Fire meet Gasoline
17 Capítulo 17 - We're a perfect match, perfect somehow
Notas iniciais
Beck tocou a campainha da casa oponente com cheiro de bolinhos de Meredith. Não estava nervoso, no momento não pensava em nada. Só queria que aquele encontro fosse bom, a raiva de Jade ficou deveria valer de alguma coisa. Não poderia perder a amizade da garota que ele gostava por um encontro ruim.
Meredith abriu a porta da casa com um sorriso enorme do rosto. O cheiro de bolinhos saindo do forno encheu as narinas de Beck, e ele chegou a ficar enjoado com aquele cheiro tão persistente.
— Está pronta? – ele perguntou com um sorriso forçado, encarando o sorriso animado da menina.
— Estou pronta. – a morena falou com um sorriso que ia de orelha a orelha.
Beck respirou fundo pela ultima vez aquele cheiro forte de bolinhos. E então com um sorriso forçoso, ele estendeu o braço em direção ao carro.
— Vamos?
— Vamos. – ela respondeu sorrindo, mas esperou ele sair antes dela em direção ao carro. Beck odiou aquilo. Não puxou assunto o caminho todo – não mais de alguns quilômetros – até a escola. A menina apenas falava algumas coisas desconexas, quase sempre relacionadas a peça que eles fizeram anos atrás.
Quando Beck e Meredith chegaram a escola e se sentaram em umas cadeiras que o moreno levou, a conversa não evoluiu, na realidade, só decaiu mais. A garota agora não concordava com ele, mas também perguntava se ele queria que ela concordasse. Isso era ridículo, ele não entendia como uma mulher poderia agir dessa forma para atrair um homem simplesmente.
E o olhar do Ali Babá Paraguaio vagueava sem direção entre os diferentes rostos e cantos daquele lugar a procura do olhar que responderia todas as suas perguntas, a procura do rosto que acalmaria o seu peito. A procura daquela que era para ele como fogo é para gasolina.
Mas Jade não estava ali, e ele estava nervoso com o fato de que talvez ela simplesmente nem se desse ao trabalho de aparecer. Mesmo que aquilo fosse causar problemas para Beck. A questão é, naquele momento, Jade provavelmente não se importava, pois ela achava que ele estava aproveitando dos bolinhos da Meredith.
Não aguentando mais a maneira como aquela menina reagia a tudo, Beck se levantou e seguiu para a mesa de comida, deixando a garota sorridente sentada no mesmo lugar. Poder respirar era finalmente libertador.
— Ei. – Beck falou para Tori que estava recostada na mesa.
— Ei. – ela respondeu, aquele tom maroto que sempre era usado pela morena.- Então, você e a Meredith, ahn? Vão ficar juntos?
— Ninguém vai ficar junto. – Beck respondeu apenas. Olhar para aquela garota deixava o estomago dele embrulhado, ele queria poder colocar isso em palavras, mas talvez fosse somente impossível.
— O que? Depois de tudo que eu fiz? Eu quase fui atacada com papel higiênico. – Tori exclamou em um misto de exasperação e choque. Seria difícil fazer aquela morena semi histérica compreender os motivos de não curtir aquela garota.
— Olha, a Meredith é legal. – Beck começou, o olhar ainda procurando a sua morena, aquela que sempre fez seu coração bater descompassado, aquela que apesar de ser rude e durona, tinha mais personalidade que qualquer garota da escola. – Acho que aprendi uma coisa sobre mim mesmo.
— Que você é ingrato com a sua amiga que tentou te ajudar com uma garota bonita? – Tori exclamou, ele sabia que ela não compreenderia metade, para ela aquilo era ideal, uma garota bonita e legal deveria bastar. Mas para Beck não bastava.
Em sua mente, desde que sentou para conversar com Meredith, ele se lembrava e contrastava sua experiência atual com a que tivera com Jade. Jade não se importava com a opinião dele, ela nunca falaria algo apenas para agrada-lo sem soar irônica. Jade era mais original que todas as garotas de Hollywood, e isso era claro, e não eram as roupas ou a maneira de agir que deixava isso claro, mas sim a personalidade e autenticidade que dela emanava.
Era isso que havia o atraído para ela. E era isso que sempre o fazia voltar a aquele inicio.
— Não. Eu acho que eu gosto de namorar uma garota que... brigue de volta. – “Você...?” Tori disse confusa, e Beck prontamente continuou – Quer dizer, uma garota que tenha opiniões fortes. Que fale o que pensa.
— Por quê? – Tori perguntou em um misto de confusão e ironia.
— Porque não é fácil. O fácil é chato. – ele respondeu apenas, e voltou a tomar o seu ponche com um leve amargor do álcool que alguém usou para batizar.
— Tá bom. – Tori disse em fim – Entendi. – Claramente ela não havia entendido, era algo além da compreensão da morena, mas Beck apenas deixou quieto. – Então, quem não é chata?
Antes que Beck pudesse responder uma pergunta que por mais que ele soubesse a resposta não sabia se estava pronto para aceitar falar em voz alta. André anunciou que era para fazer barulho para Jade assumir o palco. Afinal ela havia vindo, e isso já era uma vitória.
A cara da Jade, um misto de indiferença e raiva, o que era um clássico West, encarou a pobre e insignificante Meredith. Uma garota de roupas comuns, e pensamentos tão comuns quanto. Quando a música começou a tocar, Beck percebeu que aquela não era a música que ela havia preparado durante a semana. Mas não se importou, sabia que a música era para ele. Isso estava mais do que claro, e ele gostou disso.
A cada olhar que ela lançava em sua direção, Beck se sentia mais tentado e atraído por aquela morena. A atração não havia acabado. O fogo deles afinal não havia se apagado, estava tudo apenas em estado de inercia, sem um bom acelerador. E ali estava, Jade era o fogo, sempre quente, sempre atrativo, sempre chamativo, com sua luz natural e sedutora, que faz com que homens percam a cabeça, que seduz para as chamas e queima a quem ousar chegar perto. Beck era a gasolina, por mais que ao escolher não abrir aquela porta o galão estivesse vazio, ali estava, naquele dia, tão cheio de seu acelerador que o simples olhar que eles trocavam, soltava faíscas.
Beck se aproximava do palco a passos lentos, as mãos nos bolsos e o olhar de cachorro que caiu do caminhão da mudança, pronto para ouvir e pronto para se inflamar em fogo ardente. Ele não conseguia evitar que aquele sorriso, tão único dos dois, aparecesse em seu rosto, aquele sorriso confidente, que sabe mais do que pretende mostrar. A cada estrofe de sua música, Jade o provocava, o atiçava a querê-la de volta. A cada olhar ele se sentia mais atraído e mais convencido de que nenhuma outra no mundo se compararia a ela.
E naquele momento, para ele, não existia ninguém além dos dois. Não ligava para as backvocals, ou para a banda, ou para a plateia que os assistia. Ela estava cantando para ele. Diretamente para ele. Os olhos que não se desligavam, não se perdiam. Aquelas palavras duras que ele sabia que eram a mais pura verdade.
— And the longer that you stay, the ice is melting. And the pain feels okay, it feels okay (heyy). You push me back I push you back. You scream at me I scream at you louder. – ela cantava diretamente para ele, Beck sabia, aquelas palavras machucavam, mas significavam algo.
Ela sabia que o fácil é sem graça. Jade sabia perfeitamente que ele também não queria saber do chato. Não queria saber da mesmice, de se ter sempre contato com as mesmas coisas chatas. Viver todos os dias da mesma forma não era o que os apetecia.
Jade estava sendo aplaudida de pé. O mínimo que ela merecia naquele momento. Jade não queria ser uma cantora profissionalmente, mas sua voz era incrível, e potente, os outros alunos ali deveriam ter ao menos uma palha do que Beck poderia decifrar no RV mais tarde. Ele se aproximou a passos lentos, as mãos nos bolsos em sinal de ao mesmo tempo um desconforto confortante, e um conforto desconfortável.
— Eu senti a sua falta. – Beck disse a olhando nos olhos. Aqueles olhos azuis como uma chama a possuí-lo.
— E o que vai fazer a respeito? – ela respondeu, aquela petulância, aquele modo de agir era tudo que ele queria naquele momento. Ele não esperava que ela respondesse caindo imediatamente nos braços dele e fazendo juras que sentiu a falta dele a ponto de morrer. Era aquilo que ele precisava, da dureza dela, daquela firmeza petulante, um sorriso rude e um olhar calmante.
E Beck simplesmente a beijou. Beijou-a como a muito não fazia e muito desejava. Queria sentir novamente aqueles lábios macios dos quais palavras rudes saiam com frequência. Beijou-a com a volúpia, com o desejo, com a ambição de possui-la em seus braços pelo resto da eternidade. E sabia que agora poderia voltar a ter isso.
Aqueles beijos, aqueles lábios, e aquele olhar novamente o pertenciam, não a um idiota que se dizia seu melhor amigo, nem a seu amigo que se disse apaixonado por ela. Pertenciam somente a ele, e dessa vez ele não a deixaria escapar.
Por mais que fogo e gasolina gerem um foco brilhante, não era algo que acabaria tão cedo. Seriam necessários litros de todos os rios do Canadá para apagar aquele fogo. Seria necessário mais do uma família intolerante ou um pai idiota, para que esse fogo apagasse precisaria da força e do desgaste de décadas. E Beck faria de tudo para que esse fogo não se apagasse.
— E agora? – Jade perguntou após um tempo em silêncio, um tipo gostoso de silêncio.
Eles estavam no carro dele. Um copo de café quente nas mãos dela, e um copo de refrigerante nas dele, parados em frente à casa dela.
— Agora o que? – Beck perguntou com um sorriso, ele estava perdido naqueles olhos azuis.
— E agora o que faremos? Estamos juntos ou não?
— Você quer que estejamos juntos? – Beck perguntou com um sorriso enorme nos lábios, ele queria apenas que ela dissesse que sim, seria o final perfeito de uma noite ótima. Mas ela apenas deu de ombros e tomou um gole de café, deixando aquela pergunta pairando no ar. – Você ainda quer namorar comigo?
— Não sei. – Jade disse séria, os olhos encarando o copo em suas mãos. – Não sei se você merece me ter de volta.
— Ei, minha boo-boo. Você e eu fomos feitos para ficarmos juntos, não sabia disso? – ele disse com um sorriso no rosto, e se aproximou dela mais um pouco, a vontade de sentir aqueles lábios com o leve sabor do café fazia toda a falta para ele.
— Você tá dizendo isso agora, mas até algumas horas atrás estava lá oferecendo sua blusa para a Srta. Bolinhos. – a morena disse o encarando, aqueles olhos tão plácidos, representavam um interior calmo e complacente, completamente diferente da personalidade dela.
— Esqueça dela, meu amor. Você é a única para mim, e por isso eu não consegui seguir em frente sem você. E a Meredith não tinha metade do que você me oferece, você pode me dar bolinhos bem melhores.
Jade riu, pela primeira vez desde que entraram no carro, e se aproximou um pouco dele, acabando com a distância que havia entre os lábios dos dois. Ela o beijou carinhosamente, e lentamente. Um beijo que ao pouco foi se aprofundando, em poucos minutos ela já estava passando para o banco do motorista, sentada sobre ele.
Sua mão tateou em direção as coxas de Beck, e ele sentiu um calor muito conhecido na virilha. Ele sentiu a mão dela parar sobre o membro dele, e com um sorriso, se afastando do beijo, ela apertou com todas as suas forças. Beck se contorceu de dor sob ela, e ela sorriu mais abertamente.
— Isso é por você ter me deixado do lado de fora daquela porta parecendo uma idiota. – ela sussurrou, apertando mais fortemente o membro do namorado. Ele balbuciou alguma coisa rapidamente, e ela soltou. – Você promete que não vai mais fazer isso?
— Prometo, eu não vou me arriscar a te perder novamente. – Jade sorriu, e deu um tapa levemente forte demais para aquele momento de caricias.
— Isso foi por você ter tentado beijar a Tori. – o outro tapa que ressoou no carro foi um pouco mais alto e dolorido que o primeiro – Isso foi por ser um idiota comigo pro tanto tempo. E finalmente um terceiro tapa seco ecoou, e com um sorriso ela disse: — E esse por ter saído com a Srta. Bolinhos.
— Tudo bem, eu mereço. – Beck sorriu para a namorada, e a puxou para um beijo. – Você é perfeita. Eu te amo tanto, Jadey, desculpa por não dizer isso com tanta frequência.
— Eu te desculpo. – ela sorriu, selando os seus lábios contra os do Aladim canadense. – E eu te amo um pouco ainda.
— Já me contento com isso. – ele sorriu antes de a beijar.
Há quem achasse que os dois formavam um casal excepcionalmente estranho. A forma como o relacionamento deles foi construído não era convencional e facilmente aceito. Jade não era convencional, e muito menos Beck, e eles nem o queriam ser. E por isso, justamente por isso, a chama que havia entre eles naquele momento era simplesmente eterna.
But it's about bad, certain death. But I want what I want and I got to get it
When the fire dies darkened skies. Hot as a match only smoke is left
Flame you came to me. Fire meet gasoline. Fire meet gasoline
I'm burning alive, I can barely breathe when you're here loving me
Fire meet gasoline
Fale com o autor