Fire meet Gasoline
5 Capítulo 5 - A grown-up woman should never fall so easily
Notas iniciais
Jade respirou cansada. Havia acabado de levar um fora épico de Devon, ele havia literalmente dito que ela era uma criança. Ela uma criança, era impossível mesmo acreditar que ele havia dito isso. Ela podia ser jovem, mas não era uma criança.
Devon a levou até a escola como fazia todas as manhãs, Jade odiava dirigir, e lá disse da maneira mais cínica que ela não era a garota certa para ele. Aquele estupido, ele deveria tomar vergonha na cara e arranjar um emprego, e não ficar pagando de hipster no metrô por algumas moedas.
— Na verdade, estou muito feliz de não ter que dizer que você toca bem, seu merda. – Jade gritou a plenos pulmões quando ele a deixou na escola e arrancou o carro velho e caindo os pedaços que ele venerava, dizendo que era um clássico.
Estranhamente, Jade não sentiu nada com o fim do relacionamento. Ficou com raiva de Devon, simplesmente isso. Não era como se seu coração houvesse sido estraçalhado e atropelado por um rolo compressor. Ela se sentiu normal. Era assim que você se sentia quando tudo acabava?
Perto dali, no seu próprio carro, Beck via a cena e sorria docemente. Andre havia lhe dito que Jade namorava aquele cara desde que havia entrado na Hollywood Arts, e por mais que o moreno tentasse negar, ele se sentiu atraído por ela desde o primeiro chute que ela o deu.
Talvez aquilo significasse que agora ele poderia tentar uma chance com a morena que ele idolatrava. Mas havia notado desde o principio que não seria fácil conquistar a garota. Ela não era o tipo de garota que parecia se encantar facilmente por coisas normais. Ele havia a observado por um tempo. Na verdade pelo último mês, tudo que ele fez foi observá-la. Não de maneira pervertida, ou estranha, mas simplesmente como um bobo apaixonado.
— Te digo uma coisa, se teme a sua vida, não tente. – Andre disse se aproximando junto com Robbie. Eles eram os únicos amigos que Beck havia feito desde que chegou do Canadá.
— Não tentar o que? – Beck perguntou confuso encarando o moreno ao seu lado.
— Sei que você viu que a Jade terminou com o namorado, mas você não vai querer se envolver nessa encrenca. Ela é estranha. – Robbie respondeu encarando Beck que voltou o olhar para a morena que agora havia se sentado calmamente em uma mesa do pátio.
— Mas ela parece um diamante raro, ela me atrai, eu quero ter um pedaço dela. – Beck brincou com os amigos. – Eu acho que ela não é tão assustadora como vocês insistem, não tem como alguém tão bonita ser tão perigosa.
Ah, Beck odiava estar errado, mas descobriu tristemente mais tarde que estava duramente errado. Ele havia tentado conquistar ela, deu seu melhor e lutou como um canadense por isso. Mas ela apenas levantou a sobrancelha para ele, e contou calmamente até três, antes de ameaça-lo com uma tesoura.
Na semana seguinte ele pegou-a saindo da aula de ballet, e puxou-a para uma sala vazia. E após encarar aqueles olhos azuis, ele ficou ainda mais encantado. Jade o encarava provocativa, ela sempre agia assim.
— Então, você vai falar alguma coisa ou só me arrastou até aqui para se constranger em frente a uma turma inteira?
— Você está blefando, Jade. – Beck tentou não demonstrar nervosismo. Ele sabia que a sala estava vazia, não é?
— Vai pagar para ver? – ela o desafiou, as sobrancelhas arqueadas, e um sorriso convencido no rosto.
— Claro, por que não? – Ele sorriu, e viu que a morena não recuou nem um pouco. – Você aceita sair comigo, olhos...
— Vai comparar meus olhos com o mar turbulento? Ou com o azul celeste? – Jade o provocou.
— Olhos cor de hortênsia. – Beck continuou — Por que eu usaria clichês? – Beck mentiu encarando os olhos dela, falou na primeira coisa que surgiu na sua mente além de “tela de inicio do PeraBook.”
— Gostei dessa. Mas não, eu passo. – Jade sorriu docemente apertando levemente o ombro do garoto e se aproximou alguns bons centímetros dele e sussurrou: — Agora você passou vergonha na frente de uma turma inteira.
Beck não respondeu nada. Jade saiu lentamente e ele se virou encarando muitos alunos que ainda estavam naquela aula que parecia ser de dança. Mas ele não se importou realmente, achou divertido essa brincadeira que tinha com a Jadey, além do fato de ela ser uma garota difícil que não se rendia a ele apesar de todos os seus esforços.
— Isso foi o ensaio para a peça da escola. – Beck falou rapidamente para todos ali, passou a mão nos cabelos sedosos e saiu da sala.
Mais uma semana se passou, seria a terceira e última tentativa de Beck para conseguir sair com Jade. Dessa vez ou ele conseguiria, ou ele conseguiria. Não havia outras opções. Ele sentia uma atração perigosa por aquela morena, talvez fosse pela forma como ela agia. Tão única e difícil. Ou simplesmente por ela ter o sorriso e os olhos mais lindos que o moreno já tinha visto na sua vida.
Era o conjunto da obra, era isso que não deixava que ele se afastasse. Ela podia ser a garota mais bonita da escola, mas não deixava de ser talentosa, inteligente e completamente a garota mais diferente que poderia existir, e isso... Bom, isso não era algo a se falar de todas naquela escola.
Jade chegou de carona com Cat. Beck estava esperando por ela na frente da escola, como fazia com uma certa frequência (claro, sempre tentando disfarçar o fato de que ele a perseguia). Ela sempre chegava nervosa, quando era a mãe de Cat que guiava o carro era por Cat pertencer a uma família anormal. Quando era o irmão de Cat que as trazia, era pelo simples fato de que aquele cara não deveria ter conseguido tirar a carteira. Quando era a sua própria mãe que a trazia toda sorridente, Jade reclamava do fato de que sua mãe sempre se atrasava.
Aladim, como Jade gostava de chama-lo, não se precipitou para falar com ela ao ver o olhar mortal que ela lançava ao redor. Ele não tinha medo dela, ele só achava que morrer tão cedo era desperdiçar a sua beleza.
Mas quando viu a morena tomando seu café, no intervalo, com Cat ao seu lado tagarelando, ele não conseguiu evitar o magnetismo que ela possuía sobre ele. Isso o atraiu a sentar ao lado dela, e salva-la de uma Cat animada sobre como arco-íris são mágicos, e que o irmão dela havia lhe dito que ela era dona deste.
— Olá, J. – Beck tentou chamando a atenção da morena para si. Ela levantou uma sobrancelha em resposta a aquele apelido.
— Tá achando que tem intimidade, Aladim? – ela perguntou em voz baixa.
— Não, eu só... – Beck não pode terminar sua frase, já que um aparente brutamontes bateu na mesa onde estavam sentados, gritando coisas incompreensíveis.
— Devon, você não vai me deixar em paz? – o moreno ouviu Jade falando lentamente, com a voz entediada e revirando os olhos lentamente para o cara a sua frente.
— Não, Jadelyn. Você é minha, e tá ai de papinhos com esse magrelo? – Beck olhou para a morena que mantinha um semblante calmo e sem hesitação.
— Primeiro: Você não tem direito nenhum de mandar em mim, se você acha que tem qualquer efeito sobre mim, é repulsa, entendeu? Segundo: Se eu estou de conversinha com o Aladim aqui, é porque você terminou comigo e me chamou de criança, e só me fez perceber que a maior criança era você. E ultimo, mas não menos importante – Jade se levantou lentamente, se inclinando para frente e ficando cara a cara com o marmanjo estúpido de perder aquela garota. Ela encarou o seu arredor, viu Sinjin assistindo a cena animado, Robbie com seu boneco idiota, Andre sendo ele mesmo, ou seja, um nada para ela. E viu o pobre Albert sentado ao seu lado. – Eu tenho um encontro com Beck essa noite.
Beck não pode conter o sorriso ao perceber o que ela havia falado. Nem havia precisado largar a sua última ficha, ela havia usado uma dela. Mas seu sorriso logo se fechou ao perceber que o seu nome agora saia de uma voz bem menos interessante que a de Jade, a do próprio Devon.
— Quem diabos é Beck? – ele gritou. – E que nome ridículo é Beck?
— Ele é o Beck, ele é super legal, e sempre me deixa mexer no cabelo dele. – Cat apontou para o moreno, que a olhou assustado.
Devon não falou nada. Beck muito menos. Eles se encararam por alguns segundos até que Jade interveio. Por mais que tenha gostado do fato de que Beck não recuava, ela precisava se livrar daquele idiota. – Sim, o Beck é super legal, e tem um cabelo incrível. Diferente do seu. Agora, Devon, se nos permite suma da minha frente, idiota, antes que eu faça a dança dos punhos na sua cara. – Jade gritou raivosa, e o cara simplesmente recuou.
— Babaca. – ela resmungou quando ele partiu em seu carro caindo aos pedaços.
— Então, teremos um encontro? – Beck perguntou com um sorriso enorme nos lábios, um sorriso vitorioso. – E meu cabelo é incrível?
Ela não respondeu, apenas bufou, deu meia volta e seguiu em direção ao prédio. Ele não escondeu o sorriso pelo resto do dia.
Beck tocou a campainha da casa de Jade, não era uma casa pequena, na verdade era muito grande e bonita, parecia pertencer a alguém famoso. Diferente do que era de se esperar, não foi um empregado ou mordomo que abriu a porta. Ao menos as roupas assim deixavam claro não ser um criado.
A porta revelou uma mulher linda, alta e magra, de vestido tubinho vermelho, extremamente provocante. Mas para Beck o que chamou a atenção dele foi aqueles olhos, os olhos cor de hortênsia, exatamente iguais aos da Jade. Em uma mulher tão linda quanto ela.
— Olá rapazinho. – a mulher disse doce. – Posso te ajudar?
— Eu queria falar com a Jade, aparentemente a gente tinha um encontro hoje. – Beck respondeu.
— Ah mesmo? Ela não tinha me contado, mas o que é que Jade me conta nos dias atuais? – Ela riu graciosamente, ela parecia uma atriz famosa, ou uma pessoa que aparece constantemente em revistas. – Me chamo Julie Evans. – a moça estendeu a mão para o moreno. – Sou a mãe da Jadey.
— Beck, senhora Evans. – Ele puxou a mão dela galanteador e depositou um beijo nos nós dos dedos, de maneira que a mulher ficou um tanto constrangida.
— Só Julie. – ela frisou antes de se virar – Bom, acho melhor eu ir chamar a menina lá em cima.
Beck esperou na sala de estar pela morena. Mas quando ela desceu não parecia pronta para um encontro, ou qualquer coisa do tipo. Principalmente pelo olhar que ela lançou para o moreno, um olhar confuso e cheio de perguntas que não poderiam ser respondidas.
— Você vai assim ao nosso encontro? – Beck perguntou a encarando – Não estou reclamando, você está bonita, mas eu iria te levar a um lugar especial.
— Nosso encontro? – Jade riu nervosamente, ela não parecia confortável com a situação – Só falei aquilo para que o Devon me deixasse em paz, e você era realmente a melhor opção naquele lugar.
— Tudo bem. Mas agora você será obrigada a ir nesse encontro, Jadelyn, eu me produzi como um verdadeiro galã, e peguei o carro emprestado. Te dou dez minutos para ficar pronta. – o moreno sorriu e viu o momento exato em que um pequeno sorriso se formou naqueles lábios.
Jade gritou no final da noite que aquele havia sido o pior encontro. O pneu do carro havia estourado, e a roupa de Beck ficou imunda. Ele a levou ao pior restaurante da região. E a fez passar vergonha quando eles saíram e foram até um café que tinha por perto. Mas Jade tinha que admitir, ela se divertiu como nunca. No final da noite estava tão presa àquele garoto quanto um pato parado em temporada de pesca.
Ela gostava do sorriso dele, ela tinha que admitir. E a conversa fluía como não acontecia com frequência, na verdade ela tinha problema para conversar com garotos, mesmo que não fosse perceptível através daquela armadura fria que ela moldou. Descobriu que dentre os muitos filmes que já haviam feito, ele havia realmente gostado de “A tesourada” o qual era o filme preferido dela.
— Parabéns, Albert. – Jade sorriu doce quando ele a deixou em casa. – Você fez um encontro horrível se tornar divertido.
— Podemos repetir? – ele perguntou ansioso enquanto se encostava no batente da porta dela, uma posse que era um misto de despreocupação e sedução. O sorriso brincava nos lábios dele como se a resposta fosse óbvia. E talvez fosse. Apesar disso, Jade apenas sorriu e deu um último sorriso para ele, era uma brincadeira, ele nunca tinha as respostas em sua mão. Beck teria que descobrir essa resposta.
Descobrir por si mesmo que Jade havia caído nos encantos dele. Eles repetiram sim o encontro, e depois de três ou quatro, ela já estava apaixonada. Ela só não entendia como uma garota tão madura quanto ela – pelo menos era assim que ela se percebia – pudesse se apaixonar tão facilmente em um encontro horrível.
It was like shooting a sitting duck, a little small talk, a smile and baby I was stuck
I still don't know what you've done with me a grown-up woman should never fall so easily
I feel a kind of fear when I don't have you near
Unsatisfied I skip my pride I beg you dear
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