Fire Scars
21 Visita Especial - Parte I
Notas iniciais
Capítulo XX — Visita Especial – Parte I
"Fumaça, fogo, tudo está subindo
Você não sabe que eu não estou com medo
De derruba um pouco de sangue?
Fumaça, fogo, sinalizadores estão subindo
Sinalizadores estão subindo.
Oh, não vou acenar minha bandeira branca, não
Dessa vez, eu não vou deixar ir
Eu prefiro morrer
Que desistir dessa luta, desistir dessa luta."
White Flag – Bishop Briggs
✻
Krósvia – 1995
Os dias se passaram muito mais rápido do que eu esperava e o dia de visitar o Castelo Cristal havia chegado. E enquanto Manu, Tyler e eu nos preparávamos para enfrentar uma viagem longa, sem ter ideia do que podemos esperar quando chegarmos em Boise, eu me concentrei em finalizar o diário de conselhos que me propus a escrever para minha irmã recém-nascida.
Surpreendentemente, compartilhar minhas experiências dolorosas em um caderno, ansiando que pudesse ser de alguma ajuda para Ally foi muito mais prazeroso do que eu sequer pude imaginar algum dia.
Desde que comecei a preparar o diário, todos os dias, antes de dormir, eu fazia questão de escrever uma ou duas histórias dos dias em que vivi sendo o príncipe herdeiro de Krósvia. Além disso, eu também fazia questão de fazer sugestões de como ela poderia agir, caso encontrasse determinadas figuras políticas que poderiam ser grandes aliados ou se tornar perigosos inimigos.
Era estranho, mas à medida que eu "conversava" com Ally através das histórias no diário, mais confortável eu me sentia para relembrar o passado que tentei tanto esquecer. Eu sentia como se expressar minhas palavras funcionassem pela escrita pudesse amenizar um pouco da dor e da raiva que eu guardava em meu coração.
Um suspira escapa de meus lábios ao encarar a capa de couro do diário, começando a sentir o nervosismo de voltar ao castelo depois de passar tantos meses longe.
A última vez em que estive em minha antiga residência, muitas coisas ruins aconteceram, por isso, eu não conseguia deixar de me sentir agitado com a possibilidade de me encontrar novamente com meu pai ou com alguma de suas sombras.
Com o nascimento da nova herdeira do trono e o recente ataque que o palácio sofreu do grupo de rebeldes contra a força do rei, a vigilância do castelo se tornou ainda mais intensa. Tentar invadir o local poderia significar enfrentar centenas de inimigos altamente treinados ao mesmo tempo sem quaisquer chances de sobrevivência.
Eu não me sentia tão confiante na execução do plano de Johnny.
Surpreendendo a todos com um movimento inesperado, a família real de Serafine, os principais aliados de meu pai, resolveram visitar a princesa Allycia repentinamente com o seu herdeiro de apenas cinco meses, algo que vai completamente contra o protocolo da realeza, que impede que todos os membros da família real deixem o país e viagem para o mesmo local.
A segurança deve ter sido redobrada pela cidade, principalmente, ao redor do palácio. Isso significava que estaríamos enfrentando um risco muito maior do que o esperado quando decidimos realizar essa loucura.
— Prince, você está pronto?
Desvio o olhar do diário para Tyler, que se encontrava na porta do quarto, completamente agasalhado. Ele me encara com os olhos brilhando em nervosismo e dá um fraco sorriso.
— Johnny está esperando você na sala e perguntou se você já terminou de se arrumar. Parece que partiremos em dez minutos — explica meu amigo, aproximando-se de mim.
— Eu terminei. Apenas... estou dando uma lida nisso — comento, levantando brevemente o diário. — Estou me questionando se o que vamos fazer é uma boa ideia e se isso vai fazer alguma diferença na vida de minha irmã.
— É uma ideia estúpida. Isso é um fato — afirma Tyler, dando de ombros.
— Sempre tão adorável — ironizo e ele ri, suspirando.
— Mas acho que o diário será realmente de grande ajuda para a princesa Allycia. Tenha mais confiança na sua força. Acredite em você, assim como Manu e eu acreditamos.
— Obrigado, Tyler.
Ele nega e me abraça, dando um pouco do apoio que eu precisava para superar o nervosismo que me atingia. Meu melhor amigo se levanta e encara o quarto com nostalgia.
— Passamos pouco tempo aqui, mas de certa forma, foi confortável. Mesmo que Johnny seja um rabugento irritante na maior parte do tempo, não podemos negar que só conseguimos sobreviver graças a ele — comenta Tyler, encostando-se na escada do beliche que dividimos.
— Mesmo não gostando de mim, ele nos deu casa, comida e proteção, quando todo o mundo parece desejar a nossa morte. Não acho que ele seja tão ruim assim. Apenas não confia em nós, assim como não confiamos nele — respondo e Tyler assente, concordando.
Levanto-me para terminar de guardar as últimas roupas que estavam sobre a cama na mochila com o restante das poucas coisas que consegui no tempo em que estivemos escondidos na fazenda.
— Mas temos que confessar que desde o nascimento de sua irmã, ele tem estado bastante animado. Seu humor melhorou consideravelmente — conta o outro, pegando minha mochila da cama, quando eu me afasto para ajeitar meu disfarce.
Para evitar ser reconhecido, eu estava usando uma peruca preta e lentes de contato castanho. Estava tentando ser o mais comum possível. Eu precisava eliminar qualquer traço que fizesse os soldados de Krósvia me reconhecerem.
— Bom, ele realmente acredita que ela é a esperança de Krósvia. É compreensível que esteja tão de bom-humor — afirmo, terminando de arrumar o meu disfarce como guarda do castelo. — De certa forma, eu também tenho me sentido um pouco esperançoso desde o nascimento dela.
— Talvez a gente esteja sendo influenciado pela felicidade inesperada de Johnny, mas eu também sinto que o futuro pode ser promissor para Krósvia se o seu pai não destruir o país até ela completar dezoito anos — responde Tyler com humor.
— Você levantou um ponto bem provável. Do jeito que as coisas estão indo, eu não duvido que meu pai seja capaz de destruir Krósvia em dezoito anos — digo, fazendo meu amigo rir.
— Ei, vocês já terminaram? Johnny vai abrir um buraco no chão se vocês não aparecerem logo — avisa Manu, entrando no quarto de repente.
— Nós temos que bater na sua porta para entrar em seu quarto, mas você entra no nosso sem bater? Onde está a nossa privacidade? — ironizo.
— Oh, sinto muito. Eu prometo que da próxima vez que tivermos atrasados para cometer uma grande loucura, eu prometo que bato na porta de vocês antes de entrar — retruca Manu no mesmo tom. — Agora, apressem-se. Não temos o dia todo.
— Já terminamos por aqui. Certo, Prince?
— Certo — concordo, guardando o diário no cós da minha calça, tendo cuidado para que a minha blusa de frio do uniforme cobrisse-o por completo. — Vamos.
Enquanto deixávamos o quarto, dou uma última olhada no cômodo que tem sido o nosso lar nos últimos meses e suspiro, desejando que o futuro fosse menos sombrio do que tem sido desde que fugimos do castelo.
E como Manu havia informado, Johnny estava andando de forma impaciente de um lado para o outro na sala, já vestido também com o seu uniforme de disfarce. Ao notar nossa presença, ele para de andar e nos encara de forma repreendedora.
— Finalmente. Eu pensei que as mocinhas demorariam mais para fazer a maquiagem — ironiza Johnny, bufando.
Troco olhares com meus amigos que riem discretamente, acostumados com o mau-humor típico do rapaz. Ele aponta para o sofá, em um pedido silencioso para que nos sentássemos, e posso ver que havia um mapa sobre a mesa de centro da sala.
— Vamos repassar o plano — explica Johnny. — Não podemos ter falha. Com a presença do exército de Serafim, a situação que já não seria tão simples de lidar, ficou ainda mais complicada. Qualquer deslize pode resultar no comprometimento de toda a operação. Por isso, quero que gravem bem esse mapa. Tudo acontecerá muito rápido, então preciso que fiquem atentos ao que vou dizer.
— Tudo bem — concordo, sentando-me entre Manu e Tyler, enquanto Johnny está a nossa frente.
Encaro o mapa com atenção. Nós havíamos o estudado diariamente desde que Johnny nos informou sobre a nossa partida, então de certa forma, eu já havia decorado o percurso que faríamos. Ainda assim, com essa presença inesperado dos aliados de meu pai no reino, eu entendia a necessidade de ficarmos atentos a qualquer rota de fuga alternativa, caso algo saísse de nosso controle na execução da missão.
— Como eu disse antes, Manu e Tyler devem ficar com as motos posicionadas na Floresta Negra, um pouco mais afastados do castelo. O objetivo é que Prince e eu sejamos os condutores, mas não sabemos o que pode acontecer, então caso seja necessário, vocês dois estejam prontos para pilotar.
— Certo — concordam Manu e Tyler.
A forma mais rápida e prática que Johnny encontrou para fugirmos de Füssen após invadir o castelo foi usar duas motocicletas que ele conseguiu com os seus contatos. Ele nos ensinou a pilotar na floresta de Lofoten, em uma tentativa de simular o solo desregular que enfrentaríamos na Floresta Negra, e a dominar o uso de armas de fogo e espadas para que lutássemos, caso algum inimigo aparecesse.
Eu não ficava muito feliz em admitir isso, mas apesar das nossas diferenças, Johnny havia nos ensinado muito mais em um mês do que fui capaz de aprender a minha vida toda com Stefan e Tony.
Ele era habilidoso e sabia utilizar manobras únicas para escapar de ataques. Além disso, usar armas de fogos era a forma mais segura para nós escaparmos dos soldados treinados de Serafine do que termos um confronto direto com eles.
Infelizmente — ou felizmente, para nós —, os melhores soldados do exército krosvianos estão mortos. Com a força atual que possuem, eles estão repletos de falhas e desgastados pelas recentes guerras que tiveram que enfrentar em um período tão curto de tempo. Por outro lado, o exército de Serafine é forte, numeroso e comandado por um líder bastante inteligente e habilidoso.
— Prince e eu entraremos no castelo através da passagem secreta usada na Floresta Negra. Ela é a de mais difícil acesso e possui um labirinto que podemos nos perder, mas também é a mais segura para acessarmos o castelo. Nessa passagem, sairemos na cozinha e nos encontraremos com Rachel Fiddler para entregar o diário — conta Johnny, surpreendendo-me.
— A senhora Rachel? — murmuro, surpreso. — Ela será a pessoa que vai ficar responsável pelo diário?
— Sim. Ela faz parte da Resistência, assim como seu marido Vincent.
— E o que seria a Resistência, Johnny? — indaga Manu.
— Como eu contei à Prince, todas as vezes em que o herdeiro de um monarca tirano nasce, o povo cria uma organização contrária para lutar contra o poder do rei. A Resistência é o grupo criado para oferecer apoio a princesa Allycia e derrubar o rei Lester. Não temos tanta força ainda, mas estamos crescendo e nos espalhando pelo mundo — revela Johnny, parecendo orgulhoso. — Teremos o apoio das forças da Resistência para deixar Krósvia e seguir para Boise, onde se encontra o QG.
— Suponho que você faça parte da Resistência — digo e ele assente.
— De qualquer forma, depois de entregar o diário, Vincent vai nos ajudar a chegar ao quarto da princesa durante a troca de guardas. Você terá apenas dez minutos para entrar no quarto, ver a sua irmã e sair — alerta Johnny, encarando-me com seriedade.
— É o suficiente — afirmo, sentindo-me ansioso por essa parte.
— Certo. Depois disso, se não tivermos nenhum imprevisto além de algum ataque surpresa, usaremos a passagem da cozinha de volta para retornar a Floresta Negra e sair em segurança para a costa da floresta, onde encontraremos alguns membros da Resistência que nos levarão até Boise — explica Johnny, mostrando o trajeto no mapa que levava da floresta até a costa.
— E se tivermos um imprevisto além do esperado? — cogita Tyler, receoso.
— Vocês dois deverão seguir sozinhos para a costa e encontrar os membros da Resistência — responde Johnny, pegando algo em seu bolso.
Assim que abre a mão, Johnny exibe três insígnias de metal pequenas em formato de escudo preto com asas douradas saindo de uma letra "A" no centro, onde também havia uma coroa dourada acima da letra.
Detrás do escudo havia uma espada prata com o cabo preto em detalhes dourados e com uma espécie de diamante no centro.
Johnny coloca as insígnias sobre a mesa de centro lado do mapa e nos observa com seriedade, enquanto encarávamos as insígnias em completo deslumbre. Eram insígnias muito bonitas e fortes, que transmitiam uma mensagem clara do apoio a Ally.
— Mostrem essas insígnias a eles. Isso fará com que eles protejam vocês e coloquem em prático o plano de emergência.
— Quer seria...? — questiona Manu.
— Tudo vai depender da situação. Eles vão explicar para vocês caso seja necessário — responde Johnny de forma misteriosa.
— E como eles vão saber que devem sair imediatamente? — pergunto.
— Teremos quarenta minutos para realizar a missão. Se não chegarmos em quarenta minutos, vocês devem ir. Não hesitem e nem deem uma de heróis para entrar no castelo na tentativa de nos salvar. Estamos claro?
— Mas...
— Estamos claros, Emanuelle? — insiste Johnny com seriedade.
— Sim — resmunga a garota, vendo que seria inútil ir contra o rapaz.
— Eu posso lidar com Prince e eu em perigo. Posso dar um jeito de saímos da situação. Mas se vocês retornarem, eu não vou poder salvar vocês. É por isso que eu estou dizendo que todos devem agir exatamente como eu digo. Entenderam?
— Sim — respondemos, ansiosos.
— Excelente. Agora vamos. Nós temos que pegar estrada. Não podemos nos atrasar ou iremos perder o horário da troca de turnos dos guardas — orienta Johnny, fechando o mapa. Ele estende as insígnias mais uma vez. — Coloquem em um local escondido, mas seguro em seus corpos.
Assinto e coloco uma das insígnias em meu peito na camisa de dentro do uniforme que eu usava. Tyler e Manu também escondem suas insígnias e assentem, em um sinal de que estávamos prontos.
Após conferirmos a casa pela última vez, vestimos nossos agasalhos e nos preparamos para pegar a estrada. Johnny fecha todas as portas e esconde as chaves na pedra falsa no vaso de plantas falsas ao lado da porta.
Ele observa o local por alguns instantes, completamente perdido em pensamentos. Passamos metade de um ano naquele lugar, longe de qualquer tecnologia e com o mínimo contato possível com outras pessoas além de nós. Era normal que nos sentíssemos nostálgicos e receosos de abandonar a paz que aquela fazenda abandonada que foi nosso lar nos oferecia.
Assim que acomodamos nossas mochilas quase vazias nas caixas internas das motocicletas, decidimos que já está na hora de partir.
A viagem de motocicleta não seria tão longa, mas enfrentaríamos um vento gélido de inverno e precisávamos pegar o caminho mais distante para evitar a fiscalização dos guardas espalhados em Füssen.
Coloco meu capacete e ligo a moto. Manu se sente atrás de mim e se acomoda. Ela ainda não se sentia muito confiante com o veículo, mas seu orgulho a impedia de reclamar ou demonstrar qualquer hesitação.
Johnny também assume a direção da segunda motocicleta e Tyler se acomoda na garupa. Assim que garante que estamos todos preparados, o homem passa a dirigir na frente. Eu o sigo, sentindo um certo nervosismo pelo que estava por vir.
— Vai dar tudo certo — afirma Manu, abraçando minha cintura, quando passo a acelerar o veículo.
— Sim — concordo, tentando soar o mais positivo possível. — Vamos conseguir.
Manu aperta mais a minha cintura e o restante do percurso realizamos em silêncio. Felizmente, assim que deixamos a fazenda e entramos na cidade, não encontramos ninguém. Por ser de madrugada, a pacata Lofoten estava praticamente deserta.
Depois de uma hora de viagem, finalmente passamos a ver as primeiras árvores da Floresta Negra. A partir daquele ponto, precisávamos ser estritamente cuidadosos ou acabaríamos atraindo uma atenção desnecessária para nós.
Assim que alcançamos o local da entrada secreta que levaria Johnny e eu ao castelo, sinto meu coração voltar a se agitar e o frio na barriga tomar conta de mim. Muita coisa poderia dar errado nesse plano arriscado.
Desligamos as motos e retiramos nossos capacetes. Manu ri quando eu a encaro e fico sem entender o que parecia ser tão engraçado.
— Vem cá. Eu vou arrumar sua peruca. Parece que você está com um animal na cabeça tentando escapar. O capacete a deixou completamente bagunçada — explica Manu ainda aos risos.
Bufo e me abaixo, permitindo que a garota me ajudasse. Enquanto ela parecia concentrada em arrumar a peruca, observo o bonito rosto da garota. Agora com quase catorze anos, ela estava abandonando os traços infantis e assumindo uma expressão mais madura e feminina.
— Prontinho — avisa Manu, afastando-se. Ao notar que eu continuava a encará-la, ela me olha confusa. — O que foi? Tem algo em meu rosto? Meu cabelo também está bagunçado por causa do capacete?
— Não. Você está linda como sempre — admito, entregando meu capacete para ela.
Ligo a lanterna que havia em meu bolso e me surpreendo ao ver que a garota estava levemente corada. Estranhamente, também me sinto sem graça pela situação, mas decido não me importar muito. Estava na hora de me concentrar na missão.
— E agora, Johnny? — pergunto, virando-me para Johnny.
— Agora a gente acha a passagem e entra — responde. — Tyler, ilumine o local. Preciso encontrar o trinco que abre a porta.
— Certo — concorda Tyler, fazendo o que foi pedido.
Johnny se abaixa e passa a afastar as folhas no chão, buscando a entrada da passagem secreta. Quando ele finalmente encontra, o homem levanta a porta e me encara com seriedade.
— Você está pronto? — pergunta Johnny.
— Sim — afirmo, respirando fundo em seguida. — Vamos.
— Não se esqueçam do papel de cada um. Marquem em seus relógios exatos quarenta minutos. Se Prince e eu não voltarmos dentro desse tempo, sigam para a costa. Não ousem entrar na passagem. Fiquem com os capacetes na cabeça para evitar ser reconhecidos e fujam caso alguém apareça. Não deem uma de herói. Protejam suas vidas em primeiro lugar.
Johnny orienta Manu e Tyler mais uma vez. Em seguida, ele entrega uma arma para cada um de nós e alerta mais uma vez sobre a responsabilidade de puxar o gatilho. Assim que está preparado, Johnny me encara com seriedade.
— Vamos, Prince. Está na hora — informa Johnny, ajeitando seu relógio. — São exatamente três e vinte da manhã. Já comecem a cronometrar o tempo. Até quatro horas da manhã devemos estar de volta. Caso não aconteça, já sabem o que fazer.
— Certo. Tome cuidado — pede Manu, abraçando-me apertado.
— Pode deixar — garanto, correspondendo com igual intensidade.
Manu se afasta e abraça Johnny, surpreendendo o rapaz, que não esperava tal demonstração de afeto da garota que constantemente dizia que não confiava nele e que não gostava de seu jeito rabugento.
— Você também. Não ouse morrer e nem se machucar. Precisamos de você, entendeu? — resmunga Manu, apertando mais o abraço.
Johnny permanece sem reação por mais alguns segundos, mas acaba dando uma breve risada anasalada e corresponde ao abraço. Por alguns instantes, consigo ver um pouco de Tony em Johnny. Ele encara a garota com o mesmo carinho que o irmão mais velho dela fazia.
— Não se preocupe. Apenas façam o que eu disse e todos ficarão bem — garante Johnny, afagando a cabeça de Manu. — Agora coloquem os capacetes. Já estamos perdendo um tempo precioso aqui.
Despeço-me rapidamente de Tyler e ele também faz questão de se despedir de Johnny assim como Manu, pedindo que tivéssemos cuidado. Quando garantimos que os dois estão bem e protegidos com os capacetes, Johnny e eu entramos na passagem secreta.
Eu não sabia o que poderíamos enfrentar, mas não podia negar que não via a hora de me encontrar com a pequena Ally. Eu apenas esperava que nenhum grande imprevisto aconteça e que possamos enfrentar esse desafio sem muitos problemas.
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