Firing Line
17 Like me shit!
Notas iniciais
Selena:
Será que fiz mal em dizer que Demi que a amo? Quero dizer, ela pode se assustar e não querer mais saber de mim por não sentir o mesmo. Digo, ela não sente o mesmo, certo? Pelo menos não que ela tenha me dito. Bom, em nenhum momento falei isso no intuito de que ela me amasse de volta, até porque ela não ama.
Eu tinha passado a manhã toda aérea por causa disso. Mal prestei atenção na aula. Eu sabia que não conseguiria me concentrar então resolvi ir pro meu cantinho embaixo da árvore mais velha do campus. Ela devia ter uns 80 anos. Era um pouco afastado do barulho de gente indo e vindo e eu sempe ia alí pra pensar ou ler. Lembro do primeiro dia em que vi Demi nos corredores do imenso prédio. Ela havia me visto alí ao sair do campus e nos encaramos longamente. Eu nunca imaginaria que hoje estaríamos juntas.
— Ah, você tá aí. — Era Jenny. — Tava te procurando, você não apareceu na aula...
— Não tô com saco pra aula hoje, Jen.
— O que houve, Sel? Parece distante. — Ela disse já se sentando ao meu lado na grama fofa.
— Eu disse a Demi que a amava.
— Caraca, e ela?
— Nada expecífico, ela disse pra minha mãe que eu era essencial na vida dela e que não se via sem mim.
— Ela conheceu sua mãe? — Jenny perguntou espantada. — Me conta como foi!
— Foi tranquilo, ela foi firme e disse que estávamos namorando e toda aquela coisa. — Encurtei a explicação. — Daí minha mãe levou de boa.
— Ah, que bom! Tia Mandy é ótima, ela com certeza ia aceitar numa boa. Mas fala aí, e essa história do 'eu te amo'?
— Pois é, eu não vi mais problema em esconder. Estamos namorando, o lógico é que nos apaixonemos e por conseguinte, que eu adquira amor por ela.
— Você tá nervosa com isso. — Jenny se aconchegou mais a mim.
— Não tô não.
— Te conheço o suficiente pra saber que quando você fica nervosa com algo, começa a falar difícil e se atrapalhar que nem agora. — Ela riu. — Relaxa, Sel. Demi é louca por você.
— Quem garante?
— Qualquer um que prestar um pouco de atenção, percebe. Deixa de coisa, vai.
— É, você tem razão. Afinal de contas, nós vamos almoçar juntas hoje então quer dizer que estamos bem, certo?
— Certíssimo. Agora vou nessa, tenho que resolver umas coisas no banco. Vai sair hoje?
— Hoje?
— Sexta-feira... Fim de semana... — ela falou como se fosse óbvio.
— Ah, não sei.
— Tem a festa da Alyson, ela chamou todo mundo. Vai ser na casa dela lá pelas onze. Qualquer coisa liga, tá?
— Pode deixar. Até depois, Jen. — Me despedi dela e peguei o celular ainda sentada na grama. Disquei o numero de Demi.
Ela não atendeu na primeira tentativa. Tentei uma segunda... nada. Só vim ser atendida na terceira vez.
— Pronto.
— Demi, onde você está? — Perguntei aborrecida. — E porque não atende esse celular?
— Estou trabalhando, Selena. Tenho coisas importantes pra resolver, você tá cansada de saber disso.
— Você vem me buscar pra almoçar ou não?
— Não sei se vai dar tempo. Faz assim, quando eu sair daqui passo na sua casa.
— Ok né, se não tem jeito...
— Conversamos quando eu chegar na sua casa. Beijo, até mais. — E desligou.
Fiquei chateada, não vou negar. Ela foi seca ao telefone. Não pude controlar quando meus olhos começaram a pinicar e uma lágrima desceu pelo meu rosto. Ela não precisava ter sido tão grossa.
Peguei minha bolsa e fui pra casa.
Demi:
— Mas que inferno! Como assim deixaram os caras fugirem? — Soquei a mesa com força olhando furiosamente pro rapaz à minha frente. — Será possível que eu tenho que sair em campo toda vez que precisarmos efetuar uma prisão importante?
— Com licença capitã, mas... — Nick começou a falar.
— Mas nada, tenente Jonas! Quando eu lhes dou uma missão, eu quero que ela seja cumprida! Você é tenente do Batalhão de Operações Especiais dos EUA, aja como tal, cacete! — Minha voz era firme e dura. — Suma daqui e só me volte quando concluir a ação. Está dispensado.
Nick fez um gesto respeitoso e saiu rapidamente. Apertei o botão que me conectava com a secretária.
— Alice? Chame o sargento Efron aqui, por favor. — Ela confirmou minha solicitação. — Obrigada.
Minutos depois ouvi batidas na porta.
— Entre.
— Mandou me chamar, capitã? — Ele adentrou a sala.
— Sim, sargento. Preciso que comande a operação 212 na zona leste. Vai ser mais trabalhoso do que eu previa e precisarei de reforços. Você pode cuidar disso pra mim?
— Claro que sim, capitã.
— Ótimo. Me mantenha informada. Estarei com o celular ligado. Agora tá na minha hora. — Respirei fundo e fui até ele lhe dando um breve afago no braço forte e ja me encaminhando pra porta quando ele segurou meu braço.
— Ei, espera aí. — Me virei pra ele. — Vem cá, me dá um abraço.
Suspirei pesadamente e assim o fiz. Dei dois passos à frente e o envolvi pela cintura. Ele por sua vez, me abraçou pelos ombros, fazendo carinho no meu cabelo.
— Mais calma? — Ele disse beijando o topo da minha cabeça.
— Já sim. Até mais, irmãozinho. — Fiquei na ponta do pé e o beijei no rosto.
O caminho pra casa de Selena foi tranquilo. Eu sabia que ela estava chateada pelo almoço, mas minha intenção era recompensa-la de alguma forma. Cheguei até lá e toquei a campaínha.
— Oi... — Eu disse ao vê-la surgir na porta.
— Oi. — Ela se limitou a responder. — Entra aí, eu tava guardando umas compras.
Entrei atrás dela e fomos até a cozinha onde tinham algumas sacolas no balcão.
— E sua mãe, onde está?
— Numa reunião de negócios. — Ela respondeu já voltando a atenção pras sacolas.
Dei a volta no balcão e cheguei por trás dela que estava guardando uns potes de ervilha no armário. Abracei minha namorada por trás e depositei um beijo no ombro despido pela camiseta rosa que ela usava.
— Sai, Demi. — Ela desfez o abraço e continuou guardando as coisas no armário.
— Selena, o que você tem? É por causa do almoço? — Perguntei confusa apesar de já imaginar que fosse por causa disso. Ela não esboçou reação à minha pergunta e continuou o que estava fazendo. — Selena, dá pra largar essas coisas e conversar comigo?
— Conversar o que, Demi? — Ela se virou de frente pra mim com os braços cruzados. — A gente combina de almoçar e além de você desmarcar e demorar pra me atender, foi super grossa no telefone.
— Eu já expliquei o porquê de ter desmarcado, eu tive muito trabalho hoje e não me lembro de ter sido grossa com você no telefone.
— Isso é o que você diz.
— Selena, fala sério! Não acredito que você vai ficar com raiva de mim só por causa disso. Eu não posso estar disponível pra você a hora que te der na telha, tenho trabalho!
— E eu lá tenho culpa do seu trabalho!? — Ela aumentou a voz. Estava visivelmente irritada e aquilo estava me irritando também. Eu achava aquela discussão no mínimo desnecessária. — Quem você pensa que eu sou, um dos seus agentes?
— Claro que não, Selena! Você nem sequer já viu como me dirijo aos meus oficiais, o que claramente não se compara ao meu tratamento com você! Eu realmente não estou entendendo onde você quer chegae com isso. Tá fazendo tempestade em copo d'água.
— Tempestade em copo d'água? EU DISSE QUE TE AMO! DISSE NA FRENTE DA MINHA MÃE, DISSE NA SUA FRENTE, ME ABRI PRA VOCÊ! — Ela gritou.
— Tá arrependida? Percebeu que eu não sou mulher pra você e simplesmente se arrependeu do que disse? — Cuspi as palavras me aproximando dela a passos firmes.
— TEM RAZÃO, DEMETRIA! TALVEZ VOCÊ NÃO SEJA MULHER PRA MIM. EU MEREÇO MAIS DO QUE ISSO, VOCÊ TÁ POUCO SE LIXANDO PRA MIM, DROGA!
— VOCÊ TÁ VIAJANDO, SELENA! Eu... — Tentei começar a argumentar.
— Quer saber? Eu não quero ouvir mais nada. Preciso ficar sozinha. — A voz dela tremeu na ultima frase e quando a olhei diretamente percebi que ela chorava. Aquilo doeu em mim.
— Selena...
— Me deixa em paz, Demi. Vai embora. — Ela disse já com a voz embargada pelo choro.
Eu estava sem entender nada, alí. Estava com raiva também. Ela gritou comigo por nada, brigou por nada e me mandou embora. Quem ela pensa que é? Selena me deu uma ultima olhada com a face vermelha por causa do choro e saiu na direção das escadas. Droga de garota doida. Saí pela porta da frente chutando uma pedra no caminho tamanha era a raiva que eu sentia. Entrei no carro e cantei pneu dirigindo rápido e praguejando aos quatro ventos. Que diazinho cu.
Selena:
Eu estava arrasada. Ela não gosta de mim porra nenhuma. Talvez até gostasse um pouco, mas eu a amava e numa relação onde só um faz por onde, não tem pra onde correr. O modo como ela pareceu indiferente me irritou mais ainda. Deitei na cama me rendendo ao choro. Eu queria sumir, queria sentir qualquer coisa que não fosse relacionada a ela. Eu queria arranca-la de mim e afogar essa droga de amor que me sufocava. Eu tava tão concentrada nos meus pensamentos que quase não ouvi o celular tocando. Era Miley.
— Alô.
— Selena? Tudo bem? Que voz estranha é essa? — Miley me conhecia bem à ponto de notar a diferença na forma como atendo o telefone.
— Nada, Miley. Mas fala aí, que cê manda? — Tentei controlar a voz.
— Liguei pra te chamar pra sair. Tem planos com a Demi hoje?
— Não quero ter plano nenhum com aquela capitã idiota. — Respondi seca.
— Eeeeepa, o que foi que houve?
— Nada, não quero falar disso. E quer saber? Tô nem aí, vou nessa droga de festa.
— Tem certeza, Sel? Eu acho melhor vo...
— Passo aí em uma hora. Preciso sair.
— Te espero, então. Beijo. — E desligou.
Que se foda aquela Lovato idiota sem coração. E que se foda esse amor que eu tô sentindo. Eu vou sair e não volto hoje. Não tô mais nem aí.
Fale com o autor