Fire Scars

30 Resistência


Capítulo XXIX — Resistência

“Agora sou uma guerreira

Agora tenho uma pele mais grossa

Sou uma guerreira

Estou mais forte do que nunca

E minha armadura é feita de aço

Você não pode penetrá-la

Sou uma guerreira

E você nunca poderá me machucar novamente”

Demi Lovato – Warrior

Most – 1996

O sol ainda dormia atrás das montanhas quando a voz firme de Nina cortou o silêncio da casa, acompanhada por batidas secas nas portas dos quartos.

— Manu! Tyler! Em pé! Vocês têm cinco minutos! Lavem o rosto, vistam as roupas de treino que estão sobre a escrivaninha e desçam imediatamente!

Salto da cama em sobressalto, o coração acelerado, certa de que algo terrível havia acontecido. Abro a porta apressada e dou de cara com Tyler no corredor com o rosto amassado de sono, mas os olhos arregalados de preocupação.

— O que foi? Aconteceu alguma coisa? — murmura, quando o chamado de Nina ecoou novamente pela casa, ainda mais impaciente.

Poucos segundos depois, ela surge diante de nós com os cabelos presos em um coque perfeito, vestida com calça e blusa manga longa pretas e um coturno de militar. Seu olhar era duro, implacável e isso faz minha espinha gelar.

— Hoje começa o treinamento de vocês — declara.

A rigidez em sua postura não deixava espaço para dúvidas e nos dava um aviso prévio do inferno que nos aguardava em instantes.

— Troquem de roupa. Agora.

Tyler soltou o ar em alívio, murmurando um “ainda bem” baixo enquanto se apressava para o quarto. Eu, por outro lado, continuei parada na soleira, atordoada pelo susto de ter acordado aos gritos.

Eu nem mesmo me lembrava a última vez que eu havia dormido tão bem e tão profundamente. Ter uma cama confortável e quente fazia mesmo toda a diferença, depois de ter passado tanto tempo dormindo em lugares frios, duros e desconfortáveis.

Nina arqueia a sobrancelha, cruzando os braços.

— Anda, Manu. O relógio não vai esperar você.

— Sim… — murmuro, engolindo seco.

O peso em sua voz era suficiente para me despertar por completo.

Assim como ordenado, corro para o banheiro do meu quarto, onde lavo meu rosto e escovo meus dentes rapidamente. Meu cabelo estava em um estado deplorável e eu sabia que não tinha tempo para arrumá-lo da maneira como eu queria, então tudo o que faço é prendê-lo de qualquer jeito em um coque malfeito e me visto às pressas.

Quando chego a sala de estar da casa, meu primo já se encontrava no local, usando roupas semelhantes as minhas: calça camuflada, blusa manga longa preta e coturnos. No entanto, logo noto a expressão descontente de Nina, indicando que havíamos demorado mais do que o desejado.

— A partir de agora, todos os dias, vocês acordarão as quatro horas da manhã. Vistam-se em cinco minutos. Precisam aprender a ter agilidade. Se sofrermos um ataque, precisam aprender a agir rápido. Então, a primeira parte do treinamento de vocês vai ser esse.

— Sim, Nina — murmuro.

Tyler assente.

— Agora vamos para o bosque que tem atrás da casa. Vocês irão treinar um pouco antes de tomarem café da manhã.

Temerosos, meu primo e eu seguimos para os fundos da casa e logo somos surpreendido pelo local que não se assemelhava em nada com o que tínhamos visto na noite anterior.

O bosque ainda estava mergulhado em névoa, e o ar frio da madrugada cortava a pele como lâminas. Um espaço aberto nos esperava com cordas amarradas entre árvores, troncos dispostos como obstáculos, barris de água gelada e uma fogueira apagada ao centro.

Tyler franze o cenho e se aproxima de Nina, desconfiado.

— Isso… parece uma espécie de circuito de tortura.

— É exatamente isso — responde Nina, como se não fosse nada demais. — Vocês precisam aprender a ir além dos limites que acreditam ter. Hoje, não quero apenas ver seus corpos exaustos. Quero ver suas mentes implorando para desistir… e ainda assim, ver vocês continuando.

Engulo em seco.

Ela entrega a cada um de nós um saco de areia pesado e nos encara com seriedade.

— Corram cinco voltas completas ao redor do bosque com isso nos ombros. Se um parar, o outro recomeça junto. Vocês são uma equipe. Precisam aprender a agir juntos.

Tyler e eu trocamos um olhar desesperado, mas não havia escolha e assim como orientado por Nina, colocamos o saco em nossos ombros e passamos a correr pelo terreno irregular do bosque.

O peso do saco queimava minhas costas a cada passo, o ar frio feria meus pulmões. Na segunda volta, já sentia minhas pernas tremerem. Tyler tentava disfarçar, mas eu sabia que ele estava tão exausto quanto eu.

— Mais rápido!

A voz de Nina ecoava entre as árvores de forma ríspida e assustadora. Ela não me lembrava em nada a mulher acolhedora do dia anterior, que nos recebeu com abraços calorosos e sorrisos gentis.

— Na guerra, o inimigo não espera o seu fôlego voltar. Vocês precisam apressar a corrida ou serão mortos. Lembrem-se, vocês enfrentarão duas, três vezes mais inimigos do que terão aliados ao seu lado para ajudá-los!

Nesse momento, minhas pernas falham e eu acabo caindo. Tyler para de correr e volta para verificar o meu estado.

— Você está bem? Se machucou? — questiona meu primo, ajudando-me a levantar.

— Eu estou... bem... — respondo, sem fôlego.

E antes que eu conseguisse me levantar, Nina passa a atirar pequenas bolinhas de borracha com um estilingue contra nós.

As pequenas esferas batiam contra nossas pernas, braços e até mesmo o rosto, ardendo como ferro em brasa. O choque me faz perder o equilíbrio outra vez, e um gemido escapa de meus lábios.

— O inimigo não vai esperar vocês caírem para decidir atacar — grita Nina com a voz firme, sem um pingo de compaixão. — Ele vai aproveitar a queda. Vai esmagar vocês no chão antes que tenham a chance de respirar.

Tyler ergue o braço para me proteger, mas imediatamente recebe uma bolinha no ombro. O impacto o fez grunhir de dor.

— Levante-se, Manu! — exige Tyler, puxando-me pela mão. — Se você cair, eu caio também. Precisamos superar isso! A gente consegue!

O olhar de Nina era cortante, implacável.

— Se vocês não levantarem por si mesmos, vão morrer juntos. Escolham: lutar ou apodrecer como fracassados!

Com o coração disparado, forço minhas pernas a obedecerem. O saco de areia parecia ter triplicado de peso, mas me levanto, ignorando o ardor no corpo. Corremos novamente, tropeçando no terreno irregular, mas sem parar.

A cada volta, Nina intensificava os ataques. Pedras pequenas, galhos arremessados contra nós, gritos de ordem que ecoavam como tiros na madrugada. Eu sentia a raiva crescer dentro de mim. Não contra ela, mas contra mim mesma. Como eu podia estar tão fraca? Como eu podia sempre depender dos outros para me erguer?

E quanto ao treinamento que passei com Johnny, Prince e Tyler nos últimos meses? Para que serviu tudo aquilo se eu nem mesmo era capaz de escapar dos ataques de Nina? Eu me sentia fraca e frustrada. Parecia que todo o meu esforço tinha sido em vão. Mais do que isso, era como se tudo o que Prince tinha me ajudado a melhorar tivesse desaparecido em um piscar de olhos.

Na quinta volta, chegamos ao ponto final quase cambaleando. O suor misturado ao frio congelava a minha pele, meu corpo inteiro implorava por um descanso. Minha garganta ardia e respirar parecia ser uma atividade muito mais complicada do que eu me lembrava.

Tyler cai de joelhos, arfando, e eu mal conseguia sentir os braços.

Mas Nina não nos deu tempo.

— Barris. Agora.

Olho para os grandes tonéis cheios de água e gelo. Meu estômago se revira, desesperado. Com o frio que fazia naquele momento, não seria exagero pensar que Nina estava praticamente nos mandando ter uma hipotermia e morrer congelado.

— Você só pode estar brincando… — murmuro.

— Na guerra, o frio, a fome e a dor serão constantes. Se não suportarem, morrerão antes de sequer tocarem em uma espada. Entrem!

Tyler e eu nos entreolhamos, e, sem coragem de desafiar, entramos nos dois barris aos poucos. O impacto foi brutal. O gelo cravou-se em meus ossos, e senti a respiração escapar dos pulmões como se estivesse sendo afogada.

Institivamente, levanto-me e tento sair, mas Nina surge e seus olhos perigosos me fazem travar.

— Fiquem! — ordena Nina. — Não é o corpo que desiste primeiro, é a mente. Lutem contra ela!

Cada segundo dentro daquela água era um martírio. Minha visão começa a embaçar, meu coração parecia querer rasgar o peito. Tyler gritava ao meu lado, tremendo como se fosse desmoronar. Eu mesma sentia que iria apagar a qualquer instante.

— Se desistirem agora, estarão assinando suas sentenças de morte!

A voz de Nina soava como trovão. Era firme e direto, mas havia algo de incentivador em suas palavras. Algo que ainda me mantinha dentro daquele barril, tremendo intensamente, enquanto começava a sentir minha pele queimar e perder a sensibilidade.

— Vocês não são crianças indefesas. Vocês querem sobreviver? Querem proteger quem amam? Então aguentem!

Fecho os olhos, e, por um instante, vejo o rosto de Prince em minha mente. Lembro de seu abraço, de sua voz pedindo para que eu cuidasse de Tyler.

“Você é forte, Manu. Mais do que imagina.”

Me agarro àquela lembrança como uma âncora, como a luz que eu precisava para me manter firme naquela loucura.

— Certo. Podem sair!

As palavras de Nina trazem um alívio que eu jamais pensei que poderia sentir na vida.

Tyler e eu saímos as pressas dos barris, arfando, com os lábios roxos e os dentes batendo sem controle. Caímos no chão, trêmulos, quase sem forças.

Mas Nina não parecia satisfeita.

— Vocês ainda não chegaram ao limite.

E aponta para as cordas presas entre duas árvores, a alguns metros de altura.

— Escalem. Agora.

— Você está louca?

Tyler arfa, usando o pouco de fôlego que ainda tinha. Eu podia sentir o ódio de meu primo ao proferir tais palavras. Ele estava no limite. Provavelmente, teria avançado contra Nina se não estivesse tão debilitado.

— Mal conseguimos ficar de pé!

Nina estreita os olhos.

— Exatamente. Se forem capazes de escalar nesse estado, serão capazes de vencer qualquer batalha. Por acaso pensa em desistir só porque está cansado?

Minhas mãos ardiam, meus braços queimavam, mas diante da determinação de Nina, eu não podia me dar por vencida. Então, usando o restante das minhas forças, eu me levanto e agarro a corda.

Cada puxada era como se rasgasse minha pele, mas continuei tentando. Falho diversas vezes, já que meu corpo parecia a ponto de entrar em colapso, ainda assim, as memórias dos dias que passei ao lado de Prince, Tyler, Gavin e Taynara retornam a minha mente, trazendo toda a força que eu precisava para continuar entrando.

Tyler parecia tão determinado quanto eu e logo passa a subir ao meu lado, tropeçando, quase caindo diversas vezes. Em certo momento, eu finalmente consigo subir e até mesmo ultrapasso meu primo.

Assim que alcanço o topo, estendo minha mão para ajudá-lo a se equilibrar, mesmo sentindo minhas forças se esvaírem e finalmente concluímos o desafio. Nossos corpos estavam exaustos e destruídos, mas havia algo de satisfatório dentro de mim.

Nina finalmente sorri.

— Agora sim. Este foi apenas o primeiro passo.

O sorriso dela não trazia crueldade, mas orgulho — um brilho quase maternal, escondido atrás da dureza.

Eu mal podia respirar, mas dentro de mim havia uma chama diferente. Uma pequena centelha que dizia que, mesmo quebrada, eu ainda podia me levantar.

E como se o Universo estivesse confirmando a descoberta da minha força interior, vejo o sol nascer no horizonte, mostrando um cenário quase celestial. Os raios solares traziam esperança e enchiam o meu coração por um calor inexplicável.

— Parabéns. Eu estou muito orgulhosa de vocês — comenta Nina, sorrindo. — Eu sei que foi exaustivo e desumano a forma como forcei vocês até o limite, mas eu queria mostrá-los que a força de vocês não depende apenas de Prince.

Ela pega toalhas que estavam dentro de uma mochila ao lado dela e nos entrega, para que pudéssemos finalmente nos secar e nos aquecer do frio intenso que fazia naquele momento.

— Eu entendo que vocês veem em Prince uma figura de líder e está tudo bem que isso aconteça, mas é necessário que vocês também cresçam e sejam capazes de conquistar suas batalhas por conta própria. Vocês nem sempre terão Prince ou Johnny ao lado de vocês para guiá-los. E hoje, vocês provaram que são mais do que capazes de superar as maiores adversidades. E eu sei que vocês podem ir ainda mais longe. Apenas acreditem em vocês e não desistam.

Troco olhares com meu primo, sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos.

Porque eu sabia que ela tinha razão. Sabia que havia me tornado depende de Prince e como me sentia perdida longe dele.

— Nós não vamos desistir — afirmo, determinada.

— Eu prometo que faremos o nosso melhor para nos superarmos, então contamos com você para nos mostrar o quão longe nós podemos ir, Nina.

Tyler se levanta e estende a mão. Seus olhos brilhavam com intensidade e havia um ar diferente ao seu redor. Era como se ele tivesse se transformado em uma pessoa mais confiante em um piscar de olhos. E talvez tivesse mesmo.

Ainda que soubéssemos que esse é apenas o início do nosso treinamento e que provavelmente ainda enfrentaremos desafios ainda mais dolorosos e perigosos, a fé de Nina em nós trouxe um pouco de esperança que precisávamos para acreditar que somos capazes de ir mais longe, mesmo que sozinhos.

Nina sorri, aperta a mão de Tyler e o puxa para um abraço caloroso. O gesto repentino da mulher o surpreende, mas também parece trazer um acalento para meu primo, que imediatamente corresponde.

Sorrio e me levanto ao ver Nina gesticulando para que eu participasse daquele abraço tão estranho e necessário naquele momento.

Permanecemos naquele abraço por alguns minutos até que Nina nos dispensa.

Nossos corpos tremiam, não mais apenas pelo frio, mas pela exaustão cravada até nos ossos. Caminhamos de volta para a casa quase arrastando os pés, em silêncio, porque até falar parecia exigir energia que não tínhamos.

Como havíamos sido forçados ao limite, Nina achou melhor que continuássemos nosso treinamento com o restante dos membros da Resistência após o almoço. Então, como ainda era cedo, poderíamos descansar o restante da manhã.

Ao chegarmos, Nina nos deu cobertores grossos e mandou que comêssemos algo antes de dormir. Não discutimos. Apenas seguimos suas ordens, como máquinas que ainda se recusavam a parar.

Depois de um banho rápido e doloroso, porque até a água quente queimava os meus músculos, eu sigo para a varanda dos fundo da casa, onde me surpreendo ao encontrar Tyler enrolado em um cobertor, olhando para o bosque que agora parecia mais ameaçador do que belo.

Sorrio e me sento ao lado de meu primo, aconchegando-me na minha própria coberta, que eu também havia tido a ideia de levar.

Nina havia saído e estávamos sozinhos, então o único som que éramos capazes de ouvir era os dos pássaros e das árvores, remexendo-se calmamente com o vento gélido que as atingia.

— Eu achei que ia morrer ali dentro daquele maldito barril.

Tyler quebra o silêncio, com a voz mais rouca do que de costume. Assim como eu, ele estava completamente exausto.

Solto uma risada fraca, mesmo sem humor.

— Eu também. Achei que não ia sair viva daquele gelo e menos ainda que seria capaz de carregar cinquenta quilos de areia nas costas e dar cinco voltas em um bosque tão gigante como esse.

Ele vira o rosto para mim, exibindo seus olhos cansados, mas cheios de sinceridade.

— Eu nunca imaginei que a gente seria capaz de ir tão longe. Foi tão frustrante ser atingido por aquelas bolinhas de borracha, enquanto tentávamos levantar e ainda ser tão pressionados por Nina. Mas... eu me senti tão vivo quando completamos o treinamento.

Tyler sorri, fechando os olhos.

— Eu me senti tão forte.

— Eu também — concordo, observando o bonito céu de Most.

Respiro fundo, apertando o cobertor contra mim.

— É. Acho que… Prince ficaria orgulhoso de ver como estamos nos saindo bem, mesmo que ele esteja longe.

O nome dele pairou no ar como um sussurro proibido. Tyler abre os olhos e passa a encarar as árvores do bosque.

— Eu não paro de pensar nele...

Minha voz falha.

— No que ele estaria fazendo agora. No quanto ele deve estar sofrendo, porque sei que o treinamento dele não vai ser nada fácil.

— É. Eu também estou preocupado com ele — afirma Tyler, melancólico. — Ficar sem notícias dele vai ser bem difícil.

Mordo o lábio, lutando contra a vontade de chorar.

— Mas o pior… é que eu ainda sinto como se estivesse dependendo dele. Hoje, quando eu caí durante a corrida, a primeira coisa que me veio à mente foi: “Se Prince estivesse aqui, ele me levantaria”. E isso foi tão frustrante.

Fecho os olhos, envergonhada.

— Eu me odeio por isso, Ty. Por ainda não acreditar que consigo sozinha. Eu acho que nem mesmo conseguiria ter me levantado naquela hora se você não tivesse me ajudado. É como se eu não tivesse mudado nada desde que conheci Prince e passei a treinar com vocês. Isso já faz quase um ano!

Tyler fica em silêncio por um tempo e suspira, antes de pousar a mão sobre a minha.

— Manu… você levantou. Eu só estendi a mão. Mas foi você quem se ergueu. Talvez a gente nunca pare de sentir falta dele, mas é isso que vai nos impulsionar. Não precisamos esquecer o Prince para sermos fortes. Precisamos nos tornar fortes por ele.

Abro os olhos e encaro meu primo. Ele parecia tão exausto quanto eu, mas havia uma firmeza nova em sua voz. Algo que não costumava ver.

— É engraçado — comento, com um meio sorriso. — Quando eu estava naquela água, quase apagando, ouvi a voz dele na minha cabeça. Ele me dizendo para não exagerar, para cuidar de você.

— Eu também ouvi — confessa Tyler, rindo baixinho. — Não sei se era imaginação ou se Prince gritaria comigo de tão longe, mas eu ouvi. Acho que passei tanto tempo sendo repreendido por ele e por Johnny em nosso treinamento na fazendo, que minha mente simplesmente os projetou e me impediu que eu desistisse.

Um silêncio confortável se instala entre nós, e por alguns minutos apenas observamos o vento balançar as árvores. Eu me sentia quebrada, cada músculo em frangalhos, mas havia algo novo queimando dentro de mim: determinação.

— Amanhã vai ser pior — murmuro.

— Vai — responde Tyler, apoiando a cabeça contra a madeira da varanda. — Mas se conseguimos hoje, a gente consegue amanhã também.

— Mesmo que doa?

— Principalmente se doer.

Não pude evitar o sorriso cansado. Pela primeira vez, desde que Prince partira, senti que não estava perdida. Eu estava no caminho. Ainda machucada, ainda com medo… mas no caminho certo.

E naquela manhã, antes de finalmente ceder ao sono pesado que me consumia, prometi a mim mesma que, por mais que Nina nos quebrasse, eu me levantaria. Não apenas por mim. Não apenas por Tyler. Mas também por Prince e pelo futuro que ainda podíamos salvar.

Porque agora, eu sou um membro da Resistência e eu jamais desistirei. Continuarei a crescer e me tornarei forte o bastante para me colocar de forma orgulhosa ao lado da princesa Allycia, no dia em que ela assumir o trono de Krósvia.

Até lá, eu não vou parar de lutar e de me superar. Mesmo que eu caía milhares de vezes, eu continuarei a me levantar e a superar qualquer desafio que surja na minha frente. Não importa o que aconteça.

Notas finais
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