Fire Scars

6 Promessa


Notas iniciais
Oiii Cupcakes ♥!! Mil perdões pela demora em atualizar Fire Scars, mas eu tive que terminar Obsession e começar Deadly Hunt antes de me focar nesta história. A notícia boa é que finalmente, as únicas histórias que estou escrevendo são da trilogia Unlike Cinderella, então será mais fácil atualizar as duas fanfics, porque elas estão entrelaçadas. Quero agradecer a minha Jujuba (Juliana Lorena), a minha rainha Manu (VacuumCleaner), a fofa da Secret Lover, a minha princesa Sleeping Beauty, a minha sobrinha tarada Lia, a minha Mamis Confeiteira e Poderosa Jade, a minha doce Viih (Vitória), a anjinha da Doreh Lynch Simpson, a minha ursinha Isa Potter Marano Lynch e a linda da Giovannapita pelos comentários lindos e inspiradores do capítulo passado. Muito obrigada mesmo, meninas ♥! Espero que gostem do capítulo. Boa Leitura...

Capítulo V — Promessa

Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucessoQuando você consegue o que quer, mas não o que precisaQuando você se sente cansado, mas não consegue dormirPreso em marcha ré

Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rostoQuando você perde algo que não pode substituirQuando você ama alguém, mas é desperdiçadoPode ser pior?

Fix You — Coldplay

֎

Krósvia – 1995

Nossas botas afundavam na grossa camada de neve a cada passo dado. O som da batalha, não muito longe de nós, ecoava pela cidade, acompanhada de gritos e pedidos de misericórdia. A mão calorosa de Prince continuava a aperta a minha e a me guiar pelo caminho, de maneira discreta, por entre as árvores que rodeava o palácio, enquanto, ao mesmo tempo, transmitia proteção e confiança.

Restos de corpos de soldados inimigos e aliados estavam espalhados próximos ao castelo. Conforme avançávamos em direção ao centro de Füssen, o cenário se tornava ainda mais repugnante e sombrio. Crianças choravam agarradas aos corpos dos pais, mulheres gritavam pela perda dos filhos e maridos, cavalos relinchavam em agonia e casas eram consumidas em chamas, enquanto ainda havia pessoas dentro das mesmas.

Não demorou muito para que os inimigos notassem a presença do príncipe herdeiro de Krósvia e começasse a atacar. Phillip me empurra para trás de si e usando seu corpo como escudo para me proteger, ele engatilha sua arma e atira sem piedade nos pontos vitais dos homens, demonstrando uma habilidade inimaginável por mim.

Mais homens começam a aparecer. Antes que eu tivesse a oportunidade de atacar, Prince interceptava os inimigos, parecendo tentar me proteger e, ao mesmo tempo, impedir que eu lutasse. Sua munição acaba e o moreno passa a usar sua espada que estava em sua cintura. Por ter que se desdobrar para realizar as duas tarefas, o garoto passa a ser atingido mais vezes do que a atacar.

– Prince, me deixa lutar! – Grito, após ser empurrada, mais uma vez, pelo príncipe para longe da batalha.

– Você ainda...não está...pronta. – Responde, entre sopros, enquanto sua espada se choca com a de um de um soldado loiro de olhos azuis frios e de sorriso macabro.

– O quê? Como pode... – Antes que eu terminasse minha sentença, vejo outro inimigo se aproximar com a espada erguida, pronto para acertar o pescoço do príncipe. — Prince! Cuidado!

Em um movimento rápido, o garoto chuta o homem no qual lutava para longe e usa sua espada para bloquear o ataque do outro soldado. O soldado loiro, aproveitando-se da abertura deixada pelo príncipe com a distração da luta com o outro soldado, aproxima-se com rapidez, mas antes que o mesmo atingisse o primogênito dos reis de Krósvia, ergo minha espada e me coloco na frente do garoto, fazendo minha espada colidir com a do inimigo.

Lembrando-me de todas as lições dadas por meu irmão mais velho, Tony, e por meu primo, enquanto treinávamos em nossa casa, passo a lutar contra o inimigo. Eu sentia a adrenalina percorrer com intensidade todo o meu corpo, enquanto bloqueava, ainda que de maneira desjeitosa, os ataques do homem de tamanho dobrado ao meu.

– Manu! – Grita Prince, desesperado, enquanto tentava a todo custo se livrar do ruivo com o qual lutava. – Eu já estou indo!

– Eu estou bem. – Afirmo, desviando de um golpe dado pelo loiro. – Não se preocupe! Foque-se em sua luta.

Reunindo todas as suas forças, Phillip se livra do ruivo, mas antes que pudesse vir ao meu encontro, mais homens o cercam, atacando-o com destreza. Inconformado, o garoto me olha com culpa e passa a lutar contra os inimigos, deixando claro de que não conseguiria me ajudar até se livrar dos quatro soldados que avançavam contra si.

Voltando minha atenção ao homem que me atacava, passo a me concentrar na luta. A diferença de habilidades era notável, mas eu não podia me entregar e deixar que ferissem Prince. Minhas mãos tremiam e a única coisa que eu conseguia fazer era desviar dos ataques e defender-me. O homem sorria com escárnio, divertindo-se com as minhas tentativas falhas de atingi-lo.

O barulho de queda próximo a mim, me faz desviar o olhar do meu adversário para trás e meu coração se desespera ao ver Prince de joelhos, incrivelmente machucado e a ponto de ser morto pela a espada de um moreno encorpado.

– Não! – Grito, tentando ir de encontro ao príncipe, mas sou impedida pela aparição de meu adversário à minha frente.

– O que pensa que está fazendo, garotinha? – Pergunta o loiro, com o sotaque de Elpízoume, apontando sua espada para mim. – Acha mesmo que será capaz de salvar o seu amado príncipe? – Notando a minha determinação, o homem gargalha, escandalosamente. Ele passa sua espada em minha bochecha, abrindo um corte superficial. Lágrimas descem de meu rosto ao ver Prince ser jogado ao chão e a espada do moreno pressionar a garganta do inconsciente príncipe. – Seu lugar não é em um campo de batalha e sim servindo aos homens.

– Prince! Não! Se afasta dele! – Imploro, batendo minha espada na do inimigo e começando a correr em direção ao príncipe, mas a mão forte do loiro me puxa pelo braço para si, impedindo que eu continuasse. – Me solta!

– Ivan, Mors monarchia²! – Grita o loiro ao moreno, sorrindo diabolicamente, apertando com ainda mais força ao meu braço.

Mors monarchia! – Repete o outro, sorrindo, levantando sua espada, pronto para perfurar a garganta de Prince.

Movida pelo desespero e raiva, levo minha espada ao encontro a lateral do rosto do loiro, cortando sua orelha, e, assim que o mesmo me solta, corro em direção ao outro inimigo. Eu estava longe demais. Não conseguiria chegar a tempo, mas a espada do moreno é impedida de concluir o seu destino quando um garoto, aparentando ter a mesma idade que a minha, de cabelo loiro, olhos azuis e pele branca, corta a mão de Ivan, o soldado inimigo.

Não tenho tempo para indagar sobre a ação garoto. Antes que eu percebesse, estávamos o soldado loiro e eu lutando novamente. Dessa vez, o ódio em seus olhos era ainda mais evidente, enquanto seu companheiro continuava a gritar de dor perda da mão. Mesmo com a falta de habilidade, deixo meus instintos me guiarem, não demorando muito a golpear o loiro no coração.

O homem me olha com surpresa e o ar parece lhe faltar. Observo-o cair de joelhos ao chão e puxo minha espada de volta, assustada. Meu coração batia acelerado e minhas mãos passam a tremer e a suar frio. Eu havia acabado de tirar a vida de uma pessoa. Lágrimas descem pelo meu rosto. Minhas pernas se petrificam, assim como a força parece me faltar.

– Garota! – O menino que havia impedido que Prince fosse morto, grita, chamando minha atenção. – Por mais difícil que seja, você precisa voltar a lutar se quiser proteger o príncipe.

Prince ainda estava inconsciente e o número de inimigos aumentava a cada homem que era interceptado pelo garoto. Ele estava certo. Respiro fundo e ergo minha espada, ainda que meu corpo estivesse mais pesado que antes. O medo embrulhava meu estômago e minhas mãos ainda tremia, mas eu precisava lutar.

Um pouco mais conformada com o fato de que eu estava em uma guerra e as únicas opções que eu tinha eram lutar ou ser morta, aproximo-me do garoto, formando uma espécie de proteção ao redor de Phillip e passo a lutar. Meu corpo parecia se mover automaticamente, acertando da melhor maneira que podia os locais descobertos de proteção dos inimigos.

A neve a nossa volta passa a se tornar vermelha intensa e a ser coberta pelos corpos dos soldados. Para nossa sorte, nenhum dos homens inimigos possuíam armas de fogo, mas, ainda assim, estávamos ficando desgastados e muito feridos. No ritmo em que estávamos, não havia dúvidas que seriamos mortos em pouco tempo.

– Prince! – Grito, enquanto corto a garganta de um dos inimigos. O príncipe continuava imóvel ao chão e coberto de sangue das tropas de Elpízoume¹ e ferimentos pelo corpo. A falta de respostas faz meu coração se apertar e todos os pelos do meu corpo eriçarem. – Prince! Acorda, por favor!

– Ele bateu a cabeça. Provavelmente não acordará tão cedo. – Fala o garoto loiro ao meu lado, golpeando um dos homens que o atacavam.

– Ele está...

– Ele está vivo, se é isso que te preocupa. – Responde o loiro, seriamente. – Agora... – O rapaz chuta um homem em sua barriga, o derrubando e, em seguida, retira o capacete e puxa o cabelo do mesmo. Com um sorriso irônico, o loiro corta a cabeça do inimigo com sua espada. – Se não for pedir demais, poderia se concentrar na luta?

Balanço a cabeça, concordando e me aproximo do garoto, voltando a me concentrar na luta. Inúmeras explosões ecoam pela cidade, ocasionando em mais gritos e mortes. O cansaço e os ferimentos em meu corpo tornavam meus movimentos cada vez mais lentos, além de que com o frio se intensificando com o entardecer, respirar se tornava uma tarefa complexa.

– Manu! – O grito assustado de Matthew se sobressai em meio ao último sopro de vida do homem, no qual eu havia acabado de atingir seu tórax com minha espada.

– Matt? – Sussurro, vendo o melhor amigo de meu irmão mais velho se aproximar com seu traje de soldado de guerra, enquanto cavalga com maestria, por meio dos corpos que estavam espalhados pelo chão.

– O que está fazendo aqui? Onde está Lianna e Rachel? – Pergunta, enquanto salta de seu cavalo e começa a lutar contra os homens que estavam em seu caminho até mim.

– Elas estão... – Interrompo minha fala no momento em que desvio do ataque de faca do soldado inimigo. Chuto sua perna e aproveito a abertura dado pelo o homem para abrir um profundo corte em sua cintura. – Elas estão seguras no castelo. – Afirmo, respirando com dificuldade. Olho para o garoto ao meu lado e vejo um inimigo aproximar de maneira sutil por trás do loiro para mata-lo. –Cuidado!

O loiro penetra sua espada no inimigo com quem lutava e, antes que fosse atingindo pelo segundo soldado, salta para o lado, fazendo com que os dois homens se encontrassem, assim como suas espadas os matassem. Mais quatro soldados se aproximam com seus cavalos, portando armas de fogo.

– Abaixem-se! – Grita Matthew, pulando em direção a Prince, servindo como escudo para o príncipe.

Jogo-me em direção ao garoto loiro e sinto o mesmo passar seus braços sobre mim, no momento em que os soldados inimigos começam a atirar. Encolho-me, rezando para que os corpos ao nosso redor servissem como uma espécie de barreira. Uma das balas atingem meu braço de raspão, fazendo o local arder e doer como nunca antes.

– Você está bem? – Sussurra o garoto, em meu ouvido assim que o tiroteio parece cessar. Respiro fundo e me afasto, sentindo todo o meu corpo tremer.

– Eu... – Mais tiros ecoam, fazendo com que eu levasse minhas mãos ao ouvido, imediatamente.

Um a um, os homens que estavam em seus cavalos começam a cair. O líquido carmim do sangue inimigo escorre pela neve. As lágrimas que eu havia prendido durante a luta, descem pelo meu rosto. Quando os sons dos tiros acabam, mais uma vez, abaixo minhas mãos e passo a observá-las. Eu estava completamente suja de sangue e de pedaços de carne humana. A neve começa a cair sobre mim. Olho para o céu, chorando em silêncio.

Sinto um aperto forte em meu ombro e, ainda aos prantos, desvio meu olhar para o garoto loiro. Ele me olhava com seriedade e parecia entender o que eu estava sentindo. Assim como eu, o adolescente estava coberto de sangue e de ferimentos.

– Você precisa se recompor. – Fala o garoto, suavemente. – Isso ainda não acabou. Existem centenas de soldados inimigos vindo em direção a Füssen e...

– Por hora, precisamos cuidar dos ferimentos do príncipe. – Interrompe Matthew, passando um dos braços de Prince por seus ombros, enquanto o levanta. – O rei e o exército krosviano são capazes de cuidar desse ataque. Vocês devem voltar para o palácio e deixar que....

De repente, uma flecha atinge Matthew por trás, atravessando seu peito. O garoto loiro, notando que esse era o sinal para a chuva de flechas que estavam para acontecer, puxa Prince e eu ao seu encontro, e usa o corpo de Matthew como nosso escudo. Esperneio, tentando me soltar do garoto e tirar o homem de nossa frente, mas era tarde demais.

Os olhos do melhor amigo de meu irmão dobram de tamanho, conforme era atingido pelas armas. E quando tudo terminou, sangue saia do nariz, boca e dos ferimentos de Matthew. O adolescente o solta e, aos poucos, o homem tão conhecido por mim cai de joelhos ao chão.

– Matt! – Grito, desesperada. Corro ao seu encontro e o mesmo cai em meus braços. – Matt, por favor! Não vai! Você precisa sobreviver. – As lágrimas caem ainda com mais intensidade. Matthew abre e fecha a boca, várias vezes, parecendo tentar falar, mas era como se as palavras estivessem presas em sua garganta.

– Manu...cuida delas... – Ele sussurra, pegando em minha mão. Seu esforço para falar era evidente.

– Para, por favor! – Imploro, sentindo meu coração se aperta. – Para com isso. Você precisa viver. Lia precisa de você. April precisa de você.

– Cuida delas...por....favor...cuida delas... – Repete Matthew, chorando. Seus olhos brilhavam em desespero e tristeza. – Diga...diga que eu...amo...as duas...cuida delas...

– Eu vou cuidar delas. – Prometo, chorando alto. – Eu vou cuidar.

Matthew me lança um sorriso triste. E, em meus braços, eu o vejo dar seu último suspiro e morrer. Abraço o corpo falecido, não querendo acreditar que eu nunca mais veria meu irmão de coração. Que nunca mais ele bagunçaria meus cabelos ou me provocaria.

– Não! – Grito, apertando ainda mais o corpo do homem. – Você não pode morrer, Matt!

– Nós precisamos ir. – Fala o garoto loiro, segurando o inconsciente príncipe herdeiro de Krósvia. Vendo que eu não me mexeria, ele coloca Prince em suas costas e, com dificuldade, me puxa pelo braço, obrigando-me a abandonar o corpo de Matthew.

– Não! Matt! Matt! – Grito, me debatendo, na tentativa de me soltar do garoto.

– Nós precisamos ir! – Repete o garoto, com brutalidade. Olho assustada para ele e o mesmo suspira, cansado. – Escuta. Não há tempo para isso. Olhe para nós. Estamos em desvantagem e ainda temos que cuidar desses ferimentos do príncipe. Em pouco tempo, inúmeros homens, carregando todo tipo de armamento aparecerá e não iremos ajudar muito estando mortos.

– Eu sei. – Sussurro, olhando com tristeza para o corpo sem vida de Matthew. – Mas...

– Recolha o máximo de armas e munição que você puder. – Pede, soltando meu braço e ajeitando Prince em suas costas.

Balanço a cabeça, concordando e passo a procurar por armas, munição e espadas. Quando sinto que é o suficiente, lanço meu último olhar a Matthew e passo a seguir o garoto loiro em direção a floresta próxima de nós. Quando adentramos o lugar, a escuridão e a tempestade de neve atrapalhava nossa visão. A única coisa em que podíamos fazer era confiar em nossos instintos.

Permanecemos andando por um longo tempo. De onde estávamos, era possível ouvir todas as explosões e disparos dos soltados. Aves voavam alarmadas a procura de abrigo e a noite começa a se aproximar. Para nossa sorte, a floresta parecia estar sendo ocupada por nós três, os animais, as árvores e a neve.

– Qual o seu nome? – Pergunto, quebrando o silêncio. Estávamos a horas dentro da floresta e o cenário sombrio não colaborava muito para que eu me mantivesse calma.

Gavin Darius. – Responde o loiro, sem olhar para trás. – E o seu?

– Emanuelle Santos, mas pode me chamar de Manu. – Digo, apertando a barra de sua blusa que eu segurava para não me perder. – Você não é daqui. Certo?

– Como sabe disso? – Questiona, encarando-me com curiosidade.

– Se você fosse, eu provavelmente já teria te conhecido ou visto pela cidade. – Respondo, dando de ombros. – No entanto, algo em você me parece familiar.

– Talvez seja porque eu sou primo de Phillip. – Supõe, surpreendendo-me.

– Você é primo de Prince? – Questiono, surpresa.

– Quase isso. – Fala, suspirando. – Meu avô era primo do avô de Phillip, então, de alguma forma, somos primos.

– Incrível. – Sussurro, notando sutis traços semelhantes entre Prince e Gavin.

– Eu estou cansado. – Murmura, Gavin, suspirando. – Eu jurava que já havia visto uma casa por aqui, mas agora eu não tenho tanta certeza.

– Não. Você está certo. – Afirmo, apontando para a minha casa que estava a um pouco mais de vinte metros de nós. – Aquela é a minha casa. Vamos. – Digo, puxando-o.

A ventania e a neve dificultavam a nossa caminhada, mas aos poucos vamos nos aproximando. Ao longe, consigo ver a claridade da casa pelas janelas, mas ainda assim eu não conseguia evitar sentir-me inquieta. Meus irmãos e meu pai com certeza ainda estariam no meio da batalha e a incerteza de que eles voltariam me matava lentamente.

Assim que chegamos, corro para a entrada da casa e abro a porta, dando passagem para Gavin. Na sala, Tyler segurava sua espada, enquanto Taynara apontava uma arma em nossa direção, mas ao notarem que quem invadia a casa era eu, eles abaixam as armas e suspiram aliviados.

– Manu! – Fala Taynara, correndo em minha direção, abraçando-me em seguida. – Estávamos tão preocupados.

– Quem é ele? – Questiona meu primo, desconfiado, encarando Gavin.

– Gavin Darius. – Responde Gavin, enquanto coloca Prince no sofá. – E suponho que saiba quem é ele.

– O que aconteceu? – Tyler, deixa sua espada de lado e corre ao encontro de Prince, analisando seus ferimentos. Meu primo desvia o olhar do príncipe e me encara, surpreso. — Manu?

– Vocês também estão muito feridos. – Fala Taynara, assustada. – Tyler, onde está a caixa de primeiros socorros?

– No armário acima da pia. – Responde Tyler, me encarando com preocupação.

– Eu estou bem. – Garanto, suspirando e me sentando ao lado de Prince. Gavin continuava em pé, observando a casa. – Sente-se, Gavin.

O garoto me encara por um tempo e depois o meu primo, como se pedisse sua concessão. Tyler balança a cabeça de leve e vai em direção a cozinha. Gavin se senta no sofá na frente do meu e suspira, cansado. Não demora muito para que Taynara apareça com a caixa de primeiros socorros e meu primo com duas xícaras de chocolate quente e toalhas.

Ele estende das xícaras a nós e, após as pegarmos, o moreno nos cobre com as toalhas. Taynara começa a cuidar dos ferimentos de Prince enquanto Tyler começa a analisar os ferimentos em Gavin. Desligo-me da conversa que os dois garotos começam a ter e passo a encarar o rosto machucado de Prince.

Eu não conseguia parar de pensar que a culpa do garoto está neste estado era minha. No fim, eu havia sido somente um peso para ele. Phillip foi obrigado a lutar por nós dois e ainda me proteger. Tudo era culpa minha. E agora, Matt também estava morto e eu não pude fazer nada. Como Lianna e April ficariam agora? E, como a fraca que sou, volto a chorar em silêncio.

– A culpa não foi sua. – Dita Gavin, encarando-me com compreensão.

Tyler, que estava concentrado em cuidar dos cortes de Gavin, surpreende-se ao desviar o olhar do loiro para mim. Taynara me olha assusta e se aproxima, confusa e preocupada.

– Manu. O que foi? Por que está chorando? – Questiona a garota, me abraçando.

– O Matthew morreu, Prince está machucado e meu pai e irmãos estão perdidos no meio do caos que está acontecendo lá fora. – Conto, apertando ainda mais a garota contra mim. Taynara me aperta com força e acaricia minha cabeça, tentando me consolar. – Tudo isso aconteceu e eu não pude fazer nada.

– Matthew está...ele está morto? – Pergunta Tyler, atordoado. Balanço a cabeça, concordando e chorando com ainda mais intensidade. – Não pode ser. – Fala, sentando-se sobre a mesa de centro da sala. – E como ficará Lianna e a bebê?

– Ele...ele me pediu para cuidar das duas. – Digo, sentindo o peso que aquelas palavras tinham sobre mim. Quando Lia descobrisse a morte do marido, ela ficaria arrasada.

Separo-me de Taynara e a mesma me lança um sorriso caloroso. Ela limpa as minhas lágrimas e volta a cuidar dos ferimentos de Prince. Olho para Gavin e ele suspira, terminando de fazer os curativos em si mesmo. O loiro, assim que guarda todos os materiais que havia usado, caminha até a janela e encara a paisagem, pensativo.

– Eu ainda preciso encontrar o meu pai. – Afirma, suspirando.

– Seu pai? – Questiona Taynara, assim que termina os curativos em Prince. – Ele está no meio da guerra?

– Sim. – Responde o garoto, desviando o olhar para Taynara. – Provavelmente, deve estar lutando ao lado do rei Lester e do rei Mikael. Vai dar tudo certo.

– Você não parece tão confiante assim. – Comenta Tyler, encarando o loiro com preocupação.

– Isso porque em uma guerra, nunca temos certeza de nada. O que quer que aconteça agora, só existe duas opções: Sairmos vitoriosos ou perdemos vergonhosamente. – Fala Taynara, com o olhar distante.

– Perder não é uma opção. – Afirma Gavin, demonstrando a mesma seriedade que usou durante suas lutas.

Desvio meu olhar de Gavin para Phillip e observo seu rosto sereno, completamente alheio ao que estava ocorrendo neste momento. As lembranças da briga de Prince com o rei Lester se tornam presentes em minha mente.

– Prepare seu armamento. Hoje, você matará um inimigo. – Avisa o rei, surpreendendo a todos.

– O que? – Questiona Phillip, assustado. – Do que você está falando? Eu não vou matar ninguém.

– Não ouse me desobedecer, Phillip. – Ameaça o homem, agarrando o braço do filho com brutalidade.

– Lester, por favor! – Implora, tentando afastar o rei de seu filho. – Você está o machucando.

– Me solta. – Exige Phillip, puxando o braço e se afastando do pai. – Por que eu mataria?

– Phillip! – Repreende a rainha, pelo tom altivo usado pelo filho. – Acalmem-se, por favor. Se continuarem assim, os empregados irão nos ouvir.

– Eu não estou me importando se os empregados irão ouvir ou não. Eu quero a cabeça de Edgar! Eu quero a morte daquele maldito! E você, moleque, irá fazer o que eu estou mandando. – Exige Lester, alterado.

– Não seja inconsequente! – Fala Penny, aumentando seu tom de voz. Lester olha com frieza para a mulher, que se encolhe um pouco, mas não deixa de enfrentar o marido. – O nosso reino está em crise. Não estamos preparados para começar uma guerra. Você sabe que não devemos subestimar Edgar, então, se quer mesmo acabar com ele, precisamos estar preparados para o pior.

– Ele não a ouvirá, mãe. – Diz Phillip, com desdém. – Tudo o que ele pensa é em si mesmo. Um rei egoísta e sem compaixão nenhuma. Tem certeza que você é humano?

[...]

– Por mais difícil que possa ser, permaneça ao lado de Prince. Ele não tem muito contato com outras crianças. Talvez, você seja a única pessoa com quem ele possa ter oportunidade de aprender sentimentos que raramente são destinados a ele. – Explica Rachel, olhando em meus olhos. Eu balanço a cabeça, concordando com o seu pedido e ela sorri, carinhosa. – Ótimo. Agora vá cuidar dos ferimentos de Prince.

[...]

– Por que quer tanto me proteger? Você é o primeiro na linha de sucessão do trono. O povo espera pelo seu legado. Você precisa sobreviver a guerra, não eu. A minha morte não mudaria em nada neste país, mas a sua...

– A sua morte mudaria a minha vida. – Confessa, me surpreendendo. – Você é a pessoa mais próxima que tenho de uma amiga. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse a você, além disso, seus irmãos me matariam se soubessem que eu estou levando você para um campo de batalha, totalmente desprotegida. Então, por favor, coloque essa armadura.

Suspiro e pego na mão do príncipe ao meu lado. Sua imagem pela janela da sala de estudos. A expressão distante e solitária em seu rosto. Prince e eu somos de mundos diferentes. Eu provavelmente nunca seria capaz de entender seus sentimentos, mas Rachel estava certa. Eu havia prometido permanecer ao seu lado, por mais difícil que possa ser. E ainda que eu precise enfrentar soldados perigosos e fortemente armados, eu o farei e cumprirei a minha promessa.

– Perder não é uma opção. – Repito, apertando a mão de Prince, enquanto encaro Tyler, Taynara e Gavin.

– Você parece determinada a algo. No que está pensando? – Questiona Gavin, olhando-me com curiosidade.

– Eu não vou ficar aqui parada vendo o reino ser destruído. Deve haver algo que nós possamos fazer. – Digo, olhando para meu primo. Ele me encara, confuso, deixando claro que não sabia o que fazer.

– Talvez, exista algo. – Fala Taynara, com um sorriso misterioso em seus lábios.

– Você tem um plano, Taynara? – Pergunta Tyler, analisando a garota com atenção.

– Sim, eu tenho, mas iremos precisar do príncipe e de toda a ajuda aliada possível. – Afirma a adolescente, encarando-me com esperança. – Mas as chances de conseguirmos sucesso são baixas. O que me diz, Manu? Ainda quer arriscar?

– Ainda que haja poucas chances de o plano dar certo, eu quero tentar. – Digo, sorrindo com confiança para minha amiga.

Encaro aos rapazes e os mesmos pareciam tão determinados quanto eu. Olho mais uma vez para Prince e suspiro, preocupada. A cena da morte de Matthew continuava a invadir minha mente, assim como suas palavras. Imaginar que minha família estava em um campo de batalha só aflorava ainda mais o meu nervosismo. Sinto Gavin aperta meu ombro, dando-me apoio e sorri com gentileza.

– Não importa o que aconteça, nós venceremos, então não precisa ter medo. Você não está sozinha. Estamos aqui com você e mostraremos aos nossos inimigos que invadir Krósvia foi o maior erro que cometeram em suas vidas. – Com as palavras sinceras do loiro e o brilho caloroso em seus olhos cerúleos, respiro fundo e sorrio, concordando. Ele estava certo. Por mais assustadora que a situação seja, eu não estou sozinha.

Levanto-me do sofá, deixando a toalha em meus ombros caírem. Respiro fundo e amarro meus longos fios achocolatados. Ajeito as peças de metais de proteção em meu corpo e pego uma das espadas que estavam jogadas ao lado do sofá.

– Vamos ganhar essa batalha – Dito, erguendo a espada – e fazer cada inimigo de Krósvia se arrepender de ter machucado nossa família.

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Notas finais
Gavin Darius: http://i1127.photobucket.com/albums/l630/larissa3010/HEADSHOT-2013_zps3u2g0g0d.jpeg Elpízoume¹: Esse foi o primeiro reino em que Edgar foi rei. Mors monarchia: Morte a monarquia em Latim. oOo oOo E então? O que acharam? Críticas, elogios, erros ortográficos? Oii Cupcakes ♥! Demorou, mas o capítulo saiu e eu estou bem curiosa para saber o que estão achando da história. Quero pedir que confiram Deadly Hunt também, pessoal. A história é a segunda fase Auslly e irá render muitas surpresas, romances e intrigas. O link está logo abaixo. Deixem seus comentários, por favor. Beijocas ♥ oOo Unlike Cinderella: http://fanfiction.com.br/historia/514701/Unlike_Cinderella/ Deadly Hunt: https://fanfiction.com.br/historia/637999/Deadly_Hunt/ Obsession: http://fanfiction.com.br/historia/539877/Obsession/ Grupo Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646/