Fire Scars

3 Chantagem


Notas iniciais
Oiii Cupcakes ♥! AAAAAAA, TRÊS RECOMENDAÇÕES COM APENAS DOIS CAPÍTULOS? MUITO OBRIGADA LINA, JADE E MANU PELAS RECOMENDAÇÕES DIVAS ♥!! Obrigada também os comentários das minhas doces e amadas princesas R5er Para Todo Sempre e Inocente, minha Mamis Confeiteira Super-heroína Jade, minha rainha de Krósvia Manu (VacuumCleaner), a minha sobrinha tarada Lia Jackson Eaton Malfoy Smith, a gatinha da mamãe Nara Lynch, a anjinha da Bia, a doce Little Princess e a Italianinha (Fran) ♥. Seus comentários me ajudaram e muito!! Eu realmente sinto muito, meninas. Depois de meses sem atualizar Fire Scars, finalmente tomei vergonha na cara e finalizei o capítulo. Agradeço a todos que vieram me cobrar pelo Facebook, WhatsApp e MP, pois isso me inspirou muito a continuar a escrever ♥. O capítulo está gigante, como recompensa. Não sei se ficou legal, mas amei escrevê-lo. Boa Leitura...

Capítulo II — Chantagem

Você é o medo, eu não ligoPorque nunca estive tão fora de mimMe siga até a escuridãoMe deixe te levar além dos nossos satélitesVocê pode ver o mundo que trouxe à vida, à vida

Love Me Like You Do — Ellie Goulding

Krósvia – 1995

O silêncio se espalhou pela sala de treinamento após a exclamação de Prince. Todos pareciam surpresos com a reação do príncipe herdeiro e eu já estava me preparando para o pior. Com uma força absurda, eu apertava a mão do meu primo e me encolhia discretamente.

Tyler me olhava apreensivo e eu continuava em um conflito interno sobre como reagir ao ataque de meu pai quando descobrisse o que eu havia feito. Pior ainda seria meus irmãos. Eles me matariam por desobedecê-los.

– Vocês se conhecem? – Questiona meu pai, desconfiado.

Olho assustada para Phillip, enquanto apertava mais a mão de Tyler. Eu estava suando frio e eu esperava que o rapaz não me dedurasse. O problema não seria somente ter batido no futuro rei de Krósvia. Teria a questão de estar em um local proibido e que deveria ser mantido em sigilo.

– Pai... – Começo, procurando alguma desculpa para diminuir a minha culpa, no entanto, sou interrompida por Phillip.

– Eu a vi na floresta alguns dias atrás. O rei pediu que eu fosse treinar com os cavaleiros e acabamos nos esbarrando. Não falamos muitas coisas, por isso estou surpreso por saber que ela é sua filha. – Responde o príncipe, com um sorriso brilhante e simpático.

Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Olhando para o garoto, naquele momento, era quase impossível de acreditar que a instantes atrás ele tivesse a ponto de me matar.

Suspiro aliviada e sinto um forte beliscão de meu primo. Seguro-me para não gritar e solto sua mão. Repreendo Tyler com o olhar e o mesmo me lança um sorriso irônico, mas logo dá uma piscadela e parece feliz por eu não estar encrencada.

– Mesmo? – Pergunta Tony, não acreditando na história de Prince.

– Duvidando de minha palavra, Anthony? – Diz Phillip, dando um discreto sorriso maligno.

Eu não tinha dúvidas que o garoto era um idiota, mas eu não iria me opor a ele naquele momento. Meu pai olha para meu irmão mais velho e balança a cabeça negativamente, como se o orientasse a não desafiar a autoridade do príncipe. Henry dá uma cotovelada no outro e sorri sem graça para o príncipe.

– Ele é um idiota, Prince. – Afirma Henry, sorrindo falsamente. – Não ligue para o que ele diz.

Tony continua a nos encarar, desconfiado. Meu irmão era esperto o suficiente para entender o que ocorria. Sempre foi assim. O rapaz conseguia identificar que algo estava errado com apenas um olhar.

– Por que não voltamos ao nosso treinamento, tio Stefan? – Indaga Tyler, tentando amenizar o clima tenso que havia se formado no recinto. – Manu deve estar ansiosa para saber o que tanto fazemos por aqui.

– Claro. — Concorda meu pai, dando um sorriso sem graça para nós, mas logo volta a assumir a sua postura mais rígida. — Nós já estamos atrasados, portanto, peguem suas armas.

Inconformado, Tony é o primeiro a sair atrás de sua espada que havia largado no tatame logo após Prince ter chegado. Henry o acompanha e me lança um olhar ameaçador, como se dissesse que eu estaria morta se aprontasse alguma coisa.

[...]

– Manu, flexione mais os seus joelhos. Se continuar assim, será facilmente derrubada. – Meu pai repreende-me com seriedade, enquanto observa minha luta contra Tyler.

Faço o que meu pai pede e sinto que o equilíbrio estava melhor. Minha espada se chocava ferozmente com a de meu primo e isso parecia fazer algo dentro de mim arder. A sensação de finalmente aprender a arte da luta era incrível.

– Muito bem. – Grita Stefan, batendo palmas, chamando nossa atenção. – O treino de hoje acabou. – Anuncia, sorrindo suavemente para mim. – Eu preciso resolver alguns assuntos, portanto, Anthony, Henrique e Tyler, tomem conta da irmã de vocês e não permitam que ela se envolva em problemas. Vejo vocês à noite.

Sorrio sem graça para meu pai, imaginando como ele reagiria ao saber que eu já havia me metido em problemas. O homem acena levemente e deixa a sala de treinamento.

Suspiro, discretamente. Eu estava cansada, mas feliz por meu maior desejo ter se realizado. Olho para o príncipe e ele conversava com meu irmão mais velho. Observo-o por alguns instantes e não demoro a desviar o olhar para outro ponto, quando ele se vira para mim.

– Parabéns, Manu! – Fala Henry, abraçando-me com animação, após deixar sua espada no banco da sala de treinamento e caminhar em minha direção com um grandioso sorriso em sua face. – Estou muito orgulhoso de você.

– Obrigada, Henry. – Agradeço, constrangida. Meu irmão beija a minha testa, pega sua espada e segue em direção ao vestiário, reclamando que estava morto de cansaço. Rio de Henry e me viro para Tyler, que me encarava com um sorriso sapeca estampado em seu rosto.

– Parabéns, prima. Também estou muito orgulhoso de você. – Fala Tyler. Ele me abraça e sussurra: — Apesar de querer te matar por ter feito a burrice de bater no príncipe.

– Eu sinto muito. – Sussurro de volta, sentindo-me culpada.

– Você vai sentir mais quando Tony querer tirar essa história a limpo. – Avisa, afastando-se de mim. Ele sorri discretamente e sai da sala, pegando suas coisas que estavam largadas próximas ao vestiário e vai se trocar.

– Emma. – Tony me chama com seriedade.

Fecho os olhos com força e prendo a respiração. Eu não sabia o que meu irmão queria comigo, mas com certeza ele ficaria furioso quando descobrisse o que eu aprontei. Devagar, viro-me para meu irmão e percebo que ao seu lado estava Phillip, que me encarava sem expressão.

– Sim? – Digo, aproximando-me de meu irmão, temendo o pior.

Tony sorri orgulhoso e abre os braços assim que estou de frente para ele. Aliviada, jogo-me em meu irmão e toda a tensão que eu sentia desaparece. Tony beija minha testa e me afasta cuidadosamente.

– Você foi muito bem hoje. Estou orgulhoso. – Afirma, olhando em meus olhos.

– Obrigada, Tony. – Agradeço, voltando a abraçar meu irmão mais velho. Ele ri e balança a cabeça negativamente, correspondendo ao abraço.

– É melhor nós irmos nos arrumar. Já está tarde e você precisa comer alguma coisa. – Alerta meu irmão, assumindo sua postura mais séria.

– Vai na frente. Os meninos ainda estão se trocando. – Digo, afastando-me de meu irmão e dando espaço para que ele fosse.

Tony concorda com a cabeça e acena para Phillip, antes de sair rumo ao vestiário, deixando-me às sós com o príncipe. O garoto apenas me olhava sem expressão e eu me perguntava o que se passava em sua mente.

– Você não tem nada a me dizer? – Pergunta, de repente, caminhando até o banco que havia do lado de fora do tatame.

Olho confusa para Phillip e o sigo, sem saber exatamente o que falar. Temia dizer algo de errado e me enrascar ainda mais nessa história. Sento-me ao seu lado e encaro minhas mãos.

– Desculpa? – Arrisco, sem olhar para o príncipe.

– Eu acabei de te salvar de ser castigada por seu pai e seus irmãos e tudo o que você tem a me dizer é isso? – Pergunta, sarcástico, demonstrando a personalidade mimada na qual meu irmão havia citado mais cedo.

– E o que você quer que eu diga? – Pergunto, irritada.

– Que tal: Muito obrigada, príncipe. Você salvou minha vida. Eu sou eternamente grata a você e prometo fazer tudo o que me pedir. Não importa o que seja e nem o horário que você me pedir, eu seguirei todas as suas ordens sem questioná-lo. – Olho para Phillip, sem acreditar em suas palavras. Respiro fundo, controlando-me para não cometer mais uma loucura.

– E por que eu falaria isso? – Questiono, sarcasticamente, cruzando os braços e o encarando com irritação.

– Porque se não fizer isso, seu pai saberá que você invadiu a sala secreta do castelo e ainda bateu no príncipe. Acho que ele não ficaria nada feliz em saber disso. – Responde Phillip, sorrindo com malícia.

– Você está me ameaçando? – Pergunto, levantando do banco, bruscamente.

– Não. – Diz, levantando do banco e se colocando a minha frente. – Estou apenas te dando uma opção. Você tem duas escolhas. Ou faz tudo o que eu quero e na hora que eu quero ou você não faz e seu pai e seus irmãos ficam sabendo de tudo. Você escolhe.

Meu corpo tremia em fúria. Eu estava a ponto de partir para cima daquele príncipe metido e acabar com o sorriso convencido dele. Phillip parecia se divertir com a minha raiva e isso só me irritou ainda mais.

– Escute aqui! Quem você pensa que é para falar assim comigo? Só porque você é o herdeiro da coroa não significa que você possa fazer esse tipo de coisa com as pessoas! – Grito, apertando meus punhos.

– Emanuelle! – Grita Henry, entrando na sala, acompanhando de Tyler e Tony. – O que pensa que está fazendo?

– Henry? – Sussurro, encolhendo-me. Meu irmão raramente gritava comigo. Isso só ocorria quando eu estava muito encrencada, o que significava que eu estava muito enrascada.

– O que aconteceu aqui? – Pergunta Tony, nos encarando com intensidade. – Do vestiário dá para ouvir os gritos de Emma.

– Eu...eu...- Tento dizer algo, mas eu estava muito nervosa para conseguir uma história convincente. Olho para Tyler, implorando por ajudar. Meu primo suspira, parecendo cansado e me olha com reprovação.

– Eu sinto muito por minha prima ter gritado, Vossa Alteza. – Fala Tyler, aproximando-se do príncipe e fazendo uma reverência. – Ela não fez por mal.

– Tyler, não...

– Calada, Emanuelle. – Pede meu primo, olhando com repreensão para mim, enquanto erguia sua cabeça.

– Peça desculpas ao príncipe, Emma. – Pede Tony, mantendo a calma. Diferente de Tyler e Henry, Tony nunca perdia a cabeça. Mesmo quando tinha tudo para está furioso, ele jamais levantava a voz.

– Eu sinto muito, príncipe Phillip. – Digo, fazendo a mesma reverência que meu primo acabara de fazer.

Eu queria gritar e chorar. Tudo que eu queria era que esse dia fosse perfeito, mas o príncipe mimado tinha que estragar tudo. Eu estava tão frustrada. A humilhação que eu sentia só fazia eu me sentir ainda mais furiosa com Phillip.

– Não se preocupem. – Fala Phillip, sorrindo simpaticamente. Eu sentia que aquele sorriso gentil é apenas um disfarce da cobra que Phillip é. – Eu estava apenas brincando com ela e acho que passei dos limites. Peço desculpas também.

– De qualquer forma, sentimos muito por nossa irmã. – Diz Tony, recolhendo minhas coisas que estavam próximas de mim. – Garanto que isso não tornará a acontecer.

– Tudo bem. – Diz o príncipe, dando de ombros. – Eu preciso ir para minha aula de história. Você virá mais tarde, Tony?

– Sim, Prince. Não precisa se preocupar. – Afirma meu irmão, sorrindo discretamente para o príncipe.

O príncipe acena para meus irmãos e me lança um sorriso convencido. Estreito meu olhar e inspiro profundamente, preparando-me para a bronca que receberia de meus irmãos.

– Será que você poderia nos explicar o porquê de ter agido daquela forma com o príncipe? – Pergunta Henry, aproximando-se de mim e me olhando com repreensão.

– Eu...

– Vamos discuti isso em casa. – Interrompe Tony, ajeitando sua mochila em seu ombro e, logo em seguida, me entregando minha mochila. – Já está tarde e Emma precisa comer algo. Vá se trocar.

Suspiro, balançando a cabeça, concordando e sigo para o vestiário. Olho no espelho do lugar e fecho os olhos, frustrada. Como uma pessoa conseguia ser tão insuportável como ele?

Volto a abrir os olhos e decido que eu deveria me apressar. Meus irmãos já estavam furiosos suficiente comigo. Tudo o que eu menos precisava era deixá-los ainda mais irritados.

Após trocar de roupa, arrumo minhas coisas e saio do vestiário. Meus irmãos continham expressões sérias e eu me perguntei se o motivo era minha atitude de mais cedo. Tyler parecia quase tão perdido quanto eu.

– Estou pronta. – Digo, chamando a atenção dos três rapazes.

– Ótimo. – Afirma Henry, descruzando os braços.

– Tyler, leve Emma para casa e espere por nós lá. – Pede Tony, entregando uma mochila para meu primo.

– Vocês não irão conosco? – Pergunto, confusa.

– Não. Tio Stefan pediu que Henry e Tony fosse vê-lo. – Explica Tyler, pegando minha mochila.

– Aconteceu alguma coisa? – Questiono, começando a me preocupar.

– Nada com que tenha que se preocupar. – Responde Henry, sorrindo carinhoso para mim. – Agora, seja uma boa menina e vá para casa com Tyler. E comporte-se! Nada de se envolver em mais encrenca.

– Eu vou me comportar. Prometo. – Garanto, preocupada. Por mais que meu irmão dissesse que estava tudo bem, apenas pela maneira como Tony estava agindo, eu sentia que eles escondiam algo grave de mim.

– Vamos? – Pergunta Tony à Henry.

– Claro. – Concorda o mais novo. – Tyler, cuide bem dela.

– Tudo bem. – Fala Tyler. – Até mais tarde.

Meus irmãos acenam para nós e saem da sala de treinamento. Olho desconfiada para Tyler, esperando que ele me dissesse o que estava acontecendo, mas a única coisa que ele faz é dar de ombros.

– Não olhe para mim assim. Eu não sei de nada. – Afirma Tyler, levantando as mãos em sinal de rendição. – Um dos homens do rei vieram aqui e pediu que Tony e Henry fossem até o tio Stefan, pois ele irá precisar deles.

– O que será que aconteceu? – Sussurro, pensativa.

– É melhor nós irmos. – Fala meu primo, tocando em meu ombro e despertando-me de meus pensamentos.

Balanço a cabeça concordando. Saímos da sala de treinamento e noto que o dia estava cada vez mais frio. O inverno estava chegando e muito em breve nevaria. No estado em que Krósvia se encontra, isso é preocupante. Os alimentos e todos os recursos básicos estão escassos e enquanto a crise não chegar ao fim, o povo passará fome e frio.

– Acha que Krósvia ficará bem? – Pergunto a Tyler, enquanto seguíamos para fora do castelo.

– Não sei. – Admite meu primo, olhando-me com seriedade. – Mas não há nada que possamos fazer a não ser acreditar em nosso rei. Talvez ele tenha um plano que possa nos salvar da falência.

Um vento forte sopra, balançando as folhas das árvores que haviam próximas de nós. Paro de andar e seguro meu cabelo, que por estar solto, vai para meu rosto. Quando, finalmente, o vento para, sinto que estou sendo observada.

Levanto um pouco a cabeça e encontro os olhos acinzentados do príncipe me encarando com curiosidade. Ele parecia estar em uma espécie de sala de estudo e não dava atenção alguma ao professor que estava ao seu lado, segurando um grosso livro.

De alguma forma, seus olhos transmitiam uma tristeza inexplicável. Ele parecia um belo pássaro preso em uma gaiola. No entanto, a minha compaixão se acaba quando ele adquire um sorriso maldoso e me lança uma piscadela.

– Principezinho mimado. – Sussurro, lembrando que por sua culpa, eu estaria bem encrencada quando meus irmãos chegassem em casa.

– Manu? – A voz de Tyler, obriga-me a desviar o olhar de Phillip.

– O que? – Pergunto, sem esconder a minha irritação.

– Tudo bem? Estou te chamando há um bom tempo e a única coisa que você fez foi ficar encarando aquela janela. – Fala Tyler, apontando para a janela em que eu encarara instantes atrás. Pela maneira como falou, supus que no lugar onde meu primo estava não dava para ver Phillip e eu agradeci mentalmente isso. Provavelmente, Tyler voltaria a falar sobre o que aconteceu na sala de treino e tudo o que eu menos queria ouvir naquele momento era um sermão.

– Está. – Afirmo, voltando a andar. – Não se preocupe.

Tyler olha mais uma vez para janela e a encara com confusão. Por fim, ele dá de ombros e começa a me seguir. Eu gostava de passar um tempo com meu primo. Diferente de meus irmãos, ele me dava liberdade. Eu não precisava segurar sua mão quando saísse de casa ou ser privada de algum assunto. Tyler não me tratava como criança e talvez seja isso que nos torne melhores amigos.

– Vamos cortar caminho pela floresta? – Pergunto, quando já estamos fora do castelo.

– Não sei se é uma boa ideia. – Fala Tyler, incerto.

– Deixe de ser medroso. – Brinco, sabendo que meu primo estava com medo de que algum inimigo ainda estivesse escondido pelo lugar.

– Até parece, baixinha. – Tyler entra na brincadeira, bagunçando meus cabelos. Resmungo, batendo em sua mão. Ele sorri e balança a cabeça, negativamente. – Faz somente uma semana que a guerra aconteceu. Existem armadilhas que ainda não foram desfeitas e corpos que não foram encontrados. Pode ser perigoso pegar esse caminho.

– Mas, Tyler, esse é o caminho mais rápido para nossa casa. Eu estou com fome. – Reclamo. Meu primo revira os olhos e suspira, dando-se por vencido.

– Tudo bem. – Concorda, fazendo uma careta de insatisfeito. – Mas, por favor, não saia de perto de mim.

– Certo, certo. – Falo, sorrindo satisfeita, enquanto balanço minhas mãos com desdém.

A floresta ficava próxima ao castelo, então não demorou muito para que chegássemos a sua entrada. O lugar ainda havia marcas de destruição e se encontrava desértico, dando um ar mais sombrio. Por mais que trouxesse lembranças ruins, a floresta sempre me trouxe a sensação de paz.

Tyler e eu seguimos, perdidos em nossos pensamentos, quando ouvimos algumas vozes. Meu primo coloca o braço a minha frente, no mesmo instante, impedindo que eu continuasse e faz um sinal para que eu ficasse quieta. Concordo com ele e começo a prestar atenção nas vozes.

Meu primo, cuidadosamente, pega a espada que estava em suas costas e a ergue, atento a tudo o que ocorria ao nosso redor. Puxo o braço de Tyler e, com sinais, peço que me entregue as mochilas que estavam em seu ombro e que atrapalhavam seus movimentos. Ele me entrega a minha bolsa e a sua e sorri agradecido.

– Vamos continuar, mas tome cuidado para não fazer barulho. – Sussurra Tyler, assim que os barulhos cessam e o silêncio volta a dominar a floresta. – Não sabemos quem são e nem se estão perto de nós ou não.

Começamos a andar, novamente, mas logo os sons de tiros nos fazem parar novamente. Olho assustada para Tyler e ele se coloca a minha frente. Cavalos começam a relinchar próximos a nós.

– O que faremos? – Pergunto, temendo o pior.

– Vamos continuar a andar. Estamos próximos de casa. Voltar seria um grande risco e, talvez, nós consigamos sair da floresta sem sermos notados. – Fala meu primo, pegando em meu pulso e me guiando, mantendo-me sempre atrás de si.

Discretamente, continuamos o nosso caminho, tendo ciência que nos aproximávamos cada vez mais do local de onde viam os tiros. Ao longe, era possível ver um adulto e um adolescente, aparentemente, da idade de meu primo, treinando tiro ao alvo.

Infelizmente, devido aos troncos grossos de árvores e a distância em que estávamos, não conseguimos ver seus rostos, mas suas vestes evidenciavam que não pertenciam ao reino.

– Sua mira precisa melhorar. Como pretende chegar ao topo se não consegue nem matar seu inimigo? – Repreende o adulto, demonstrando a decepção em seu tom de voz.

O garoto recarrega sua arma, sem dizer uma só palavra, e volta a atirar. Olho para meu primo, por alguns instantes, apreensiva, e volto a prestar atenção no caminho que seguíamos. Um pouco antes de conseguirmos passar pelos desconhecidos, sem sermos notados, um dos cavalos começa a relinchar, nervosamente, alertando aos donos da presença de novas pessoas.

O homem coloca a mão no ombro do garoto, parecendo pedir para que o mesmo parasse de atirar. Tyler me puxa para mais perto, na tentativa de me esconder entre uma das árvores, mas era tarde demais. Ambos os desconhecidos já haviam nos descobertos.

– Quem são vocês? – Grita um homem, pegando sua arma e apontando para nós, enquanto o garoto voltava a recarregar sua arma.

– Corre! – Grita meu primo, no momento em que dois desconhecidos começam a nos seguir. Devido à ação inesperada de Tyler, não consigo ver os rostos dos homens, frustrando-me.

Os homens começam a atirar, mas, para nossa sorte, as árvores atrapalhavam na mira. Tyler e eu corríamos o mais rápido que conseguíamos, no entanto, não aguentaríamos por muito tempo.

Ao chegarmos na parte labiríntica da floresta, eu já não conseguia respirar direito. Eu estava exausta e sentindo-me completamente culpada por ter insistindo em ir para casa pelo caminho mais arriscado.

– Tyler, nós não vamos conseguir! – Digo, ofegante, sentindo minhas pernas estremecerem devido ao esforço.

– Nós vamos sim. – Responde, puxando-me para dentro de um dos caminhos. Assim que acredita que estamos longe o bastante para não sermos ouvidos pelos inimigos, meu primo me puxa para trás de uma das grandiosas árvores próximas de nós. Ele faz o gesto do silêncio e sorri, tentando me tranquilizar. – Não se preocupe. Não vou deixar que nada aconteça a você. – Sussurra, olhando com a mesma maneira protetora que meus irmãos me olhavam quando eu estava em perigo. Eu sabia que Tyler arriscaria sua vida, se fosse preciso, para me proteger e, mesmo estando grata, essa certeza me assustava.

– Tyler, o que pensa em fazer? – Questiono, apavorada. – Por favor, não me deixe sozinha aqui.

– Você vai ficar bem. – Afirma Tyler, dando um beijo em minha testa. – Eu vou distraí-los e no momento em que eu e os inimigos estivermos em uma distância segura de você, quero que corra o mais rápido possível na direção oposta e esconda-se em um local seguro.

– Mas e você? – Pergunto, sentindo algumas lágrimas formarem em meus olhos.

– Onde estão aqueles idiotas? – Grita o adulto, próximo de nosso esconderijo. – Precisamos encontra-los antes que revelem a nossa localização.

– Não se preocupe. Eles não podem ter ido muito longe. – Fala o garoto, tranquilamente. — Vamos encontra-los.

– Eu vou ficar bem. – Garante o moreno, sorrindo confiante. – Essa não é a primeira vez que eu faço isso.

– Tyler... – Sussurro, segurando em seu braço, tentando impedir que meu primo cometesse a loucura que planejava. Ele sorri, coloca os restos das coisas que segurava no chão, pega sua espada e, após respirar profundamente, começa a correr na direção oposta de nossa casa.

Não demora muito para que os inimigos o note. Habilidoso, Tyler se esquiva dos troncos de árvores e corta as folhas que o impediam de prosseguir por aquele caminho. Minha respiração, que estava presa até aquele momento, começa a voltar ao normal ao lembrar-me que precisava pedir ajuda.

Começo a correr na direção oposta, tentando ser cuidadosa por onde pisava, sabendo que as chances de conseguirem me matar seriam muito maiores em um campo aberto como aquele que tomava.

A sensação de estar sendo seguida começa a ficar maior à medida que me aproximava da entrada da floresta. Olho para trás, procurando pelo perseguidor, mas tudo o que consigo ver são árvores e pássaros voando, fugindo da movimentação anormal da floresta.

Em meio a minha corrida sem rumo, acabo tropeçando na raiz de uma árvore e caindo no chão. Levanto-me, desesperada, e ouço os passos do meu perseguidor cada vez mais próximos. Volto a correr, procurando alguma coisa próxima a mim que servisse como arma, mas acabo lembrando que tudo havia ficado ao lado da árvore que meu primo e eu usamos como esconderijo.

– Droga! – Exclamo, frustrada.

De repente, o perseguidor começa a atirar em minha direção, parecendo cansado do joguinho de caça ao rato. Escondo-me em meio as árvores, como Tony havia me ensinado, e tento encontrar algum lugar que servisse de esconderijo. Os tiros continuavam, intensamente, desesperando-me ainda mais. Eu não sobreviveria dessa vez. Não havia um grupo militar próximo para me salvar. Meu pai e meus irmãos não ouviriam o meu socorro e meu primo estava ocupado demais tentando se manter vivo para impedir que eu fosse morta. Não havia saídas. Aquele era o meu fim.

Acelero o passo e acabo entrando em um caminho mais sombrio e não conhecido por mim. O lugar era escuro e úmido. Eu continuava a ser seguida, mas até mesmo o garoto que me perseguia parecia a ponto de desistir por exaustão. Havia centenas de galhos e folhas no chão, o que dificultava na corrida e me fazia tropeçar constantemente.

Os tiros recomeçam assim como os tropeços. Em um determinado momento, meu pé se prende em um buraco e me faz ir ao chão mais uma vez, no entanto, por estar em um despenhadeiro, acabo por rolar por metros abaixo.

Assim que eu chego ao fim da ribanceira, respiro fundo, sentindo meu corpo inteiro reclamar de dor e volto a ficar de pé, ignorando as fortes dores que sentia. Mancando, continuo a correr, ciente de que mesmo à metros de meu perseguidor, eu ainda era um alvo fácil.

– Não adianta se esconder, docinho. – Grita o rapaz, correndo em meio as árvores que atrapalhavam a passagem.

Continuo a fugir, implorando, silenciosamente, por ajuda. Quem quer que fosse aquele garoto, ele não desistiria fácil. Algo dentro de mim, gritava para que eu me escondesse. Meus instintos aclamavam por segurança e toda aquela adrenalina fazia meu coração bater tão forte que poderia, facilmente, sair pela boca.

Exausta demais para continuar a correr, começo a diminuir minha velocidade. E quando estava prestes a desistir, sinto meu pulso ser puxado para trás e sou levada, bruscamente, para o chão e antes que eu gritasse, implorando por ajuda, minha boca é tampada e meu corpo imprensado contra a pequena erosão em que eu estava.

– Fique quieta! – Exige a pessoa que tampava minha boca. – Seremos descobertos se continuar assim.

Concordo com ele e tento controlar minha respiração. Alguns segundos se passaram até que meu perseguidor chega próximo ao local onde estávamos. Ele para de correr, momentaneamente, procurando por mim e, após não encontrar nenhuma pista minha, volta a correr. De onde eu estava, a única coisa que conseguir ver do perseguidor foi um pedaço de uma tatuagem em suas costas.

Quando finalmente os passos de meu perseguidor se tornam inaudíveis, sinto minha boca ser liberta do forte aperto. Respiro fundo, na tentativa de controlar meu coração acelerado.

– Essa é a segunda vez. – Fala Phillip, sorrindo convencido.

– O que? – Questiono, atordoada.

– Essa é a segunda vez que salvo sua pele. – Explica, levantando-se do chão. Ele me estende a mão e continua a me encarar com o sorriso ladino em seu rosto. – Como irá me recompensar, garotinha encrenqueira.

Bato em sua mão, recusando sua ajuda e me levanto, furiosa. Eu acabara de passar por um dos maiores sustos de minha vida e tudo que ele conseguia pensar é em uma maldita recompensa?

– Que eu me lembre, em nenhum momento eu pedi sua ajuda. – Digo, rude, sentindo meu corpo todo arder devido aos machucados. – Você se envolveu porque quis.

– Claro. Notei que você estava se saindo muito bem. – Ironiza Phillip, pegando sua espada que estava jogada próxima de nós.

– Eu queria que meus irmãos e meu primo estivessem aqui. – Sussurro a mim mesma, sentindo minha boca secar. Meu primo estava em perigo e a culpa era toda minha.

Angustiada por notícias, limpo minhas roupas e machucados e começo a caminhar, sem me importar com Phillip. Por mais que estivesse agradecida por sua ajuda, eu não daria mais uma chance dele se vangloriar.

– Aonde você vai? – Pergunta o moreno, correndo para me alcançar.

– Isso não te interessa. – Digo, apressando meus passos.

– Você enlouqueceu? – Questiona Phillip, pegando em meu braço, obrigando-me a olhar para si.

– O que você quer, afinal? – Grito, irritada. – Será que poderia me deixar em paz?

– Claro que posso, mas existe um pequeno detalhe que você está se esquecendo. – Fala o príncipe, sarcasticamente. – Existe um cara com uma arma enorme, com um desejo profundo de te matar. Eu até o entendo, mas...

– E o que você quer que eu faça? Eu não posso ficar aqui para sempre. Meu primo está no meio dessa floresta, sendo seguido por outro maníaco. – Digo, sentindo as lágrimas deixando as lágrimas descerem. Eu estava exausta, com fome e preocupada. Eu só queria que tudo isso acabasse e eu conseguisse acordar desse pesadelo.

– Escute. – Fala Phillip, com suavidade, surpreendendo-me. – Eu sei que está preocupada, mas sair pela floresta, sem nenhuma proteção é suicídio. Eu sair já faz algum tempo do castelo, então estão a minha procura. Essa agitação toda pela floresta não passou despercebida pelos homens de meu pai, então com certeza, em pouco tempo, teremos reforços e assim poderemos encontrar seu primo. Vamos ficar juntos. Essa é a nossa única solução para sairmos vivos daqui.

– Tudo bem. – Concordo, suspirando tristemente.

Phillip balança a cabeça, positivamente, demonstrando satisfação pela minha escolha. Ele ergue sua espada e faz sinal para que eu o seguisse, começando a andar pelo labirinto de árvores em que estávamos.

– Por que ele estava tentando te matar? – Pergunta Phillip, parecendo curioso.

– Eu não sei. – Afirmo, dando de ombros. – Acho que ele é um dos inimigos do reino. Tyler e eu os encontramos enquanto íamos para nossa casa. Eles nos notaram e começaram a atirar contra nós.

– Entendo. – Sussurra o garoto, pensativo.

– Você sabe de alguma coisa? – Questiono, interessada.

– Nada que uma pirralha deva sabe. – Responde Phillip, exibindo o sorriso convencido.

– Pirralha? – Repito, irritada. – Eu já tenho 11 anos. Eu não sou mais criança. – Phillip me olha com desdém, mas não diz nada.

Continuamos nosso percurso, atentos a qualquer movimentação suspeita pela floresta. A cada barulho, por menor que fosse, era motivo para que nos escondêssemos por meio as árvores. Phillip possuía apenas uma espada e eu estava desarmada. A gritante desvantagem contra as potentes armas de fogo era o bastante para que soubéssemos que estávamos em um campo minado.

– Por que não está no castelo? – Questiono, sentindo-me incomodada com o silêncio. – Por acaso seus pais sabem que você está aqui?

Phillip para de andar e se vira para mim, parecendo irritado pela minha pergunta. Desconfiada, começo a me afastar, à medida que ele se aproximava e, quando estava a poucos centímetros de mim, um barulho suspeito chama nossa atenção.

O príncipe leva o dedo a boca, pedindo que eu ficasse em silêncio e começa a andar, cuidadosamente, na direção do barulho. Preocupada, passo a segui-lo, tomando o cuidado para não o atrapalhar e nem para cometer o erro de revelar nossa localização.

Assim que chegamos a um ponto mais aberto da floresta, Phillip abaixa um pouco sua guarda e é nesse momento que alguém surge do meio das sombras das árvores. Levo a mão na boca, impedindo que o grito de susto saísse e sinto as lágrimas descerem ao constatar que quem estava a nossa frente era ninguém menos que meu primo.

– Tyler! – Grito, correndo em direção ao garoto, que possuía diversos machucados pelo corpo.

Meu primo abaixa sua espada e me abraça fortemente assim que fico a poucos centímetros de si. Ele suspira, aliviado, e eu sinto todo o peso da culpa sair de cima de meus ombros.

– Você está bem? – Pergunta meu primo, afastando-se um pouco de mim e verificando se eu estava machucada. – Olha para você. Está cheia de ferimentos. Seus irmãos e seu pai irão me matar.

– Eu estou bem. – Garanto, sorrindo, aliviada.

Tyler retribui o sorriso, mas o mesmo volta a sumir ao rapaz perceber que eu não estava sozinha. Ele encara Phillip, confuso e era possível identificar a pergunta que gritava em sua mente apenas observando sua face.

– Prince? – Fala Tyler, aproximando-se do príncipe. – O que faz aqui?

– Tyler. – Cumprimenta Phillip, balançando a cabeça de leve. – Eu estava treinando na floresta quando encontrei sua prima. – Explica, dando de ombros. – É bom saber que você está bem.

– Obrigado. – Tyler agradece, fazendo uma breve reverência. – Não sei como agradecer pela gentileza de não ter deixado minha prima sozinha. Caso tenha algo em mente, não hesite em dizer, Vossa Alteza.

– Tyler... – Sussurro, angustiada. Eu não tinha dúvidas de que o garoto se aproveitaria da gentileza de meu primo e o chantagearia na primeira oportunidade.

– Deixe de formalidades, Tyler. – Repreende Phillip, com um sorriso bondoso em seu rosto. Olho desconfiada para o rapaz e sinto meu estômago embrulhar em ansiedade. – De qualquer forma, eu preciso ir agora. Meus súditos devem estar a minha procura. – Despede-se o príncipe de meu primo. Ele se vira para mim, pega em minha mão e a beija, como um cavalheiro. Assusto-me com sua atitude e puxo minha mão de uma vez. Phillip me lança um sorriso malicioso. – Nos vemos muito em breve, Emanuelle. Estarei esperando pelo pagamento de sua dívida. – Sussurra, saindo logo em seguida.

Estática, encaro o príncipe de boca aberta. Não demora muito para que um dos homens do rei apareça e guie o herdeiro real para o castelo. Ouço uma leve risada de meu primo e desperto-me de meus pensamentos. Lanço um olhar irritado para Tyler e isso só o faz sorri ainda mais.

– Do que você está rindo? – Questiono, cruzando os braços sem paciência.

– O que quer que você tenha feito, pode ter certeza que ele não te deixará em paz até que o pague. – Explica Tyler, rindo.

Sinto a tensão tomar conta de mim, odiando a mim mesma pela minha incrível falta de sorte. Tudo o que menos eu precisava era de um príncipe mimado de ego exacerbado chantageando-me.

– Relaxa, priminha. – Fala meu primo, passando o braço sobre meus ombros, assim que nota o meu desespero. – Prince pode ser alguém difícil de lidar, mas o máximo que ele irá fazer é transformar sua vida em um inferno.

– Isso era para me acalmar? – Repreendo, irritada, empurrando-o para longe. Começo a andar, pisando duro, deixando-o para trás e fazendo Tyler ri ainda mais.

– Eu estou brincando. — Grita Tyler, correndo para me acompanhar.

Continuo a caminhar em direção a nossa casa, sorrindo, discretamente, e esquecendo-me, ao menos, por aquele momento, de todas as minhas preocupações.

Fome, frio, perigos, maldições que nos perseguem a milênios. Krósvia acabara de sair de uma guerra, mas todos sabem que é apenas questão de tempo para que mais ataques ocorram. Fadados a tragédia. Essa era a real definição de ser krosviano.

Continua...

Notas finais
E então? O que acharam? Críticas, elogios, erros ortográficos? Oii Cupcakes *o*!! Estou meio apreensiva. O capítulo pode ter ficado meio confuso, mas prometo que a partir do próximo capítulo, as coisas começam a se encaixar. Não sei se alguém ainda vai ler, afinal, passei meses sem atualizar, mas peço que comentem, pois isso ajuda e muito. Sinto muito se o capítulo decepcionou. Beijocas ♥