Firing Line

44 You used me.


Notas iniciais
Princesas, desculpa não ter postado dois hoje. Eu tive alguns problemas aqui pra resolver e nisso levou o dia todo. Particularmente não gostei desse capítulo, minha cabeça tava longe, mas fiz o melhor que pude. Vou tentar recompensá-las amanhã, tá? De qualquer forma, boa leitura.

Demi:

Paralisei completamente ao ver a expressão no rosto de Selena. Olhei pra Lizie com raiva por ela ter interrompido aquele momento.

— Eu não quero ver isso. — A ruiva falou dando as costas pra nós duas que ainda não havíamos nos movido.

Selena empurrou meus ombros com força me fazendo sair de cima dela. Sentei no sofá com as mãos no rosto enquanto ela pegava suas roupas do chão e se vestia apressadamente. Eu apenas coloquei o sutiã ficando assim, de langerie.

— Vai ficar pelada na frente dela, é isso mesmo? — Selena perguntou. Eu não estava em posição de contestá-la então me apressei em ficar vestida também.

— E então? — A voz fina de Lizie me despertou. Levantei ainda com a blusa aberta e fui até ela puxando-a pelo braço pra que ficasse de fente pra mim. Selena só observava.

— Que merda você está fazendo aqui? — Rosnei.

— Vim te buscar pra almoçarmos juntas, meu amor. — Ela disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Demi. — Selena chamou baixo ganhando minha atenção imediatamente. — Quem é ela?

— Eu que pergunto. Quem é você, garota? — Lizie se adiantou.

— Não te interessa, não falei com você. — Selena respondeu rispidamente dando alguns passos à frente.

— Sel... — Fui até ela de modo a impedir que avançasse mais. — Escuta aqui, precisamos conversar, vou te explicar tudo e...

— Demi, deixa essa garota aí. Anda, vamos almoçar, meu amor. — Lizie insistiu.

— Lizie, vai embora daqui. — Falei firme encarando-a.

— Quê que é, Demi? Você não parecia tão insatisfeita naquele dia na boate.

Dia na boate? Do que ela está falando, Demetria? — Selena perguntou com a testa franzida mas logo sua expressão mudou. — Ah, entendi. Meu Deus, como sou burra!

— Não! Selena, me escuta. — Tentei falar alguma coisa mas o nervosismo não deixava. Os olhos de Selena encheram d'água e lágrimas silenciosas já desciam pelo rosto bonito.

— Me deixa. — Ela disse com a voz embargada e me deu as costas pegando sua bolsa em cima de um dos armários.

— É, dá o fora mesmo. Vem, amor... — A ruiva provocou vindo até mim e me segurando pela cintura.

Selena viu aquilo e trincou o maxilar. Antes que eu pudesse impedir, sua bolsa passou raspando pela lateral do meu rosto atingindo a ruiva em cheio e a partir daí só tive tempo de correr agarrando-a pela cintura enquanto ela tentava me empurrar.

— Sel, por favor! Não é nada disso, olha pra mim! — Tentei fazê-la concentrar sua atenção em mim mas ela me empurrou com força fazendo-me dar dois passos pra trás.

— Não me toca! — Ela disse chorando. — Como eu pude ser tão idiota, você me usou!

— Não! Por favor me escuta, Selena. — Eu tentei segurá-la mais uma vez mas meu toque foi violentamente rejeitado com mais um empurrão. Eu não conseguia respirar direito tamanho era meu estado de nervosismo.

Selena seguiu a passos firmes na direção da porta e antes que eu pudesse alcançá-la novamente, ela saiu batendo a mesma com força. Encostei a testa na madeira sentindo as lágrimas começarem a brotar em meu olhos.

— Demi... Amor, desculpa, eu pensei que... — Lizie começou e sua voz me atingiu como uma agulhada nos ouvidos.

— Vai embora. — Falei levantando a cabeça e abrindo a porta sem olhá-la.

— Mas...

— SAI!

E assim ela o fez. Quando fiquei novamente sozinha na sala, escorreguei até o chão sentando com os braços ao redor do joelho e me rendendo finalmente ao choro.

Selena:

Saí do prédio aos soluços. Eu ainda tentava não acreditar que Demi brincou comigo daquela forma. Tudo que eu queria era tê-la de volta e durante o tempo em que estávamos nos braços uma da outra era como se todos aqueles dias em que ficamos separadas tivessem desaparecido.

Dirigi até minha casa com o pensamento longe. Meu coração esmagado contra o peito provocava uma dor quase física. Eu odiava amá-la daquele jeito.

Estacionei na calçada da minha casa sem o menor saco pra colocar o carro na garagem. Desci vagarosamente e caminhei na direção da espaçosa varanda.

— Srta. Gomez! — Fechei os olhos com força. Eu não queria conversar com ninguém naquele momento.

Girei os calcanhares na direção da voz e dei de cara com Andy, a segurança, vindo ao meu encontro.

— Olha, eu não tô com o menor saco agora então se não se importa, poderia me deixar em paz?

— Ah... — Ela parou ao se deparar com meu rosto coberto por lágrimas. Sem falar no nariz vermelho e nos olhos inchados. Eu não precisava olhar no espelho pra saber que estavam assim.

Virei novamente subindo os degraus da varanda e quando cheguei ao alcance da porta, senti uma mão me segurar pelo pulso. Me espantei ao encontrar a garota de pele levemente bronzeada olhando pra mim como se tentasse tomar uma decisão.

— Escuta, Srta. Gomez... — Ela começou.

— Selena. — Interrompi. — Pode me chamar apenas de Selena.

— Selena. — Ela corrigiu. — Você está precisando de alguma coisa? Digo, você não parece bem.

— Não estou precisando de nada não, obrigada. — Respondi incerta. Eu só queria entrar em casa e poder chorar à vontade agarrada ao meu travesseiro.

— Tem certeza? — Ela fez uma careta.

— Não. — Admiti.

— Precisa de ajuda? — Ela perguntou se aproximando lentamente. — Quero dizer, se eu puder fazer algo por você, é só falar.

Respirei fundo algumas vezes tentando prender o choro que ameaçava me dominar. Ela me olhou com uma expressão preocupada que julguei ser sincera. De repente toda a cena vista por mim anteriormente veio à minha mente e não consegui mais frear as lágrimas. Apoiei a mão em minha testa e baixei a cabeça soluçando baixo.

Senti minha bolsa escorregar do ombro mas a mesma não chegou a tocar o chão sendo prontamente segurada pela figura à minha frente. Ela desembaraçou o objeto do meu braço, colocando delicadamente em cima do banco da varanda e sem que eu pudesse impedir, fui puxada pra um abraço.

À princípio não correspondi mas acabei me rendendo e a abracei de volta deixando as lágrimas rolarem livremente. Seus braços me ampararam de forma acolhedora.

— Calma... — Ouvi a voz dela em meu ouvido. — Vem, vamos pra dentro.

Resolvi não resistir e me deixei levar pra dentro de casa parando apenas pra pegar minha bolsa.

Notas finais
Ficou uma merda, eu sei. Mas falem aí '-'