblioteca de Lexi ainda se encontrava lá. Sim, ainda estava lá.

-Minha querida senhorita Katherine, estava com a leve impressão de que não irias comparecer...

Levantei a cabela tentando demonstrar meu poder e autoridade, passando a imagem de que eu era superior a eles.

-E posso saber por que o senhor pensaria em mim de forma tão covarde?

-Isso não vem ao caso, senhorita. Vejo que trouxe uma acompanhante e um...saco?

Olhei para o saco com o corpo e sorri, levantei a mão e acariciei de leve o pouco corpo que sobrava para fora do saco.

-Claro, desculpem me a indelicadeza. esta é Luci, uma antiga amiga minha, muito fiel e também muito mais poderosa do que qualquer um de vocês.

Lexi se virou para mim e falou com ironia:

-A senhora tem amigos?

Revirei os olhos e decidi ignorar, não iria perder meu precioso tempo com gente estúpida.

Andei alguns passos até estar próxima o suficiente para que eles conseguissem me ver, mas longe o suficiente para que não conseguissem me tocar.

-O que tem no saco?

Perguntou Damon desconfiado e com motivo.

-Por que tanta desconfiança, Damon querido? Confie em mim, meu amor.

-Não vejo porque fazê-lo.

-E por que não? — ri da cara dele, tão inocente e fofo, tão ingênuo... — falando nisso, Damon meu rei, tu deves estar se perguntando onde andas sua amada Rose.

Damon olhou para mi confuso, mas meu mordomo se intrometeu.

-Para sua informação, senhorita Katherine, Rose não está morta, conseguimos tirá-la da casa em chamas antes da morte alcançá-la, porém decidimos que seria melhor ela se afastar por um tempo, uma vez que está ferida.

Meu sorriso se apagou.

Damon começou a me xingar, mas meu mordomo o empurrou para o lado e se postou na minha frente, o que me fez recuar, certamente não queria que nenhum deles se aproximasse tanto, quanto mais perto eles estivessem, mais difícil seria de desviar caso um deles decidissem me dar um golpe, e mais difícil seria usar meu elemento surpresa.

Coloquei a mão para dentro da sacola e novamente acariciei o cabelo de meu maravilhoso refém.

Lexi se cansou de meus joguinhos e se aproximou, com os dentes a mostra, com uma expressão animal assustadora. Apenas sorri para ela.

-Eu não faria isso, senhorita Lexi.

-E por que não?

Falou ela com desdém e com um sorriso estranho no rosto, demonstrando dúvida.

-Porque eu também tenho meus planos, ou acha mesmo que resolvi comparecer a esse encontro suicida sem nenhuma carta na manga?

Ela apenas me olhou confusa e permaneceu em silêncio. Meu mordomo olhou para mim, agora preocupado e se atreveu a perguntar.

-Katherine, o que tem dentro do saco?

-Porque falar se posso mostrar a vocês?

Falando isso, rasguei o saco, deixando que o corpo caísse e pousasse com tudo no chão de madeira.

Lexi correu em direção ao corpo e gritou com lágrimas nos olhos:

-Stefan!!!

Ela começou a balançar o corpo do lindo homem desmaiado e chorou por cima dele, depois olhou para mim e gritou me acusando:

-O que fez com ele?! Sua monstra, vadia horrorosa!

-Nossa, mas que palavreado mais horrendo, não tens educação?

Falei rindo para Lexi, com ironia e prazer.

Lexi me fuzilou com o olhar, bufando de raiva, com as lágrimas escorrendo pelo rosto pálido.

Meu mordomo se aproximou de Lexi, pousando a mão em seu ombro, tentando ao máximo transmitir sensação de segurança e reconforto, mesmo que para ele não fizesse diferença nenhuma se Stefan morresse ou não, meu mordomo só queria uma boa vingança, não importa quem morresse para ele conseguir isso.

Damon também correu para o lado de Lexi, olhando apavorado para o irmão e acariciou de leve os cabelos claros de Stefan.

Meu mordomo voltou a se endireitar de pé e olhando em minha direção falou:

-Levantem-se, recomponham-se, o menino ainda está vivo, não se deixem abater por tão pouco, é isso que ela quer.

Damon e Lexi se levantaram contrariados.

Lentamente andei até estar ao lado do corpo de Stefan, acenando para que Luci se aproximasse também.

Ela veio em minha direção com tamanha elegância e classe, ela carregava poder dentro de si, mas era um poder tão forte que até os mais insignificantes humanos poderiam sentir só por estarem no mesmo ambiente que ela.

Tenho que admitir, Luci era uma pessoa impressionante.

-Bem, agora que estamos todos aqui e sabemos bem de nossos planos, revelem porque me trouxeram até aqui.

Falei irritada e até com um pouco de medo da resposta, afinal, se eles me quiseram aqui, certamente também tinham um plano. Tive medo de não ser a única com uma carta escondida dentro da manga. Afinal, ninguém joga sem saber se tem alguma chace de ganhar o jogo.

Meu mordomo andou alguns passos em minha direção e sorriu, mostrando diversos dentes preto de podres e outros que foram substituídos por pequenos dentes de ouro.

-Por que a pergunta, senhorita Katherine, está com medo?

Eu ri. Gargalhei seria uma palavra melhor para descrever minha ação. Joguei a cabeça para trás e gargalhei com gosto. Depois, tomando fôlego, respondi:

-Eu? Com medo? Nossa, meu mordomo lindo, como você é engraçado, ótima piada, parabéns!

Falei com total ironia e até um pouco de frieza. Mas ele apenas aumentou seu sorriso como resposta.

-É o que veremos.

O que aconteceu a seguir foi tão rápido que até mesmo eu tive dificuldades em captar os movimentos. Antes que eu percebesse, Lexi gritou "Agora!", Damon reagindo ao gritou deu um pulo em direção a Luci e meu nem tão fiel assim mordomo correu para cima de mim, me jogando para longe.

Luci, que assim como eu também foi pega de surpresa, foi empurrada para o meio de um círculo feito de sal no chão, onde, um pouco mais adentro do círculo havia uma estrela. De repente o círculo pegou fogo, Luci estava encurralada.

Fiz a única coisa que consegui pensar. Mais rápido do que qualquer um no aposento, corri e agarrei o corpo de Stefan, me transformei em vampira e deixei que meus dentes apoiassem em seu pescoço.

-Soltem a Luci, se não Stefan morre.

Soltei em meio a rosnados. Eu amava Stefan, mas se fosse necessário, mataria-o sem pensar duas vezes.

Lexi soltou um gritinho assustado e Damon arfou aterrorizado. Eles também amavam Stefan.

O fogo em volta de Luci aumentou enquanto meu mordomo se aproximava de mim lentamente, com um sorriso irônico no rosto.

-Pode matar o garoto, mas não pense que isso me impedirá de matar a senhorita e sua amiguinha feiticeira.

Lexi olhou para meu mordomo e soltou um berro em meio as lágrimas. Ela não passava de uma vadia idiota, não sabia sequer negociar, influenciar ou até mesmo ferir alguém; e agora que havia sido enganada e traída só conseguia gritar.

-Cale a boca, menina inútil.

Respondeu meu mordomo.

Olhei para ele com raiva e resolvi cumprir minha ameaça de uma forma que eu ficasse feliz e eles assustados.

-Bem, os senhores que escolheram, só não vão chorar no enterro, pois você tiveram uma opção.

Mordi meu próprio pulso, deixando que o sangue escorresse por meu braço magro. Forçando minha mão contra a boca de Stefan; as gotas de sangue vermelho e fresco escorreram para dentro daqueles lábios perfeitamente rosados, e eles engoliu.

Damon olhou confuso para meus movimentos, Lexi se recontorcia no chão de tanto chorar, e meu mordomo olhava para a cena entediado.

Acariciei de leve o cabelo de Stefan, passei minha mão e meu braço por volta de seu pescoço, da forma que um antigo amigo meu havia me ensinado, e virei sua cabeça com força, fazendo com que seu pescoço se quebrasse e a morte o alcançasse.

Todos ficaram olhando apavorados a cena, menos meu mordomo, que apenas carregava um brilho de curiosidade no olhar.

Larguei o corpo de Stefan com todo o cuidado no chão e me aproximei de onde estavam as velas, que não faziam a mínima diferença perto de tanto fogo do círculo.

Por um irônico momento me peguei pensando que aquele círculo deveria conter enorme concentração de magia e poder, se não a igreja toda já estaria ardendo em chamas, uma vez que esta era toda feita de madeira.

Afastei esse pensamento com um sorriso idiota no rosto.

Desta vez foi a minha vez de gritar "Agora!" para Luci.

Ela murmurou algum feitiço e o fogo que antes a cercava se derreteu em uma poça de um líquido tão negro quanto o universo, se é que isso pode parecer possível.

Luci avançou para mim, mas meu mordomo se colocou em sua frente e começou a murmurar um feitiço em direção a ela, e nesse momento todo o ambiente escureceu, as velas foram sopradas pelo poder do feitiço, a escuridão estava próxima.

Lancei o livro que roubara da casa de Lexi em direção a Luci, com a página desejada já demarcada.

Luci, em um movimento rápido e elegante, agarrou o livro e gritou palavras venenosas e mortíferas para meu mordomo; o feitiço da morte.

Ele gritou. Caiu no chão, se contorcendo de dor, sangue escorreu por seus olhos, que giravam fora de órbita.

Lexi e Damon permaneceram paralisados enquanto observavam a cena horripilante.

Aos poucos os gritos de meu mordomo foram se silenciando, os olhos se fecharam, o sangue parou de escorrer pelo rosto. A boca levemente aberta, com um líquido avermelhado e espumante escorrendo dela.

Lexi deu um soluço forte, Damon olhava para o irmão com dor nos olhos, Luci se mantinha indiferente e protegida de qualquer tipo de emoção diante de tudo aquilo.

Me aproximei do corpo morto de Stefan e sentei em seu colo, passando a mão por seu peito musculoso.

Um barulho no funda da igreja atraiu o olhar de todos, mas não ouvi coração algum batendo, não ouvi mais nada de mais.

Passei a mão pelos cabelos bagunçados de Stefan, com medo de ter feito algo errado.

Lexi gritou, ela não gritou em nenhuma língua específica, apenas gritava. Sendo possível apenas entender alguns criativos xingamentos atirados em minha direção, mas sequer me importei em responder, ela não me importava em nada.

Suspirei de leve era hora de ir embora.

Me levantei calmamente olhando para Lexi e Damon. Pretendia matá-los e depois partir para um lugar qualquer.

Mas antes que conseguisse quebrá-los em milhões de pedaços ou coisa do gênero, uma respiração a mais se iniciou no aposento escuro. Assustada, olhei em volta, procurando o dono de tal respiração, mas eu ainda não conseguia ouvir um novo coração batendo.

Stefan se levantou com um berro de dor e olhou em volta, com os olhos verdes brilhantes arregalados, e onde antes estavam seus dentes normais e humanos, agora haviam afiadas presas.

Presas que gritavam para seu dono. Um dono que agora não tinha mais nada de humano, não passava de um animal perigoso e extremamente atraente.

Stefan tinha fome, ou melhor, sede. Ele desejava sangue.