Fire meet Gasoline
4 Capítulo 4 - We don't talk anymore like we used to do
Notas iniciais
Beck acordou para mais um dia de aula. Suas noites e manhãs não tinham mais o mesmo brilho que ele adorava antes, não havia mais brigas e beijos de reconciliação, não havia mais brincadeiras. Ele não tinha mais Jade consigo e isso fez com que ele finalmente percebesse o quão estupido foi deixa-la ir.
Ele encarava o contato de Jade em seu telefone, as últimas mensagens que ele tinha eram do dia que havia terminado. Mandou um “oi” tímido aquela manhã. Já havia passado quase duas semanas desde que terminaram, esse era o maior tempo que passou sem ela, sem falar com ela, sem amar ela.
E esperou ansioso pela resposta que nunca veio.
Levantou-se pesadamente e preparou café. Ele não gostava realmente de café e isso tornava tudo pior, ele sempre fazia café para Jade, e velhos hábitos demoram a morrer. Ele fez café e após tomar um gole da xícara jogou todo o resto do conteúdo na pia.
Não demorou a sair do RV, e não demorou a chegar à escola. E assim que chegou, a viu. Incrivelmente bonita e isolada. Tirando Cat, Jade se isolou do grupo. Eles sempre haviam sido amigos de Beck, e não tão amigos de Jade, e ela sempre havia feito questão de ficar próximos deles por ele.
Jade estava sentada no chão perto de uma das salas que ela frequentava. Ela parecia fazer uma tarefa rapidamente, provavelmente ela tinha esquecido de fazer a tarefa e só lembrou aqui, ela vivia fazendo isso, ela vivia fazendo as tarefas no carro de Beck.
— Oi Jade. – ele disse se aproximando dela, ela levantou os olhos lentamente para ele, aqueles olhos azuis como uma flor hortênsia.
— Ei. – ela sorriu apenas e voltou a atenção ao exercício, que parecia a composição de uma melodia.
— Você vai continuar me ignorando sempre que falo com você?
— Não estou te ignorando. – Jade suspirou vendo que não conseguiria voltar a se concentrar na melodia que deveria mostrar ao professor na próxima aula. – Eu só não tenho o que falar com você nesse momento.
— Jay, eu sei que nós estamos mal, sei que você me odeia por não ter aberto aquela porta... – Beck começou ficando em frente a ela, sentado no chão encostado na parede contrária.
— Por que você quer desenterrar velhas magoas, Beck? Eu te superei, sei que é estranho, mas não acho que estivéssemos realmente funcionando, eu queria me apegar a ideia de que sim, mas não estávamos, eu te amo, e não sei quanto tempo ainda vou ter esse sentimento dentro de mim, mas eu to lutando contra esse inferno aqui dentro para me desapaixonar por você. – Jade o encarava, aqueles olhos azuis tão fortes contra os dele o deixava com as mãos tremendo. – Eu achei que era isso que você queria quando não abriu a porta, seguir em frente, você não teria mais que dispensar as garotas que caem aos seus pés. Não que você fizesse isso antes. – ela sorriu irônica para o ex-namorado.
— Você sente um prazer imenso em me maltratar. Isso parece que não vai mudar tão cedo. – Beck sorriu para ela, por mais que sempre doesse ela o tratando daquela forma, era um avanço. Quando ela o atacava, de alguma forma ela permanecia próxima a ele, fazendo o que ela fazia de melhor.
— Você também não parece ser o maior fã de me tratar bem e me fazer me sentir única ou amada. – ela sorriu para ele e então sua atenção se voltou novamente para a sua tarefa.
— Desculpa por isso. – Beck pediu olhando para ela, finalmente ele havia feito isso, era como se seu peito se aliviasse da tensão de um filme dramático.
— Desculpa também. – ela sussurrou, e ele precisou acreditar que seus ouvidos haviam mesmo ouvido aquilo direito, ela não pedia desculpas com facilidade.
— Por? – Beck tentou.
— Ter desperdiçado tanto tempo da sua vida? – a morena também tentou dando o melhor sorriso sarcástico. – Por ter transformado os últimos meses em um inferno, você não ajudava muito, mas eu também não sou completamente isenta de culpa.
— Nenhum dos dois é. – ele respondeu com um sorriso, e ela agora se dedicou totalmente a sua tarefa e ele resolveu deixa-la sozinha finalmente como ela pretendia.
Naquela noite Beck saiu com Andre para ir ao cinema, precisava espairecer e um filme de ação sem nenhum romance parecia a melhor ideia. Mas Hollywood amava fazer filmes cheios de romance e esse não era diferente.
Quando a mocinha perfeitamente maravilhosa apareceu na tela, a visão de Beck não se dirigiu aos peitos dela (como a de todos os homens ali), mas para algumas cadeiras a sua frente, onde uma linda morena com peitos tão maravilhosos quanto os da atriz na tela, estava se deixando ser abraçada por um babaca qualquer.
Beck não conseguiu desviar os olhos daquela cena, por mais que Jade não estivesse agarrando ele, Beck havia demorado alguns encontros para conseguir ficar naquela posição com ela. Por que ele não conseguia superar ela como ela havia o superado? Não importava o tempo que passasse, Jade iria ser a única a dominar o pensamento dele.
A garota se levantou, e então Beck notou que aquela não era Jade, claro que não era. Seu corpo não era tão bonito, nem seus olhos, ou seu sorriso. Ela só parecia uma cópia barata de Jade, com mechas verdes e tudo.
O moreno pegou seu celular e entrou no perfil de Jade no SlapFace, viu que ela havia postado uma linda foto mostrando o seu lindo vestido. Mas seu coração afundou ao ler a postagem anterior, onde ela dizia que iria num encontro.
Preferiu não comentar nada, não queria mesmo saber que vestido ela usaria para sair com aquele babaca com quem ela estava saindo, ou se o cara estava abraçando ela como ele fazia.
— Cara, você perdeu a melhor cena. – Andre comentou dando uma cotovelada no amigo. – Saia do perfil dela, você não está se fazendo bem, sabia?
— Eu acho que tive uma overdose de Jade, eu preciso me desintoxicar dos muitos anos que tive com ela. – Beck comentou guardando o celular, havia perdido o interesse no filme, ou em qualquer outra coisa.
Quando o filme acabou, Beck e Andre foram até uma lanchonete que tinha ali perto, e não demorou muito para duas garotas, garotas de Northridge, se aproximarem deles. Ele deu seu melhor para não ser rude, ou dar muita atenção para elas, não queria que elas pensassem que ele realmente queria algo.
Jade chegou em casa e encarou o teto. O seu encontro havia sido o pior de todos, e olha que teve muitos encontros ruins em sua vida, inclusive um pervertido sexual que havia fugido da cadeia.
“Garotos de Northridge são ainda piores do que as garotas de Northridge. Pior encontro da história. Humor: Irritada” Ela publicou em seu slap, e não demorou muito para os comentários começarem, eram aqueles idiotas do Rex, dizendo que as garotas de Northridge valem a pena. Mas um chamou sua atenção. Beck havia comentado, havia perguntado o porquê dela ter saído com um garoto de Northridge.
Beck está com ciúmes, mas não demorou a perceber que havia uma foto dele com uma garota do mesmo lugar, uma garota loira feia demais, Becca o nome dela. “Que nome ridículo.” Ela só conseguiu pensar.
Ele não tinha sobre o que reclamar. Jade suspirou pesadamente, não queria saber se ele estava saindo com outras garotas, ele era livre para isso, assim como ela era. A morena queria o melhor para ele, queria mesmo que ele estivesse com outras garotas, queria, mas não queria. Queria porque sabia que isso o faria feliz, mas não queria porque imaginar ele deitado na cama com outra garota como deitava com ela, era de quebrar o coração.
Não que o coração de Jade já não estivesse quebrado, ele estava em pedaços, mas aparentemente era possível diluir esses pedaços em pedaços ainda menores. A cada mensagem que raramente ele enviava (e droga, Jade odiava isso de mandar mensagens) ela sentia os pedaços se unirem como se voltasse no tempo, ela tentou juntar seus pedaços com uma Silver Tape, mas a única cola que os unia era Beck.
Ele mandou uma mensagem aquela noite, um simples “oi” que fez ela se revirar na cama pelo resto da noite pensando que talvez ele a quisesse na porta do RV, mas Jade tinha mais medo do que aparentava, Jade tinha medo de aparecer lá e ter o coração arrancado de seu peito. É possível consertar um coração quebrado, demora, mas é possível, um coração arrancado nunca poderá ser pego de volta.
Havia muito em Jade que não era visível, não era possível ver outras emoções nela além daquilo que ela queria aparentar, ela havia criado uma armadura para si. Depois que seus pais se divorciaram, e como sua mãe raramente ficava na cidade, Jade precisou aprender a proteger seu coração, sempre que se abria para alguém, ela saía machucada. E ela nunca mais se deixaria machucar.
Até Beck chegar, ele era uma exceção de tudo.
Beck sentia falta de conversar com Jade. CONVERSAR, NÃO GRITAR. Não ser irônico e completamente ignorado pelo outro. Ele precisava falar com ela, e quando ela respondeu ao seu “oi” com outro, seu coração se alegrou.
Talvez tudo pudesse mudar. Talvez se eles começassem a conversar de volta a situação deles melhorasse. Era uma questão de amizade, não de relacionamento amoroso. Ele sabia que agora não teria mais chances com ela, ela havia superado ele, havia ido a um encontro e quebrado a cara, mas primeiros encontros são assim.
“Espero que Devon não volte” – Beck pensou consigo. Devon havia sido o namorado que havia partido o coraçãozinho da pobre Jade por não gostar de “crianças”, como ele a chamou. Mas ele havia sido um dos caras mais importantes da vida dela. E Beck tinha medo que ele voltasse e tudo que ela tinha com ele viesse junto. Isso ele não aceitaria facilmente.
“Por que o cara era tão ruim?” – Beck mandou curioso para ela.
“Ele disse que meus olhos eram azuis como o céu” – Beck riu ao descobrir isso, ele entendia perfeitamente isso. “E foi um perfeito idiota, me levou para um restaurante que fazia carne de cachorro”.
“Ele era burro?”
“Como qualquer garota de Northridge” – ele podia imaginar a cara entediada de Jade, ela nunca gostou de mandar mensagens, então entendia isso como um avanço em tudo que vinha acontecendo. “Como a Becca.”
Ah, o ciúmes, Beck não entendeu bem o porquê de se sentir bem com isso. Ele sempre odiou quando ela agia dessa forma durante o relacionamento, esses eram o único momento que ela demonstrava algum sentimento real, mas era sempre o pior sentimento que ele podia esperar dela.
“Isso quer dizer que vamos voltar a nos falar novamente?” – Beck mandou, ele estava inseguro como no dia que havia chego na escola, como no dia que a chamou para sair. Não queria receber uma resposta negativa dela nesse momento. Não aguentava mais não falar com ela. Era possível que eles não se amassem como antes?
“Você vai ter que descobrir, Aladin” – ele gargalhou por conta do apelido e sentiu um alivio raro em seu peito, um alivio de não perder uma amiga que havia feito parte da sua melhor parte. Ele gargalhou sem nem imaginar a garota insegura que estava do outro lado, uma garota que não queria perder ele, a amizade dele, e que sorriu ao receber cada uma das mensagens dele. Era mais um momento em que as verdadeiras emoções de Jade eram dedicadas a quem merecia, Beck não mereceu, mas o momento sim.
E pelo menos por aquela noite eles voltaram a falar como antes. E isso acendeu novamente uma chama no peito da morena. Mas logo se apagou ao imaginar que talvez não fosse reciproco.
Don't wanna know what kind of dress you're wearing tonight
If he's holding onto you so tight the way I did before
I overdosed should've known your love was a game
Now I can't get you out of my brain oh, it's such a shame
That we don't talk anymore we don't talk anymore
We don't talk anymore like we used to do
We don't love anymore what was all of it for?
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