Fire Scars

19 Decisão


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Demorei mil anos, mas estou de volta. Espero de verdade que gostem do capítulo. Boa leitura...

Capítulo XVIII – Decisão

“Eles estão dando a vida para te deterCorra, garoto, corraEsta corrida é uma profeciaCorra, garoto, corraFuja da sociedadeAmanhã é outro diaE você não terá que se esconderVocê será um homem, garoto!Mas por enquanto é hora de correrÉ a hora de correr.”

Run Boy Run — Woodkid

Krósvia – 1995

Movimento meu corpo com a espada, rodopiando e me concentrando no equilíbrio. Assim como havia sido ensinado por Johnny, eu procurava observar o ambiente e aproveitar os elementos que tinha no lugar a meu favor, como o piso irregular, a pouca iluminação e os pontos cegos do celeiro, onde eu poderia me esconder para atacar o inimigo.

Procuro usar todos os meus sentidos, buscando acabar com qualquer brecha em meu ataque, que precisava ser rápido e certeiro. Eu sentia meus músculos do corpo tremerem diante do esforço que eu fazia a horas, somado com o cansaço do trabalho rural que eu tinha feito no restante do dia.

Meses se passaram desde o confronto no castelo de minha família e eu havia prometido que jamais voltaria a cometer os mesmos erros patéticos que cometi naquele dia. Por isso, por mais que todos dissessem que era exagero, eu treinava exaustivamente todos os dias. Precisava ficar mais forte e sabia que não tínhamos muito tempo até sairmos de Krósvia em direção a Boise com Johnny.

Era realmente estranho como nossas vidas estão sempre em mudança. Do dia para noite, eu deixei de ser o príncipe herdeiro, para me tornar o traidor da coroa e semanas depois ser declarado como morto. Como Johnny previra, meu pai havia desistido de mim e estava apostando todas as suas fichas em seu próximo herdeiro.

Durante os cinco meses que se passaram, eu tive muito tempo para pensar sobre o meu futuro. Eu sabia que não merecia o trono de Krósvia. Ser rei era a última coisa na vida que eu desejava, mas ao mesmo tempo, estava ciente de que não poderia simplesmente abandonar tudo como se eu não tivesse qualquer responsabilidade sobre o país.

Todos os dias, eu me questionava sobre o que deveria fazer e ainda não havia chegado completamente a uma solução. Mas, ao invés de me martirizar por não ter certeza se deveria aplicar um golpe ou simplesmente seguir com a minha vida, eu estava vivendo um dia de cada vez.

Como não poderíamos sair em público, pois ainda éramos alvos dos espiões do meu pai, Manu, Tyler e eu estávamos nos dedicando a cuidar da fazendo dos amigos de Johnny. Era um lugar pequeno e afastado da cidade, mas era bastante aconchegante e com tarefas pesadas o bastante para que não tivéssemos muito tempo livre para ficar pensando em nosso doloroso passado.

A única certeza que eu tinha era que precisava me tornar forte, se quisesse me vingar por Henry, Tony e Stefan. Independentemente de minha escolha sobre o que fazer no futuro, eu sei que jamais conseguirei descansar em paz, enquanto não acabar com as pessoas que estão por trás das mortes deles. E é por isso que eu tenho treinado tanto.

Com a ajuda de Johnny, eu tenho aprendido mais a como lutar de verdade no campo de batalha. Não se tratava apenas da arte de lutar como um cavaleiro orgulhoso. Eu precisava sobreviver de qualquer forma em batalha, por isso, o homem, que continua sendo um grande mistério para mim, havia me ensinado a manejar não apenas espadas, como também a usar outras armas que podem ser essenciais para a minha sobrevivência.

E quando estava prestes a encerrar meu treino do dia, ouço o som alto de tiros de canhão, surpreendendo-me. A sequência de tiros, junto ao barulho de fogos de artifício me fazem perder os sentidos por alguns instantes, sabendo o que aquilo significava.

— Prince! Prince! Corre aqui! Acabaram de anunciar no rádio que sua mãe deu à luz — grita Manu, entrando no celeiro, animada com a notícia. Encaro a linda garota que abre um grande sorriso ao me ver. — Parabéns!

Antes que eu tivesse chance de dizer qualquer coisa, sou recepcionado com um caloroso abraço de Manu. Deixo minha espada ir ao chão e correspondo ao abraço, ainda atordoado com a notícia repentina. Não era que eu não soubesse que a criança estava para nascer, é que eu apenas não sabia como reagir.

— Vamos ouvir o restante da notícia. Johnny parece bastante feliz — comenta a garota, afastando-se de mim para me puxar pela mão, conduzindo-me para a pequena casa que havia próxima ao celeiro. — Ele disse que agora que o próximo herdeiro ao trono de Krósvia nasceu, nós já podemos partir para Boise.

— Já? — questiono, surpreso. — Pensei que ficaríamos mais um tempo aqui, juntando dinheiro antes de irmos para Boise.

— Bom, você sabe que eu não faço ideia do que se passa na cabeça de Johnny. Ele pediu para te chamar pois quer conversar com você — responde Manu, dando de ombros.

— Ele falou sobre o que quer conversar comigo? — indago e ela nega, balando a cabeça.

— Não. Mas pela forma como ele está agindo, provavelmente quer uma decisão da sua parte sobre o que você pretende fazer — supõe Manu, pensativa.

Seguimos em silêncio para a casa. A noite estava bonita com muitas estrelas no céu. Geralmente, naquele horário, nós éramos acompanhados pelo som dos grilos e a calmaria da fazenda nos fazendo companhia, mas naquela noite, o som de fogos de artificio estourando no céu, dava o anúncio de que novos tempos estavam por vir.

Entramos na casa simples da fazendo e não demoro a ouvir as vozes dos comentaristas, explicando sobre o nascimento do novo herdeiro de Krósvia. Ao notar a nossa presença, Tyler e Johnny se viram para mim e posso ver sentimentos distintos em seus olhos.

— É uma menina — revela Tyler, animado. Ele se levanta e se aproxima de mim com um enorme sorriso, semelhante ao de sua prima. — Você ganhou uma irmã, Prince. O nome dela é Allycia. Estão falando que ela nasceu tem uma hora. Parabéns, irmão.

— Obrigado — agradeço, sendo abraçado por Tyler.

Ainda atordoado, correspondo ao gesto, um pouco envergonhado. O mesmo sentimento confuso e agridoce que tinha meses atrás, após receber a notícia de que minha mãe estava grávida, eu continuava a sentir, por isso, eu não sabia dizer se estava feliz pelo nascimento de minha irmã ou preocupado com o que a criança iria passar.

— Você não parece muito feliz — comenta Johnny, abrindo uma garrafa de whisky. Ele enche dois copos com a bebida e me estende um deles.

— Eu sou menor de idade — murmuro e ele me encara com ironia. Acabo aceitando a bebida com hesitação. — E não é que eu não esteja feliz. Apenas não sei como reagir a essa notícia.

— Como assim, Prince? — questiona Tyler, encarando-me confuso. — Por acaso se sente enciumado por sua irmã ter nascido?

— Não fala merda — resmungo, dando um gole na bebida. Estremeço com o sabor forte do álcool e acabo tossindo por não estar acostumado com o sabor.

Johnny ri e bebe um gole generoso de seu copo. Coloco o meu copo sobre a bancada da cozinha e me jogo no sofá da sala, sentindo os olhares de todos sobre mim. Ainda esperavam uma resposta de minha parte.

— Eu sei muito bem que eu deveria estar feliz com o nascimento de Allycia, mas sendo sincero, o que há de bom em nascer na família Dawson? Conhecendo bem os reis de Krósvia, ela será apenas mais uma pessoa a crescer cheia de traumas, restrições, responsabilidades e expectativas de outras pessoas sobre si. Será uma árdua batalha para sobreviver naquele ambiente hostil.

— Você não está errado — comenta Johnny, aproximando-se da janela da cozinha, passando a observar os fogos de artificio que eram estourados no céu. — Para você que viveu como um príncipe, o nascimento da princesa não é de nenhum benefício para ela. No entanto, para a população krosviana, que tem sido vítima das maldades do rei Lester por tantos anos, ela é a nova esperança de um futuro melhor.

— Eu não sou mais a esperança de Krósvia? — ironizo e ele dá de ombros, voltando a beber. — Não sabemos se essa criança será mesmo alguém que pode lutar contra meu pai. Ele pode muito bem manipular e criá-la para se tornar um monstro como ele.

— É verdade. Mas ela também pode se tornar uma mulher justa e valente, que impedirá que o reinado de caos do rei Lester se propague por muito tempo. Ela pode ser a pessoa que precisamos para trazer a liberdade de Krósvia. E é por isso, que há tantas pessoas comemorando o seu nascimento — responde Johnny e é a primeira vez que eu o vejo soar tão esperançoso.

Permaneço em silêncio por algum tempo, sem saber o que responder. O único som audível era os dos locutores do rádio, informando sobre as comemorações que seriam realizadas nos próximos dias para comemorar o nascimento do novo membro da família real.

— Manu disse que você queria falar comigo — comento, mudando de assunto.

— Sim. Vamos dar uma volta — fala o homem, terminando de tomar sua bebida. — Há algo que preciso discutir com você, antes de informar sobre os nossos próximos passos.

— Então nós iremos mesmo partir para Boise em breve? — questiona Tyler, parecendo receoso pela mudança. — Não podemos ficar aqui por mais um tempo?

— Não. Não podemos. Os espiões do rei estão se aproximando cada vez mais desse lugar. Se não sairmos rápido daqui, seremos pegos por eles. Agora, mais do que nunca, o rei Lester vai fazer de tudo para garantir que o príncipe Phillip não volte para exigir o trono. Como Prince disse, essa é a oportunidade que ele queria para continuar seu reinado do mal por mais tempo, manipulando sua nova filha. Ele definitivamente vai fazer de tudo para garantir que ninguém atrapalhe seus planos.

A resposta de Johnny não era uma surpresa, mas não deixava de ser frustrante pensar que nós precisávamos fugir mais uma vez, por não termos forças atualmente para enfrentar a coroa de Krósvia. Eu me sentia fraco e inútil.

— Vamos, Prince — chama Johnny, seguindo para os fundos da casa.

Troco olhares com Manu e Tyler, antes de seguir o homem para qualquer lugar que eles estivesse me levando. Durante alguns minutos, andamos em silêncio até chegarmos na colina que havia próxima da fazenda, onde o homem costuma visitar todos os dias para observar as luzes da cidade ao longe.

— Você sabe o porquê de eu ter chamado você?

— Eu imagino que seja para me perguntar se eu tomei uma decisão — respondo e ele assente, encarando-me com seriedade.

— Já que você já sabe o que eu quero saber, eu irei direto ao ponto. Você planeja assumir o trono de Krósvia ou pretende viver sua vida como uma pessoa comum e deixar toda a responsabilidade do futuro do país para a sua irmã? — pergunta Johnny com uma expressão firme.

E assim como no dia em que ele me fez uma pergunta semelhante a essa, tudo o que faço é encará-lo em silêncio, sem saber que resposta dar. Não é que eu não tivesse pensado no assunto. Para falar a verdade, pondero sobre isso desde o dia em que saímos de Füssen. No entanto, eu não conseguia evitar de me sentir assustador por ter que escolher algo tão difícil assim, sem saber se serei capaz de lidar com as consequências de minhas escolhas.

— Entendo — murmura Johnny, dando uma risada irônica.

— O quê? — questiono, confuso.

— Você não mudou tanto quanto eu pensei que você mudaria durante esses meses, Alteza — ironiza Johnny, voltando a encarar a vista da cidade.

— Você não me conhecia antes de me encontrar naquele dia. Como pode ter certeza de que eu não mudei? — indago, ofendido. — Eu estou dando o meu melhor para me tornar alguém forte. Por que isso não parece ser o suficiente para você?

— Porque não é suficiente — declara Johnny, encarando-me com seriedade. — E você tem razão. Eu não tinha conhecia antes de te encontrar nos fundos do castelo, completamente indefeso, enquanto seus amigos choravam desesperados sobre o corpo daquele homem que estava com Dandara. Ainda assim, eu não precisava te conhecer para saber que você era um príncipe omisso a realidade de seu povo e continua sendo. Não vou dizer que você não mudou. Mas não é o bastante para promover a mudança que nós precisamos. Você não acredita em si mesmo e tem medo de agir e decepcionar as pessoas.

— Todo mundo é assim — argumento e ele ri com amargura.

— Como herdeiro da coroa, você não pode se dar ao luxo de ser igual a todo mundo — retruca o loiro de olhos azuis gélidos. — Se quiser realmente ser o líder de uma nação, precisa ser forte e corajoso por você e pelo seu povo. Se hesitar por um instante, seus inimigos irão estraçalhar você!

— Eu não quero ser o líder da nação! — grito de volta, frustrado com a pressão que eu recebia. Mordo meu lábio inferior e bufo, bagunçando meus cabelos. — Eu quero ser uma pessoa normal, mas eu também sei que não posso ignorar o que está acontecendo em Krósvia. Eu tenho dezesseis anos. Não sei como posso dar a liberdade ao meu povo e eu tenho certeza de que jamais serei o rei que todos esperam.

Johnny me observa intensamente, como se estivesse lendo a minha alma, e isso faz com que eu me sinta exposto. Era como se ele fosse capaz de ver algo que eu tentava esconder com todas as minhas forças. Como se ele conseguisse enxergar a pessoas covarde que eu era e isso me assustava.

— Não se preocupe. Ninguém mais espera que você seja rei — garante Johnny, pegando um março de cigarro. Ele o acende e após tragar, solta a fumaça lentamente. — Você sabia que todas as vezes que nasce um herdeiro de um tirano, as forças contrárias a esse rei formam uma espécie de exército secreto, na esperança do trono ser tomado?

— O que quer dizer com isso? — pergunto, confuso.

— À princípio, a Fire Scars foi criada para apoiar você — revela Johnny, surpreendendo-me. — Aquela que você me viu enterrar era a nossa atual líder. Os pais dela criaram a Fire Scars quando você nasceu e preparou todos que estavam dispostos a lutar contra o reinado do rei Lester para o apoiar quando você usurpasse o trono.

— Usurpar o trono? Por que acreditaram que eu faria isso?

— Porque eles ainda confiavam na família Dawson. O seu pai é um cretino, mas o rei anterior foi um bom rei — responde Johnny, dando de ombros. Ele fuma mais um pouco de seu cigarro e novamente passa a observar a fumaça se dissipar. — Mas conforme víamos você crescer, passamos a perder as esperanças de que você seria capaz de tomar o trono do seu pai. Era evidente que você não tinha a coragem necessária.

— Eu era uma criança, não podiam esperar que eu sozinho desafiasse a autoridade de meu pai — retruco e Johnny ri, negando.

— É muito mais do que isso. Seus olhos não exibiam coragem ou qualquer sinal de que você tomaria alguma atitude contra seu pai. Aos poucos, os membros da Fire Scars passaram a se dividir. Dandara passou a comandar aqueles que não acreditavam mais na família Dawson e a irmã mais velha dela continuou a acreditar em você — explica o loiro, encarando-me intensamente.

— Suponho que você tenha ficado ao lado de Dandara — digo e ele dá de ombros.

— Sim. Mas nunca fui muito a favor dos métodos dela. Dandara era do tipo talentosa, mas se tornou extremamente perigosa após a morte dos pais dela e da tortura que sofreu quando foi pega uma vez pelos homens do rei Lester. Em busca de vingança, ela planejou usurpar o trono e se tornar a nova rainha. Apesar de não ter dúvidas de que ela seria uma excelente líder, eu não achava que ela estava preparada para ser rainha devido as suas motivações. Por fim, eu me afastei da Fire Scars e me tornei neutro nessa luta — conta o homem, voltando a encarar a cidade. — Quando eu te encontrei, vi que as minhas suspeitas sobre você estavam certas.

— Que eu não deveria ser o rei? — suponho e ele assente.

— Eu vi naquele momento que você jamais conseguiria ir contra o rei Lester. No entanto, decidi dar uma chance de observar você durante esse tempo, enquanto o novo herdeiro da coroa não nascia — explica Johnny, tragando um pouco mais do cigarro. — E o que eu vi durante esse tempo é que você ainda não é capaz de lutar pelo trono. Mas, estranhamente, me sinto esperançoso pelo nascimento de sua irmã.

— Então você apenas está acreditando em sua intuição para dizer que ela será uma boa rainha? — pergunto, sentindo-me um pouco estranho ao pensar sobre minha irmã. — Isso não é muita ingenuidade de sua parte? Quer dizer, ela acabou de nascer. Não seria mais fácil contar com alguém que realmente queira ser rei e que já seja um adulto no momento para usurpar o trono? Vai demorar muitos anos até que ela seja capaz de tomar qualquer atitude. Pelo menos, dezoito anos.

— Talvez eu esteja mesmo sendo ingênuo por confiar em algo tão abstrato quanto a intuição, mas eu sobrevivi até agora confiando nos meus instintos. Além disso, no momento, não temos forças para lutar contra a aliança de Krósvia e Serafine e contra as forças de Elpízoume, que também deseja destruir Krósvia. Precisamos de algum tempo para unir forças e montar nosso próprio exército da princesa Allycia.

— Então você vai mesmo apoiar minha... irmã.

Ainda era estranho chamar a criança que acabou de nascer de irmã. Eu não tinha qualquer apego a ela, porque simplesmente não convivemos e eu passei os últimos meses apenas ignorando a sua existência. Também tinha o fator de imaginar que ela acabaria se parecendo com meu pai e isso me faz hesitar em desenvolver sentimentos por ela.

— Sim. Por isso quero propor algo a você — começa Johnny, surpreendendo-me.

— O que você tem em mente?

— Nós partiremos para Boise em um mês. Eu quero que você escreva um diário, relatando tudo o que você viveu na família Dawson. Conte como sobreviver na realeza e quais erros que você cometeu que a princesa deve evitar. Pense que você será o professor de sua irmã. Em nossa última noite em Krósvia, invadiremos o castelo secretamente. Você verá sua irmã pela primeira vez e entregaremos esse diário para alguém de confiança que ficará ao lado da princesa pelos próximos anos. Garantiremos que ela terá acesso a esse diário quando aprender a ler. Será seu presente a ela — conta o homem, encarando-me esperançoso.

— O que pretende com isso? Acha que ela acreditará em minhas palavras? E por que invadiremos o castelo? Ficou louco? O que faremos se meu pai descobrir que estamos por lá e que ainda visitaremos a sua maior esperança? — questiono, preocupado.

— Você disse que não quer se tornar rei, mas que tem ciência de que não pode ignorar a sua responsabilidade como príncipe, fugindo do país e fingindo que você não tem nada a ver com o que está acontecendo. Essa é a sua chance de fazer alguma coisa e ter a sua liberdade — responde Johnny com seriedade. — O rei Lester fará de tudo para manipular a princesa. Seus relatos podem ajudá-la a não ser influenciada pelas palavras de seu pai. Além disso, depois de visitá-la, tenho certeza de que você conseguirá tomar uma decisão.

— Decisão? Ainda acha que eu vou lutar para assumir o trono?

— Não. Você vai tomar a decisão de se tornar um aliado para proteger a princesa ou se vai lutar apenas pelo seu desejo de vingança. Em outras palavras, eu estou te dando a chance de assumir a sua responsabilidade de irmão mais velho e ex-herdeiro da coroa de Krósvia, mas a decisão está em suas mãos — retruca Johnny. – E então? O que você fará?