Fire meet Gasoline
3 Capítulo 3 - Why do we fall in love so easy
Notas iniciais
O mais tarde chegou mais cedo do que ela queria. Ela não queria assumir que se perguntou o tempo todo o que ele estava fazendo, e se ele havia se arrependido de tudo o que havia acontecido. Mas ela simplesmente duvidava disso.
Beck não era do tipo que se arrependia, ele era do tipo que sustentava suas escolhas até não poder mais. Foi assim que fez quando comprou o RV para ter suas regras, mesmo quando ficou sem dinheiro para comprar comida, ele permaneceu firme em sua escolha. Foi assim quando ele a levou para sair, mesmo que tenha levado ao pior restaurante de East Wollywood, não admitiu ter errado nem quando ela gritou que foi o pior encontro da vida dela, ganhando até da vez que ela saiu com presidiário.
Então ela não esperava que ele se arrependesse. E ela não se arrependeria também. Passou muito tempo pensando, e mesmo que seu coração negasse, ela sabia que eles estavam tendo problemas naquele relacionamento.
Ela não ficou em casa, logo que chegou se deparou com seu irmão Fred olhando embaixo da saia de Jennifer, e isso fez ela querer vomitar. Depois de alertar a Sr. Barbie Perfeita o que o enteado favorito dela estava fazendo, ela pegou sua bolsa e seguiu até o seu local preferido na cidade. Um velho cemitério que era incrivelmente bonito, não mórbido.
Ali era o seu local favorito para pensar. Ela sempre se sentava perto de uma arvore incrivelmente bonita e sempre cheia de folhas verdes, era tão dissonante do resto daquele espaço tão pálido.
— Sabia que te encontraria aqui. – ela ouviu aquela voz que ela tanto gostava, mas que não queria ouvir agora.
— Pelo visto eu sou muito previsível. – Jade disse irônica sem levantar o olhar para ele.
— Não, você é bem imprevisível, mas você sempre vem aqui quando quer me evitar. – ele se sentou ao lado dela. Não queria gritar, mas eles precisavam conversar.
— O que você quer? – ela perguntou, sua voz baixa por cansaço.
— Conversar. Nós estamos indo mal, baby. – ele disse olhando na direção dela – Eu não estou feliz, e eu não te faço feliz.
— Eu não gosto de ser feliz. – ela assumiu, ele sorriu sabendo que isso era mentira, uma mentira que ela adorava fingir que era verdade.
— Gosta sim, e você sabe que comigo não precisa fingir ser o que não é. – Jade sorriu tristemente, eram esses momentos que fazem a diferença no dia dela. – Eu queria conseguir te fazer feliz novamente, Jade. E bom, estamos deixando todas as pessoas ao nosso redor constrangidas com nossas brigas.
— E sua família não gosta de mim. – Jade sorriu para Beck, era a mais pura verdade, eles nunca gostaram dela, e por mais que ela tentasse nunca ia conseguir a aprovação deles.
— Isso também, Jade. – ele a olhou no fundo dos olhos.
— Tudo bem, Aladin. Mas...
— Mas o que? – ele perguntou alarmado olhando para ela.
— Nada, deixe quieto. Eu quero parar de brigar, não aguento mais essa situação.
— Vamos sair com nossos amigos então? – Beck a chamou se levantando e estendendo a mão para a ajudar a levantar.
E foi então que a briga recomeçou, foi então que a briga que os machucaria mais do que ela gostaria de assumir começou. Eles foram atrás dos amigos, e Beck disse que os amigos não queriam mais a companhia deles, por eles não pararem de brigar. E foi exatamente o que foi comprovado quando eles encontraram os amigos na casa da Vega.
— Olha, eu não quero ser seu namorado se nós ficamos brigando o tempo todo. – Beck disse, e essas simples palavras fizeram Jade odiá-lo.
— Então, você quer terminar? – Jade perguntou irritada, era óbvio que ele queria, ela não faria isso com seu orgulho de se deixar levar por ele.
— Não, eu não disse isso. – Ele tentou consertar, mas não funcionava, não mais. Ele sempre tentava tirar da reta.
Um fato é que: Jade vai sempre brigar e gritar, esse é um ponto da personalidade dela, e ela nunca iria mudar por um cara, ela não era esse tipo de garota. E se ele não quer mais ela do jeito que ela é, não teria como continuarem juntos.
Por mais que houvesse desejo, e que houvesse uma chama entre eles, isso não seria o suficiente para acabar com a mágoa.
— Eu só disse... – Beck começou, mas foi interrompido por Trina.
— Vocês podem terminar? – ela questionou mais animada do que Jade admitir ser aceitável naquela situação, aquela urubu só estava esperando por isso. – Porque eu to solteira. – ela disse, Jade apenas virou as costas, não queria mais saber dessa palhaçada. – E eu sempre pensei que eu e Beck poderíamos ser um perfeito... – ela foi interrompida pela almofada que Jade jogou com muito ódio para cima dela.
— Na próxima vez é um martelo. – Jade gritou raivosa, venenosa, com ódio daquele ser. – Vamos Beck, me leve para comer alguma coisa.
— Eu cansei de brigar. – ele disse calmamente.
— Ok. Eu vou passar por essa porta e vou contar até 10.
— Não esqueça o 3. – Cat alertou inocente. – Algumas pessoas esquecem.
— Se eu chegar ao 10 – Jade continuou, cansada, exausta, triste e com raiva, ignorando a amiga – e você não aparecer, eu vou para casa e – Jade respirou fundo cansada daquilo – estaremos acabados. – ela ameaçou.
— Um. – ela gritou fechando a porta, seu coração disparado, tudo dependia do garoto ali do outro lado daquela porta, eles dependiam dele.
— Dois. – Era bom se ele viesse para que eles pudessem tentar mais uma vez consertar aquele relacionamento.
— Três. – O coração disparado começou a parar, poderia parar de bater a qualquer momento.
— Quatro. – ela gritou, e tinha certeza que não deveria demorar tanto para ele ir da mesa até a porta.
— Cinco. – Era isso, o relacionamento deles resumidos a mais cinco números.
— Seis. – ela ouviu um baque surdo do outro lado da porta, ele deveria estar perto, né?
— Sete. – seu coração estava na boca, ela não sabia se conseguiria falar os próximos números sem a voz falhar.
— Oito. – Era isso, ele não viria, ele havia desistido daquele relacionamento há muito tempo.
— Nove. – Pra que continuar tentando?
— Dez. – Era isso. Jade fraquejou ao pensar que o relacionamento deles estaria se esgotando ali, acabando ali. E ela havia saído queimada e machucada mais uma vez. Ela queria continuar tentando, mas não tinha mais forças para isso.
Não tinha forçar para se machucar e se consertar todas as vezes que ele não agia da maneira que era mais seguro. Não tinha forças para brigar. Não tinha forças para continuar machucando Beck. Ela havia finalmente tomado uma decisão que mudaria sua vida.
E ela saiu dali. Simplesmente seguiu até sua casa. Ela não chorou aquele noite, não iria chorar por isso, era melhor simplesmente aceitar e seguir em frente. Jade teria que juntar as forças restantes para tentar mais uma vez se levantar e esquecer ele. Por mais que doesse esquecer e apagar alguém tão importante da sua vida.
Quando chegou em casa viu novamente Jennifer e a ignorou. Correu para seu quarto e começou uma chamada de vídeo com sua mãe, ela precisava falar com sua mãe, ela era a única em quem Jade confiava completamente, ela e Beck, mas em Beck dessa vez não poderia confiar.
Sua mãe, Julie, havia se separado de Wes por ele ser um filho da puta traidor, talvez por isso ela sempre soube exatamente o que dizer para a filha quando alguma coisa assim acontecia.
— Você tem que superar isso, minha menininha, você é mais forte e bonita que isso. – ela disse com um sorriso que mataria qualquer homem. Ela era uma grande modelo na Itália, e fazia sucesso mesmo já tendo mais de 30 anos.
— Mas eu o amo, mãe.
— Desame. Você acha que eu não amava seu pai quando ele me traiu? Eu só acho que você tem que tentar muito mais forte do que tá tentando. – Jade olhou nos olhos da mãe, tão azul quanto os dela. – Se apaixonar é fácil, mesmo quando é errado, mas desamar é nisso que você tem que se esforçar depois.
Sua mãe tinha razão, ela havia se apaixonado de maneira muito rápida, e isso havia quebrado seu coração de uma maneira que nunca havia acontecido antes. Ela teria que aprender a desamar Beck antes que isso acabasse por fazer ela ficar na pior.
E iria começar isso da parte mais difícil, pegou as coisas que a lembravam do garoto, colocou em uma caixa que achou na despensa da casa e jogou tudo no porta malas do carro. Durante a manhã ela se livraria de tudo aquilo. Entrou no seu PeraPad, e entrou no seu SplashFase e apagou qualquer marca daquele relacionamento, queria esquecer dessa fase da sua vida.
Ela estava tentando. Não era porque doía que ela iria morrer por isso, certo? E seu coração doía muito naquele momento. Quando ela mudou seu relacionamento ela sentiu seu coração ir parar no estômago de tão pesado que ficou. Mas ela se sentiu muito leve ao notar que talvez aquilo fosse o melhor para os dois.
Beck voltou para casa com a mesma animação com que jogou com seus amigos. Ele havia perdido todas as rodadas, não tinha concentração para pensar em jogo quando havia acabado o relacionamento com a menina que ele amava, mesmo que eles não estivessem mais felizes como antes, não fazia doer menos.
Ele chegou em casa e foi direto mexer em seu celular, mas assim que entrou no SplashFace notou que para Jade aquilo havia sido realmente oficial. Ela havia mudado seu relacionamento, e ver isso doeu muito nele.
Doeu mais ainda ver a quantidade de garotos que curtiram o status dela, muitos ali não eram realmente importantes, como o Sinjin, ou o Robbie, mas outros ali ele nem sabia quem eram, e não entendia porque eles estavam curtindo isso da sua namorada.
Ex. Ex-namorada.
Pensar dessa forma fez com que ele se sentisse realmente mal naquele momento. Ele havia conseguido o que lutou por dias, achou que ia se sentir bem ao saber que agora não faria mais a sua amada sofrer e que não sofreria mais, e que aquele relacionamento disfuncional finalmente seria resolvido. Mas Beck estava odiando a si mesmo por ter feito uma burrada tão grande ao não abrir aquela porta.
Mas agora era talvez tarde demais. Sua mãe sempre lhe disse que se era para acontecer, iria acontecer independente das circunstâncias, se ele e Jade foram feitos para ficar juntos, é de se esperar que no futuro algo os faça voltar aos trilhos, mas eles precisam de um tempo sozinhos, ou iam acabar matando um ao outro.
Mas na manhã seguinte ele sentiu que talvez daquela vez Jade simplesmente também tenha cansado daquela brincadeira que eles insistiam em jogar. A primeira coisa que ele deu de cara ao sair do RV foi uma caixa com várias coisas que ele havia deixado ou dado para Jade. Inclusive a aliança dela.
Ver a aliança ali, o símbolo do amor deles naquela caixa, junto com tantas outras lembranças fez ele perceber que havia ido longe demais. Recolheu a caixa antes que sua mãe visse, não queria ver a felicidade da mãe perante a tristeza dele. Sua mãe nunca gostou de Jade. Sua mãe insistiu diversas vezes para que ele terminasse com ela enquanto havia tempo. E ele nunca havia a defendido. Ele sempre riu. E agora seu coração afundava.
Não sabia como seria na escola, a pior parte de se terminar um relacionamento quando a outra parte estuda na mesma turma que você é ter que ir para a escola e ver a pessoa a todo momento. Principalmente quando a pessoa é Jade West. Ela poderia mata-lo com um olhar agora, e agora ela poderia ficar incontrolável, já que ele tinha um certo controle sobre as ações dela. Agora ela era uma bomba relógio com todos os xingamentos possíveis prestes a serem liberados.
Sua surpresa não foi outra a não ser ver Jade longe de seus amigos. Sentada sozinha em uma mesa separada. E nas aulas ficou quieta e longe de todos. Mesmo quando Rex pediu um beijo dela, ela não se deu ao luxo de destruí-lo, ou ameaça-lo. Ela apenas ignorou.
Jade West não é o tipo que simplesmente ignora. E percebia-se que algo estava errado nesse momento.
— Jade, estou te achando muito quietinha. Por acaso sua língua foi finalmente arrancada durante a noite? – Sikowitz questionou no final da aula para ela, ficando bem em frente a ela.
— Para sua sorte não, quem mais iria realmente te alertar de quão ridículas suas aulas são? – ela sorriu docemente para ele.
— Ai está, voltou ao nosso mundo, doce Jade.
— É, certo. – Jade disse saindo da sala assim que o sinal soou, Beck correu atrás dela.
Não era porque eles tinham terminado que eles deixariam de conversar um com o outro, certo?
— Oi Jade. – ele tentou com seu melhor sorriso.
— É, tá, oi. – ela disse secamente encarando o celular e colocando os fones de ouvido.
Ela não queria conversar com ele. Tudo bem, mas ele precisava tentar novamente, ele não queria que todo um relacionamento acabasse dessa forma. Por isso ele puxou o fone de um dos ouvidos dela e deixou cair sobre os seios dela, exatamente no lugar onde ficava a aliança dela.
— Você vai querer suas coisas também? – ele passou a mão no cabelo rapidamente, tentando não demonstrar seu nervosismo.
— Não, pode jogar fora, queimar. Dê para a sua mãe fazer alguma magia negra, aquela bruxa iria adorar fazer meu cabelo cair. – ela disse grossa como sempre quando não queria conversa.
— Tem certeza que não quer nada? – Beck perguntou, agora já exausto de ser tratado daquela maneira.
— Que você me deixe em paz. To atrasada para a aula, com licença. – Jade disse pegando sua sapatilha de ballet e seguindo para a turma de ballet avançado.
Ele sem nem ao menos notar seguiu ela mais alguns metros, ele gostava de estar na presença dela. Mesmo que ela o rebaixasse e gritasse, só de poder estar perto dela já era algo único, e o fazia bem. Mas agora aparentemente, nem isso ela queria.
Funny how the heart can be deceiving more than just a couple times
Why do we fall in love so easy even when it's not right
Where there is desire there is gonna be a flame
Where there is a flame someone's bound to get burned
But just because it burns doesn't mean you're gonna die
You gotta get up and try, and try, and try
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