Fire Scars

14 Desespero


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E um dos capítulos mais tensos dessa história acaba de chegar. Espero mesmo que gostem e me perdoe pelo tamanho dele. Obrigada Princesa Fefeh e Juliana Lorena pelos comentários no capítulo passado. Boa leitura

Capítulo XIII – Desespero

Desesperada, tão consumida porToda essa dorSe você me perguntar o por quê, nãoSaberei por onde começarRaiva, amor, confusãoNão me levaram a nadaEu sei que existe um lugar melhorPor que você sempre me leva lá

Take me Home — Jess Glynne

Krósvia — 1995

Eu nunca senti tanta dor em toda a minha vida. Ver meu pequeno Sean morrer em meus braços sem qualquer chance de salvá-lo foi a dor mais intensa e traiçoeira que eu já experimentei. Ele era apenas uma criança. Tinha um futuro inteiro pela frente, sonhos para se realizar e tudo desapareceu de frente aos meus olhos como se fosse areia em minhas mãos.

O pior de tudo era lembrar que isso era apenas consequência de minhas ações. Eu desafiei o rei e agora estou pagando caro por ter decido lutar ao invés de fugir. Eu não sei quanto tempo se passou e nem o que aconteceu com os Fire Scars. Tudo o que sei é que estou há dias sendo torturada de todas as formas possíveis e que isso não vai acabar tão cedo.

Eu não comia nada há um bom tempo e não havia sinal algum de água. A falta de comida em meu estômago era massacrante. Cada parte de mim implorava por algo que acabasse com aquela dor desumana. A desidratação estava começando a me afetar também. As intensas dores de cabeça e a fraqueza me davam sinais de que não suportaria aquilo por muito tempo.

Stefan volta a aparecer na cela onde estou sendo mantida acorrentada desde que fui capturada pelo homem. Como sempre, ele não esboçava qualquer sentimento e suas ações refletiam a crueldade tatuada em sua alma como o próprio demônio. E ele então se aproxima de mim e tudo o que desejo é que ele sofra dolorosamente assim como ele tem feito comigo, me matando aos poucos.

— Quanto tempo mais você irá aguentar? — Sussurra Stefan em tom de superioridade.

— Eu vou matar você, Stefan. Eu juro que quando eu sair daqui, eu vou te matar lentamente assim como você tem feito comigo. — Prometo e ele se aproxima de mim, agarrando meu rosto com brutalidade.

— É impressionante como você ainda continua a lutar mesmo depois de tudo o que aconteceu. — Comenta o homem, apertando ainda mais o meu rosto. Ele me larga e sorri com ironia. — Ainda não percebeu que não há mais saídas? Ninguém vai salvar você. Ninguém sabe onde você está. Manu, Prince e Tyler acreditam que você os traiu e foi responsável pela prisão de Henry e Tony. Sua criança está morta e seus amigos rebeldes do Fire Scars jamais se arriscariam tanto apenas para te salvar. E quanto ao seu confiável amigo, ele traiu você e te abandonou por completo.

— Não. Eu sei que ele não fez isso. — Digo com convicção. Aquele era apenas mais um joguinho de Stefan para me desestabilizar. — Gavin tentou proteger Sean. Conhecendo você, tenho certeza de que foi responsável por provocar a confusão para Henry ser preso e Gavin correr para o lugar onde eu estava para proteger meu menino. O que você não esperava era que o rei realmente condenaria seus filhos a pena de morte por traição. É por isso que você permitiu que Gavin fugisse com Sean para conseguir me encontrar. Você sabia que ele me procuraria para avisar sobre a ameaça de Lester e para garantir a segurança de Sean.

— Você é esperta. — Comenta Stefan, insatisfeito por eu ter descoberto o seu plano. — Ainda assim, isso não vai salvar você. Gavin pode estar desaparecido, mas não será capaz de fazer nada sozinho. Com a sua presença aqui, Tony e Henry não correm mais risco de vida e eu ainda posso impedir que eles se envolvam em problemas. Então, eu se fosse você, aceitaria o seu fim. O rei Lester fará de tudo para te fazer pagar pela sua ousadia e eu terei o prazer de o ajudar.

Ele volta a pegar em meu rosto e me obriga a olhar para ele. Como resposta, cuspo na cara do soldado. Como resposta, recebo um forte tapa em meu rosto. Sinto-me desorientada por um tempo, enquanto o sangue desce de meu nariz. O braço direito do rei me encara inexpressivo, enquanto seus homens se aproximam de mim. Novamente vem o desespero por saber que em pouco tempo irei sofrer mais uma tortura esmagadora, mais uma vez não há certeza alguma de que irei sobreviver.

Debato-me, tentando me soltar do aperto doloroso daqueles homens traiçoeiros e Stefan injeta alguma droga em mim. Sinto meu corpo ficar fraco e já não tenho mais controle de meus movimentos. Ouço ecos em minha cabeça e Stefan ordenando que me levassem para a câmera de tortura do rei. Vejo algumas luzes enquanto andávamos em direção ao local, mas não consigo me mexer. É como se meu corpo estivesse paralisado. Não tenho muita noção do que está acontecendo a minha volta, mas posso ver um quarto apertado, sujo e com pouca iluminação.

Eu não consigo identificar o que estava acontecendo. Tudo estava confuso demais para mim, mas sinto aquele desespero que me consome lentamente, devorando cada pedaço dentro de mim. Lembro de meu pequeno Sean e a dor se torna ainda maior. Ele não merecia morrer. Sean era apenas uma criança, não havia feito nada de errado. Por que ele e não eu? E mesmo completamente alterada pela droga que aplicaram em mim, ainda não é o bastante para diminuir essa dor que esmaga o meu coração.

Não sei quanto tempo se passa, mas quando começo a recobrar a consciência, percebo que estou presa em uma espécie de maca. Um das sombras do rei estava ao meu lado com um sorriso maligno no rosto. Stefan me encarava de braços cruzado e aquela maldita indiferença que me causava tanta raiva. O rei entra na sala. O ar se torna ainda mais pesado. Ele também sorria, satisfeito por me ver humilhada.

— Você deve estar se perguntando o que está fazendo aqui, não é mesmo, adorável Taynara? — O sorriso do rei se torna maior e ainda mais doentio. Ele se aproxima de mim e começa a me enforcar. Procuro por ar, tentando me soltar daquele aperto aterrorizante. Quando começo a perder a consciência mais uma vez, o homem me solta. Começo a tossir, sentindo minhas vias respiratórias arderem pela falta de ar. — Sabe, Taynara, um passarinho me contou que o seu maior sonho é ser mãe e ter uma grande família. Isso não é adorável, Stefan? Será se eu devo tentar da isso a ela?

— Me deixa... em paz... — Sussurro, fraca.

— E por que eu faria isso? A brincadeira está apenas começando. — O rei sorri malignamente.

E como um demônio, ele abusa de mim sem qualquer piedade. Há uma felicidade inexplicável nos olhos de Lester ao me humilhar e destruir a minha alma. Os homens na sala apenas observavam a tudo sem moverem um dedo. Eu sentia nojo e raiva. O choro em minha face parecia ser o incentivo para aquele ser inescrupuloso me torturar ainda mais. Ele mordia a minha pele e ria de toda a dor sentida pela invasão e violação de meu corpo. E eu só conseguia pensar em quando tudo acabaria.

Naquele momento, eu desejava a morte como ninguém. O ódio dentro de mim era avassalador. Eu não aguentava mais aquilo. Dia após dia sendo abusada e violada. Por que simplesmente não me matam? Eu não quero mais viver tanto sofrimento. Não quero ter que sentir os lábios nojentos de Lester sobre a minha pele e nem suas mãos percorrendo o meu corpo. Eu gritava por ajuda e tudo que recebia era socos e ainda mais violência.

E quando ele termina, eu já não tenho mais forças para nada. Meu corpo doía, mas a minha alma havia sido completamente destroçada. Lester sorri satisfeito e sai de cima de mim. Stefan continuava a me encara com aquele olhos de demônio em qualquer expressão. Ele simplesmente não se importava com o que iria acontecer comigo.

— Você deve estar muito agradecida pela minha ajuda, Taynara. — Sussurra Lester em meu ouvido e tudo que sinto era vontade de vomitar. Não havia palavras para expressar o nojo que eu sinto desse homem. Ele então se vira para a sua sombra. — Destrua qualquer chance dela ter um filho. Eu quero que ela carregue para sempre a dor por ser uma mulher incompleta e incapaz.

— Não! Por favor! Não! Não! — Grito desesperada.

E sem ouvir o meu pedido desesperado, a sombra corta a minha blusa e pega um bisturi. Eu tento me libertar daquela câmara de tortura, mas o que recebo é um corte sem qualquer anestesia em minha barriga. A dor é tão intensa e dilacerante que não consigo permanecer consciente por muito tempo. Acordo novamente sentindo meu coração bater mais rápido que o normal e uma forte adrenalina percorrer as minhas veias. A dor volta a me atingir. Eu nunca havia sentido tanta dor como naquele momento.

Não sei quanto tempo aquela tortura durou. Pela intensa dor, eles me drogaram e fizeram questão de me manter viva. Quando tudo terminou, eles me levaram de volta para a cela de prisão do calabouço do castelo. Eu não sabia explicar o ódio que eu sentia de Lester, Stefan e da sombra que me torturou. Eles simplesmente tomaram de mim a chance de ter qualquer família. Sem meu útero, eu jamais poderia realizar o meu sonho de ser mãe.

Mais uma vez, Lester havia tomado a felicidade de mim. Primeiro ele tirou o meu pai de mim, depois Sean e agora destruiu os meus sonhos. Era como se eu não tivesse direito de ser feliz. Choro sentindo que preferia morrer a continuar sendo vítima das maldades dessas pessoas. E então lembro do sorriso gentil de Henry, do cuidado de Tony, da determinação de Gavin, da personalidade divertida de Tyler, da coragem de Manu e da bondade de Prince. Todos amigos preciosos que me fizeram sentir o que é fazer parte de uma família.

Eu queria ter Henry comigo. O sentimento de inutilidade e o medo me destruíam. O que vai ser de mim agora? Meus amigos e namorado são as únicas coisas que me restam. Ao mesmo tempo, eu não sei se conseguiria vê-los no momento. Eu me sentia suja e culpada. Era minha responsabilidade de proteger Sean e eu não fui capaz. Eu fui fraca o bastante para ser pega pelos seres mais desprezíveis de Krósvia e agora eu sou apenas uma pessoa incompleta.

Depois de chorar em desespero e dor, eu já não tinha mais vontade de nada. Talvez seja melhor mesmo eu morrer nessa cela imunda e completamente isolada do mundo. Henry merece alguém muito melhor do que eu. Alguém que possa estar sempre ao seu lado e que não o coloque em perigo. Uma pessoa gentil, bonita e que possa dar uma família a ele. Uma mulher que consiga cumprir com suas promessas e que o faça feliz. E por mais doloroso que seja desistir de Henry, essa pessoa não sou eu e nunca serei.

E o tempo passou sem que eu de fato soubesse o que acontecia ao meu redor. Os guardas de Lester continuavam a me manter viva, mas sempre de forma torturante. Não era bondade. Ele e Stefan apenas desejavam prolongar o meu sofrimento. Quanto mais tempo eu sobrevivo, mais eu desejo a minha morte. Eu já não suportava mais a culpa e toda aquela tortura. Era como se eu estivesse definhando, sendo consumida pouca a pouca por aquela amargura e ódio.

Eu odiava Lester por me tirar a minha família, a minha paz e a minha dignidade. Odiava Stefan por matar meu amado Sean e destruir qualquer chance que eu tinha de voltar para a minha família. E principalmente, odiava a mim por ser tão fraca e ingênua por acreditar que seria capaz de vencer alguém tão poderoso quanto Lester apenas por ser inteligente. É claro que isso não daria certo. O que se esperar de alguém que foi abandonada pela própria mãe?

Não existem motivos para alguém vir me resgatar. A fala de Stefan ecoava maldosamente em minha cabeça. Henry e Tony estão presos como medida protetiva do pai. Manu, Prince e Tyler acham que a culpa é minha e que os traí. Dandara não pode arriscar a vila por minha causa e Gavin... Meu amigo jamais conseguiria lidar com os inimigos que enfrentaria sozinho se tentasse me tirar daqui. Ele também seria considerado um traidor da coroa e perderia qualquer direito monarca, mesmo seu pai sendo primo do rei Lester.

Ouço barulhos estranhos vindos de fora da cela. Não dou importância. Deve ser mais um dos soldados de Lester vindo me torturar e me alimentar por com soro. Essa é a única coisa que eles permitem que eu consuma. Eu torcia para que dessa vez a tortura fosse impiedosa o bastante para me matar e colocar um fim de uma vez por todas nessa maldita vida, se é que posso chamar isso de viver.

Um barulho mais alto ecoa pelo calabouço. Tiros e gritos se fazem presente e tenho certeza que isso não é um bom sinal. Tento me mexer para me aproximar das grades e descobrir o que estava acontecendo, mas os pontos que levei da cirurgia ainda doíam e me impediam de me mexer sem gritar de dor.

Vozes masculinas começam a ficar audíveis. Tento entender o que diziam, mas os tiros e a confusão que tomava conta do lugar tornava a tarefa uma missão impossível. No entanto, em determinado momento, consigo ouvir o meu nome ser chamado pela única pessoa no mundo que faz meu coração se encher de amor e esperança. Suspiro, cansada. A minha cabeça está pregando peças em mim novamente. Eu devo estar delirando de febre, algo que se tornou muito comum desde que fui operada.

— Tay! Tay, onde você está?! — Chama a voz de Henry mais uma vez. Talvez esse seja o momento em que eu morro. A última esperança antes de partir desse mundo para sempre.

— Algum sinal dela? — Dessa vez é a voz de Gavin, demonstrando toda a preocupação característica dele.

— Ela não responde, mas eu sei que está aqui. — Afirma Henry, determinado.

— O caminho foi aberto, mas os Fire Scars não vou conseguir segurar o exército por muito tempo. Temos que encontrar a Tay o mais rápido possível e sair daqui antes que descubram o nosso objetivo real. — Orienta a voz de Tony. — Tay! Por favor, responda! Onde você está?

— Tay! Cadê você? — Grita Gavin.

— Por favor, meu amor, nos diga onde você está! — Implora Henry, com tanta dor em sua voz que não consigo evitar o choro. Não era delírio. Eles realmente vieram me salvar.

— Aqui! — Grito com o máximo de força que eu consigo. Choro ainda mais ao ver meus três cavaleiros na grade de minha cela. — Vocês... vieram!

O espanto em seus olhos só constatava o quanto eu estava destruída. Estendo minha mão, tentando alcançar Henry. Meu namorado se aproxima ainda mais e alcança a minha mão, apertando com tanta doçura que me sinto meu coração se aquecer pelo menos um pouco.

— O que esses malditos fizeram com você? — Henry sussurra, desesperado.

— Eu... sinto muito. — Lamento aos prantos, sentido-me culpada por toda a situação. — Eu... nunca deveria... ter me aproximado... de... vocês. Eu deveria... ter morrido na neve... quando Tyler e... Manu me salvaram.

— Não diga bobagens! O que seríamos de nós três sem você? — Henry me repreende, dando um beijo em minha mão em seguida.

— Henry, eu estou... incompleta. — Aviso, suspirando cansada.

— O que você está dizendo, Tay? Você não está e não é incompleta. — Responde namorado, sem entender o que eu queria dizer isso.

— Vamos tirá-la daqui. — Pede Tony, preocupado. — Ela não está bem. Precisamos cuidar dos ferimentos dela. Não sabemos o que fizeram com ela e não é seguro ficarmos aqui.

— Você tem razão. — Concorda Gavin, procurando no molho de chaves que tinha em suas mãos a que poderia abrir a minha cela. Assim que a encontra, ele suspira aliviado e abre a porta de grades. Os três rapazes entram na cela e ficam ainda mais assustados ao verem sangue e todos os rastros da maldade que eu sofri enquanto estava presa. — Merda!

— Eu vou acabar com todos que te machucaram, eu juro. — Promete Henry e eu nego, sabendo que aquilo não seria possível. Ao ver o rosto de meu namorado mais de perto, tudo o que consigo fazer é chorar e acariciar seu bonito rosto. — Está tudo bem agora, meu amor. Eu estou aqui com você e não vou sair do seu lado.

— Sean... ele... — Tento falar, mas era doloroso demais.

— Eu sei. E não foi culpa sua. — Responde Henry, beijando o topo de minha cabeça, enquanto me abraça com carinho. — A culpa foi do meu pai. Ele que foi o maldito que quis nos destruir.

— Eu estou incompleta. — Sussurro novamente e ele me encara confuso.

— Eu sei que a dor de perder Sean é dilacerante, mas nós vamos superar isso juntos. Eu prometo. — Afirma meu adorável namorado e eu nego novamente, sentindo as lágrimas virem com ainda mais intensidade. Afasto-me de Henry e levanto a minha blusa com dificuldade para mostrar sobre o que eu estava falando. — O quê...?

— Tay! O que eles fizeram com você? O que são esses pontos na sua barriga? — Gavin se aproxima de mim, desesperado. — Eles....

— Eu não posso mais ter filhos, Gavy. — Sussurro aos pratos e isso parece destruir o meu melhor amigo. — Eles... eles tiraram de mim a chance... chance de realizar o meu sonho, Gavy... Agora eu sou...incompleta!

— Droga, Tay! — Gavin pega em minha mão e chora em silêncio, como se a dor que sentia fosse forte demais para expor. Acaricio a cabeça de meu amigo, tentando confortá-lo, enquanto Tony e Henry pareciam estar em choque. — A culpa é toda minha. Se eu... seu tivesse prestado atenção, Stefan nunca teria achado o esconderijo, Sean não morreria e você... você ainda poderia realizar o seu sonho. Eu realmente.... sinto muito, Tay. Eu deveria ter protegido vocês, mas eu fiz o oposto disso. Eu...

— Você não teve culpa. — Afirmo com sinceridade.

— Ela tem razão. A culpa disso tudo é do meu pai e do desgraçado do rei Lester. — Henry estava furioso. Seus punhos cerrados com intensidade mostravam o quanto ele estava se controlando para não perder completamente o controle. — Eles vão pagar por tudo que eles fizeram a você. Eu prometo, Tay.

— Não prometa algo assim. — Tony o repreende, preocupado. — Se igualar a eles não vai mudar a situação. Não vai trazer Sean de volta e tampouco recuperar o... enfim, esse tipo de atitude só vai nos causar ainda mais sofrimento. Nós precisamos ser racionais.

— E o que você quer eu faça?! — Grita Henry, descontrolado. — Nosso pai tirou a vida de uma criança a troco de nada! O rei que deveria nos proteger, ameaça nosso povo e destruiu a vida da pessoa que eu mais amo nesse mundo. Olha como ela está, Tony! Eu prometi protegê-la e olha como ela está magra, fraca e machucada. Eles fizeram uma cirurgia que a impede de ter filhos em uma garota de catorze anos! Eu não quero ser racional! Eu simplesmente não posso mais assistir a tudo isso de braços cruzados.

— Henry.... atacá-los agora só vai piorar... a situação. — Sussurro, cansada. Ele me encara e vejo a dor e o desespero em seus olhos. É claro que eu o entendia. Mais do que qualquer pessoa nesse mundo, eu queria pessoalmente destruir esses canalhas, mas eu não posso colocar a vida de mais pessoas que eu amo em risco e atacar sem um plano seria muita ingenuidade. — Primeiro, vamos sair daqui. Eu não aguento mais viver esse inferno. E depois, eu prometo que iremos pensar... no melhor jeito de acabar com o reinado de Lester e fazê-lo pagar por tudo o que ele nos fez.

— Eu... — Henry suspira, insatisfeito, enquanto Tony me encara agradecido. — Tudo bem. Vamos embora. Eu vou cuidar de você.

— Obrigada. — Agradeço, mais aliviada.

— Consegue se levantar? — Pergunta Henry e eu suspiro.

— Sim, mas vou precisar de ajuda. Ainda estou me recuperando da cirurgia. Qualquer esforço extra vai abrir os pontos e me causar ainda mais dor. — Respondo, tentando criar coragem e reunindo toda a minha força para levantar.

Com a ajuda dos três rapazes, consigo me levantar e finalmente me vejo livro das malditas algemas. Devagar, seguimos para o mais longe possível daquele inferno. Para subir as escadas, Henry me pega no colo e me acolhe com carinho. Enquanto subíamos, vejo corpos e mais corpos espalhados pelas escadas. Todos pertenciam aos soldados de Krósvia. E apesar de saber que isso não é algo legal, eu me sentia bastante satisfeita por ver que aquele malditos que tanto se aproveitaram de mim e me espancaram tiveram o fim que mereciam.

Pelas balas jogadas no chão e as armas que Tony, Gavin e Henry carregavam, eu sabia que Dandara estava por trás do plano de resgate. E ao notar isso, eu me sinto aliviada e agradecida por saber que sou alguém tão importante que a fez ir contra suas próprias regras para me salvar. No fim, talvez eu seja mesmo uma amiga importante para a minha mestre. Ela é realmente a pessoa que mais quero abraçar nesse momento.

— Antes de sairmos, eu quero que você me faça uma promessa. — Pede Henry, parando de frente a porta que nos levava ao térreo do castelo.

— E o que seria? — Pergunto, cansada.

— Quero que me prometa que não importa o que aconteça, você vai sobreviver. Não importa o que tenha que fazer ou o quanto precise lutar, você nunca deve desistir. — Surpreendo-me com aquele pedido. Não era algo comum de Henry.

Eu quero sobreviver? Não tenho tanta certeza. Desde que eu precisei ir para os Fire Scars, tudo o que eu tenho feito é lutar e me machucar. Nesse instante, meu desejo pela morte continua intenso, como uma brasa em meu coração, implorando para pôr um fim a tudo isso. No entanto, meu namorado me pedia nesse momento para que eu não desista com seus olhos cheios de esperanças, implorando para que eu concordasse.

— Tudo bem. Eu prometo que não irei desistir. Darei o meu melhor para sobreviver, não importa o que aconteça. — Respondo e ele beija a minha testa, sorrindo aliviado.

— Obrigado. — Agradece Henry e ele então se vira para Gavin e Tony. — E eu quero que me prometam que vão cuidar dela, caso alguma coisa aconteça comigo.

— Eu não quero fazer esse tipo de promessa. — Tony responde contrariado. — Nada vai acontecer a você. Nós sairemos dessa vivos.

— Nós estamos no meio de um ataque ao rei Lester contra ele e nosso pai. Não há garantia que sobreviveremos. Eu só quero ter certeza de que Tay ficará bem. Então, eu imploro que me façam essa promessa. — Pede meu namorado com seriedade.

— Tudo bem. Eu prometo que não importa o que aconteça, eu não vou sair do lado de Tay e vou protegê-la com a minha vida se for preciso. — Responde Gavin com determinação.

— Droga, Henry! — Tony bufa, inconformado. E então ele me encara. Tony também parecia carregar uma grande culpa por achar que era sua culpa o que havia ocorrido comigo e Sean. — Eu prometo. Eu vou proteger a Tay, custe o que custar.

— Obrigado. — Agradece Henry, mais aliviado.

Ele então abre a porta que dava acesso ao térreo do castelo. Os rebeldes lutavam contra os soldados krosvianos com todas as suas forças e pareciam estar com a vantagem. Infelizmente, não conseguiríamos passar por todas aquelas pessoas com armas prontas para matar e morrer sem sermos atingidos.

— Vamos usar as passagens secretas dos andares superiores. Assim será mais seguro e poderemos sair muito mais rápido daqui. — Sugere Tony, ainda que demonstrasse não estar muito animado com a ideia.

— Certo. Você já pode me descer, Henry. — Peço a meu namorado, sabendo que agora é o momento que preciso criar coragem para sairmos daqui. Por mais doloroso que fosse andar e mais ainda para lutar, eu preciso fazer isso se quiser que todos saiam desse castelo amaldiçoado em segurança.

— Mas, Tay, você está...

— Eu sei. Mas se você me carregar, chamaremos muito mais atenção e teremos menos pessoas para lutar. Não sabemos o que nos espera até o caminho de fuga, então é melhor termos quatro pessoas armadas lutando do que duas. — Respondo e eles me encaram confuso.

— Quatro? — Pergunta Gavin, enquanto Henry me coloca no chão.

— Sim. — Afirmo, respirando fundo para ignorar toda a dor que eu sentia. Encaro os três homens que me observavam preocupados. Dou o sorriso mais confiante que eu conseguia naquele momento e estendo minha mão para Gavin. — Vamos lá, eu quero a minha arma.

— Mas, Tay, você está machucada e...

— Vamos, Gavin. Eu sei que a Dandara te deu uma arma extra. — Interrompo o garoto, que bufa frustrado e pega o revólver que estava em sua cintura. Preparo a arma e a manejo, sentindo a adrenalina da raiva presente em minha veia. Se eu encontrar a sombra do rei ou um dos desgraçados que ousaram me ferir, eu não hesitarei em atirar. Engatilho a arma e sorrio animada para meus amigos e namorado. Eles pareciam surpresos com a minha mudança de atitude. — O que vocês estão esperando? Vamos nessa!

E assim seguimos para o andar superior, mas ainda estava mais difícil de nos locomover do que o térreo, por isso, corremos para o terceiro andar. Eu ia mais devagar por ainda está bem debilitada pela cirurgia e as torturas que sofri nos últimos tempos. Os rapazes iam abrindo caminho com suas armas, fazendo o possível para me manter protegida de qualquer um que tentasse nos atacar. Quando enfim chegamos ao segundo andar do castelo, os soldados mais forte lutavam contra os rebeldes de Dandara. Ao me reconhecerem, vejo sorrisos de alívio nos rostos daqueles com quem tanto me apeguei.

— Sigam Taynara! — Grita Falcon, um dos rebeldes mais antigos do grupo. — Avisem a todos que ela está viva e que devemos protegê-la a todo custo.

— Sim! — Gritam os outros que estavam ao redor e eu simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo.

Os rebeldes que lutavam passam a abrir passagem para que os garotos e eu conseguíssemos chegar ao nosso destino. Mais homens do rei aparece e uma grande confusão se inicia. Henry, Tony e Gavin se afastam de mim para ter mais liberdade de luta, enquanto eu me virava atirando em todos os soldados krosvianos que se aproximavam de mim. Se alternativa, resolvo entrar em um dos inúmeros cômodos do castelo. Em pouco tempo eu ficaria sem munição e só faria todos ficarem ainda preocupados comigo.

Por isso, faço sinal para Gavin, avisando que eu estaria no cômodo em que a porta estava aberta e ele assente. Entro e imediatamente fecho a porta do lugar para impedir que entrassem. No entanto, o que eu não esperava encontrar era Stefan Santos com sua típica seriedade e o rei Lester com um sorriso maldoso nos lábios. Noto nesse momento que estávamos na sala do trono e que mais uma vez eu tinha tomado uma péssima decisão.

— Ora, ora. Veja só a ratinha que resolveu aparecer. — Comenta o rei, sorrindo com ironia. — Eu faço o favor de te manter viva é essa que você retribui?

— Desgraçado! — Grito, erguendo minha arma. Stefan saca a arma dele e se aproxima de mim calmante. Não me intimido. — Você destruiu a minha vida e tem me mantido viva só para que meu sofrimento dure ainda mais. Ainda quer que eu te agradeça por isso?

— Tay, você já pode... pai. — Henry entra na sala e Stefan para de andar no mesmo instante. Meu namorado me puxa para ficar atrás dele e enfrenta o pai. — Abaixe essa arma.

— Vai embora, Henrique. — Ordena o braço direito do rei com seriedade. — Volte para casa e vai cuidar de sua irmã e primo. Desista de uma vez por todas dessa garota.

— Você realmente não tem escrúpulos, pai. Como você tem coragem de matar uma criança e torturar uma garota de catorze anos de forma tão cruel? — Questiona Henry sem se intimidar com a presença de Stefan.

— Essa garotinha quase me matou, Henrique. Isso é mais do que bem feito para ela aprender a não desafiar autoridades. — Responde Lester, entediado.

Henrique atira e quase acerta o rei. Os homens o encaram surpresos e eu me desespero. Ele não deveria ter feito isso. Esse ataque é um sinal de traição e é motivo suficiente para que seja sentenciado a morte. Tony e Gavin aparecem, provavelmente preocupados por terem ouvido o tiro. O clima se torna pesado.

— Bom. Acredite em mim, Lester Dawson, ela não é a única com esse desejo. Pode não ser hoje, nem amanhã. Pode ser que nem sejamos nós que faremos isso, mas a sua hora vai chegar. E não importa onde eu esteja, eu vou comemorar essa realização. A sua alma vai queimar no inferno que é lugar de onde você nunca deveria ter saído. — Responde Henry, surpreendendo ainda mais.

— Pessoal, vamos embora... Lester Dawson e Stefan Santos. A dupla de demônios. — Dandara aparece na sala com Thomas Darius, o pai de Gavin. — Você ainda não fugiu, Majestade? Achei que mandar os outros fazerem o serviço sujo enquanto você foge fosse sua especialidade.

— Como ousa estar do lado dessa maldita, Thomas? — Questiona o rei, furioso.

— E como ousa tentar matar o meu filho, Lester? — Pergunta Thomas, deixando claro seu descontentamento. — Olha a que ponto chegamos por causa de suas ações inconsequentes! Você não escuta nem mesmo ao seu melhor amigo, o rei Mikael Moon. Pare enquanto ainda é tempo, Lester. Você tem um herdeiro habilidoso e um outro está a caminho. Essa sua obsessão e ganância só vão te levar a amargura e um terrível fim.

— Stefan, acabe com todos eles. Não deixe que nenhum desses seis saiam vivos daqui. — Ordena o rei e Stefan o encara desesperado.

— Por favor, Majestade, eles são os meus amados filhos! — Pede o homem e vejo a dor presente em seus olhos. Parece que o monstro se importa com alguém.

— Um deles tentou me matar e o outro conspirou diversas vezes contra mim, Stefan. Eles sabiam que se fizessem isso, se tornariam meus inimigos. Ou você os mata ou irei declarar você e sua família traidores do trono de Krósvia. — Exige o rei com tanta maldade em sua voz que me sinto enojada. — A escolha é sua, Stefan.

— Tudo bem, Majestade. — Concorda Stefan e eu me surpreendo com o tamanho da lealdade do homem pelo rei tirano. — Fuja pela passagem secreta. Eu cuido deles.

— O quê? — Questiona Tony sem acreditar.

— Surpreso com a decisão de seu pai, Tony? Eu disse que não poderíamos confiar nele. — Afirma Dandara com amargura. Ela me encara com preocupação e me abraça com carinho. — Você vai sair dessa, Tay. Eu prometo.

— Dandara... — Sussurro, correspondendo ao abraço. Eu sentia falta daquela que me ensinou tanto e me acolheu quase como uma mãe.

— Lester, pare já com isso! — Pede Thomas, inconformado.

— Boa sorte no inferno, Thomas. Você vai precisar. — Despede-se Lester, entrando por uma passagem secreta que havia no local.

— Vamos atrás dele! — Fala Dandara, mas Stefan pega sua espada e se coloca na frente da mulher.

— Nem pensar. A luta de vocês é comigo. — Avisa Stefan e o som de mais guardas aparecendo nos assusta. Olho para Gavin e ele pareciam tão preocupado quanto eu. Como nós sobreviveremos a Stefan e aos homens que vinham em nossa direção?

— Thomas, Dandara e eu cuidamos do reforço do rei Lester que está vindo. Gavin, Tay e Henry, tentem segurar aqui o máximo que conseguirem. — Orienta Tony com determinação. Agora não dava mais para fugir.

— Certo! — Respondemos e nosso grupo se separa.

— Droga! Não é só o exército de Lester que está vindo. O rei Mikael também está aqui! — Ouço Thomas falar antes que a porta da sala do trono se fechasse.

— Gavin, cuide de Taynara. — Pede Henry, encarando-me com preocupação.

— O quê? Não, Henry! Você não pode lutar sozinho...

— Por favor. — Henry me interrompe, com os olhos suplicantes para Gavin.

— Não se preocupe. Eu vou cuidar dela. — Garante Gavin, puxando-me para ficar atrás dele.

— Parece que seremos só você e eu, pai. — Henry pega a espada que estava em sua cintura e o encara furioso. — E eu não vou perder.

— Você perdeu no momento em que me desafiou, Henrique. — Responde Stefan, sem hesitação.

O pai de Henry ergue a espada e o ataca. Henry recua, bloqueando os golpes dele. Suas espadas batem ensurdecedoramente uma na outra. O peso e a brutalidade dos golpes de Stefan empurram Henry para trás. Eu não sabia o que fazer. Precisava parar Stefan. Ele realmente estava determinado a matar o próprio filho. A lealdade desse homem ao rei era absurda.

Henry bloqueava os golpes mais rápido que podia, mas a espada do pai continuava a ir em sua direção como um borrão de aço. Em determinado momento, a lâmina passa pelo ombro de Henry, cortando a blusa preta de manga cumprida que ele usava e por sorte não atinge a pele de meu namorado. Antes mesmo de Henry tirar os olhos do corte, a espada dele cortou superficialmente os nós de seus dedos como mil cortes de papel. Sangue escorreu pelo pulso de meu namorado e vai até o seu braço. Essa luta é diferente de qualquer outra que Henry já havia enfrentado. Aquele era o seu pai, um homem forte, de grandioso corpo, agilidade e habilidade.

— Parem! Já chega! Vamos embora, Henry! — Imploro, sabendo que aquilo não acabaria bem. Gavin me segura, impedindo que eu fosse para cima deles. — Me solta, Gavin! Eu preciso ajudar Henry! Por favor, me solta!

— Essa luta é dele, Tay! — Responde Gavin, suspirando. — Não podemos interferir.

— Mas eu o amo. Não posso perder mais ninguém. — Digo, em pratos. Ele me abraça apertado, tentando transmitir algum tipo de consolo.

— Eu sei. Mas precisamos confiar nele. — Sussurra Gavin e eu volto a assistir aquela luta. Meu coração me alertava que eu precisava fazer alguma coisa, mas eu também sabia que precisava confiar em meu namorado.

Vejo Stefan olhar para a direita. Henry levanta a espada para bloquear e sinto meu coração se apertar. Aquilo era telegrafia. Ao invés de erguer sua espada, Stefan golpeia por baixo. Meu namorado grita de raiva e de dor, olhando para a espada que havia acabado de perfurar seu abdômen. Sangue escorre pela espada de Stefan e ele a solta ao ver que o filho não conseguiria mais lutar. O homem se afasta chorando e eu grito, correndo em direção a Henry.

— Henry! Não! Não! Por favor! Fica comigo! Você prometeu que ficaria ao meu lado! — Imploro, pegando o corpo que caia lentamente. Eu chorava desesperada e ele apenas me encarava com tristeza. Gavin se coloca ao meu lado e encara o amigo tão abalado quanto eu.

— Gavin... — Chama Henry, com dificuldade para falar. Olho para o ferimento em seu abdômen e ela era fatal. Mesmo que tentasse remover a espada, era tarde demais. E aquilo me mata por dentro. Eu odiava ter aprendido tanto sobre pontos fatais com Dandara. Caso contrário, talvez essa dor e esse sentimento de inutilidade não seriam tão fortes.

— Eu estou aqui, Henry. — Responde Gavin, pegando na mão de meu namorado.

— Você... prometeu. — Sussurra Henry, usando a outra mão livre para acariciar meu rosto. — Cui...de dela. Não... não deixe... que ninguém a... machuque. Seja... seja a família... dela.

— Eu prometo. Eu sei leal a Taynara, não importa o que aconteça. Eu vou protegê-la, Henry. — Afirma meu melhor amigo e Henry sorri, balançando a cabeça levemente em satisfação.

— Obrigado. — Ele sussurra, agradecido. Henry então se vira para mim. — Você é... a pessoa que traz... sentido a minha vida nesse... nesse... mundo caótico...

— Henry, por favor, para de falar. — Imploro, chorando desesperada. Ele estava citando sua declaração de amor para mim. Eu não suportaria mais aquilo.

— Eu sei... que somos jovens.... que nos conhecemos há pouco... tempo e que... inclusive nosso namoro... é bastante recente, mas.... mas eu não consigo... imaginar minha vida com outra... pessoa além... de você. Porque... no meio dessas guerras e... de todo o inferno que estamos passando...você é... a única... pessoa que me faz... sentir como se eu... estivesse no... paraíso. — Declara Henry, segurando minha mão com carinho. Ele chorava e eu sabia que a dor que ele sentia era dilacerante, mas ainda havia tanto carinho e doçura em seus olhos. — Eu... te amo... muito, Tay. Nunca... se esqueça... disso.

— Eu também te amo. — Declaro, abraçando-o, sentindo meu coração quebrado partir junto com ele. Por que ele? Por que não eu? Eu já havia aceitado a minha morte. Como agora eu posso viver sem meu amado fitoterapeuta? — Eu te amo demais, Henry. Não vai, por favor.

— Sobreviva, Tay. — Pede Henry em seu último suspiro, antes de morrer em meus braços.

Nesse momento, a porta é aberta. Eu sentia tanta dor, que pouco me importava quem havia chegado ou não. Mas Gavin aperta meu braço e encara o local com preocupação. Eu não me importo com nada. Pego a arma que estava próxima de mim e com ele encarando assustado a porta, uso a minha última bala para atirar na cabeça daquele desgraçado que destruiu a minha vida. Ele tirou de mim Sean, Henry e os meus sonhos de um dia ser mãe.

— Pai! Não! — Grita Manu e somente nesse momento eu percebo que ela, Tyler e Prince haviam entrado na sala do trono. A garota me encara furiosa e sua raiva aumenta ainda mais ao reconhecer o corpo falecido de Henry em minha frente. — Como... você matou a minha família! Como você ousa?

— Manu, você tem que nos escutar... — Pede Gavin, levantando-se e me ajudando a levantar.

— Eu vou matar você! — Grita a garota, dominada pela cólera. Ela corre para cima de mim com a espada, mas Gavin usa sua arma para bloquear o ataque. — Você está do lado dela?

— Você precisa nos ouvir! — Implora Gavin, mas tudo o que recebe é o segundo ataque de Prince.

Imediatamente, pego a espada que estava cravada no corpo de Henry e dessa vez sou eu que bloqueio o ataque de Prince. Ele tenta me atingir, mas eu sou muito mais rápida e o derrubo. Tyler avança contra mim, mas eu estava possessa. Não queria dizer nada. Não queria explicar nada. Eu só queria acabar de vez com aquele inferno. A raiva e o desejo por vingança me consumia. Eu não aguentava mais tanta dor.

— Tay, Gavin, tampem a boca e o nariz! — Grita Dandara na porta com uma bomba de gás em sua mão. Eu sabia bem o que ela planejava fazer.

Com habilidade, Gavin e eu nos afastamos dos três adolescentes que lutavam e fazemos o que Dandara havia orientado. Ela então joga a bomba e Manu, Tyler e Prince sentem os efeitos enfraquecedor do gás tranquilizante.

— Vamos! — Gavin pega em minha mão e me puxa para fora daquela sala.

Antes de sairmos, observo o corpo de meu namorado pela última vez e o olhar furioso de Manu. É claro que ela me odiava. Eu matei o pai dela sem hesitação e era possível que ela pense que eu também tirei a vida de seu irmão, já que jamais passaria pela cabeça dela a ordem dada por Stefan e nem que seu pai seria capaz de matar o próprio filho. Mas no momento, nada me importava. Eu havia perdido o amor da minha vida. Agora, a única coisa que me resta é a dor e o ódio. Por isso, enquanto corríamos Dandara, Tony, Gavin e eu para fora daquele maldito castelo, eu juro a mim mesmo que irei me vingar de Lester Dawson custe o que custar.

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Notas finais
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