Fire Scars

2 Treinamento


Notas iniciais
Oiiie Cupcakes *o*! Eu estou muito feliz pelos comentários da Vondyrauslly, Jade Mamis Confeiteira e Podesa, Lina Gêmea Diva (Quiet little reader) e Auslly Forever na Ativa e eu só tenho que agradecer pelo carinho :3!! MANUUU MEU AMOR, FELIZ ANIVERSÁRIO MINHA RAINHA *O*!! Que essa data possa se repetir muitos e muitos anos e eu estou rezando para não decepcionar você e nem a todas que estão me apoiando XD!! Enfim, esse capítulo, eu confesso que não ficou muito do meu agrado, mas foi necessário. Ele ficou chatinho, no entanto, ele começa a melhorar no próximo capítulo, pois terá ação, algo na qual eu sou apaixonada! Boa Leitura...

Capítulo I — Treinamento

Ir contra o natural deveria ser um modo de vidaO que vale a recompensa sempre se vale a brigaCada segundo conta porqueNão há segunda chanceEntão viva, porque você nunca viverá duas vezesNão deixe sua própria vida à deriva

If Today Was Your Last Day — Nickelback

Krósvia — 1995

Em 1995, poucas pessoas acreditavam que a luta de Krósvia contra Garbard se transformaria em uma guerra tão sangrenta como ocorreu. Inúmeros inocentes foram mortos de forma violenta e torturante. Os bombardeios que atingiram as cidades destruíram casas e plantações. A escassez de alimentos e a epidemia de uma doença desconhecida levaram Krósvia ao seu limite.

Os hospitais estavam lotados e o luto dominava toda a população. A guerra havia chegado ao fim e Krósvia obteve a vitória, no entanto, a dor pelas perdas impossibilitava que os krosvianos comemorassem o término daquele pesadelo.

Eu andava ao lado de meus irmãos e primo, observando a destruição das cidades. Era inevitável não sentir a tristeza de todos. As lembranças dos dias anteriores ainda jaziam em minha mente. Anthony, Henrique e Tyler caminhavam em silêncio, parecendo ignorar o cenário ao nosso redor.

Meu irmão mais velho segurava minha mão com firmeza. Eu sempre o admirei por sua coragem e força. Tony sempre foi o melhor em lutas e eu o vi, inúmeras vezes, derrubar homens que eram duas vezes maiores que si. Ele carregava uma grande mochila, contendo o almoço de nosso pai e algumas roupas, que são usadas durante o treinamento que os rapazes recebiam de Stefan.

– O país está em caos. – comenta Henry, suspirando cansado. – Se continuarmos assim, Krósvia não existirá por muito tempo.

– Devemos confiar em nossos governantes. – aconselha Tony, apertando um pouco mais a minha mão e ainda sem olhar para nenhum de nós. – Houve uma guerra, afinal. Seria estranho se não tivesse ocorrido destruição. A única coisa que podemos fazer agora é nos concentrar em nossos treinamentos e esperar que Krósvia volte ao normal.

– Eu me pergunto como deve estar Prince. – fala Tyler. – Soube que o rei o obrigou a matar uma criança do reino inimigo.

– Quem é Prince? E por que o rei o obrigaria a matar uma criança? – pergunto, curiosa e assustada.

– Ninguém sabe se essa história é verdadeira, por isso, não fique a espalhando, Tyler. – repreende Tony, fazendo nosso primo encolher os ombros. Meu irmão se vira para mim e sorri carinhoso. – Prince é o príncipe herdeiro da coroa, Emma.

– Pensei que o nome dele fosse Phillip. – digo, confusa.

– O nome dele é Phillip, Manu. – responde Henry, rindo de mim, enquanto bagunça meus longos cabelos. – Mas, ele prefere ser chamado de Prince.

– Henry, não bagunce meu cabelo. – repreendo meu irmão mais velho, enquanto arrumo meu cabelo, fazendo os rapazes rirem de minha birra infantil. – Mas, por que vocês conhecem o príncipe e eu não?

Meus irmãos deixaram a expressão risonha de lado e adquiriram um olham melancólico. Olho para Tyler e ele dá de ombros, como se não entendesse o que estava acontecendo.

– Manu, você ainda é muito nova para entender os motivos da família real. – diz Henry, seriamente. – Talvez, quando for mais velha, entenderá tudo.

– Eu já tenho onze anos. Não sou mais uma criança. – afirmo, chateada.

– Nós já estamos chegando ao castelo. – avisa Tony, apontando para o castelo, enquanto pega minha mão novamente. – Emma, por favor, você precisa controlar a sua boca. Prince pode ser um pouco...

– Mimado. – completa Henry. – Mas, ele ainda é o herdeiro de Krósvia e nós devemos respeito e lealdade a ele.

Olho para meus irmãos, desconfiada. Resolvo não discutir. Dou de ombros e balanço a cabeça, concordando. Eu estava tendo a oportunidade de participar do treinamento dos rapazes, assim como eu queria. Não seria um príncipe mimado que iria me fazer desistir do meu sonho de comandar o exército real como meu pai.

O restante do caminho, Tyler e eu continuamos a conversar animados sobre assuntos banais. Henry e Tony continuaram calados, nos observando e sorrindo vez ou outra de nossas palhaçadas. Não demoramos muito a chegar ao castelo.

Eu nunca havia entrado no palácio de Krósvia, no entanto, sempre o observava da janela do meu quarto, imaginando como seria cada cômodo daquele lugar. Agora, eu teria a chance de conhecer pessoalmente. Sorrio animada.

Nos aproximamos do majestoso portão de entrada. Dois guardas vigilavam o local, atentos a qualquer movimento suspeito. Ao notarem que quem se aproximava do local eram os filhos de seu comandante, um dos guardas ordenam que abram os portões. Tony aperta mais a minha mão, como se me lembrasse que deveria cumprir com a minha promessa de me comportar.

Atravessamos o belo e deslumbrante jardim, com diversas flores e um chafariz encantador, indo em direção ao estabulo do palácio. Ao longe, vejo meu pai trotando em seu cavalo, observando alguns guerreiros de Krósvia treinarem, com sua postura austera. Era impressionante a maneira como meu pai exalava liderança e confiança. Não havia como não admirá-lo.

O moreno não demora a perceber a nossa presença. Ele sorri carinhoso e dá ordens para que todos continuassem seu treinamento. Rapidamente, ele cavalga até nós e assim que se aproxima, desce de cima do animal e o coloca no estábulo.

– Vocês chegaram cedo. – comenta meu pai, dando um beijo em minha testa.

– Emma não parou de perturbar. – brinca Tony, rindo de mim. – Estava tão eufórica que não conseguia parar quieta.

– Eu estou ouvindo. – digo irritada.

– Isso é bem a sua cara, Manu. – ri meu pai, balançado a cabeça negativamente. – De qualquer forma, o príncipe ainda está tendo a sua aula de política e só deve sair daqui algumas horas. Enquanto isso, por que não apresentam o castelo a irmã de vocês?

– Podemos? – pergunto, animada com a ideia.

– Claro. – reponde meu pai, sorrindo. – Apenas tomem cuidado para não quebrarem nada e nem incomodarem aos que estão trabalhando e aos reis. Evitem ir para a sala de música. Phillip está estudando naquela sala.

– Tudo bem. – concorda Henry, sorrindo compreensivo para o moreno tão semelhante a si.

– Então estamos indo. – fala Tony, entregando a mochila para Stefan. Meu irmão puxa minha mão de leve e acena para meu pai. – Nos vemos mais tarde.

– Não se atrasem. – pede Stefan, sorrindo amoroso.

Sem dá respostas ao homem, começamos a caminhar até os fundos do castelo. Eu me encantava com cada detalhe daquela grandiosa obra. O Castelo Cristal era uma verdadeira obra de arte, cheio de histórias e encantos. Mesmo nunca tendo saído de Krósvia, eu duvidava que poderia existir construção mais bonita que esse castelo.

As flores e árvores cercavam belamente o castelo. De onde estávamos, era possível ver as casas de Krósvia e o mar que rodeia o país. Suspiro encantada. Vejo, então, uma grandiosa piscina. Lamento pela a clara falta de uso da mesma. Não que isso fosse algo surpreendente, afinal, Krósvia é um dos países mais frios da Europa.

Tyler ri de minha cara, parecendo se divertir com as minhas caras e bocas. Lanço um olhar feio para meu primo e ele apenas dá língua, demonstrando toda a sua infantilidade. Reviro os olhos e passo a prestar atenção no caminho. Logo estamos de frente a uma porta de madeira, talhada com o símbolo da coroa krosviana.

– Manu, aqui é a cozinha. A essa hora elas estão preparando o almoço dos reis, por isso, não ficaremos aqui por muito tempo. – explica Henry, abrindo a porta do lugar.

Balanço a cabeça, concordando. Solto a minha mão do aperto de Tony. Ele me olha desconfiado, como se estivesse esperando que eu aprontasse alguma coisa. Suspiro frustrada. Desde o dia em que sai de casa sem permissão, meus irmãos se tornaram mais superprotetores que o normal. Esse é um dos lados ruins de ser a única garota da casa. Mesmo não sendo mais um bebê, Anthony e Henrique continuam a me tratar como se fosse uma. Eu detesto andar de mãos dadas com eles, mas sou obrigada. Reviro os olhos, insatisfeita com a minha situação.

– Não adianta fazer essa cara. Sabe que tenho motivos para agir assim com você. – repreende Tony.

– Que tal entramos? – sugere Tyler. Meus irmãos o encaram com seriedade. – Vamos, pessoal, eu acho que depois de um mês sendo jogado na cara dela o que aconteceu, ela aprendeu a lição. Relaxem! Ela não é louca de aprontar aqui. — Sorrio agradecida para meu primo. Ele lança uma piscadela e sorri cúmplice para mim.

Após um suspiro cansado, Tony bate na porta e a abre devagar. Ele sorri para as empregadas e dá espaço para que entrássemos. Surpreendo-me com o tamanho do cômodo. A cozinha era simplesmente enorme.

Apesar da aparência medieval, o lugar não deixava de ter sua beleza. O chão de madeira contrastava bem com as paredes acinzentadas e os móveis de cores escuras. Inúmeras panelas de cobre cintilavam em cima dos armários e penduradas nas paredes de forma organizada. E mesmo tendo um luxuoso fogão industrial, as cozinheiras pareciam preferir utilizar o fogão a lenha.

O cheiro da deliciosa refeição chega ao meu nariz. Suspiro, deliciando-me do calor da cozinha e da sensação de conforto que aquele lugar proporcionava. Não demoramos muito e logo prosseguimos com o “tour” pela casa.

O próximo cômodo foi a sala de jantar. O local era simples, mas muito bonito. A mesa de dez cadeiras ocupava a maior parte da sala. As janelas iluminavam demasiadamente o ambiente, não sendo tão necessário o uso do simples lustre acima da mesa.

– Eu soube que o único momento em que eles se reúnem e fingem agir como uma família é durante as refeições. – sussurra Tyler, ao meu lado.

– De quem você está falando? – sussurro de volta, ainda observando cada detalhe do lugar.

– Da família monarca, idiota. – responde, dando um tapa na minha nuca.

– Tyler. – olho para meu primo com raiva. Estava pronta para dar um soco em sua cara, quando Henry me olhou com seriedade.

– Não comecem. – fala Henry, com os olhos transbordando repreensão.

– Tyler, eu já lhe disse para não ficar comentando assuntos que não sabemos se é verdade, sobre os reis. – complementa Tony. Meu primo abaixa os ombros, parecendo se sentir culpado. – Vamos continuar.

– Antes de irmos, eu poderia ir ao banheiro? – pergunto, sorrindo sem graça.

Tony solta uma leve risada e concorda com um balançar de cabeça. Ele dá as instruções de onde fica o cômodo e informa que eles esperariam por mim no mesmo lugar em que estavam. Assim que dou as costas para eles, sorrio satisfeita.

Sem meus irmãos e primo por perto, eu me sentia em uma aventura, explorando um local desconhecido. O gostinho de estar fazendo algo proibido era algo que eu amava sentir. Rio, imaginando a cara de Tony e Henry se soubessem de minhas intenções.

Enquanto perambulava pelos corredores, acabo chegando a área de serviço e por muito pouco não sou descoberta por uma das empregadas do castelo. Corro para a porta mais próxima para me esconder. Com certeza, eu estaria encrencada se meus irmãos descobrissem que eu estava no caminho contrário ao que eles haviam me informado.

Com a luz que entrava pelas frestas da porta, observo melhor o local onde eu estava e vejo um objeto brilhando no chão do quartinho empoeirado e com diversas caixas de produtos de limpeza. Aproximo-me do brilho e percebo que, na verdade, não era um objeto. Aquilo era uma maçaneta de uma porta secreta. Um tapete deveria esconder a passagem, mas, aparentemente, o último a estar naquele lugar havia sido descuidado.

O meu senso de perigo me dizia que eu estava indo longe demais, no entanto, a minha curiosidade falou mais alto que meu bom senso. Puxo a maçaneta e não demora para que a porta se abra. A escuridão impossibilitava que eu visse o que estava acontecendo. Pego o isqueiro que sempre carrego comigo e o acendo. Surpreendo-me ao notar que a porta levava a uma escada.

Ao final da escada, percebo que estou em uma espécie de porão. Encontro o interruptor e ligo as luzes. O local possuía diversos aparelhos para treino de lutas, mas todos eram antigos e estavam bem desgastados. O chão estava coberto por um tecido especial preto acolchoado parecida com a de um tatame. No outro lado do porão, havia uma grandiosa cortina que cobria boa parte da parede.

Curiosa, aproximo-me da mesma e a abro, revelando uma grande janela que tinha vista para o Mar do Norte¹. O castelo foi construído no ponto mais alto de Füssen², capital de Krósvia, em uma colina ao nordeste da cidade. O palácio possui uma ampla visão da maior parte do território krosviano e do mar que banha o litoral do país. Aquele porão era uma construção subterrânea, mas ainda possuía uma bela visão do horizonte através da janela de vidro que iluminava o espaço.

As paredes eram lisas e maciças, parecendo ser a prova de som, o que me surpreendeu ainda mais. No entanto, a parede que ficava ao lado da escada continha um botão discreto na cor vermelha. Pressiono o botão e uma pequena parte da parede começa a se mover, revelando um painel com diversos botões.

Aperto um botão azul e uma seção de lambris³ se abre, contendo algumas armas medievais, como lanças, flechas, facas de diversos tamanhos, machados e escudos de inúmeros formatos. Voltei a pressionar aquele botão e o compartimento se fechou. Pressionei o segundo botão que estava ao lado e uma nova seção se revela, mas, dessa vez, era, pelo menos, duas vezes maior que a primeira. Havia uma coleção de espadas e, ao lado, algumas armaduras eram expostas. Cheguei mais perto para admirá-las.

De floretes finos a pesadas espadas de lâminas grossas, a espadas eram expostas de maneira gloriosa. Eu sempre fui apaixonada por espadas, então eu conhecia bem cada modelo, mas havia uma que eu nunca vi em livro algum.

Ela estava em uma caixa especial, longe das outras, como uma joia rara. A espada parecia ter sido feita de ouro e refletia soberanamente sua lâmina afiada. Quando estava prestes a tocar na caixa de vidro que a protegia, sinto o cano de uma arma em minha cabeça.

– Eu não faria isso se fosse você, garotinha. – uma voz masculina se manifesta. – Abaixe sua mão e coloque-a junto a outra em sua nuca, ou eu terei que tomar medidas trágicas.

Assustada, faço o que é ordenado. Minhas mãos suavam frio e minhas pernas tremiam, deixando claro o meu pavor. Ouço o suspiro frustrado do homem e, logo em seguida, o mesmo abaixa sua arma.

– Vire-se para mim, garota. – pede suavemente. Confusa e ainda amedrontada, viro-me para o homem e percebo que o mesmo possuía um olhar gentil e aquilo faz com que eu relaxasse o corpo. – Qual o seu nome?

– Emanuelle Santos. – respondo, tentando manter a voz estável. Vejo o homem arregalar os olhos, surpreso por minha resposta. Encaro-o confusa, imaginando o que se passava na mente do mesmo.

– Você é a filha de Stefan. – conclui o homem de cabelos escuros e alguns fios grisalhos. Seu olhar se perdia, parecendo revelar algo que eu não conseguia compreender. – Escute, criança, você deve sair dessa sala imediatamente e não revelar a ninguém sobre a existência dessa academia.

– Por que ninguém pode saber desse lugar? – pergunto confusa.

– Isso não é algo que você deva saber. – fala o homem, rispidamente. – Agora, volte para o seu pai.

Inconformada por não obter respostas, suspiro frustrada e volto a entrada do porão. Dou uma última olhada no lugar e meu olhar se foca na espada de ouro brilhante. Eu tinha a sensação de que não importava quantas vezes eu olhasse para aquela espada, eu continuaria encantada por sua beleza.

Subo as escadas e não demoro a chegar ao depósito. Suspiro aliviada por saber que não estava encrencada, pelo menos, por enquanto. Eu não sabia se deveria fechar ou não a porta que dava passagem para o porão, mas resolvo que era melhor deixar aquele homem trancado lá do que correr o risco de mais alguém descobrir.

Encubro a porta secreta com uma espécie de carpete e passo a imaginar as inúmeras salas secretas que o castelo possui. Levanto-me e limpo minhas roupas. Ainda que fosse um deposito de limpeza, aquele quarto parecia não ter sido limpo a muito tempo.

– O que você está fazendo ai? – uma voz se torna presente no quarto.

Meu coração se acelera, devido ao susto, e, por impulso, viro-me de uma vez e acabo acertando um soco no nariz da pessoa. O golpe havia sido forte, o que levou a pessoa a cair no chão e bater a cabeça. Coloco a mão na boca, evitando de gritar e chamar atenção de mais alguém.

– Meu Deus! Você está bem? – pergunto, após perceber que havia acertado um garoto que aparentava ser um pouco mais velho que eu.

– Você é louca? – grita, colocando a mão no nariz, enquanto o sangue escorria com intensidade.

– Shiii, fica quieto. – sussurro, colocando a mão sobre a boca do garoto. – Não podem saber que eu estou aqui.

O garoto olha para mim, com descrença. Ele puxa minha mão com brutalidade e lança um olhar furioso, fazendo com que eu encolhesse os ombros levemente. Ele se levanta e suspira, fazendo uma careta de dor. Seu nariz continuava a sangrar e o moreno não parecia muito feliz com isso, pois tentava a todo custo parar com o sangramento. Pego um lenço que estava no bolso da minha calça e estendo para o rapaz, timidamente.

Ainda com a expressão furiosa, ele pega o lenço com brutalidade e levanta a cabeça, segurando o pano abaixo do nariz. Levanto-me do chão e passo a encará-lo, analisando sua aparência. A pele pálida contrastava com os cabelos castanho claro e os olhos azuis acinzentado. Ele era bem mais alto que eu, além de possuir o corpo na medida certa, nem muito gordo, nem muito magro. Ele com certeza era o garoto mais bonito que eu já vi em minha vida.

– Eu sinto muito. – sussurro, envergonhada pelo acontecimento.

– Quem é você? O que você está fazendo aqui? – pergunta secamente, enquanto abaixa a cabeça e passa a me encarar.

– Eu...

– O que você ainda está fazendo aqui, garota? – sou interrompida pelo homem de poucos instantes atrás. – Seu pai deve estar procurando por você.

– Você a conhece, Gregory? – pergunta o garoto.

Lembro-me do treino e assusto-me ainda mais com a bronca que receberia dos meus irmãos pela demora. Sem esperar para ouvir a resposta de Gregory, saio correndo.

Desço as escadas aos tropeços e, por vezes, por muito pouco não caio. Passo por alguns guardas e empregadas, recebendo repreensão por estar correndo pela casa, mas não dou ouvidos a eles.

No meio do caminho, esbarro com meu primo, levando-nos ao chão. Eu me odiava por ser um desastre em pessoa. É impressionante como não consigo ficar um dia, sequer, sem causar algum acidente.

– Manu! – fala Tyler, suspirando aliviado. – Onde você se meteu, pirralha? Seus irmãos estão a ponto de te matar.

– Eu sei. – falo, respirando com dificuldade. – Onde eles estão?

– Na área de treino. Eu disse a eles que você poderia estar tendo problemas para encontrar a saída e que iria atrás de você. – explica, levantando. Ele estende a mão, ajudando-me a levantar. – Você está me devendo uma.

– Não é hora para isso. – digo, alarmada. – Eu vou perder o meu primeiro treino. Vamos!

Após isso, puxo meu primo pela mão e o arrasto pelo castelo, sem fazer ideia para onde ir. De repente, Tyler para de correr e me impede de continuar. Olho assustada para ele e percebo seu olhar debochado sobre mim.

– Estamos indo pelo lado errado, gênia. – diz sarcasticamente. Ele dá um peteleco em minha testa e ri de minha cara de dor. – Acho melhor eu guiar e você apenas me seguir.

Não demoramos a chegar na área de treino. Meus irmãos já lutavam com suas espadas, enquanto meu pai dava algumas ordens e observava a desenvoltura dos dois. Ao notarem a nossa presença, os três voltam seus olhares para nós.

– Onde vocês estavam? – pergunta meu pai, irritado. – O treino já começou a um bom tempo e nenhum sinal de vocês ou do príncipe.

– Sinto muito, papai. – falo, envergonhada. – Eu me perdi pelo castelo. – minto, tentando aliviar a futura bronca.

– Troquem de roupa. – diz Stefan, dando um suspiro cansado. – Tyler, dê as roupas de treino para sua prima e passe as regras a ela. Anthony e Henrique, continuem treinando. Eu vou atrás de Phillip e não devo demorar a voltar.

Meus irmãos me olham desconfiados e voltam ao treinamento. Eu sabia que os dois não haviam caído em minha história como meu pai e provavelmente me perturbariam mais tarde, mas ao menos não fui banida do treino. Stefan pode ser bem rígido quando os assuntos são treinos e responsabilidades.

– Pega, Manu. – meu primo me estende um short, uma calça, uma blusa e um par de coturnos pretos. – Amarre seu cabelo em um coque. Pode ir no vestiário primeiro. Fica ali.

Tyler aponta para uma porta no outro lado da área. Sabendo do meu nervosismo, ele me lança um sorriso carinhoso e bagunça meus cabelos. Desisto de repreendê-lo e lanço um sorriso animado para meu primo. Finalmente eu teria a chance de mostrar a todos que, mesmo eu sendo uma garota, conseguiria lutar tão bem ou até melhor que um garoto.

Não demoro a me arrumar. A ansiedade impedia que eu enrolasse mais que o necessário. Olho no espelho e sorrio nervosa. Inspiro profundamente e solto o ar, controlando as minhas emoções. Saio do vestiário e logo meu primo entra.

Enquanto espero Tyler trocar de roupa, passo a prestar atenção no treino de meus irmãos. Tony e Henry são mais velhos que eu, sete e cinco anos, mas desde que eu era um bebê, eles já manejavam armas de vários tipos e o amor pelas espadas era o que unia ainda mais os dois.

Os olhos de meus irmãos brilhavam enquanto treinavam, como se tivessem sido feitos para estar em um campo de batalha. Sorrio feliz por eles. Somente eu sabia o quanto eles haviam sacrificado para cuidar de mim, já que eu nunca tive uma mãe e meu pai vivia mais no castelo do que em nossa casa. Tony, mesmo sendo uma criança, nunca reclamou de cuidar de Tyler, Henry e eu e isso fazia eu admirar meu irmão ainda mais.

– Eles são incríveis, não é? – fala Tyler, olhando para meus irmãos. Ele tinha um sorriso de admiração em seu rosto.

– São os melhores. – respondo, quase venerando Tony e Henry.

A porta da sala de treinos é aberta, revelando meu pai e, para minha surpresa, o garoto que eu havia batido recentemente. Meus irmãos param de lutar e vão conversar com meu pai e o garoto. Tyler percebe a minha tensão e começa a me encarar.

– O que foi? – pergunta, preocupado. – Você está sentindo alguma coisa? Ficou pálida de uma hora para outra.

Fico de costas para a entrada da sala e empurro meu primo para um pouco mais longe. Dou uma rápida olhada para trás e o garoto parecia entretido na conversa entre meu pai e meus irmãos.

– Tyler, aquele garoto, por acaso, é o príncipe Phillip Dawson? – pergunto, cautelosamente.

– Sim. Por quê? – responde, demonstrando confusão em seus olhos.

– Tyler, eu estou muito encrencada. – falo, olhando assustada para meu primo.

– O que aconteceu? – questiona, desconfiado. – O que você aprontou dessa vez, Manu?

– Eu dei um soco no príncipe. – sussurro, temendo a reação do garoto.

– Você o que? – grita, mas vendo meu olhar repreensor, ele abaixa o volume da voz. Por sorte, ninguém parecia ter nos escutado. – Por que você bateu no príncipe? Ficou louca?

– Eu não sabia que ele era o príncipe. E foi sem querer. Ele me assustou e, por impulso, eu o acertei. – explico, quase chorando. – Meu pai vai me matar se descobrir isso.

– Pode apostar que vai. – fala meu primo, seriamente.

– Manu, Tyler, venham aqui. – pede meu pai.

Arregalo os olhos, assustada. O príncipe ainda não havia me visto e eu não sabia como ele iria reagir quando me visse. Olho para Tyler, implorando para que o mesmo me salvasse. Ele suspira inconformado e balança a cabeça negativamente para mim.

– Fica calma. – pede Tyler, suavemente. – Nós vamos dá um jeito nisso.

Inspiro fundo e sigo com meu primo até o local onde meu pai estava. Tony estava na frente de Phillip, impedindo que ele enxergasse a minha aproximação com Tyler. Minhas mãos tremiam e o nervosismo falava cada vez mais alto dentro de mim. Odiando a mim mesma por atrair tanta encrenca, sorrio forçadamente para meu pai, quando ele me estende a mão.

– Phillip, quero que conheça a minha filha caçula, Emanuelle. Manu, esse é Phillip, o futuro rei de Krósvia. – fala meu pai, orgulhoso, para o garoto.

Assim que Phillip me ver, ele arregala os olhos e sua boca se abre, tentando formular uma frase coerente. Olho para Tyler, temerosa e aperto a mão de meu primo, já esperando o surto do príncipe.

– Você? – grita o garoto, em um misto de fúria e surpresa. – Isso só pode ser brincadeira.

Continua...

Notas finais
Henry: http://i1127.photobucket.com/albums/l630/larissa3010/teen-wolf-dylan-obrien-maze-runner_zpse67b8e2d.jpg Tony: http://31.media.tumblr.com/tumblr_l662ymc1Ff1qaovyco1_500.jpg Tyler: http://iv1.lisimg.com/image/799242/600full-marlon-teixeira.jpg Símbolo: http://2.bp.blogspot.com/_tpwHPrra358/TF-Kp7UpH8I/AAAAAAAAADA/oEVXkdObe5M/s400/brasao_demolay1.jpg Garoto: http://i1127.photobucket.com/albums/l630/larissa3010/nm0973974_zps34f88cd3.jpg Estende: http://i1127.photobucket.com/albums/l630/larissa3010/iejwdfhueh_zps7fa644aa.png oOo Mar do Norte¹: O Mar do Norte é um mar do Oceano Atlântico, situado entre as costas da Noruega e da Dinamarca ao leste, a costa das Ilhas Britânicas ao oeste e a Alemanha, Países Baixos, Bélgica e França ao sul. Eu "fiz" Krósvia como um país ao norte da Europa e imaginei algo parecido com a Alemanha. Nada mais justo que usar o mar e o castelo mais famoso do país. Füssen²: Füssen é uma cidade do estado alemão da Baviera, no distrito de Ostallgäu, situada a cinco quilômetros da fonteira austríaca. Eu resolvi fazer essa cidade como a capital de Krósvia, mas não se esqueçam que ela pertence a Alemanha. Lambris³: Revestimento até certa altura de parede interna, feito de madeira, mármore, estuque etc. oOo E então? O que acharam? Críticas, elogios, erros ortográficos? Oii Cupcakes *o*!! Eu estou bem apreensiva com o que estão pensando da fic. Espero não ter decepcionado ^^! Muito obrigada a todos que leram e comentaram. Beijocas ♥