Fire Starter
23 Break Free
This is the part when I say I don't want ya. I'm strong than I've been before. This is the part when I break free. 'Cause I can't resist no more.
Resmunguei novamente, sentindo seus lábios descerem pelo meu pescoço e então encontrarem a minha clavícula exposta pela camisola de seda azul. Desde o dia que eu sairá do hospital, a quase um mês atrás, meu relacionamento confuso com o Percy apenas estava indo de bom a melhor.
Alguns dias depois da minha saída, eu já conseguia dar mais de três passos sem sentir a minha costela reclamar, então fui até a casa do Cameron afim de invadir seu escritório e tentar descobrir algo a mais, descobrir se ele não havia colocado a minha vida em risco, mas chegando lá me deparei com uma cena terrível.
Danger, o seu Husky, estava deitado no fim do corredor, piscando freneticamente e encarando a porta com certa melancolia. Rebeka, a adolescente e cuidava dele para o Cameron também estava lá, ela havia me contado que desde o dia do acidente vinha passar um tempo com Danger, cuidava dele e o levava para passear, mas depois de uns dias ele começou a sentir falta do dono.
Naquele mesmo dia eu trouxe ele para a minha casa e continuei a pagar a doce Rebeka para me ajudar a cuidar dele. No início foi complicado, mas depois de uns dias até o coração frio da Thalia se derretia por ele e, as vezes, a pegava brincando com o mesmo.
Foi complicado quando Danger descobriu meu relacionamento com o Percy — um relacionamento sem nada concreto. O ciúmes que o filhote sentia do Cameron comigo apenas havia triplicado pelo ciúmes que ele sentia quando estava com o Percy, porém, após algum tempo, ele se acostumou com a ideia de ter Percy ao meu lado todas as noites. Demorou muito mais tempo para que eu mesma acabasse me acostumando com a ideia de ter algo a mais que sexo com o Percy.
– Não tem que ir trabalhar não? — questionei afundando meus dedos nos seus fios macios enquanto ele dava um beijo demorado no vale dos meus seios.
– Sou dono da minha empresa agora, Annie, trabalho apenas quando eu quiser e na hora que eu quiser — ele disse passando os braços em volta de mim. Minutos mais tarde me lembrei que Percy assumirá a empresa do pai e agora era um grande e importante empresário e que, hoje, eu iria ser sua acompanhante na festa da empresa. — Bom dia — sorriu para mim no momento em que abri meus olhos e encontrei os seus.
– Bom dia — escondi meu rosto na curvatura do seu pescoço, sentindo o cheiro da sua pele e dando um beijo ali.
Suas mãos desceram acariciando meu corpo e logo ele levantava a minha curta camisola, dando leves apertões nas minhas coxas e nádegas. Com muita força, me livrei dos seus braços e me afastei dele, me sentei na cama e passei os dedos no meu cabelo.
– O que foi? — ele disse se apoiando nos cotovelos com um sorriso malicioso.
– Hoje é a festa da empresa e, de maneira alguma, eu posso ter alguma marca pelo meu corpo — olhei para ele, vendo o mesmo bufar e se jogar para trás, desabando a cabeça no travesseiro. — O que foi?
– Tirei o dia inteiro para ficar me agarrando com você, agora que as suas dores de cabeça estão acabando e você vem com esse papo de não poder ter marca no seu corpo — ele resmungou cobrindo os olhos com o antebraço. Seu peito estava nu e eu podia ver claramente a sua tatuagem de caveira entrar em contraste com a sua pele pálida. — Prometo ser cuidadoso.
– Não, Percy, tenho muita coisa para fazer hoje — suspirei me jogando para trás novamente. — Preciso ir buscar o meu vestido, arrumar o meu cabelo e ainda preciso ir até o cemitério visitar os meus pais.
– Quer companhia?
– Quer carregar sacola? — arqueei minha sobrancelha, no mesmo tom que ele, fazendo o moreno bufar e puxar o meu corpo para cima do dele. Não pude deixar de rir com a sua falta de paciência, mas também não pude deixar de me sentir mal com isso, ele realmente estava certo sobre as minhas dores de cabeça e, segundo o médico, isso era consequência da minha batida no dia do acidente. — Mas veja o lado bom disso...
– Isso tem um lado bom? — ele disse monótono.
– Tem! Depois do baile vamos para a casa do lago dos meus pais. — dei-lhe um sorriso malicioso, vendo o brilho da luxúria passar pelos seus olhos verdes — Mas, agora, eu irei tomar banho.
– Eu te acompanho — ele nos virou na cama e me beijou, eu ria durante o beijo e então, finalmente me entreguei.
❤
Caminhei pelo cemitério, já havia passado para ver os meus pais e acabei deixando uma rosa branca para cada um deles, explicado o porque eu estava fazendo isso e que, quando tudo acabasse, eu iria me permitir ser feliz como eles pediam para que eu fosse.
Eu já havia feito tudo o que tinha que fazer. Meu vestido estava no carro, meu cabelo estava bem cuidado e logo eu iria começar a me arrumar para a festa da empresa do Percy, na realidade, nunca havia visto ele tão feliz.
Eu passei pelo túmulo do Cameron também, não dizendo nada além de obrigada por me deixar livre e viva, se ele não estivesse começado a me agredir, nunca teria pulado daquele carro e hoje iria estar junto aos meus pais.
Depois de muito conversar com o dono do prédio, consegui convencer ele a colocar câmera em cada centímetros do estacionamento, afim de que quem quer que tentou matar o Cameron com um explosivo no carro, não fizesse o mesmo comigo.
O caminho até a minha casa foi tranquilo, rápido e ao chegar, encontrei Thalia correndo de um lado para o outro no seu quarto, usando apenas um roupão branco felpudo. Ela seria a companhia de Nico, mais uma vez.
– Algum problema? — arquei minha sobrancelha, parada na porta do quarto dela.
Por incrível que pareça, Thalia realmente estava se esforçando para ficar o mais apresentável possível, em vez de deixar seus longos fios negros naturalmente lisos, ela havia feito alguma coisa para que eles ganhassem ondulações no seu comprimento e a sua maquiagem, que normalmente é marcada até demais, estava bem clara e básica. Essa realmente era a Thalia?
– Não tive tempo para comprar um vestido novo e, sinceramente, usar preto não é uma opção hoje — ela murmurou caminhando até mim. Eu tive que gargalhar, não era possível isso, iria começar a cair meteoros na terra. Thalia Grace estava querendo passar uma boa impressão.
– Eu tenho um vestido que nunca usei, pode pegar ele — dei de ombros, literalmente, indo na direção do meu quarto e tirando o meu vestido da capa de proteção dele. Ao ver Thalia parada na porta do meu closet, deduzi que ela realmente queria o meu vestido emprestado. — O que não faço por você? — ri novamente, pegando o vestido roxo quase rosa. Ele era bonito, continha renda na clavícula e na manga que ia até o cotovelo, bem justo até a cintura e depois caindo com pregas e uma fenda na perna esquerda... Havia comprado ele para usar em uma festa a um mês atrás, porém meu estado inválido não permitiu que isso acontecesse.
– Vermelho? — ela indicou o vestido que usaria essa noite. Ele era simples, vermelho com alças finas e deixa a metade das minhas costas nuas, também tem um decote em vê até o meu umbigo e uma fenda que ia até quase o meu quadril... O vestido era bem simples, mas ousado.
– Sim, agora se me dá licença, irei me arrumar — dei um beijo na sua bochecha, me direcionando para o meu banheiro.
Me arrumei na maior tranquilidade possível. Tomei um banho tranquilo, me sequei e me maquiei, deixando meu olho marcado e a minha boca neutra com um batom rosa quase nude. Optei por deixar o meu cabelo solto, com os cachos perfeitamente modelados e com um acessório de cabelo com alguns diamantes que puxava um dos lados do meu cabelo para trás. Coloquei algumas pulseiras também com diamente e por fim a minha gargantilha preferida, que continha um pequeno coração, outro presente do Percy.
– Nossa — ouvi a voz do mesmo, um tanto surpresa, vindo da porta do meu closet e, pelo reflexo do espelho, vi a sua expressão indecifrável. Não pude deixar de sorrir e me virei com os saltos brancos do Christian Louboutin nas mãos. — Está linda e... Sexy.
– Você também está muito sensual com esse smoking... Acho que deveriam colocar algo mais fino, não? — arqueei minha sobrancelha pela milésima vez no dia, enquanto calçava os saltos de vinte centímetros.
– Não precisa, está perfeita — ele disse se aproximando de mim. Calcei o outro salto e indireitei a minha postura, sentindo suas mãos na minha cintura e então seus lábios se juntarem aos meus. — Eu adoro seu vestido pelo simples fato dele deixar todas as suas tatuagens a mostra.
– Metade das minhas Luas ainda estão cobertas — franzi meu cenho, arrumando a sua gravata borboleta.
– Mas a minha preferida está a mostra, isso é o que importa — ele me beijou novamente. — Vamos?
– Estamos muito atrasados?
– Quem se importa com horário? — ele abriu um sorriso largo, pousando sua mão na minha lombar e me guiando pelo meu apartamento.
Se ele, a estrela da festa, não estava se importando, por que eu deveria me importar? Não estava encomodada com o meu vestido, eu adorava ele, mas e se ele causasse uma má impressão na festa? Eu era a acompanhante do Percy e não era legal eu ser chamada de puta.
– Se importa muito com esse vestido? — ele murmurou me apertando mais ao corpo dele dentro da limousine.
– O suficiente para não deixar você rasga-lo, Percy — sorri para ele, falando no mesmo tom enquanto via o par de esmeraldas me encarando com luxúria. — Por que sempre quer rasgar meus vestidos?
– Você fica muito mais bonita e sensual neles... — ele puxou os lábios para o canto, então se aproximou e deu um beijo na minha testa
Me aproximei mais ainda e deitei minha cabeça no seu peito, sentido o seu coração bater tranquilamente e o seu peito subir e descer de maneira serena. Era tão bom estar perto dele, por um momento todos os meus problemas iam para a atmosfera, não existia vingança; não existia mágoa; não existia solidão, apenas existia aquela sensação de conforto e tranquilidade.
Detestei o momento em que fomos obrigados a sair do carro e enfrentar o mar de fotógrafos. Estávamos atrasados e eles queriam a atenção do mais novo magnata CEO de Chicago e dos EUA, eu estava apagada pela primeira vez em anos, não totalmente apagada, mas as perguntas e flashs eram para ele e, sinceramente, não me importava. Só de ter a mão dele na minha cintura, mantendo o meu corpo próximo ao dele, era mais do que suficiente.
Pude sentir o alivio do seu peito quando ele soltou a respiração e tirou o sorriso largo do rosto, no momento em que atravessamos as altas portas de mármore e entramos no recinto da festa. Recinto do qual estava lotado de homens com smokings caros, mulheres com vestidos elegantes e crianças bem comportadas ao extremo.
– Eu disse que deveria ter trocado de roupa — soltei um muxoxo vendo vários olhares caírem sobre mim e depois nele. Alguns me encaravam por completo e então faziam uma careta de desgosto, mas no fundo eu não me importava, eu fingia me importar por ele.
– E eu disse que não precisava, está linda, Annie, qualquer um que criticar é um invejoso — ele beijou os meus cabelos e então deu um sorriso, me puxando na direção de um homem. — Quero te apresentar um amigo meu... John!
O rapaz se virou e abriu um sorriso largo. Ele era bonito, realmente bonito, os olhos eram cinzas, mas não como os meus olhos cinzas, o maxilar era quadrado e no seu sorriso aberto tinha algumas covinhas nas suas bochechas. Seu cabelo era loiro escuro, quase castanho e o seu porte corporal era de um esportivo nato.
– Essa é a Annabeth — Percy apertou os dedos na minha cintura enquanto o homem de avaliava da mesma maneira que eu havia avaliado ele. Tinha o que? Vinte e oito anos? — Ann, esse é o John.
Ele abriu um sorriso largo, largo até demais. Desde Cameron, qualquer desconhecido e conhecido do meu passado que aparecesse era motivo para mim ter um pé atrás e ter muita desconfiança. Qualquer coisa exagerada me fazia repensar tudo.
– Olá — disse fria. Percy se afastou um pouco de mim, mas não por causa da minha falta de educação, mas sim porque fora chamado pelo pai. — Vá lá, daqui a pouco te encontro.
– Tudo bem... Longe da minha garota, John — Percy deixou o aviso e se foi, então dei um sorriso gélido para ele e me preparei para sair.
– Espere — ele segurou meu braço. — Você é mais bonita pessoalmente, se parece com a sua mãe.
– Não é a primeira ou a última pessoa a dizer isso — respondi olhando para a sua mão no meu braço. — Pode me soltar?
– Por que é tão fria? Antigamente, na época de escola, era tão dócil e boa. — ele respondeu. — Por que mudou?
– Quando as pessoas veem bondade, elas esperam bondade. E, sinceramente, não quero viver com as expectativas de ninguém — puxei meu braço da sua mão, fazendo uma carranca para ele. — Da onde me conhece? Deve ter no mínimo vinte e oito anos, não bate.
– Eu buscava uma garota na sua escola todos os dias, muitas vezes via você ajudando alguém ou até mesmo ela... Uma vez ouvi você sendo gentil e falando coisas dóceis para uma menina que havia sido derrubada pela sua amiga — ele puxou o sorriso para o lado. Bufei, naquela época eu era uma idiota.
– Não conheço essa garota — revirei meus olhos — Adeus, John.
E dai se fui mal educada? E dai se ele poderia ser legal? E dai que ele apenas estava querendo puxar assunto comigo? Detestei ele a partir do momento em que o seu sorriso foi largo demais e a sua voz controlada demais, eu havia aprendido o que isso significava anos atrás.
Aquilo significava a obscuridão escondida em um sorriso e em uma fala amigável. Eu já fizera isso milhares de vezes e faço até hoje, mas eu sou livre e sei que ninguém iria perceber isso. Ele não sabia que eu iria descobrir isso.
Ele podia simplesmente ser um cara normal que estava nervoso por falar com alguém como eu, mas eu ficava com a minha primeira opção, desconfiar e muito mais fácil do que esperar a confiança vinda de alguém. Desconfiança acontece no momento, a confiança se constrói e, sem a mínima questão de dúvida, eu não queria passar por esse caminho de construção de confiança. Eu estava atravessando a ponte e indo na direção da porta cada vez mais próxima, por que parar e mudar do trajeto claro para o escuro?
– Algum problema? — Thalia perguntou quando tirei a taça cheia de champanhe da mão dela e virei de uma vez nos meus lábios. — É, não está bem, normalmente se comporta nessas idiotices.
– Por que não vai dar uma boa impressão nos meus padrinhos e me deixa em paz? Eu estou irritada e desconfiada — murmurei procurando Percy com o olhar. — Não gostei nem um pouco daquele John... Nem sobrenome dele eu tenho!
– Poderia te ajudar... Está olhando para a mais nova detetive de Chicago — ela abriu um sorriso, pegando uma outra taça com champanhe, como eu.
– Só me fala isso agora? — bufei encarando ela. Seu sorriso se tornou frio e os seus olhos mais eletrizantes. — Quero a ficha completa dele.
– Claro, meu amor — ela apertou a minha bochecha, me fazendo revirar os meus olhos — E, apenas para deixar claro, Jason chega em Chicago amanhã.
Ótimo, como se eu já não tivesse problemas o suficiente.

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