Fire meet Gasoline

1 Capítulo 1 - I wasn’t jealous before we meet.


Notas iniciais
Essa é a minha primeira fic Victorious, e na verdade, originalmente tinha pensado em fazer várias shorts fics, mas eu achei melhor assim fazer uma única com continuidade entre os capítulos.
Esse primeiro capítulo, se alguém está aqui comigo lendo, foi baseado no comecinho da música Lay All your love on me do ABBA, eu amo ABBA, sério. E mais para frente terá mais dois capítulos seguindo essa música, e serão dois de flashback, porque sim.
Espero que realmente tenha alguém lendo, porque eu quero compartilhar essa fic com alguém haah

A música, caso alguém queira, https://www.youtube.com/watch?v=BWI2bTckbgc.

Beck e Jade estavam no RV de Beck, eles conversavam sobre um assunto qualquer, como sempre faziam. Ela cortava alguns pedaços de papel histericamente e ele apenas mexia no celular. Eles haviam tido uma pequena discussão aquela noite, sobre o mesmo motivo que toda vez voltava para atormentar Jade.

— Eu nem sei porque essa menina veio falar comigo, Jade. – Beck tentou mais uma vez, era a décima na última hora. Ela havia surtado porque uma garota de Northridge havia mandado uma mensagem bem sugestiva para o moreno, e isso havia irritado Jade como nunca.

— E como ela tinha seu número, Albert? – ela perguntou irritada, picotando mais rapidamente o pedaço de papel que Beck descobriu mais tarde ser um dos trabalhos que ele tinha que entregar.

— Não me chame de Albert, Jadelyn.

— Não me chame de Jadelyn, Albert.

— Por que você é tão ciumenta? – ele perguntou exausto.

Por que Jade era tão ciumenta? Ela não sabia realmente o motivo disso. Ela não era realmente ciumenta antes de conhecer Beck e antes de namora-lo. Ela só tinha medo de perde-lo, mas não iria assumir, era uma fraqueza que ela tinha, ele era sua kriptonita.

— Eu só sou ciumenta porque você é um imã de mulheres, e todas elas são uma ameaça para mim, Beck. Estranho é você não ser ciumento. – Jade comentou baixinho, não era para ele realmente ouvir o que ela dizia, era como se ela assumisse para si mesma aquela verdade vergonhosa.

— Ameaça a você? Babe, você é única para mim. Você é diferente de todas elas, elas podem tentar o quanto quiserem, eu nunca trocaria você por uma delas, eu já tentei, mas eu sempre acabo voltando para você. – Beck disse calmo, como sempre a calmaria dele contrastava com o comportamento tempestuoso que sempre exalava de Jade.

— Só porque eu te deixei voltar.

Jade assumia que não era a melhor namorada, ela era possessiva, ciumenta, mas era somente porque Beck exigia isso dela. Ele não era o melhor namorado do mundo também, tinha muito a ser trabalhado naquela relação complicada, era muito desentendimento e muita culpa que sempre recaia sobre Jade, nunca sobre Beck.

Nem quando ele admitiu que conversava com outras por mensagens, a culpa caiu sobre Jade por ela tentar ser possessiva demais e não deixar que ele tenha amigas. Não era questão de serem amigas, mas sim serem amigas bonitas sempre flertando com ele. Eram amigas bonitas fingindo que Jade não existia. E piorava quando ele fingia que ela não existia perto delas. Era o fato de Beck não querer usar a aliança que Jade havia lhe dado, ele usava em um cordão que sempre estava escondido.

Ela muitas vezes se perguntava se o amor dela era suficiente para ele, mas às vezes, ela se questionava se o amor dela não era mais do que ele suportava, ou conseguia retribuir. Era sempre uma batalha de egos, ela nunca admitia o quanto ele a colocava para baixo. Beck não dizia mais que a achava bonita, somente durante o sexo, e nem parecia ser verdade.

— Você pode dizer que eu não tenho motivos para ser possessiva, mas eu posso te dar motivos para ser e motivos para ser ciumenta, você quer começar mesmo sabendo que essa discussão eu irei ganhar? – Jade o encarava, os olhos azuis emitiam uma onda de amor e ódio. Ele apenas assentiu, e se aproximou dela.

— Você não tem porque ser possessiva, eu estou ao seu lado. – Beck a respondeu abraçando ela de lado.

— Você está do meu lado quando está do meu lado, mas eu sei que você não permanece ao meu lado quando está sozinho.

— O que? – ele gritou, ele nunca gritava, o sentimento de injustiça o obrigou a isso.

— Você ouviu bem, quando eu não estou perto de você, eu sei o que seus amigos falam, eles me acham insuportável, sua família também, mas você não me defende. Nunca me defende, nem quando eu estou por perto.

— Você não precisa de defesa. Você é forte.

— Eu sei disso, mas sou forte porque me obrigam a isso. Mas às vezes, eu queria que você ficasse mais do meu lado do que do lado da Vega.

— Por que você sempre traz a Tori para nossas discussões? – ele disse exasperado, não queria brigar, mas nada que ele falasse ia fazer ela se acalmar, ele sabia disso.

— Eu posso trazer outras pessoas, Sikowitz, Andre, Robbie, qualquer um, quando você me defendeu de qualquer coisa que eles falaram? Quando você decidiu permanecer do meu lado, e não do lado de qualquer outro?

— Quando minha tia disse que ou eu ia sozinho para Cancun, ou eu não iria. Eu decidi ficar ao seu lado. – ele gritou novamente, Jade se levantou como uma pantera, seus olhos emanavam dor e sofrimento.

Ela não disse nada, ele havia ganho uma batalha, mas a guerra continuava sanguinária, ela se dirigiu até a cozinha do pequeno trailer e pegou uma xicara, a sua xicara, e encheu de café, puro, e colocou o açúcar, mas não bebeu. Ela estava magoada, ela sabia que as pessoas não gostavam dela pela forma como ela agia, mas ela não era apenas isso, e Beck mais do que ninguém deveria saber disso.

— Você tem que largar esse vicio por café. – Beck sussurrou em seu ouvido enquanto ela encarava a xicara cheia, ele a segurava pela cintura, e então beijou delicadamente o pescoço da morena, tentando acalma-la.

— Não é um vício, café é apenas tudo para mim. – Jade respondeu fria, ela nem queria tomar o café, ela só queria um pouco de distancia dele. Mas sabia que ele nunca daria.

— Ah é? – ele perguntou surpreso, mas ainda depositando beijos no pescoço dela, ele sabia que isso sempre fazia ela relaxar.

— Café não é meu único vicio, Aladim. – ela disse séria.

— Desde quando? – ele sorriu contra a pele dela, e ela evitou demonstrar que um arrepio a percorreu quando ele fez isso.

— Desde o momento que me tornei possessiva e ciumenta com outra coisa senão o café. – ela disse séria, tomando finalmente um gole do café, sentindo o gosto único que a fazia se sentir completa e aquecida por dentro, mas dessa vez simplesmente não agiu dessa forma, ela se sentiu apenas mais triste em confessar aquilo.

— E o que te faz ser ciumenta e possessiva? – ele perguntou querendo ouvir ela dizer aquilo, ele colocou a mão por baixo da camisa dela, massageando com a ponta de seus dedos as costelas e a barriga da morena.

— Se você não sabe, não será de mim que vai ouvir. – Jade sorriu, lutando consigo mesma para sair daquele carinho que a estava levando para outro estado.

— É tão difícil admitir que você está viciada em mim? – Beck provocou, aquele velho sorriso de sedução em seu rosto a forçando a querer soca-lo.

— Eu não estou. – Jade sorriu, aquele era um jogo para dois, um jogo do qual Jade sempre era a vencedora. – Diferente do café eu posso te deixar a qualquer instante.

— Não, não consegue.

— Quer tentar?

— Por mais que pareça tentador provar que novamente você está errada, eu prefiro não arriscar te perder, não de novo. – Jade sorriu com aquela pequena demonstração rara de amor que às vezes se mostrava como unilateral.

— Então me diga como aquela maldita garota tinha seu número.

— Eu acho que ela trabalha no shopping, eu fui tentar resgatar meu número, depois que você destruiu meu celular semana passada. – ele disse um pouco irritado ao lembrar do som do celular se chocando contra a parede.

— Isso explica como ela tinha seu número, e aquela outra da semana passada?

— Eu. Não. Sei. – ele disse, pausando sua fala a cada segundo para respirar, ele precisava se acalmar.

— Novidade você não saber de onde aparecem essas mulheres atiradas, não é?

— Hoje você está procurando por briga, não é?

— E você se esquivando.

Beck passou a mão pelos seus cabelos exasperado, olhou para o teto enquanto tentava respirar fundo e não se irritar. A pose da sua garota a encara-lo nervosa ali o deixava excitado e estressado, ele nunca soube como ela conseguia causar ao mesmo tempo um sentimento tão bom e tão ruim ao mesmo tempo. Os braços da garota estavam cruzados sobre o peito dela, e a sobrancelha direita estava levantada esperando uma ação do moreno.

— Eu só te amo, e acho que se brigarmos assim sempre nada de bom pode acontecer, você sabe disso, não é? – a morena piscou demoradamente tentando se conter, ela mordia o lábio inferior para não falar nada naquele momento, pelo menos nada de que ela pudesse se arrepender depois. – Eu sei que não sou a pessoa mais aberta em questão de sentimentos, mas você também não é. Você só demonstra sentimento se for para me acusar, ser possessiva e ciumenta.

— Eu só queria que você demonstrasse mais o que sente por mim, às vezes eu acho que você não me ama como eu te amo.

Silêncio. Foi isso tudo que se ouvia no pequeno trailer agora, o RV parecia menor e sufocante, eles se encaravam, ninguém falava nada, ninguém demonstrava nada. A mágoa que antes estava estampada no semblante dela, agora estava no dele também, mas não era só magoa, era raiva também.

Ela não falou nada quando pegou sua bolsa do sofá, e ele não falou nada quando ela saiu pela porta. Ele sentou no sofá frio e solitário. O filme que passava na TV já tinha acabado e agora só restavam as notas finais. Beck socou o sofá com toda força que ele possuía, podia ouvir sua mãe pronta para descer e perguntar se ele finalmente tinha terminado com aquela garota.

Ele ouviu o barulho do carro dela sendo ligado e levantou correndo do sofá e abriu a porta, querendo pedir que ela esperasse, que ela não o deixasse ali. Sabia que se a deixasse aquele seria o começo do declínio do relacionamento. Mas assim que ele abriu a porta ouviu os pneus cantando e Jade partindo, nada de bom resultaria disso.

Jade partiu com lagrimas nos olhos e um aperto no coração. Ela não queria ter dito aquilo, mas ela precisava. Ela odiava o fato de ela sempre ser a vilã, principalmente considerando aquele relacionamento disfuncional que eles sempre tiveram. Mas não conseguia mais suportar o fato de ele sempre ser o bonzinho, o mocinho, aquele que nunca faz nada errado.

Ele sempre fazia as coisas erradas em relação a ela. Ele nunca a apoiava como ela fazia por ele. Ele nunca retribuía o sentimento que ela tinha por ele, e ele sabia que tudo que ela tinha era sentimento por baixo daquela casca dura e fria. Ela odiava admitir isso, mas ela mostrou partes de si para ele que ninguém nunca tinha visto, ele sabia tudo sobre ela, mas ele ignorava.

Beck ria dela, ria dela com os amigos, ria dela com a família, nunca a defendia. Mesmo que ela oferecesse tudo dela para ele. E ela sempre ofereceu tudo que tinha, mesmo que isso não viesse da maneira como todos esperavam.

Ela não queria pensar que aquele poderia ser o começo do fim, mas era a única coisa que vinha a sua mente. Ao chegar a casa ela ignorou sua madrasta, a Sra. Barbie perfeita e seguiu para seu quarto. E finalmente ela soltou suas lágrimas, chorou por não ter ninguém olhando e chorou para sentir seu peito finalmente livre. Ela queria se sentir livre daquela magoa que havia recém redescoberto com Beck.

— Jadelyn, você não quer nada? – Jennifer gritou da porta do quarto. Jade apenas soltou um urro de raiva, e o silêncio voltou a reinar no seu quarto, sempre quebrado pelos soluços que insistiam em aparecer.

Ela enroscou seu dedo no cordão que prendia sua aliança, e ficou encarando o pequeno anel de prata como se ali estivesse a resposta para tudo. Era isso que acontecia quando fogo encontrava gasolina.

I wasn't jealous before we met

Now every woman I see is a potential threat

And I'm possessive, it isn't nice

You've heard me saying that smoking was my only vice

But now it isn't true

Now everything is new

And all I've learned has overturned

I beg of you

Don't go wasting your emotion

Lay all your love on me

Notas finais
E ai, alguém leu? E se leu gostou? Por favor, me deixem saber, essa é a minha primeira fic Bade, e bom, eu quero saber o que acharam para quando eu postar as outras da lista :)
Beijos.