Fire Scars

4 Nova Amiga


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥!! Dessa vez eu não demorei tanto, por milagre. Esse capítulo ficou um pouquinho mais chatinho, mas acredito que vocês terão grandes surpresas. Quero agradecer a fofa da Little Princess, a Mamis Confeiteira e Poderosa Jade, a minha rainha Manu (VacuumCleaner), a minha doce Jujuba (Juliana Lorena) e a minha sobrinha diva Lia Jackson Eaton Malfoy Smith pelos comentários encantadores no capítulo passado ♥. Boa Leitura...

Capítulo III — Nova Amiga

Nós mantemos este amor numa fotografiaNós fizemos estas memórias para nós mesmosOnde nossos olhos nunca se fechamNossos corações nunca estiveram partidosE o tempo está congelado para sempre.

Photograph — Ed Sheeran

Krósvia – 1995

A neve caia pela cidade com veemência, trazendo consigo o temor de todos os moradores. Tyler e eu andávamos pelas ruas de Füssen, carregando alguns pedaços de madeira que serviriam como lenha em nossa chaminé.

Eu não conseguia fingir indiferença a triste realidade que enfrentávamos como os líderes de Krósvia. Inúmeros países vizinhos já haviam declarado estado de calamidade ao país e não era preciso muita coisa para notar que eles tinham toda razão.

A miséria havia nos atingindo no pior dos momentos. O inverno rígido chegou e a falta dos mantimentos básicos para a sobrevivência do povo preocupava. Todos imploravam por alguma ajuda do rei, mas nenhuma resposta era dada, despertando ainda mais o desespero dos krosvianos.

– Que frio. – Sussurra Tyler, encolhendo-se em seu grosso casaco.

– Nós já estamos chegando em casa. – Digo, sorrindo levemente para meu primo.

Tyler balança a cabeça concordando. Continuamos o trajeto, em silêncio, até que vemos uma criança cair a poucos metros de nós. Assustados, deixamos as lenhas caírem e corremos em direção a menina.

– Você está bem? – Questiona Tyler, levantando o tronco da menina.

Toco em sua testa e me assusto com a elevada temperatura que a garota estava. Ela parecia fazer um grande esforço para continuar acordada e dizer algo, mas tudo o que saía de sua boca era o som forçado de sua respiração. Tiro o meu casaco e a cubro da maneira que a aquecesse e a olho com preocupação.

– Ela está queimando de febre. Precisamos tirá-la daqui. – Digo a Tyler, olhando para a garota.

– Mas e a família dela? – Pergunta meu primo, erguendo a garota do chão.

Olho em volta, a procura de alguém que aparentasse qualquer preocupação com a garota, no entanto, todos pareciam não perceber a presença da menina. Suspiro, ao notar que não havia ninguém ali que pudesse nos ajudar.

– Vamos leva-la para casa. Quando ela acordar, perguntamos onde estão seus familiares. – Respondo, pegando os pertences da garota que estavam no chão e caminho até os pedaços de madeira que havíamos deixado cair e recolho o máximo que meus braços conseguem carregar. — Consegue carregá-la até lá? – Pergunto, vendo meu primo a aconchegar melhor em seus braços.

– Acho que sim. Ela não é tão pesada assim. – Afirma, olhando para mim. – É melhor nós irmos.

Concordo e passo a acompanhá-lo, preocupada com a saúde da menina. Ainda estávamos um pouco longes de casa e eu sabia que levá-la para o hospital não a ajudaria muito, tendo em vista que o lugar também estava com falta de medicamentos. Por sorte, Henry sempre gostou de cultivar ervas, fazendo com que tivéssemos um grande estoque de remédios naturais em casa.

Após uma longa caminhada, lutando contra a forte tempestade de neve que se iniciou e a grossa camada branca que dificultava a nossa caminhada, finalmente chegamos em casa. Abri a porta, rapidamente, dando passagem para que Tyler entrasse com a menina inconsciente em seus braços.

– O que aconteceu? – Questiona Henry, assim que nos ver com a garota. – Quem é ela?

– Não sabemos. – Fala Tyler, colocando a menina no sofá. – Ela está ardendo de febre e achamos melhor trazê-la para cá ao invés de deixá-la caída em frente a inúmeras pessoas que não moveram nenhum dedo para ajudá-la.

– Mas, o que...

– Henry, rápido! – Interrompo meu irmão, desesperada. – Ela já está delirando. Você precisa ajudá-la.

– Tudo bem. – Fala Henry, aproximando-se da menina. Ele a analisa por um tempo e suspira infeliz, demonstrando em seu olhar que a garota estava pior do que imaginávamos.

Sem dizer nada, Henry vai para a cozinha e começa a mexer em seus potes de ervas. Olho para Tyler e ele dá de ombros, pegando a lenha que eu carregava em meus braços e as colocando próximas a chaminé. Coloco as coisas da menina ao lado do sofá e sento-me ao seu lado, acariciando seus cabelos e murmurando uma canção que Tony sempre cantava quando eu estava doente.

– Você vai ficar bem. – Sussurro a garota, incerta. Pela reação de meu irmão, eu não sabia dizer se apenas medicamentos seriam suficiente para curá-la.

Após alguns minutos, Henry volta para a sala, trazendo uma grande bandeja com uma garrafa, parecendo conter álcool, uma jarra com água, uma bacia e um pano pequeno. Ele me estende a bandeja e observa a garota por alguns instantes antes de voltar sua atenção para mim.

– Molhe o pano com álcool e água e vá passando levemente sobre a testa, pescoço e as costas dela, enquanto isso irei preparar um chá para que a febre dela melhore. Tyler, prepare um banho morno para ela. – Orienta Henry, após eu pegar a bandeja. Meu primo balança a cabeça e sai para realizar o pedido de meu irmão.

– Tudo bem. – Afirmo, enchendo a bacia com um pouco de água. Paro o que eu estava fazendo e olho para meu irmão, preocupada. – Ela ficará bem, não vai?

– Eu espero que sim. – Fala Henry, incerto. Ele sorri levemente e balança meus cabelos de leve. – Não se preocupe tanto. Prometo fazer o melhor de mim para curá-la da febre.

– Eu sei. – Digo, sorrindo para me irmão. Ele beija minha testa e volta para a cozinha.

Coloco uma boa quantidade de álcool na bacia, molho o pano e, após colocar a garrafa e a jarra sobre a mesa de centro da sala, torço. Começo a passar o pano pela testa e pescoço da menina. Vejo seu corpo estremecer com a temperatura gélida do pano e a mesma se encolhe ainda mais. Suspiro, frustrada, querendo ter um pouco da habilidade de meu irmão mais velho para lidar com situações complicadas como essa.

– Aguente mais um pouco, sim? – Sussurro, voltando a passar o pano na testa da garota.

– O chá está pronto. – Grita Henry da cozinha. – Consegue levantá-la um pouco? – Questiona meu irmão, trazendo uma nova bandeja com o bule e uma xícara de café.

– Acho que sim. – Digo, colocando a bandeja com a bacia e o pano sobre a mesa.

Com cuidado, passo os braços pelo tronco da menina e a suspendo levemente. Ela ainda estava meio inconsciente, o que tornava o trabalho um pouco mais complicado. Henry coloca a bandeja na mesa de centro e enche a xicara com o chá. Após esfriar um pouco, ele abre a boca da menina e a faz beber um pouco do líquido. A garota de longos cabelos castanhos começa a torci e abre um pouco os olhos, atordoada.

– Quem são vocês? – Sussurra a garota, roucamente.

– Eu me chamo Henrique e essa é minha irmã, Emanuelle. – Fala Henry, apontando para mim. Ele sorri simpático e coloca a xicara de volta a bandeja. Cuidadosamente, meu irmão se senta ao lado da garota. – Não precisa se preocupar. Você está a salvo aqui.

– Obrigada. – Agradece a garota, sorrindo envergonhada para meu irmão.

– Qual o seu nome? – Pergunto, curiosa.

– Taynara. Taynara Miller. – Responde a garota, com um sorriso fraco.

– Henry, a banheira já está cheia. – Fala Tyler, voltando do fundo da casa. Ao notar que a garota estava consciente ele sorri aliviado. – Vejo que a nossa convidada acordou.

– Quem é ele? – Questiona Taynara a mim, sussurrando timidamente.

– Taynara, esse é o meu primo Tyler. Tyler, essa é a Taynara. – Apresento os dois e sorrio ao ver a timidez da garota.

– Olá. – Fala meu primo, com um belo sorriso.

– Oi. – Responde Taynara, timidamente.

– Consegue ficar de pé sozinha, Taynara? – Pergunta meu irmão, olhando com preocupação para a garota.

– Acho que... – Ao tentar fazer o esforço de ficar de pé, Taynara acaba voltando a cair no sofá, demonstrando a sua fraqueza. – Não.

– Manu, poderia ajudar a Taynara a tomar banho? – Questiona Henry, sorrindo de maneira compreensiva para Taynara.

– Claro. – Respondo, feliz por poder ajudar em alguma coisa.

– Excelente. – Diz meu irmão, arrumando a mesa de centro que continha as duas bandejas. – Eu irei fazer o jantar. Tyler, poderia ir atrás de Tony e dizer que estamos precisando muito dele aqui?

– Sem problemas. – Fala Tyler, pegando seu casaco que estava jogado no outro sofá e o vestindo. Após conferir que estava aquecido, meu primo inspira profundamente, preparando-se para enfrentar o frio que fazia fora de casa e sorri para nós. – Estarei de volta em breve. Comporte-se, Manu.

– Vai logo. – Resmungo, fazendo meu primo ri.

– Tudo bem se eu te ajudar no seu banho? – Pergunto, assim que Henry voltou para a cozinha e Tyler havia saído de casa.

– Claro. Obrigada por me ajudar. – Fala, sorrindo fracamente.

Devagar, ajudo Taynara a se levantar e a conduzo até o banheiro que ficava nos fundos da casa. A banheira já estava cheia e Tyler havia tomado cuidado de separar uma toalha e uma roupa minha para que ela tivesse algo quente para se vestir após o banho.

Ajudo Taynara a retirar sua roupa e a entrar dentro da banheira. Com cuidado, ensaboo seu corpo e sorrio, divertindo-me com a sensação e estar brincando de boneca. A garota ainda estava fraca, mas sua febre diminuiu consideravelmente ao fim do banho.

– Está se sentindo melhor? – Pergunto, após entregar as roupas limpas para a garota se vestir.

– Muito melhor. – Afirma, sorrindo agradecida.

– Isso é ótimo. – Digo, feliz, enquanto recolho a roupa molhada da garota para lavar.

– Onde estão seus pais? – Questiona Taynara, demonstrando curiosidade.

– Meu pai deve estar cuidando de algum assunto do rei. – Respondo, dando um meio sorriso para Taynara.

– E sua mãe? – Pergunta, penteando, com os dedos, os cabelos.

– Ah, minha mãe morreu tem muitos anos. – Digo, dando de ombros. Mesmo sem nunca ter conhecido minha mãe, eu me entristecia ao tocar no assunto. Era difícil, para mim, nunca ter tido um contato materno.

– Eu sinto muito. – Fala Taynara, abaixando o olhar.

– Tudo bem. Eu nunca a conheci. – Falo, sorrindo de leve para a morena. – Ela morreu um pouco depois de eu ter nascido. Foi morta durante a guerra.

– Deve ter sido horrível. – Diz, demonstrando espanto.

– Acho que meu pai e meus irmãos sofrem com isso muito mais do que eu. – Respondo, encostando-me na pia do banheiro, enquanto dobro as roupas. – Dizem que meu pai era um homem sorridente e valorizava a família acima de tudo antes da morte de minha mãe. Depois disso, meu irmão mais velho, Anthony, teve que assumir a liderança da família, pois meu pai se tornou ausente. Henry não fala sobre mamãe e Tyler era pequeno demais para se lembrar dela. Tony é o único que me conta um pouco sobre ela, mas sempre vejo o quanto ele sofre ao falar dela.

– Seu irmão deve ser incrível. – Comenta Taynara, admirada.

– Tony? – Pergunto, surpresa. A garota balança a cabeça, parecendo interessada em minha história. – Você nem imagina. – Conto, sorrindo orgulhosa. – Ele é o melhor irmão do mundo.

– Emma? – A voz de meu irmão ao longe se faz presente e isso é o suficiente para me fazer abrir um grande sorriso.

– E falando nele... – Digo, fazendo com que Taynara desse uma discreta risada. – Vamos. Tenho certeza que você vai adorar conhecê-lo.

– Claro. – Responde a garota, sorrindo docemente.

Saímos do banheiro, aos risos, e não demoramos muito para encontrar meus irmãos e meu primo. Eles pareciam entretidos em uma conversar importante. Continham o semblante sério e seus olhares estavam carregados de preocupação. Forço uma torce e chamo a atenção dos três, que nos encaram, assustados.

– Ah, vocês chegaram. – Comenta Tyler, sorrindo para nós. – Você está se sentindo melhor, Taynara?

– Sim. Estou bem melhor. Obrigada por me ajudarem. – Agradece a garota, fazendo uma leve reverência.

– Não se preocupe com isso. – Fala Henry, sorrindo simpático. – Acredito que esteja com fome.

– Bastante. – Confessa Taynara, envergonhada, abaixando o olhar.

– Sente-se, Taynara. Já iremos servir o jantar. – Fala Tyler, apontando para a mesa de jantar.

Olho para Tony e ele encarava a garota com seriedade, como se a avaliasse. Após alguns instantes, meu irmão mais velho se vira para Henry e sussurra algo para o garoto, que apenas olha desconfiado para o irmão. Minutos depois, Tony vira-se para mim e se aproxima.

– Oi Emma. – Diz Tony, abaixando-se um pouco para encarar meus olhos. – Parece que fez uma nova amiga.

– Oi Tony. – Respondo, abraçando meu irmão. Acompanhada de um carinho em meus cabelos, sou correspondida. – Sim. Taynara parece ser bem divertida. Devo apresentá-los? – Questiono, separando-me do mais velho.

– É uma ótima ideia. – Afirma Tony, suavemente.

– Venha. – Digo, puxando meu irmão pela mão e o levando até Taynara, que estava sentada em uma das cadeiras da sala de jantar e com o olhar perdido. – Taynara, esse é o meu irmão mais velho, Anthony. Tony, essa é a minha nova amiga, Taynara.

– Oi Taynara. – Cumprimenta Tony, sorrindo de maneira simpática para a garota.

– Oi. – Responde Taynara, timidamente. Suas bochechas estavam coradas, dando um toque ainda mais delicado a sua face infantil.

Taynara não era muito mais alta do que eu. Os cabelos castanhos, a pele alva e os intensos olhos azuis davam um ar doce e delicado para a garota. Ela com certeza é uma garota bonita e a sua timidez só contribuía ainda mais para que todos se encantassem por ela.

– Taynara, se importaria se eu fizesse algumas perguntas a você? – Questiona meu irmão, com a mesma delicadeza que ele me tratava quando queria tirar algum segredo de mim, enquanto se sentava ao lado da menina. Olho preocupada para Tony. Eu não sabia o que esperar de meu irmão, mas rezava internamente para o que quer que ele quisesse conversar com Taynara não fosse o bastante para assustá-la e fazê-la ir embora.

– Claro. – Fala Taynara, com as bochechas coradas, encarando suas mãos.

– Onde está sua família? – Pergunta meu irmão, com preocupação. Taynara levanta a cabeça e parece chateada por Tony tocar no assunto.

– Minha mãe mora em Ahren. – Conta a garota, após um suspiro cansado. Ahren é uma cidade vizinha a Füssen, capital de Krósvia. – Meu pai morreu durante a última guerra que enfrentamos. – A amargura em sua voz e o olhar indignado de Taynara demonstrou que a garota ainda não havia se conformado com a tragédia.

– Eu sinto muito. – Digo, imaginando o sofrimento que a garota deve ter enfrentado.

– Eu também. – Responde, tristemente. – Não tenho irmãos e a única família que me restou foi minha mãe e minha avó que mora em outro país.

– Quantos anos você tem? – Pergunta Tony, mudando de assunto.

– Eu tenho treze anos. – Fala Taynara, sorrindo fracamente.

– E o que você veio fazer aqui em Füssen? – Questiona Henry, sentando-se ao lado de Tony.

– Eu estava à procura de alimentos, medicamentos e água. Ahren foi uma das principais cidades afetadas em Krósvia, após a guerra. Não temos mais nada. Agora, com o inverno, tudo ficou ainda mais difícil. Muitas pessoas perderam suas casas e familiares, no entanto, nosso rei parece mais preocupado com os impostos que devemos pagar do que com a situação em que seu país está enfrentando. – Responde Taynara, com o ódio transbordando em sua voz. Olho para meus irmãos e primos e eles encaravam a garota com preocupação. – Meu pai morreu e a única coisa que minha mãe faz é cuidar dos feridos da cidade, enquanto parece ter esquecido que ainda tem uma filha. Eu estou sozinha.

– Sabemos que a situação está difícil, Taynara. – Fala Tyler, colocando-se ao meu lado. – Também perdemos pessoas importantes durante a guerra e nem sabemos quanto tempo ainda nossos mantimentos irão durar, mas precisamos acreditar que as coisas irão dar certo. Essa é a nossa única alternativa para não nos entregarmos a tristeza e ao desespero.

– E você não está sozinha. – Afirmo, pegando na mão da garota e a apertando.

Tony encara a menina por mais um tempo e levanta-se de sua cadeira, dirigindo-se a cozinha. Ele mexe em algumas coisas e não demora muito a voltar com um prato de sopa quente em suas mãos. Meu irmão coloca o prato à frente de Taynara e sorri ao notar a surpresa da menina.

– Coma um pouco e descanse. Você ainda está com febre. Amanhã pela manhã iremos dar um jeito de avisar a sua mãe sobre seu paradeiro. – Fala Tony, com os braços cruzados, carregando um sorriso bonito e gentil em seu rosto.

– Obrigada. – Sussurra Taynara, pegando a colher e começando a comer.

Ao garantir que a garota estava se alimentando bem, Tony faz um discreto sinal para que Henry o seguisse e os dois se encaminham para o quarto que dividiam. Observo a movimentação dos meus irmãos e depois olhos desconfiada para Tyler.

– Vamos colocar nossa comida também, Manu. – Fala meu primo, sorrindo, enquanto me puxa para irmos para a cozinha.

– O que aconteceu? – Questiono, assim que chegamos ao cômodo. Eu conhecia Tyler o suficiente para saber que o olhar que ele direcionava para mim significava problemas.

– Prince mandou um recado. – Diz, direcionando um olhar de preocupação a mim.

– Que recado? – Pergunto, preocupada. Eu não sabia o que esperar de Phillip. Havia dois dias que eu não via o garoto, temendo sua reação quando nos encontrarmos, no entanto, sabia que não poderia evitar o inevitável e que haveria um momento em que eu teria que enfrenta-lo.

– Ele quer que você esteja amanhã cedo no castelo. – Informa Tyler, ainda com seriedade. – Cuidado.

– Por que? – Questiono, desconfiada. Tyler apenas me encarava de maneira séria e a sua falta de respostas me deixar ainda mais nervosa. – Fala logo, Tyler. – Repreendo, frustrada.

– A partir de amanhã, Prince fará de você o seu capacho e tornará sua vida em um inferno. – Responde, começando a ri. – Você tinha que ver a sua cara quando eu disse que ele mandou o recado. – Olho irritada para meu primo e dou um forte soco em suas costelas. – Ai! – Reclama, ainda em sua crise de risos, enquanto apertava o local onde tinha recebido o soco.

– Idiota. – Resmungo, pegando um prato no armário. Vou até a grande panela que havia no fogão de lenha e coloco um pouco da sopa que Henry havia preparado. – Aposto que é mentira que ele mandou esse recado.

– Você está enganada. – Fala Tyler, recuperando-se da crise de riso e pegando um prato para se servir. – Ele realmente pediu para avisar que ele precisa falar com você amanhã de manhã, mas ele não me disse sobre o que quer conversar com você.

– O que será que ele quer comigo? – Sussurro a mim mesma, preocupada.

– Eu não faço ideia, mas ele parecia um pouco irritado. Fez algo de novo a ele? – Pergunta Tyler, após servir sua sopa. Ele me encara desconfiado e isso faz com que eu suspire irritada e revire os olhos.

– Você, melhor do que ninguém, sabe que eu não o vejo faz dois dias. Como eu poderia ter feito algo? – Pergunto, começando a andar em direção a sala de jantar, onde encontro Taynara encostada no batente da janela, encarando a neve que caia do lado de fora da casa.

– Você está bem, Taynara? – Pergunta Tyler, observando a garota com preocupação.

A garota se vira para nós, assustada. Com um sorriso gentil, ela balança a cabeça confirmando e volta a se sentar na cadeira onde estava antes. Encaro a garota com preocupação e me sento ao seu lado. Não demora muito para que Tyler se sente de frente para Taynara e passe a encarar da mesma forma que eu.

– Não se preocupem. – Fala Taynara, sorrindo fracamente. – Eu só estou cansada. Acho que a febre ainda está me afetando.

– Quer se deitar um pouco? – Pergunto, preocupada.

– Se não for pedir demais, eu gostaria. – Diz, sorrindo envergonhada.

– Vamos para o meu quarto. – Falo, levantando e estendendo a mão para a garota.

Taynara se levanta e pega em minha mão, dando uma leve reverência a Tyler, despedindo-se dele. Seguimos pelo corredor até chegarmos a porta do meu quarto. Abro e dou passagem para que a garota entrasse no cômodo.

– Deite-se, enquanto pego um cobertor para você. – Peço a menina, indo até o meu guarda-roupa. Pego um dos cobertores e levo até Taynara, que havia feito o que eu havia pedido. Cubro a garota e sorrio carinhosamente.

– Obrigada, Manu. – Agradece Taynara, meio sonolenta.

Sorrio ao perceber que, após me agradecer, a garota havia pego no sono. Aconchego melhor o cobertor, confiro sua temperatura e suspiro, preocupada. Taynara ainda estava febril. Fecho as cortinas e saio do quarto. Ela precisava descansar.

[...]

O sol não havia nem mesmo dado os seus primeiros sinais de vida quando eu acordei. Tony havia passado a noite inteira acordado, cuidando de Taynara e, como eu estava no mesmo quarto que a garota, acabei não dormindo muito também.

– Por que já está de pé a uma hora dessas? – Pergunta meu pai, assim que chego a cozinha. Meus irmãos e primo já tomavam café da manhã na companhia do homem e pareciam surpresos por me verem acordada a essa hora.

– Posso ir com vocês ao castelo? – Pergunto, sentando-me ao lado de Tony, que sorri e beija minha testa.

– Bom dia, primeiramente. – Fala meu irmão mais velho, repreendendo-me levemente.

– Desculpa. – Digo, envergonhada. – Bom dia.

– Não seja tão duro com sua irmã, Anthony. – Fala Stefan, dando tapinhas no ombro do primogênito. – E então, Manu? Por que quer ir para o castelo?

– A senhora Rachel disse que iria precisar da minha ajuda. – Respondo, sentindo-me mal por mentir para o meu pai. Eu sabia que a governanta do castelo me encobertaria, caso meu pai perguntasse, no entanto, o olhar desconfiado de meu irmão mais velho me fitando só me deixou ainda mais nervosa.

– E sua amiga? Como ficará? Se você for, ela ficará sozinha. Pelo que Anthony me disse, ela ainda está doente. Alguém precisa ficar aqui para ajudá-la, caso algo aconteça. – Questiona meu pai, tomando mais um gole de seu café, logo em seguida.

– Eu ficarei com ela aqui, tio Stefan. – Responde Tyler, sorrindo. – Não precisa se preocupar. Tenho certeza que a senhora Rachel ficará decepcionada se a Manu não for.

– Se Anthony e Henrique não se importarem de ter uma ajuda a menos, eu não vejo problema. – Diz Stefan, após terminar de tomar o seu café.

– Tyler nunca ajuda em nada mesmo. Esse fraco não pode trabalhar um pouco que já começa a reclamar. – Brinca Henry, fazendo Tyler revirar os olhos e sorri ironicamente.

– Tão engraçadinho você, Henry. Que eu me lembre, não sou eu que fico reclamando feito uma garotinha quando estamos trabalhando no estábulo. – Provoca meu primo. Henry olha para o garoto e para de sorri no mesmo instante.

– Eu não fico reclamando feito garotinha. Eu só não gosto de ter que ficar limpando cocô de cavalo. – Contrapõe Henry.

– Já chega. – Repreende Tony, obrigando meu primo e meu irmão a pararem as provocações. Rio, discretamente, da infantilidade dos dois garotos e recebo um olhar irritado de Tyler. Dou de ombros e ele suspira, frustrado. – Tyler, tenha certeza de manter Taynara protegida do frio. Ela pegou uma forte gripe e, por mais que as ervas de Henry sejam ótimas na cura, o estado dela ainda é preocupante.

– Não se preocupe. Henry me explicou sobre qual dos chás devo fazer caso ela tenha qualquer problema. – Explica meu primo.

– Manu, termine de tomar o seu café. – Pede meu pai, notando que eu estava dando muito mais atenção a pequena discussão dos três garotos do que a refeição.

– Certo, papai. – Respondo, voltando a comer.

Meu pai vai para o quarto terminar de arrumar as coisas que iria precisar levar para o reino, enquanto meus irmãos arrumam a sala de jantar e a cozinha. Tyler e eu permanecemos sentados, apenas observando a movimentação. Por algum motivo, observar minha família sempre foi meu passatempo predileto.

– Tome cuidado. – Fala Tyler, de repente, olhando com seriedade para mim.

– Vai começar de novo? – Questiono, irritada.

– Não. Dessa vez estou falando sério. – Explica Tyler, aproximando-se ainda mais de mim. – Aquele castelo guarda muito mais segredos do que a gente imagina. Prince é envolvido em um mundo completamente diferente do nosso. A partir do momento em que você começar a passar mais tempo com ele, verá coisas que precisará manter em sigilo. E, por favor, tome cuidado com o que você fala e faz.

– Você fala como se eu estivesse indo para um campo minado. – Brinco, sentindo-me incomodada.

– Talvez aquele lugar seja mesmo um campo minado. – Responde o garoto, voltando a se encostar em sua cadeira.

Antes que eu questionasse o estranho comportamento de Tyler, meus irmãos e meu pai voltam a aparecer na sala. Eles já carregavam tudo o que geralmente levavam para o castelo e conversam uma banalidade qualquer.

– Vá se agasalhar, Emma. – Pede Tony, observando-me com curiosidade. – O frio lá fora está muito mais intenso do que você imagina.

– Tudo bem. – Digo, correndo até meu quarto e pegando luvas, toca, cachecol e mais um agasalho. Taynara ainda dormia, então preferi não me despedi. – Nós já podemos ir, Tony. – Falo, assim que chego a sala de estar.

– Às vezes eu me pergunto quem é o pai da casa. – Brinca meu pai, olhando com orgulho para o filho mais velho. Sorrio com diversão para meu primo e Henry.

– Ele. – Falamos Henry, Tyler e eu ao mesmo tempo, apontando para Tony. Meu pai e irmão mais velho acompanham nossas risadas e balançam a cabeça, negativamente.

Após meus irmãos e pai passarem todas as recomendações a Tyler, abraço rapidamente meu primo e seguimos em direção ao castelo. A cidade estava imersa a brancura da neve, dando um ar bonito, mas sombrio ao lugar.

Por causa da dificuldade em nos locomover, demoramos um pouco mais que o normal para conseguirmos chegar ao castelo. Ainda que fosse muito cedo, os guardas do rei já faziam seu treinamento. Meu pai se despede de meus irmãos e eu e vai liderar os homens, como sempre fazia.

– Ajude a senhora Rachel e tenha certeza de se manter longe de problemas. – Fala Tony, me entregando uma mochila. Ao notar a minha confusão, ele ri e continua: — Aí dentro tem algumas coisas roupas e alimento, caso precise. Ao pôr-do-sol nós iremos para casa, por isso, esteja pronta.

– Certo. – Digo, colocando a mochila em minhas costas.

– Vamos, Henry. Temos muita coisa para fazer. – Diz Tony, fazendo um gesto com a cabeça para o outro que apenas balança a cabeça concordando. – Tchau, Emma. Comporte-se, por favor. – Tony beija minha testa e me olha com seriedade.

– O que vocês pensam que eu vou fazer? – Questiono, irritada.

– Nunca se sabe o que esperar de você. – Brinca Henry, dando um peteleco em minha testa. Resmungo, frustrada, e ele ri e beija a minha testa. – Estamos falando sério, Manu. Fique longe de confusões.

– Tudo bem. – Respondo, suspirando.

Despeço-me de meus irmãos e me encaminho para dentro do castelo. Na cozinha, encontro a doce governanta da casa, Rachel, e seu marido, Vincent. Sorrio para o casal, coloco minha mochila sobre a mesa da cozinha e me sento em uma cadeira próxima a eles.

– Bom dia, senhora Rachel e senhor Vincent. – Cumprimento, alegremente.

– Bom dia, querida. – Fala a mulher, terminando de passar o café.

– Bom dia, docinho. – Cumprimenta o homem, sorrindo docemente. Tiro minha toca, luva e cachecol, fazendo com que Vincent risse da bagunça que meus cabelos tinham ficado. – Tudo bem?

– Estou bem. – Respondo, sorrindo. – E o senhor? Como está? Melhorou da dor nas costas que estava sentindo?

– Oh, não se preocupe com isso, querida. Aquela dor não era nada demais. – Fala Vincent, bagunçando meus cabelos.

– Quer um pedaço de bolo, Manu? – Pergunta Rachel, apontando para os pedaços de bolo que estavam em uma espécie de bandeja.

– Eu... – No momento em que eu ia aceitar, Philip invade a cozinha, com o rosto ainda inchado, demonstrando que havia acabado de acordar.

– Bom dia. – Cumprimenta o garoto, após um grande bocejo.

– Bom dia, querido. – Fala a mulher, sorrindo docemente.

– Bom dia, Prince. – Diz Vincent, bagunçando os cabelos, incrivelmente arrumados, do garoto.

– Emanuelle. – Phillip sorri, educadamente. – Quanto tempo não nos vemos.

– Cínico. – Sussurro, irritada pela falsa cordialidade do príncipe. – Não tanto tempo assim, Vossa Alteza. – Digo, forçando o sorriso.

– De qualquer forma, estou feliz que esteja aqui. – Fala o rapaz, sem se importar com a minha falta de vontade de cumprimentá-lo.

– Deseja alguma coisa, Prince? – Pergunta Vincent, parecendo se divertir com a nossa conversa.

– Só vim buscar um copo de água. – Responde Phillip, caminhando até o jarro de água que havia sobre a mesa e enchendo um copo que estava ao lado. Ele bebe o líquido e assim que termina, sorri com malícia para mim. – Poderia me acompanhar, Emanuelle?

– E para onde Vossa Alteza deseja que eu lhe acompanhe? – Pergunto, desconfiada.

– Desejo lhe mostrar algo. – Explica, colocando seu copo sobre a pia. Rachel o encara com desconfiança, mas não diz nada e lança um olhar de repreensão para o marido, que tentava esconder o riso.

– Tudo bem. – Respondo, à contragosto. Viro-me para o casal e sorrio, envergonhada. – Vejo vocês mais tarde.

– Até logo, querida. – Fala Rachel, sorrindo com carinho.

– Divirta-se, docinho. – Diz Vincent, com divertimento.

Phillip faz uma leve reverência ao casal e sai da cozinha. Suspiro, frustrada, e passo a segui-lo, imaginando inúmeras coisas que o rapaz estaria aprontando para mim. Cumprimento alguns trabalhadores do palácio e estranho quando começamos a subir as escadas, indo em direção ao último andar do castelo.

O quinto andar do palácio era composto apenas pelos quartos da família real. Os únicos autorizados a ir, fora os reis e seu primogênito, eram Rachel, Vincent e alguns poucos serviçais que ajudavam na limpeza dos quartos.

– Por que está me trazendo aqui? – Sussurro, temendo que os pais de Phillip me vissem.

– Por que está sussurrando? – Pergunta Phillip, erguendo uma de suas sobrancelhas.

– Porque se os reis souberem que eu estou aqui, eu serei castigada. – Respondo, observando o corredor em que estávamos.

Phillip ri e balança a cabeça, negando. Olho confusa para o rapaz, a procura de resposta, no entanto, a única coisa que ele faz é abrir a porta de um dos quartos do andar e me empurrar para dentro do cômodo.

– Meu pai saiu para caçar e minha mãe está na sala do trono. Não tem mais ninguém nesse andar. – Fala o príncipe, dando de ombros.

– E o que estamos fazendo sozinhos aqui? – Pergunto, desconfiada.

O belo rapaz sorri discretamente e se aproxima lentamente de mim. A cada passo que Phillip dava, mais eu me afastava, mas esse joguinho não durou muito tempo. Eu me encostei na parede e ele me encurrala com os dois braços, ficando a poucos centímetros de mim, encarando-me com um sorriso malicioso em seus lábios.

– O que pensa que irei fazer com você? – Questiona o rapaz, sussurrando.

Encaro o garoto, assustada e tento empurrá-lo, no entanto, ele segura meus dois pulsos, impedindo que eu continuasse a força o seu afastamento. Começo a me debater, irritada por não conseguir me livrar do príncipe sem machucá-lo.

– Me solta. – Digo, irritada.

– E se eu não quiser? O que você vai fazer? – Pergunta, divertindo-se com a minha falha tentativa de me soltar.

Colérica, dou uma cabeçada em Phillip e chuto sua coxa esquerda. O rapaz, urrando de dor, me solta e se afasta, levando as mãos aos locais atingidos. Levo minhas mãos a boca, assustada com minha atitude. Mais uma vez, eu havia machucado o príncipe. Eu estou incrivelmente encrencada.

– Meu Deus! Me desculpa. – Digo, desesperada, vendo o nariz do rapaz começar a sangrar.

– Você é louca? – Grita Phillip, irritado.

– Você que não queria me soltar. – Retruco, defendendo-me da acusação.

– E precisava quebrar o meu nariz para isso? – Fala o rapaz, com a mão encharcada de sangue. – Você tem noção da idiotice que você acabou de fazer?

– Pare de chorar como uma menininha. – Falo, aproximando-me do príncipe, tentando ver o estrago que eu tinha acabado de fazer. – Não quebrou. Só machucou.

– Chorando como uma menininha? – Pergunta, rindo sem acreditar no que eu tinha dito. – Eu tenho um encontro com alguns reis e príncipes de outros países daqui quatro horas. Como vou explicar para os meus pais o sangramento no nariz?

– Meu Deus! Meus irmãos irão me matar! – Falo, entrando em pânico.

– Você acabou de ouvir o que eu falei? Eu disse que eu vou me encontrar com príncipes e reis. Eu irei representar o reino de Krósvia, preciso estar em boas condições e você está preocupada com a reação de seus irmãos?! – Phillip estava ainda mais furioso. Eu me odiava por atrair tantos problemas.

– E o que você quer que eu faça? – Pergunto, com raiva.

– Eu não sei! – Grita. – Ajude-me a parar o sangramento e a evitar que o meu nariz inche ainda mais.

– Eu não sei como fazer isso. – Respondo, assustada.

Phillip parecia a ponto de ter um colapso. Corro até o banheiro que havia em seu quarto e pego uma toalha de rosto branca que estava ao lado da pia. Admiro o enorme lugar, desejando um dia poder tomar banho em um banheiro tão luxuoso como aquele, mas sou desperta de meus devaneios com os resmungos do príncipe. Molho a toalha e volto para o quarto. Entro a toalha para ele e o mesmo me encara com raiva.

– Só isso? – Questiona Phillip, impaciente, levando a toalha até o nariz e limpa o local.

– O que mais eu devo fazer? – Pergunto, dividida entre vergonha e medo da reação do príncipe.

O rapaz fecha os olhos e caminha até sua cama e se senta, demonstrando um grande cansaço. Phillip joga a toalha longe e começa a massagear as têmporas, enquanto respirava de maneira que o fizesse se acalmar. Ao menos, o sangramento havia diminuído.

– Por que toda vez que eu te encontro, você nos envolve em problemas? Você parece uma máquina de destruição em massa. – Resmunga Phillip, levando o pulso ao nariz.

– Eu sinto muito. – Respondo, envergonhada.

De repente, batidas na porta ecoam pelo quarto. Olho assustada para Phillip. Com a preocupação estampada em sua face, o garoto faz sinal para que eu ficasse em silêncio e se levanta da cama, começando a andar de um lado para o outro.

– Phillip? – A voz da rainha do outro lado da porta só faz com que meu desespero aumentasse. – Você está aí?

– Sim, mãe. – Responde o garoto, fazendo gestos para que eu permanecesse quieta. – Algum problema?

– Nós podemos conversar? – Pergunta a rainha, começando a abrir a porta.

– Não abra a porta! – Grita Phillip, desesperado.

– E por que eu não deveria abrir a porta? – Questiona Penny, voltando a fechar a porta.

– É que eu estou trocando de roupa. – Mente Phillip. – Você precisa se esconder. – Sussurra a mim.

– Tudo bem. – Digo, pegando a toalha que estava jogada no chão e corro para o banheiro, bem a tempo de a mulher abrir a porta.

Penny Dawson entrou no quarto de maneira majestosa. Se a rainha havia percebido a minha presença ou visto a minha fuga, não demonstrou. Com um olhar preocupado, ela se aproximou do filho e, antes que o quarto fosse invadido por um rei furioso, disse:

– Edgar está em Krósvia. O que quer que venha acontecer agora, prepare-se para o pior. Uma nova guerra pode estar prestes a começar.

Continua...

Notas finais
E então? O que acharam? Críticas, elogios, erros ortográficos? Oii Cupcakes *o*!! Esse capítulo foi um pouco complicado de escrever, porque ele é um pouco chatinho, no entanto, é a partir dele que começamos a ter uma ideia de como as coisas chegaram ao ponto da guerra que Ally liderou em UC. Eu espero que vocês tenham gostado. Ah, quero agradecer as divas da Sasa Mirella e Kah Jackson pelas recomendações incríveis em Unlike Cinderella. Muito obrigada pelo apoio, meninas. Beijocas ♥