Fire meet Gasoline
12 Capítulo 12 - God knows I try to feel happy for you
Notas iniciais
Jade não entendia porque estava fazendo aquilo. Não entendia porque havia reagido daquela forma quando soube da noticia de que Tori e Beck estavam saindo. O fato é: ela já estava irritada para começar seu dia, o conserto do carro do seu pai saiu mais caro do que ela esperava, e ela teve que pedir carona para seu... ugh... padrasto Devon, isso a deixou louca de raiva.
Mas descobrir que alguém com quem você estava se aproximando nos últimos dias, alguém que você vinha considerando amiga estava saindo com seu ex-namorado, e a pessoa quem você já revelou não ter esquecido, isso é com certeza a pior coisa a se ouvir. E naquela noite, ela sentiu raiva.
E a raiva era tanta que Jade dirigiu, algo que fazia apenas nos momentos de maior necessidade, ela mentiu no telefone, e ela os seguiu por Los Angeles quase inteira, apenas para confirmar que ele era um merda quando queria ser.
Eis um fato sobre Jade: ela odeia dirigir, mas mais que isso, ela odeia ficar presa em um carro em um congestionamento quando tinha uma perseguição a fazer. Ela estava se dirigindo até o lugar onde Tori e Beck estavam, seu coração batia como um tambor de tanto nervosismo. Ali, presa naquele congestionamento, ela percebeu que não sabia o que faria se chegasse e encontrasse os dois. Ela poderia confrontá-los, ou poderia observá-los de longe, ou simplesmente passar rapidamente com o carro e esquecer isso.
Quando estavam indo até o hospital veterinário, Jade foi surpreendida por uma pergunta de sua, não tão esperta, amiga: — Por que você tá tão preocupada com o que eles fazem? Achei que tinha superado ele depois daquele dia que a gente foi Karaoke Dokie e você saiu com aquele gatinho.
— Não deu certo com ele. – Jade largou um sorriso para a amiga, algo que tentasse enganá-la em relação ao pós-encontro desastroso que ela tivera.
— E por que você não quer que a Tori e o Beck tenham esse segredinho sujo?
— Porque ela é minha amiga e não deve passar pelo mesmo erro que eu, já não basta minha mãe repetindo meus erros. – ela desconversou, tentando se mostrar mais confiante em si que realmente era. A verdade era que ela estava morrendo de ciúmes.
— Sei. – Cat prolongou a palavra mais do que deveria, soando incrivelmente idiota, a morena apenas revirou os olhos tentando sugar o pouco de paciência que lhe restava. – É ali. – Cat apontou para o edifício, e mais do que rapidamente Jade estacionou, não se preocupou de ocupar três vagas, gritou para que Cat saísse do carro, e então correu para dentro como se ela dependesse disso.
— Ah, lá estão eles. – Jade disse vendo Beck em suas horríveis roupas de domingo, e Tori com uma roupa que parecia uma mistura de pijama com academia. Eles estavam ridículos.
— Ah, cara... – Tori murmurou.
— Jade? – Por que do choque, Albert?
Cat tentou enganá-los, fingindo que não havia os entregado, mas ela sabia que ninguém iria acreditar nela, do que adiantava?
— Olha Jade, eu posso explicar porque eu e Beck... – a magrela começou, mas um senhor latino a interrompeu.
— Como você vai explicar que está em um encontro com o ex-namorado dela?
— Não é um encontro. – Beck tentou consertar o mais rápido que pode.
— Eles terminaram. – Uma velha tinha que vir com esse papo? Então eles já haviam espalhado coisas sobre tudo ali naquele lugar ridículo? – Tori tem todo o direito de sair com o Beck.
— Você não pode ficar com raiva da gente, porque Beck e eu... – Tori começou novamente depois de mais intromissões, o povo naquele lugar realmente gostava de se meter na vida dos outros.
— Eu não estou. – a morena disse, em parte isso era verdade, não tinha esse direito, e ela já não tinha mais pelo que lutar naquele momento. Era isso, Beck deixou claro inúmeras vezes o que ele queria.
— Você não está... O que? – Tori perguntou chocada.
— Eu não estou com raiva.
— Cuidado! É uma cilada, Bino. – Cat gritou, mentira, ela apenas gritou que era uma cilada, o Bino entrou de metido.
— Não é uma cilada. – a morena afirmou, estava mais calma do que jamais estivera desde que começara a namorar com Beck. – Eu pensei que eu estava com raiva, mas... Digo, agora que eu estou aqui, do que preciso ter raiva? Nós terminamos. Somos todos amigos. Meio. Digo, todo mundo deve sair com quem quiser. – Mentir doía muito, esquecer doía muito. Mas a dor era apenas parte do progresso do amadurecimento.
— Ainda acho que é uma cilada. – a ruiva irritante disse acanhada.
— Não é.
— Você está realmente bem? – Beck perguntou. “Não, eu não estou bem, e qualquer um que me conheça ao menos um pouco saberia disso, Albert!”
— Sim. – ela se limitou a responder, não precisa se expor, se expor era sempre se magoar. Já era tempo de aprender isso.
— Isso é muito legal. – ele sorriu doce para ela, por que ele insistia em fazer isso?
Jade queria voltar para casa, voltar para seu irmão tarado, para seu pai nojento e para sua madrasta quase estúpida o suficiente para conversar com a Cat. Mas quando Tori recebeu uma mensagem de algum dos garotos “legais” que ela conheceu nas aulas de Musical Básico, avisando de uma festa legal que um deles daria, ao menos essa festa seria perto da sua adorável casa, ela ficaria algum tempo, tentaria se divertir e então poderia fugir.
Chegou na casa animada e iluminada no fim da rua. Não se sentia em clima de festa. Mas foi por Cat tê-la “obrigado” a isso, já que era isso ou achar uma sorveteria aberta vinte e quatro horas por dia. Como não conseguiram encontrar, ela foi com a amiga. Mas como era de se esperar, a ruivinha agitada não ficou com Jade, ela seguiu dançar com alguns meninos.
Jade ficou apenas encostada na parede da casa, um copo de água estava em sua mão, mas ela não tomava nem um gole, seus olhos partiam do chão para as pessoas a quem lançava olhares irônicos e voltavam se novamente para o chão. Quando fez o movimento pela terceira vez, se deparou com Beck e Tori dançando juntos. Seu coração despencou. Tentou permanecer fria e livre de emoções, mas era tão complicado, inclusive para ela.
Em alguns momentos infortúnios, o olhar de Beck encontrava com o dela, e ela lançava um olhar irônico como fizera com todos na sala, e pegava o celular para postar alguma coisa irônica em seu Slap, mas apenas para disfarçar, nada além de dor passava por sua mente.
Quem a via ali, percebia apenas uma garota que não estava com clima para festa, mas por dentro, ela estava morrendo. Ela estava morrendo aos poucos. Por que ela havia dito que não sentia raiva dos dois, quando ela sentia muita raiva, raiva deles estarem daquele jeito na frente dela.
Por isso Jade fugiu. Ela não era forte o suficiente, ou madura o suficiente para agir como se não sentisse nada. Era uma droga de um tornado de emoções dentro ela, ela não conseguia escondê-lo mais. Ela entrou no seu carro, e seguiu para a casa de sua mãe, como ela estava viajando a trabalho, e Devon havia partido em uma viagem de negócios naquela tarde, Jade estaria livre.
Ao chegar na casa, ela correu escadas a cima, e encheu a banheira de água fria, não queria se sentir confortável e aquecida, isso só iria fazer com que ela ficasse mais confortável para chorar e se expressar. Mas ela não iria fazer isso. Não iria chorar. Chorar fazia seu peito doer, era um aperto forte demais para ser suportável.
Beck era feliz ao lado de Tori, mesmo que eles tentassem negar, e dizerem todos os momentos que aquilo não era um encontro, eles eram felizes juntos. Ela o fazia feliz como Jade não era capaz de fazer, talvez algum dia, tivesse sido diferente, ela o fez feliz por muitos anos, mas agora...
Jade entrou na água gelada e afundou até que apenas sua cabeça ficasse para fora. A água gelada a impedira de pensar por alguns minutos. E isso era incrivelmente gratificante, até que os pensamentos voltaram com mais força. Era horrível não ter controle sobre sua mente, a mente de Jade divagava entre a perseguição e a festa, a felicidade no olhar de Beck enquanto ele dançava com a Tori.
Ela era a nova estrela cadente a qual ele faz um pedido. Não era mais Jade, a esta restava apenas a escuridão.
Beck dançou com Tori para acabar com aquele encontro as avessas, mas assim que a amiga encontrou uma possível nova paixão, ele foi embora. Tinha uma coisa que rondava a sua cabeça: Será que Jade havia mesmo ficado de boas com o encontro dele com Tori? Ele sabia que ela era ciumenta, e viu os olhares frios que ela lançou para eles enquanto dançavam. Ela não estava feliz, até um cego poderia ver isso.
Havia, na forma como ela havia agido, uma maturidade e força que ele admirou. Ela havia, claramente, seguido os dois, mas não agiu como a garota ciumenta que normalmente entraria em ação num caso como esse. E por isso Beck ficou tão preocupado com o fato dela ter agido tão sem emoção. Ele não entendia o porquê de se sentir tão pressionado com o fato dela não ter ciúmes, isso era o que sempre atrapalhou o relacionamento deles, mas agora que ela não demonstrava ciúmes causou uma dor tão intensa quanto um chute nos países baixos.
“Você me odeia? Está querendo me matar? Diga que é uma cilada.” – Beck pediu por mensagens. Não aguentava mais viver nessa incerteza, torcia para ser uma cilada, e ela estar apenas armando a emboscada. Jade com ciúmes era melhor que Jade indiferente. Ele já havia aguentado ela desta forma por muito tempo, não poderia aguentar mais.
“Não. Não. E não é uma cilada.” – ela respondeu, curta, grossa, e direta.
“Jadelyn aja como a minha ex-namorada por alguns minutos”
“Estou agindo dessa forma.” – Jade mandou, nenhuma emoção novamente, ela estava agindo da maneira que ele sempre soube que ela usava para se proteger. “Se ela te faz feliz, eu fico feliz por você.”
— Não, não, não, não. – Beck murmurou lendo aquela mensagem, era isso, ela achava que ele tinha algo com Tori, e ele havia percebido naquele “encontro” que ele não queria nada com ela do mesmo modo que ela não queria nada com ele.
“Não você não entendeu.”
“Acho que não tem muito a se entender. Somos amigos. Ela te faz feliz. Prefiro te ver feliz a sofrendo. E a gente terminou, temos todo o direito de seguir em frente”
Por incrível que pareça a parte que mais chamou a atenção de Beck na última mensagem que Jade mandou, era o fato dela ter usado o “temos”, ela também iria seguir em frente. Beck sentiu um frio desconfortável no estômago, e nem ao menos percebeu o problema de sentir isso.
Ele havia sentido ciúmes, aquela pequena pontada que uma frase causou em seu peito, era algo estranho para ele (talvez não tanto nos últimos dias), tendo em vista que Andre estava claramente tentando consegui-la.
A pior parte dele ter sentido o friozinho na barriga, foi o fato que Beck havia terminado o relacionamento (ele ainda batia o pé de que havia sido ela), ele que vinha dando investidas contra a possível amiga dela, ele vinha agindo como um perfeito idiota que não pensava em nada além de si mesmo.
E naquele momento ele percebeu. Ele deveria deixar que Jade seguisse em frente. Por mais que doesse ver outros braços entrelaçando aquela cintura fina, ou outros lábios capturando aqueles lábios carnudos, ou outro homem na vida dela, ele deveria aceitar como ela havia aceito. Eles são adultos, e são maduros. Não há lugar para ciúmes entre duas pessoas maduras.
Pena que Beck ainda ia descobrir que o ciúmes pode machucar muito.

I'll take the pain, give me the truth Me and my heart, we'll make it through
If happy is her, I'm happy for you
Stone cold, stone cold
You're dancing with her While I'm staring at my phone
Stone cold, stone cold
I was your amber but now she's your shade of gold
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