Fire Keeper

5 Capitulo 5 - Through Flames


Notas iniciais
Heeeey! Demorei a aparecer, não foi? Me desculpem! Vou manter-me frequente as postagens, só essa semana que ficou um pouco difícil pro meu lado. Muito obrigada a todos pelos comentários no último capitulo, amei cada um deles. E um agradecimento especial também, a Amanda Lisboa e Snow White, que recomendaram minha história! Nem sei como agradecer por isso, meninas, eu fiquei tremendamente feliz ♥ Nesse capitulo, vemos bem os vários lado de Regina, e temos um personagem novo, que é um tanto... manipulador, vocês devem saber. Boa leitura, amores. :3

Roland era uma criança pequena, mesmo para sua idade. E embora estivesse visivelmente doente, o que Robin temia ser uma pneumonia, ele abriu um sorriso enorme para o pai e só o tirava do rosto quando era acometido por crises de tosse. A Rainha o colocou em um ninho de cobertas felpudas bem em frente a lareira, fazendo com que a cor voltasse a face do menino e seu corpinho se esquentasse.

–Você é malvada? Sebastian me disse que você é a Rainha Má! — O pequeno olhava curioso para Regina, deslumbrado com sua aparência.

–Ela não é malvada, Roland. Se comporte. — Robin logo interviu, preocupado se a Rainha iria se incomodar com os modos do filho.

–Não sou? — Ela sussurrou para o ladrão sem deixar que Roland visse, de maneira provocativa com seus olhos parecendo o desafiar. Ele suspirou pesadamente e deixou escapar um sorriso amarelo, ainda preocupado.

–Você não parece mesmo malvada! Qual seu nome?

–Hmm... É Regina. — Ela pensou um pouco, sentindo-se estranha ao pronunciar seu próprio nome, afinal não eram muitos que a chamavam por ele, e, as vezes, ela quase se esquecia de que "Rainha Má" era apenas um apelido de mal gosto.

–O meu nome é Roland. Eu tenho quatro anos! Eu tinha três anos, mas meu pai me disse que era meu aniversário, então agora eu tenho quatro e ganhei botas novas de presente. — O menino tagarelava e Regina tentava manter sua frequente carranca quando a vozinha de Roland a fazia ter vontade de sorrir.

Robin se movimentava roboticamente ao redor de Roland, olhava a temperatura do menino, perguntava se ele estava sentindo dores ou frio, sistematicamente. Regina permaneceu em pé, olhando a cena um pouco distraída pelas perguntas da criança, mas após alguns minutos não conseguiu mais lidar com a sensação de não estar bem em seu próprio corpo que aquilo a causava. Pra ela, era como se não estivesse servindo em sua própria pele. Com um longo suspiro, a Rainha pegou seu casaco grosso que tinha largado perto da lareira e o vestiu, caminhando em direção a saída do quarto.

–Regina! — O pequeno menino forçou a voz, logo tendo mais uma de suas tosses. — Você vai sair? Eu posso ir com você?

–Eu vou... buscar algo quente pra você tomar. — Ela mentiu, de repente tomada pelo desejo de não chatear a criança. — Você precisa ficar aqui e descansar, tudo bem?

–Tudo bem! — Ele sorriu para a Rainha inocentemente. — Eu gosto de chocolate quente.

–Chocolate quente, tudo bem. — Ela sorriu de volta, finalmente vencida pelo sorriso do pequeno garoto, mas sem deixar de se sentir estranha. Robin esperou que a Rainha estivesse longe de seu filho para ir atrás dela.

–Milady... Não posso pensar em palavras suficientes para lhe agradecer pelo seu gesto nobre de ajudar o meu filho. — Ele falava pesadamente, tentando ler os pensamentos por trás dos olhos castanhos de Regina. — Não a nada mais gratificante para um pai...

–Acredite, eu sei disso. Não é de hoje que venho cuidando de criancinhas indefesas... — Ela comentou amarga, se lembrando de Branca de Neve e seu falecido marido.

–Mesmo assim, Vossa Majestade. Mais uma vez... Eu te devo.

–Esteja certo que deve. — Ela sussurrou provocativa como de costume.

Era apenas o jeito dela, Robin pensou, não parecia ser uma cobrança ou uma ameaça. Ele tentava, em meio a tudo que acontecia, entender a Rainha. Tudo o que ele tinha conseguido coletar de informações era que ela era uma mulher solitária, que tentava com grande sucesso parecer perigosa a todo momento. Ela era como uma bomba, que se manuseada de forma errada, poderia explodir destruindo tudo que estivesse pela frente. Mas ele também via bondade nela, tinha percebido que, as vezes, um brilho furtivo de compaixão surgia em seus olhos, através da mascara de ódio que se instalava em seu rosto. Não era uma bondade plena, obviamente, mas era algo a ser trabalhado. Robin Hood tinha a certeza de que ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim.

Regina deixou o quarto com passos leves em direção a porta, se lembrando do que queria fazer antes de Roland e Robin a interromperem. Ela queria pensar, se encontrar dentro de sua confusão de pensamentos. Ela precisava de um momento para si. Com passos apressados, ela seguiu pelos corredores até encontrar um comodo qualquer que estivesse vazio, e quando este adentrou, se pôs a observar seu reflexo em um espelho que estava por ali. De certo modo, ela não parecia mesmo com ela mesma nem fisicamente. Seus olhos eram cansados e pequenas bolsas rochas estavam abaixo dele, olheiras pelo cansaço.

–Sidney...- Ela chamou em um suspiro, esperando que falar com seu servo talvez a fizesse se sentir melhor. Após uma breve espera que não era costumeira, Rumplestiltiskin surgiu no lugar de Sidney. A pele grossa do Senhor das Trevas que oscilava entre verde e dourado parecia ainda mais doentia através do reflexo.

–Hey, queridinha! — Ele cumprimentou entusiasmado, balançando levemente os ombros enquanto batia palmas.
–Rumplestitiltiskin! — A rainha exclamou, um pouco assustada. — O que você quer?

–Ver como esta minha eterna aprendiz! Sei que o inverno nunca te fez bem. — Ele riu, com sua habitual voz aguda e estridente.

–Eterna aprendiz? Me poupe, Rumplestiltiskin. Você não apareceria apenas pra ver como estou, diga logo o que quer pois estou sem tempo para seus joguinhos.

–Sem tempo para seu amigo de longo data, mas com tempo para cuidar de meros camponeses? Robin Hood, hein? — O Senhor das Trevas a olhou sugestivamente, balançando seus dedos no ar.

–Você não tem que se meter nisso. — Ela avisou, sem estar surpresa por ele saber sobre o ladrão. Rumplestiltiskin era como uma bola de cristal ambulante, ele saberia, ela pensou.

–Oh, claro que não, minha querida. Apenas pensei que gostaria de saber que as pessoas já estão falando...

–Falando o que?

–Ora! — Ele soltou uma de suas risadas agudas. — Falando! Você deu um belo show para salvar Robin Hood do fogo, não se fala de outra coisa no reino. Estão começando a duvidar de seu poder... Não vai demorar até que tentem te derrubar do trono, para colocar sua amada enteada no lugar. Você demonstrou fraqueza.

–Mentiras! Como todo o reino iria saber disso se durante o ocorrido apenas eu e alguns de meus cavaleiros estavam presentes?

–Você já devia saber que não tem os melhores cavaleiros do mundo. Certamente contaram para quem quisesse ouvir. Ah, e não é apenas isso, fiquei sabendo que você levou um belo golpe na cabeça. — Ele riu outra vez, fazendo raiva crescer dentro de Regina. — Como eu disse, fraqueza! Se duvida de mim, escute você mesma, queridinha...

Com um pequeno gesto das mãos de Rumplestiltiskin, a mente de Regina virou um embolo de vozes. A rainha sentiu sua visão se desfocar, enquanto ela as vozes se intensificavam até se tornarem insuportáveis.

"A rainha foi enganada por um simples ladrão!" "A Rainha Má está louca" "Ouvi dizer que seus próprios cavaleiros estão armando contra ela."

O embolo de vozes se tornou alto até que Regina não conseguia mais identificar palavras em meio a elas. Ela levou a mão a cabeça, sentindo uma pontada de dor. Rumplestiltiskin sorriu animado e fez com que as vozes cessassem.

–Isso não pode ser verdade... Idiotas! Acham que podem me derrubar?

–Oh, como amigo, era minha obrigação te alertar sobre isso. — O Senhor das Trevas disse com falsa modéstia, seu tom de voz nunca deixava de ser perigosamente divertido.

–Eu não sou burra, sei que não faria isso por nada. O que você quer? — Regina olhou nos grandes olhos esverdeados de Rumplestiltiskin, tentando encontrar algo que o incriminasse.

–Não quero nada em troca de minha preocupação sobre seu reinado, minha querida! Vida longa à Rainha Má... — A imagem do Senhor das Trevas se dissipou no espelho, dando lugar para Regina ver seu próprio reflexo. Os olhos da rainha estavam ardendo em ódio.

–Espelho, espelho meu... Mostre-me quem traiu minha confiança.

–Sim, minha rainha. — Dessa vez, o próprio Sidney apareceu no espelho, com o rosto cansado e descontente.

Quando a imagem mudou, através do reflexo, Regina pode ver flashes de seus cavaleiros e súditos que trabalhavam no castelo, falando sobre ela com desdém. Regina já sabia qual o pensamento do povo do reino sobre ela, tentava ignorar na maior das vezes, mas ao menos seus cavaleiros, ela pensava serem fieis. Pensamento que se provou errado.

–Vão se arrepender de cada palavra que disseram contra mim. — Regina disse para o espelho, que agora mostrava a cena de um grupo de súditos que ela se lembrava ser os seus jardineiros. Uma bola de fogo ardeu na mão da rainha, que rapidamente a lançou através do espelho. O fogo atravessou o vidro e atingiu os jardineiros como se estes estivessem mesmo perto da rainha, e não apenas sendo um reflexo. Regina ouviu os gritos de dor atentamente quando o fogo tomou conta do corpo de seus funcionários, com um sorriso tomando conta de seu rosto.
–Vida longa à Rainha Má. — Ela sussurrou para si mesma, lembrando do que tinha dito Rumplestiltiskin.

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Robin Hood esperou ansiosamente para que Regina voltasse. Ficar no castelo da Rainha já era desconfortável, sem ela por perto, parecia ainda mais. Temia que alguém chegasse ao quarto e o visse, podendo querer fazer mal a ele e Roland. Sem ter muito o que fazer depois que Roland tinha dormido, o ladrão se pôs a observar os detalhes do quarto em que estava, admirado com a riqueza e beleza do lugar. E os espelhos, ele tinha contado 15, de todos os tamanhos e formas, espalhados pelas paredes e móveis. Tentou adivinhar se a Rainha era narcisista ou obsessiva, e chegou a conclusão que poderia ser os dois.

Também tentou a imaginar ali, sentada em frente a sua penteadeira, arrumando seus longos cabelos negros e admirando seu bonito reflexo no espelho. Não parecia ter nada de malvado nisso, para Robin. Ele não era desse reino,- na verdade, ele não era de lugar algum. — tudo o que sabia sobre a Rainha, era o que ouvia pelos bares e vilarejos em que passava. E tudo que tinha ouvido parecia terrível demais para uma mulher como ela fazer; depois de ela ter o salvado e cuidado de seu filho, era difícil acreditar ou imaginar.

–Mulher confusa... — Robin disse para si mesmo.

Ele tinha plena consciência da confiança que os olhos de Regina o passavam, até mesmo quando ela o olhava como se ele não fosse mais que um saco de lixo. Ele tinha a certeza de que ela tinha o salvo, e que aquilo não foi apenas um ato qualquer. E também havia a sensação de estar ligado a ela que ele tinha sentido, a vontade de querer beijar-lhe as mãos e o rosto para agradecer por tudo que tinha feito, a vontade de conhece-la. Como Regina, não como Rainha Má. Ele não conseguia ignorar os sentimentos que ela o provocava.

–Deuses! — Ele riu para o nada. — Onde eu me meti?

–No meu castelo, eu suponho.
Robin levantou o olhar, podendo ver o reflexo de Regina atrás dele pelo espelho. O ladrão virou-se rapidamente para a Rainha, tentando tirar o sorriso do rosto.

–Vossa Majestade, não sabia que estava aqui.

–Porque eu acabei de chegar. — Ela arqueou a sobrancelha indicando o obvio. — Eu trouxe aquele chocolate quente que seu filho queria. Mas imagino que um chá de gengibre ou eucalipto vá ser melhor para acabar com a tosse. — Regina entregou a caneca com chocolate para Robin, tentando não se abalar quando viu a tatuagem no pulso do ladrão.

–Roland acabou por dormir, mas quando ele acordar eu dou o chocolate para ele. E está certa, seria melhor.

Robin permaneceu quieto por algum tempo, apenas observando os movimentos da rainha pelo quarto. Ela se movia serenamente, tirou o casaco que cobria seu corpo e depois passou a observar as longas unhas pintadas de vermelho, com um pequeno sorriso no rosto.

–Eu não consigo te entender. — Robin disse depois de um longo tempo a encarando.

–Não deveria se dar ao trabalho de tentar, querido.

–Eu quero. Talvez eu não devesse, mas, tem muitas coisas entre nós que não ocorrem do jeito que deveriam acontecer.

–Olhe como fala, ladrão. Apenas seja agradecido, que tal?

–Eu sou! Sou agradecido e é esse o problema. Eu não consigo ignorar você ou o que você fez, como se isso fosse pouca coisa. — Ele exasperou, se aproximando de onde estava a Rainha. — Eu não paro de pensar em você, e quanto mais eu penso, menos eu te entendo e com mais dúvidas eu fico. Porque me polpou da morte, Regina? Porque me ajudou, porque ajudou meu filho? Porque ainda me deixa ficar aqui?

Regina tremeu ao ouvir as perguntas quais ela mesma procurava as respostas corretas. A tatuagem, sim, era por causa da tatuagem que ela tinha o salvo. A tatuagem que significava que Robin, era sua alma gêmea. Regina não conseguiu se quer ficar brava, apenas inspirou uma grande quantidade de ar e o prendeu até que tivesse uma resposta formada. Ela não poderia — e nem queria — apenas o deixar ir embora, e tinha mais um motivo para isso, o falatório no reino iria se intensificar ainda mais se ele fosse.

–Você pode ser útil pra mim. — Ela respondeu por fim, jogando o cabelo por cima dos ombros. — Suas habilidades como ladrão... são consideráveis. Estou mesmo precisando de novos servos.

–Você me quer como servo? — Ele perguntou sem entender, a curiosidade apenas o fez se mover para mais próximo da rainha, parando a sua frente.

–Exatamente... Você mesmo disse, está me devendo.

–Pra que tipo de serviço?

–O serviço que eu mandar. Você vai ficar aqui, dentro dos limites de meu castelo, até eu dizer que pode sair. Continua meu prisioneiro, entendeu, ladrão?
Robin engoliu a seco, tomando consciência do que aquilo significava. Ele não conseguia a temer, mesmo se ela o mantivesse como um escravo para sempre, mas não era apenas ele, era seu filho.

–Roland...- Ele sussurrou, temendo pelo filho.

–Onde está a mãe dele?

–Ela morreu. O menino tem apenas a mim.

–Então, ele também fica. Um castelo certamente será melhor para o garoto do que uma cabana na floresta. — Regina se lembrou de outras duas crianças que tinham cruzado seu caminho a um tempo atrás e negaram morar no castelo com ela porque a temiam. Roland não era grande o suficiente para saber das atrocidades que ela tinha cometido, assim, não iria a temer. Ela deu um pequeno sorriso pensando na criança, mas logo voltou sua atenção para Robin. — O castelo está praticamente vazio, poucos servos sobraram.- Porque eu matei grande parte deles, ela pensou, mas não disse a Robin. — Mas não tire proveito disso para tentar fugir, porque eu saberei e não irei te perdoar uma outra vez.

Robin não a respondeu, apenas a encarou enquanto tentava absorver tudo que havia lhe sido dito. Essa não era a resposta para suas perguntas, ela tinha apenas mudado o assunto um pouco de rumo. Se o quisesse apenas porque ele parecia útil, certamente teria dito desde o começo. Mas ele não tentou saber os motivos de Regina outra vez. Por ora, apenas assentiu para sua Rainha.
–Como quiser, Majestade.

Notas finais
Yay! Vamos dizer que é agora que as coisas começam a acontecer! Haha, espero que tenham gostado do capítulo. Me digam nos comentários como é que está ficando. Um beijo a todos ♥