Where the past comes back to life. Fight fear for the selfish pain. And it's worth it every time. Cause you are the piece of me. I wish I didn't need.

Apertei meus olhos com força, mesmo com eles ainda fechados, podia ver a luz incandescente queimar através das minhas pálpebras. Meu corpo, cada centímetro dele, doía absurdamente e demorou um pouco para que eu me lembrasse do que eu havia provocado.

Então os barulhos ao meu redor começaram a fazer sentindo. Os bipes indicando a minha frequência cardíaca, o oxigênio entrando pelas minhas narinas e causando certa cócega na mesma. Respirava com a ajuda de aparelhos.

– Bom dia, Bela Adormecida — ouvi a voz, mais demorou para que eu a reconhecesse. Abri meus olhos aos poucos, primeiramente tendo a visão do teto branco e da luz extremamente forte, desviei dali rapidamente, vendo a imagem desfocada da Thalia a minha frente. — Como se sente?

– Péssima — minha voz saiu rouca, arranhando a minha garganta como navalha e como consequência, fiz uma careta de dor. — Pergunta mais idiota de se fazer para alguém que está respirando com a ajuda de aparelhos...

– Fique menos na defensiva — ela bufou ajustando a minha cama para que eu pudesse me sentar. Ao julgar pelas suas roupas, ela não estava ali para uma simples visita. — Quebrou uma costela e quase perfurou seu pulmão... Além de ter feito um belo corte na cabeça.

Se ela não tivesse falado, não sentiria tão cedo a pressão nas minhas costelas, muito menos a fisgada em um ponto na lateral da minha cabeça que me causou uma terrível careta.

Estava completamente inválida, tentando me recordar do motivo que me levou a fazer aquilo. Não me lembrava, apenas me lembrava de ver o carro explodir contra a enorme montanha.

– Não me lembro do motivo exato pelo qual fiz isso... — resmunguei frustada, era ridículo ter tido uma crise de amnésia agora. — Eu lembro de sair nervosa da casa da mãe do Cameron, de não ter a mínima vontade de falar com ele e me recordo dele tentando me machucar dentro do carro... Mas entre essas recordações existe um branco enorme, um vazio, então o carro explodiu contra a montanha.

– Não se lembra de saltar do carro? — ela franziu seu cenho, fazendo com que seus olhos azuis eletrizantes assumissem um tom de preocupação normalmente não visto neles. — Annabeth, está me dizendo que está com amnésia?

– Não é exatamente amnésia, é um bloqueio mental — suspirei e fechei meus olhos, tentando ao mínimo me lembrar do motivo que levou ele a apertar a minha intimidade com uma força bruta. — Faz quanto tempo que estou aqui?

– Uma semana — ela soltou um suspiro. — Meus pais queriam vir para Chicago, mas Jason voltou a fase rebelde e está perigoso deixá-lo sozinho mais uma vez. E bem, você passou por algumas cirurgias não tão importantes... Mas mesmo para a costela e por causa do corte não tão profundo na cabeça, seu crânio não quebrou, mas eles ficaram com medo de uma hemorragia cerebral. — ela fez uma longa pausa, talvez procurando palavras, talvez não sabendo o certo a dizer. Depois de alguns minutos, seus olhos caíram sobre mim novamente — Cameron morreu, não na explosão, mas enquanto vinha para o hospital... Os médicos disseram que mesmo que ele sobrevivesse, ele seria paralítico. Provocou isso?

Neguei com a cabeça, com o cenho franzido. Minutos mais tarde eu concordei, então bufei e dei ombros, se eu havia pulado do carro, de alguma forma eu havia provocado isso. Como um supetão, a realidade caiu sobre mim e me vi procurando câmeras pelo quarto.

Havia provocado isso, havia de fato desejado que ele morresse e de fato, ele morreu. Ele foi o meu inimigo desde o início e eu nem me dei conta disso, nem sequer me questionei para quem ele trabalhava.

Thalia percebeu a minha mudança de expressão e me encarou confusa, em um murmuro seco, contei a ela tudo o que havia acontecido, nos mínimos detalhes, vendo então que ela anotava tudo, tirando as partes que podiam me prejudicar, em um bloco branco.

Mais tarde, pouco antes dela sair, descobri que ela estava aqui para pegar o meu depoimento sobre aquela noite, então disse que ficaria em observação por mais alguns dias, aberta a visitas e respirando com aparelho até que o meu pulmão se recuperasse do corte surpreficial.

Em algum momento eu dormi novamente, acordando no início da noite. Uma enfermeira me ajudou no banho, então me deitei novamente e comi aquela comida horrível de hospital.

Encarei o céu escuro através da brecha da cortina, vendo algumas estrelas e os galhos das árvores balançaram com o vento. Chicago fazia jus ao apelido, realmente era a "Cidade dos Ventos".

– Você fica linda perdida nos seus pensamentos — desviei meu olhar rapidamente para a porta entreaberta. Lá estava ele, com seus fios mais revoltos do que o normal e com todos os botões do seu terno aberto, apesar do olhar cansado, seu sorriso era radiante. — Não vou perguntar como está, é bobagem.

– Não cometa o mesmo erro que a Thalia — dei um sorriso aberto para ele, vendo o mesmo se aproximar e tomar o lugar antes da Thalia, ao meu lado. — Estou me sentindo péssima, só para constar.

Um riso baixo escapou da sua garganta e então ele pegou a minha mão, acariciando com a ponta do dedo as costas da mesma. Me surpreendi com o ato, em momento nenhum tive um tipo de carinho assim, era sempre aquela coisa brutal do nosso caso.

– Queria ir embora — murmurei sentindo mais uma fisgada na minha cabeça. A enfermeira havia dito que assim que a minha observação acabasse, eu iria embora, mas não me disse quando iria acabar, os médicos tinham medo da pancada que levei na cabeça e a minha costela ainda iria ficar imobilizada por quinze dias.

– Não pode ir embora.

– Detesto hospitais — soltei um muxoxo baixo, logo a enfermeira iria aparecer novamente para me dar sedativos para dormir. — Sempre que entrava em um, ou acabavam tentando me matar, ou eu ficava inconsciente por meses.

– Me esqueci de como a sua adolescência foi voltada para hospitais — ele falou acariciando minha bochecha com a sua outra mão. Fechei os olhos para aproveitar do carinho pouco recebido, a única pessoa que um dia fez isso comigo, está passando por uma crise rebelde. — Não queria que isso tivesse acontecido com você.

– Eu e o Cameron temos muita parafernália juntos — soltei um riso baixo — Não devia ter dado uma segunda chance a ele.

– Thalia me disse o que ele fez com você antes de perder o controle do carro... Se ele não estivesse morto, eu mesmo o matava agora — seus lábios se repuxaram para o canto, então se contraíram. — O que quer dizer com parafernália?

– Armas para sobreviver — suspirei e fiz uma careta quando ele começou a acariciar a minha cabeça, então parou e voltou a acariciar meu rosto novamente, fazendo o mesmo esquentar. A séculos eu não corava. — Por mais que tenhamos nossas diferenças, ele e eu passamos por coisas parecidas demais. O pai dele também morreu nas mãos dos Dare e, eu tenho a impressão, que ele era obrigado a trabalhar para os mesmos, caso contrário, acabaria como o pai dele.

– Como foi à morte do pai dele? — seu cenho se franziu.

– O carro dele explodiu do nada — disse baixinho — Dois anos atrás... Por quê?

– O carro do Cameron não explodiu por que bateu naquela montanha, havia um explosivo nele — Percy engoliu em seco, consequentemente eu fiz o mesmo. Se não tivesse pulado do carro, a essa altura estaria morta. — A polícia pensa que tem alguma coisa haver com você, ou pensava, já que você saltou do carro instantes antes dele explodir... Algumas testemunhas disseram que o carro já estava meio fora de controle e, depois do seu depoimento, eles descartaram você. Passaram o dia procurando novas pistas até que acharam algo ligado ao pai dele, um caso nunca selecionando.

– Assim como o caso dos meus pais — murmurei olhando fixamente para os seus olhos verdes. — Está tão doce comigo... Acho que vou saltar de carros mais uma vez.

– Nem sonhe, Jane Bond — ele riu se inclinando para mim. Puxei meus lábios para um sorriso torto e levei as minhas mãos até o seu rosto, acariciando o mesmo é sentindo a sua barba que começava a crescer... Estava sendo tão egoísta com ele, mas, por mais que eu não queira, ele se tornou um pedaço de mim.

Fechei meus olhos ao sentir seus lábios sobre os meus, apenas tocando levemente, tomando cuidado para não me quebrar. Afundei meus dedos nos seus fios sedosos, dando passagem para a língua dele e deixando o beijo delicado começar.

Era completamente diferente a sensação, não existia luxúria nele, apenas carinho e paixão. As borboletas no meu estômago me assustou, mas não fez com que eu soltasse seus lábios até eu precisar do oxigênio.

Ele deu um beijo demorado na minha bochecha enquanto eu deixava o oxigênio aliviar meus pulmões. Mesmo respirando com a ajuda de aparelhos, eu havia me esquecido de como se respirava enquanto o beijo me consumia por completo, me fazendo desafiar as leis da gravidade e questionar minha lealdade com ele.

E se ele fosse a minha luz no fim no túnel escuro? E se ele fosse o ponto colorido do meu mundo preto-e-branco? E se ele fosse o remédio que iria curar todas as minhas dores? E se ele fosse a pessoa certa? E se ele fosse o que eu havia perdido no meio do meu caminho?

Não. Não podia ser ele, não podia ser ele porque eu nunca havia tido ele, como eu posso ter perdido algo que eu não tenho? Isso é impossível, mas ao mesmo tempo desejável.

– A Rachel me procurou... — ele disse com a minha mão encostada nos seus lábios, fazendo eles roçarem nela enquanto ele falava. — Queria que eu defendesse ela em um processo de dívidas.

– Rachel Dare com dívidas? — me arrependi de ter rido, minhas costelas doeram como se estivessem se quebrando novamente e foi impossível evitar mais uma careta. Percy deu um beijo demorado nas costas da minha mão, entrelaçando nossos dedos.

– Ela e a família estão no fundo do poço, literalmente — ele disse sério, ainda com os lábios próximos a minha mão. — Eu neguei... Não sou louco de defendê-la após tudo o que ela fez a mim, a minha família e até mesmo a você.

– Obrigada — sorri para ele, soltando minha mão da dele e a afundando nos seus fios. Outro beijo delicado começou e, sinceramente, eu adorei.

Notas finais
FANFIC NOVA: http://fanfiction.com.br/historia/538401/Heart_By_Heart/ VOCÊS VÃO LER A MINHA FANFIC NOVA? POR FAVOR! Gente, que capitulo mais tenso, porém dócil, não me pergunte como consigo fazer isso, porque nem eu mesma sei como eu faço isso heuheueheu. A fase boa deles está começando, bur, não durará muito, já disse. Volto dia 26 com um capítulo FORDASTICO! Beijos e comentem aqui, leiam a minha nova fic e me amem u-u