Firing Line
37 Please, give it up.
Notas iniciais
Selena:
Desliguei o celular e o coloquei em cima da mesa lentamente. Aquilo tinha que ser brincadeira. Passei a mão pelo cabelo em sinal de nervosismo e fui até a geladeira pra tomar um copo d'água. Zac havia me contado tudo que Demi estava escondendo. Eu sabia, sabia que tinha algo errado mas achei que não tivesse importância.
— Sel? — Fechei os olhos com força ao ouvi-la me chamar. Não conseguia disfarçar nada naquele momento.
— Aqui. — Falei alto o bastante pra ela ouvir. Continuei de costas pra porta da cozinha.
— Ah, você está aí. — Ela disse entrando no cômodo. — Não vem dormir?
— Você mentiu pra mim. — Minha voz saiu fria.
— O que?
— Disse que tinha esquecido aquilo tudo que aconteceu. Você não esqueceu e mentiu pra mim.
— Selena... — Senti um par de mãos segurarem minha cintura mas desfiz o contato imediatamente virando de frente pra olhá-la. — Sel, do que está falando?
— O dia do acidente. — Comecei já sentindo meus olhos lacrimejarem. — Não foi coincidência. Eu já sei de tudo. Sei inclusive que o causador foi um bandido que estava perseguindo você, me usou pra te atingir e pelo visto conseguiu!
— Quem te disse isso, Selena? — Ela parecia nervosa.
- Zac.
— Eu não acredito! — Demi urrou colocando as duas mãos no rosto. — Que merda! Aquele imbecil!
— Aquele imbecil que é seu amigo e achou prudente me contar a loucura que você está prestes a fazer. — Apontei o dedo indicador em sua direção. Ela apenas me olhava sem dizer nada. — Eu não posso acreditar, Demi.
— Selena, é preciso.
— É PRECISO O CARAMBA, DEMI! — Soquei a mesa com força.
Um misto de sensações me dominavam naquele momento. Raiva, medo, preocupação, mais raiva, mais medo. Era inconcebível aquela idéia e eu sabia que por mais que implorasse, Demi não me escutaria.
— Eu não vou discutir isso com você. — Ela falou simplesmente e me deu as costas indo em direção à sala.
Segui seus passos rapidamente já sentindo meu rosto banhar-se em lágrimas. Buscava na minha cabeça qualquer coisa que pudesse fazê-la voltar atrás.
— Então é isso? Você vai sair numa missão suicida por uma mera vingança?
— NÃO É UMA MERA VINGANÇA, VOCÊ QUASE MORREU POR CAUSA DELE!
— E VOCÊ PODE ESTAR INDO PELO MESMO CAMINHO, DROGA!
Um silêncio perturbador tomou conta do ambiente. Meu rosto estava a centímetros do dela e tudo que se ouvia eram meus soluços baixos.
— Não chora. — Ela começou. Sua expressão havia suavizado um pouco.
— Então desista disso. — Peguei seu rosto entre minhas mãos. — Por mim, desista disso.
— Não posso. — Ela respondeu firme sem olhar pra mim.
— Eu entendo sua raiva, entendo seus motivos. Mas nada disso vai adiantar se você... — Não consegui completar a frase. — Por favor, Demi.
— Se eu não fizer isso, nós nunca mais teremos paz.
Soltei seu rosto e sentei no sofá derrotada. Não adiantava nada, ela não tiraria aquela idéia da cabeça.
— Você é uma egoísta de merda, Demetria. — Falei com as mãos cobrindo meu rosto.
— Egoísta. — Ela repetiu num fio de voz e sentou-se ao meu lado. — Estou tentando fazer a coisa certa pra mim, pra você e pra todo mundo e ainda sou egoísta.
— É egoísta sim! — Virei o rosto pra olhá-la. — Você está tão cega que não vê um palmo na frente da cara.
— Não tô te entendendo.
— Se eu te perder, Demi? O que é que eu faço? — Falei com a voz embargada pelo choro que ameaçou sair descontroladamente.
Ela se limitou a me olhar profundamente e deixar que uma lágrima caísse dos olhos castanhos tão lindos. Senti meu corpo ser puxado pra um abraço protetor, apertado. Deixei que todas as lágrimas saíssem em soluços baixos enquanto Demi acariciava meus cabelos e beijava o topo da minha cabeça.
— Vou montar uma equipe, planejar uma força-tarefa, executar tudo como tem que ser. Não vou entrar lá às cegas. Vai dar tudo certo, eu prometo.
— Eu vou com você. — Solucei.
— Você vai ficar em casa bonitinha me esperando. Vai ficar tudo bem.
Senti meu corpo ser erguido num gesto tão familiar pra mim. Prendi minhas pernas ao redor da cintura bem feita e enfiei uma mão nos longos cabelos encaixando-a na nuca e abraçando os ombros largos firmemente com a mão livre. Tudo que eu queria era poder tirá-la dessa, deixá-la à salvo. Nos deixar à salvo. Era disso que se tratava. Por mais que Demi tivesse me garantido que não faria nada impensado, eu não podia confiar naquilo. Eu tinha que fazer algo, só não sabia exatamente o quê.
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