Fire Scars
39 Estratégia — Parte I
Capítulo XXXVIII — Estratégia — Parte I
“Eu não tenho medo de tomar uma posição
Todo mundo venha segurar minha mão
Nós vamos caminhar essa estrada juntos, através da tempestade
Em qualquer clima, frio ou quente
Apenas me deixe saber que, você não está sozinho
Grite, se você sentir que você foi pelo mesmo caminho”
Eminem – Not Afraid
✻
Most – 1999
O fim de semana havia passado de maneira rápida, como se as horas tivessem se dissolvido entre treinamentos, conversas descontraídas, brigas e silêncios pesados. Desde o jantar na casa de Leon e Nina, não consegui ter um único momento para conversar com Manu. Ela cumprira exatamente o que dissera e não deixou espaço para aproximações, mantendo-se ocupada o dia inteiro no domingo.
Nas raras vezes em que nos encontramos em algum cômodo da casa, a forma como me tratou foi fria, quase profissional. Um aceno breve, algumas palavras secas, o suficiente apenas para não soar rude. Era como se eu fosse apenas mais um colega de trabalho, alguém com quem ela não queria criar nenhum vínculo fora do necessário. Isso me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.
Eu entendia que Manu estava com muita coisa na cabeça, agora que assumiu uma nova posição dentro da Resistência e que isso estava fazendo com que ela tivesse mais motivos para focar em si mesma. Ainda assim, a distância que ela fazia questão de manter entre nós era um lembrete constante de que a ferida entre nós dois ainda estava aberta e eu não faço ideia de como cicatrizá-la.
O som apressado de passos pelo corredor interrompeu minhas reflexões. Olga surge primeiro, ajustando a bainha da jaqueta preta de couro, com o olhar atento e sereno, mas eu podia ver que ela estava preocupada. Atrás dela, Tyler caminhava em silêncio, também exibindo uma expressão neutra para esconder o nervosismo que sentia.
Pouco depois, encontramos Manu, Irina e Cam já chegando na sala de reuniões. Cada um exibia no rosto a mesma mistura de cansaço e ansiedade que eu sentia. A convocação repentina e urgente de Johnny não era algo a se ignorar.
Quando finalmente entramos no salão de reuniões, Leon e Nina já nos aguardavam. Os dois conversavam em voz baixa no canto da sala, mas param assim que percebem nossa chegada. Leon nos observa com a postura de um comandante, diferente do homem gentil e brincalhão de sábado à noite. Apesar disso, pelo seu comportamento tenso, eu conseguia supor que ele sabia o motivo dessa reunião repentina e que as notícias não eram nada boas. Nina, por sua vez, mantinha o semblante sereno, que eu não sabia dizer se era apenas uma máscara ou se ela tinha uma visão diferente do que estava por vir.
No centro da sala, Johnny estava de pé, com os braços cruzados e um mapa detalhado estendido sobre a grande mesa de madeira. Seu olhar firme percorreu cada um de nós à medida que nos aproximávamos, até que, em silêncio, todos ocupamos nossos lugares ao redor da mesa. Mia estava ao seu lado e demonstrava muito mais desconforto que os outros, deixando-me ainda mais apreensivo com que estava acontecendo.
— Obrigado por terem vindo rápido.
Johnny agradece, assim que fecha a porta da sala de reunião. Sua voz estava carregada de seriedade e algo que eu não sabia dizer se era preocupação ou raiva. Mia também parecia fazer um grande esforço para se manter firme, mas não conseguia nos encarar.
— Infelizmente, não trago notícias boas — informa o homem, suspirando.
— O que aconteceu? — questiona Manu, impaciente.
Era nítido o quanto ela estava ficando nervosa com a forma como Johnny estava hesitante em nos contar o que estava acontecendo.
— Acabamos de descobrir que Maria, Paul, Cat e Serguei foram capturados por um novo grupo de rebeldes que estão habitando a fronteira entre Krósvia e a Áustria. Não sabemos qual é a situação deles e nem o que os rebeldes pretendem fazer — revela Johnny. — Na verdade, nem mesmo sabíamos de sua existência até agora, então a situação não é nada boa.
Um silêncio sepulcral caiu sobre a sala. Meu coração parece parar de bater por alguns instantes, enquanto o nome de cada um dos capturados ecoava em minha mente. Mesmo sabendo que Maria e Paul me odeiam, eu ainda me sentia aflito pela situação.
Cat é uma cientista excepcional, que sabe mais de química que qualquer um dentro da organização. Serguei é um dos melhores construtor de armas da Resistência e responsável por desenvolver as tecnologias incríveis que são usadas nas missões. Paul é um dos melhores estrategistas que Leon afirmou ter conhecido na vida e responsável por inúmeras vitórias quase impossíveis da Resistência. E Maria é simplesmente a cartógrafa da organização, responsável por mapear rotas de fuga, possíveis locais para treinamento e esconderijos.
É um grupo perigoso demais para estar nas mãos de um grupo de rebeldes que nem sabemos o que querem e o quão perigosos eles podem ser.
— Não...
Irina foi a primeira a quebrar o silêncio, visivelmente abalada com a notícia.
— Eles não podem ter sido pegos...
Mia finalmente ergue a cabeça para nos encarar e, nesse momento, podemos ver que seus olhos carregavam a mesma dor que todos nós sentíamos.
— Foi confirmado por uma equipe que ia logo atrás, para ajudá-los, na missão de reconhecimento do território. A emboscada aconteceu ontem à noite e apenas Bart e Lorelai conseguiram escapar. Os outros membros da equipe, Joshua, Franklin e Patrick foram mortos no confronto. Eles só conseguiram encontrar um abrigo seguro para entrar em contato somente agora — explica a esposa do líder com os olhos cheios de lágrimas.
A notícia vem como uma colherada amarga de tristeza e preocupação. Perdemos três companheiros e ainda temos outros quatro sobre a mira de rebeldes desconhecidos, que nem sabemos o que pode acontecer com eles se descobrirem suas habilidades.
Manu se endireita na cadeira, batendo as mãos contra a mesa, enquanto a raiva parecia transbordar de dentro de si.
— Então não temos tempo a perder. Se esperarmos, eles podem ser executados assim como os outros ou torturados para que revelem nossos segredos. Precisamos de um plano imediato!
Tyler se aproxima do mapa que era exibido sobre a mesa. Ele agarra o papel e passa a observar, o que imaginei ser a região onde ocorreu o ataque descrita por Johnny.
— Se os rebeldes estão na fronteira, devem estar usando os vilarejos abandonados como base. Levando em consideração que o terreno ali é traiçoeiro, com muita montanhas e inúmeros animais perigosos. Eles vão querer usar isso ao favor deles.
Leon se aproxima do mapa e aponta para a região marcada.
— Aqui, a velha fortaleza de Rengard. Foi usada décadas atrás como ponto de vigilância. Se eles estiverem armados e com reféns, vão se abrigar lá. É um local defensivo, difícil de invadir pela frente. Estamos imaginando que esse seja o local para onde eles foram levados.
Nina cruza os braços, pensativa, e então fala com calma, embora sua voz tivesse a firmeza de quem já havia arquitetado dezenas de resgates impossíveis.
— Se formos direto para a fortaleza, podemos ser emboscados e perderemos mais uma equipe. Precisamos dividir forças. Uma equipe deve chamar a atenção com um ataque frontal simulado, enquanto outra entra silenciosa pelos túneis subterrâneos da fortaleza. Eu lembro que existem passagens antigas que dão direto às celas.
— Se eles estão mesmo em Rengard, podemos usar o terreno a nosso favor. Irina e eu poderíamos criar uma distração perto da muralha leste, com explosivos de pequeno porte. Isso chamaria a atenção deles e daria tempo para uma segunda equipe entrar pelos fundos — sugere Cam, encarando Nina com esperanças.
Irina assente, parecendo aliviada por ter algo que pudesse fazer, mas a mulher parece insatisfeita com a sugestão e imediatamente balança a cabeça, negando.
— Não. Explosivos atraem atenção demais.
A voz de Nina é firme e determinada.
— Vocês não sabem se a fortaleza está cercada por vigias ocultos. Se criarem uma explosão, correm o risco de colocar os reféns em alerta, e a primeira reação dos rebeldes será executá-los.
Cam parece frustrado por seu plano não ter sido aceito, mas não contesta.
Tyler se aproxima, apoiando os punhos na mesa.
— Então vamos por outro ângulo. Manu, Prince e eu podemos formar a equipe de infiltração. Entraríamos pelos bosques ao norte e usaríamos cordas para escalar a muralha em silêncio. Uma vez lá dentro, neutralizamos os guardas e abrimos caminho até as celas. Olga ficaria em posição de atiradora para nos dar cobertura.
Leon suspira e cruza os braços, lançando-lhe um olhar sério.
— Você está subestimando a altura da muralha — afirma Leon. Ele bate o dedo sobre o mapa. — Esses blocos de pedra foram erguidos para suportar artilharia pesada. Escalar em plena noite, com possíveis rebeldes posicionados, é pedir para serem alvejados antes mesmo de chegarem na metade do caminho.
— Além disso, vocês não sabem onde exatamente os reféns estão — completa Mia, suspirando. — Podem invadir e acabar no lado oposto da fortaleza, longe deles. Isso custaria tempo, e cada segundo perdido pode significar a vida deles.
O clima fica pesado.
Olga pigarreia e ergue a mão levemente, chamando a atenção.
— Eu pensei em algo diferente. Se posicionarmos atiradores em pontos estratégicos, podemos eliminar os vigias externos em silêncio. Isso reduziria o risco de sermos vistos. Depois, eu forneceria cobertura durante a extração.
Johnny estreita os olhos, ponderando.
— Um plano sólido se não estivéssemos lidando com reféns — responde, encarando-a com severidade. — Basta um corpo cair em falso ou um tiro errado e eles perceberão. Você pode limpar o perímetro, sim, mas não pode garantir que não vai alertar os rebeldes.
Manu, que até então ouvia com o semblante fechado, se inclina sobre a mesa e nos encara com seriedade e determinação.
— Então precisamos entrar pelos túneis. Pelos livros que estudei com Cam recentemente, se forem mesmo os de Rengard, há uma passagem subterrânea que liga o bosque norte às celas antigas. Cam e eu podemos nos infiltrar. Irina e Tyler criariam uma distração menor, nada explosivo, apenas movimentos rápidos para atrair os guardas externos. Prince nos daria cobertura dentro do túnel, enquanto Olga ficaria com o disparo de longa distância.
Nina arqueou as sobrancelhas.
— E se os túneis estiverem desmoronados? Faz anos que ninguém usa aquelas passagens. Vocês podem ficar presos lá dentro.
— Sem contar que não sabemos se os rebeldes já conhecem essas rotas. Se eles instalaram armadilhas, vocês estariam caminhando direto para a morte — complementa Leon.
O grupo se entreolha, cada um sentindo o peso das falhas apontadas. Eu podia sentir a frustração se acumulando dentro de todos nós. Cada plano parecia ousado, mas nenhuma ideia estava livre de riscos. E por mais que eu pensasse, nada parecia bom o bastante para apresentar com confiança.
Johnny passa a mão pelo rosto e apoiou-se na mesa, exalando firmeza.
— Continuem pensando. Quero todas as possibilidades expostas. Não podemos escolher no impulso. Precisamos de algo que maximize nossas chances de trazer Maria, Paul, Cat e Serguei vivos para casa. Boris está com Rose e Mel em busca de mais informações sobre esse novo grupo de rebeldes. A qualquer momento, eles podem aparecer com alguma coisa nova sobre esses rebeldes.
O silêncio volta, mas agora carregado não só de preocupação, e sim de uma fúria silenciosa. Eu sabia que, de um jeito ou de outro, arriscaríamos tudo.
Antes que o silêncio fosse quebrado, a porta da sala é aberta com um baque apressado, e o frio do corredor invadiu a sala antes dos passos. Bóris entra na sala com a respiração pesada como se tivesse corrido o caminho todo, e, em seguida, Hugo, Mel e Rose surgem, trazendo algumas pastas, mapas, fotos e muitos papéis.
— Nós temos novidades — informa Bóris, espalhando as fotos por cima da mesa da sala de reunião. — Assim que conseguimos falar com Bart novamente, ele nos contou sobre as característica das pessoas que os atacaram.
— Descobriram quem são? — indaga Johnny, impaciente.
— Sim — responde Mel, abrindo uma das pastas que carregava. — Cameron, você se lembra dessa missão que teve na Áustria, alguns meses atrás, quando interceptou uma carga de drogas e armas que estavam sendo contrabandeada para os soldados de Elpízoume?
— Claro. Foi uma missão complicada e por muito pouco eu não acabei sendo capturado por eles. Foi realmente um milagre que eu tenha conseguido impedir que eles levassem a carga para Elpízoume — relembra Cam, fazendo uma careta ao relembrar da missão. — Por quê? Não me diga que são as mesmas pessoas que eu enfrentei nessa missão...
— Nós acreditamos que sim — comenta Hugo, pegando um dos papéis que segurava. — Segundo Bart, o grupo usava uma espécie de uniforme com uma insígnia de serpente em seu peito. Isso lembra alguma coisa?
— Aqueles caras usavam roupas pretas e possuíam a insígnia no peito. Eu me lembro claramente de comentar que era estranho que eles tivessem tamanho cuidado com a identidade visual deles em meio a uma guerra.
Cam suspira e parece ficar ainda mais tenso com a novidade.
— Ai, cara! Isso é péssimo! Eles são extremamente habilidosos — murmura o rapaz.
— Habilidosos e letais — completa Rose, depositando sobre a mesa uma foto borrada, mas suficiente que parece ser o suficiente para que Johnny e Mia reagissem. — Acho que vocês já devem ter reconhecido, mas no meio das provas que Cameron trouxe, nós acabamos deixando passar essas pessoas. Depois de conversarmos com Bart, nossas suspeitas se confirmação. Eles não são um grupo novo completamente novo. São remanescentes da Fire Scars.
O impacto do nome foi imediato. Era como se o ar tivesse sido sugado da sala. Mesmo sem saber muito sobre a Fire Scars, já que é quase um assunto proibido para Johnny, ao menos eu sabia que o fato de seu antigo grupo estar envolvido não era um bom sinal para nós.
— Não pode ser… — murmuro, embora soubesse que podia, sim. — Achei que aquele grupo tivesse sido completamente desfeito há anos, quando Dandara foi morta.
— Era o que todos acreditavam — responde Bóris, deslizando outro dossiê em nossa direção. — Mas eles se reagruparam em silêncio, aproveitando o caos do norte. Estão mais bem armados do que nunca e, pior, têm uma líder disposta a liderar o poder do submundo. Ela é jovem, mas é extremamente habilidosa.
— Nós temos investigado algumas movimentações estranhas no submundo, com o aumento do comércio de armas ilegais e outros produtos que inúmeras pessoas não deveriam ter acesso. Descobrimos que todas as atividades que temos tido dificuldade para decifrar e interceptar são comandadas pela mesma pessoa que está liderando esse novo grupo — explica Mel.
— Quem? — pergunta Nina, expondo a pergunta que todos nós nos fazíamos.
— Segundo as nossas pesquisa, a garota se chama Taynara Miller — responde Rose, lendo o papel que estava em suas mãos.
Ouvir o nome que tem sido a maior responsável pelos meus pesadelos é o bastante para fazer meu corpo inteiro tremer em fúria. Encaro Manu e posso ver que, assim como eu, ela também lutava para manter o controle.
Tyler range os dentes, indignado.
— Maldita!
Leon franze a testa, surpreso por nossa reação.
Eu não o culpava. Com exceção de Tyler, Manu e eu, ninguém naquela sala deveria conhecer a garota que durante algum tempo, considerei como uma amiga e heroína. E por causa da dor e revolta que sentíamos ao pensar nela e em Gavin, decidimos nunca mais falar sobre os dois.
— Vocês a conhecem?
— Conhecemos — respondo, com a minha voz soando pesada. — Mais do que gostaríamos.
Manu se levanta abruptamente e bate as mãos com força contra a mesa, fazendo algumas das fotos deslizarem. Seus olhos estavam marejados, mas era possível ver a cólera que transbordava de dentro de si. De nós três, ela provavelmente era a que mais odiava Taynara.
— Ela matou o meu pai e o meu irmão! — anuncia, furiosa. A sala inteira a encara surpresa, assustados com a forma como seu rosto estava vermelho e o seu corpo tremia intensamente. —Ela nos traiu, destruiu tudo o que tínhamos. E agora está liderando esses assassinos? Como ela ousa?!
Manu passa a andar de um lado para o outro, completamente transtornada. Tyler morde o lábio e é consolado por Irina, que também parece extremamente surpresa com a revelação. Olga me encara e posso ver a preocupação presente em seus olhos, mas eu estava perturbado demais para conseguir dizer qualquer coisa.
Cam se levanta e vai até Manu, abraçando-a. A garota parece surpresa pela ação repentina do amigo, mas logo corresponde ao gesto, escondendo o rosto em seu peito. Apesar de estar em silêncio, eu sabia que naquele momento, Manu chorava, frustrada e magoada, lutando contra os inúmeros sentimentos que a atingia ao lembrar de alguém que uma vez foi uma amiga tão importante.
— Eu... ainda tenho mais uma coisa para dizer — informa Bóris, parecendo se sentir culpado por interromper o momento de Manu. — Desculpa...
— Pode falar, Bóris. Não se preocupe — incentiva Mia, suspirando.
— Bart disse que ele recebeu uma mensagem da líder desse grupo de rebeldes. Aparentemente, ela está disposta a negociar pela vida de Maria, Paul, Cat e Serguei, mas que para isso, ela quer se encontrar com Manu, Prince e Tyler pessoalmente.
A informação dada por Bóris deixa a todos tensos. Manu se afasta de Cameron e finalmente me encara. Seu rosto estava vermelho e marcado pelas lágrimas. Com a surpresa do pedido de Taynara, ela até mesmo havia parado de chorar e apenas parecia em choque.
Meu coração acelera e eu não sei como reagir.
— O quê? — questiona Tyler, levantando-se.
Ele parecia ainda mais perdido do que eu.
— As informações que recebemos é que ela pretende se encontrar com vocês amanhã à noite em um em um território neutro, sem armas e sem reforços visíveis. Ela prometeu libertar os reféns vivos e sem qualquer ferimento após a conversa se cumprirmos as exigências dela.
Johnny bate a mão contra a mesa, irritado.
— Isso fede a armadilha.
— Claro que é uma armadilha! — exclama Manu com os olhos faiscando. — Mas se é isso que vai trazer Maria, Paul, Cat e Serguei de volta, eu vou. Além disso, há anos tenho desejado ter a chance de me vingar dela por tudo o que ela nos fez. Eu definitivamente vou.
Cam pousa a mão no ombro dela, tentando conter o ímpeto. De alguma forma, ver como ela parece se acalmar com o simples toque dele me deixa um pouco incomodado. No entanto, repreendo-me mentalmente por dar a detalhes tão banais e relembro que há coisas muito mais importantes para me preocupar.
— Não podemos simplesmente aceitar sem garantias. Ela não é confiável, Manu. Vocês podem acabar se machucando.
— Concordo — comenta Olga, com frieza. — Se o que vocês estão dizendo for verdade e se as pesquisas de Bóris estiverem corretas, essa Taynara deve ser uma adversária perigosa. Ir encontrá-la sem ter um plano é loucura. Nem mesmo sabemos o objetivo dela.
Leon respira fundo, aproximando-se de Manu.
— Escute, Manu. Eu sei que você quer justiça. Mas não pode deixar que a raiva conduza seus passos. Taynara vai usar sua dor contra você. Vai cutucar feridas até te desestabilizar. É assim que pessoas como ela agem. Precisa ser mais inteligente e controlada do que ela.
— Isso mesmo, querida. Se você agir por impulso, poderá se colocar em perigo e ainda machucar os reféns. Nós precisamos ser cautelosos — aconselha Nina, colocando-se ao lado de Manu.
A linda garota de longos cabelos escuros fecha os olhos por um instante, mas quando os abre, vejo apenas aço em seu olhar.
— Então que ela tente. Eu não vou recuar.
— Vocês não entendem — afirma Tyler, atraindo a atenção de todos. — Durante anos, temos convivido com a dor de termos confiado e colocado alguém em nossa casa com as melhores intenções para depois sermos traídos por ela da forma mais covarde possível, com ela matando meu tio e o meu primo! Não podem esperar que a gente fique de braços cruzados, enquanto temos a chance de capturá-la.
— Nós iremos a esse encontro. Vamos resgatar os reféns e traremos a cabeça dela — garanto, levantando-me. — Custe o que custar.
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