Fire meet Gasoline
14 Capítulo 14 - May turn each day into a heaven or a hell
Notas iniciais
Jade encarava-se no espelho. Não sabia por que estava tão preocupada em agradar aquela cópia de Ali Babá, eles estavam saindo há quase um mês, aquele era o quarto encontro oficial que eles tinham. E nem um beijo haviam trocado até aquele momento, ela se sentia temerosa, sentia medo de acabar se apaixonando por ele, e novamente ser abandonada.
Ela não era inexperiente em relacionamentos, Jade tivera muitos casinhos antes de Beck chegar em sua vida, mas algo havia mudado. Ela se sentia estranhamente bem demais ao lado dele, sentia-se feliz quando eles conversavam. E ela se sentia ridícula por estar se preocupando tanto com o que ele ia achar da aparência dela, ou se ele iria a achar bonita.
— Isso é ridículo. – ela sussurrou cansada terminando de tentar se arrumar. Vestiu um sapato qualquer e saiu de seu quarto. Não demorou muito até ouvir a buzina tão característica do carro de Beck.
Saiu e andou lentamente até o carro. Se sentou frustrada esperando por qualquer elogio dele. Ela esperou e esperou, mas o elogio não chegou até o momento em que saíram do carro. – Você está maravilhosa. – ele sorriu beijando a bochecha dela com carinho e pegando a mão dela.
— Diga uma novidade. – Jade suspirou tentando esconder a sua felicidade por ele ter feito aquele elogio a ela. – Onde você está me levando? – Jade perguntou vendo que ele seguia para um beco escuro ao lado do cinema que seria aonde eles iriam.
— Confie em mim, você não vai se arrepender. – ele disse todo misterioso a puxando pela mão.
— Já estou me arrependendo. – ela brincou, mas continuou o seguindo aonde ele ia. Ela estava gostando da maneira misteriosa que ele estava agindo, quando ele parou em frente na lateral de um prédio e bateu quatro vezes na porta, Jade o encarava com um sorriso no rosto.
— Estou tentando te compensar pelo nosso primeiro encontro ruim, e pelo segundo encontro pior ainda. – Beck confessou com um sorriso encostado na parede de frente para ela – Espero que esse seja bom.
Não demorou muito para que um rapaz um pouco mais velho que os dois abrisse a porta, a roupa de garçom indicava que ele trabalhava no prédio, e que provavelmente, eles iriam fazer algo que não era certo. Os três subiram vários lances de escada até o terraço do prédio, e quando o rapaz, que se chamava Alden, abriu a porta, Jade percebeu que todo aquele lugar era preparado para encontros românticos.
— Nunca pensei que você fosse o tipo de levar as garotas a encontros românticos. – ela brincou enquanto andava até a beirada do terraço e olhava para a vista perfeita da cidade.
— Por algumas garotas, eu faço exceção. – ele disse com um sorriso puxando a cadeira para que ela se sentasse. – Você definitivamente merece uma exceção.
— Ah, é? – a morena perguntou o olhando, as sobrancelhas levantadas em sinal de questionamento, ela havia se apoiado sobre os cotovelos sobre a mesa para olhá-lo mais de perto. – Por quê?
— Quer a resposta verdadeira ou a resposta que eu daria para te conquistar? – ele brincou, e vendo o sorriso dela continuou – Você é incrível demais para perder sem tentar. Eu seria um babaca se não me esforçasse ao máximo para te conquistar, Jade. Na verdade, eu acho que gosto mais de você do que seria o saudável.
— Essa é a sua tentativa de me conquistar? – a maneira como ele maneou a cabeça e mexeu rapidamente no cabelo o entregou rapidamente, Jade não admitiria, mas o observou tanto tempo que sabia o que cada gesto dele significava. – Porque pode ter funcionado. – ela riu para ele e após isso ele relaxou o corpo sobre a cadeira de madeira preta. – Qual é o próximo passo?
— Bom, eu não sei, podemos assistir a um filme no Drive In sem entrar no drive in. – ele riu. – O Alden roubou umas caixinhas do Drive In dali da frente e daqui temos uma visão muito boa do filme. E é bem mais privativo. – Beck explicou com um sorriso.
— Isso parece divertido, Ali Babá. – Jade piscou sedutora para ele comendo mais um pedaço de morango que era a refeição deles. – Você realmente consegue fazer planos de encontro bons, poderia fazer isso mais vezes.
— Podemos tentar. – ele sorriu. – Não me chame de Ali Babá. – ele pediu incomodado com o novo apelido que ela havia inventado para ele.
— Te chamarei de boo-boo, então. – ela brincou, odiava aquele apelido com todas as suas forças por ser o modo como a mãe dela a chamava.
— Ok, bae. – ele sorriu, e virou o corpo lentamente para o lado e a olhou com o sorriso ainda maior. – O filme vai começar, quer ir até o sofá?
Jade não soube exatamente o momento em que aquele desejo a pegou desprevenida, mas ela queria beijar a boca dele mais do que tudo naquele momento. Não prestou atenção no filme que passava, mesmo sendo um clássico (Jade amava filmes clássicos), e prestou apenas atenção nele. Em como ele falava com ela. Em como os olhos dele eram brilhantes e expressivos. Ou na maneira como ele fazia uma leve careta quando ria, um franzido no lábio superior que a deixou intrigada e maravilhada.
— Aladim, queria muito te beijar nesse momento. – ela falou diretamente no meio de uma conversa sobre o último filme horrível que um dos colegas deles apresentou. Beck, desprevenido para ouvir uma revelação dessas, a encarou, os lábios formando um leve sorriso.
— O que você vai fazer quanto a isso? – ele perguntou e a viu morder o lábio, escondendo o sorriso que se formava antes de simplesmente se aproximar, sem aviso ou alarde, e encostar levemente os seus lábios sobre os dele.
Um leve choque fez com que os dois se assustassem, porém sem se afastarem por um segundo do beijo, Jade aproximou seu corpo do dele e com a mão hesitante seguiu em direção ao rosto dele, o qual com uma caricia leve fez com que o beijo se aprofundasse. Ela não poderia dizer que não estava aproveitando aquele momento, aquele beijo. Ele tinha um beijo delicioso, diferente dos que ela tivera antes. Ele estava transformando todas as verdades dela em questões, ele a estava fazendo mudar ideias e ela não temia isso.
Beck quebrou o beijo lentamente com selinhos demorados, e segurando o rosto dela, ele manteve os rostos muito próximos, de modo que ele sentia a respiração quente dela batendo contra a sua bochecha.
— Isso foi... bom. – Jade disse com dificuldade. O beijo havia a feito ficar levemente sem ar, mas ela não reclamaria disso. Ela não reclamaria de mais beijos assim.
— Muito bom. – ele sorriu. – Acho que devemos fazer isso mais vezes.
Não é mentira ou exagero quando dizemos que eles fizeram isso muitas vezes mais, alguns beijos foram mais carinhosos, outros mais selvagens, mas era o esperado para aquele relacionamento tão inflamável, tão inconstantemente constante.
Alguns meses depois, logo após Beck ter comprado o seu trailer com o dinheiro que seu Tio Bárbara lhe deu, ele levou Jade para conhecê-lo. A morena amou o pequeno trailer, e alegava que ela adoraria viajar pelo país com aquele “negócio”. Beck apenas sorria com a ideia dele cruzando o país com a única companhia que lhe convinha: Jade.
E aquele trailer marcou entre muitos momentos inesquecíveis da vida romântica dos dois, principalmente a primeira vez que eles foram para a cama juntos. Foi algo inesperado, tanto Jade quanto Beck podem assumir isso, afinal eles ainda não eram exclusivos, como Jade gostava de dizer.
Beck estava no estacionamento da escola, ouvindo música em seu carro esperando o sinal do intervalo bater, quando uma menina entrou em seu carro para conversar com ele sobre teoricamente “gostei dessa música quem é o cantor?” Beck a encarou, e falou o nome do cantor como se aquilo fosse óbvio “Elvis Costello”, e de certa forma era. A garota desatou a falar sobre as bandas que ela ouvia, como se aquilo fosse perfeito, como se ela fosse a garota mais cult que ele iria conhecer na vida.
Tirando o fato de que as bandas que ela ouvia eram todas boys bands, bandas com músicas sem sentido e com um péssimo vocal. O Ali Babá barato só percebeu que algo estava errado quando a menina irritante ao seu lado soltou um grito desesperado e o barulho do capô de seu carro sofrendo um acidente horrível. Quando ele olhou diretamente para frente, viu a enorme pedra que repousava a alguns centímetros do para-brisa, mais a frente ele viu a morena o olhando com raiva.
Jade o encarava com tamanha raiva nos olhos, e com uma fera dentro de si. Beck saiu do carro e andou em direção a ela, sem antes encarar chocado seu carro destruído. Ela o encarava com um olhar tão expressivo, a raiva estava transbordando dele, e um brilho que poderia ser definido como ciúme.
— Você está louca, menina. – ele gritou se aproximando perigosamente dela. – Você estragou o meu carro.
— Quem disse que a pedra saiu da minha mão? – ela perguntou, as sobrancelhas arqueadas em tom de desafio.
— E quem mais seria?
— Talvez a tua namoradinha no teu carro. – Jade perguntou encarando a ruiva falsa que ainda estava sentada no banco do passageiro.
— O que? Aquela coisa? Eu nem sei quem é aquela menina. – ele gritou desesperado. – Você destruiu o meu carro por... ciúme?
— Cuidado que quem sonha alto demais acaba caindo, idiota. – ela sorria de maneira doce, aquele típico sorriso que ela lançava sempre que estava se sentindo encurralada por seus sentimentos.
— Se você está com ciúme, apenas assuma.
— Eu não sinto ciúmes, Albert. – a forma como o olhar de Jade vagou pelo estacionamento mostrou a Beck que na verdade ela estava com ciúmes, e isso fez com que ele se sentisse melhor. Não se importava com o carro amassado, não se importava com o fato dela não assumir que sentia ciúmes, só se importava com ela. Ele avançou os poucos passos que ainda os separavam, e em um ato tão impensado e pensado, ele a beijou.
Apesar de Jade apresentar uma leve resistência, ela acabou cedendo ao beijo e se entregando. E Beck descobriu que ela podia ser mil coisas em um mesmo dia, ela poderia ser o doce e o amargo, o caminho para o prazer sem culpa ou o caminho para sua perdição. Jade era como a brisa de verão que refresca, e o frio de outono.
Eles não planejaram ir para o trailer após a aula, apenas seguiram até o lugar. Não planejaram nada, apenas deixaram rolar, os dois estavam deitados na cama de Beck, conversando sobre a aula, e sobre como eles iriam pagar pelo carro.
E eles não sabiam exatamente como Jade havia ficado apenas de sutiã e calcinha, e um Beck mais do que bobo encarava aquele corpo, enquanto o seu próprio estava tão despido quanto. Mas nenhum dos dois iria reclamar do que aconteceu a seguir, eles haviam descoberto o corpo um do outro pela primeira vez de maneira completa. E foi magnifico.
Beck descobriu que Jade podia fazer do dia dele um completo inferno ou o mais perfeito paraíso, era apenas questão de tempo e ações. Ela era a Bela e a Fera. Mas ela era apenas um reflexo dos maiores desejos dele. Ela poderia ser uma constante inconstante na vida de Beck, ele aceitava isso.
— Ei, Aladim, tem café? – Jade perguntou após eles descansarem do “exercício” que haviam feito.
— Não! – vendo o olhar irônico da morena, ela franziu o seu cenho e a encarou – Deveria?
— Quem não tem café em casa? É tipo uma coisa necessária. – ela perguntou rindo. – Tenho muito a te ensinar, se... esqueça.
— Se?
— Eu disse esqueça para que você esquecesse que eu falei isso. – ela brincou com um sorriso lindo no rosto.
— Isso não é como se fosse uma lei universal, ou uma borracha que apaga o que você disse. – Beck disse se apoiando sobre os cotovelos, e a encarando, o sorriso brincava em seus lábios e viu-a tentando cobrir o busto que aparecia quando ela se mexia.
— Mas eu pedi para esquecer.
— Eu não vou esquecer, só me diga.
— Eu queria dizer que eu vou ter que te treinar se a gente for se tornar exclusivos. – ela olhou naquele instante para o lençol de banda de Rock que cobria a cama como se fosse muito interessante.
— Você quer que sejamos exclusivos?
— Talvez, Ali Babá, apenas talvez. – Jade respondeu se levantando antes de pegar suas roupas espalhadas no chão do trailer. – Você viu minha camisa? – ela perguntou o encarando.
— Eu acho que é aquela presa no meu aquário, não é? – ele riu enquanto colocava sua própria roupa. – Toma, usa uma minha, depois eu lavo ela.
— Obrigada. – ela sorriu se vestindo – Agora, vamos, quero tomar café.
She: May be the reason I survive the why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years, me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs for where she goes I've got to be
The meaning of my life is: She, she, she
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