Fire Starter
19 Decode
The truth is hiding in your eyes. And it's hanging on your tongue. Just boiling in my blood. But you think that I can't see. What kind of man that you are? Well, I'll figure this one out.
Encarei Percy por alguns minutos a mais. Não tinha nada a perder. Não tinha nada a temer. O vídeo tinha sim desviado algumas coisas do meu plano, mas nem sempre as coisas saem como queremos, infelizmente, essa é a lei da vida. Agora eu tenho que achar um jeito de continuar.
Peguei a barra do meu vestido e olhei uma última vez para o Percy, vendo que os seus olhos não mostravam toda a verdade para mim. Estamos no século vinte e um, o século onde a depressão, as mentiras, os segredos e o poder montam o seu caráter.
– Não deveria me odiar, deveria me entender. Muitas pessoas naquele salão devem estar rindo da sua cara nesse momento, muitas devem estar sentido pena de você, muitas devem estar achando que você é lerdo a ponto de não ver o caso da sua noiva com o seu melhor amigo — me virei, indo na direção da porta. — Não deveria odiar a mim, não fui em quem te trai, não fui em quem matou sua irmã, não será eu quem irá matar os seus pais.
– Fui eu, Annabeth, eu mostrei aquele vídeo — ele falou rispido, me fazendo virar e encarar ele mais uma vez. — Achou que eu não sabia que a Rachel e o Luke tinham um caso? Não sou lerdo a esse ponto.
– Então por que ficou bravo quando viu a segunda parte do áudio?
– Nico montou o vídeo, dei as cenas para ele e pedi para ele montar, o vídeo ficou pronto antes da festa... Não imaginava que Nico tinha aquilo — ele revirou os olhos — Se me dá licença, eu tenho um noivado para terminar e um assassino para colocar na cadeia.
Ele passou por mim, sem me tocar, e marchou pela passarela coberta. Não era a Stella então, não era a Olivia Palito quem tinha mostrado o vídeo. Mas então, por que ela havia sumido?
Apertei meus dedos no vestido e caminhei pela passarela, ignorando os olhares curiosos dos convidadas ainda presentes quando entrei. Procurei Calypso, mas outra cena chamou a minha atenção e me fez esbarrar na Thalia.
– Por que a Rachel está de joelhos?
– Cinco minutos fazem muita diferença — Thalia riu, me fazendo encará-la com ponto de interrogação na cara. Ela me olhou e soltou um suspiro. — Percy terminou com a Rachel e ela caiu de joelhos, implorando por perdão e dizendo que ama ele... Aonde ela acha fôlego para tanta falsidade?
– Não sei, Thals. — procurei o pai dela com o olhar. — Aonde está o pai da Rachel?
– Desapareceu, mas já chamei o meu departamento e estão procurando ele, deixou o carro aqui, está apé, então não vai ir muito longe. — Thalia era uma genia, minha fada madrinha, mas não era isso que eu queria.
Percy tinha derrubado o rei e a rainha, mas ele tinha feito isso errado. Ainda tinha muitos peões em jogo, todos podiam se juntar e acabar com ele... Tinha algo a mais, algo estava faltando, era como um quebra-cabeça e a última peça dele estivesse perdida, não revelando o que estava por trás.
Queria decifrar o que estava por trás, queria descobrir a senha do código, queria acabar com isso, mas simplesmente não dava agora que o Percy tinha quase arruinado meus planos. Tinha que fazer algo para impedir que o pai da Rachel pegasse prisão perpétua o quanto antes.
– Eu conheço esse olhar... Não gostou da cena de hoje, não é?
– Nem um pouco... Se o Dare pegar prisão perpétua, vai ir tudo por água abaixo, vai ser como um trem que saiu dos trilhos e explodiu tudo ao seu redor. — essa era a coisa certa, um trem que saiu dos trilhos e explodiu tudo ao seu redor.
Percy estava na frente desse trem agora e sem dúvida alguma, o trem passaria por cima dele. A vida dele corria perigo, não seria apenas os pais dele a morrer, mas também seria ele. O Dare podia fazer o que quisesse com um estralar de dedo, mesmo dentro da prisão.
– Eu sabia de tudo Rachel, nem adianta mentir falando que era o troco, eu sei que não era. A sua família é podre, você é podre, eu estava cansado de você e das suas mentiras, dos seus segredos. — Percy gritou, desviando a minha atenção para ele novamente. — Você é falsa, persuasiva e manipulável. Eu nunca te amei, eu apenas pedi você em casamento por dó, mesmo sabendo que você tinha tirado o seu útero por livre espontânea vontade.
– Não, Percy, eu tinha perdido o nosso bebê — Rachel disse com as bochechas molhadas. Luke olhava sem entender a cena. — O médico disse que eu nunca mais poderia engravidar, então eu...
– MENTIROSA! — Percy gritou, fazendo algumas mulheres tamparem os lábios com as mãos. Era a primeira vez que eu via o Percy tão fora de si, aquilo me assustava, mas me mostrava que ele não era tão bobo assim. — Quando você tiver algum caráter, quem sabe eu pense em voltar a olhar para a sua cara, Rachel, mas eu desejo, do fundo do meio coração, que você apodreça na cadeia, junto com os seus pais.
Aquilo me fez voltar a três anos atrás, quando eu treinava para a minha vingança, quando eu tinha esse pensamento toda vez que me lembrava da dor que os Dare me causavam.
Eu lembro que eu falava: "Quero você apodreça na cadeia, que saia de lá tão velha e feia que ninguém será capaz de olhar para você, ninguém se lembrará de você". Mas então eu vi, a prisão era pouco para a Rachel, eu queria que ela sofresse o que eu sofri, então iria tirar tudo de mais precioso dela. Família, dinheiro, beleza. Iria deixá-la sem nada.
Ainda irei fazer isso, ainda irei matar os pais dela, ainda irei olhar para a cara da Rachel, uma Rachel acabada e sem nada, e iria dizer: "Eu venci, Rachel. Eu venci, porque quem ri por último, ri melhor."
Ainda falaria aquilo, ainda iria humilhar a Rachel da mesma maneira que ela me humilhou. Mas para isso, eu precisaria tirar o Luke dela, pois era ele quem lhe dava maior apoio, não o Percy, o Percy era o seu troféu, mas o Luke era o caminho para a linha de chegada.
Ela já havia perdido o Percy, agora iria perder o Luke e a Stella, por a Calypso eu conseguira para mim com um piscar de olhos. A vida da Rachel agora seria como tentar andar na água, complicada e cheia de tombos, porque é impossível andar na água.
❤
Esfreguei meus olhos, caminhando em direção a porta com uma camiseta branca justa e a minha cueca feminina da faculdade, sonolenta por ter ido dormir tarde demais e por ter sido acordada antes do que eu precisava pela campainha. Thalia estava bem tranquila, dormindo no seu quarto e sonhando com sei lá o que, mas nunca acordando com o barulho insistente da campainha.
– Logo cedo? — resmunguei coçando meu olho mais um vez, soltando um bocejo junto. Ali estava Nico, com o seu laptop e com uma cara de quem passou a noite bebendo café. — Você dormiu por acaso?
– Não — ele disse dando um beijo na minha bochecha e entrando no meu apartamento. O sol entrava pelas brechas da cortina branca, indicando que o temporal de ontem a noite não continuaria pelo resto do dia. — Rachel ligou a noite inteira para o Percy, tanto que ele tacou o celular na parede, então assim que amanheceu ele saiu para comprar outro.
– E o que isso tem haver com a sua presença aqui? — arqueei a minha sobrancelha, cruzando os braços.
Ele fez um sinal para que eu esperasse e então se sentou, aproveitei que ele mexia no seu laptop e fui até a cozinha, peguei um copo e abri a geladeira, despejando o suco ali. Voltei para a sala e me sentei ao lado do Nico, vendo que ele uma porção de vídeos e ao lado um vídeo em tempo real da casa dos Dare rodando.
– Rachel fez as malas após desistir de ligar para o Percy, ou seja, após ele explodir o celular e tirar o telefone fixo da tomada — ele apressou o vídeo um pouco, então mostrou a Rachel abrindo uma mala grande. Abri a boca para falar algo, mas ele mandou eu ficar quieta, pegando e abrindo outro vídeo, dessa vez de um escritório. — Ela passou mais ou menos a uma hora seguinte indo do escritório do pai para o quarto dela, com vários papéis e pastas nas mãos, jogando tudo dentro da mala e então, abriu isso aqui. — ele pegou um outro vídeo, deixando os outros três rodarem por trás.
Desta vez o vídeo era do closet, vazio por quase um minuto, então depois Rachel apareceu arrastando a mala já fechada, foi até o ponto exato de onde a câmera pegava e abriu um alçapão no teto, deslizou a escada e começou a subir com a mala, um minuto depois ela desceu sem a mala.
Apertei o copo na minha mão, vendo o vídeo se repetir atrás, e então encarando o em tempo real. Eram quadrados minúsculos mostrando cada canto da casa, cada cômodo, e um deles me chamou a atenção.
– Aumenta aquele dali, do quarto da mãe da Rachel — falei para o Nico, indicando o quadrado. Ele aumentou e junto a isso aumentou o som.
A conversa foi curta, a Mãe da Rachel não falou nada muito além de quanto tempo e o que ela poderia fazer, então ficou em silêncio, ouvindo com atenção o que a pessoa do outro lado da linha dizia, então concordou e desligou o celular, olhando para o nada ela caiu no choro.
– Daria tudo para saber se ela falava com o advogado da família — mordi meu lábio inferior. Me virei e encarei o Nico, dando um sorriso torto e depois fazendo um biquinho para ele.
– Consigo fazer isso por você — ele revirou os olhos, apertando a minha coxa com uma mão.
– Obrigada — disse e lhe dei um beijo na bochecha, ele ainda usava a calça e a blusa social de ontem, mas a blusa estava com vários botões abertos, mostrando parte do seu peitoral definido. Não tão definido quanto o do Percy. — A polícia vai ir atrás de vídeos e verá aquele com a mala.
– Não, não verá — ele sorriu, revirando ou olhos — Eu pensei em tudo para você, Annie... Pouco antes de chegar, Percy e a Rachel viajaram com os pais dela, deixando a casa vazia. Desliguei as câmeras por algumas horas e achei micro-câmeras da melhor qualidade possível em todos os cômodos, não tem câmeras oficias nos closets, nos quartos e no escritório do Dare, são as minhas.
– Então a polícia não pode achá-las?
– Lógico que não! São muito pequenas — concordei com a cabeça, pensando no que eu podia fazer para conseguir aqueles papéis para mim, se a Rachel estava escondendo eles, era porque eles tinham importância.
Deixei o copo intacto sobre a mesa de centro e passei os dedos no meu cabelo, olhando para cima e encontrando o olhar sonolento de Thalia desviando do Nico para mim e voltando para Nico. Agradeci por seus dedos estarem digitando de maneira feroz e não na minha coxa, Thalia era um tanto possessiva demais.
– Acordei com a falaria de vocês.
– Ah! Você acorda com a gente falando mas não acorda com o seu namorado tocando a campainha sem parar? Coisa engraçada — bufei, revirando meus olhos e me jogando para trás. Me lembrei de um detalhe e sorri, pegando o copo sobre a mesa e tomando todo o seu líquido rapidamente.
Ainda era oito e meia da manhã de sábado, Percy já devia ter voltado com um novo celular e eu acho que ele precisava relaxar um pouco. Dei um pulo, deixando o copo na mão da Thalia e caminhei as pressas para o meu banheiro, lavei meu rosto, fiz minha higiene matinal e penteei meu cabelo.
Eu estava pálida demais, com pequenas olheiras abaixo dos olhos, que rapidamente foram cobertas pelo corretivo, pensei em passar batom, mas não ficaria tão natural quanto eu queria que ficasse. Passei os dedos no cabelo novamente, fazendo a cascata de cachos caírem sobre meu ombro até a minha cintura, não estavam controlados e nem descontrolados, estavam soltos e bonitos, quase naturais. Calcei minha sandália de dedo e acenei para o Nico e para a Thalia, abrindo a porta e indo na direção do elevador. Depois de quase um minuto ele chegou vazio, apertei três andares abaixo do meu e esperei, agradecendo por ninguém chamar o meu elevador.
– Oh! Oi... Luke — mordi meu lábio ao trombar com ele no corredor. Ele me olhou de cima a baixo e por um segundo eu pude ver a luxúria nos seus olhos, ele gostava do que via, afinal a blusa branca era justa e eu estava sem sutiã, minha cueca feminina de Cambridge não cobria minha bunda por completa — Ia ir ver o Nico.
– Ele saiu... Mas já deve estar voltando — ele falou e eu percebi que ele tinha várias malas.
– Vai viajar?
– Me mudar, depois de ontem, Percy não mê quer ver nem pintado de ouro — ele falou e eu concordei com a cabeça, acenando para ele eu fui em direção ao apartamento, vendo Luke me olhar por um segundo e depois entrar no elevador.
Percy abriu a porta com a expresso fechada, mas seu olhar se iluminou um pouco quando mê viu. Entrei rapidamente, ouvindo ele fechar a porta e depois tranca-lá, então me encarou com luxúria.
– Acho que alguém precisa relaxar — mordi meu lábio, com a expressão travessa.

Fale com o autor