All the pain and the truth. I wear like a battle wound. So ashamed, so confused. I was broken and bruised. Now I'm a warrior.

– Quem te olha assim, realmente imagina que é Santa — Percy riu me encarando de cima a baixo.

Ele estava zombando da minha cara desde o momento em que eu pedi para ele se certificar de que não havia cobra nenhuma sob a nossa cama na cabana. Ele ria as minhas custas cada vez mais, por eu tentar esconder as manchas roxas no meu pescoço e por eu, segundo ele, estar fofa demais para um dia comum.

O problema é que: ele estava me achando fofa demais pelo simples fato de ter colocado uma saia longa com estampa de flores e uma blusa cropped mais solta branca. Para ajudar eu havia recusado meus saltos altos e apenas colocado uma sandália de dedo baixa e com a cor da pele.

– Olha aqui, Perseu, eu vou te bater se continuar me chamando de Santa! — bufei encarando ele carrancuda e com os braços cruzados. — Você sabe muito bem que não sou Santa.

– Claro, me deu uma amostra bem clara ontem anoite — ele soltou um riso enquanto eu encarava os números, esperando logo chegar no meu andar. — E, sério, Annabeth, tem medo de cobras? Pula de um carro em movimento e tem medo de cobras...

– Cala a sua maldita boca, Perseu! — murmurei olhando para ele pelo canto dos olhos e vendo seu sorriso sarcástico e brincalhão. Bufei mais uma vez e marchei para fora do elevador, indo até o fim do corredor e empurrando a porta do meu apartamento com brutalidade, sem me importar em fechar.

Ele havia tirado o dia para rir da minha cara. Duas horas e meia dentro de um carro com ele ouvindo ele zombar da minha cara com histórias de quando ia acampar com seu pai e matava cobras. Ou então com ele falando que esse tipo de visual de menininha fofa não combinava comigo, que eu deveria voltar a colocar o maiô da playboy ou então alguma coisa mais sensual, porque noventa e nove porcento do tempo eu estava vestida para seduzir ele e não para agradá-lo.

– O que houve com ela? — Thalia disse quando passei resmungando vários xingamentos para o Percy.

– Ela tem medo de cobras — o mesmo riu fechando a porta com o pé, já que suas mãos estavam ocupadas com as nossas malas. Eu estava com a visão tão vermelha que nem me preocupei de certificar se o Jason estava aqui. — Tinha que ver hoje pela manhã ela pedindo para mim olhar debaixo da cama e me certificar de que não havia cobra nenhuma esperando para atacá-la.

Ignorei a crescente vontade de chorar e sentir braços musculosos me envolvendo em um aperto apertado. Ele era baixo, não tão baixo como eu, mas baixo comparado ao Percy e também era menos musculoso, mais magro e tinha um cheiro impossível de se confundir.*

Eu estava nos braços do Jason, sentindo seu calor me aquecer demais e o seu aperto me sufocar. Percy ficou quieto, provavelmente vendo isso, percebendo que eu o abraçava de volta.

Não esperava aquela reação dele, não do Jason, eu esperava gritos e ele muito raivoso. Mas ele apenas me abraçou, com raiva, mas acima de tudo, com compaixão.

– Você é um idiota — sua voz estava mais rouca e grossa do que eu me lembrava, com um sotaque britânico bonitinho. — Está rindo da fobia dela porque provavelmente ela não te contou que a sua querida noiva a prendeu dentro de uma sala com várias cobras aos treze anos de idade e a deixou lá.

– O que? Eu não... Annie — ele me chamou confuso. Levantei meu rosto para encarar os olhos frios de Jason, vendo ele afastar meu cabelo do meu pescoço e passar o dedo ali, retirando uma boa quantidade da grande quantidade de maquiagem que eu usava.

– O corpo é meu — me afastei dele séria, ignorando o olhar do Percy. — Da mesma forma que a vida é minha, então você não tem direito de sair contando para qualquer um meus medos e fobias. Se eu não contei para o Percy que tinha medo de cobras é porque eu posso superá-lo, da mesma maneira que superei vários outros.

Ele arqueou as sobrancelhas e então me puxou, mais uma vez para o abraço apertado dele. Desta vez eu não retribui, pois estava perplexa demais para ter alguma reação a mais do que surpresa.

Jason Grace, garoto cujo eu abandonei dormindo após transar com ele a cinco meses atrás. Garoto no qual merece todas as minhas explicações bem formadas ao longo do meu caminho para cá. Garoto de deveria me odiar por não ter ouvido ele e vindo para Chicago. Ele estava me abraçando, mesmo após saber que eu estava aqui, me vingando e transando com um cara idiota que estava zombando da minha fobia por cobras após de ter me salvado desse medo ontem.

Eu não deveria me surpreender tanto com o Jason. Não deveria me surpreender tanto com o Percy. Então por quê diabos eu estava tão surpresa com ambos?

– Eu posso explicar por que eu fugi...

– Irei te poupar do discurso — ele deu um sorriso torto, então pude analisar ele melhor. Seu cabelo totalmente oposto ao de Thalia, estava um pouco mais longo do que da última vez que eu o vira, todo arrepiado como se ele tivesse levado um choque e com algumas mechas caindo na sua testa. Ele tinha a mesma pequena cicatriz nos lábios de sempre, algo como grampear o lábio quando tinha cinco anos de idade, mas isso fazia dele ainda mais bonito, não conseguia imaginá-lo sem aquele defeito perfeito. — É bom saber que sobreviveu quase seis meses.

– Vaso ruim não quebra fácil — falei usando a mesma frase que ele usará quando bateu o carro e quase morreu. Nossa, parecia que isso havia acontecido em outra vida. — Não foram poucas as tentativas de homicídio com a minha pessoa.

– Imagina, só colocaram uma bomba em um carro no qual você estava dentro, carro do qual você saltou... E é claro que foi por pura sorte que não bebeu uma taça de champanhe com veneno e... — Percy começou a listar e eu não pude deixar de sorrir. Eu era uma grande sobrevivente do mundo. Poderia ganhar um prêmio por isso.

– Tenha em mente que a sua noiva está envolvida em todas essas tentativas de homicídio com a Annie — Jason disse frio. Era assim, dócil comigo, frio com o inimigo.

Porém, Percy não era o inimigo.

Eu era uma grande sobrevivente, uma verdadeira guerreira. Eu nunca havia planejado me reerguer desta maneira, mas me reergui e se estou aqui hoje é porque enquanto não der meu último suspiro, não irei desistir de fazer jus ao nome dos meus pais e ao meu nome. Eu serei lembrada pela Rachel E. Dare até o momento do seu último suspiro, como a amiga e a inimiga que ela teve, farei da vida dela um inferno.

Tanto Jason, quanto Percy ou Thalia eram peças do meu jogo. Thalia sabia sua posição e sabia que deveria tomar cuidado quando fosse atacar. Percy havia subido uma posição, se juntado ao Jason e se tornado os bispos da rainha, que no caso era eu, então existia o Rei, que era a minha honra e a minha missão na terra, fazer jus a todos aqueles que sofreram na mão dos meus inimigos.

Foi quando me dei conta que estava na hora de mover as peças e eliminar mais uma pessoa do tabuleiro inimigo. Um cavalo importante, alguém que Rachel sentirá falta e que, a muito tempo, está invisível do meu ponto de vista.

O que os olhos não veem, o coração não sente e a mente não ferve. Mas eu não tinha que me preocupar com isso agora, se ele não saísse de jogo agora, iria sair daqui a pouco tempo. Pelas minhas mãos ou pelas da própria Rachel, mas eu queria que fosse pelas minhas, seria tão mais emocionante.

– Rachel não é mais a minha noiva — Percy simplesmente deu de ombros, se sentindo como se estivesse em casa. Na realidade, ele praticamente estava em casa, desde o acidente me envolvendo e causando a morte do Cameron ele passava mais tempo aqui do que no próprio apartamento, assim como Nico. — Ela não é mais nada que se relaciona a mim, para ser sincero. Nenhum vínculo me prende a ele e visse versa.

– Fiquei sabendo que ela havia ficado grávida de você uma vez e que foi por isso que a pediu em casamento... Se isso não acontecesse, iria enrolar ela até quando?

– Estávamos separados quando ela descobriu a gravidez — Percy deu de ombros, indo na direção do meu quarto deixar as nossas malas. Um minuto mais tarde ele voltou. — Então continuaria separado dela.

– Vale lembrar que tal gravidez nunca existiu e ela retirou o útero por livre espontânea babaquice — Thalia disse enquanto tinha o laptop sobre as pernas. Eu sabia do que aquilo se tratava, afinal, eu havia pedido isso a ela. — Sério, não precisa tirar o útero para prevenir uma gravidez. Existe preservativos, pílulas, vacinas, anticoncepcionais e mais um monte de idiotice que faz você não engravidar.

– Rachel gosta do drama, Thals — me sentei ao lado dela, lendo o arquivo da morte do pai de Cameron com atenção. — Ainda está em aberto a morte do Cameron?

– Estava fechado, o detetive do caso havia colocado como acidente e perda de controle do carro — ela me olhou. — Duas semanas mais tarde descobriram que a Rachel retirou dinheiro do inferno e pagou ele para acabar com o caso, então ele voltou a ficar aberto e veio para as minhas mãos.

– E você descobriu algo? — Percy franziu o cenho, se colocando ao meu lado e revesando seu olhar entre a Thalia e o irmão dela.

– As bombas, de ambos os carros, vieram do Vietnã, é ilegal aquele tipo de bomba no país, o que aumenta ainda mais a pena dos Dare. Mas, existe um buraco negro entre como ela chegou nas mãos da Rachel e de como ela colocou no carro. — Thalia disse esfregando os olhos e soltando um suspiro. — Ela está na pior desde que o noivado terminou, o pai foi preso e a mãe está frequentando quimioterapia e está internada em um hospital por causa de um tumor no cérebro, todavia, ela conseguiu sair da cidade e ir para New York na semana que o carro explodiu.

– Ela instalou antes? — Jason deu a sua opinião, se sentando no braço do sofá e se interessando por aquilo, por incrível que pareça.

– Não — eu e o Percy respondemos juntos, fazendo os dois nos encararem — Toda bomba precisa de um ligamento. Ela podia ter sido acionada, mas teríamos que estar perto e ela ligada por um fio — continuei enquanto Percy fuzilava Jason com o olhar e ele retribuia. O testosterona dentro da sala estava em alta. — Todavia — ele finalmente continuou a frase, ignorando Jason de repente. — Existe a bomba relógio, que pode ser programada até vinte e quatro horas antes do horário que quer que ela exploda.

– Isso tudo não se encaixa. Rachel não tem dinheiro para pagar por uma bomba, muito menos para mandar alguém instalar ela e programar... — Thalia respondeu encarando o modelo da bomba. Era pequeno, mas potente. — Quem iria fazer isso por ela?

– Alguém que aceitasse pagamento de alguma outra forma? — Jason propôs, mas Thalia rapidamente negou. Ninguém fazia esse tipo de negócio quando se trata de bombas importadas.

– Alguém que a amasse muito — Percy se jogou para trás no sofá, cobrindo os olhos com o antebraço. — Alguém que está agindo a cegas a muito tempo. O Luke.

Olhei para ele, me perguntando de como ele podia saber de tudo aquilo. Percy não era um gênio, mas ele era advogado e tinha uma boa percepção, todavia, ele não sabia que a Thalia estava me ajudando a me vingar e, se dependesse de mim, não iria saber disse tão cedo. Mas não dependia apenas de mim, agora tinha o Jason na jogada, assim como tinha a Calypso que a muito tempo não dava seu ar das graças.

– Ninguém em boa sanidade mental iria fazer isso, mesmo por amor.

– Luke iria fazer — Percy respondeu para o Jason. — Ele não tem sanidade mental e é louco de amor pela Rachel.

Massageei minhas têmporas. Por incrível que pareça as minhas dores de cabeça voltavam quando eu estava em Chicago, desta vez, ela parecia mais forte do que em todas as outras e eu gemi de dor por isso, fazendo os três me encararem e um suspiro sair da boca do Percy. Ele me conhecia tão bem que eu tinha medo.

Não era o medo de não tê-lo mais ao meu lado para sempre, era o medo de não ter ele cuidando de mim em momentos como esse, dele passando noites em claro comigo por causa de enxaquecas ou então por causa de febre.

Eu teria que fazer mais exames neurológicos essa semana e, sem um resquício de dúvida, eu iria querer Percy ao meu lado. Até quando eu iria querer ele cuidando assim de mim? Até quando, em Londres, eu ia suportar viver sem suas carícias e cuidados. Ele havia se tornado, em tão pouco tempo, a pessoa que melhor cuidou de mim, nem mesmo Zeus e Hera, tampouco Jason, havia conseguido com que eu permitisse que cuidassem de mim quanta rapidez.

Eu era como a minha mãe. Não aceitava ter outra pessoa cuidando de mim, fazendo coisas que eu poderia muito bem fazer, afinal, eu era orgulhosa demais para permitir isso, eu queria fazer tudo que pudesse e muito mais. No final, essa dor não seria mais nada do que a minha armadura de batalha.

– Aqui — Percy me estendeu o remédio que o médico havia receitado e o copo com água. Aceitei, tomando ele e deixando ele acariciar meu rosto. Impossível não aceitar algo vindo dele.

Notas finais
*Em A Marca de Atena, Piper descreve o Percy como mais baixo, menos musculoso e mais magro que o Jason, aqui é o contrario. Nossa, minha semana foi tão agitada que parece que faz éons que não posto nas minhas fics, quando na realidade não faz. Por que feira de ciências e tecnologia dá tanto trabalho? Meu deus, as vezes dá vontade que tacar os projetos no chão. Pois bem, capítulo dedicado a Tamii pela maravilinda recomendação que ela fez. Thx amorzinho e tipo, sigam o exemplo. PÉSSIMA OU BOA NOTÍCIA, ESSE É O ÚLTIMO CAPÍTULO DA FASE STAND DOWN. A próxima fase será tão diferente do resto da fanfic que alguns vão querer me matar, outros vão me amar e eu só não digo o nome porque eu ainda não me decidi sobre ele. Sério, eu tenho uns quatro ou cinco capítulos já prontos - me deu surto de imaginação - e eu to em duvida no nome do próximo, talvez se chame Secrets, talvez se chame Sorry, talvez se chame Miles. I really don't know, irei ver. Comentem, caso contrário não irei postar, estou ficando imensamente decepcionada com vocês, leitores fantasmas, caso não se lembrem, se a fic não tiver mais de 700 comentários eu não posto e eu estou pensando seriamente em aumentar, já que, o numero de leitores só cresce, diferente do numero de comentários. Bye e não esqueçam: COMENTEM.