Fire Scars

41 Estratégia — Parte III


Capítulo XL — Estratégia — Parte III


“O ciclo se repetiu

Enquanto explosões surgiam no céu

Tudo que eu precisava

Era a única coisa que eu não pude encontrar

E você estava lá quando tudo mudou

Esperando para me contar

Estamos enaltecendo para destruí-lo novamente

Estamos enaltecendo para queimar tudo

Mal podemos esperar para queimar cada parte”

Linkin Park – Burn It Down


Most – 1999

O sol da manhã mal atravessava as janelas estreitas do QG, mas a claridade parecia mais fria do que reconfortante, enquanto eu seguia pelos corredores quase vazios do lugar ao lado de Tyler e Manu. Era como se até o dia soubesse que algo sombrio se aproximava.

Eu não havia dormido nada. Minha mente permaneceu em alerta a madrugada toda, refletindo sobre as palavras de Manu, o meu desentendimento com Olga e os fantasmas de Gavin e Taynara. Tudo para me levar a conclusão que eu realmente tenho agido como um covarde idiota, sendo facilmente influenciado pelo meu passado. Eu nem mesmo consigo me reconhecer.

Meus amigos não pareciam muito melhores do que eu. Ambos estavam com os olhos marcados pelas olheiras e pelo cansaço da noite mal dormida. Ainda assim, ninguém ousou dizer nada. Talvez, nós temêssemos ter uma nova discussão acalorada. Ou talvez, nós apenas estávamos tensos demais para conseguir ter qualquer reação.

Quando finalmente chegamos na sala de reuniões, todos os outros membros da Resistência que participariam da missão já estavam lá.

Olga estava sentada ao lado de Irina, brincando com os próprios dedos com o olhar distante, enquanto a melhor amiga batia o pé no chão com impaciência. Cam, sempre tão brincalhão, estava sério, os olhos atentos, como se carregasse um grande peso em suas costas.

Nina e Leon estavam lado a lado, com aquela postura quase impenetrável de veteranos que já viram missões como essa desmoronar e outras milagrosamente dar certo. Mia permanecia próxima de Johnny, folheando anotações e mapas, mas era claro que sua mente já estava em mil cenários possíveis. Johnny, por sua vez, estava de pé diante da mesa, braços cruzados, transmitindo uma firmeza que todos precisávamos, mesmo que atrás daqueles olhos cansados houvesse a mesma incerteza que sentíamos.

Um grande mapa da região da fronteira com a Áustria estava aberto sobre a mesa. Várias marcações em vermelho e azul indicavam os pontos de risco, rotas de infiltração e possíveis locais de encontro. Fotografias desfocadas da antiga fortaleza de Rengard estavam espalhadas entre os papéis, junto com descrições de Bart e Lorelai sobre os rebeldes, que eu havia visto com Hugo no dia anterior.

Cumprimentando a todos com acenos breves, Manu, Tyler e eu nos acomodamos nas cadeiras que estava livres e passamos a encarar nosso líder.

Johnny pigarreia, quebrando o silêncio tenso.

— Muito bem. Esta noite será decisiva — comenta o homem, enquanto seus olhos percorrem cada um de nós, até que para em Tyler, Manu e eu. — Vocês três serão o foco do encontro. Taynara exigiu a presença de vocês e não temos escolha além de cumprir.

Instintivamente, viro-me para Manu e vejo a determinação em seus olhos, como se já estivesse pronta desde o momento em que ouviu o nome de Taynara. Tyler assente de maneira firme, mas era possível ver seu maxilar travado, segurando a fúria. Eu apenas respiro fundo, tentando manter uma expressão neutra, mesmo que por dentro eu esteja em um completo caos.

— O ponto de encontro será em uma clareira a dois quilômetros da fortaleza de Rengard. Território neutro, segundo o combinado — comenta Mia, abrindo um dos mapas sobre o centro da mesa. — Bart e Lorelai confirmaram que o terreno é aberto, sem muitos locais para emboscadas próximas, mas isso não elimina o risco de estarem escondendo algo.

— Claro que vão estar escondendo algo — comenta Leon, passando a mão pelo rosto, expressão sua preocupação. — É uma armadilha óbvia.

— Por isso mesmo, vocês três irão desarmados, como foi exigido pela líder desse grupo de rebeldes, mas o resto da equipe estará em posições estratégicas. Cam, Olga e Irina darão cobertura à distância — orienta Nina com a voz firme.

Cam abre um pequeno sorriso, tentando disfarçar a tensão, mas era nítido que ele também estava bastante nervoso.

— Podem deixar, eu sei me esconder melhor que qualquer um aqui.

— Não é só se esconder, Cameron — retruca Johnny, sério. — É saber quando intervir. Se entrarem cedo demais, os reféns podem ser mortos. Se entrarem tarde demais, além deles, Manu, Tyler e Prince morrem.

Um silêncio desconfortável cai sobre a sala. Ninguém ousou rir ou fazer qualquer comentário. Estávamos cada vez mais tensos e ansiosos.

— E se Taynara estiver usando esse encontro apenas para nos distrair enquanto movem os reféns para outro lugar? — questiona Olga, ajeitando-se na cadeira, sem desviar os olhos do mapa. — Já que estamos supondo que se trata de uma armadilha, não seria algo impossível.

— Temos agentes posicionados nos arredores da fortaleza. Qualquer movimentação fora do esperado será reportada. Mas a verdade é que não podemos confirmar nada até estarmos lá, já que é um local que temos poucas informações e tudo o que temos veio de uma análise muito superficial de Bart e Lorelai nas últimas horas — explica Mia, dando um suspiro frustrado. — Por isso, enquanto vocês estiverem conversando com Taynara, Nina e Leon ficarão responsáveis por descobrirem mais sobre o local e tentarão resgatar Cat, Serguei, Maria e Paul.

— Então suponho que a nossa prioridade seja ganhar tempo, mantendo a conversa com Taynara longa o suficiente para que Nina e Leon possa resgatar os reféns ou para que a equipe de cobertura possa agir se algo der errado — comenta Manu, respirando fundo em seguida.

Johnny assente, parecendo satisfeito por Manu ter entendido o que eles haviam planejado.

— Exatamente. Vocês três precisam estar preparados não apenas para lutar, mas para negociar ou enganá-la se for preciso. Tentem descobrir qual é o objetivo desse novo grupo e o motivo de terem sequestrado nossos membros. Conto com você para arrancar informações de Taynara, Prince — responde Johnny, encarando-me com seriedade.

Sinto todos os olhares recaírem sobre mim naquele momento e meu estômago se revirou, sentindo o peso da responsabilidade. Não era de se estranhar, afinal, durante o tempo em que estive em missão com Olga e Leon, eu sempre ficava responsável por essa parte. Ainda assim, geralmente eu lidava com pessoas que eu não tinha qualquer ligação no passado.

Dessa vez é diferente.

Taynara é esperta e manipuladora. Eu tenho certeza de que arrancar informações dela será mais difícil do que qualquer missão que eu já tenha enfrentado. Mas, diante de tudo o que aconteceu nos últimos dias e com o fato de que vidas de pessoas importantes para a Resistência estão em perigo, eu não posso hesitar. Preciso fazer isso funcionar de qualquer maneira.

— Não se preocupe. Eu vou fazer o que for necessário para garantir a segurança de Cat, Paul, Maria e Serguei, e arrancarei o máximo de informações possíveis de Taynara — afirmo, mesmo que por dentro, estivesse extremamente inseguro.

— Muito bem — responde Johnny, parecendo satisfeito com a minha resposta. — Agora, vamos revisar cada posição. Eu não quero que essa missão tenha qualquer margem para erros. Muitas coisas estão em risco, então preciso que todos prestem bastante atenção e se tiverem qualquer dúvida, esse é o momento para se expressarem.

— Sim — respondemos, todos atentos ao nosso líder.

Johnny respira fundo e aponta para o mapa aberto sobre a mesa. Ele pega um canetão azul e marca três pontos ao redor do local onde fica a clareira.

— Cam, você ficará no flanco leste. Há uma formação de rochas ali que servirá de cobertura natural. Sua função é observar movimentos vindos da direção da fortaleza e reportar qualquer sinal de emboscada. Se notar algo suspeito, não ataque. Apenas sinalize.

— Entendido. Usarei a lanterna de pulso com o código de três piscadas curtas, como fizemos na última missão — responde Cam, esboçando uma expressão séria.

— Certo — concorda Johnny. Ele aponta o dedo para o outro ponto do mapa.— Irina, você ficará próxima ao antigo celeiro abandonado. Ele oferece uma boa visão das colinas, mas pouca proteção, além disso, existe possibilidade de encontrarmos parceiros de Taynara no local, então tenha cuidado ao entrar e escolha sua posição com cuidado. Seu papel será observar movimentações externas ao local da clareira e cobrir a retirada se for necessário.

— Tudo bem. E qual será o sinal de alerta para presença de intrusos ou ataques surpresas? — questiona a garota de longos cabelos loiros e olhos azuis intensos, enquanto cruza os braços.

— Dois disparos secos para o alto, se não houver opção melhor — responde Nina. — Mas, de preferência, usem o código de luz. Não podemos chamar atenção cedo demais.

— Você, Olga, ficará ao norte, em uma elevação que dá visão direta da clareira. É a posição mais crítica. Será nossa cobertura de precisão — explica Johnny, apontando para a posição de Olga no mapa.

Minha namorada assente sem hesitar.

— Entendi. Se algo sair do controle, eu atiro primeiro nos atiradores deles. Depois protejo a saída.

— Correto — concorda Leon. — Mas lembre-se de só atire se houver ameaça iminente contra Manu, Tyler ou Prince. Uma bala fora de hora pode significar a morte dos reféns.

— Não se preocupe. Eu não vou cometer erros — afirma Olga, confiante. — Não darei esse gostinho a esses desgraçados que tiveram coragem de nos ameaçar dessa forma.

Johnny parece compartilhar da mesma sensação que Olga, mas não diz nada. Ele então encara Manu, Tyler e eu. Há algo em seus olhos azuis gélidos que me mostrava que toda a sua hesitação em nos expor ao perigo dessa forma. Mesmo que soubesse que não tínhamos opção, ele ainda parecia se culpar pela situação.

— Vocês três serão o centro. Irão desarmados para uma clareira, onde ficarão completamente expostos. Para garantir ao menos que não perderão completamente o contato com a gente, vocês levarão uma espécie de micros comunicadores escondidos nas roupas. Ninguém fala a não ser que seja estritamente necessário. Como eu disse antes, Prince conduzirá a conduzirá a conversa, mas quero que Tyler e Manu deem todo o apoio necessário. Principalmente você, Manu, já que parece ser um encontro por motivos pessoais, provoque Taynara para que ela possa falar, mas tome cuidado para que não coloque em risco a segurança de vocês e dos reféns. Lembrem-se: o tempo da conversa de vocês é o tempo que a equipe de resgate terá para encontrar nossos membros e sair do local.

Manu, Tyler e eu concordamos. Sinto a adrenalina em meu corpo aumentar, sentindo-me cada vez mais nervoso.

Mia abre um pequeno estojo metálico e revela três dispositivos pequenos e transparentes.

— Estes são os comunicadores que funcionam por pressão, que enviarão o sinal para Nina e Leon. Eles ficarão presos nas mangas de suas blusas, próximos a palma da mão. Apertar uma vez esse aparelho é sinal de que estão seguros. Duas vezes significa que precisam de distração. Três vezes… — ela suspira — significa que a situação saiu do controle e a equipe de cobertura deve agir imediatamente.

— E qual é o código para retirada? — pergunta Cam, franzindo o cenho.

— Quatro piscadas de luz em sequência — responde Mia. — Isso significa abandonar tudo e recuar. Mesmo que os reféns não tenham sido resgatados.

Um silêncio pesado tomou a sala. Ninguém queria aceitar a possibilidade de falhar, mas todos sabiam que precisavam ter essa opção.

— E quando a negociação terminar? O que devemos fazer? — questiono, encarando Johnny. — Devemos matar Taynara? Tentar trazê-la conosco?

— Se possível, eu gostaria de evitar confrontos nesse primeiro momento. Vocês estarão muito expostos e vulneráveis. Não sabemos o tamanho desse grupo rebelde, suas convicções ou o que os levaram a exigir esse encontro com vocês, depois de tudo o que aconteceu. Mais do que isso, me preocupa que eles saibam que vocês fazem parte da Resistência, já que a identidade de vocês deveria ser algo de conhecimento apenas dos membros da organização. Não temos praticamente nenhuma informação sobre eles, mas eles parecem saber muito sobre a gente — comenta Johnny, pensativo.

— Taynara é uma estrategista genial. Quando tinha apenas catorze anos, ela foi capaz de desenvolver um plano que destruiu por completo um acampamento na Colina Negra de soldados de Elpízoume, quando soldados krosvianos tentavam esse feito há meses. E ela elaborou o plano em apenas alguns minutos — relembro, suspirando.

— Não podemos subestimar Taynara — concorda Tyler, parecendo tão frustrado quanto eu. — Eu convivi com ela apenas por alguns meses, mas pude ver o quanto a mente dela pode ser sobre-humana. Se assim como nós, ela tiver evoluído em suas habilidades, eu tenho certeza de que mesmo a nossa melhor estratégia pode ser facilmente derrotada por ela.

A informação de Tyler deixa a sala de reuniões ainda mais pesada. Johnny parece ficar ainda mais tenso, mas levando em consideração a falta de informações que temos, não havia muito o que pudéssemos fazer. É frustrante, mas Taynara tem uma vantagem enorme sobre nós.

— Isso não importa — retruca Manu, confiante. — Passei os últimos quatro anos da minha vida dizendo a mim mesma que a faria pagar pela morte de meu pai e dos meus irmãos. Não importa o quão genial ela seja, eu vou acabar com ela e garantir que todos voltem a salvo. Não chegamos tão longe para hesitar agora. Apenas precisamos fazer o plano dar certo.

— Manu tem razão — concorda Leon, sorrindo. — Precisamos acreditar e fazer essa missão ser um sucesso. Somente assim conseguiremos resgatar todos.

Nós nos encaramos, assentindo. Mesmo com toda a insegurança que sentimos, precisamos ser fortes e acreditar. Não podemos simplesmente abandonar Cat, Maria, Paul e Serguei. Além disso, se Taynara deseja conversar um local tão exposto como a clareira e sem armas, talvez exista uma possibilidade de sairmos vivos dessa.

— E quanto ao que fazer com Taynara — comenta Johnny, pensativo. — Assim que tivermos os reféns em mãos, Dimitri, Bóris e Jay irão ajudar a tirá-los de lá. Confio nos três para elaborar a melhor estratégia para tirá-los de lá de acordo com o cenário que estiver diante de vocês.

— Eles também irão? — questiona Manu, surpresa.

— Sim. Eles três, Hugo e Rose. Eles são os melhores agentes para esse tipo de missão — afirma Mia, sorrindo confiante.

Tyler, Irina, Cam, Olga e Manu parecem aliviados com essa informação. Apesar de saber das habilidades de Dimitri, Bóris e Jay na luta, eu nunca os vi em ação em uma missão. Mesmo assim, ver a confiança de meus amigos, fez com que eu me sentisse mais calmo.

— Escutem bem. Esta não é uma missão para heróis solitários. Se cada um cumprir sua função, aumentamos as chances de sair vivos e com os reféns. Mas se alguém agir por impulso, todos pagaremos o preço. Estejam conscientes de suas responsabilidades e da importância de cada um para o sucesso da missão — afirma Nina, soando tão dura e fria quanto aço.

Johnny bate a mão contra a mesa e encara cada um de nós com intensidade.

— Então está decidido. Reúnam seus equipamentos, descansem o quanto puderem. Vocês, Hugo, Rose, Dimitri, Bóris e Jay partirão em duas horas para Viana em um avião particular que conseguimos fretar e depois seguirão de carro até o local de encontro com Bart e Lorelai, próximo a fortaleza de Rengard — informa Johnny, recolhendo os papeis espalhados.

A reunião terminou como todas as outras antes de uma missão de risco. Um silêncio pesado se faz presente e é possível ver olhares que escondiam mais medo do que coragem. Com passos arrastados e tensos, cada um começa a se dispersar, recolhendo papéis que seriam necessários para a missão.

Fiquei parado por alguns instantes, sem pressa em sair. Talvez fosse o peso do plano ainda ecoando na minha cabeça ou talvez fosse a exaustão de não ter dormido. Mas, no fundo, eu sabia o que realmente me prendia ali, já que involuntariamente, meu olhar seguia Manu.

Ela estava encostada na mesa, respirando fundo, como se tentasse controlar a avalanche que vinha por dentro. Cam se aproxima, entregando-lhe uma garrafa de água. O gesto foi simples, mas Manu o aceitou com um meio sorriso cansado, como se fosse exatamente o que precisava naquele instante.

— Não se esqueça de respirar fundo e de conter suas emoções — comenta em voz baixa, com aquele tom leve, mas mostrando a preocupação que sentia. — Você não pode deixar que ela entre em sua mente ou você pode acabar se deixando levar pela raiva.

— Eu sei.

Manu suspira, bebendo um gole antes de devolver a garrafa.

— Mas é difícil… ainda mais com o que vamos enfrentar hoje à noite. Estarei diante da assassina da minha família. Eu não sei se conseguirei ser sangue frio o bastante para não avançar nela assim que eu a vir — murmura Manu, frustrada.

— Eu sei que você consegue. Apenas mantenha a calma e se precisar, eu estarei lá para te dar apoio — garante o rapaz.

Cam pousa a mão sobre o ombro dela, firme, quase protetora. Manu não se afasta. Pelo contrário, parece se apoiar naquele toque.

Meu peito se aperta. Eu sabia que não deveria me importar e que não é o momento ideal para comparações, mas ver a cumplicidade entre eles me corroía por dentro. Mais uma vez, eu me via diante do sentimento de que Cam conquistou um espaço que antes fora meu e que eu tinha perdido para sempre.

Ao meu lado, sinto Olga se remexer. Ela não diz nada de imediato, mas percebo o jeito como seus olhos também acompanhavam a cena. O silêncio dela era diferente do habitual. Não era contemplação, era incômodo.

— É inacreditável — murmura, enfim, com uma calma que escondia mais do que mostrava.

Viro o rosto para encará-la, confuso com o comentário de minha namorada.

— O quê?

— O quanto você nem mesmo consegue disfarçar o seu incomodo por ver a Manu interagindo com o Cam — responde Olga em um tom de voz baixo, mas afiado o bastante para me paralisar. — É como se todo o resto desaparecesse para você quando ela está por perto.

Engulo em seco, desviando o olhar de volta para Manu e Cam.

— Não é isso… — tento justificar, mas a frase morre pela metade, já que eu nem mesmo sabia explicar o que estava acontecendo.

Olga arqueia uma sobrancelha e sorri sem humor.

— Claro que não.

Havia uma decepção silenciosa em sua voz, como se uma suspeita antiga tivesse acabado de se confirmar.

Antes que eu pudesse responder, ela pega o coldre da mesa e ajeita no quadril, caminhando em direção à porta. Olga não disse mais nada, mas o som dos passos dela ecoou no meu peito mais alto do que qualquer acusação.

Fiquei ali, dividido entre a dor de vê-la se afastar e a confusão que me dominava ao observar Manu e Cam juntos. Uma missão quase suicida está prestes a acontecer, na qual não fazemos ideia de como vai se encerrar, mas, dentro de mim, outra batalha já estava em andamento e eu não faço ideia de como sairei dela inteiro.