Fire meet Gasoline

9 Capítulo 9 – The quiet it's getting loud


Notas iniciais
Olá, olha quem volta, afinal hoje é quinta, não é? Então, meus amores, o que eu posso falar? Obrigada pelos comentários lindos, vocês me fizeram feliz com as felicitações pelo meu aniversário. Vocês são uns amores, de verdade. Não sei o que seria dessa fic sem vocês. Bom, sobre esse lindo capítulo que vem: a música que eu me inspirei é uma que eu adoro: http://www.vagalume.com.br/miley-cyrus/nightmare-traducao.html, escutem, vale a pena. Acho que nesse teremos umas revelaçõezinhas por parte do Beck. Tem um momento no meio do texto que vai estar em itálico, é uma referencia ao lado de Beck do capítulo anterior, mas bem minuscula. Bom, acho que é isso. Mas eu tenho uma perguntinha para fazer lá embaixo. Boa leitura.

Beck não conseguia dormir. Ele ainda conseguia sentir o cheiro dela nos seus travesseiros, e não importava quanto tempo passasse, ele ia sempre sentir. A ficha daquele termino havia caído para Beck, ele havia dispensado Jade e por mais que antes ele já soubesse, apenas naquela noite ele sentiu o peso daquela decisão.

Nos últimos dias, seus amigos vinham dizendo que ele estava bem. Ele parecia bem. Mas há uma enorme diferença entre parecer e ser. Um exemplo prático, Jade parece ser uma garota durona, que não se importa com a opinião alheia e que não possui sentimentos, mas ela é apenas uma mulher muito confiante que não precisa da opinião dos outros para se sentir bem, e extremamente durona, pois o mundo a moldou dessa forma. Mas ela sentia. Ela sentia muito, e Beck sempre soube disso.

Não vamos o tratar como um insensível. Beck a tratou muito bem no começo do relacionamento, mas não entendia porque desde que eles se tornaram exclusivos, um botão foi acionado, aquele botão da rotina, do tédio. Jay sempre tentava mudar isso, quebrar a rotina, mas nos últimos meses não estava funcionando da mesma forma. Em partes porque ela havia cansado, em partes porque ele também estava cansado.

Mas a questão é que a distancia era um pesadelo para Beck. Esse modo que eles vinham agindo, como se não se importassem verdadeiramente um com o outro realmente machucava ele, e provavelmente machucava Jade. Mesmo que ela não quisesse demonstrar.

Beck havia tido um sonho maluco. E por isso não conseguia dormir mais. O sonho havia trazido algumas memórias em sua cabeça, e elas começaram a se tornar apenas uma, começaram a se envolver e começaram a tentar enlouquece-lo. A questão é que elas estavam conseguindo enlouquece-lo.

Ele continuava vendo a Jade de costas para ele. Por mais que tentasse e andasse ao redor dela, tudo que ele via era aquele cabelo sedoso e negro, não conseguia ver os olhos dela. Por mais que ele se esforçasse, ele só conseguia ver os rostos ao redor dela. E não entendia porque aquilo apertava seu peito tão forte.

Ele sempre havia adorado os olhos dela. Tão expressivos. Tão cheios de vida. Um perfeito contraste com o que ela tentava mostrar a todo o momento.

E então ele percebeu. Ele não vinha realmente conseguido olhar nos olhos dela desde o termino. Alguma coisa o impedia, por mais que ele focalizasse nos olhos dela, eles nunca ficavam em seu primeiro plano de vista. Ela sabia o ler pelo olhar, e ele não queria demonstrar que estava assustado em não a ter, e sofrendo de tê-la deixado partir.

Beck se levantou. Não adiantava mais tentar dormir, eram quase seis da manhã naquele momento, e ele tinha aula. Ele vinha dando carona a uma orla de garotas diferentes, e garotas que ele acreditava nem serem da sua escola. Mas não era como se naquele momento ele ligasse de verdade para isso. Não é segredo que Beck sempre gostou da atenção do máximo de garotas.

Ele mexeu na primeira gaveta do seu guarda-roupa, procurando qualquer roupa limpa para usar. Ele não era o tipo que lava roupas toda semana, lavava quando era preciso. E não foi uma surpresa, mas foi estranho, encontrar algumas roupas intimas da Jade ali, largadas e tão misturadas as suas. Ela sempre deixava roupas ali, para quando fosse preciso ir direto. E Beck nunca mostrou contrariedade. Ele pegou uma daquelas calcinhas tão confortavelmente ajeitadas entre suas cuecas, e segurou firme entre seus dedos.

Ele queria naquele momento, que aquela única peça fria, o transportasse para um momento no passado, para que todo aquele pesadelo pudesse acabar, e de alguma forma acordar com ela ao seu lado.

Beck adorava sentir os cabelos dela contra seu rosto quando acordava. Ele adorava a maneira como ela apoiava os cotovelos sobre a cama para o olhar e dizer que dormiu muito mal. E principalmente adorava beijar ela e dizer claramente que ela dormiu muito bem. E ainda ouvir aquele som doce saindo da boca linda dela, aquele som que raramente ela destinava a outras pessoas, ela gargalhava, um som rouco e melódico que entrava na cabeça dele e o deixava perdido.

Ele havia cometido um erro gigantesco. E havia tentado beijar Tori. Outro erro enorme. Beck parecia ser propenso a estes. Para sua sorte, Jade não havia visto aquilo. Ele não imaginava como ela ia reagir a uma cena daquelas. Mas era melhor nem pensar nessas coisas.

Beck tomou uma xicara de café, lhe deu energia e vontade de ir para a escola. Mas não deu carona a ninguém naquela manhã, ficar sozinho era bom, não ter que ouvir todas aquelas meninas sendo insuportáveis tentando ter um pouco dele o incomodava. Às vezes o silêncio era muito precioso.

Chegou cedo à escola, e aproveitou para adiantar suas tarefas. Mas não eram muitas, então em alguns minutos ele as havia terminado, e apenas se sentou sobre o capô do seu carro, com cuidado para não riscar. De onde ele estava conseguiu ver um leve amassado que Jade certa vez havia feito, não de maneira a magoa-lo, por raiva. E ele devia admitir que ele merecia tal amassado.

Foi naquele dia que eles se assumiram como exclusivos. E o amassado era uma prova concreta disso. Naquele dia ele pertenceu evidentemente e somente à Jade West, e isso nunca havia sido um problema. Até aqueles meses antes do termino. E agora não restava nada além de marcas eternas.

Beck deslizou a mão para o colar onde a aliança continuava a pesar. Ele não queria tirá-la, ela estava muito bem ali. E a de Jade em seu bolso. Como uma lembrança do termino. Ou como uma forma de o manter preso a realidade.

Algumas vezes por dia, quando pensar nela era inevitável, ele apenas deslizava a mão dentro do bolso e tocava na aliança como para lembrar-se que havia sido uma decisão dele, e que ela deixou claro que havia acabado.

Para ele, ainda não havia. Na manhã seguinte ao termino, ele queria pedir desculpas, ele ia se arrastar até a casa dela como um cão arrependido sempre fazia, e iria implorar seu perdão. E iria para a cama com ela. Mas aquela caixa na sua porta havia dado um recado claro e conciso: “Você é um merda e eu não te quero mais, babaca”. Ou alguma coisa que Jade diria.

— Carro idiota. Odeio você. – ele ouviu a Jade gritando. E viu ela revirar os olhos para uma menina que tentava a pedir perdão a todo momento.

Beck sabia muito bem que ela odiava dirigir. E pelo jeito a cena que havia acontecido a havia deixado fula da vida. Talvez pelo fato de que a garota bateu no carro do pai dela, aquele que ela era proibida de pegar, pudesse ser justificar ela estar tão nervosa, além da dica clara: quando Beck se aproximou dela, ela bufou e seguiu na direção da entrada.

Ele sabia perfeitamente bem que não deveria ir atrás dela naquele momento. Mas isso não o impediu de ir. E seu pesadelo piorou de uma maneira inimaginável. Se havia algo que iria fazer Jade liberar verdades que apenas o magoariam era aquele momento em especial. Porém, Beck nunca se importou em ser constantemente magoado por ela, pois isso sempre fizera parte da defesa dela.

E a bomba estourou. Jade estava a muito segurando aquilo e não ia conseguir se segurar em um momento de raiva. Ela havia seguido até o armário do zelador, e Beck foi atrás dela. Ele percebeu que ela estava realmente nervosa pela maneira que ela andava.

— Ei, boo, o que foi? – ele perguntou chegando perto dela e tentando a abraçar.

— Agora você quer saber, então? – Jade disse nervosa, sua voz levemente embargada significava que ou ela estava prestes a chorar ou havia chorado.

— Eu sempre quero saber de você, Jay. Você pode ignorar todas as mensagens que eu mando para você, mas eu estou sempre preocupado com as coisas que vem acontecendo com você. – Beck disse sério puxando levemente o ombro dela para que ela se virasse para ele, e então ele percebeu aquele sorriso de deboche clássico.

— Não pareceu se preocupar quando tentou beijar a Vega. – ela disse seca, aquele sorrisinho ainda se mantendo no seu semblante, ela piscou os olhos demoradamente e então o encarou. Beck permaneceu chocado, os olhos castanhos presos nos dela como se ali tivesse a chave da existência da humanidade. – O mais divertido é que Vega me defendeu de você, enquanto você, que eu considerei tanto tempo sendo o meu melhor amigo e o cara que me conhecia como ninguém era capaz, tentava mostrar o monstro que eu sou. A Vega se afastou do seu beijo, porque você não parecia se importar.

— Olha não é o que parece. Não sei o que a Tori te contou, mas não foi bem assim. – Na cabeça dele não era bem assim, toda história tem dois lados.

Beck havia chego na casa de Tori com apenas a intensão de confortá-la naquele momento, ele sabia como era difícil ela passar por isso, com Jade tomando seu lugar e principalmente ele se sentia culpado por isso. Culpado por ter feito Tori perder aquela chance que poderia a colocar no caminho certo na sua careira.

— Então... – Beck falou, o silêncio que se formou transformava o clima propenso àquilo que ele sabia que os dois queriam, eles estavam sozinhos, não era como se ele fosse magoar Jade por isso.

Então ele apenas se aproximou, e estava pronto para beija-la, mas de uma forma estranha quando ela se afastou ele percebeu que aquilo não parecia certo. Ele tentou convencer a si mesmo e a morena que Jade não tinha por ela o mesmo apreço que ela demonstrava. Não se sentiu mal por ter tentado beija-la, porém aquilo parecia errado.

— Tori não me contou nada. – Jade disse cínica, o encarando com um brilho nos olhos, um brilho estranho, um brilho de ódio. – Eu vi tudo. Tori tem que tomar mais cuidado com as conversas por vídeo que ela deixa conectada, você nunca sabe quem vai estar do outro lado em um momento infortúnio. – ela lhe lançou um sorriso que ela sempre lançava quando estava com raiva.

— Sinto muito. – ele pediu a encarando fundo nos olhos.

— Eu quem sente muito, por você ter sido pego. – Jade sorriu e passou por ele em direção à porta. – Eu sei que eu não posso ter ciúmes ou algo assim, mas ainda sim machuca você tentar algo assim com alguém que você sabe que iria me machucar. – ela deu de ombros e sua mão pesou na maçaneta. – Eu quero ser sua amiga. – ela falou dramaticamente, como na cena de um dos filmes que Beck normalmente produzia. – Mas não sei se eu consigo isso agora.

— Jade. – ele chamou agarrando novamente seu pulso e a puxando para perto. – Nós podemos nos esforçar para isso funcionar.

Jade lhe lançou um sorriso fraco, e se desvencilhou do aperto dele, e Beck só percebeu quando a porta já havia sido fechada, e ele deixado sozinho. E ele se sentiu preso em um pesadelo do qual não conseguia acordar. Ele não esperava por uma revelação dessas, Jade havia visto tudo, e ele havia feito uma grande merda ao quase estragar sua amizade com a Tori e a possível amizade de Jade com a morena.

— Estúpido, estúpido, estúpido. – ele gritou quando finalmente sua voz se desprendeu do nó na sua garganta, não queria deixar por aquilo. Ele saiu do armário e puxou Jade novamente pelo braço para dentro.

Colocou-a parada em sua frente, e usou seu corpo para travar a porta. – Você precisa me ouvir. – ele pediu, implorou, como nunca havia feito. E percebeu pelo olhar dela que ela estava sendo forçada a isso, ela queria bater nele, mas ela nunca tinha coragem. – Olha, eu fui um babaca, mas nós dois fomos, você não negou em nenhum momento que estava com o Devon, eu achei que vocês tavam namorando para variar. Eu só achei que poderia seguir em frente como você fez.

— Albert, você ter seguido em frente não é o grande problema aqui, se você acha que é precisa amadurecer, o maior problema foi o fato que você tentou beijar uma amig... uma colega, alguém que por mais que eu odeie, eu ainda tenho um apreço. Seria como eu sair por ai beijando o Andre, ou sei lá. – Jade disse séria para ele.

— Eu não ia me importar se você beijasse o Andre. – Beck gritou irritado, ele quase nunca gritava, sempre tentava manter a voz mais baixa para não chamar a atenção desnecessária. – Eu não me importo se você beija quatrocentos homens, nós terminamos.

— Com certeza terminamos. – ela suspirou cansada, estava pronta para explodir, mas não faria isso, Beck já havia feito o papel de garota histérica da relação. – Mas eu só não entendo o porque de você ter me arrastado para esse lugar, Albert.

— Eu só queria esclarecer. – ele disse mais calmo, estava mentindo, ele não entendia porque havia a arrastado até ali, ele precisava se desculpar, mas não precisava. Ele poderia falar com ela a qualquer momento do dia, mas escolheu mexer com ela ali.

— Esclarecer que queria beijar a Tori porque terminamos? – ela sorriu irônica para ele. – Está se contradizendo, se nós terminamos, não é preciso esclarecer nada. Você deixou isso claro.

— Você me irrita demais, garota.

— Pode ter certeza que o sentimento é reciproco. – ela respondeu gritando, e ele partiu para cima dela, não em ameaça, em uma coisa que os assustou ainda mais. Beck a beijou, um beijo impulsivo, que nenhum dos dois entendia o motivo.

Jade se debateu nos braços dele tentando se esquivar e se libertar, mas suas tentativas foram falhas. Talvez Jade não quisesse mesmo acabar com o beijo. Era o tipo bom de contato que ela esperava desde o término, sentia falta daqueles lábios contra os seus, e a maneira como a língua dele invadia a sua boca e tomava posse de cada centímetro.

Beck não entendeu o motivo de ter aquela ânsia naquele momento por beija-la, talvez fosse apenas pela questão de que era a maneira mais fácil e eficaz de se acabar com uma discussão entre os dois. Sabia que era errado a beijar daquela forma, mas não se importava com isso. Por mais que parecesse errado, parecia certo.

O sinal tocou, estrondoso, como uma sirene de incêndio, e eles se separaram do beijo finalmente percebendo o que estavam realmente fazendo. Eles se afastaram rapidamente, e Jade passou por baixo do braço do moreno para escapar do pequeno armário que naquele momento parecia ainda menor.

— Jade? – Tori falou calmamente ao ver a menina correndo para o banheiro feminino. E seguiu atrás da morena, por mais que soubesse que isso pudesse acarretar em xingamentos desnecessários. – Jade? – ela falou novamente já dentro do banheiro.

— Tranque essa porta. – a outra gritou, arfando como se tivesse corrido uma maratona. Tori a obedeceu, e se aproximou do último cubículo, que estava com a porta aberta e mostrava uma Jade levemente frágil sentada a encarando pelo espelho. – Homens são uns babacas, não são?

— Isso é alguma pegadinha? – ela tentou sorrir, se encostando levemente no batente da porta encarando a outra pelo espelho.

— Não. – Jade sorriu – Eu sei que o Beck tentou te beijar. – a morena confessou e então mordeu os lábios. – Eu vi.

— Como?

— Você deve realmente desligar as suas conversas de vídeo quando a pessoa some. – ela sorriu para a magricela.

— Desculpa. – Tori pediu sincera.

— Não é exatamente você quem tem que pedir desculpas. – a outra disse séria, um brilho diferente se formou no olhar de Jade, e Tori sentiu o medo a dominar, ela seria morta no banheiro. – Eu não fui a melhor pessoa com você desde que você chegou, mas você tem que admitir, que você acariciando meu namorado, e depois o beijando na frente da sala inteira não havia sido uma boa primeira atitude.

— Eu sei. – Tori suspirou – Você vai me matar agora? – e ela ouviu algo raro, algo que poucos tinham direito, Jade gargalhando, não uma gargalhada assustadora, mas uma divertida, como se ela tivesse contado uma piada das mais engraçadas.

— Não hoje e não aqui. – Jade disse se levantando – Eu tenho estilo nos meus planos maquiavélicos de assassinato. – ela sorriu levemente enquanto passava por Tori. – E é melhor você correr para a aula antes que eu mude de ideia e te mate aqui.

Hey table set for two but it's a waste I'm the only one that's breaking plates

The quiet it's getting loud. Hey everyone keep saying I'm ok

One more night alone I'll go insane. I need to hold you now

Notas finais
Amores, o que vocês acharam desse momento mais legal entre a Jade e a Tori? Eu adorei escrever isso, ei Nine, você gostou? haha Falei que ia ter surpresa dupla, um beijo Bade e um momento legal entre Jori. Bom, sem ser chata, se vocês quiserem me conhecer melhor, eu vou deixar aqui minha rede social, mas não se assustem, https://www.facebook.com/bea.scheiffer se me adicionarem me avisem quem são. Ah, agora a pergunta que eu queria fazer: Vocês amaram esse capítulo? Amo vocês, beeeijos.