Firing Line
12 Mine.
Notas iniciais
Continuando...
O caminho até o hospital foi chato, parecia que não chegava nunca. Zac não saiu do meu lado um segundo sequer. Ele segurava minha mão e me dizia palavras de incentivo. De repente algo me veio à mente. Selena. Eu fiquei de ir vê-la depois de sair do departamento e olha onde eu estou agora.
— Zac. — Chamei por ele com a voz contida. — Preciso que ligue pra Selena.— Selena?— Eu disse que ia pra casa dela no fim da tarde mas houve toda essa confusão e não tive tempo de avisar.— Você não avisou sua namorada que estava indo numa missão? Ela não vai gostar nada disso.— Ela não é minha namorada e... Só faça o que eu estou dizendo, seu babaca. — Tentei rir mas a ferida no meu ombro latejava. Fechei os olhos com força.— Quando chegarmos ao hospital, entrarei em contato com ela.— Mas não conte nada sobre isso — Apontei pro meu ombro ensanguentado.— Como não, Demi? Ela precisa saber. — Ele me olhou com cara de quem não estava entendendo nada.Eu ia retrucar o que ele havia dito mas nesse momento a ambulância parou e as portas foram abertas.Selena:Eu já estava deitada na minha cama pronta pra dormir. Na minha cabeça passavam inúmeras possibilidades de desculpas esfarrapadas que Demetria poderia me dar. Eu não aceitaria nenhuma delas. Quem essa garota pensa que é pra me deixar esperando assim? Já passava da meia noite quando desliguei as luzes e fui dormir ainda com a capitã nos meus pensamentos. Fui desperta pelo toque do celular insistente em cima do criado-mudo. Levantei a cabeça assustada. Quem poderia ser a essa hora? Liguei o abajur e apertei os olhos vendo no relógio de cabeceira que eram 2 da manhã. Peguei o celular, mas o numero que chamava era desconhecido.— Alô. — Minha voz saiu mais rouca do que o normal.— Selena? — Uma voz masculina falou indecisa na outra linha.— Sim... Quem é?— Ah, oi. Sou Sargento Efron do Batalhão de Operações Especiais.— Err... como? — Por que o sargento do Batalhão estava me ligando a essa hora da manhã?— Desculpe te incomodar a essa hora da noite madrugada, mas... achei que você precisaria saber.— Saber do que? — De repente um calafrio percorreu meu corpo. — Do que eu preciso saber, sargento?— Calma, Selena. Só preciso que fique tranquila e...— Foi alguma coisa com a Demi, não foi? — Senti meus olhos pinicarem e o desespero começar a se instalar em cada célula do meu corpo. — FALA!— Foi. Só preciso que você me escute e fique calma, está tudo... — Ele tentou dizer mas a essa altura eu já sentia lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Isso não pode estar acontecendo.— Só me diga aonde eu tenho que ir. — Sussurei fechando os olhos com frça e me controlando pra não cair no choro.— Hospital Central. Quando você chegar aqui eu te explico, mas fique calma porque...Não esperei ele terminar de falar e desliguei o celular levantando da cama com um salto. Eu não conseguia raciocinar direito. Demi... Meu Deus, não deixa nada de mal acontecer com ela. O desespero era tanto que senti minha respiração falhar, era como se de repente o ar faltasse. Uma sensação de perda eminente tomou conta de mim e me desesperei ainda mais. Me vesti o mais rápido que consegui com uma calça jeans e camiseta preta. Calcei uma sandália sem salto e saí correndo descendo as escadas só parando pra pegar minha bolsa em cima do sofá da sala. --------------------X---------------------Estacionei o carro de qualquer jeito e saí correndo. Entrei no hospital feito louca procurando alguém que pudesse me dar informações. As lágrimas agora caíam copiosamente e eu tentava enxugá-las sem sucesso.— Selena! — Me virei a tempo de ver um rapaz loiro com olhos claros vindo na minha direção. Ele usava o mesmo uniforme preto que Demi costumava usar.— Sargento Efron? — Minha voz estava embargada pelo choro que lutava pra sair. — Cadê ela? Fala logo!— Calma, Selena. Demi foi baleada no ombro num confronto com a quadrilha de um traficante. Ela perdeu uma boa quantidade de sangue, mas já estão cuidando dela. Vai ficar tudo bem. — Ele falou pausadamente olhando nos meus olhos como se tentasse explicar algo pra uma criança.— Ba-baleada? Confronto? Que merda está acontecendo? Ela não usava coletes ou algo assim? — Minha voz estava alterada e confusa por causa do choro.— Selena, eu nem deveria ter ligado pra você. Demi pediu que eu não te incomodasse mas achei que você deveria saber.— Como assim ela não queria que me ligassem? Ela leva um tiro, e eu não deveria saber?— Ela não queria que você se preocupasse. Escuta, assim que pudermos vê-la, você fala com ela. Senta aqui que vou pegar uma água pra você.Obedeci ainda com a cabeça longe. Eu precisava vê-la, ter certeza de que estava bem. Eu só ia sossegar quando a visse. Não sei precisar quanto tempo se passou desde que o sargento Efron me trouxe água até o momento em que avistamos o médico entrando na sala de espera e se dirigindo a nós.
— Sargento? — Ele olhou pro rapaz ao meu lado.— Sim, doutor. E aí, como ela está? — Ele parecia nervoso, também. — Ela vai ficar bem. A bala não comprometeu nenhum órgão e já foi retirada. Podem vê-la se quiserem. — Graças a Deus. — Dissemos ao mesmo tempo. — Vem, Selena.Não esperei ser chamada duas vezes e fui com ele até o quarto indicado pelo médico. O sargento abriu a porta e entrou, seguido por mim.— Hey, garotona... — Ele disse entrando no quarto.Demi estava deitada na cama do hospital com um daqueles pijamas brancos e parecia calma. Sorriu pro seu amigo e só então me viu. O sorriso sumiu da face dela dando lugar a uma expressão preocupada e tímida.— Selena? Zac, o que foi que eu te disse?— Demi, ela precisava saber. — Ele começou.Antes que Demi pudesse retrucar, andei em sua direção e me debrucei sobre ela, abraçando-a pela cintura e aconchegando meu rosto em seu pescoço. Permiti que algumas lágrimas escapassem em soluços baixos e suspirei quando ela me envolveu em seus braços delicadamente e alisou meus cabelos como que tentando me acalmar.— Hey, sua boba... — Ela tentava me fazer levantar o rosto. — Eu tô bem, calma...— Sua idiota. — Levantei o rosto ainda manchado pelas lágrimas e sentei na beirada da cama dela. — Você é doida? Como você troca tiros com uma quadrilha sem colete à prova de balas?— Selena, não era a minha intenção. Meu oficial estava ferido e eu precisava ajuda-lo, então...— Então se desprotegeu e por causa disso levou um tiro que poderia ter tirado sua vida. Quanta inteligênca, capitã. — Falei deixando clara a minha ironia.— Olha... Eu vou deixar vocês conversarem a sós. — O sargento Efron claramente tentava segurar o riso. Demi lançou um olhar birrento pra ele. — Vou comer algo, já volto aqui.Quando ele bateu a porta, me virei novamente pra ela.— Não faz mais isso, por favor. — Senti que ia recomeçar a chorar e ela me puxou pro seu abraço de novo.— Desculpa, minha linda... Eu não queria te assustar. — Ela me aconchegava em seus braços de forma protetora.— Eu tive medo de te perder. Eu não quero sentir isso nunca mais. — Olhei nos olhos dela na esperança de que ela entendesse como eu estava me sentindo.— Você não vai me perder. Eu não vou mais sair do eu lado e pra te provar isso quero te fazer uma pergunta.— Faça.— Quer namorar comigo, Selena? — Ela me olhou fixamente e sorriu de lado. Aquela garota tinha a capacidade de me ter na mão a hora que quisesse.— Não tem nada que eu queira mais. — Me inclinei sobre ela delicadamente e capturei os lábios macios com carinho.Me aconcheguei mais na cama pra ficar mais perto dela o que permitiu que Demi pousasse sua mão sobre a minha perna e colocasse a outra no meu rosto, me puxando pra si. Nos beijamos com paixão, com saudade. Terminamos o beijo e contornei seus lábios com a ponta dos dedos.— Minha namorada.- Experimentei dizer as palavras pela primeira vez. Aquilo soava muito apropriado. Eu estava louca por aquela garota e não queria perder mais tempo.— Minha. — ela sussurou com a voz sexy e me deu um selinho demorado.
Notas finais
À vontade ;)
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