Fire meet Gasoline
8 Capítulo 8 – Love is just a lie, made to make you blue
Notas iniciais
Dizer que Jade estava ansiosa era pouco. Ela iria finalmente ensaiar para aquela premiação, e sua careira poderia decolar dali, e não a da Vega estúpida. Mas ela sentia que algo faltava, aquele carinho, aquele aconchego que Beck sempre lhe dava. Pelo menos ela ainda teria sua mãe e Devon, além da sempre fiel Cat. Isso lhe dava um consolo, mas não era a mesma coisa.
Quando ela pediu para Cat ir buscar a saia azul, porque o Mason queria que ela experimentasse a azul, ela não suportava mais aquele cara (ele era apenas extremamente insuportável) ela não esperava ver aquilo, não entendeu o porque de haver um computador com uma conversa de vídeo conectada.
Jade primeiramente não reconheceu aquele lugar que estava na tela, mas quando ela ouviu a voz dele, a voz de Beck falando manso, ela ficou um pouco mais curiosa para prestar atenção, a tentação a estava consumindo.
— Eu devia ter ficado de boca fechada. – ela ouviu a voz de Beck falando, e parou a sua mão (que havia ido pegar um Bubble) no meio do caminho, pois isso era mais importante.
— Não, você tava certo. – a voz irritante da Vega soou ainda mais irritante. E Jade forçou o olhar para a tela, e percebeu que os dois estavam na casa dela, no sofá da Vega, apenas os dois. – Se for para dar tudo certo, eu quero que seja pelo meu talento. – Jade sentiu vontade de rir, não acreditava que Tori tivesse nenhum talento. – E não por armar confusão e usar chapéu de carne.
— Bom, você não pode ser famosa pela sua musica e – Jade se aproximou do computador de uma maneira que não pudesse ser vista, e aproximou a visão dos dois. – por usar um chapéu de carne? – Beck perguntou, ela odiava como ele fazia de tudo para a Vega se sentir melhor. A morena riu daquele lado da tela, e Jade sentiu seu coração afundar – Sério. Carne. Se você quiser. – e ele representou estar pegando um pedaço e comendo, parecia tão estúpido naquele momento. – Direto do seu chapéu.
— Direto do meu chapéu? – Tori perguntou e Jade não pode evitar revirar os olhos. Ela não queria falar nada e acabar sendo descoberta na sua posição privilegiada. Jade parou de ouvir o que eles falavam, seus olhos se direcionavam para a mão de Beck no braço de Tori, e logo eles ficaram no tipo de silêncio constrangedor que era impossível de resistir.
— Então. – Beck falou, e a morena notou com descontentamento que ele se aproximava da boca da Vega. Jade não pode impedir que seu rosto se contorcesse em uma careta. Eles estavam quase se beijando, ele queria beijar a Vega, ela sempre soube disso. Todos os seus medos estavam se tornando realidade, ela não estranharia se agora ela aparecesse pelada na frente da plateia, para acordar e perceber que não passava de um sonho. Um sonho muito ruim.
Mas Vega se afastou levemente do ex-namorado de Jade, e viu que ele logo que se afastou também. E ela deu um daqueles socos ridículos que ela considera amigáveis no rosto dele. Boa, Vega, desse modo você até parece uma boa candidata à amiga.
— Me desculpa. – Beck pediu. Ele devia estar pedindo desculpas a Jade naquele momento, não a Vega, era Jade que estava novamente machucada. Percebeu mais tarde que não se importava tanto com o fato de Beck estar com outras garotas, garotas desconhecidas em comparação a ele estar seguindo em frente com alguém que Jade de uma maneira peculiar considera amiga.
— Não! Eu que peço desculpas. – Tori o interrompeu, deve mesmo, mas não a Beck e não por esse momento, mas sim pela vez que ela o beijou quando eles ainda namoravam.
— Eu não queria... – Queria sim, seu estúpido. Jade estava com raiva dele naquele momento.
— Não, não, não...
— Por que a gente não pode se beijar? – ele a perguntou. Ainda pergunta? Jade só conseguia pensar coisas horríveis para fazer com ele só por ele ter tentado.
— Por causa... Por causa da Jade. – Tori falou triste. E Jade talvez percebeu que talvez ela não fosse tão ruim quanto ela havia imaginado.
— A Jade e eu terminamos. – estúpido, estúpido, estúpido, estúpido.
— É, mas beijar o ex-namorado da sua amiga...
— Peraí, desde quando vocês são amigas. Semana passada ela pegou seu hambúrguer e esfregou no pé descalço dela.
— O que? Eu comi carne com gosto de pé? – estúpida e adorável Tori.
— E... ela pegou seu lugar no Platinum Music Awards.
— Olha... Quer dizer... Eu acho que a Jade e eu não somos grandes amigas. – ela falou dando ênfase a “grandes”. – Mas somos meio que amigas. Eu acho que beijar o namorado dela... Eu não posso fazer isso com uma amiga.
Jade não quis ouvir mais nada. Não quis ouvir Beck falando dela daquele jeito que ele sabia, e não queria que a pessoa que a defendesse fosse a Tori. Não era para ser o inverso? Ela sempre achou que Beck, por conhecê-la como ninguém, e por ela ter mostrado aquele lado que não mostra a mais ninguém, iria a defender de uma maneira mais eficiente. Mas não era bem assim.
O amor era, como uma das suas músicas favoritas dizia, como uma nuvem, contem muita água de chuva dentro de si, e quando isso acontece, não pode-se evitar que você saia molhado. Jade descobriu duas coisas naquele momento, Beck não era o defensor que ela precisava quando não poderia se defender, não era nenhum príncipe em um cavalo branco pronto para salva-la do perigo, ele era mais um que a atacaria pelas costas se precisasse. E talvez, por mais que machucasse, apesar de toda merda que Tori a fez, e as merda que ela fez para Tori, a “quase” amizade das duas, servia de escudo melhor que o amor que ela tinha por Beck.
Eles a fizeram vestir uma roupa ridiculamente rosa, Jade odeia rosa, rosa não é a sua cor. Mas ela não poderia fazer nada quanto a isso, porque depois de experimentar mil roupas diferentes, aquela foi a que o Mason adorou. Ela odiava o Mason.
— Uau, figurino incrível. – Tori falou do batente da porta, Jade evitou se virar, qualquer coisa no seu modo de agir poderia a denunciar.
— Eu to ridícula. – ela cortou o projeto de amiga.
— Ah, uma ridícula cor de rosa. – Tori tentou com um leve sorriso, e Jade não evitou o confronto e a encarou, não através de um espelho como havia feito anteriormente. – Com uma coisa na cabeça.
— Valeu. – ela a lançou um mínimo sorriso, um daqueles que você precisa de uma lupa para conseguir distinguir. – Eu não esperava te ver aqui. – sinceridade, algumas vezes Jade adorava usar da sinceridade.
— Bom... Todo mundo tava vindo te aplaudir e ai eu também quis vir. – Tori se aproximava lentamente de Jade, e ela não estava gostando nada disso. – E você fica bem melhor nessa roupa que eu ficaria.
— Isso não tá certo.
— É, tá meio apertado em volta da sua...
— Não! Não essa roupa horrível, isso. – Jade disse apontando para o palco, não era certo ela estar ali, Tori havia sido escolhida para aquilo, mas sua atitude de boa samaritana a impedia de ser uma estrela. Mesmo que Jade fosse visivelmente mais talentosa e tivesse a postura certa, aquilo não parecia certo. – Eu.
— Como assim? – Ela poderia ser mais lenta? Jade queria gritar que talvez aquilo fosse errado, pois é errado tirar algo tão importante de sua “quase” amiga. E que em algum momento daquela conversa entre Tori e Beck, Jade saiu tocada, não apenas machucada, mas tocada pela postura que Tori tinha.
— Essa deveria ser a sua noite. Essa era sua grande chance, então, eu tá indo lá e...
— E?
— Eu não posso fazer isso com uma amiga. – Tori sorriu, e Jade percebeu que havia falado a coisa errada. – Nem com você. – ela engrossou o tom de voz, falou mais grossa, como era sua forma de agir com a Vega. Mas ela sorriu, sorriu verdadeiramente para ela naquele momento.
Ela resolveu as coisas com Rick, o cara que iria a anunciar, e seguiu para a plateia. O único lugar livre naquele momento era o que era destinado a Vega, do lado de Beck. Ele havia guardado um lugar para ela, e isso deixou Jade com raiva, mas seu coração se acalmou ao perceber que ele havia ido para a assistir. Com seus amigos. Mas foi a assistir. E então ela sorriu para ele, sorriu verdadeiramente, por mais que doesse.
Ele não iria saber que ela estava machucada. Ele não ia saber que ela havia visto aquilo que quase aconteceu. Ele não iria saber que ela estava extremamente magoada e com seu coração partido. Não era necessário. Jade West era mais madura que qualquer garota da idade deles, e ela iria agir assim.
— Você fez a coisa certa. – Beck a falou durante o show de Tori, o sorriso dele a quebrava, o seu coração foi parar em algum lugar que não o pertencia, mas ela apenas sorriu.
— Algumas vezes temos que fazer pequenos sacrifícios com que importa. – ela respondeu somente, e continuou a dançar. Não era Tori que a importava, era a descrença que Beck tinha nela.
Jade e Beck estavam esperando junto com os amigos após o show por Tori na entrada de onde foi evento ocorreu. Eles não falavam nada, o silêncio era perturbador para Jade, mas ela não queria falar a coisa errada, não queria assumir para ele que havia visto uma coisa que a machucou, nem que ele era a causa dela possivelmente nunca voltar a amar.
Jade odiava o amor. Amor não é uma coisa linda, amor só fere, o amor deixa cicatrizes que para todo o sempre queimarão contra seu peito, o amor é uma coisa complicada de se mexer. Sua mãe sempre a disse para não brincar com fogo, bom, talvez a advertência certa deveria ser para que ela não mexesse com o amor. O amor é pior que o fogo, pois machuca uma parte de seu corpo que não é visível, uma parte que você não pode tratar com pomadas.
Ela sorriu para sua mãe que se aproximava de mãos dadas com o Devon. Ela a olhava preocupada, sabia que sua mãe esperava a ver brilhando no palco, possivelmente ela havia alertado todos os seus amigos que sua filha Jade West ia ser a atração principal.
— Não adianta brigar comigo. Em casa eu conto. – Jade disse grossa para sua mãe, e viu que Devon sorria para ela, e abraçava a sua mãe.
— Tudo bem, boo. – Julie sorriu para a filha. – Eu te amo apesar de tudo.
— Que lindo, mamãe. – Jade disse séria, e viu o sorriso no rosto de Devon.
— Bom, filha, só vim te perguntar algo. – Julie chegou perto da filha e passou o braço ao redor dela – Você tem com quem ir para casa?
— Você vai para a casa dele de novo? – ela perguntou alto demais talvez.
— Não, filha. Mamãe vai ter que ir para Las Vegas com o Devon, temos negócios a resolver lá. – ela sorriu doce para a filha e então a abraçou forte.
— Vocês não vão casar em Vegas, vão? – Jade perguntou com muito medo da resposta – Mãe, ele é meu ex-namorado.
— E agora é meu noivo. – a mãe sorriu doce para a filha e então puxou a mão de Devon para perto delas. – Eu e Devon vamos nos casar em Vegas, filha.
— Eu odeio vocês. Mas podem ir. Eu vou para a casa com a Cat, se eu a achar. – Jade respondeu sorrindo e então com o braço restante ela puxou Devon e sussurrou para ele – Cuide da minha mãe ou eu te castro, babaca.
— Pode deixar, boo-boo. – Devon sorriu e bagunçou o cabelo dela. Quando foi que ele se tornou o tiozinho chato que faz isso?
— Se você for me chamar assim também nem case.
Eles a ignoraram e saíram em direção ao manobrista. Julie não conseguia andar sem ser parada por muitos paparazis, talvez esse fosse o lado ruim da fama.
Beck observou Julie e Devon irem embora de mãos dadas com certa surpresa. Mas seus olhos se arregalaram ao verem que Julie puxou Devon para um beijo caloroso na frente dos paparazis. Não conseguiu resistir a puxar a cintura de Jade para perto para que ela não visse aquilo, afinal era sua mãe beijando o cara que ela estava pegando, não era?
— Argh, eles me dão nojo. – Jade comentou rindo, e Beck percebeu que ela olhava na direção da mãe.
— Como assim? – ele a encarou, ele tinha que aproximar sua boca do ouvido dela para ser ouvido por conta do barulho. – Não é Devon ali com sua mãe?
— Sim. E?
— E? Ele não é seu ex-namorado?
— Eu não tenho ciúmes de coisas que não me fizeram bem. – ela disse com raiva como se fosse algo que a machucasse dizer. Beck recebeu isso como uma indireta para ele. – E eles vão se casar, então não é grande coisa.
— Eles vão se casar?
— Sim, eles tão namorando faz alguns meses, mas só me contaram no show beneficente. – Jade contou com um sorriso no rosto – Cadê a Cat? Que merda, cadê esse gatinho assustado?
— Acho que ela foi embora. – Robbie comentou. E Jade bufou alto.
— Quer uma carona? – Beck perguntou meio desconcertado. E percebeu um leve sorriso no rosto dela.
Ele havia feito uma estupidez, Devon não estava com Jade, ele havia tirado conclusões precipitadas, e se alguém tivesse visto que ele havia tentado beijar Tori? Malmente sabia ele que Jade já estava com o coração partido por conta de justamente ter visto essa besteira que ele quase havia feito.
I may be slow, but even so I know a thing or two, I've learned from you
I've really learned a lot, really learned a lot Love is like a flame, burns you when it's hot
Love hurts, love hurts
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