Fire Keeper

7 Capitulo 7 - Catching Fire


Notas iniciais
Olá! Primeiro, devo pedir muitas e sinceras desculpas pela demora pra postar esse capitulo. Tive uns grandes problemas com minha internet (Algum idiota resolveu que seria muito interessante queimar alguns fios telefônicos da rua, então toda a vizinhança ficou dias sem internet.) por isso não pude postar. Espero que me perdoem e que gostem deste capitulo. Ainda estão ai? :D Boa leitura. E novos leitores, SEJAM BEM VINDOS. Amei cada comentário. Obrigada por tudo.

Robin Hood já tinha passado por situações consideravelmente incomuns em toda sua vida, mas ficar instalado no castelo de Regina poderia ser considerada a pior delas no sentido de anormalidade. Ele permanecia agora, confortavelmente e estranhamente, mantido como principal servo da Rainha Regina; embora seus afazeres não fossem muita coisa e a Rainha não o tratasse como um servo propriamente dito. Pareciam mais dois colegas unidos por uma criança (sendo esta Roland), do que uma Rainha e um ladrão unidos por uma dívida.

Além da incrível afeição que a Rainha criara por seu filho e sua inegável misericórdia por ele, Robin Hood tinha mais motivos para admirar a mulher, — Motivos um tanto pessoais, que, por enquanto, ele preferia manter em segredo. Duas semanas foi tempo suficiente para ele descobrir que a Rainha ostentava particularidades que lhe eram inegavelmente atraentes, e estas particularidades tornaram-se os motivos pessoais por quais ele a admirava. O jeito que ela sorria para seu filho, era o primeiro motivo. O modo como sua boca se contorcia em uma abertura cheia de dentes perfeitamente brancos, e seus olhos brilhavam em felicidade genuína; faziam o ladrão perder o ar. Foi depois de descobrir isso que ele passou a olhar Regina. A olhar realmente; não como um criado/servo/ladrão diante de sua Rainha, mas sim como um homem diante de uma mulher. Ele sempre soube que ela era bonita, isto é obvio. Mas só quando parou para a observa-la de verdade é que se deu conta do quanto ela era bonita. Ele aproveitava os pequenos momentos em que podia a observar furtivamente enquanto ela se divertia com Roland, os dois muito entretidos um com o outro para sequer dar atenção a presença do ladrão. E ele saia desses pequenos momentos cada vez mais encantado.

Hoje, não era diferente. Depois de terminar suas pequenas tarefas que foram resignadas pela própria Rainha, Robin Hood se dirigiu para onde esta estava junto a seu filho. Os dois tinham criado uma amizade, e diante disso Robin se dividia entre os sentimentos de felicidade e ciúme; afinal seu filho não pensava duas vezes antes de soltar sua mão e correr avidamente para a Rainha sempre que ela o chamava. Mesmo assim, era maravilhoso os observar. Ele se esgueirava entre os moveis de madeira escura do palácio, fazendo de tudo para não ser visto, com esperança de não atrapalhar os momentos de felicidade que Roland e Regina compartilhavam. Ele já conhecia bastante do castelo para conseguir fazer isso; e com a vantagem de não poder ser visto, Robin Hood observava atentamente Regina e seu filho.

–Eu já tinha aulas de leitura quando tinha sua idade, suponho que esteja tão apto para aprender quanto eu estava. — Regina disse. Roland estava em seu colo, com um livro a frente de ambos, de maneira que os dois pudessem ver perfeitamente. Robin reparou que mesmo que não colocasse os pés para fora do castelo a semanas, a Rainha se vestia como se tivesse alguém para impressionar todos os dias. Deuses, como ela respira dentro desta coisa? Robin pensava, embora tivesse de admitir que o modo como o decote do vestido deixava seus seios deliciosamente volumosos o agradava. E ele não reprimiu este pensamento, nem sequer tentou. Ele sabia que estava sendo um homem indecente, mas não tentava convencer a si mesmo de que a visão de Regina não o a atraia. E desde que ele não era mais um homem casado, isso não era um pecado.

–É muito difícil. Papa já tentou me ensinar, mas eu não aprendi. — Roland disse com semblante triste. Suas mãozinhas bateram sobre a página aberta do livro em sinal de resistência.

–Não é difícil se você realmente se esforçar. Vamos lá, eu sei que consegue. — Regina insistiu, dando um sorriso encorajador para o pequeno. — Oh, deixe-me lembrar como Sr.Waterwall fazia. Primeiro, ele me ensinou todo o alfabeto.

–Eu já sei o alfabeto! — Roland disse, um pouco mais animado que antes.

–Ótimo, isso é bom. — Regina sorriu e continuou.- E depois, ele me ensinou a separar as vogais de consoantes. E depois, a formar sílabas. E quando eu soube formar palavras, eu conseguia identifica-las também. Assim, já conseguia ler algumas coisas; palavras simples.

–Vogais eu também já sei quais são. — O menino colocou um dedinho no queixo, parecendo pensar um pouco e logo depois exibiu um grande sorriso. — Magia! Você pode me ensinar com magia, assim aprendo mais rápido.

–Eu poderia sim, simplesmente colocar todo o conhecimento que tenho dentro de sua cabecinha, Roland. Mas magia tem seu preço, sempre se lembre disso. Toda magia vem com um preço e eu não quero que você tenha que pagar por nada. Além disso, vai ser mais divertido se eu te ensinar. Vamos passar um longo tempo juntos.

–Tudo bem! Papa pode nos ajudar, não pode? — Ele perguntou sorridente e esperançoso, a Rainha pensou um pouco.

–Tenho muitas coisas para lhe ensinar, mas nenhuma delas envolve assaltos ou tiro de arco e flecha. Não tenho certeza se seu pai poderia nos ajudar. — Ela disse simplesmente e o rosto de Roland voltou a ter o semblante triste de antes.

Robin Hood ouviu o que ela disse com uma mistura de ofensa e humor, a Rainha certamente não conhecia seu nobre passado, ele pensava. Antes de se tornar um fora da lei, Robin De Locksley, como era chamado, era filho do rico Barão Locksley e vivia em um castelo como esse. Sendo assim, ele recebera os mesmos ensinamentos e mimos que Regina tinha em sua infância. Ele era tão capacitado quanto ela de compartilhar ensinamentos com seu filho. Ele se inquietou em seu esconderijo, sentindo vontade de revelar-se para falar com a Rainha que ele era capaz.

–Eu queria ficar com você e com papa, juntos.

–Não sei se é grandinho o suficiente para entender o que se passa entre mim e seu pai, é complicado, meu anjo. Seu pai, trabalha pra mim, sim? Não pode estar junto de nós todo o tempo. — Regina tentou explicar, de modo que não assustasse Roland, mas percebeu que apenas deixava o menino mais triste. Quando a pequena boca de Roland formou um biquinho, Regina se deu por vencida. A rainha olhou para os olhos castanhos que já ameaçavam a formar lagrimas do menino, e disse:

–Mas, quem sabe, seu pai não seria bom em aulas de história? — Regina disse rapidamente, tentando o animar. — Ou geografia! Ele deve ser muito bom em geografia.

–Ele pode nós ajudar, então?

–Sim, ele pode. Eu mesma falarei com ele sobre a possibilidade, tudo bem? — Regina sorria, mas internamente, ele estava preocupada sobre ter que passar mais tempo na presença de Robin Hood. Principalmente depois de perceber que ele a olhava com certo... desejo. E que ela gostava muito disso. Já fazia duas semanas inteiras desde o dia em que ela o condenou a uma vida de servidão, mas ao contrário do que era esperado, — Que ele a odiasse e a desprezasse.- Robin Hood mantinha-se fiel a ideia de entende-la, e a medida que tentava isso, via-se cada vez mais encantado com Regina. Isto era evidente até para ela. Digamos que Robin Hood não era o melhor em disfarçar seus sentimentos e não continha seu atrevimento. Regina não contava com isso, ele a pegara de surpresa. Não contara que o ladrão poderia sentir algo por ela, e diante disso ela não tinha armas para lutar. Ela sabia que Robin Hood não estava apaixonado, ele estava apenas atraído por ela de alguma forma, mas isso já era alguma coisa. Ela poderia se obrigar a não sentir nada por ele, mas não poderia o obrigar de não sentir nada por ela. Regina apenas suspirou, decidida a simplesmente deixar que as coisas seguissem seu próprio rumo, desde que sua vingança ainda fizesse parte do caminho. Ela acariciou os cabelos macios do menino em seu colo, se perguntando se seria possível um futuro em que Branca de Neve estivesse morta, e ela estivesse feliz em algum lugar quente, ensinando leitura para seu novo pequeno protegido; Roland. Ela ainda não sabia onde encaixar Robin nesse futuro planejado.
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A noite chegara tempestuosa, afirmando mais uma vez o quão cruel estava o inverno. Regina levou Roland para cama quando este dormiu em seu colo, ela poderia usar magia para se transportar, mas gostava da pequena dificuldade que era carregar o peso do menino até o quarto e cobri-lo exageradamente com os cobertores mais quentes, para depois depositar um beijo em seu testa. Ela sorriu radiante por alguns instantes, antes de sair do aposento. Na porta, um ladrão indiferente parecia estar a sua espera.

–Finalmente apareceu, Robin Hood. — Regina disse depois de lançar um rápido olhar ao ladrão. De fato, para ela, ele tinha estado distante durante todo o dia. Robin Hood apenas sorriu misterioso, ele tinha passado grande parte do seu dia bem próximo da Rainha, embora esta não soubesse.

–Talvez as tarefas que me foram resignadas sejam absurdamente demoradas para serem realizadas. — Ele disse dando de ombros, disfarçando um sorriso.

–Talvez estivesse perambulando desocupado por ai. Espero que não tenha desobedecido minha ordem sobre não ir, de maneira alguma, ate a torre leste. — A Rainha sibilou, mas sua atenção não estava em Robin, e sim nas lamparinas e candelabros próximos, quais ela acendia com um simples passe de mágica. -Agora se me der licença, irei para meus aposentos... Ah, espere. Quase me esqueci. -Ela parou por um segundo e pigarreou. — Quero que me ajude a dar devidos ensinamentos a Roland. O pequeno, embora seja inteligente, ainda tem um grande caminho de estudos para seguir. Eu contrataria os melhores tutores possíveis, mas diante das dificuldades que o inverno me causou; prefiro fazer isso eu mesma. E ele ficara feliz se você também participar.

–Oh. — Robin tentou fingir surpresa, pois já sabia que Regina o falaria isso cedo ou tarde. — Ficarei feliz em participar também. Alem de que, seus pedidos são ordens. E eu devo cumpri-las, Minha Rainha. — Robin brincava com as palavras, sabendo que a maneira que ele falava, faria ela o lançar um daqueles olhares desconfiados e desafiadores — Que era uma das suas particularidades que lhe era atraente. — Como previa, Regina o olhou desconfiada.

–Você me disse que não gosta de joguinhos, Robin Hood. Mas sei que está fazendo um agora mesmo. Você não costuma falar comigo desta maneira, o que há? — Ela sibilou erguendo as sobrancelhas. Robin apenas riu, divertido por ter conseguido o efeito que queria. Brincar com a Rainha Má, era uma coisa que apenas um louco teria coragem. Um louco, ou Robin Hood.

–Só queria a ver como está. Nervosa. É incrivelmente adorável. — Ele aproximou-se dela para dizer a última frase, dando enfase. Aproveitou para olhar de perto as feições da Rainha, e sentir seu perfume de maçãs.

–Já deveria estar acostumada a seu atrevimento. — Regina revirou os olhos. Ela não estava nervosa, era a verdade. Estava longe de estar nervosa, porque ela não ficava nervosa com Robin Hood. Algo a impedia disso. Por mais que ela tentasse, qualquer coisa que ele fizesse, simplesmente se dissipava no ar rápido demais para que ela conseguisse ficar brava com isso. Mas ela não disse isso a ele, deixou o pensar que estava mesmo nervosa, porque talvez isso o impedisse de tentar se aproximar mais dela. O que foi em vão. -De todo jeito, as aulas de Roland começam amanhã mesmo. Todas as tardes, após o almoço, irei lecionar para ele e você me ajudará.

–O menino gosta de você.

–Assim como gosto dele. — Regina sorriu por alguns instantes, pensando em Roland. Um sorriso que fez Robin sorrir também, inevitavelmente. Ele arfou; ela era diabolicamente linda, ele pensava, e estava o arrastando para o inferno. Robin inspirou o perfume da Rainha mais uma vez.

–Não tenho mesmo palavras para lhe agradecer...

–Você vem me dizendo isso a duas semanas, Robin. Não tem o que agradecer, estou fazendo por ele.

–O que faz por ele, vale o mesmo para mim. — Robin pensou um pouco, e analisou o lugar onde estavam. Em frente a porta do quarto em que Roland dormia, num corredor mal iluminado e a merce do frio. Ele se deu conta de que era a primeira vez que se encontrava a sós com Regina depois de um longo tempo, e essa percepção caiu a ele como um baque. Ele teve ideias instantaneamente. — Talvez este seja um bom momento para conversarmos sobre outros assuntos. Ainda tenho dúvidas sobre o motivo de me querer em seu castelo, dúvidas sobre quem você é...

–Não acho que seja um bom momento... — A Rainha tentou dizer, mas Robin a calou com um dedo sobre seus lábios. Regina semi cerrou os olhos, mas novamente, ela não conseguia ter raiva dele. — Não me impeça de falar, Robin. Não abuse de minha simpatia por você. — Ela o avisou com dentes cerrados.

–Desculpe, Vossa Majestade. Mas eu fui claro sobre não estar convencido do que me disse. Sobre ter dito que tentaria a entender. E quero que saiba que também não a temo.

–Não me teme?

–Não... Não tenho medo de você. Sei que não fara mal a mim ou meu filho. — Regina ouviu as palavras do ladrão e suspirou. Ele não tinha medo dela. Sendo assim, Robin se juntava ao time de seu pai e Roland, as pessoas que não a temiam. — E durante o pouco tempo que estive aqui, tenho não só motivos para querer entende-la ansiosamente, mas também para admira-la.

–Creio que não viu o bastante de mim para tirar uma conclusão tão concreta. — Regina permanecia calma. Ela não sentia vontade de fugir ou lutar, não quando soube que ele não a temia.

–Mas eu sei que sim. Os outros podem ver o mal em você, mas eu vi o bem. E não poderia ser mais maravilhoso. — Robin sorriu para as últimas palavras que ele próprio disse, se lembrando de cada tarde que passara observando Regina olhar amorosamente para seu filho. Se lembrando de quando ela o olhava desesperada, pelo medo dele morrer, no dia em que ele sentiu a maior dor de sua vida ao ter suas pernas tomadas pelo fogo. Ele não conseguia acreditar que ela poderia ser má, não depois de tudo isso.

A Rainha reuniu coragem para olhar Robin nos olhos, aqueles olhos azuis brilhantes que a trazia boas lembranças e que ela sempre evitava de olhar. Ela se sentiu terrivelmente acolhida por aquele olhar, por um momento, ela era apenas Regina de novo. A jovem Regina, inocente e aventureira, com coração bom e puro. Porque seu lado bom não poderia ser mais maravilhoso. E então ela voltou a sua realidade, uma Regina crescida e perigosa, uma Rainha. Encarou o homem a sua frente, com os olhares das duas Reginas, e entendeu que ele aceitaria ambas. Entendeu que ele era sua alma gêmea. Com o medo digno da jovem Regina, mas a atitude digna da crescida Regina, ela o beijou.

Robin sentiu seu corpo vacilar, antes que entendesse o que estava acontecendo e conseguir o equilíbrio novamente, apenas para segurar Regina fortemente perto de seu corpo, mantendo seus lábios colados em todo momento. Fogo parecia cortar o peito de Robin, quando as emoções lhe eram fortes o suficientes para fazer o frio tornar-se esquecido. Ele retribuía o beijo feroz da Rainha, enquanto lhe apertava a cintura em um abraço insistente. O frio pareceu voltar quando a Rainha separou seus lábios do dele, e o encarou. Os olhos castanhos de Regina demonstravam tanta surpresa quanto os olhos azuis do ladrão, ambos permaneciam ofegantes, com suas bocas semi abertas; Robin ainda a segurava perto de si. O silêncio que era preenchido apenas pelo crepitar do fogo das lamparinas, durou apenas mais alguns segundos, antes que Robin puxasse Regina acalorado por mais um beijo. Regina se entregou de bom grado aos lábios do ladrão ao mesmo tempo em que um gemido lhe escapava pela garganta. Ela sentia seus lábios queimarem, assim como todo seu corpo. Era como se Robin fosse pura brasa, a esquentando de dentro para fora, rápido demais para que ela pensasse em querer que ele parasse. Regina deixou seus braços trêmulos envolverem o pescoço de Robin em um abraço. Algumas lagrimas saíram de seus olhos, quais ela não tentou parar. Eram lagrimas de felicidade.

Notas finais
Me digam o que acharam do capitulo, uh? Espero muito que tenham gostado ♥