Fire Scars
22 Visita Especial - Parte II
Capítulo XXI — Visita Especial – Parte II
"Chegamos aqui da maneira difícil
Todas aquelas palavras que trocamos
É de se admirar que as coisas quebraram?
Porque no meu coração e na minha cabeça
Nunca vou retirar as coisas que eu disse
Tão alto, sinto que estão caindo"
Atlantis – Seafret
✻
Krósvia – 1995
O túnel era bastante escuro e abafado. O cheiro forte de morfo e as inúmeras entradas que compunham o labirinto faziam com que eu tivesse perdido o meu senso de direção poucos minutos após iniciar o desbravamento do local.
Com a lanterna em mão e o olhar atento aos caminhos que fazíamos, Johnny me guiava sem hesitação pelas entradas, parecendo conhecer muito bem todo o trajeto. Ele até mesmo sabia os pontos onde havia armadilhas que poderiam nos matar em questão de segundos, levando-me a crer que ele havia explorado aquele lugar muito mais vezes do que eu imaginava.
Eu o observo em silêncio, temendo atrapalhar seu raciocínio e nervoso demais para conseguir pensar em um assunto que pudéssemos conversar para aliviar a tensão que nos assombrava naquele momento.
E sem perceber, acabo deixando um suspiro pesaroso escapar de meus lábios, após virar em mais um corredor macabro.
— Já está entediado? — questiona Johnny.
— Apreensivo — respondo, surpreso por ele ter iniciado a conversa.
Uma coisa que eu havia me acostumado nesses últimos meses morando e treinando com Johnny é que ele nunca fala a menos que sinta necessidade. Ele é exatamente a descrição de um lobo solitário, autoritário e antissocial que não tem muita paciência para perguntas idiotas e odeia ter que repetir suas ordens.
— Estamos nos aproximando do castelo. Se tiver alguma pergunta para fazer ou quiser falar alguma coisa, a hora é agora. Depois disso, será perigoso falar nesses túneis e precisamos estar atentos aos movimentos dos guardas.
— O que vai acontecer se aceitarmos participar da Resistência?
Johnny para de andar por um instante e me encara, examinando meu rosto. Por fim, ele volta a andar como se estivesse organizando seus pensamentos para responder minha pergunta. Permaneço em silêncio, sabendo que não seria uma boa ideia apressar o rapaz.
— Vocês seriam treinados para se tornarem soldados de verdade e não marionetes, como o rei Lester e seu exército ensinou — responde Johnny, deixando transparecer sua insatisfação com o método krosviano. — Posso não ter concordado com muitas ideias da Fire Scars, mas eu tenho que dar o braço a torcer que eles eram excepcionais quando o assunto era treinamento.
— O que vocês faziam?
— Nós aprendíamos sobre o solo, política, oratória e manejo de diversos tipos de armas. Estávamos preparados para lutar com qualquer coisa que estivesse em nossas mãos, a pensar em soluções práticas para nossos problemas e a manipular a situação para nos favorecer.
— Ainda assim, vocês não foram capazes de assumir o trono.
— Como eu disse, havia muitos defeitos dentro do grupo. Mesmo assim, fomos capazes de fazer muito mais com apenas cem soldados e em apenas cinco anos do que os soldados krosvianos foram capazes de fazer em séculos. Mapeamos todas as passagens secretas do castelo, criamos armadilhas nos labirintos, planos de fugas, desenvolvemos medicamentos e venenos, armas e armaduras fortes o bastante para nos proteger de ferimentos letais.
— Isso é incrível — murmuro.
— Eu tinha minhas diferenças com Dandara, mas ela era uma líder incrível. Sua mente estava muito a frente de qualquer pessoa que eu já conheci. E é com base em sua visão futurística que estamos criando a Resistência. Se resolverem fazer parte do grupo, terão que abandonar seus passados. Assumirão novas identidades e serão tratados exatamente como os outros membros.
— E não teria problema o fato de o ex-herdeiro da coroa krosviana estar se juntando ao grupo? Quer dizer, vocês me odeiam, certo?
— Eu já disse que não te odeio. Meu problema é unicamente com seu pai. É verdade que tenho alguns pensamentos contraditórios em relação a você e que esperava um pouco mais de determinação de sua parte, mas levando em consideração toda a lavagem cerebral que você recebeu durante sua vida toda no palácio, você até que não é tão ruim.
— Então eu não seria rejeitado pelos membros?
— Qualquer um que esteja determinado e disposto a se sacrificar se for necessário para ajudar a princesa Allycia a tomar o trono de Lester é bem-vindo a Resistência. É claro que alguns se sentiriam desconfortável com a sua presença, porque a verdade é que não confiamos em vocês, mas se você mostrar que é uma força necessária, ninguém irá se opor a sua presença. Você tem talento para lutar. Apenas precisa aprender a usar isso a seu favor.
Assinto.
Eu não sabia o que dizer. Estava um pouco surpreso com a sinceridade de Johnny e mais ainda por acreditar em suas palavras ao ponto de realmente estar tentado a aceitar sua oferta, mesmo estando diante da chance de finalmente ter a minha tão sonhada liberdade, longe das guerras, disputas de poder e qualquer coisa que me fizesse lembrar de minha antiga vida.
No entanto, eu precisava ser realista. Se a oferta de Johnny for realmente verdade, essa pode ser a oportunidade que Manu, Tyler e eu precisamos para aprimorar nossas habilidades e nos vingar de Taynara, Gavin e meu pai.
Com a orientação da Resistência, podemos aprender a sermos soldados. Poderíamos nos preparar com mais confiança e ainda ter uma noção para saber por onde devemos começar para que nosso plano realmente funcione. Além disso, se Ally se tornar a rainha que Krósvia merece, eu poderia seguir minha vida em frente sem carregar qualquer culpa por abandonar meu dever como herdeiro da coroa ou por ter deixado Taynara e Gavin fugir.
— Estamos chegando. Prepare-se — anuncia Johnny.
Assinto e engatilho a arma em minha cintura, atento a qualquer sinal de ameaça.
Johnny segue iluminando o caminho de forma hábil e após virar em mais três corredores, nós finalmente chegamos na porta que levava a cozinha do castelo.
O loiro bate algumas vezes na porta, utilizando uma espécie de código morsa, que não demora a ser respondido. Ele então se afasta e a porta é aberta, revelando a imagem familiar de Vincent, um dos jardineiros do castelo e marido de Rachel, a chefe de cozinha do castelo que sempre cuidou de mim como se eu fosse seu neto.
— Sr. Vincent — murmuro, sentindo a saudade aperta.
— Jovem Prince — responde Vincent, sorrindo emocionado.
O homem de aproximadamente cinquenta anos abre os braços em um pedido mudo para me recepcionar. E assim, mesmo sabendo que não tinha tempo para aproveitar o reencontro, eu não consigo evitar me jogar contra o homem, esperando receber um pouco do seu carinho paternal.
— Fico feliz em ver que você está bem, jovem Prince.
— Eu estou feliz em vê-lo mais uma vez, sr. Vincent.
— Oh! Vocês chegaram!
A comemoração repentina faz com que eu me afastasse do abraço aconchegante de Vincent para encara a figura caricata e amorosa de Rachel. Ela abre um enorme sorriso e corre em minha direção, abraçando-me com todo o carinho que ela sempre costumava me dar quando ainda era o príncipe herdeiro de Krósvia.
— Sra. Rachel! Como eu senti sua falta — murmuro, aconchegando-me em seus braços calorosos.
— Eu também senti a sua falta, querido. Não imagina o quanto eu estive preocupada durante esses últimos meses. O que acalentava meu coração apreensivo era saber que você estava acompanhado de Johnny. Era ele quem nos contava sobre você, Manu e Tyler.
— Eu nem mesmo imaginava que vocês se conheciam.
— Eu vi esse garoto crescer. Ele era como um irmão de Lia — responde Rachel, melancólica.
Ela abraça Johnny com carinho e finalmente entendo o motivo do homem que era tão rigoroso com horários estar disposto a “perder tempo” esperando que eu terminasse de cumprimentar Vincent e Rachel. No entanto, logo posso ver os sinais de que ele não continuaria a ser tão paciente, quando nossos olhos se encontram.
— Eu entendo que estejam com saudades e queiram conversar, mas infelizmente não temos muito tempo — explica Johnny, assim que se afasta de Rachel.
— Você tem razão — concorda Vincent, encarando seu relógio de pulso. — Em dez minutos, eles realizaram a troca de escolta de frente ao quarto da princesa. Precisamos nos apressar, se quiser se encontrar com a princesa Allycia, jovem Prince.
— Tudo bem.
Suspiro e retiro o diário escondido no bolso interno do meu casaco. Ao sinal de Johnny, entrego o caderno a Rachel, que sorri melancólica e o pega, assentindo. Ela sabia bem o que era aquele diário e me aliviava o fato de que eu não precisava externar meus pensamentos para saber que ela entendia a importância daquele diário para mim.
— Eu prometo que cuidarei muito bem dele até que a princesa atinja a idade certa para recebê-lo. Eu também vou garantir que ele nunca chegue nas mãos de outra pessoa que não seja a princesa.
— Obrigado, sra. Rachel.
Nós nos abraçamos mais uma vez.
— Está na hora, Prince — avisa Johnny. — Você entrará no quarto da princesa durante a troca de guardas e sairemos quando a sra. Rachel for alimentar a princesa, que vai criar uma distração boa o bastante para que você consiga sair do quarto sem que eles notem. O sr. Vincent já criou uma distração que vai atrasar um pouco a chegada dos soldados do próximo turno, então poderemos agir como se fossemos substitui-los até que eles apareçam.
— Certo.
— Eu vou guiar vocês — informa Vincent, fazendo sinal para que nós o seguíssemos.
O homem passa a guiar Johnny e eu pelo castelo, percorrendo os locais onde não chamaríamos tanta atenção e nós também tínhamos o cuidado de agir de forma discreta, mas como já era de se esperar, havia soldados krosvianos e serafinenses por todo o castelo.
A nossa sorte é que por causa dessa quantidade absurda de novos soldados no exército de Krósvia, ver mais um rosto estranho andando com o uniforme era uma realidade vivida por eles nos últimos meses.
Além disso, por estarmos acompanhados de Vincent, um dos funcionários mais antigos do castelo, ninguém ousava questionar o motivo dele estar andando pelo castelo aquela hora da noite e ainda acompanhado de novos soldados.
Quando finalmente alcançamos o andar onde se encontrava o quarto de Ally, sinto a ansiedade começar a comprometer meus pensamentos. Minhas mãos tremiam intensamente e era difícil manter a expressão de indiferença que eu deveria ter.
A nossa chegada surpreende os dois soldados que estavam na frente do quarto da princesa. Eles nos encaram com desconfiança, mas logo abaixam a guarda ao reconhecer Vincent.
— Boa noite, rapazes — cumprimenta Vincent. — Eu trouxe os dois soldados que vão ficar no lugar de Kenny e Gabriel, já que o tenente Trent os mandou para a ala norte.
— Boa noite, sr. Vincent. Eles são soldados novos? Seus rostos não são familiares — comenta um dos soldados, encarando-nos com desconfiança.
— Sim. Estão em treinamento com o sargento Dave. Esses são Bradley Roger e Nathan Smith — apresenta Vincent, apontando para Johnny e eu. — Brad e Nate, cumprimentem seus superiores, cabo Willian Vegas e cabo Ivan Scott.
— Sim, senhor!
Como eu já havia visto acontecer diversas vezes, enquanto ainda era treinado por Stefan, Johnny e eu batemos continência para os dois soldados que supostamente estavam em um nível hierárquico acima de nós. Os dois respondem da mesma forma, demonstrando respeito.
— Sejam bem-vindos — cumprimenta Ivan. — O sr. Vincent já deve ter informado, mas em breve a sra. Rachel aparecerá para alimentar e trocar a princesa. Com exceção dela e dos reis de Krósvia, não temos permissão para deixar mais ninguém entrar no quarto. Apenas em casos de emergência.
— Se a princesa começar a chorar, apenas esperem um pouco, pois logo a sra. Rachel aparece. Ela costuma ter o choro alto, por isso não se assustem — alerta Willian.
— Sim, senhores!
— Boa sorte, rapazes. Lembrem-se de todas as dicas que eu dei — responde Vincent, dando tapas amigáveis em nossos ombros. — Vamos, Will e Ivan.
Cansados por provavelmente terem passado horas cuidando do quarto de Ally, os dois cabos e Vincent deixam o corredor, permitindo que Johnny e eu ficássemos sozinhos. Ao notar esse detalhe, suspiro aliviado.
— Entre. Eu ficarei aqui, vigiando a entrada. Baterei três vezes na porta, se alguém estiver vindo e você precisar se esconder e quatro vezes se você precisar sair, pois o tempo haverá acabado — informa Johnny, encarando-me com seriedade.
— Certo. Obrigado.
— Não me agradeça. Apenas dê meus cumprimentos para a princesa por mim — pede Johnny, dando um sorriso discreto.
Surpreendo-me com sua ação. Não que eu não tivesse visto Johnny sorri antes, mas essa era a primeira vez que eu o via esboçar uma expressão tão serena e doce. Assinto, porque conseguia ver naquele momento o quanto ele se importava com minha irmã.
— Não quer entrar também? Posso ver que está tão ansioso quanto eu para conhecê-la — ofereço, mas ele nega.
— Não temos muito tempo e alguém precisa ficar de olho. Você é prioridade aqui. Posso ver a princesa de perto no futuro, quando me tornar um de seus soldados, mas não sabemos o futuro que você vai escolher, então aproveite a oportunidade.
— Mas...
— Entre logo. Só temos mais oito minutos.
Ciente de que Johnny estava certo, eu não tenho escolha além de aceitar seu pedido e entrar no quarto apressado, mas tomando cuidado para não fazer muito barulho e acabar assustando a recém-nascida que dormia tranquilamente no berço no centro do quarto.
Cauteloso, fecho a porta e me aproximo calmamente de minha irmã.
De longe, eu já conseguia ver a sombra de sua silhueta que era iluminada pela fraca luz da vela no canto do quarto. E somente esse detalhe é o bastante para causar reações adversas em meu coração ansioso.
No entanto, nada se comparava a emoção que eu senti quando meus olhos encontraram a pequena garota adormecida.
Ela era pequena, mas possuía bochechas fofas e coradas. Seus cílios eram longos, cabelos castanhos levemente encaracolados e pele alva que a fazia parecer como uma delicada boneca de porcelana.
Ally era simplesmente adorável e eu não conseguia evitar de me sentir tentado a pegá-la no colo.
Assim, mesmo sabendo que era arriscado, acabo cedendo ao meu desejo e cuidadosamente tento pegar a garota no colo sem que a acordasse ou a assustasse no processo. Infelizmente, quando finalmente consigo aconchegá-la em meus braços — de forma bastante desengonçada —, os olhos castanhos da garota se abrem e se fixam nos meus.
Mas para a minha surpresa, Ally não chora. Ela simplesmente me encara com curiosidade, como se tentasse identificar o que estava acontecendo.
— Oi, Ally. Desculpa atrapalhar seu sono. Eu sou seu irmão mais velho, Phillip — apresento-me, lutando contra as lágrimas que se formavam em meus olhos. — Você não imagina o quanto eu esperei por esse momento durante essa última semana.
E então, a pequena princesa abre um sorriso banguela adorável que me faz perder completamente o controle sobre meu corpo.
As lágrimas simplesmente descem pelo meu rosto, enquanto aninho a garota contra meu peito, sentindo-me completamente rendido àquela bebê que tinha apenas um mês de vida, mas que já era capaz de causar tantas reações em meu coração.
— Eu sinto muito por ser um covarde, Ally. Seu irmão não pode ficar aqui e, no momento, não tem forças o bastante para te proteger — murmuro, encostando minha testa na dela. Ally balança os braços e toca meu rosto. — Por favor, cresça saudável e se torne a líder justa e forte que nosso povo merece. Me desculpe por colocar uma responsabilidade tão grande em suas costas.
Como se entendesse o que eu estava falando, Ally solta um gritinho animado e bate em meu rosto. Ela era tão esperta e curiosa. Tão linda que me faz chorar ainda mais, lamentando não ser capaz de acompanhar seu crescimento.
Eu finalmente entendia o sentimento que Johnny havia tentado me descrever. A sensação de encarar os olhos de uma vida inocente e sentir que ela era capaz de fazer algo muito mais grandioso do que qualquer outra pessoa já fez.
Ally é apenas uma bebê agora que está prestes a enfrentar um mundo perigoso e extremamente manipulador. Conforme ela for crescendo, vai precisar aprender a sobreviver e é nesse momento em que o mundo saberá sua verdadeira força.
— Eu não sei quando e nem como, mas eu juro, Ally, que eu voltarei para te ajudar. Lutarei com todas as minhas forças para compensar a minha ausência e te ajudar a realizar todos os seus sonhos. Serei a sua espada e seu soldado. Por isso, não deixe que esse mundo abominável te corrompa. Se torne a rainha de Krósvia e a salvadora destinada a libertar seu povo desse tirano que chamamos de rei.
Permaneço mais alguns minutos apenas balançando Ally em meu colo e gravando em minha mente cada traço de seu delicado rosto. Infelizmente, não demorou muito para que Johnny desse o sinal para informar que meu tempo chegou ao fim.
— Eu preciso ir — informo, mesmo sabendo que Ally não entenderia. — Ah, e antes que eu me esqueça, tem um homem lá fora que se importa muito com você e que me pediu para mandar os cumprimentos dele. O nome dele é Johnny Relish. Grave bem esse nome. Ele é um dos membros da Resistência, um grupo de rebeldes que fará de tudo para se tornar seu apoio. Então cresça bem por eles também. Eu te amo, irmãzinha.
Deixo um beijo na testa de minha irmã e, relutantemente, eu a coloco em seu berço mais uma vez. No entanto, ela não demora a chorar, insatisfeita com o fato de ter sido colocada de voltar no berço. Sorrio ao constatar que o aviso do cabo Willian era verdadeiro. O choro de Ally era realmente alto.
Com o coração partido por deixá-la para trás, beijo sua testa mais uma vez e vou embora.
Encontro-me com Johnny na porta do quarto e posso ver que dois soldados pareciam prestar apoio para Rachel. Entendendo que aquela era a distração que o rapaz havia comentado antes, Johnny e eu apressamos nossos passos para chegar à cozinha.
Vincent nos recepciona com expectativa e suspira aliviado por ver que tinha dado tudo certo. Ele abre a passagem secreta para nós e se despede com abraços apressados, mas bastante calorosos.
E assim, com o coração cheio de arrependimentos e expectativas, deixo o castelo Cristal mais uma vez, na esperança de que da próxima vez que eu voltar a esse lugar seja para participar da luta de Ally pela liberdade de Krósvia.
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