Fire meet Gasoline
10 Capítulo 10 - It hurts so much to be in love with the masterpiece
Notas iniciais
Jade sorriu nervosa, ela queria que tudo fosse perfeito. Não que precisasse da aceitação de seu pai para fazer alguma coisa, mas não era esse o motivo do nervosismo. Ela sabia que trazer Beck para conhecer sua família seria um grande desafio. Ele se sairia bem, ela sabia disso, mas o problema era seu pai, sua mãe, o jovem e tarado Fred, e a namoradinha de seu pai, Jenn. Ia rolar uma briga mais cedo ou mais tarde naquele jantar.
Ela se vestiu de uma maneira despretensiosamente bem vestida, não queria mostrar que queria causar uma boa impressão. Quando Beck tocou a campainha da casa, ela desceu as escadas correndo, e parou um instante na porta, ajeitou o cabelo e conferiu o batom, e então com a sua melhor cara de desinteresse abriu a porta.
— Ah, é você, amor. – ela fingiu certa surpresa, Beck não precisava saber que ela havia visto o carro dele chegando pela janela do seu quarto. – Pode entrar. – ela moveu seu corpo contra a porta e deu espaço para que ele entrasse. Não se surpreendeu ao perceber que ele a puxou contra seu corpo e beijou os lábios dela com calma.
Beck vinha fazendo muito aquilo desde o terceiro encontro deles, desde que o primeiro beijo aconteceu. E ela amava os beijos dele. Beck tinha um jeito diferente de beijar, com muita força e delicadeza ao mesmo tempo, era como se ele precisasse apagar o fogo que havia nele e ao mesmo tempo temesse quebrar ela.
— Ah que nojo, vão para um motel. – Fred gritou do ultimo degrau da escada, e saiu correndo em direção a irmã e seu namorado.
— Fred, se mata, por favor. – Jade pediu ao irmão, e então encarou o pequeno de doze anos. Ele era apenas alguns anos mais novo que Jade, mas era insuportável, ele se achava adulto, porém sempre agia como uma criança.
— Papai, a Jade está sendo uma vadia. – ele gritou estridente, e em questão de segundos um carrancudo Wes West apareceu, ela não gostou da cara que ele lançou para Beck.
— Wes, esse é o Beck. – a morena disse séria encarando o mais velho. Ela nunca tratava seu pai apenas por pai, eles não tinham essa proximidade. Quando Julie chegou, a reunião familiar se tornou densa e pesada.
Não pelo fato de que Jenn e Julie seriam parecidas se não fosse pelo cabelo, e pela quantidade de intervenção plástica que aquela tinha. Jenn seria uma mulher bonita se não fosse pela falsidade que exalava tudo que ela fazia. E era por esse motivo que Jade não gostava de sua madrasta.
Wes havia casado com ela quando Jade tinha dez anos, apenas um ano depois de ter se separado de Julie, e isso sempre fez Jade desconfiar do fato de ele estar traindo sua mãe com a oxigenada. O que fez com que ela sentisse ainda mais raiva dele. E dela.
— Julie, você já encontrou um homem bom para seguir com sua vida? – Wes perguntou sem nem ao menos forçar um sorriso, sua filha podia jurar que nunca havia visto um sorriso naquele rosto.
— Não que eu precise te responder isso, Wesley, mas não, pelo simples motivo que não preciso de nenhum homem para que minha vida siga, na verdade eles só servem para atrasar, pelo menos foi isso que você representou à minha vida, um atraso. – Julie respondeu o encarando, sempre que os dois se encontravam rolava essa tensão, o que fazia Jade odiar esses momentos.
— Vamos para a sobremesa? – Jenn tentou intervir, mas a discussão se alastrou pela mesa como o fogo sobre o acelerante. Wes e Julie discutiam sem se preocupar com o fato de Beck estar ali, ele sabia que Julie era uma mulher de gênio forte, e imaginou que Jade havia puxado isso dela.
Jade apenas se levantou, e com um olhar cheio de significados mandou Beck fazer o mesmo, e que ele se calasse. Há muito ele havia descoberto que Jade falava mais com um olhar do que com palavras, e ele achava melhor obedecê-la. Ela seguiu para fora da sala de jantar, cruzando a sala de estar e se dirigindo para as escadas. Jade o lançou um sorriso sedutor e percebendo que ele havia travado no fim destas o chamou a subir.
— Não precisa ter medo, Beck, eles vão discutir pelas próximas três horas, e vão até esquecer que você apareceu. – ela alertou e então desceu e o pegou pela mão, o puxando escada a cima.
Beck estava adorando essas pequenas demonstrações de carinho vindo dela, era um lado que ele acreditava que ninguém tinha acesso. Mas ele tinha. E ele adorava. Ela o guiou até o quarto sombrio, as paredes eram de um vermelho escuro, e jarros com borboletas estavam espalhados por todos os lugares.
— Esse é o meu quarto. – ela deu de ombros se jogando na cama.
— É bem... bem a sua cara. – Beck sorriu para ela.
—Eu odeio a minha família, sabia? Percebeu que eles são completamente loucos? Não vejo a hora de sumir daqui. – Jade disse séria, e então o encarou com um sorriso perverso – Eu tenho o sonho de fazer 18 anos, comprar um trailer e alguém para dirigi-lo, e sair sem rumo até encontrar o meu lugar no mundo. Você seria meu motorista?
— Com toda a certeza. – Beck sorriu, mas com a leve impressão de que talvez a forma de agir que ela demonstrava com tanto orgulho era uma forma de se proteger das pessoas. – Mas você odeia mesmo sua família?
— E tem como não odiar? Meu pai vive pelo trabalho, se ele já sorriu para mim alguma vez na vida foi milagre, nem no casamento dele ele conseguiu sorrir. Minha mãe passa a maior parte do ano no exterior, e quando está na cidade só quer alfinetar meu pai, e muitas vezes ela me usa para isso. Meu irmão é um tarado de doze anos, que olha embaixo da saia da minha madrasta, e vive olhando para os peitos dela. Minha madrasta é a ex-secretária do Wes, ela tem três filhos, mas eles vivem em um internato na Europa. – ela confessou, e seus olhos ardiam de uma raiva incomum, mesmo que a morena vivesse com raiva, aquela era descomunal. – E eu tenho certeza que se não fosse pela necessidade do meu pai de me usar como um troféu nas festas da empresa ele me colocaria no primeiro avião para lá.
Beck que estava até aquele momento parado próximo a uma poltrona vermelha, andou lentamente até ela, como ele sempre fazia, e sentou-se ao lado dela na cama, e com um dos braços a puxou para um abraço apertado. Não entendia completamente essa questão da família dela, sua família era muito unida, mas vê-la daquela forma, quebrando sua armadura lentamente, pedaço por pedaço, o fez perceber que ela era realmente uma peça de arte única e completamente louvável.
Eles ficaram alguns minutos assim, apenas abraçados, até o momento que ele sentiu seu ombro úmido e quente, não queria olhar diretamente para ela naquele momento e comprovar o que se passava em sua mente. Não queria vê-la chorar, aquilo poderia sim ser um elemento que mostrava que ela ia além da imagem que mostrava, porém ele não queria ver que aquela obra de arte também tinha suas linhas irregulares.
O fato de estar chorando causou um choque na morena, ela não achava que Beck já era um ser merecedor de ver aquele lado dela, Jade não mostrava esse lado tão sentimental, o lado sensível, o lado que sofria por não ter a atenção que merecia dos pais. Mas quando Beck beijou o topo da sua cabeça ela percebeu que sim, ele realmente merecia conhecer ela com todos os seus lados e facetas. E Jade percebeu que possuía sentimentos muito fortes por ele.
Então ela o beijou. Normalmente, era ele quem beijava primeiro, mas ela não se importava em quebrar essa regra. Aquela foi a primeira noite que Beck dormiu ao lado da morena, mas não a ultima. Ele permaneceu com ela por muitas noites depois dessa, como um ladrão da noite, de maneira sorrateira, protegendo-se dos muitos olhos acusadores da família dela.
Aquela foi a noite em que Beck descobriu que amava Jade mais que tudo. E naquela noite, eles se tornaram exclusivos, e isso era incrivelmente bom.
Entretanto, quando Jade foi conhecer os pais dele, tudo piorou consideravelmente. Primeiramente, os pais dele nem ao menos queriam conhece-la, sua mãe agiu de maneira negativista em relação ao que viu da morena, segundo ela aquela garota estava perdida. Beck negou até os últimos momentos, Jade tinha um norte, e ele conhecia bem, mas sua mãe nem ao menos queria dar uma chance de conhecê-la.
Beck percebeu que não seria fácil no momento em que abriu nervosamente a porta e encontrou Jade parada, perfeitamente arrumada. Ela havia retocado as mechas de seu cabelo, e vestia um vestido curto. Ela estava perfeita. E ele não negou a si mesmo a chance de capturar aqueles lábios carnudos nos seus.
E os problemas começaram. Ele ouviu sua mãe falar em um tom de voz nada agradável, que Jade era “esse tipo de garota”, ou seja, garota que beija os garotos na rua, e não dentro de casa, ou do tipo que nunca beija.
Ele odiava o fato de seus pais serem conservadores.
— Então Jadelyn, você estuda na Hollywood Arts? – o senhor Oliver perguntou com um sorriso no rosto quando eles haviam terminado de jantar.
— Sim, quero dirigir filmes um dia, filmes de terror. – ela disse sonhadora, sua mão apertou delicadamente a de Beck que se encontrava sobre sua coxa.
— Nossa, que coisa horrível. Então você não quer ter um emprego? Quer ser uma artista. – a mãe de Beck falou com desdém. E deixando a jovem atônita, encarou o filho e com algo de orgulho disse: — A filha da Marilyn está estudando para ser médica, Albert, você lembra dela, não? Aquela garota linda com quem você brincava de médico quando morávamos no Canadá.
— Você é canadense? – Jade perguntou chocada encarando o seu, agora exclusivo, namorado. – E seu nome é Albert? – ela perguntou com aquele tom jocoso de sempre. Ele sabia que ela só estava agindo assim pela maneira que a mãe dele vinha a tratando.
— Depois conversamos sobre isso, J. – Beck respondeu com um sorriso.
— Percebe Al, que seu filho anda beijando uma garota que aparentemente não sabe nada dele? – a adorável Sra. Oliver disse chocada para seu marido, que aparentemente também tinha o mesmo nome do filho.
— Isso é normal, Penelope, eu só passei a lembrar do seu nome no terceiro encontro. – ele deu de ombros com um sorriso para Jade. Alguém parecia estar tentando funcionar. – E seus pais fazem o que?
— Minha mãe é uma modelo internacional, e meu pai é um empresário, e minha madrasta é uma dona de casa real de Hollywood. – ela explicou com um sorriso, ela estava falando a verdade e tentando ter uma conversa com eles.
— Deve ser dai que vem toda essa... – que seja beleza, que seja beleza, Beck rezava em silêncio. – Astúcia. Com uma família dessas. – a mãe de Beck disse. E logo se levantou com um sorriso – Al, pode me ajudar a tirar a mesa? – ela pediu com a voz doce.
— Pode deixar que eu ajudo. – Jade lhe lançou um sorriso se levantando, toda prestativa, nunca havia conhecido os pais de nenhum de seus namorados, e queria que os pais de Beck gostassem dela, pois ela realmente gostava dele.
Porém quando a morena foi pegar um prato, esbarrou na taça de vinho do pai de Beck e o liquido bordô escorreu pela mesa que era uma relíquia do tio avô da mãe de Beck, o que causou mais uma briga. E a mãe de Beck pedindo que a morena fosse para um lugar onde não pudesse estragar nada.
Jade não disse nada. Não respondeu como faria em uma situação comum. Ela apenas pediu a Beck onde ficava o banheiro e se dirigiu para lá. Beck seguiu atrás dela, e ficou a esperando na porta para pedir desculpas pela forma que sua mãe estava agindo. Mas depois de cinco minutos, Beck começou a ficar preocupado.
— Jay? – ele a chamou batendo levemente na porta, mas não houve resposta. Até que ele seguiu para a janela do seu quarto e percebeu que Jade estava do lado de fora em uma ligação.
Ele correu escadas abaixo, e abriu a porta rapidamente, e correu até onde ela estava parada. – Jade? O que você está fazendo aqui fora?
— Ligando para minha mãe, não percebe? – ela disse com um falso sorriso no rosto. – Olha, isso foi um erro, eu não sei porque imaginei que seus pais iam gostar de mim... – ela disse calmamente encarando Beck nos olhos, novamente ele via além da armadura de ferro, ele via a garota e gostava do que via. – E eu sou uma bagunça.
— Não, meus pais que não conseguem ver o quão incrível você é, Jadelyn West. – ela revirou os olhos ao ouvi-lo chamando-a dessa forma. – E além do mais, minha mãe nunca vai gostar de nenhuma menina que um dia beije minha boca, para ela, eu deveria viver com ela até os noventa anos.
— Mas ela me odeia, e eu estraguei a mesa do tio-avô dela. – Jay disse cansada o encarando, ela esfregava os braços, seu casaco havia ficado dentro de casa, mas ela não ia busca-lo.
— Aquela mesa é horrível, meu pai vai te agradecer por ter feito esse favor para a sociedade. – ele sorriu e se aproximou dela, e a abraçou. – Droga, você é tão bonita e tão única que me dói.
— Você é um canadense, isso é tão estúpido, Albert. – ela gargalhou gostosamente. – Eu acho que te amo. – Jade o encarou, aqueles olhos azuis cheios de um calor acolhedor, e a forma como as bochechas dela se tornaram levemente rosadas, fez com que Beck a puxasse mais próxima.
— Eu sei que eu te amo. — ele admitiu a encarando como se encara uma obra de arte. Não conseguia encontrar um defeito naquela garota, por mais que ela sempre agisse de maneira rude ou despretensiosa, ela era uma garota perfeita. E ele sabia que nunca ia mudar sua opinião quanto a isso.
Jade era uma obra de arte que ele nunca se cansaria de admirar, e seria para sempre como um ladrão a espreita pronto para toma-la para si, apenas para si. Beck descobriu naquele momento que quando se ama alguém não importa o que os outros acham. E essa descoberta guiou os próximos anos de namoro deles. Guiou as escolhas dele quando seus pais decidiram que era legal achar que mandavam na vida dele, quando disseram que Jade não poderia mais entrar naquela casa. E então, com o dinheiro que o tio Bárbara havia o dado, ele comprou um RV, para poder mandar.
E ele nunca se arrependeu disso. Ele fez isso pela obra de arte mais importante que artistas nunca pintaram: Jade West. Mas isso era antes do fim.
From the moment I first saw you all the darkness turned to light
An impressionistic painting tiny particles of light it seems to me it's what you're like
The "look but please don't touch me" type and honestly it can't be fun
To always be the chosen one
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