Fire Starter
18 Nothing Left To Say
I've come too far. To see the end now. Even if my way is wrong. I keep pushing on. There's nothing left to say now. If you could only save me...
Dei um sorriso pequeno, tímido, quando os lábios do Cameron tocaram a minha testa após um elogio vindo de um dos acionistas da empresa do pai do Percy, dizendo que formavamos um casal bonito e que eu era bonita. Ele afroxou o aperto do seu braço e eu aproveitei para deixar os homens conversando.
Respirei fundo, dando um sorriso largo e indo na direção da Rachel e da Calypso, junto a elas estava ninguém mais e ninguém menos do que Stella Martin, a terceira madrinha da ruiva.
– Olá — disse ainda sorrindo, trocando um olhar com Nico. Tinha planos para hoje e o moreno era essencial.
– Decidiu parar de desfilar ao lado do Cameron Marshall? — Calypso deu uma risada contida, mandando uma piscadela para mim. — Pensei que depois do que aconteceu, nunca mais iria olhar para a cara dele.
– Sempre existe dois lados de uma moeda.
Pude perceber o desconforto da Stella com a minha presença e acabei me lembrando do que a Clarisse havia me falado.
Os fios dela eram loiros pálidos, quase branco, seus olhos eram azuis claros, mas não cinza. Ela era consideravelmente magrela, mas tinha algumas curvas marcadas pelo vestido rosa pálido. Stella não tinha nada haver comigo.
– Não te conheço — pisquei encarando ela, enquanto minha mão trabalhava em arrumar a manga do meu vestido azul.
O meu vestido era bem azul, longo o suficiente para cair em volta dos meus pés e bem colado ao meu corpo. Suas mangas eram longas e ele cobria toda a minha clavícula, minhas costas estavam nuas, exibindo alguma das minhas luas e ainda tinha um grande xis feito pelo vestido, indo de um lado para o outro das minhas costas, dos meus ombros até a minha cintura. Não dava para ver meu salto branco e o único acessório que usava era um par de brincos de diamante, bem grandes e chamativos.
– Prazer, Stella Martin. — ela estendeu a sua mão, corada e com um sorriso pequeno.
– Annabeth Chase — apertei a sua mão, sorrindo o mais largo possível e vendo a surpresa da loira. Prendi sua mão na minha o máximo de tempo possível, então soltei.
– Ouvi falar muito de você, mas não fazia a mínima ideia de que estava em Chicago — ela falou suspirando, ainda desconfortável. Calypso revirou os olhos e Rachel resolveu se intrometer.
– Desde quando está com o Cameron? Por que não me contou? Ann, ele tentou de matar! — ela exclamou jogando as mãos para o ar, com os olhos verdes arregalados. — Já parou para pensar se ele tenta te matar outra vez?
– Ele não tentou me matar, Rachel, armaram para ele. — revirei minhas íris, olhando em seguida para Stella novamente. — Me falaram que você havia colocado ela para substituir o meu lugar... Mas, não sei, ela não se parece nem um pouco comigo. Não só fisicamente, mas também no seu modo de agir.
– É, Rach, a Annie era bem mais extrovertida e opinativa — Calypso olhou para a Stella pelo canto dos olhos, sorrindo. Rachel bufou e abraçou a menina miúda, que não gostava das nossas palavras. — Stella não é assim.
– Não sou amiga dela por que sentia falta da Annie, sou amiga da Stella porquê eu gosto dela. — Rachel disse com os braços passados pela cintura fina da outra loira. Percy tocou meus ombros antes que eu soltasse uma gargalhada irônica.
– Posso roubar a Annie um pouco? Minha mãe quer conhecê-la. — Percy disse sorrindo, então Rachel franziu o cenho, procurando a mãe do Percy com o olhar e se afastando de Stella. — Oi, Stella... Faz tempo que não te vejo.
– Igualmente — ela disse sorrindo mais tímida ainda. Percy tinha efeitos sobre ela, isso era visível.
– Vamos? — ele arqueou a sobrancelha, então eu pedi desculpas com o olhar para a Rachel e segui o Percy, não me importando com a sua mão na minha cintura enquanto ele me guiava até a mãe dele. — A única coisa que quero, é que isso acabe logo.
– Por que? A festa está linda e mal começou — não olhei para ele, minha visão estava presa em uma mulher com no máximo quarenta e cinco anos, longos fios escuros e lisos, com olhos verdes como um mar revolto. Sally Jackson era linda.
– Annabeth, veja bem: Eu estou me controlando para não terminar com a Rachel pelo bem dos meus pais. Você coloca esse vestido colado e fica desfilando ao lado daquele Cameron, quando na verdade eu estou maluco para arrancar esse vestido do seu corpo...
– Não vai rasgar o meu vestido!
– ... E você ainda me pergunta por quê eu não vejo a hora disso acabar! — ele fingiu não me ouvir, continuou a falar enquanto me levava na direção da mãe dele. — Por mim eu abandonava a Rachel no altar e fugia com você.
Bufei com a fala dele, então me recompus e encarei a mulher a minha frente, perfeitamente adequada ao vestido champanhe. Ela arregalou seus olhos verdes, com um brilho emocionado presente ali, então encarou o filho e deu um sorriso largo.
– Essa é a Annabeth?
– Sim — disse sorrindo para ela, controlando a vontade de jogar um cacho do meu cabelo para trás como sinal de orgulho, já estava tão acostumada com isso que agora tinha que me controlar. — Sra. Jackson.
– Não... Mê chame de Sally — ela falou fazendo um gesto com a mão — Meu deus, quando te vi era apenas um bebê! Devia ter um ou dois anos.
– Me conhecia? — franzi meu cenho, lançando um olhar interrogativo para o Percy.
– Oh, sim, Posêidon era acionista na empresa dos seus pais — seu sorriso diminuiu consideravelmente — Por mais que a distância fossem grande, eu e a sua mãe eramos grandes amigas entende? Nos conhecemos na faculdade...
– Colúmbia — suspirei fazendo meu sorriso desaparecer. — Não me lembro de ver você no velório dos meus pais.
– Não conseguimos ir, estávamos com alguns outros problemas em Nova York.
Então conhecia o Percy? Minha família tinha contato com a família do Percy? Por que nunca soube disso, afinal? Eu não sabia as repostas, não sabia aonde encaixar essa peça do quebra cabeça, não via uma peça que se encaixasse a ela, era apenas uma peça solitária.
– Quando nos mudamos para Chicago, eu queria ir visitar você, mas as notícias do seu desaparecimento e que havia a possibilidade da sua morte ecoavam na cidade e eu não quis ir mais fundo nisso. — ela continuou falando, fazendo meus olhos se voltarem para ela novamente. — Então caiu de paraquedas aqui novamente, abafando tudo aquilo que havia ecoado...
– Podemos mudar de assunto? Não gosto muito de tocar nisso, é doloroso demais me lembrar da explosão. — arfei, fincando minhas unhas na palma da minha mão e correndo os olhos pelo salão, a procura do Cameron, a procura do Nico.
– Meu deus, me perdoe pela minha indelicadeza, você está pálida — ela olhou suplicante para Percy, respirei e expirei algumas vezes, até a névoa parar de atrapalhar a minha visão e por fim, tirei minhas unhas da palma na minha mão.
Cameron estava conversando com Thalia e com o Nico, voltei meu olhar para o resto do salão, vendo que Rachel estava de costas para mim, falando com os pais dela, então encontrei Calypso com um semblante preocupado e por fim achei Luke, entre vários outros acionistas da empresa da Rachel, ao lado do pai, gargalhando.
Respirei fundo mais uma vez, então me voltei novamente para Sally, dando o melhor sorriso para ela. Percebi que Percy não estava mais ao meu lado, o que me fez me questionar por quanto tempo eu fiquei presa no transe. Então Sally me puxou dos meus devaneios novamente.
– Sabe... Não aprovo esse casamento, a Rachel é uma pessoa fútil, sempre esteve no topo da pirâmide, nunca sofreu algo realmente importante... Percy merecia alguém melhor — ela deu um sorrisinho, olhando para a Rachel. — Sei que ele não a ama.
– Sabe?
– Sim, existe uma tradição na família do pai dele, sobre o noivado. O anel que pertenceu a bisavó do meu marido, ele foi passado de geração a geração, como sinal de amor sabe? — neguei com a cabeça, fincando o cenho. — É assim: quando o primeiro filho atinge a maioridade, os vinte e um, ele recebe o anel de noivado dos pais e ele vai usar esse anel no pedido de noivado da sua verdadeira amada, o anel irá se encaixar no dedo dela, perfeitamente... Ele comprou um outro anel para a Rachel.
Fechei meus olhos por um segundo, vendo os últimos sete anos passarem como um flash. O que estava acontecendo comigo? Não podia ter uma recaída, não agora, não enquanto estava tudo em aberto.
– Sally, se me da licença, eu vou ir falar com o meu namorado. — murmurei em um tom alto o suficiente para que ela ouvisse, então ela concordou com os olhos preocupados e eu dei costas, ignorando Percy e indo na direção do Cameron, zonza.
O barulho dos meus saltos batendo no mármore do chão ecoava pelo meus tímpanos como se eu estivesse com meu ouvido calado ao chão, o ar parecia sumir dos meus pulmões enquanto atravessava o salão. Eu estava entrando naquele transe de novo, não sabia o motivo, mas eu tinha que me controlar, pelo meu bem.
Abracei Cameron e comecei a contar minhas respirações, cravando minhas unhas nas suas costelas cobertas pelo terno Armani. Inspira. Expira. Inspira. Expira. Eu tinha que voltar a sanidade, não podia simplesmente ter um surto aqui, não podia voltar a ter surtos por causa do meu passado.
– Annie? — Cameron levantou meu queixo, com o olhar preocupado. Ainda assustada me aproximei ainda mais dele e selei nossos lábios, vendo que era a forma mais rápida de sair do transe que a Sally havia me colocado. — Ele terminou com você? — ele questionou próximo ao meu ouvido, baixinho e me fazendo encarar ele sem entender. — Seu caso com o noivo, ele terminou com você?
Neguei com a cabeça, assustada. Não apenas assustada por ele saber, mas assustada por ele falar isso tranquilo, por ele ainda estar comigo e por ele não ter dito como alguém que julga.
– Como sabe do meu...
– Já faz tempo que sei disso, desde de dezembro, para ser mais realista. — ele falou me abraçando de novo. — No início de julgava, mas depois que me explicou todo o motivo de vir para cá, eu te entendi e vi que não faz isso por que quer, mas sim porquê é necessário.
– Isso aconteceu poucas vezes, eu juro, e não, não fiquei daquele jeito porquê ele terminou comigo... Sinceramente, não me importaria se ele terminasse comigo, eu não amo ninguém.
– Confortante ouvir isso — ele deu um sorriso de lado. Sorri de volta para ele, vendo as luzes do ambiente diminuírem. — Por que ficou daquela maneira então?
– Sally foi indelicada comigo, fez questão de me lembrar todo o meu passado e de relembrar a explosão. — suspirei afastando tudo aquilo da minha cabeça. — Aquilo as vezes acontece quando volto ao passado.
Cam suspirou e me puxou para perto dele novamente, dando um beijo na minha cabeça e então apoiando seu queixo ali, abracei sua cintura, sentindo as pontas dos seus dedos acariciarem a pele exposta das minhas costas. Cameron era o oposto do Percy, ele me entendia, compreendia e não me julgava pelos meus atos, além de ser romântico e cavalheiro.
Percy era apenas o meu amante, era apenas um peão dos dois lados do xadrez, eu gostava do prazer que ele me proporcionava, mas era apenas isso: prazer. Não conhecia o passado do Percy, apenas conhecia a figura, o personagem, que ele me passava hoje. Cameron era um livro aberto comigo, assim como eu era com ele, mas entre o Percy e eu havia um abismo gigante de segredos.
Minha atenção foi desviada por um gemido alto, saindo das caixas de som, imediatamente comecei a procurar a origem principal e logo encontrei, vendo não só os meus olhos, mas sim ou de todos os convidados, presos no telão que exibia uma cena desagradável da Rachel com o Luke.
– Aprontou isso?
– Não — balancei a minha cabeça, procurando Calypso com o olhar. Ela havia sumido. Olhei para o Cameron e depois para o olhar pasmo de todos ao redor, Sr. Dare parecia pronto para matar alguém, enquanto a Sra. Dare cobria os lábios com as mãos, espantada ao lado da filha.
A cena mudou, voltou no tempo, mostrando um a porta de um quarto de hospital com o número 212. Com um piscar, a câmera mostrou o lado de dentro do quarto, onde Rachel desligava os aparelhos respiratórios da menina e então, precionava um travesseiro no seu rosto, até ela parar de se debater.
– Você? — Cameron questionou quando engoli em seco, cravando minhas unhas na palma da minha mão novamente. Concordei, vendo a cena voltar para o presente e o vídeo ganhar áudio.
– A culpa é sua, Rachel, totalmente sua! Se você fosse esperta e tivesse feito o seu trabalho corretamente a sete anos atrás, se você não tivesse tido medo ou pena daquela garota, hoje ela não estaria aqui, podendo colocar tudo o que construímos abaixo! Se aquela órfã se colocar no meu caminho, no nosso caminho, eu faço com ela o mesmo que fiz com os pais dela! Eu explodo ela, assim não vai sobrar pedaço para contar a história.
– Pai... O que quer dizer com entrar no seu caminho?
– Arruinar o império que construí, Rachel, seja menos burra garota — o pai dela esfregou os olhos e então encarou a filha novamente — Se case o mais rápido possível com aquele garoto, precisamos nos reerguer novamente e eu tenho a impressão de que aquela garota vai estragar a sua vida.
– O que eu faço depois de me casar com o Percy?
– Fica com ele, sua bastarda! Foi burra demais ao tirar seu útero, um filho daquele idiota iria render uma fortuna para nós... Estamos afogados em dívidas, afogados, quem vai bancar o seu casamento e a sua madrinha, por mais que eu deteste aquela bastarda que a sua mãe chama de irmã.
Os murmúrios tomaram conta do salão, então eu senti um toque no meu braço, pensei ser do Cameron, mas o Cameron não usava anéis e pulseiras, então me virei e encontrei o rosto da Calypso desolado e desesperado. O que havia acontecido com ela?
– Não foi você, foi? — ela disse com a voz rouca, segurando o choro.
– Não... Pelo jeito também não foi você. — ela negou com a cabeça, respirando fundo e então olhando para o telão novamente, aonde havia voltado para a cena de sexo entre a Rachel e o Luke, não era a mesma, mas era visível que era recente, devido a tatuagem na costela da ruiva. — O que houve?
– Meu pai... Assaltaram a casa e ele foi baleado. — ela precionou as suas têmporas, massageando em seguida. — De tudo que eles podiam levar, eles levaram as coisas que pertenciam a minha mãe.
– Na época que conheci ele, Percy era o tipico pegador da universidade e eu não dei muita bola, até porque eu realmente queria me focar na faculdade. Mas meus pais descobriram que ele estudava comigo e ele é tipo... O único filho de um dos maiores magnatas do país, então me aproximar dele, foi apenas por aparência e por que eu queria fazer o meu nome... O resto você já sabe, como me aproximei dele de verdade.
– Então não estava naquela palestra por causa do assunto?
– Não! Eu só me coloquei lá por pedido dos meus pais, foi tudo programado. O casamento é apenas para enriquecer a minha família e fazer com que meu nome seja significativo, porém ele não sabe disso.
– Você só se enriquece se ele morrer, a junção dos bens só vale totalmente em caso de morte. Caso ele não morra, a junção é parcial, você apenas vai ficar com aquilo que ele comprou após o com casamento.
– Eu sei disso, tanto que Luke vai me ajudar a matá-lo sem deixar pistas, seria como um ataque cardíaco.
– Ele tem vinte e três anos, Rachel. As pessoas normalmente não tem ataques cardíacos aos vinte e três.
– Sei lá o que vai acontecer com ele! Overdose, assassinato, acidente no trabalho ou acidente de carro. Ele apenas vai morrer e eu serei milionária.
Tudo aquilo me havia feito voltar para o final de novembro, no dia em que havia gravado aquele áudio, no dia em que tivemos aquela conversa, no dia em que beijei o Percy pela primeira vez. Calypso ainda estava ao meu lado, me encarando como se já soubesse daquilo, talvez ela soubesse, ela sabia desde o início que a Rachel tinha um propósito para ficar com o Percy.
Agora vinha a pergunta: O que o Percy iria fazer?
– Quem fez isso?
– Alguém que quer a Rachel ferrada ou o Percy longe dela.
– Vem cá, quem era a amante do Percy durante a faculdade? Rachel havia comentado isso comigo a algum tempo...
– Era a Stella, ela caia de amores por ele e decidiu pedir transferência para a Califórnia logo depois que ele pois um fim no caso deles. — Calypso revirou os olhos, bufando. — A Olivia Palito está de volta...
– E pode estar disposta a ter o Percy para ela.
– Acha que ela fez isso?
– Quem sumiu e ainda não reapareceu? — arqueei a minha sobrancelha, ela olhou ela salão e então arregalou os olhos. Ela abriu a boca para falar algo, mas Percy passou por mim, feito um furacão, agarrando o meu braço e me puxando para o jardim.
A chuva caia fortemente, caindo freneticamente no lago e eu me controlava para não pisar ou tropeçar no meu vestido enquanto o moreno me puxava pela passarela coberta até a casa dos barcos. Apenas lá ele parou, com o rosto vermelho de raiva e respirando com dificuldade.
– Você sabia o tempo todo... O tempo todo.
– E por isso te avisei que o melhor era você ficar com a Rachel, ou você prefere ver seus pais mortos? Percy, você é cego por acaso? — falei puxando meu braço da sua mão. — Chloe, eles mataram a Chloe e eles te sequestraram. Eles explodiram os meus pais, a mãe da Calypso e agora o pai dela está no hospital por ter sido baleado por eles. Só tem um jeito de acabar com eles, jogando.

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