Flames Of Death
14 Capítulo 14 Preparação
Notas iniciais
Também me perdoem caso aja erros de gramática e coisa assim, obrigada por sua compreensão e boa leitura!
Olhei para Stefan uma última vez, e a paixão só pareceu aumentar, o desejo cresceu, ele estava tão lindo desmaiado na cama, sua respiração tão leve e calma; seu rosto cansado jazia tranquilo no travesseiro fofo; seu peito subia lentamente cada vez que ele puxava o ar, e este voltava a abaixar quando o ar era expulso novamente. Os lábios levemente entreabertos, como portões para o paraíso.
Em um momento de fraqueza me peguei desejando deitar ali com ele e envolve-lo em um abraço apertado, e nunca mais soltar. Queria beijar cada centímetro de seu corpo nu e quente. Queria tê-lo para sempre e sempre, mesmo que esse desejo em específico parecesse um sonho de criança iludida, mesmo que o "para sempre" não existisse, não importa, eu queria Stefan só para mim pelo tempo que nossas vidas insignificantes durassem.
Relutante, sai da casa de Stefan. Estava sedenta...
Andei um pouco pela estrada vazia, desejando arduamente que alguém estufado de sangue passasse. O que, para minha grande sorte, foi exatamente o que aconteceu.
Três meninas vinham andando pela estrada, alegres por se sentirem livres, cantarolando no ritmo de sua caminhada. Duas delas eram morenas e a do canto era tão loira que chegava a dar inveja.
Andando como se não quisesse nada fui me aproximando das amigas, até ficar cara a cara com as três, impedindo-as de passar e continuar seu caminho.
-Olá!
Exclamou feliz uma das morenas; mal sabia ela o que o destino lhe reservava: absolutamente nada, sua vida acabaria ali e naquele mesmo instante.
Como não respondi, a morena mais baixa murmurou tímida e um tanto amedrontada:
-Quem é a senhora?
Sorri simpaticamente para elas, mas logo percebi que meu sorriso transmitia a elas uma certa sensação de terror, quem sabe até pânico. Ao sentir isso, sorri mais ainda, eu gostava daquela sensação, a de ser temida.
Respondi lentamente:
-Eu? Não sou ninguém que a senhorita deva se preocupar, apenas uma garota meio perdida no meio da estrada. Ah, e por sinal, tenho fome.
As três meninas se entreolharam e riram nervosamente. Tive vontade de rir delas, mas não ousei me permitir a esse pequeno luxo.
Desta vez foi a loira a me responder, com uma voz firme, mas eu sabia que por dentro ela sentia medo. Eu havia estragado o seu feliz passeio pela estrada de terra com as amigas.
-Infelizmente não posso fazer nada por você, como poder vez, não temos comida. Por sinal, me chamo Sophia, ela se chama Abigail, e ela é a Samantha.
-Interessante... Bem, não fará muita diferença as senhoritas saberem meu nome ou não, portanto sequer me incomodarei a emitir tal informação.
A menor e mais tímida, pelo o que entendi chamada Abigail, se mexeu desconfortável, passando todo o peso de seu corpo de um pé para o outro.
-Desculpe, o que disse?
Perguntou Sophia franzindo a testa.
-A senhorita me escutou muito bem. Mas por favor, esperem, tenho uma pergunta para as senhoritas.
Elas novamente se entreolharam, Samantha visivelmente começou a ficar preocupada.
Sophia, tomando uma decisão, foi quem me encorajou a fazer a pergunta a elas.
-Pode falar.
-Me diga, senhorita Sophia, por acaso a senhorita acredita na existência de vampiros?
Abigail soltou um gritinho assustado, o que fez com que as outras duas meninas olhassem para ela, repreendendo-a. Eu esperei pacientemente.
Sophia olhou novamente para mim, sem saber ao certo o que responder. Seu rosto estava tenso e sua expressão demonstrava desconfiança.
-O que quer dizer com isso?
-Quero dizer exatamente o que parece que estou dizendo, sem significados ocultos e nem nada do gênero. Sophia, a senhorita acredita na existência de monstros diabólicos morto-vivos que se alimentam de sangue humano e fogem do sol?
-Na verdade não acredito. Posso saber o porque de tal pergunta?
Novamente sorri e sussurrei cruelmente:
-Porque, sinceramente, as senhoritas deveriam começar a acreditar.
Após dizer isso, meu dentes cresceram e afinaram, meus olhos se transformaram, e todos os meus sentimentos e emoções se resumiram para apenas uma coisa: sede.
Me transformei em um animal selvagem sedento de sangue.
As três gritaram ao mesmo tempo, mas não havia ninguém por perto para se preocupar com os gritos delas. Qualquer som que elas emitissem seria em vão. Já não estavam mais em posição para serem ajudadas ou salvas.
Ataquei.
Não sei ao certo como, mas quando me dei conta, os três corpos já jaziam caídos mortos na estrada, e eu estava completamente suja de sangue.
Não que eu não saiba me alimentar sem me sujar, não sou mais criança; mas elas também não facilitaram muito a refeição. Mas admito que me diverti muito, sempre achei muito engraçado pegar as pessoas de surpresa, os humanos são tão previsíveis e muito facilmente assustados. Chega a ser ridiculamente patético. Tão sem graça.
Olhei de um lado a outro da estrada, o que faria com os corpos?
Fiz a única coisa que consegui pensar, arrastei os corpos um de cada vez até a floresta, onde larguei-os em qualquer ponto do chão.
Voltei para a estrada pensando o que faria, minha sede agora era apenas uma lembrança, eu estava mais do que satisfeita.
Não fazia a mínima ideia do que faria a seguir. Acabara de voltar da casa dos Salvatore, não havia ninguém lá para matar; a casa de Lexi estava em chamas e dentro dela o cadáver de Rose jazia queimado. Não fazia a mínima ideia de onde estava Damon, Lexi ou o meu mordomo. O melhor a fazer era esperar por um milagre.
Fui caminhando lentamente pela beira da estrada, cambaleando feito uma vagabunda.Por algum motivo, durante meu percurso, fui pensando nas criaturas que já matei, o que eram realmente muitas. Homens, mulheres, crianças e animais. Não que eu me familiarizasse por alguma delas, ou sentisse remorso, nem nada do tipo, mas às vezes eu pensava nisso. Eu sempre fui muito boazinha com as pessoas, com os humanos, sempre achei que eles merecem coisa muito pior do que lhes dou. Afinal, nunca torturei ninguém, no máximo apenas as assustei.
Um barulho esquisito vindo da mata desmanchou meus pensamentos profundos, me fazendo voltar à tona para a realidade.
Logo me coloquei em guarda, nada e nem ninguém me pegaria de surpresa, não mais.
As folhas do arbusto mais próximo se mexeram, mas nada saltou dali. Ouvi novamente o barulho estranho, mas ninguém se revelou. Um cheiro esquisito e forte invadiu o ar, mas nada atacou.
Alguém estava brincando comigo, e isso eu não podia permitir de jeito algum.
Meu lábios foram puxados para trás, formando um rosnado selvagem e ameaçador. Me encurvei levemente, entrando em forma protetora.
Sem ter a minha permissão o medo adentrou em mim feito um intruso indesejável, tentando tomar controle sobre a minha pessoa, tentando me destruir. Mas o medo já não me era o pior inimigo naquele momento.
De repente uma criatura esquisita do tamanho de um esquilo adulto pulou de dentro dos arbustos. No começo dei um pulo e gritei com o susto, mas depois não pude deixar de rir ao perceber que era apenas um animal fedorento. Chutei-o para longe, o que rapidamente percebi que fora uma péssima ideia. O animalzinho abriu a boca onde se encontrava milhares de brancos e incrivelmente afiados dentes, e por entre os dentes soltou um grunhido ameaçador.
Embora o bichinho estivesse a beira de me atacar novamente, eu estava com uma enorme vontade de rir, não havia como não, a situação em que eu me encontrava era muito ridícula.
Rosnei de volta para o esquilo demoníaco esquisito e ri ao vê-lo dar um pulo para trás e cair de costas. Mas então ele começou a tossir compulsivamente, até que cuspiu um papelzinho dobrado e todo molhado de baba e saliva, onde estava escrito com uma caligrafia arrastada e quase incompreensível, uma vez que o papel havia sido vomitado, o meu nome. No começo pensei estar louca, por que meu nome estaria escrito em um papel vomitado por um esquilo mutante esquisito? Mas ao me aproximar realmente consegui ler no papel um único nome: "Katherine".
O animalzinho correu e se escondeu novamente no mato.
Peguei o papel do chão e o abri. Lá estava escrito com a letra de meu mordomo:
"Minha cara senhorita Katherine, espero-a na antiga igreja da floresta exatamente a meia noite, por favor, tente não se atrasar".
Meu mordomo havia enfeitiçado aquele estranho bicho para me entregar o convite.
Olhei novamente para o papel, desconfiada. Como eles poderiam me achar tão burra a ponto de comparecer naquela noite? Era praticamente como ser convidada para o próprio funeral.
Será que Stefan estaria lá?
Afastei aquele pensamento da minha mente o mais rápido possível, não era normal da minha parte estar tão apaixonada por um mortal a ponto de parecer uma garotinha humana patética.
Sentei me no chão da estrada e olhei para o caminho a minha frente, parecia não haver fim. Eu me sentia cansada, e com um estranho desejo por sangue de um homem alto, bonito, de olhos verdes, cabelos claros, e de preferencia chamado Stefan. Não, eu queria mais do apenas o sangue de Stefan, eu queria seu corpo inteiro, sua alma, seu coração.
Desta vez realmente fiquei brava comigo mesma, me dando um tapa na cara, o que eu pensava que estava fazendo? Por que não conseguia controlar nem mesmo meus sentimentos?! As coisas não deveriam ser assim, eu deveria controlar meu próprio coração, e o dos outros também.
Admito que até considerei levantar do chão de terra e correr de volta para a propriedade Salvatore, invadir o quarto de Stefan e deitar lá com ele; mas a realidade nem sempre é como desejamos. Permaneci sentada, parada.
Ouvi alguns passos e conversas pela estrada, mas ninguém passou por mim. Também escutei alguns animais rondando a floresta e vez ou outra eu via algum bicho atravessar correndo a estrada e entrar na floresta novamente.
Eu estava em dúvida mortal sobre ir ou não encontrar com meu mordomo e o resto dos idiotas naquela noite.
Senti um calafrio inesperado e me levantei de repente. Resolvi caminhar.
Novamente olhei para os lados, decidindo minha direção. Demorei me um pouco para me decidir; esta coisa de estar apaixonada era muito confusa para mim, uma completa bagunça, me tirava dos trilhos; o coração é uma coisa estranha. Aquilo não me fazia bem...
Decidi seguir em frente, mas me manti nos cantos da estrada, tentando aproveitar ao máximo a sombra das árvores, eu certamente não gostava nem um pouco da luz forte que me cegava e queimava minha pele.
Só parei de andar quando finalmente cheguei em uma curva mais acentuada da estrada, onde as árvores da floresta não cobriam mais a estrada.
Foi mais ou menos nessa hora que percebi que estava completamente desnorteada, talvez sair por ai matando tudo e a todos não fosse tão divertido quanto eu pensava, ou talvez amar alguém não fosse tão feliz quanto eu imaginava.
Olhei para os lados, eu estava extremamente irritada comigo mesma, além de estar confusa e entediada. Parecia que eu não me divertia há dias...
Voltei andando lentamente para meu ponto de partida, fazendo questão de praticamente me arrastar pela estrada solitária.
Quando finalmente cheguei no começo, o que apareceu demorar horas, fiz minha importante escolha sobre o que fazer. E mesmo que essa parecesse a ideia mais idiota que eu poderia considerar, não iria mudar de ideia, tinha meu motivos, e como sempre, tinha meus planos.
Eu compareceria ao encontro da meia noite com meu mordomo e o resto dos babacas, mas não iria de mãos vazias e também não iria só.
Eu já tinha um plano perfeito traçado. E também já tinha uma acompanhante.
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