Fire meet Gasoline
16 Capítulo 16 - Fortress around my heart
Notas iniciais
Jade estava perseguindo Tori e Andre pela escola. Sua raiva era tão grande que não tinha outra forma de extravasar, eles estavam pagando caras para tentar sair com ela. Isso era o ápice da humilhação pública, ela não esperava isso de Andre, eles estavam desenvolvendo uma amizade pós-paixonite, e Tori era sua quase amiga, e eles estavam tentando bancar os cúpidos da pior forma possível para cima dela?
— Você viu a Tori e o Andre? – Jade perguntou depois de percorrer mais um perímetro da escola, a garota a olhou assustada e tudo que bastou foi a morena apertar mais o olhar, seu olhar intimidador clássico. – Viu? – a garota não disse nada, apenas apontou para o quarto do zelador. – Obrigada! – ela sorriu ironicamente doce para a garota que fazia dança de salão com Jade e Beck, ao menos quando eles namoravam.
Não poderia esperar uma atitude mais idiota daqueles dois, o quarto do zelador era o lugar mais esperado. Jade pegou um atalho, andou pela laje da escola, ao melhor estilo Clube dos Cinco, e saiu naquela tão famigerada e apertada sala.
Andre e Tori gritaram como se a morena fosse a representação em carne e osso da morte, do bicho papão deles. E naquela manhã ela estava pronta para ser.
— Eu devia ter falado, esse lugar é péssimo para se esconder da Jade. – Beck comentou e apenas naquele momento Jade percebeu o moreno ali, ótimo, uma reunião familiar incrível. Tudo que a morena precisava. O fato é que ela e Beck haviam discutido na noite anterior, em uma conversa quase típica de ex-namorados.
— Eu devia pegar isso e machucar vocês dois. – Jade disse séria, encarando o rolo de papel higiênico em suas mãos, queria mesmo era ter pego a tesoura que lá estava, mas não teve realmente tempo de procurar.
— Como você nos machucaria com papel higiênico? – A babaca da Tori perguntou daquele jeito ingenuamente irritante dela.
Jade já se preparava para demonstrar para a quase não amiga como ela consegue machucar alguém inclusive com o instrumento mais macio e inofensivo quando Beck a olhou e com um simples gesto disse: — Solta isso! Solta. Isso. – ele disse sério, e ela por preferir não brigar com ele mais uma vez, apenas o fez. – O que é que deu em todos vocês?
— Esse dois pagaram um cara para me chamar para sair. – a morena explicou irritada, esperando que Beck compartilhasse da sua irritação, demonstrasse novamente um pouco de ciúmes, mas ele tinha uma tendência a agir como robô perto dos amigos.
— Só estávamos tentando ajudar. – Tori explicou, uma explicação que só piorava as coisas.
— E por que eu preciso de ajuda?
— Porque os caras tem medo de sair com você.
— Mas é assim que eu gosto. – a morena disse, uma verdade universal. Jade nunca entendeu essa necessidade das mulheres como a Tori de agradar a todos os homens, mesmo que isso significasse deixar de agir naturalmente. Jade era daquela forma, ela gostava que a temessem, pois assim só os corajosos e preparados realmente permaneciam ao seu lado.
— Olha, eu só fui arrastado pra isso. – Andre suspirou encarando a morena, que começou a duvidar de que eles poderiam ter uma amizade normal de qualquer forma.
— Sabe, nós achamos... – Tori começou, mas Andre a corrigiu “Você achou”. Não que aquilo melhorasse algo, a paciência da morena, que já era escassa, estava atingindo o limite. Se esse limite fosse atingido, algo horrível poderia acontecer ali.
— Nós achamos. – Tori gritou, dando ênfase ao nós. – Que se alguém te chamasse para sair, você levaria mais na boa se o Beck saísse com outra garota.
Jade revirou os olhos e encarou o moreno ao seu lado, sua paciência pronta para explodir: — Ai meu Deus, quantas vezes tenho que dizer? Eu não ligo pra quem você namora, a gente acabou, pode sair com quem você quiser. – Jade suspirou cansada, ela havia conversado e discutido com Beck sobre isso na noite anterior. Ela não suportava mais isso de se preocuparem dela surtar por ele querer se envolver com outras garotas. Isso a incomodava, e muito, mas o melhor era admitir que ela havia perdido, e seguir em frente, mas eles tornavam tudo pior agindo assim.
— Viu, eu falei que você poderia sair com a Meredith. – Tori falou aliviada e confiante para Beck, que lançou para ela o olhar mais alerta que possuía.
— Meredith? – Jade gritou, ah, como as coisas que ela percebia sempre voltavam para ela, era uma comédia grega. Era óbvio que Beck queria sair com a Meredith, ela havia percebido isso anos antes, quando eles namoravam. Ah, aquele idiota merecia ficar com aquela idiota. Ele que aproveitasse dos bolinhos dela.
— Quer saber? – Jade disse após uma exposição sobre suas constatações, e uma discussão deles sobre os bolinhos do pai da idiota. – Eu não ligo. Saia com quem quiser. Curta os bolinhos dela. – a morena cuspiu seu veneno, aquele seu ex-namorado era claramente um babaca, e seus “amigos” piores ainda. Jade não entendia porque ainda perdia tempo com eles.
Jade saiu da escola, não se importava com o fato de ter aulas, ela nunca se importou mesmo. Grandes diretores nunca passaram por uma escola dessa forma, na verdade, muitos deles não tinham nem ao menos se formado no ensino médio, Hitcock havia estudado Desenho, e engenharia, mas nenhuma escola de Artes como aquela, e era simplesmente o ídolo máster da morena. Quentin Tarantino estudou atuação, mas não como dirigir, e era um mestre em fotografia. Stanley Kubrick não estudou nem sobre como dirigir, nem como atuar, além de ser um péssimo aluno, e isso o tornou um diretor de renome.
A escola não iria ajudar Jade a ser o que ela queria ser.
Beck saiu do quarto do zelador com a cabeça doendo. Tori não deveria ter falado que ele queria sair com a Meredith, ele nem ao menos queria. Mas a morena era insistente. E agora Jade o odiava mais do que ele podia imaginar, ele merecia, sabia disso, mas não tivera culpa.
— Beck, calma, Beck, não fica assim. – ele ouviu Tori o chamando aos gritos. Ele parou rapidamente, a bolsa sobre o ombro direito, com a mão livre ele esfregou o rosto com raiva e encarou a magrela que corria na sua direção.
— Tori, sério? Precisava daquilo? Não podia manter a boca fechada por cinco segundos? – ele sabia que aquilo poderia soar rude, mas não se importava. Cansou de se importar com o que Tori pensava – A Jade já me odeia, ela não tem por você tanto carinho, o Andre era o único que nessas últimas semanas se salvava da ira dela. Mas você não poderia ficar quieta mesmo, não é? – ele esfregou o olho, um sinal de irritação que Jade perceberia – Agora ela vai cuspir sobre nossas covas.
— Eu só não pensei, eu...
— Esse é o problema. Você não pensou antes de falar, e agora ela nunca mais vai... – e então ele soltou um urro de raiva. – Desculpa, acho que agora vou pra aula.
Jade chegou em casa e encarou sua mãe. Estava pronta para dizer que queria largar a escola, mudar para Londres e agir como uma adolescente americana idiota no velho mundo. Mas tudo virou uma velha fortaleza onde ficava seu coração. E era por isso que ela evitava relacionamentos, relacionamentos envolviam se desarmar, se deixar visível para o outro. E isso sempre acabava com um coração quebrado.
Então ela apenas subiu para seu quarto, pegou sua guitarra, que ela quase nunca usava, e começou a dar evasão aos sentimentos através de uma melodia rápida. Seu ex-vizinho, o que havia sido preso no verão anterior, a ensinou a tocar.
As palavras saiam de sua boca de maneira rápida e espontânea, e ela tentava formar uma canção, talvez ela até tocasse no show de improviso da Lua cheia daquela noite. Jade ignorou o toque constante de seu celular, não queria falar com ninguém, não queria saber da vida de ninguém.
Havia sido humilhada duplamente, e aquilo havia sido o ápice daquela temporada. Houve tantos momentos de baixos desde que ela terminou com Beck, mas tudo sempre poderia piorar. Lei de Murphy é real, maldito seja Ed Murphy por postular isso.
Jade estava escrevendo a música quando Julie abriu a porta com um sorriso enorme no rosto. Escancarou a porta, e deixou que dois seres estranhos entrassem pela porta. Uma morena magrela e uma ruiva com a cabeça enfiada em um aquário. Antes que Jade pudesse expulsa-las, Julie saiu do quarto e fechou a porta.
— Então, Jadey. – Tori tentou se aproximando da cama.
— Nem pense em sentar na minha cama. – a morena disse séria, ainda olhando para sua partitura e para a letra que agora adornava a folha.
— Tudo bem. – a magrela respondeu com um sorriso – Eu queria dizer que você não precisa ficar com raiva do Beck por ele estar saindo com a Meredith.
— Ah, eles já estão saindo juntos? – Jade perguntou tentando ao máximo mostrar desinteresse no assunto. – Ótimo para ele. Que ele se empanturre nos bolinhos minúsculos dela.
— Mas eles vendem bolos maiores também... Ah, você não está falando dos bolos que o pai dela faz. – Tori disse séria percebendo o sentido da frase que sua quase amiga disse. – Mas você sabe que deve seguir em frente, não é, Jay?
— Não. Não é Jay, nem Jadey, nem porra nenhuma, é Jade, consegue entender isso? – Jade reclamou irritada, odiava quando lhe davam apelidos idiotas. Não gostava de apelidos, na verdade. – Eu to tentando seguir em frente, Victoria. Eu tentei quando beijei aquele alce idiota. Mas não vai ser pagando um cara que você vai me fazer seguir em frente, isso é idiotice. Eu não preciso de ajuda, eu não me importo se os homens sentem medo de mim. Na verdade, eu adoro que eles sintam medo. Eu conquistei o Albert assim, conquistei tantos outros assim. Não preciso mudar para um babaca que não se arrisca se apaixonar. Eu nunca vou concordar em ser fácil.
— Mas, Jade, nós ficamos com medo que você fizesse um show e quebrasse a cara da Meredith por conta do Beck estar saindo com ela. – Tori disse calma, olhando diretamente para a morena sentada.
— Eu pareço muito preocupada, não é? Estou mais preocupada com o fato dessa garota estar com a cabeça enfiada dentro de um vidro. – Jade mudou de assunto se aproximando da amiga ruiva.
— Tem uma borboleta na minha orelha. – Cat gritou animada para a morena, mas com uma rápida olhada ao redor percebeu que não devia ter dito aquilo.
— Se ela morrer você me dá? Eu adoro borboletas. – Jade suspirou animada para a amiga presa do aquário.
— Ela vai morrer dentro de mim? – a ruivinha se desesperou e começou a gritar.
— Tori, você não precisa mesmo se preocupar comigo, eu vou superar, superei tantas vezes antes. A única coisa com a qual deveria se preocupar é com a amizade que vive dizendo estar tentando construir comigo, pois essa está no fundo do poço. – Jade disse enquanto abria a porta de seu quarto em um convite silencioso para que elas saíssem de seu quarto e da casa, de preferencia.
Aquela camuflagem sempre funcionou bem para Jade. Aquela forma de fingir que tudo estava bem, que ela não se preocupava, que seus sentimentos nunca se feriam. Algumas vezes poderia ser realmente complicado viver daquela aparência, daquela camuflagem. Em momentos inoportunos, quando se encontrava sozinha, Jade só queria se despir daquela tão pesada armadura, que a fazia afundar no mais profundo oceano.
Mas essa armadura enorme tinha o seu lado bom, ela não deixava que Jade se abatesse por nada. Não na frente dos outros. No conforto de seu quarto sim, sozinha Jade tinha toda a liberdade para se libertar e liberar o lado mais sombrio em si.
Beck mandou uma mensagem para Jade. Ele estava nervoso pelo fato de Jade ter sumido da aula, e ele era o aluno responsável pela apresentação daquela noite, Jade era uma das alunas a se apresentar. Ele estava torcendo que ela agisse de maneira profissional, mesmo após o ocorrido.
A resposta curta e grossa dela demonstrou que por mais que ela estivesse querendo mata-lo, ela iria manter o profissionalismo, ela iria cantar, independente dele, e da sua companhia.
E mesmo que aquilo fosse a maior idiotice possível, Beck pegou seu carro e seguiu em direção à casa de Meredith, ele a levaria para a apresentação, mas se arrependeria amargamente por isso.

Remember when we'd talk all night but time ain't easy on us, how can love die?
I got so much shit to say but I can't help feeling like I'm camouflage
Fortress around my heart you were mine just yesterday
Now I have no idea who you are it's like camouflage
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