Firing Line

5 I just did my job.


Notas iniciais
Quinto capítulo pra vocês. Obrigada pelas reviews, de verdade. A ultima coisa que pensei quando comecei a escrever é que realmente alguém fosse ler e gostar. Tô me aventurando nesse tema, é algo novo pra mim. Xero =*

Selena:

— Com licença, doutor. Posso entrar? — Me virei a tempo de ver a figura de cabelos cor de bronze presos num rabo de cavalo e ainda com o uniforme preto do Batalhão de Operações Especiais adentrando a sala onde eu estava sendo examinada pelo médico.

— Ah, pode sim. Já terminei aqui. O corte foi superficial e a ardência se devia pelo fato de haver alguns minúsculos estilhaços de vidro no local.

— Foi o que eu tentei dizer pra ela, doutor. Estou estudando medicina, eu saberia se eu estivesse realmente machucada.

— Vai começar com a ladaínha outra vez? Já não basta o caminho todo até aqui? — Ela fez uma cara engraçada, o que me fez sorrir.

— Vou buscar os papéis pra senhorita assinar e então estará liberada. — O médico disse, já se encaminhando pra porta.

— Obrigada, doutor. — Dissemos em uníssono. Quando ele saiu nos deixando à sós, fiz menção de levantar da maca, mas fui impedida por um par de braços firmes que se apoiaram na minha cintura.

— Ei, calma aí. — Ela me ajudou a descer da maca e ficar devidamente em pé.

— Eu machuquei o ombro, não as pernas. Eu posso andar, inclusive. — Debochei usando um tom divetido e arrancando uma risada baixa da capitã. A primeira que a vi deixar escapar.

— Engraçadinha. Vamos até a recepção, depois vou levar você pra sua casa.

— Ah, claro. Minha mãe deve estar preocupada. Mas antes de ir, queria te agradecer de novo. — Comecei.

— Você já fez isso três vezes, no mínimo. Acho que já foi suficiente. Além do mais, como eu disse antes, não fiz nada além do meu trabalho. — Ela continuava sem me olhar nos olhos, mirava algum ponto à minha esquerda.

— Seu trabalho consiste em quase levar um tiro por qualquer desconhecido toda vez que sai de casa? — Não pude conter o tom irônico na minha pergunta

— Se for preciso, sim. — Respondeu ela meio inquieta. Algo me dizia que a capitã não tinha lá tanta certeza do que estava falando. Resolvi ignorar. — Agora vamos. Como você mesma disse, sua mãe deve estar preocupada.

— Ah é. Minha mãe. — Eu nem estava mais lembrando disso. — Vamos.

Demi:

O caminho pra casa de Selena se seguiu silencioso. Eu tentava entender por que raios eu havia ignorado inconscientemente todas as regras de combate e simplesmente ter me colocado na frente da linha de tiro de um bandido daquela forma. ''Que merda, Demetria. Você poderia ter se ferido''. Minha consciência repetia isso a todo momento mas por mais que eu buscasse uma resposta sensata, não conseguia. A única coisa que passou pela minha cabeça na hora foi que eu não poderia deixar que a garota sentada ao meu lado se machucasse.

— Demetria, é aqui. Pode parar aqui. — Ouvi a voz dela me trazendo de volta à realidade.

— Aqui? — Recebi um aceno positivo da parte dela e estacionei em frente a uma casa bonita e aparentemente ampla, vista de fora. Tinha a frente branca, com uma aconchegante varanda. Observei a parte lateral na qual haviam dos dois lados pequenas trilhazinhas feitas com pedras no chão. Provavelmente daria pro jardim da casa, do lado de trás. — Pronto, tá entregue.

— Ei, agora é sério. Obrigada. Mesmo que você faça isso por qualquer pessoa o que eu acho uma irresponsabilidade tendo em vista que numa dessas você... — Ela começou a tagarelar num fôlego só, me fazendo erguer a mão pra fazê-la parar de falar imediatamente.

— Tudo bem. Já entendi. De nada. — Soltei uma risada baixa e ela riu junto.

A garota colocou a mão trinco da porta do carro e parou. Parecia lutar internamente consigo mesma por um momento.

— Olha, eu sei que você é muito ocupada e provavelmente deve estar me achando uma idiota por perguntar isso mas... — Ela ameaçou começar, mas eu a interrompi novamente.

— Selena, acredite. Eu não sou o que você pode chamar de boa companhia. Fiz meu trabalho, você está segura e é só. Você já me agradeceu inúmeras vezes. Então se não se importa, nos vemos amanhã na delegacia onde você vai ter que prestar depoimento. — Falei rápido.

— Claro, desculpe. Viajei. Eu só achei que... Bom, não importa. Até amanhã, capitã Lovato. — Ela deu ênfase no 'Lovato' olhando pro meu nome no uniforme preto. Mas o tom formal que ela usou me incomodou.

— Não precisa me chamar assim.

— Preciso. Vou nessa. Obrigada mais uma vez. — E saiu do carro em direção à casa.

Dei uma última olhada na figura que andava a passos largos e esperei até que entrasse pra dar partida no carro. Algo nela me atraía, é verdade, mas não. Não posso. Não preciso disso. Estou perfeitamente bem sozinha e é assim que as coisas tem que permanecer.

Notas finais
Reviews?