Firing Line

4 Body-Shield


Notas iniciais
Como prometi, um capítulo mais completo. Amanhã posto outro. Estou animada em escrever, o que é bom, certo? Dito isso, boa leitura ;)



Demi:

— Calma! Eu quero todo mundo calmo e atento! Ele tem uma refém na mira. — Orientei meus homens. Todos do batalhão e Força Tática estavam a postos e com as armas apontadas na direção do assaltante.

Eu estava tensa. Mais do que o normal, eu diria. Uma sensação percorreu meu corpo desde a base da coluna até a nuca me fazendo travar ao ver a garota aparentemente tão indefesa nas mãos daquele bandido. Oscilei sobre o que eu deveria fazer antes de falar alguma coisa.

— Ok, você está do lado de fora. Qualquer movimento em falso e você ganha uma bala na cabeça. Há dezenas de atiradores de elite cercando o local. Deixe a garota ir e você não vai se machucar, eu garanto. — Tentei convencê-lo.

A garota que olhava ao redor com o rosto vermelho coberto por lágrimas dirigiu a atenção pra voz que tentava argumentar com o bandido. E então aconteceu de novo. Os olhos dela pousaram nos meus e ela... Sorriu? Sim, ela deu um breve sorriso, quase imperceptível se eu não tivesse tão atenta a ela. Mas logo sua expressão voltou a transmitir medo. Ela já não chorava, mas era visível sua tensão. Eu precisava deixá-la a salvo. Foi quando tudo aconteceu muito rápido. O olhar dela que antes estava em mim mirou a arma na própria cabeça e ela simplesmente bateu com o calcanhar nas partes íntimas do assaltante e aproveitou o segundo de distração dele pra correr na minha direção. Eu não sei explicar o que me levou a fazer aquilo mas quando dei por mim já estava correndo de encontro a ela parando somente quando nossos corpos se chocaram de forma brusca, mas dessa vez não a deixei cair. Rapidamente e por puro reflexo agarrei a cintura dela puxando-a pra trás de mim, me dando assim visão do homem que já puxava o gatilho pras costas da garota. Não pensei duas vezes e atirei. A bala pegou no braço dele, que não se intimidou e continuou de pé já se preparando pra atirar novamente com o braço bom. Só tive ação de me jogar por cima do corpo que eu estava protegendo e ouvir mais tiros. Esperei sentir a dor, mas ela não veio. Levanto a cabeça a tempo de ver o bandido no chão e uma ''linha de frente'' que havia se formado ao meu redor e que tinha alvejado o desgraçado antes que ele conseguisse agir.



— Capitã, tá tudo bem? — Zac se abaixou ao meu lado — O que você pensou que estava fazendo, Demi?

— Me ajude a levantar, Efron. Não me questione. — Respondi já fazendo esforço pra me sentar soltando o corpo que até então eu estava segurando fortemente contra o meu próprio.

— Ai meu Deus, o que foi isso? — Ouvi pela primeira vez a voz dela desde que a vi correndo na minha direção.

Selena:

Eu não poderia ser mais azarada. Deixar de ir pra aula no horário certo pra ir pagar contas no banco e conseguir virar refém de bandidos. Eu estava tão amedrontada que mal conseguia chorar. Vi os bandidos entrando, baleando o segurança que tentou reagir, mandando todos deitarem no chão e conversarem com alguém lá fora negociando a saída deles. Não sei dizer ao certo quanto tempo ficamos deitados alí até que senti meu corpo ser erguido do chão com violência e o bandido começar a sair comigo pra fora. A arma apontada pra minha cabeça não ajudava muito no meu nervosismo. Eu só chorava silenciosamente e rezava enquanto era encaminhada pro lado de fora da agência com o cara. Foi só quando ouvi claramente uma voz familiar tentando falar algo com o assaltante que me segurava pelo pescoço que consegui raciocinar e olhar na direção da voz e... Era ela! Ora cacete, claro que era ela, Selena. Aquela voz, aquele cabelo, aquele rosto... Não pude evitar que escapasse um sorriso de canto dos meus lábios ao vê-la. De repente, de alguma forma, eu acreditei que tudo ia ficar bem. Presenciei apreensiva enquanto ela argumentava com o bandido até que não consegui segurar meu instinto de correr até ela e me sentir segura. E foi o que eu fiz. Atingi o cara com meu calcanhar direito nem me lembro onde, mas foi o suficiente pra ele me largar por uma fração de segundo. Quando senti o braço dele afrouxar o aperto em mim, saí em disparada de encontro a ela. Quando meu corpo se chocou contra o dela, pensei que fosse cair de bunda no chão outra vez. Mas me surpreendi ao sentir ela agarrar minha cintura e girar de modo que o corpo dela ficasse na frente do meu, me segurando pelas costas enquanto apontava uma pistola prateada na direção da qual eu vim e atirar. Logo em seguida senti que estava sendo puxada de encontro ao chão e o peso do corpo dela sobre o meu numa posição protetora. Aquilo seria até prazeroso se não fosse a situação. Voltei a raciocinar quando senti mãos me puxando pra cima e me ajudando a sentar.



— Ai meu Deus, o que foi isso? — Foi a única coisa que consegui falar.

— Você só pode ter perdido o juízo, garota. — Ouvi a voz sexy que naquele momento me pareceu dura.

— Desculpe, eu... — Comecei a falar já me levantando pra ficar de frente com a de cabelos claros que já estava de pé. — Eu não sei o que me deu.

— Você só pode estar de brincadeira. Estava tentando se matar? Você quase levou um tiro de graça por pura irresponsabilidade. — Falou séria.

— Eu sei, é que eu vi você e achei que...

— Achou errado. Alguém poderia ter se ferido gravemente. Tivemos sorte.

— Desculpe. — Falei triste. Ela tinha razão.

— Falamos sobre isso depois. Eu sou D...

— Demetria. Corredor da faculdade, lembra? Claro que não lembra, por que lembraria? — Corrigi a mim mesma em voz alta.

— Engano seu, lembro de você sim. Só esqueci seu nome. — Falou ela já mais amigável, mas ainda séria e sem me olhar nos olhos.

— Sou Selena. Selena Gomez. E acho que te devo uma por salvar minha vida.

— Você não me deve nada, é meu trabalho. Eu faria isso por qualquer pessoa.

— Ah. Sim, claro. — Respondi baixando a cabeça e olhando pro chão. — Mas de qualquer forma, continuo te devendo essa. Não sei como agradecer.

— Agradeça ficando longe de encrenca. Você vai ser encaminhada até a delegacia pra dar seu depoimento. Vamos, levo você até lá.

— Ah claro, vou sim e... AI! — Senti uma ardência forte na altura do ombro.

— O que foi? O que você tem? Está machucada? — Perguntou ela de repente parecendo preocupada.

— Não, eu só... Eu tô bem, só devo ter me cortado com um caco de vidro ou algo assim.

— Mudança de planos. Seu depoimento foi adiado. Vou levar você no hospital.

— Não precisa, sério. Eu já...

— Não discuta. — Disse ela com a voz firme já se encaminhando pra um carro preto logo à frente parando por um único instante pra me olhar rapidamente e fazer um sinal pra que eu a seguisse.

Notas finais
Yey ^^