Fireproof
3 Memories
Notas iniciais
Gente, deixem reviews, é de graça, não mata e ainda me deixam feliz!!
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CAPÍTULO BETATO POR: Thalia - Perfect Desing
P.O.V Luana
Depois de deixarmos todas as minhas malas no quarto de hóspedes, descemos à sala para comer algo. Havia sido uma viagem muito longa – em todos os sentidos – e só o que eu precisava agora é de um bom e gelado refrigerante.
Olhei a casa ao redor, nada parecia ter mudado desde quando fui embora, na verdade os móveis de madeira escura ainda estavam lá, onde compunham um quadro engraçado com a televisão moderna, a qual me lembro de ter ido comprar com Harry, pois ele vivia reclamando que seus jogos não pegavam na antiga televisão. O sofá bege parecia estranhamente confortável, como sempre me pareceu. Mas eu acho que agora o sentimento da saudade está interferindo nisso também.
Fui até a estante perto da janela e me perdi em pensamentos olhando as nossas fotos antigas, todas tiradas antes de tudo aquilo acontecer. Uma em particular, tirada dois dias antes de começarmos a namorar.
– Harry! Está muito gelado! Não vou entrar! – Sentei-me na relva molhada e cruzei os braços, fazendo birra
.– Ah, não vai é? – Ele veio até mim com os cabelos castanhos antes desarrumados, agora completamente encharcados.
Antes que eu pudesse cogitar sair correndo ele me pegou pelas coxas e me pôs em seus ombros.
– Me solta!
– Como quiser. – E de repente eu estava encharcada, mas ele não havia me soltado em nenhum momento.
Ele me sustentou pela cintura durante algum tempo e depois eu não ligava mais para o fato de talvez pegar um resfriado. Tudo o que importava eram seus lábios nos meus...
– O senhor ficou assustado com a gente naquele dia. – Então aqueles mesmos braços estavam em minha cintura de novo.
– Claro o que você queria? Dois adolescentes completamente encharcados no meio do parque em pleno inverno não é algo muito comum. – Rimos.
– É, faltamos uma semana de aulas por causa da gripe que pegamos.
– Foi... — Ficamos algum tempo em silêncio, relembrando.
– Sabe Lu, não teríamos sido muito felizes se nada tivesse acontecido, e você não teria que ir embora...
– Harry...
Aquele era o momento. Teríamos que resolver isso. Sabíamos que era extremamente necessário, independentemente do que o futuro nos reservava.
Ele também sabia.
Sentamos no sofá bege, cada um com seus pensamentos. O silêncio se propagava; eu simplesmente não sabia como tocar no assunto, mas mesmo assim arrisquei-me:
– Harry – ele olhou para mim. – Você sabe que a culpa não foi sua né? Quero dizer, eu não fui embora por sua causa. – Precisei adicionar a última parte, pois foi com um estalo que percebi que era exatamente esse o motivo dele se culpar todo o tempo.
Ele não se culpava pelo acidente; ele se culpava pela minha partida.
Como ele podia pensar isso? Ele sinceramente achava que eu não me sentia segura e feliz com ele? Que precisava partir porque, na verdade, sua companhia não me fazia... bem?
Ele estava louco. E todas as vezes que eu falei e demonstrei que ele era meu porto seguro não valeram de nada? Minhas palavras não significaram nada? Ou ao menos meus atos?
Queria rir. Não, queria bater nele. Ou talvez os dois. Não... seria muito sádico se eu risse enquanto batia nele.
Enquanto ele ficava em silêncio, eu debatia internamente se deveria rir e depois bater, ou bater e depois rir. Ah claro, e porque meu cérebro se rebela contra mim às vezes, eu também estava lembrando...
– HARRY! Me ajuda, é uma barata! Oh, Senhor! Vou morrer! – eu disse super corajosa em cima de uma cadeira enquanto Harry corria atrás da barata com um chinelo. Se eu não estivesse tão aterrorizada poderia até rir.
– Luana desce da cadeira. Já a matei. – Ele disse vindo da cozinha com um sorriso orgulhoso nos lábios, como se tivesse acabado de salvar o mundo ou algo do gênero.
Pulei da cadeira até seus braços, ele me segurou e depois me pôs no chão. Se eu tinha certeza de alguma coisa, era que sim, ele era um super-herói. Meu super-herói, que nunca se cansava de salvar meu mundo tantas vezes.
– Toma essa Lois Lane – disse enquanto saíamos da minha casa indo para o parque que ficava no mesmo quarteirão.
– Luana, aquela barata afetou ainda mais o seu cérebro? – Ok, dessa eu tive que rir.
– Não bobo... É só que ela não é a única que tem seu Super-Man – eu disse segurando a mão dele. Ele deu o segundo sorriso orgulhoso da tarde.
Agora eu me sinto completamente culpada. Temo que eu deixei-o sentir-se assim, como se tudo isso fosse culpa dele. Eu sempre soube que era um equívoco da parte de Harry, porém, ao fugir eu apenas, mesmo que não intencionalmente, o fiz confirmar tudo aquilo em que ele acreditava.
Fugir foi o pior erro da minha vida.
Mas eu nunca fugi de Harry, pelo contrário, em todo o tempo em que estivesse fora a coisa que eu mais desejei foi tê-lo comigo. Eu estava fugindo da realidade. A realidade onde eu não tinha mais uma família. Onde eu não tinha mais um lar.
Todos os sentimentos que eu tentei evitar neste um ano e meio, de repente me atingiram como uma avalanche: de uma só vez.
Dor, mágoa, tristeza, perda, choque, raiva, medo, e um novo, a culpa.
Todos eles dentro de mim, de uma só vez, sem me dar chance de me preparar. Sabia que não os seguraria por muito tempo. Eu estava sufocada.
Uma hora eu ia acabar explodindo.
P.O.V Harry
— Lu... – Ela limpou a única e solitária lágrima que havia escorrido pela sua bochecha e olhou para mim. – Eu me sentia culpado sim, por você ter ido embora. – Coloquei um dedo apoiado delicadamente em seus lábios, sinalizando para que ela me deixasse terminar. – Porque se você precisou ir, significa que eu não fiz o bastante para que você se sentisse protegida depois que tudo aconteceu. Sim, eu sei que você sempre me considerou seu porto seguro, mas naquele momento eu não consegui cumprir meu papel e... – Ela retirou meu dedo de seus lábios e o pôs sobre os meus.
— Haz, presta atenção porque eu só vou dizer uma vez: Você é meu porto seguro e nada nunca vai mudar isso. Em momento algum fui embora por causa disso, eu fui porque não conseguiria olhar para esta cidade sem lembrar que nunca mais poderia ir com minha avó no mercado, visitar o trabalho da minha mãe levando o doce preferido dela, disputar queda de braço com meu pai e reclamar que ele sempre me deixa ganhar, eu... – Nesse momento ela já estava chorando. – Eu ia enlouquecer. Eu só parti porque precisava me controlar, pôr meus sentimentos em ordem. Durante todo o momento em que estive fora, o que eu mais desejava era que você tivesse ido comigo.
Estúpido.
Estúpido, estúpido, estúpido.
Enquanto me xingava mentalmente, surpreendi-me quando ela passou do sofá para meu colo, mas logo em seguida envolvi meus braços a sua volta e ela se alinhou em meu peito. Apoiei meu queixo em seu pescoço, próximo a sua orelha. Ficamos ali em silêncio, consolando um ao outro.
Depois de um tempo assim, tirei um de meus braços de sua cintura e passei a mão por seus cabelos, pondo uma mecha atrás de sua orelha e sussurrei em seguida:
— Lu, bem que eu queria que fosse tão simples... – disse. Senti ela se arrepiar. Ela assentiu e voltou a sentar-se no sofá, porém permaneceu com a cabeça encostada em meu ombro.
A verdade é que ambos sabíamos que sua volta não seria fácil. Não podíamos resolver tudo num abraço como fazíamos antes. Desta vez a situação era mais complicada.
Depois de alguns instantes de silêncio, Luana resolveu quebrá-lo.
— Então Harry, o que fez nesse tempo em que estive fora? – Ela deu um meio sorriso tentando parecer encorajadora, mas o resultado foi uma careta estranha.
— Eu? Bem, o primeiro mês foi complicado na verdade, já que tive que explicar tudo o que tinha acontecido e o porquê de você não estar na cidade para minha mãe e para Larissa — que chegou de Nova York no final de março...
Então foi como se essas palavras abrissem algum tipo de portal em minha mente que fez com que a lembrança me atingisse como um soco no estômago: forte e dolorido.
— Vem Luana! – pedi fazendo manha para a menina que estava ao meu lado, esta apenas deu uma risadinha.
— Ah Harry! Toda minha família está aqui.
— E daí? Eu sei que você quer também. – disse isso próximo ao seu ouvido, fazendo-a se arrepiar – Mas tudo bem, esqueci que você é uma covarde... – deixei pairando no ar.
Quando queríamos nos provocar nos chamávamos de covardes, sempre dava resultado.
— Harry Schmitt, eu não sou covarde! – Ela disse firme e me puxando pelo pulso, e eu só pude rir.
XXXxxx
Depois de aproximadamente uma hora estávamos descentes de novo, talvez um pouco descabelados, mas nada que não passasse despercebido.
— Hey, vamos voltar? Devem estar sentindo falta da aniversariante. – falei ao pé de seu ouvido e a sentir estremecer.
Levantei meu olhar e pude perceber que ela estava um pouco corada. A única coisa que me impediu de falar algo foi sua expressão.
— Não acha estranho nenhum deles ter vindo à nossa procura?
— Talvez... mas eles devem ter percebido que nós dois sumimos – beijei seu ombro e me levantei do chafariz – Então, vamos? – Estiquei meu braço e ela assentiu segurando minha mão.
Voltamos para o local da festa de mãos dadas. Eu estava completamente feliz, afinal hoje marcava oito meses de namoro (e 14 anos de amizade).
Assim que chegamos mais perto do local da festa, descobrimos o motivo de ninguém ter ido atrás de nós: a casa de festas estava completamente destruída, ainda podia se ver alguns resquícios das chamas. Tudo ao seu redor estava devastado. O fogo estava em seu último estágio. Havia fumaça em toda parte, o que fez meus olhos arderem. O barulho das sirenes dos bombeiros era ensurdecedor. Tudo estava em completo caos.
— NÃO!— Luana grito e soltou minha mão, saindo correndo em direção do incêndio.
Saí em disparada atrás dela, que não havia ido muito longe.
— ME SOLTA! – Ela lutava em vão com o bombeiro que a segurava num abraço de ferro.
— Hey, Lu, fique calma eu...
— NÃO ME VEM COM ESSA DE FICAR CALMA! – Ela gritou comigo em meios às lágrimas, o que me assustou, porém logo em seguida ela baixou o tom de sua voz. – Não me peça para ficar calma. Porque você sabe que você mesmo não estaria. – Então ela desmoronou nos braços do bombeiro, que a levou para longe, para um dos caminhões posicionados no início da propriedade.
Sem opção, os segui. Eu me sentia um inútil. Ver Luana naquele estado era tão... Errado.
— O que aconteceu? – Perguntei, por mais que a resposta fosse óbvia.
— Ainda não sabemos a causa do incêndio – respondeu o sargento do Corpo de Bombeiros enquanto um auxiliar tentava acalmar Luana.
— Mas...
— Nenhum sobrevivente por enquanto, sinto muito. – Ele disse pondo a mão em meu ombro e apenas assenti com a cabeça baixa.
Fui até onde Lu estava e me sentei ao seu lado, tendo a consciência que era o único que havia lhe restado.
Antes me sentia culpado também por ter arrastado Lu até aquele chafariz, mas as palavras dela no dia em que ela embarcou naquele avião me fizeram mudar meu ponto de vista.
“Não estivesse o que? Se não estivesse comigo no chafariz?! Haz, se não estivesse lá comigo esta conversa seria desnecessária, afinal eu não estaria aqui para conversar com você.”
Luana não pareceu notar minha pausa, ou se notou, nada disse. Dei um leve pigarro e continuei:
— Ela ficou muito triste e chocada, querendo não ter que estar viajando quando tudo aconteceu.
— Não é culpa da Lari. Além do mais, eu fico feliz de verdade em saber que ela está realizando seu sonho.
Larissa é uma grande amiga nossa que depois que completou 15 anos, investiu na carreira de modelo, carreira esta que decolou, e por conta disso está sempre viajando. Sentimos muita a falta um do outro, mas ela sempre procura manter contato.
Ficou realmente mal por não estar aqui quando tudo aconteceu, ela estava em um evento beneficente em Nova York na época.
Atualmente se encontra e Madrid. Ela sempre liga, manda e-mails, para saber como andam as coisas. Ela ainda não tem data prevista para retornar, mas nós a entendemos e estamos verdadeiramente felizes por ela, pois sabemos mais do que ninguém o quanto ela lutou para chegar onde está.
Ela ainda não sabe que Luana voltou.
P.O.V Luana
— Também arrumei um emprego. – Harry continuou enquanto eu tentava não me perder em pensamentos.
Mas a verdade é que é impossível não me perder em pensamentos encarando esses olhos verdes que sempre me fascinaram. Olhos que eu passei tanto tempo sem admirar. Os olhos de Harry sempre foram objetos de admiração pela minha parte. O modo como eles parecem ler seus pensamentos era algo que sempre me deixou sem fôlego. E nesse momento Harry me encarou também – talvez querendo saber porque não emiti qualquer reação à sua fala anterior— e nossas mentes sintonizaram no mesmo canal: nós.
O filme nos orbes verdes — que Harry chama de olhos — era o mesmo que provavelmente também se passava nos meus: nossa amizade que se iniciou no Jardim de Infância, quando eu resolvi começar uma guerra de lama e Harry assumiu a culpa por mim. Nossa adolescência, compartilhando todos os medos, anseios e desejos um do outro. Nosso primeiro beijo naquele lago gelado no meio do inverno. O pedido de namoro vindo dele dois dias depois. Minha reação ao responder. Nosso primeiro mês como um casal...
Engraçado como o pronome possessivo “nós” aparece constantemente.
“Os pronomes possessivos são os tipos de pronomes que fazem uma referência às pessoas do discurso indicando uma relação de posse. Os pronomes possessivos mantêm uma estreita relação com os pronomes pessoais, pois indicam aquilo que cabe ou pertence aos seres indicados pelos pronomes pessoais. Pronomes possessivos normalmente indicam posse.”
Não que eu fosse uma gênia em português, mas eu entendia completamente o que isso significava.
— Senti sua falta... — eu disse de repente, quebrando o silêncio que tinha se instalado. Silêncio este que não era acompanhado por nenhuma tensão.
— Eu também... você não sabe o quanto. – ele respondeu sem desviar o olhar.
E então ele me beijou.
Notas finais
enfim.
REVIEEEEWS PARA MIIINHA ALEGRIA?
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