Fire Starter
38 Welcome To New York
Walking through a crowd. The village is aglow. Kaleidoscope of loud heartbeats under coats. Everybody here wanted something more.
Senti o vento frio e comum de New York, mesmo estando no verão, bater no meu rosto e lançar o meu cabelo para trás. Sorri com a sensação, era maravilhosa, assim como à cidade que eu tinha aos meus pés, olhando para toda a ilha de Manhattan de um arranha-céu incrível, que era apenas a antiga matriz da empresa do Percy.
Era exatamente por isso que estávamos aqui: ele estava trabalhando. Ele teria cerca de três ou quatro reuniões aqui e mesmo assim quis me trazer junto, alegando que não queria mais ficar longe de mim, sendo que já fazia cerca de dois meses que nós tínhamos voltado.
Apoiei a minha mão no parapeito e olhei para os vários outros edifícios e prédios que tinha ali, vendo a movimentação de carros e pessoas pela calçada. Nós estávamos em Wall Street, o coração do distrito financeiro de New York.
– Hm... — sorri sentindo os lábios do Percy tocarem o meu pescoço para um beijo que eu nunca iria me acostumar. Suas mãos deslizaram pelas laterais do meu corpo e pararam sobre o meu ventre.
Aos cinco meses de gravidez, estava ficando cada vez mais visível a minha barriga, o que deixava Percy animado, ele queria saber se era menino ou menina, mas eu havia implorado para a minha médica não contar nada para ele.
Nós não iriamos para Londres, não iriamos morar lá. Eu fiquei chateada quando Percy me contou isso, mas era a realidade, ele não podia trocar os papéis da empresa, os sócios iam cair em cima dele com facas e serras elétricas — ele realmente disse isso — e achar que ele era incapaz de cuidar da empresa. Além do mais, Zeus havia deixado claro: se eu voltasse para Londres, eu estaria destruindo a minha vida e a de quem fosse junto comigo, e agora eu estava grávida, esse bebê era tudo para mim.
Eu finalmente sei o que é amar incondicionalmente alguém.
– Como foi a reunião? — perguntei deitando a minha cabeça no seu peito, sentindo ele se aproximar mais de mim.
– Um estresse só, eu deveria ter pedido para o meu pai mais uns dois ou três anos longe da presidência — ele falou calmo, mas logo a sua postura se enrijeceu. — Eu disse isso em voz alta?
– Disse.
– Puta que pariu — ele se afastou de mim. Me virei para ele, vendo sua expressão apavorada enquanto ele olhava para todos os lados. — Eles estão me vigiando dia e noite, daqui a pouco vão colocar uma câmera escondida dentro de casa. Eles estão tentando achar um furo meu, uma falha, para tomarem a empresa para eles.
– Ei, calma, você tem potencial, Poseidon mesmo te disse isso, ele mesmo disse que você estava pronto para tomar a presidência da empresa...
– Eu tenho vinte e cinco anos, Annabeth, para eles eu ainda sou uma criança!
– Eu tenho vinte e três e vou ser mãe, você já viu do que eu sou capaz e eu sei reconhecer alguém digno de um lugar como o seu. — envolvi seu rosto com as minhas mãos, acariciando levemente as suas bochechas com os meus dedos. — Eu estou ao seu lado, vi você fechar uma empresa em Boston e distribuir quase todos os empregados dela pelo país para que ninguém ficasse sem emprego. É disso que eles têm medo, da sua dignidade e da sua lealdade. Hoje em dia empresas grandes demais, como a Jackson, tem muitos segredos e você, justo do jeito que é, eles tem medo que você revele todos.
– Você é uma mulher de discursos, não? — ele disse tirando as minhas mãos do seu rosto e entrelaçando nossos dedos. — Eles querem tirar a matriz de Chicago, trazer ela novamente para Wall Street, por ser o centro financeiro do mundo e onde todas as outras matrizes de empresas rivais ou não estão. Depois que eu fiz em Boston, eles acham isso o melhor a fazer.
– Vir de Chicago para New York? — ele concordou com a cabeça — E o que você disse?
– Que eu preciso pensar... Se eu aceitar isso, terei que me mudar para New York e se eu não faço isso eles tomam a empresa. Foi exatamente essa as palavras do Dillon: "Ou você faz o que nós estamos mandando, ou você corre atrás de outro emprego. Tenho bastante gente te observando e muitos deles não estão satisfeitos com as suas atitudes." — ele tentou imitar a voz do Dillon, que me fazer rir um pouco. — Argh! Eu não sei o que fazer, tem você e o bebê, meus pais, a Chloe...
Beijei ele, impedindo ele de terminar de listar tudo o que ele tinha em Chicago. O beijo foi correspondido rapidamente por ele, precionando seus dedos nas minhas costas e me aproximando o máximo possível dele. Unhei a sua nuca, apreciando o beijo calmo, sem muito urgência ou algo a mais que isso, era assim ultimamente, nós estávamos indo com calma, já que desde o começo nós agimos de maneira voraz em relação a tudo e o resultado disso iria nascer em Janeiro.
– Você vai chegar a uma conclusão, só que agora nós podemos ir para o hotel? Eu estou um pouco cansada do voo... Gravidez mexe com tudo mesmo. — pisquei para ele, vendo um leve sorriso se formar em seus lábios. — O que foi?
– Eu estou louco para ter esse bebê nos meus braços — ele disse me puxando para a porta que saia do terraço. Tinha cerca de dez degraus de escada até o elevador e, enquanto desciamos ele, eu pude refletir sobre as suas palavras e senti um sentimento, algo diferente, formigar dentro de mim.
Abracei a sua cintura dentro do elevador, sentindo seus dedos subirem e descerem pelas minhas costas de maneira carinhosa, sobre as minhas luas. A minha cabeça estava apoiada no seu peito e eu sentia o mesmo subir e descer calmamente, em um ritmo tranquilo.
– Eles te deram quanto tempo para responder sobre a transferência?
– Uma semana, ou seja, tenho que responder na próxima sexta antes de embarcamos para Chicago mais uma vez. — ele respondeu calmo, parando seu dedos e precionando a sua mão na minha lombar. — O que acha?
– Eu? Não sei... Não tem tantos sacrifícios como tem em transferir de Chicago para Londres, os danos são menores e você vai estar a três horas da sua família, pode pegar ponte área sempre que quiser ou precisar — sorri vendo a porta se abrir no térreo, o piso branco e brilhante capaz de refletir a minha imagem, ecoando o barulho doa meus saltos conforme eu caminhava com um dos braços do Percy nos meus ombros.
– E você?
– O que tem eu? — olhei para ele, vendo o mesmo morder o lábio inferior.
– Você iria vir comigo?
– New York não é nenhuma Londres da vida, mas sim, eu iria vir com você. Eu já disse, eu vou aonde você quiser que eu vá com você, Percy — respondi me esticando um pouco e dando um beijo na sua mandíbula. Ele sorriu rapidamente com isso e logo em seguida concordou com a cabeça, para então ir falar com a recepcionista.
❤
Gargalhei alto, contente de verdade. Não fazia muito tempo que havíamos saído do restaurante italiano, decidimos então ir caminhar pela agitada Times Square e eu estava me divertindo o bastante no meio das pessoas, com os painéis de anúncios sobre a minha cabeça e as várias lojas.
Os últimos meses estavam sendo os mais incríveis da minha vida, desde a morte dos meus pais, eu realmente estava me sentindo eu mesma, não existia mentiras para cobrir nem segredos para esconder a sete chaves, era eu e a minha liberdade moderada.
Finalmente eu podia visualizar uma família, eu já estava tendo alguns desejos de grávida e estava me deliciando com cada momento, as vezes eu me pegava ansiando por um movimento do bebê, já que isso podia começar a acontecer a qualquer momento, afinal, eu estava com vinte e uma semanas, Nice havia me dito que nessa fase é que os movimentos ficam mais constantes e que eu começo a sentir eles.
Mas ele mais parecia fazer do tipo preguiçoso e estava adorando me ver ansiosa por algo simples, mas que para mim seria muito marcante.
– Annie?
– Oi?
– Ouviu o que eu disse?
– Não?
– Eu notei — Percy sorriu, me puxando para perto dele e olhando para os painéis da Times Square, com um brilho nos olhos.
A resposta dele sobre a transferência foi tranquila: "Sem pressa, Annie, nem mesmo Deus fez a terra em um dia, por quê eu tenho que tomar uma decisão em menos tempo?"
E eu concordei, apesar de achar estranho isso vindo dele. Mas logo o mesmo mudou de assunto, dizendo que a maioria das reuniões eram no período da manhã, então podíamos conhecer a cidade durante a tarde, ou pelo menos tentar conhecer Manhattan no período da tarde.
Eu me animei um pouco com a ideia de morar em New York, nunca havia vindo até aqui antes, a cidade era agitada, tinha uma arquitetura incrível e as temperaturas eram amenas. Não era Londres, mas também não era Chicago, e entre Chicago e New York, eu escolhia New York, eu ia gostar de criar meu filho, ou filha, aqui, no mesmo lugar onde o pai dele cresceu.
– O que você falou? — questionei entrelaçando nossos dedos e parando de frente ao Starbucks. O cheiro chamou a minha atenção e eu fui obrigada a olhar para o lado. — Seja o que for, pode falar isso lá dentro?
– Sim, eu estou amando ver você desse jeito — ele riu me puxando para dentro do Starbucks e eu fui de bom grado.
Nós nos sentamos em uma mesa ao lado da janela, de forma que eu podia ver as luzes da Times Square enquanto eu comia. Depois de olhar o cardápio duas vezes, acabei pedindo um Donuts de Chocolate e um Chocolate Quente Clássico com muito chantili, enquanto Percy pediu um Café Frappuccino e um Muffin de Blueberry, com uma habilidade e rapidez bem melhor que a minha.
– Então, o que havia dito?
– Eu havia perguntado o que você está afim de fazer amanhã.
– Uh... Bem, eu não sei. Eu nunca estive em New York, então não sei por onde começar ou por onde terminar, entende? Mas, eu adoraria conhecer o Museu de Cera — sorri desviando meu olhar dos olhos deles para o interior da loja, como todas às outras lojas do Starbucks. Havia alguns adolescentes e outros casais, ou pessoas sozinhas trabalhando demais ou apenas comendo. — Mas eu não sei... Eu acho que também podemos ir ao Central Park ou a Estátua da Liberdade.
– Veremos amanhã, tudo bem? O clima em New York é meio confuso, principalmente no verão — ele disse relaxando as costas. — É impressionante como eu me sinto vigiado o tempo todo... Fico me perguntando quando isso vai parar.
– Logo, as vezes isso só dura um ano ou menos.
– Ótimo, um ano para ficar paranoico com esse negócio de observação.
– Você precisa relaxar, sabia? Se distrair, caso contrário realmente vai ficar paranoico com isso e eles irão tirar você da presidência da empresa — respondi colocando a minha mão sobre a minha barriga, na esperança de sentir algum movimento do bebê. — Tenho uma novidade para você.
– Finalmente vai falar o sexo do meu filho?
– Não, irei deixar você curioso por mais um tempo.
– Por que?
Sorri da mesma maneira que eu sorria a meses atrás, misteriosa e com um olhar inocente. Mas Percy já conhecia esse sorriso, esse olhar, então ele apenas arqueou a sobrancelha e sorriu de maneira desafiadora, cruzando os braços e fazendo seus músculos saltarem, grudados a camisa que ele usava.
– Bem... É meio que um castigo, sabe? — mordi meu lábio inferior, apoiando meu queixo na minha mão, enquanto meu cotovelo estava na mesa. Sorri de maneira dócil, procurando as palavras corretas para falar para ele, todavia, na realidade, eu apenas estava provocando mesmo. — Só falo o sexo do seu filho, quando ele se mexer... O que eu realmente eu acho que ele, ou ela, não esteja com pressa.
Ele piscou, um pouco atônito, e então foi interrompido pela garçonete que trouxe os nossos pedidos. Eu deixei o assunto para trás e me deliciei do meu Donuts e do meu chocolate quente, olhando para o lado de fora do vidro e vendo a natural movimentação de pessoas na cidade que nunca dorme.
Eu não estava criando expectativas, pelo contrário, não podia contar muito com elas, mas eu gosto de New York e acho que me daria bem na cidade, de forma que, se o Percy aceitasse a proposta — o que ele realmente não tinha muitas escolhas, afinal de contas — eu iria viver em New York como se ela já fizesse parte de mim.
Algumas coisas parecem terem sido moldadas para algumas pessoas e eu parecia ter sido moldada para a cidade agitada. Londres era o meu conforto, Chicago meu inferno, mas, e New York? Minha família tinha história aqui, foi aqui que a minha mãe conheceu meu pai e a Sally... Foi aqui que muita coisa aconteceu com ambas as famílias.
– Algo me diz que, essa proposta da sua empresa, não é um mero acidente do destino, Percy. — me voltei para ele, vendo o moreno franzir o cenho, confuso.
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