Flames Of Death

16 Capítulo 16 O prisioneiro


Notas iniciais
Só gostaria de agradecer aos leitores por acompanhar minha fanfic e me incentivar a escrever. Muito obrigada! Fico feliz se deixarem sua opinião sobre o capítulo.
bjus e boa leitura

Stefan arfou olhando em volta, segurando a cabeça entre a mãos. Suas presas estavam compridas e gritavam por sangue humano, mas ele se manteve em controle absoluto.

Lexi olhava para Stefan assustada e de certa forma feliz por vê-lo vivo. Se bem que, pensando de um diferente ponto de vista, ele não estava mais vivo. Um corpo morto com uma alma amaldiçoada.

Sorri para ele e falei com ironia:

-Bem vindo ao clube dos mortos vivos.

Ele olhou para meu rosto, e sua expressão se converteu em ódio e raiva. Rosnou em um tom ameaçador:

-O que fez comigo?

Damon se mantinha paralisado diante a cena, assustado ao ver seu irmão voltar dos mortos.

-Perguntas como se já não soubesse, não está mais do que óbvio? Stefan, querido, eu matei você.

Ele somente rosnou como resposta, deixando se possuir pela fúria, que aos poucos o consumia.

Stefan se transformara em um monstro. Um animal sedento do mais puro líquido da face da terra, sangue.

-Stefan, meu amor, para a transformação se completar você tem de se alimentar de sangue humano.

Lembrei me de quando eu fora transformada em vampira, também me disseram essa mesma frase e lembro me que me assustei tanto que na hora quase chorei. Olhei para Stefan com compaixão, eu sabia o que ele estava passando, e sabia que era muito difícil e complicado essa experiencia em específico.

Stefan me fuzilou com o olhar. Eu descobri o que ele pretendia antes que realmente conseguisse colocar a ação em prática.

Agarrei Damon, prendendo-o em meus braços de forma ameaçadora e rosnei para Stefan:

-Nem pense em me atacar, ou realmente quer ver seu precioso irmão morto, e uma coisa lhe prometo, diferente do senhor ele não vai voltar como morto vivo. No momento em que o coração de seu irmão parar de bater, que se acabem suas esperanças, pois nada desse mundo irá trazê-lo de volta.

Stefan se manteve parado, observando-nos, visivelmente hesitante para considerar minha oferta. O que era mais importante, seu irmão ou seu orgulho?

Ri. Melhor dizendo, gargalhei, jogando a cabeça para trás e tudo mais. Como era maravilhoso estar no controle novamente.

Lexi deu um passo a frente e a medida que ela se aproximava, aos poucos eu ia encravando meus dentes na pele lisa do pescoço de Damon. O sangue já começava a brotar em meio a palidez e escorria levemente para dentro de minha boca, permitindo me saborear sua doçura.


Stefan arregalou os olhos, extremamente sedento daquele líquido infernal e delicioso, passou a língua pelos lábios, da mesma forma que faria um caçador ao achar sua vítima.

Seu belo rosto se converteu para a expressão de um assassino, e nossa, como tal expressão lhe caia bem.

Sem se aguentar mais, ele correu em uma velocidade impressionante para o pescoço do irmão, me empurrando de leve e enfincando suas presas no pescoço pálido, sugando seu sangue com prazer.

De repente, percebendo o que estava fazendo, Stefan jogou o corpo de Damon para longe, fazendo-o bater contra a parede e cair inconsciente.

Stefan olhou para seu irmão horrorizado, virou-se para mim e falou aos sussurros, usando as palavras feito estacas para perfurarem meu coração de pedra.

-Monstra. Sabe, Katherine, você não passa de um rostinho bonito. Tu és uma vadia demoníaca, e eu vou adorar te matar.

Me divertindo com tudo aquilo, respondi brincando:

-Estás errado, não sou apenas um rostinho bonito, também sou um corpinho sexy e uma riquinha mimada.

Ri dele, mas ele não riu de mim. Seu rosto estava sombrio e feroz. A escuridão lhe caia bem, lhe dava uma impressão de perigo e sensualidade, a combinação perfeita e feita para mim.

Lexi, ao perceber que aquilo com toda certeza só resultaria com mais sangue derramado e mortes inocentes, saiu correndo da igreja, tão rápido que mal consegui acompanhá-la com o olhar. Lexi não passava de uma inútil mimada e covarde, não merecia o título de vampira.

Mas também sequer me incomodei de segui-la ou impedi-la, naquele momento só o que me importava era Stefan, que rosnava ameaçadoramente a minha frente, feito um belo animal raivoso.

Damon permanecia inconsciente no canto da igrejinha, mas talvez assim fosse melhor, nunca tive a real intenção de matá-lo, não desperdiçaria assim homem tão lindo.

Luci, que até aquele momento se mantivera calada, apenas observando com seus lindos olhos exigentes, se endireitou de pé e saiu da igreja, talvez atrás de Lexi ou talvez apenas desistindo de permanecer ali, ela não era o tipo de criatura que gostava de matar inocentes e punir aqueles que merecem ser punido. Aquela sim era mulher respeitosa, com tamanho poder carregado dentro de si e ainda sim conseguia se prender a justiça e aos valores da vida. Eu não tinha isso, mas também nunca realmente tentei ter. Acho que era isso que a fazia uma pessoa melhor do que eu.

Stefan, perdendo qualquer tipo de controle e paciência que conseguira manter até aquele momento, me atacou. Dando preferencia ao meus pescoço liso e macio.

Revidei, enquanto ele tentava arrancar sangue de meu pescoço, eu tentava lhe roubar a carne do rosto com ferozes dentadas. Porém nenhum dos dois tiveram grande sucesso.

Desistindo de matá-lo, uma ótima ideia me passou na cabeça, enquanto ele tentava sugar todo o sangue de meu corpo até que a morte viesse me abraçar sem piedade, eu tentava fazer outra coisa.

Lasquei-lhe um beijo na boca doce e úmida de sangue humano.

No mesmo instante ele parou de tentar me morder pata matar e olhou para mim, completamente confuso, com os olhos mais brilhantes que eu já vi, e falou arfando de surpresa:

-Estás louca?

Sorri para ele e respondi sussurrando com leveza em seu ouvido:

-Começo a suspeitar que sim.

Logo após lhe roubando outro beijo quente de tirar o fôlego, e desta vez ele retribuiu, passando sua língua para a minha boca, e puxando meu corpo para mais próximo do seu.

Passei minha mão para dentro de sua camisa, e senti ele fazer o mesmo com meu vestido, mas logo ele parou de me beijar e enfincou seus dentes em meu pescoço novamente, me fazendo gritar de uma dor agonizante.

Tentei desesperadamente afastá-lo, mas no momento em que ele tirou suas presas pontiagudas de meu pescoço, ele voltou a me beijar. E mesmo com toda a vontade do mundo, não consegui aguentar, continuei a beijá-lo.

A pressão de nossos corpos fazia com que fossemos obrigados a andar, quase caindo para trás. Em meio aos beijos, vez ou outra eu sentia os dentes de Stefan em meu pescoço, arrancando meu precioso sangue.

E nesse ritmo, aos poucos, fui me sentindo cada vez mais fraca e sonolenta.

Lembro me que Stefan me agarrou e me puxou para mais perto, passando minhas pernas por seu corpo forte e bem definido.

Passei minhas mãos por seu cabelo, por seu peito musculoso, pelo seu abdômen. Também lembro me de ter até chegado a abrir o zíper de sua calça, mas não passou dai. A fraqueza me dominou e a escuridão tomou minha visão. Fui abraçada pela sensação fria da inconsciência.

***

Quando acordei estava atirada feito uma boneca de pano rasgada e esquecida. Grades de ferro me cercavam, e eu estava largada em um colchão sujo e maltrapilho, muito mal cuidado.

Sem pensar muito no que estava fazendo, me levantei apressadamente e corri agarrando as grades com força, jogando todo o peso de meu corpo contra o ferro.

Gritei de uma dor ardente que me tomou, queimando meu corpo aparentemente frágil.

Um policial se aproximou de mim, rindo.

-O que foi, senhorita vampira? A verbena das grades te machuca?

Era isso, maldita planta, que me queimava, me torturava e me enfraquecia.

Tonta por causa do contato com o veneno, perguntei:

-O que houve e como vim parar aqui? Onde estou?

-Estás na prisão, linda senhorita. Uma bela jovem de cabelos loiros compridos veio nos contar algumas coisas interessantes. Ela estava muito assustada, disse que a senhorita era uma psicopata perigosa, que havia matado toda sua família e agora estava andando por ai matando mais pessoas. Ela também falou que a senhorita dizia ser uma vampira, e que és a culpada pelos misteriosos assassinatos por essa região.

Devia ter sido Lexi quem contara tudo para a polícia, vadia idiota, amaldiçoada seja.

Com a voz mais meiga que consegui pronunciar, respondi:

-Ah, mas senhor, por favor, um policial tão inteligente e sofisticado como o senhor realmente acredita nessa baboseira toda? Quero dizer, vampiros? Isso não passa de uma lenda urbana estúpida, criada por pessoas que não tinham nada melhor para fazer.

Ele sorriu, achando graça na mudança de minha voz, e falou ironicamente olhando fundo em meus olhos:

-Senhorita, por favor digo eu, estamos em pleno século XV, não se faça de boba, é claro que existem vampiros e se a senhorita não fosse uma, então as grades encharcadas de verbena não lhe fariam mal algum, mas já se revelou que o mero toque nas grades queima tua pele feito fogo.

-Eu posso ser alérgica a verbena.

Tentei argumentar, mas já percebendo que havia perdido essa discussão.

Ele se virou e falou por cima do ombro rindo:

-Boa tentativa, mais sorte da próxima vez.

Homem ignorante e irritante, observador demais na minha opinião, não tinha nada que dar uma de espertinho, assim que livre eu o mataria antes que conseguisse pedir perdão.

Voltei para as profundidades de minha pequena cela e sentei em um canto invadido pela escuridão. Aproveitei para refletir um pouco.

Stefan havia me enganado mais uma vez, já estava começando a me cansar daquele jogo no qual eu sempre perdia. Ele era muito mais esperto do que eu pensara, e certamente sua essência era muito mais má do que qualquer um conseguira imaginar. Eu o subestimara, e havia de encarar as consequências por meus erros.

O único problema é que ainda sim não conseguia sentir raiva por aquele estranho homem que mais parecia um anjo, com seus olhos brilhantes e profundamente verdes, com sua pele perfeita e seus músculos definidos. Ele era frio e calculista, tinha uma mente brilhante. Não abandonava a própria elegância em um movimento sequer, para falar a verdade, ele se movimentava de uma forma excitante e hipnotizante. Carregava um estranho brilho dentro de si, o tipo de brilho que ofusca qualquer outro que chega perto. Era tão mal que seria capaz de iniciar uma guerra, mas dentro de si carregava uma paixão quente e selvagem, incapaz de ser controlada. Uma paixão que reconforta, que protege, que excita, que acalma, que tira o fôlego. Stefan era o tipo de homem pelo qual eu passaria milhares das minhas noites em claro apenas lembrando me de um simples oi que ele falou com sua voz angelical.

Senti uma dor forte no peito. Uma dor que corrói e agoniza.

Cortando o mal pela raiz, me livrei daqueles pensamentos ridículos e patéticos. Foi ai que percebi que minha garganta ansiava por sangue. Eu estava faminta.

Um tossido forte veio da outra extremidade da cela, me pregando um susto. Com o barulho, me foquei naquele ponto em específico, percebendo a silhueta de um homem que até então se passara despercebido.

Os ossos apareciam sob a pele suja e machucada, as roupas se resumiam em trapos igualmente sujos, combinando com o ambiente.

O homem se levantou e cambaleou para a luz, mostrando sua face.

Metade de sua cara parecia estar e carne viva, com ferimentos tão profundos que me pergunto como ele havia sobrevivido aquilo. Ele tinha um certo tique na mão direita, sua perna tremia freneticamente e em sua boca faltava diversos dentes. Em um todo, ele era um homem assustador.

Assim que analisei ele por inteiro, prometi a mim mesma fazer de tudo para sair daquele terrível lugar antes que chegasse ao mesmo estado que o velho; aproveitei para também prometer a mim mesma que após livre, eu não voltaria em busca de Stefan, Lexi, Damon, Rose ou sequer Luci, eu iria embora. Em algumas guerras a gente ganha, em outras a gente perde. Nesta guerra eu havia perdido.

Ele gargalhou com uma risada psicopata de fazer os ossos tremerem e perguntou com voz de bêbado:

-O que a senhorita fez para estar aqui, minha linda?

-A pergunta certa seria o que eu não fiz, a resposta seria muito mais rápida e curta.

Ele me olhou fundo nos olhos, de uma forma que parecia que tentava enxergar minha alma, e sorriu com malícia.

-Certo, então o que foi que a senhorita não fez?

Sorri com mais malícia ainda e respondi com a voz arrastada de prazer:

-Nada. Eu fiz tudo de errado que alguém poderia pensar em fazer. E ainda fiz mais!

-Então eu tiro meu chapéu para a senhorita.

Falou ele fazendo uma reverencia exagerada, fingindo tirar um chapéu inexistente da cabeça.

Sorri, apreciando a autoridade que aquele estranho homem me direcionava, realmente uma pena que eu pretendia matá-lo. Mas eu estava sedenta e às vezes as pessoas devem morrer.

Ainda sorrindo, me levantei do chão, calmamente e lentamente. Com uma voz doce e meiga perguntei:

-Mas me conte do senhor, por que está aqui, o que fez de errado?

-Bem, se a senhorita quer saber de mim, vamos começar pelo início de tudo. Me chamo Samuel, eu costumava ser uma boa pessoa, não fazia mal a ninguém, era um ótimo amigo e parente. Mas um caso sombrio me levou a entrar para o ramo do crime e meio que eu gostei. A única coisa da qual me arrependo foi minha falta de cuidado, eu pensava estar fazendo tudo certo, para mim, a polícia jamais iria chegar perto da minha pessoa, meus crimes eram perfeitos! Mas não foi o suficiente, e hoje estou aqui, preso. Eu pensava que tinha feito tudo certo!

Ele falou essa última frase com urgência, balançando meu corpo. Mas mesmo assim respondi calmamente.

-Eu entendo, senhor Samuel, também pensava que tinha feito tudo certo, mas errei ao colocar sentimentos. Em meio a matança e a vida de crimes, eu coloquei paixão, amor. Um tipo de sentimento que jamais se encaixaria com a situação ou sequer comigo.

Nem sabia ao certo porque estava falando aquilo para aquele homem estranho e desconhecido, mas que diferença fazia? Eu logo o mataria de qualquer forma.

Ele apenas me olhou sério e depressivo. Eu vi minha brecha. Lentamente fui me aproximando do velho psicopata, sorrindo docemente, até que cheguei no homem. Acariciei com carinho seus cabelos sujos e mal cuidados. Meu sorriso aumentou, até que se transformou em um terrível rosnado animal e ameaçador.

Ataquei, permitindo que o sangue jorrasse em minhas roupas já imundas. A morte abraçou o velho psicopata gentilmente, e mentalmente anotei o nome Samuel para me lembrar depois, mesmo não sabendo ao certo o porque.

A verdade é que mesmo sem dizer grandes e complicadas palavras, ele havia me dado muito em que pensar.

Olhei para o chão e vi o sangue escorrendo, molhando meus sapatos e sujando minha alma.

O policial correu em direção às barras de ferro, com uma arma perigosamente carregada apontada para meu peito.

-Se afaste desse homem agora, ao contrário eu atirarei!

Olhei para ele e sorri, colocando as mãos atrás da cabeça e andando lentamente em sua direção. Respondi:

-Certo, eu me afasto, mas apenas avisando, já é tarde demais para nosso querido Samuel. Ele está morto.

O policial abriu a boca de leve, completamente horrorizado. E a medida que eu me aproximava, ele atirou. E continuou a atirar em direção a meu peito, perfurando minha carne. Mas eu ignorei a dor e continuei a andar como se não sentisse nada.

Quando as balas da arma acabaram, aproveitei e me aproximei dele até estar ao seu lado com incrível rapidez, agarrei sua cabeça e bati com tudo contra as barras, queimando um pouco meus braços e fazendo o policial escorregar para o chão empoeirado da prisão, morto. Mais sangue derramado.


Aproveitei também para agarrar as chaves de seu bolso e abri minha cela.

Livre daquela prisão, corri.

Nunca havia corrido tão rápido em toda a minha vida, era como se o vento gelado e veloz que batia em meu rosto conseguisse me cortar. Mal conseguia manter os olhos abertos.

Mas independente do vento e da minha pouca visão, continuei a correr, fugindo de toda aquela loucura, permitindo que meus pés voassem pelo chão em uma velocidade que jamais pensei que conseguiria alcançar.

Tudo a minha volta passava por mim rápido demais para ser identificado, e quanto mais rápido eu corria, a dor em meu peito aumentava, e ia me corroendo.

Mas eu não parei.

Notas finais
A fanfic está chegando ao final, acho que o próximo capítulo já será o fim, é o que veremos. espero q estejam gostando.