Firing Line
11 Achieved
Notas iniciais
Selena:
Já passavam das 20:30 da noite e nada da Demi chegar. Ela disse que sairia às 17 da tarde, passaria rápido em casa e viria me ver. Respirei fundo quando minha ligação não foi atendida de novo. O celular dela dava fora de área, liguei pra delegacia e nada, tentei o residencial... Que droga, será que ela me deu bolo? Eu sou uma idiota mesmo por achar que ela me levaria a sério, que ela poderia querer algo comigo de verdade. Só porque estávamos meio que juntas durante essas semanas, não queria dizer que estávamos namorando. Mas eu queria que estivéssemos. Queria mais que qualquer coisa. Eu estava gostando dela de verdade, eu não conseguia mais passar um dia sequer sem pelo menos falar com ela por telefone. Claro que eu não ia me derreter toda assim na frente dela. Talvez a capitã nem me quisesse da mesma forma, talvez ela estivesse apenas curtindo. Suspirei derrotada ao me certificar de ter tentado entrar em contato com Demi de todas as formas. Ela não viria mais hoje.
Demi:
— POLÍCIA! — Anunciei. Eu sabia que não adiantaria nada, mas era de praste.
A cena que se seguiu depois que a porta da boate foi aberta com um chute, foi digna de filme. Mas nesse caso, as pessoas sangravam de verdade. Gritavam com medo de verdade e os bandidos eram de verdade, também.
Concentrei minha atenção nos caras que cercavam Matt e atirei mirando na perna de um deles. Logo que ouviu-se o tiro, formou-se a confusão. O barulho de armas sendo usadas era a unica coisa que eu ouvia. Reagi à altura. Me camuflei atrás de uma mesa virada e busquei meu alvo à todo custo. As prostitutas e os clientes, que provavelmente estavam alí pra negociar drogas ou armas, fugiram rapidamente. Meu foco era Matt, então deixei que três dos meus homens cuidassem dos fujões.
Olhei a tempo de ver Zac desviando de uma bala ao se jogar atrás de um dos balcões do bar, deixando cair seu fuzil no caminho. O tiroteio continuava e estávamos em vantagem. O capanga de Matt já se preparava pra fuzilar um Zac desarmado. Eu não deixaria aquilo acontecer nunca. Saí de trás da mesa e atirei na direção dele. A bala pegou em seu braço esquerdo e ele soltou a arma com um berro. Zac já surgia atrás de mim com uma pistola em punho.
— Essa foi por pouco. — Ele falou atrás de mim.
— Cubra minha retaguarda, eu cuido do McBaine. — Falei se olhar pra ele. Estávamos apoiados na lateral do balcão.
— Ok. Vai! — Ele saiu de trás do balcão atirando contra os caras que revidavam sem dó. Passei por trás dele indo em direção ao meu alvo que estava encolhido contra uma parede do lado do pequeno palco que havia alí.
— McBaine! Você está detido! É melhor não mostrar resistência ou vai ser pior!
— Só saio daqui morto! Acabem com ela! — Ouvi ele gritar.
O tiroteio recomeçou e eu tentava chegar até Matt a qualquer custo. Foi quando ouvi um grito de dor e ao me virar na direção da voz, avistei Nick caído com a barriga sangrando. Que diabos ele tinha feito com o colete dele? Droga!
— ZAC! NÃO DEIXE MATT ESCAPAR! VOU BUSCAR O NICK! — Gritei pra ele que estava atrás de mim.
— NÃO, DEMI! VOLTA AQUI! — Era tarde demais, eu já havia saído da proteção e corrido até Nick que estava caído atrás de uma poltrona.
— Capitã! Droga, fui atingido, mas acho que foi de raspão. — ele fez uma careta e levou a mão até o ferimento.
— Tenente Jonas, você é um completo imbecil! Onde está o seu colete!?
— Depois eu explico. Agora se proteja!
— Se proteja você. — Falei já tirando meu próprio colete á prova de balas e colocando sobre ele.
— Não! Capitã, não! — Ele tentou se erguer, mas o impedi.
— Rejeitando ordens superiores, Tenente?
— Não, capitã. Claro que não.
— Já vamos tirar você daqui. Fique quieto.
Não vi em que momento os tiros se intensificaram. Ambos os lados se protegiam. Avistei Zac com McBaine na mira. Mas eu precisava dele vivo. Era agora ou nunca.
Saí correndo e alcancei Zac, mas não sem antes atirar em um dos caras mal encarados que trabalhavam na boate.
— Vou chegar até ele. Derrube o grandão e então ele não terá como fugir. — Indiquei o segurança que protegia Matt. — No três. 1...2...3!
Zac mais uma vez se colocou à frente tirando tudo que havia no meu caminho. Uma confusão se seguiu e uma nova sequência de tiros se instalou.
Numa ação que envolveu rapidez e trabalho em equipe, tendo em vista que meus oficiais distraíram os seguranças de Matt pra tirar as atenções de mim, consegui chegar ao irmão mais novo de Brian. Mirei a arma na cabeça dele enquanto Zac rendia o segurança que o estava protegendo.
— Você vem comigo. Está preso por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e só Deus sabe mais o que.
Ele me olhava com olhos furiosos. O desgraçado sabia que não tinha mais saída. Alguns dos capangas que antes trocavam tiros com meus oficiais, fugiram. Outros haviam sido baleados e o o resto já estava sob a mira do meu Batalhão.
Eu só não contava com um deles que estava aparentemente desmaiado no chão. Tudo que ouvi foi um grito seguido de uma pontada no me ombro esquerdo. Tombei de lado a tempo de ver o cabo Jordan atirar na cabeça do capanga que estava no chão e Zac atingir o segurança que ele rendia e que tentou reagir. Em seguida meu sargento de confiança apontou a arma pra cabeça de McBaine.
— Quietinho aí. — Eu mal conseguia raciocinar pela dor que se alastrou no meu ombro.
— Cabo Smith, conduza esse filho da puta pra viatura. — Tentei soar o mais firme possível e assim ele fez. Quando Matt e os outros bandidos já estavam fora da boate foi que me permiti olhar pra minha própria mão que estava coberta de sangue.
— Droga, Demi! — Zac que até então não havia se tocado que eu estava baleada, já que no calor do momento, o mais importante era prender Matt, de repente ficou branco.
— Eu estou bem, calma. — Tentei me pôr devidamente em pé, já que estava meio que encostada na parede mas vacilei e Zac me segurou.
— Que bem o quê, droga! Aqui! Chamem uma ambulância, rápido! — Eu escorreguei rente à parede e sentei no chão ainda amparada por ele que se ajoelhou ao meu lado. — SANCHEZ! JORDAN! ALGUÉM, CARALHO! A CAPITÃ FOI BALEADA! CHAMEM A PORRA DE UMA AMBULÂNCIA!
— Pare de gritar seu idiota, também não é pra tanto. — Tentei soar firme e bem, mas minha voz já saía arrastada. Respirei fundo e fiz uma careta de dor ao tentar puxar o ar.
— Hey! Fique comigo, tá? Fique acordada. Vou tirar você daqui, você vai ficar bem. — A voz dele vacilou.
— Não vou dormir, pode deixar.
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