Fire meet Gasoline
7 Capítulo 7 – Stupid boy, it's like holding back the wind
Notas iniciais
Beck seguiu para casa com os amigos. Eles ainda discutiam sobre o show beneficente e sobre o fato de que Jade havia partido com seu ex-namorado, e que ele parecia ter evoluído nesses três anos em que Beck namorou Jade. Ele não parecia ser mais um hipster que fica a cantar no metrô e que espera fazer sucesso na cidade do entretenimento.
No carro com os amigos, eles falaram novamente das músicas que Jade cantou, e finalmente Beck se irritou. Ele não demonstrou estar irritado, isso era raro, mas ele precisava falar umas coisas. Então quando Tori foi cantar uma parte da música animadamente, ele a cortou:
— Sério que vocês não notaram que primeiro as músicas eram para mim. E que os amigos idiotas que ela fala são vocês? – ele disse sem tirar os olhos do transito.
— O que? Sério? – Tori perguntou chocada encarando Beck pelo retrovisor. – Por quê?
— Talvez por vocês ficarem ofendendo ela sempre. – Cat falou baixinho do banco de trás. – Só acho.
— O que você sabe, baixinha? – Robbie perguntou a olhando atentamente.
— Não sei nada, só to dizendo o que acho. – Cat olhou para fora forçando para ficar quieta.
— Ela tá com raiva. – Beck respondeu pela ruivinha – Ela não vai admitir isso, mas ela me odeia quase o tanto que odeia a Tori. – deu de ombros. – E vocês não ajudam nada, se não gostam dela, podem sei lá, falar pelas costas em um lugar em que ela não possa ouvir.
Eles não falaram mais nada sobre aquilo. Mudaram de assunto e conversaram sobre as aulas e assuntos aleatórios. O que fez Beck respirar aliviado, era como se tirassem um peso de suas costas, ele não gostava quando falavam da Jade perto dele, isso o entristecia, mas isso não estava sendo difícil. Nos últimos dias tudo vinha o entristecendo, pensar em Jade o entristecia, andar de carro também, ficar no RV também. Não tinha nada pior do que isso para ele. Tudo ali lembrava dela. E lembrava agora que ela estava com Devon.
Ele passou a mão rapidamente pela aliança que ele ainda usava. Ele sabia que no momento em que tirasse isso se tornaria real, ele não teria mais a sua briguenta, ele não teria mais a que se apegar quando as coisas ficavam feias. E ele não queria isso.
E Beck percebeu o quão estupido ele foi. Ele era estúpido de deixar aquela garota partir. Nenhuma nunca se compararia a ela, nenhum olhar seria igual, nenhum abraço. Jade poderia ser uma bruta por fora, e usar aquela armadura para se defender de qualquer um que se aproximasse. Mas isso era por medo de se expor e acabar se machucando. Beck sabia disso, ele aprendeu a conviver com os dois lados de Jade, o lado doce, uma flor inocente que cresceu selvagem, e o lado sarcástico, o lado perigoso. E ele não valorizou isso, não defendeu isso quando era preciso e agora ela não estava mais com ele, ela estava com Devon, provavelmente o beijando, ou pior.
Devon havia sido o primeiro de Jade em muitos sentidos, primeiro namorado mais velho, primeiro beijo, primeira bolinada. Ele havia tirado a virgindade de Jade. Não que Beck ligasse muito para isso, não era como se ele quisesse ser o primeiro nisso com Jade. Mas havia uma ligação forte entre Jade e aquele que havia sido seu primeiro amor.
Na segunda feira na escola, Devon levou a Jade, e isso despedaçou o coração de Beck mais uma vez, não tinha motivo para ele ter ciúmes, ele sabia, mas é difícil alertar o coração sobre esse fato. Ele havia terminado com ela. Ele nunca havia sido do tipo ciumento. Mas vê-la com aquele que ele tanto odiava, era pior que levar um tiro. Ou assim ele pensava, nunca levou um tiro.
— Oi Beck. – Jade passou sorridente por ele, sorridente demais para que Beck retribuísse sem estranhar. – Qual foi, esquartejaram sua língua ou só virou mal educado?
— Oi Jade, não é nada, só tava distraído pensando. – Pensando em quão estúpido ele havia sido em não abrir aquela porta. E em tentar sair com outras garotas. Nenhuma nunca seria Jade.
— Kay-kay. – Jade sorriu e entrou na escola com um enorme sorriso no rosto, o que intrigava Beck, não a via daquela forma fazia alguns bons meses.
— Jay. – Devon apareceu gritando e correndo, estava vestindo um terno e com o cabelo penteado. – Você esqueceu seu café no carro.
— Ah obrigada, Dev. – ela sorriu pegando o café – Você sabe fazer uma mulher feliz.
— Tenho que saber, é meu trabalho. – ele riu e correu de volta para o carro.
— Devon arranjou um emprego descente? – ele perguntou sorrindo para ela.
— Quase isso, ele trabalha em uma produtora de filmes de menininha. – ela gargalhou – Eu disse que ele virou um gigolô.
Beck riu, ele gostava quando ela agia dessa forma espontânea e não o odiava para variar. Eles eram amigos agora, talvez ela só não quisesse se distrair na semana anterior, ela tinha que se preparar para a apresentação. Estava tudo explicado, ele não tinha porque se preocupar com o fato dela o odiar.
— Sabe aquela noite não pudemos terminar a nossa conversa. – Beck tentou, e então viu que Jade sorriu para o lado como se visse algo, e viu, era o professor Gonzáles.
— Podemos falar sobre isso depois? – Ela pediu indo em direção ao professor e conversando animadamente com ele.
Talvez ela o estivesse evitando, não é? Mas Beck preferiu não pensar nisso. E seguiu para a aula do Sikowitz. Ele para variar fez uma entrada horripilante, e passou um exercício de atuação idiota, mas era normal do Siko fazer isso. Jade e Beck fariam um casal, que estavam em uma viagem com seus filhos chatos (Cat e Andre), quando o carro quebra, e eles deveriam desenvolver dali.
Jade agia como uma mulher adorável, que era como Sikowitz havia pedido, não vinha sendo uma megera com todos como ela sempre tentava agir. Mas isso era pelo fato de que ela era uma ótima atriz.
No intervalo, o professor Gonzáles apresentou algumas músicas no Asphalt Café. Mas teve uma música que fez Beck perceber que na verdade ele era um idiota. A música como podemos perceber era Stupid Boy do Keith Urban. E bom fez Beck se sentir mal.
Os amigos conversavam animadamente. Jade não estava sentado com eles, mas sim em uma mesa próxima a lugar o professor estava, e tomava seu café como era típico. Ele pode ouvir ela cantando baixinho perto do professor enquanto mexia o pé, e uma parte da música realmente entrou na cabeça do moreno e não saiu mais.
— Garoto estúpido, você não pode confinar isso. Garoto estúpido, é como ir na direção contrária do vento. Ela deixou o coração e alma bem na sua mão. E você roubou cada sonho dela e esmagou seus planos. Ela nem nunca soube que tinha uma escolha e é isso que acontece. Quando a única voz que ela ouve a diz que ela não pode. Garoto estúpido, garoto estúpido. – O professor cantou e Beck sentiu que não poderia comer nem mais um pedaço do seu taco. Era como se a música falasse com ele. Ele havia feito aquilo com a Jade, ele havia pegado o coração dela, que ela confiou a ele com tamanho medo e paixão, e o quebrou sem medo, sem sentir remorso.
Estúpido, estúpido, estúpido. Beck só conseguia pensar nisso enquanto batia na sua própria cabeça. Ele havia a perdido.
Jade não queria mais saber dele, e ele sabia muito bem disso. Ele percebia no olhar que ela o lançava sempre que ele aparecia na sua frente, ou a forma como falava com ele. Agora ela tinha Devon novamente, e ele estava mais maduro, assim como Jade.
Será que era hora de ele realmente seguir em frente e esquecê-la? Seu coração não queria aceitar isso, ele estava em conflitos com seus sentimentos e isso era horrível. Ele seguiu para suas outras aulas, na aula de roteiros, mas não conseguiu prestar atenção a nada. Jade também fazia essa aula, e vê-la ali, tão atenta a aula, novamente alheia a ele, como antes deles começarem a sair, fez com que ele se sentisse mal por ter perdido ela. Como ele pode deixar ela ir?
Na saída, Beck iria dar uma carona para Robbie, mas não entendia porque ainda concordava com isso, já que o Robbie sempre se atrasava e o deixava esperando por muito tempo. E ter que ver Jade abraçar Devon e entrar no carro dele como ela fazia com Beck alguns meses atrás era horrível.
Decidiu que não ia esperar por Robbie, e seguiu seu caminho antes que seus olhos se deparassem com algo que seu coração não pudesse lidar.
Seguiu para casa com a cabeça em parafuso, e seus sentimentos em um tornado. Ele queria poder correr até Jade, dizer que sentia muito, dizer que ainda a amava com todas as forças. Mas sabia que isso seria inútil, Jade não o queria mais e ele teria que superar. Ele havia feito sua cama, inacreditavelmente a única cama ele já fez desde que foi morar no RV, e teria que deitar-se nela. Ele percebia que o maior culpado dessa história havia sido ele.
Jade chegou em casa, adorava conversar com a nova versão do Devon, ele havia ficado muito mais maduro e confiável, além de confiante, isso era incrível. Mas ver sua mãe e Devon se beijando furiosamente não era nem um pouco divertido.
Sim, vocês leram isso certo, Devon não voltou por Jade, mas sim por Julie, eles haviam se encontrado certa noite em uma festa de um figurão de Hollywood, e bom, depois de uma noite juntos, eles descobriram que ele também já fora namorado da filha dela. Foi um choque e tanto quando descobriram. Mas nada que atrapalhasse o fato de que Julie havia se apaixonado, havia acontecido aquele “chan” que só acontece quando você realmente conhece alguém que importa. E como Devon não queria ficar com crianças, ele foi para a área de gostar de coroas.
— Vocês são ridículos, não sei por que eu ainda passo as tardes aqui. – Jade suspirou subindo para seu quarto.
— Porque na casa de seu pai você teria que ver ele com a Jenn, e você não suporta vê-los felizes. – Julie gritou lá de baixo.
— Acho que puxei esse dom de você. Você odeia me ver feliz. – a mais nova gritou, mas não era verdade. Era apenas uma brincadeira que as duas tinham.
Quando Jade fechou a porta do quarto, uma foto antiga caiu de trás da porta, uma foto dela com Beck, ela queria tanto poder conversar com ele normalmente. Mas algo nela a impedia disso, sempre que ele vinha, a garganta dela se fechava e ela não conseguia respirar, ele tinha tanto efeito sobre ela ainda, e Jade sabia que ele não sabia desse poder.
Talvez fosse muito difícil deixar alguém tão importante na sua vida partir assim. Ela só sabia que deixar Beck partir era impossível para ela. Ela tentava, ela tentou ignora-lo, tentou odiá-lo, tentou fingir que não se importava mais com ele. Mas tentar era muito mais trabalhoso do que conseguir e ela se cansou de tentar.
Amor era uma fraqueza. Jade descobriu isso da pior forma. Amar machucava. Sentir-se daquele jeito fazia com que ela se sentisse um lixo completo. Era como estar com febre. Não entendia como as pessoas descreviam aquela coisa horrível como o mar de rosas. Jade deitou e pegou seu celular.
Ela queria mandar uma mensagem para o Beck. Mas não sabia se era certo. Ele ficava o tempo todo trazer aquela conversa sobre as músicas com ela, e ela não queria falar sobre esse assunto. Ela não queria admitir que as músicas sim, eram para ele, e que por mais que ela odiasse admitir ela estava morrendo de raiva dele, e do fato dele ter a superado. Como ele pode superar tão rápido?
Beck sabia que Jade não queria nada com ele. E por isso tomou uma decisão estúpida. Talvez a decisão tenha sido apenas reflexo das coisas e sinais que ele vinha recebendo. Ele sabia que Tori queria ficar com ele, não era apenas impressão. E isso fez com que Jade a odiasse.
Então eis que ele decidiu que Beck afinal ia dar uma chance para Tori.
Garoto idiota.
Nobody's ever gonna love me like she loved me and she loved me, she loved me
God please, just let her know I'm sorry, I'm sorry I'm sorry, I'm sorry
Baby, yeah, I'm down on my knees she's never coming back to me
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