Firing Line
36 Prowling the area.
Notas iniciais
Demi:
— Tem certeza do que está me dizendo? — Perguntei ansiosa.
— Obtivemos certeza absoluta nessa madrugada.
— E por que raios não me comunicaram imediatamente? — Levantei com as mãos apoiadas na mesa.
— Você voltaria pela manhã, de qualquer forma.
— E o que está esperando pra me relatar tudo?
— Ok. McBaine está montando um verdadeiro escudo sobre si. Prendemos ontem um de seus homens e íamos deixar pra que você mesma o interrogasse, mas era mais importante ter certeza de tudo antes de entrar em contato com você.
— Prossiga. — Foi a unica coisa que consegui dizer.
— Ele reside nesse momento na grande favela de Iglewood.
— O que?
— Isso mesmo. Estive pessoalmente rondando o local disfarçado e te digo uma coisa, é quase impossível pegá-lo lá. O desgraçado tem um esquema de segurança muito forte, nós teríamos que ir cientes de que poderíamos não voltar.
— E é por isso que vocês não vão.
— Como assim, Demi?
— Você ouviu. Não vou colocar meus homens em perigo dessa forma.
— Ah, claro. E vai fazer o que, vai entrar lá sozinha? — Zac ironizou levantando da cadeira e ficando de costas pra mim.
— Ainda vou decidir a melhor forma.
— Você não vai. — Ele disse com a voz firme ainda de costas.
— Como é?
— Você ouviu. — Disse entre dentes e virou-se pra mim. — É uma completa loucura e não vou deixar você fazer isso.
— Você não está em posição de me impedir. Sou sua superior e estou dizendo que você está fora do caso.
Zac urrou de frustração e deu a volta na mesa ficando frente a frente comigo. Me agarrou pelos ombros e os sacudiu com força.
— Eu não me importo com nada. Você pode me dar uma suspensão, pode me expulsar ou coisa parecida mas fique ciente de que eu não vou deixar você sozinha nessa. — Olhei pro chão incapaz de sustentar o olhar decidido que ele tinha, pois sabia que eu ia vacilar. — Qual é, Demi! Pense em Selena, pense na sua família, o que eles achariam disso?
— Mas é justamente em Selena e em minha família que eu estou pensando, droga! — Saí do aperto em meus ombros e fui em direção á porta de saída da minha sala, abrindo-a. — Você está dispensado, sargento.
— Demi...
— Dispensado. — Falei sem olhá-lo. Ele passou por mim como um furação e fechei à porta em seguida.
Ótimo, agora meu melhor amigo estava chateado comigo. Mas o que ele esperava? Eu tinha que fazer isso, não era como se eu quisesse brincar de polícia e ladrão. Eu precisava traçar uma estratégia e rápido. McBaine era muito inconstante e poderia migrar rapidamente se percebesse que está sendo vigiado. Me apressei em tomar conhecimento de tudo que precisava sobre o local. Mas era preciso ver com meus próprios olhos. Eu faria um reconhecimento hoje à noite. O resto do dia passou lento e desgastante. Tive que dar treinamento a um novo grupo de oficiais recém-formados. Eram dois homens e três mulheres, muito bonitas, por sinal. Eram fortes, determinados e tinham aquele espírito de começo que a maioria de nós já havia perdido com o tempo. Eles tinham que ser impecavelmente bem treinados, já que fariam parte do meu corpo de oficiais. O fim do dia chegou e com ele, minha apreensão. Eu tinha que ir à Iglewood checar as coisas. Mas antes, tinha que fazer uma ligação.
— Oi, amor. — Selena atendeu no segundo toque.
— Oi, princesa. Escuta, vou chegar um pouco mais tarde hoje, certo? — Tentei parecer imparcial.
— Por que?
— Coisas de rotina, papelada pra preencher... Entrou um grupo de novatos e sabe como é. — Menti.
— Ah, tá bom. Então vou pro seu apartamento e te espero lá, pode ser?
— Claro, e peça ao agente Summers pra te acompanhar até lá e ficar de prontidão até eu chegar.
— Que exagero, Demi. Eu posso muito bem ir sozinha e... — Ela tentou começar.
— Princesa, já conversamos sobre isso. Faz o que eu tô pedindo, me deixa mais tranquila.
— Ok... Então te espero em casa. Te amo, não demora.
— Te amo mais, até já. — Desliguei.
Eu já estava me encaminhando pro estacionamento enquanto falava ao telefone. Destravei o alarme do carro e quando ia abrir a porta, fui impedida por um braço forte.
— Aonde pensa que vai, sua doida. — Era Zac.
— Não é da sua conta, Efron. Agora saia da minha frente.
— Você vai lá reconhecer o local, não é? — Acenti impaciente tentando passar por ele. — Vou com você.
— Não vai não. — Eu disse rispidamente tirando o braço dele do caminho e entrando no carro. Antes que eu pudesse impedir, Zac correu em volta do veículo entrando pelo lado do passageiro.
— Vou. E você tá perdendo tempo discutindo comigo. — Disse ele já colocando o cinto.
— Que inferno! — Bufei dando a partida no veículo. Ele estava certo, era perda de tempo discutir.
Não demoramos muito rondando a área. Estávamos com roupas normais, o que fazia com que passássemos despercebidos. Não podíamos chegar muito perto, já que era um lugar perigoso e lá só entravam pessoas liberadas pelos moradores. Qualquer estranho que cruzasse os portões de Iglewood estava desprotegido.
— Vamos, não podemos passar daqui. — Zac sussurrou ao meu ouvido.
— Tem razão. Mas como você conseguiu entrar lá? — Falei enquanto íamos em direção ao meu carro.
— Fiz amizade com um dos caras de lá. Foi difícil, mas nada como umas cervejas pra fazer alguém abrir a boca. Ele me indicou várias entradas pelos becos à oeste. Demi, é muito perigoso.
— E acha que eu não sei? — Me virei pra ele com as mãos no volante. Ainda estávamos parados e eu ainda não havia dado partida no carro. — Zac, esse homem está atrás de mim, vai querer tirar tudo que é meu. Já tentou matar Selena, eu não posso deixar isso pra trás, tenho que pará-lo a qualquer custo.
— Mas me deixe ir com você, pelo menos. Conheço o lugar, conheço as pessoas. Podemos montar uma força-tarefa eficiente, você é a melhor nisso. Teremos pelo menos como te dar cobertura. Você tem uma equipe inteira pra isso, Demi!
Suspirei derrotada sabendo que ele tinha razão. Apesar disso, não falei nada e dei partida no carro tomando o caminho da casa de Zac. Demorou cerca de 20 minutos pra chegarmos lá e parei ainda com o motor ligado.
— Eu vou pensar, tá bom? — Me virei pra ele que tinha a expressão séria.
— Você não confia em mim, Demi. — Ele balançou a cabeça negativamente.
— De onde tirou essa idéia, Zac?
— Não confia.
— Hey. — Levei minha mão ao seu queixo fazendo com que ele me olhasse. — Eu confio em você de olhos fechados, seu bobo.
— E por que não me deixa ir com você, caralho?
— Porque não quero que se machuque, não quero colocar meu melhor amigo em risco, será que você não entende?
— Ah claro, como se eu nunca tivesse feito isso na vida.
— Dessa vez é diferente, McBaine vai fazer de tudo pra me atingir. Ele é um assunto pessoal meu. Só vou cogitar levar uma equipe porque queira ou não, ele é um procurado da polícia a um bom tempo.
— Eu te amo, sua idiota. Me deixa ir com você... — Zac pediu olhando bem dentro dos meus olhos.
— Tá bom, seu chato. Amanhã falamos mais sobre isso. — Dei um beijo em seu rosto e ele saiu do carro.
Só levei mais 10 minutos da casa de Zac pro meu apartamento. Logo na entrada avistei o agente Summers e fiz sinal dispensando-o por hoje. Peguei o elevador e andei mais uns passos pelo largo corredor. Girei a chave na porta e entrei. Antes mesmo de fechar a mesma atrás de mim, avistei Selena dormindo no sofá da sala. Sorri feito boba olhando pra ela que parecia tão confortável, alí. Tranquei a porta e coloquei a bolsa por cima do sofá menor. Sentei no espacinho ao seu lado e lhe acariciei o rosto bonito. Ela respirou fundo, mas não acordou. Me debrucei sobre seu corpo apoiando meus braços no estofado e distribuindo beijos por todo o seu rosto passando pela testa, pálpebras, boca e queixo. Ela sorriu enquanto eu a abraçava.
— Sai fora, tenho namorada. — Ela balbuciou com a voz rouca.
— Ah é? Fala sério, sou mais bonita que ela. — Falei beijando seu pescoço.
— Impossível. Minha mulher tem o corpo perfeito, o cabelo loiro com mechas azuis e além de tudo, é capitã do Batalhão de Operações Especiais. E ela vai te dar uma surra se ver você dando em cima de mim.
— Belo discurso. Espero que fale exatamente isso se algum engraçadinho ou engraçadinha tentar dar em cima de você. — Fiz um bico que foi prontamente beijando por Selena. — E não esqueça de mencionar que eu ando armada.
— Não vou esquecer. — Ela respondeu. — Está com fome?
— Não. — Falei saindo de cima dela e sentando no sofá.
— Você pelo menos comeu algo decente hoje?
— Defina 'decente'. — Olhei-a de lado enquanto tirava a jaqueta preta e jogava em qualquer lugar.
— Comida de verdade, Demetria. Não precisa nem responder. Anda, vai tomar um banho enquanto te preparo alguma coisa.
— Mas Selena...
— Banho, Demetria. — Ela falou firme já levantando e indo pra cozinha.
— Que inferno. — Fui fazer o que ela disse muito a contragosto.
Selena me fez um peito de frango grelhado que estava dos Deuses. Comida de verdade fazia muita falta, afinal. Enquanto eu comia, me permiti olha-la alí ao meu lado toda entretida com o rótulo do azeite. Eu não sabia mais o que era vida sem ela e isso me assustava. Outra vez pensei em McBaine e fiquei apreensiva. Só de pensar que ele poderia tentar terminar o que começou com Selena, era como se sumisse o ar de meus pulmões.
— Por que tá me olhando assim, amor? — Ela pareceu perceber.
— Nada, princesa. Sério, você cozinha divinamente bem. — Tentei desviar o assunto.
— Brigada. — Ela continuou me olhando. — Por que tenho essa sensação de que está escondendo algo de mim?
— Escondendo algo de você? De onde tirou isso? — Tentei não parecer nervosa.
— Não sei... Bom, deve ser impressão minha. — Ela disse levantando-se da mesa.
Selena:
Demi terminou de jantar e foi pro quarto escovar os dentes e me esperar pra dormir. Me escalei pra lavar a louça mesmo sendo a vez dela, pois queria pensar. Algo estava muito estranho e essa sensação ruim não saía de mim. Estava absorta em meus pensamentos quando ouvi o toque do meu celular.
— Alô.
— Selena? — A voz masculina do outro lado não foi reconhecida por mim. — Sou eu, Zac.
— Zac?
— Selena, preciso te contar algumas coisas.
— Fala logo, então. — Respondi impaciente. — É sobre a Demi?
— É. — Respirei fundo sentindo um peso no estômago se instalar. — Selena, ela está prestes a fazer uma besteira ó você pode impedi-la.
Fale com o autor