Fire Starter
20 Long Way Down
Walking on the rooftop. Talking of times. With our eyes a glowing. Like the city lights. It looks so high. You know it's a. Long way down.
Pisquei, querendo um primeiro passo do Percy, não querendo ser fácil, como fui desde o momento em que coloquei meus pés em Chicago.
Todo aquele calor e aquela vontade havia desaparecido, virado névoa, evaporado e ido para algum lugar na atmosfera. Não sabia o que estava fazendo ali, não sabia distinguir o olhar do Percy sobre mim, era um misto de luxúria e de temor, como seu eu fosse um monstro prestes a tirar a vida de toda aquela cidade ao nosso redor.
– Está tudo bem? Sua feição mudou de repente. — Percy franziu o seu cenho, me fazendo piscar e encarar ele. O que eu estava fazendo? Contei a Cameron toda a verdade e disse que ele não me merecia, mas o Percy não me merecia também.
– Estou, vim te fazer uma massagem — sorri de maneira mínima, sem ir longe demais. Ele arqueou a sobrancelha e então sorriu, de uma maneira que só ele sabia fazer. Fechei meus olhos, sentindo ele se aproximar e as suas mãos se encaixarem na minha cintura, ele colar nossos corpos e aos poucos aproximar nossos lábios. Não sabia se eles estava fazendo isso por medo ou por amor, era lento, com beijos curtos e pequenos selinhos, uma ou outra puxada de lábio, era amor ou medo? — Ei... Não, para.
– O que? De te beijar? — ele arqueou a sobrancelha novamente.
– De fazer isso de maneira romântica.... Não combina comigo, não combina com você, não combina com nós dois! Nunca fomos românticos e quer ser agora, por quê? — indaguei, arregalando meus olhos de maneira desesperada.
– Bem — ele contraiu os seus lábios. — Não estou mais compromissado com uma pessoa demoníaca. — então seus lábios se puxaram para um sorriso torto — Mas se você prefere trair o advogado da maneira pela qual eu traía a Rachel, não é problema.
Foi em um piscar de olhos, antes eu estava com os dois pés no chão e logo depois estava com as minhas pernas abraçadas no quadril do moreno, com seus lábios sedentos atacando o meu pescoço como um vampiro ataca por sangue. Não sabia se queria o romantismo ou a selvageria, mas no momento eu não queria sexo, queria conversar... Fugir da realidade em que vivíamos.
Ele estava com a Rachel, então eu era a amante e, agora que ele e a Rachel estavam longe de ser um casal, eu estava com o Cameron e o Percy era o amante desta vez. Mas eu queria um caso estilo traindo a Rachel ou algo traindo o Cameron? Não amava o Cameron, gostava da companhia dele, mas a ponto de ser... Desonrada?
– Não sou o único que precisa relaxar — Percy me jogou na cama dele, eu estava tão dispersa que nem senti os passos. — O que há de errado?
– Pensamento cheio, mente cheia... Coração vazio — dei um sorriso torto — Nada que não possa resolver sozinha.
– Hm... Não ama o Cameron?
– Nunca te disse que sou a prova de amor? Tomei vacina, bebê — dei batidinhas fracas no rosto dele, deslizando minha mão pelo seu pescoço e pegando a gola da sua blusa branca. — O que eu tenho com o Cameron — puxei ele para mais perto, deixando nossos lábios a centímetros de distância. — É apenas sexo, não sou mulher de um homem só, Percy.
– Desde quando? — ele franziu as sobrancelhas. Revirei meus olhos, aproximando nossos lábios.
– Desde... Hm.. Hu, desde o momento em que a única pessoa que eu amei me trancou em um carro e colocou fogo.
– Está com ele agora.
– Isso não muda minha opinião sobre o amor — mordisquei seu lábio, deixando um sorriso se formar nos meus lábios. — Tira essa camisa e deita ai, vamos relaxar os músculos.
Me afastei do Percy, ainda com um sorriso nos lábios, voltando a sanidade, voltando ao motivo pelo qual eu estava aqui. Perdi a razão por questão de minutos, pensando que eu e o Cameron teríamos futuro. Não teríamos. Isso era muito mais que óbvio, era a palavra dele contra a minha, iriam acreditar no homem que colocou fogo em um carro ou na mulher que estava dentro desse carro consumido pelas chamas?
Cameron achava que de muito sabia, mas não sabia de absolutamente nada.
– Deita de bruços — pisquei, desviando meu olhar do abdômen definido do Percy para seus olhos. Peças, adorava manipula-las.
Ele deitou na maneira que eu havia exigido, então me sentei na sua lombar e coloquei as minhas mãos nos seus ombros, apertando meus dedos sobre seus nervos.
– Qual é a sua opinião sobre o amor? — ele gemeu enquanto falava, no momento em que apertei seu nervo.
– Que é besteira, faz você mudar completamente, você fica parecendo uma idiota, toda apaixonadinha e idolatra a pessoa, mas isso um dia acaba, o amor é inútil, a linhagem dos Chase vai acabar em mim, eu tenho certeza — fiz um biquinho, revirando meus olhos, com indiferença. Me apaixonar para que? Para me iludir com falsas declarações de amor, para fingir um casamento dos sonhos e formar uma família perfeita? — Mas o amor tem diferentes pontos de vista... Um amor de uma mãe por um filho é de fato incondicional, assim como o de um filho por uma mãe... Mas pai nenhum tem esse sentimento, ele só contribuiu com o espermatozoide, como se fosse uma doação, ele produz vários, milhares, deles por dias, já nós mulheres não... Nós ovulamos uma fez por mês, engordamos e aguentamos o peso de um bebê por nove meses, vale a pena, Percy... Cada movimento do bebê, afastando seus órgãos, é mágico, cada chute dele, é uma dádiva! Então aquele ser pequeno, indefeso e lindo — apertei com mais força seu nervo, ouvindo outro gemido, mais alto, desta vez. — vem ao mundo e é a obrigação da mãe, aquela mulher que amou cada momento dos nove meses, proteger ele... Mas ele cresce e vai ver a mãe morrer um dia, não quero isso para mim, não quero que meu filho me veja morta. Por isso não terei filho e por isso não irei amar.
– Não precisa amar para ter um filho.
– Eu sei, por isso tomo cuidado — sussurrei no seu ouvido, dando um beijo na sua nuca em seguida. — Amar não vale a penar, machuca demais e, eu acho, que já fui machucada o suficiente para um vida.
– Tira a blusa e deita de bruços — ele ordenou se apoiando nos cotovelos, suspirei e fiz o que ele mandou. Tirei minha blusa, ficando apenas com a cueca feminina e me deitando de bruços.
Ele colocou cada perna em um lado do meu corpo, sem apoiar todo seu peso em cima de mim, e começou a massagear os meus ombros, descendo para as costas e depois subindo novamente.
Ficou um silêncio suportável por algum tempo, hora ou outra eu gemia com a força dos seus dedos no meu corpo.
– Pretende morrer sozinha?
– Sim, não quero que ninguém sofra por mim, ninguém... Não vou amar, casar, ter filhos, nada de sofrimento.
– A solidão é um sofrimento — ele falou e beijou a minha nuca, descendo o beijo pelo meu pescoço e beijou a minha primeira lua, a Lua Nova.
Demorou para mim notar, mais ele estava beijando e mordiscando cada uma das luas das minhas costas, até o meu quadril, então depois ele voltou a beijar elas, subindo novamente, demorando o beijo na Lua Cheia e me tirando um suspiro.
Ele continuou a me beijar e mordiscar, até o meu pescoço, mordeu meu lóbulo e eu pude sentir um sorriso de formar enquanto ele beijava um ponto atrás da minha orelha, me fazendo engolir em seco, e chamando a atenção dele.
Afundei meu rosto no travesseiro e gemi, sentindo seus dentes mordiscarem a pele sensível do meu pescoço. Pelo menos ele não perguntou o motivo pelo qual eu engoli em seco, seria doloroso demais ter que voltar ao passado outra vez, apesar de viver por uma vingança de algo do passado, voltar para ele novamente seria tão doloroso quanto permanecer nele.
– Tudo bem, eu tenho a certeza absoluta que você não está bem — Percy disse saindo de cima de mim e se sentando ao meu lado na cama, então me virei, deixando o meu cabelo cobrir meus seios nus. — Quer conversar?
– Não é nada demais — dei um sorriso torto, procurando as suas mãos. — É apenas o meu passado me assombrando novamente.
– Não deixe, contar os seus medos ajudam a superá-los.
– Meu único medo é perder mais gente do que já perdi, mas mesmo assim quero ficar sozinha, com o meu orgulho e com o meu ego me consumindo por completo, Percy, é assim que eu deveria ter sido desde o início, solitária. Tinha um objetivo aqui e me perdi, por ter...
– Está culpando os vínculos por ter vacilado em algo? Annie, vem cá, nos vamos sempre errar em algo, quando não dá certo é porque acabou — ele falou me sentando, então encaixou suas mãos no meu rosto. — Quando acaba, é porque o caminho que estávamos fazendo esse trajeto acabou, a porta que abrimos para começá-lo se fechou e invés de sorrimos para a porta que se abriu, ficamos ali, parados no meio do caminho olhando para a porta fechada. Não podemos parar, você não pode, será como ter desistido de continuar a viver simplesmente porque não saiu do jeito que desejamos.
– Não vou deixar de viver porque essa tal porta se fechou, mas o caminho foi curto demais, Percy, acabou logo demais! — arregalei meus olhos, vendo que tinha algo errado nisso. — É como se a porta não tivesse sido fechada, mas como se um abismo tivesse se aberto no caminho, impedindo a minha passagem.
– Então ache uma maneira de passá-lo, não pode parar por causa dele, a questão é não desistir, obstáculos fazem...
– Parte das nossas vidas, sempre irão aparecer quando deixamos alguma coisa cair no meio do caminho... As vezes terei que andar para trás, para recuperar o que perdi, mas não posso sempre andar para trás, as vezes apenas perdi a minha força de vontade para continuar — suspirei olhando para os seus olhos verdes, então me aproximei mais dele, me sentando no seu colo e envolvendo seu rosto com as minhas mãos. — Não sei o que eu deixei cair.
– Volte para trás e descubra, é a única maneira de saber o que perdeu — ele deu um sorriso de lábios fechados, mas mesmo assim as covinhas se formaram nas suas bochechas, deixando ele ainda mais lindo. Beijei ele, sentindo um calor percorrer meu corpo e suas mãos me apertarem mais a ele. Um longo caminho a seguir.

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