Fire Keeper
25 Capitulo 24 - Safe
Notas iniciais

A viagem com magia até o castelo de Rumplestiltiskin era longa, por isso, Regina não se surpreendeu ao se encontrar ainda mais fraca quando a nuvem de fumaça costumeira a largou no chão de pedra frio. Ela não tinha ideia de que lugar estava no imenso castelo, mas sabia que, cedo ou tarde, o Senhor das Trevas perceberia sua presença. Tonta demais para conseguir se levantar, Regina aguardou ali, deixando um sussurro fraco morrer lentamente em seus lábios enquanto ela caia em uma escura inconsciência.
—Rumplestiltiskin...
—-
Belle esfregava furiosamente a madeira desgastada da mesa de poções de Rumplestiltiskin, determinada a fazer toda a loção amarela brilhante e pegajosa desaparecer. Ela sabia que Rumple poderia deixar tudo limpo em segundos, mas ela não o deixaria tomar seu trabalho, feliz por ter algo em que se concentrar. Depois de anos presa em um pequeno quarto, qualquer tarefa nova era animadora e depois de uma pequena luta de palavras, Rumple pareceu entender.
Ela não comentou com ele como parecia ridículo ele se importar se ela estava fazendo esforço para a limpeza agora, quando no passado, ele tinha a jogado nas masmorras para lidar com quilos de poeira e camundongos barulhentos. Suas mãos continuavam as mesmas de antes e ela era capaz de limpar todo o castelo se tivesse vontade, ele certamente não poderia impedi-la.
—Você não é mais minha serva, Belle. — Ele insistiu. — Eu a deixei ir, eu libertei você.
—Eu sei que o fez, Rum. Eu voltei por minha escolha, assim como vou limpar essa maldita mesa. Foi eu quem quebrou o frasco, de todo jeito.
Ela tinha colocado todos os pequenos vidros e objetos desconhecidos para baixo da mesa antes de começar sua esfregação. Rumple a certificou que era só uma poção simples para atrair fortuna antes dela encostar no líquido viscoso.
—Um pouco de dinheiro me faria mesmo bem. — Ela disse sob sua respiração que começava a ser ofegante devido ao pequeno esforço.
—Não funciona assim, querida. Mas você não precisa de dinheiro algum, eu faço ouro.
—Isso é verdade. Você faz ouro. — Ela o olhou com um pequeno sorriso, antes de enfiar a escova de cerdas grossas para dentro do balde com água mais uma vez e voltar sua atenção para a madeira. — Eu não sou capaz de produzir nem o mais simples metal.
—Você tem acesso a tudo que é meu, Belle.
Belle apenas suspirou, aplicando mais força em sua mão. Ela estava frustrada consigo mesma a dias, perdida em seus pensamentos. Desde que tinha conseguido fugir do castelo de Regina, sua mente tinha a guiado para o último lugar em que tinha se sentido segura – o castelo de Rumplestiltiskin, qual ela acabou conseguindo invocar. Era um tanto irônico que seu antigo raptor e atual amor verdadeiro parecia a opção mais certa para recorrer, quando ele quem era o responsável por sua vida ter passado por tantas mudanças nos últimos anos.
Ela pensou que tudo seria perfeito. Rumple ainda tinha a pele escamosa e brilhante, os olhos verdes com órbitas inumanas e a voz aguda provocadora; mas ela pensou que seria diferente dessa vez. Pensou que ele iria a colocar em primeiro plano depois de tanto tempo sem se verem, pensou que ele tivesse arrependido de sua antiga escolha... Ele estava arrependido, em sua forma distorcida de arrependimento, ela conseguia ver isso nos olhos dele, mas não era suficiente.
Ela se via pensando em seu pai, em sua antiga casa, se perguntando como as coisas estariam depois de tanto tempo que ela estava fora. Belle perguntava a Rumple sobre o que tinha acontecido durante todos os últimos anos, mas ele não era aberto ao assunto, — algo relacionado ao que Regina tinha dito a ele sobre ela, muito tempo atrás, que envolvia o seu pai -, ela sabia que poderia andar para fora do castelo e fazer seu caminho para seu reino a qualquer momento, mas o medo do desconhecido a fazia recuar, assim como o trauma por ter sido capturada e mantida presa. Ela não queria estar perto de passar por qualquer situação parecida no momento, quando ela ainda estava se curando das dores recentes.
—Largue a escova, Belle. — Rumple a chamou de repente, com a voz grave, a assustando para fora de seus devaneios, e sumiu em uma nuvem de fumaça logo em seguida.
Ela não entendeu o motivo, mas jogou a escova para dentro do balde rapidamente e olhou ao redor da sala de maneira apreensiva. A mesa ainda era uma bagunça de água e viscosidade amarela e Belle olhou para ela com desgosto, mas seu coração batia tão forte de susto em seu peito que a fez conseguir resistir a vontade de desobedecer Rumple e continuar sua limpeza. Ela esperou ansiosa por alguns segundos, até que o Senhor das Trevas finalmente voltou, carregando um corpo inerte em seus braços de maneira habilidosa. Rumple fez toda sua bagunça com a água sumir rapidamente da maneira com um toque de magia e deitou a mulher que ele carregava sobre a mesma.
—Desculpe por isso, querida. — Ele pediu, se referindo a magia que tinha feito para limpar a poção. — Mas acredito que ela seja mais urgente agora.
Belle voltou a olhar a mulher desmaiada de maneira cuidadosa, sentindo seu corpo congelar assim que ela percebeu que se tratava de Regina – a Rainha Má, que a tinha a feito de prisoneira por intermináveis anos. Ela instintivamente deu um passo para trás, querendo estar a uma distância segura da mulher que ela considerava uma sádica. Ela se virou para Rumple, percebendo que ele parecia verdadeiramente preocupado.
—O que há de errado com ela? — Belle perguntou timidamente, enquanto Rumple se esforçava para manter os longos cabelos de Regina fora de seu rosto e media sua temperatura com as costas de sua mão.
—Ela desmaiou. — Ele indicou o óbvio e virou o corpo de Regina para o lado, para que ele conseguisse alcançar suas costas, e desfazer os nós do corset que apertava sua cintura rapidamente.
Belle observou cuidadosa, enquanto ele fazia o corpo da Rainha ficar confortável em sua inconsciência. Rumple fez uma bagunça com o vestido quando puxou o corset para fora, o deixando leve e solto em todos os lados. Belle desceu seu olhar pelo corpo, acompanhando o movimento do tecido e se perguntando porque ele estava tão preocupado com ela. Belle não se atreveu a perguntar, no entanto, e algo dentro dela a fez se mover para frente, retornando para perto da mesa.
—Ela está pálida. — Belle observou e varreu todo o corpo de Regina com o olhar mais uma vez, seu vestido tinha subido quase para a altura dos joelhos quando a Rumple a colocou em cima de mesa e a linha vermelha e desregulada em uma de suas pernas tinha capturado sua atenção. Belle olhou mais de perto e tocou o líquido viscoso com as pontas dos dedos.
Era sangue. Ela olhou para Rumple procurando respostas e ele lhe devolveu o olhar.
—Ela está grávida. — Ele disse por fim e suas palavras foram como um solavanco para Belle, porque rapidamente ela começou a mover toda a saia de Regina para cima, sem se importar com quaisquer atrocidades que a mulher tinha a feito no passado, preocupada demais com o que poderia acontecer com a criança que ela carregava. Belle levantou a saia até altura do quadril, e a roupa debaixo branca e fina, grudada contra pele da Rainha confirmou sua suspeita, o sangue estava vindo de dentro.
—Sangramento nunca é um bom sinal na gravidez. — Belle o avisou, mas Rumple parecia ter, repentinamente, perdido seu interesse em Regina, a olhando de forma aturdida. — Eu já li algo sobre isso, não sei se tem algo que eu possa fazer... Mas você, certamente pode, não? Parar o sangramento, ao menos.
—Eu pensei que fosse algo importante. — Ele a respondeu, voltando seu olhar para Regina. — Não tem motivo para alarde, ela vai ficar bem.
—Ela provavelmente vai, não é comum perder uma mulher para um sangramento, não tão cedo na gravidez. — Belle analisou a barriga ainda plana de Regina. — Mas a criança, ela pode acabar morrendo.
—Isso não é problema meu. — Rumple deu um pequeno sorriso, se lembrando de como tinha desejado que Regina não estivesse grávida quando ele soube da notícia. O universo parecia conspirar a seu favor pelo menos uma vez em sua vida. — Deixa-a, querida. Ela vai ficar bem.
Belle estranhou a despreocupação súbita, se lembrando que momentos antes Rumple estava agitado ao redor de Regina, ansioso para a fazer confortável. Ela se perguntou a que devia a brusca mudança de comportamento e balançou a cabeça, incrédula.
—Espere... — Ela colocou uma mão no peito magro de Rumple, impedindo que ele se afastasse como pretendia. — Você não vai deixar essa criança morrer.
—Não é uma criança ainda, querida. E pode já estar morto, de todo jeito.
—Você pode confirmar, não é? Se está vivo ou não, você tem poder para saber? — Ela pediu, sem acreditar que Rumple pudesse tratar uma vida inocente com tanta frieza. — Faça isso... Por mim.
—Você quer mesmo que eu ajude essa mulher? Que a manteve presa em uma torre fria, acorrentada como um animal? — Ele perguntou, sendo duro com as palavras, de propósito. Para quebrá-la, para fazê-la se sentir culpada, Belle tinha certeza, mas ela não recuou.
—Estou pedindo ajuda para o bebê, mas isso não faz tanta diferença, porque a minutos atrás você parecia bem determinado a ajudar Regina seja qual fosse o mal que ela estava sofrendo. — Ela jogou de volta e Rumple estremeceu ao som de sua voz irritada. Ela sabia que ele não era acostumado a ter qualquer pessoa discordando de suas palavras. — Verifique se a criança ainda tem vida, Rumple. E faça o que for preciso para parar o sangramento.
—Eu não posso fazer isso, Belle.
—Você pode, apenas não quer. — Ela fechou os olhos, com raiva. — Eu pedi para fazer isso por mim. Será que você voltou atrás em suas palavras de alguns dias atrás, quando prometeu que me amava e que faria tudo para que eu fosse feliz? — Ela deixou as palavras escaparem, sabendo que estava fazendo um jogo sujo, mas sem se importar realmente com isso. Estava fora de questão deixar Regina ter um aborto em cima de uma mesa qualquer do castelo.
Rumple a olhou com dor em seus olhos e moveu suas mãos para o corpo de Regina, levantando a camisola pálida que era a roupa de baixo dela até que ela estivesse nua até a altura abaixo de seus seios. Rumple não parecia incomodado com a nudez de Regina, então Belle se esforçou para parecer indiferente também, concentrando-se no trabalho das mãos dele quando ele moveu os dedos sobre o abdome de Regina, na altura de seu ventre, tão ágeis quanto quando ele os movia pela roca de fiar.
—Ele é pequeno demais para receber qualquer carga de magia, — Rumple a advertiu, pressionando a barrigada dela levemente. — Seria arriscado tentar. Mas ainda está vivo...
—Oh! — Belle suspirou, aliviada. — Isso é bom. Vamos limpar Regina e a manter quente até que ela acorde, então.
—Não fique tão animada, a gravidez não vai durar por muito tempo. — Ele disse calmamente e moveu a mão da barriga para o peito de Regina, pressionando em cima do lado esquerdo e Belle pensou que ele poderia estar tentando sentir o coração.
—O bebê morrerá?
—Sim, em breve. Em alguns dias, talvez.
—Como você sabe? — Ela o olhou desconfiada. — Não sabia que prever a morte estava entre suas habilidades.
—Tenho certo domínio sobre o futuro, mas não precisei usá-lo para saber que Regina não vai conseguir segurar essa criança. Eu descobri o que tem de errado e é algo que não posso contornar... Algo além do meu poder. — Ele confessou. — Não posso usar magia para curar o sangramento também, isso causaria o contrário do que você quer. Aceleraria a morte do bebê.
—Porque? — Belle pediu, engasgando com as palavras. A cada vez que Rumple abria a boca as coisas pareciam ficar mais sem sentido para ela.
—Porque ele é puro, querida. O bebê é puro. E Regina já o envenenou com magia negra o suficiente para drenar toda sua energia para fora do corpo... Ele tem magia branca. Na teoria, é mais forte do que a negra, mas ele ainda é pequeno demais para conseguir competir com sua mãe.
—Você está dizendo... Que a magia de Regina está o matando? — Belle sussurrou, sentindo sua cabeça pesar. Tudo que envolvia magia era difícil demais de entender e processar através de sua mente, e essa história era a pior de todas. Ela nunca tinha visto algo parecido antes, mas de todo jeito, não parecia bom.
—É estranhamente fascinante. — Ele decidiu, e tocou o ventre dela novamente, ansioso para saber mais sobre a luta da mãe contra o filho. — O corpo de Regina trata a criança como um intruso, porque ele é envolto de magia branca. Ele está tentando o expulsar de qualquer forma... Me dê sua mão. — Ele pediu calmamente, e Belle estendeu os dedos trêmulos para ele.
A próxima coisa que a princesa sentiu era algo que ela nunca poderia descrever com palavras, embora as sensações enviadas até seu corpo fossem fáceis de interpretar. Ela conseguia sentir o pequeno tremor pela pele quente de Regina enquanto Rumple segurava sua mão firmemente contra a barriga dela. A energia fluindo do contato era angustiante. Isso era tudo que ela podia assimilar quando uma onda de tristeza pareceu a dominar até que pequenas lágrimas começaram a surgir em seus olhos – ela não viu nenhuma imagem, nem soube distinguir de onde vinha a magia branca ou de onde vinha a magia negra -, mas de alguma forma, a dor da morte lenta da criança foi transferida para ela através de um toque. Ela afastou o contato, entendendo a batalha que o corpo de Regina e seu bebê estavam travando depois de ter a sentido com suas próprias mãos.
—Como isso é possível? — Ela perguntou, piscando fortemente para afastar as lágrimas.
—É magia, ela carrega suas próprias regras... Por mais injustas que pareçam, não resta nada a não ser aceitá-las.
—Temos que o ajudar. — Ela pediu, seus olhos carregados de súplica.
—Eu não posso. Estou sendo sincero com você, Belle... Eu não posso. Carrego mais magia negra que Regina, tentar curar a criança com isso seria fatal.
—O que você teria que fazer? Para o manter vivo?
—Rumple...— O sussurro fraco de Regina foi ouvido e todas as cabeças se viraram para ela, deixando a pergunta de Belle sem uma resposta. Belle percebeu que ela pairava entre a consciência e a inconsciência de maneira lenta, parecendo inofensiva, e não a poderosa Rainha que um dia ela teve o desprazer de conhecer. — Salve-o... Eu lhe dou qualquer coisa... Eu tenho sua empregada, eu a devolvo, apenas o salve. — Ela pediu, com sua voz fraca e grogue. Belle demorou um segundo para assimilar que quando se referiu a empregada, estava falando dela.
—Ela parece mesmo desesperada. — Belle desdenhou, embora estivesse tão preocupada que não conseguiu levar o comentário de Regina para o lado pessoal. Ela lidaria com isso depois.
—Eu não posso o salvar, querida. — Rumple sibilou para Regina, que tinha os olhos fechados novamente, embora de seus lábios entreabertos saiam palavras incoerentes. Ela pareceu cheia de energia novamente ao ouvir a última frase de Rumple.
—Não! — Ela falou mais alto, forçando seus olhos a se abrirem e olhou para Rumple com olhos vermelhos. — Não, por favor, não diga isso. Você pode... O salve para mim, e eu farei qualquer coisa que quiser. — Ela começou a choramingar, tentando se levantar para chegar até Rumple. Belle foi para o lado dela e a moveu de volta para baixo prontamente, fazendo Regina ficar realmente surpresa com sua presença. — Você... Você fugiu! Diga a ele, diga a Rumple para salvar meu bebê. Ele vai ouvir você.
—Ele não pode... Acredite em mim, eu já tentei. — Belle a responder, surpresa por sua reação. Regina estava tão preocupada com sua criança que não conseguia perceber o quão incoerente estava soando e isso fez o coração de Belle doer. Ela se amaldiçoou por sentir qualquer comoção pela mulher que nunca tinha se preocupado com ela por nem um segundo, mas não conseguia evitar.
—Você me disse que a maldição estava quebrada, mas era uma mentira! — Ela gritou na direção do Senhor das Trevas. — Eu acreditei em você... Eu alimentei a esperança, tudo isso para nada.
—Você não soa como você mesma, Regina. É melhor se acalmar se não quiser tornar sua situação ainda pior. — Rumple a avisou, começando a mover o tecido do vestido de Regina de volta para baixo, para cobrir sua nudez. — A maldição está quebrada, assim como eu te disse antes.
—Como pode estar quebrada se minha criança está morrendo dentro de mim por nenhum outro motivo?
—O problema é outro. Seu bebê tem magia, — magia clara como água. Ele é fruto de almas gêmeas, não é de se espantar que tenha tanto poder…Mas você está o corrompendo. Sua magia é negra e poluída, e seu corpo está tratando o bebê como se ele não pertencesse a esse lugar. Seu corpo está o expulsando para fora.
Regina o olhou espantada, sentindo uma dor muito mais forte do que a que sentia em seu útero bater em seu coração. O ar parecia ter escapado para fora de seus pulmões, por que, de repente, ela se via com dificuldades para respirar. Já era ruim o bastante pensar que ela perderia seu bebê por causa de uma poção estúpida que ela tinha tomado em um momento de raiva; mas isso— perder seu bebê porque sua magia negra e suja estava o matando -, era ainda pior. Seu peito doía tanto que ela pensou que fosse desmaiar novamente. Regina se lembrou de como sua magia se tornou ainda mais negra depois do massacre e isso fez lágrimas rolarem por seu rosto sem sua permissão. O bebê estava morrendo e isso era culpa dela.
Rapidamente, ela espalmou sua mão sobre sua barriga, se perguntando se ele poderia sentir dor como estava acontecendo com ela e desejou que ele fosse pequeno demais para conseguir ter qualquer sensação. Ela queria tanto que Robin estivesse com ela que se sentia capaz de realizar outra viagem com magia apenas para vê-lo, por que não se sentia capaz de lidar com isso sozinha. Ela se virou para Rumple mais uma vez e não conseguia evitar as palavras de rolarem por seus lábios novamente.
—Por favor...
—Minha magia é tão negra quanto a sua, Regina. Se eu tentasse o curar agora, iria apenas acelerar sua morte.
—Você me disse um dia que qualquer pessoa poderia praticar magia. — Belle disse, de repente, interrompendo a troca de olhares infinitos de Rumple e Regina. — Eu não poderia o fazer agora?
—Regina já nasceu com afinidade com a magia e demorou meses para conseguir executar um feitiço de cura perfeitamente. Você não vai conseguir ajudá-la tão cedo.
—Talvez não precisemos o curar... Talvez, só precisemos impedir que a magia negra chegue até ele. — Belle mordeu o lábio inferior, lembrando-se de todas vezes em que a prenderam em algum canto; seu pai, costumava a trancar em seu quarto quando ela era pequena, para que ela não voltasse a esfolar os joelhos brincando como moleque no jardim, assim, a mantendo segura;
Rumplestiltiskin, a prendeu em sua cela nas masmorras diversas vezes, mas a última delas tinha sido por um motivo em especial, ele a jogou lá por que estava furioso demais para lidar com ela e a manter por perto seria perigoso, então ele a colocou em segurança, embora ele tinha valores distorcidos sobre isso, — assim como várias outras coisas em sua vida;
E Regina, que a prendeu em uma torre alta e escura, onde Belle esteve sozinha, porém, segura, até que um guarda a destrancasse de lá e tentasse a violentar.
Seu pensamento era simples, mas soou estranho em sua voz.
—Talvez devêssemos trancar o bebê. — Ela disse, molhando os lábios secos com sua língua. — Mantê-lo em um casulo, protegido da magia negra de Regina, até que ele seja maduro o suficiente para sair de lá por conta própria.
—Isso seria algo complicado demais para você realizar, Belle... — Rumple disse e os olhos de Regina se fecharam novamente, sabendo que ele estava certo.
—Rumple, eu não precisaria fazer isso. Você não precisaria lançar o feitiço no bebê, e sim em volta dele. Sua magia nunca iria o atingir, tecnicamente.
O Senhor das Trevas olhou para a princesa, surpreso. Ele tinha uma centena de anos a mais que Belle mas ela conseguia ser mais esperta que ele em certas ocasiões. Ele não precisou pensar muito para entender que a saída inteligente que ela tinha apresentado nunca passou por sua cabeça por que ele não tinha nenhuma intenção de manter a gravidez de Regina segura. Ele era indiferente quanto a essa questão, por que era um contratempo para seus planos futuros. Robin Hood tinha feito uma grande bagunça e a criança só piorava tudo.
A situação de Regina era extremamente frágil, e mesmo que ele fizesse um feitiço de proteção, não poderia garantir que a gravidez fosse segura até o estágio final. O casulo mágico seria apenas uma provisão, um tapa buracos, qual ele nunca saberia quando deixaria de ser útil. Mesmo assim, ele se animou, sabendo que dessa forma sempre teria controle sobre algo que era importante para Regina.
—Você está certa. — Rumple balançou a cabeça em concordância. — Pode funcionar, mas eu não tenho nenhuma garantia, no entanto.
—Faça.— Regina sussurrou, apelativa, embora algo em seu subconsciente gritava para ela o quanto aquilo poderia dar errado. Era Rumplestiltiskin, afinal. Ele a ajudaria apenas se soubesse que ela poderia pagar seu preço, e por essa situação, ela sabia que não seria barato.
E, assim, ele fez.
Regina fechou os olhos com força enquanto deixava Rumple executar um feitiço ao redor de seu ventre. Ela se sentia fraca e estúpida, mal conseguindo admitir para si mesma que o Senhor das Trevas conseguia fazer algo bom para seu filho enquanto ela mesma só o destruía. Era doloroso e a fazia se sentir insignificante, mas ela tomaria a mesma decisão um milhão de vezes, se fosse preciso. Ela não destruiria a vida inocente que crescia dentro dela assim como destruía todo o resto ao seu redor. Ela escolheria salvá-lo mesmo que isso significasse sua própria morte, por que ela não era digna dele.
Ela sentia falta de Robin com uma intensidade tão grande que traziam lágrimas aos seus olhos. Ela mal tinha estado com ele nas últimas semanas e os acontecimentos recentes fazia parecer que estavam ainda mais distantes. Ela desejou que ele estivesse ali, mesmo que fosse egoísmo de sua parte, por que ele tinha que cuidar de Roland, — que também acabara ferido, por culpa dela.
Regina sentiu falta dos dias antigos em seu castelo, quando tudo parecia tão simples e seu coração era aquecido pelo riso fácil que vinha de Roland e os beijos lentos que Robin depositava em seus lábios. Era difícil acreditar em como tudo isso tinha mudado de forma tão rápida e trágica. Ela desejou poder voltar no tempo, para talvez conseguir mudar alguma coisa.
Quando Rumple terminou seu serviço, ele teve que chamar Regina de volta para a realidade. Ele já tinha a visto dessa forma poucas vezes durante todos os anos que a conhecia e, embora ele não devesse se importar, era desconfortável, e ele queria que ela sumisse de seu campo de visão o mais rápido possível para o sentimento parasse.
Belle ajudou a Rainha a se sentar e amarrou seu corset de volta ao lado do corpo dela, tentando a deixar apresentável. Regina a olhou de forma estranha, fraca demais para tentar iniciar qualquer conversa, e a princesa não deu sinais de que quisesse discutir também.
A verdade é que Regina nunca tinha dado a ela qualquer atenção. Somente a jogou em uma torre e a deixou presa e sozinha durante anos, não era como se elas tivessem muito a conversar. Regina tinha cometido um erro e estava ciente disso, assim como Belle.
—Obrigada. — Regina disse fracamente, se virando para ela e a encarando nos olhos. Belle lhe deu um olhar frio e Regina não podia a culpar por isso.
—Eu não fiz por você. — A princesa a respondeu, com certa amargura em sua voz.
Regina olhou para Rumplestiltiskin, se perguntando quando ele tentaria matá-la, mas nada veio. Ele tinha um olhar vazio em seu rosto quando olhou para ela e analisou sua aparência.
—Acredito que isso tenha sido bem difícil para você. — Regina disse a ele, ansiosa para quebrar o silêncio desconfortável.
—Eu pensei que seria mais do que realmente foi. — Ele confessou e finalmente abriu um pequeno sorriso, qual Regina sabia que não significava coisas boas. — Mas você sabe, tudo vem com um preço.
—Eu o pagarei quando tiver certeza que meu filho está seguro. — Regina sibilou e pulou para fora da mesa onde estava sentada. Ela ainda sentia um pouco de dor, mas era fácil de ignorar.
—Ela não lhe deve coisa alguma, Rumplestiltiskin. — Belle intrometeu na conversa, cruzando seus braços fortemente sobre seu peito. — Eu pedi que ajudasse a criança, eu pedi que fizesse isso por mim.
—Você vai continuar a protegendo? Ela tem que pag-
—Acho que já falamos o suficiente sobre isso. — Ela o interrompeu, discordando de seu ponto de vista novamente. — Se Regina deve algo a alguém, a vida ira lhe cobrar de forma justa. Não cabe a mim ou a você a prejudicar de qualquer forma pelo que ela me fez fez. E o que você fez hoje, foi para a criança. E eu pedi que fizesse por mim, então se pretende cobrar qualquer preço, sou eu quem deve pagá-lo.
—É melhor você escutar sua namorada. — Regina se virou para ele em um tom levemente provocativo, embora não estivesse falando sério. Ela não deixaria que Belle pagasse qualquer preço em seu lugar, por que a magia foi feita para seu filho e ela já estava cansada de se sentir impotente sobre ele. Regina aceitaria o preço de Rumplestiltiskin, por que dessa forma poderia se redimir para o bebê, que quase morreu por causa dela.
—Vocês dois são impossíveis. — Belle olhou para Regina, não totalmente surpresa pelo que ela tinha dito. — É difícil acreditar que duas pessoas adultas ajam dessa maneira tão estúpida e infantil. Eu não quero fazer parte disso, Rumplestiltiskin.
—Belle, eu sinto muito...
—Eu não. A única coisa que eu sinto agora é arrependimento. Eu não devia ter vindo para cá. — Belle balançou sua cabeça levemente, tentando colocar suas ideias no lugar. — Eu vou ir embora.
—Embora? Belle, aqui é sua casa. — O Senhor das Trevas se moveu em direção a ela, que recuou levemente para trás.
—Não, não é. Minha casa é bem longe daqui e você me tirou de lá. A cada novo dia você me prova que não mudou e nunca ira mudar. Você é cruel, Rumple... Você ia deixar a criança de Regina morrer sem ao menos sentir remorso por isso. E agora você quer cobrar de uma mãe um preço por ter salvo a vida de seu bebê. Eu pensei que você conseguisse entender esse tipo de sentimento depois de tudo que passou com seu filho… Não importa mais. Eu estou livre, não estou? Você me disse hoje mesmo. Eu estou livre e estou indo para minha casa.
—--
Regina olhou ansiosa para a grande mansão a sua frente. Ela estava de volta para casa, depois do seu terceiro tele-transporte mágico do dia, sendo o último realizado pela magia de Rumplestiltiskin. Ela se lembrou de como ele tinha ficado letárgico enquanto percebia que Belle estava o deixando. Ele não a impediu, assim como não foi capaz de dizer mais nenhuma palavra para Regina até que ele decidiu a mandar de volta para a casa com um pequeno estalar de seus dedos.
Ela agradeceu mentalmente por ele a ter enviado, mas sabia que seu silêncio era pior que qualquer ataque de raiva. Se ela o conhecia bem, ele provavelmente iria prejudicá-la ainda mais a partir de hoje, mas Regina decidiu não se preocupar no momento.
O alívio por finalmente estar de volta era tão grande que ela não conseguiu controlar as lágrimas silenciosas que começaram a descer por sua face. Ela se sentia suja e cansada, e, por mais que quisesse entrar logo para dentro da mansão e encontrar Robin, algo a impedia.
Ela não estava com coragem para o encarar, mesmo que soubesse que ele nunca iria a julgar por tudo que tinha acontecido.
O pôr do sol estava em seu tom favorito, rosa alaranjado, e ela se permitiu ficar olhando para extensão do céu enquanto se acalmava. Ela não poderia ficar do lado de fora para sempre, se escondendo como uma covarde, ela sabia bem. Mas fechou os olhos e respirou profundamente o ar das montanhas, se encostando contra parede bege da mansão.
Regina colocou sua mão para baixo, pairando sobre seu ventre como estava acostumada a fazer e acariciou levemente.
—Eu sinto muito. — Ela sussurrou, olhando para baixo, e seus olhos foram tomados por lágrimas novamente. Regina limpou o choro com uma mão e ergueu sua cabeça, olhando para o pôr do sol por uma última vez, antes de fazer seu caminho para dentro da grande casa.
O clima silencioso era uma característica da casa de seu pai qual Regina estava acostumada. Mesmo hospedando Robin e Roland, isso não mudou, o que a fez imaginar que o menino ainda estava de cama e o pai deveria estar pairando ao redor dele, ansioso para quando ele estivesse completamente curado.
Regina caminhou suavemente em suas botas, tentando não chamar qualquer atenção para si. Ela seguiu até o seu antigo quarto, onde Roland estava hospedado e deu dois toques leves contra porta de madeira, para anunciar sua chegada, e finalmente a empurrou.
Correndo os olhos rapidamente pelo quarto, ela descobriu que Roland deveria ter sido movido, pois ele não se encontrava em lugar nenhum. Em vez dele, quem estava presente era Robin, encostado no batente de uma janela e observando o lado de fora. Ele se virou para a encará-la com um sorriso tranquilo, que foi rapidamente substituído por um olhar desesperado.
—Regina, o que aconteceu com você? — Ele suspirou, caminhando em sua direção vagarosamente e segurando seu rosto com suas duas mãos assim que ele estava perto o suficiente.
—Eu estou tão horrível assim? — Ela tentou sorrir para não o deixar muito preocupado, mas estar finalmente próximo dele novamente a fazia se sentir emotiva. Ela culpou a gravidez por sua falta de controle sobre sentimentos, se lembrando de alguém ter a dito, a muito tempo atrás, que mulheres grávidas geralmente se tornam dramáticas.
—Você está chorando. — Robin a respondeu, limpando suas lágrimas suavemente com as palmas das mãos. Regina mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para baixo, incapaz de encará-lo. — As coisas não foram boas no castelo de Branca? Você demorou tanto! Eu disse a seu pai que se você não voltasse até o cair da noite eu iria pegar um cavalo e ir buscá-la eu mesmo. — Ele confessou, a segurando pelo queixo para a convencê-la a o olhar. — O que foi, amor? — Ele pediu mais uma vez, suplicante.
—Eu só... Foi um dia muito longo. Eu senti sua falta. — Ela admitiu, sentindo seus olhos arderem.
Regina enterrou sua cabeça no peito de Robin, permitindo que ele a embalasse em seus braços e apertasse seu corpo contra o dele fortemente. Ele sussurrou em seu ouvido que tinha sentido falta dela também e beijou o topo de sua cabeça suavemente. Robin sentia seu peito ser esmagado a cada soluço que estremecia o corpo de Regina, ele queria a perguntar o que estava errado, mas decidiu dar a ela seu próprio tempo, e a abraçou mais apertado contra seu corpo.
—Como está Roland? — Ela perguntou depois de um longo tempo, levantando sua cabeça timidamente para conseguir o olhar nos olhos.
—Ele está bem. Seu pai o levou para ver os cavalos faz algum tempo... Aquela pomada realmente ajudou com o ferimento, muito rápido.
—Isso é bom. -Ela sussurrou, e deitou a cabeça na curva do ombro de Robin, depositando um beijo casto em seu pescoço. — Eu senti falta de vocês dois.
—Ele perguntou por você durante todo o dia. — Robin garantiu, e levou uma das mãos até o cabelo de Regina, para o acariciar levemente. — Como foi com Branca?
—Ela está bem, espero que esteja casada a essa altura. — Ela o respondeu com um suspiro. — Mas eu tive algumas complicações.
—O que aconteceu? — Ele perguntou, a afastando pelos ombros para conseguir a ver melhor.
—Eu irei lhe contar... Eu só preciso me acalmar um pouco. Será que você pode me ajudar com um banho? — Ela pediu, um pouco temerosa.
Robin apenas deu um beijo longo em sua testa e outro em seus lábios, antes de a puxar levemente pela mão para fora daquele quarto e a levar até o quarto de hóspedes onde eles tinham passado a noite. Ele a deixou esperando sentada na cama enquanto acendia a lareira e enxia um grande caldeirão com água para o banho. Ele não perguntou a Regina o motivo dela não executar sua magia para encher a banheira com água rapidamente como costumava fazer. Enquanto a água esquentava, ele veio para o lado dela na cama e a abraçou contra seu corpo novamente, beijando o topo de sua cabeça e suas bochechas, para a lembrar que ele estava ali.
Quando a água estava finalmente quente, Robin a despejou na banheira vazia e preencheu o resto com água fria, para deixar agradável para Regina.
—Você quer alguma colônia? — Robin a perguntou, puxando-a pela mão para que ela ficasse de pé.
—Não precisa. — Regina conseguiu sorrir levemente e se virou, deixando ele trabalhar nas amarrações do corset que Belle tinha feito. Ela prendeu o ar quando ele puxou o vestido para cima de sua cabeça, sabendo que agora ele seria capaz de vez o sangue seco que estava em suas pernas e roupas de baixo. Seu coração se acelerou, mas ela se esforçou para se manter calma. Não poderia evitar conversar sobre o que tinha acontecido, já que Robin era o pai e merecia saber toda a verdade. Ela se virou de frente para ele e esperou.
—Regina...-Ele sussurrou seu nome como um pedido desesperado assim que encontrou a mancha de sangue na frente de sua camisola branca. — Amor, o que é isso?
—As complicações que eu tinha falado... Foram com o bebê. — Ela admitiu. — Eu iria perdê-lo. Mas não precisa se preocupar, não mais. Eu consegui reverter a situação.
—Perdê-la? O que aconteceu com ela? — Robin pediu novamente, mais exigente dessa vez e Regina sentiu como se estivesse prestes a chorar novamente.
—Meu corpo não era adaptado para o bebê. Ele não estava o aceitando muito bem... O bebê tem magia, Robin. Ele tem magia branca, que não combina muito com a minha negra. Isso estava o matando. Eu levei Branca até o castelo e imediatamente comecei a me senti doente. Depois, senti o sangue e soube que algo estava errado com nosso filho. Eu me sentia fraca e com uma forte dor em meu ventre... Eu fui para Rumple em seguida, para pedir ajuda.
—Eu sinto muito. — Robin sentou-se na beira da cama e puxou Regina para seu colo, desejando mantê-la protegida em seus braços para sempre. Ele não conseguia encontrar palavras suficientes em seu vocabulário pobre que fossem capazes de consolar Regina e não a deixar parecer tão quebrada. Vê-la dessa forma e não conseguir tirar toda a dor dela e tomar para si mesmo, só para que ela não precisasse sofrer, o fez se sentir um inútil. — Eu queria estar com você quando aconteceu, eu sinto muito.
—Eu não o perdi. Mas eu quase... Eu quase matei nosso filho. Minha magia estava o negando e o poluindo. Rumple fez um feitiço de proteção, para que isso não aconteça mais, mas ele não pode me garantir se é completamente seguro.
—Não é sua culpa, Regina. Nunca se culpe por isso. — Ele pediu, fazendo movimentos suaves nas costas dela, querendo afagar seus soluços. — Se você o perdesse, seria uma fatalidade, mas não seria por sua causa. Eu queria tanto não ter a deixado sozinha.
—Eu sai por conta própria, por Branca... Você não me deixou.
—E eu nunca irei. — Robin sentiu seus olhos arderem, mas se negou a deixar as lágrimas caírem. Ele deveria ser forte por Regina, e não o contrário, principalmente depois de tudo que ela tinha passado.
Ela nunca o deu detalhes de quão desesperada ela ficou, ou de quanta dor ela sentiu, ou de como ela desejou com todas as suas forças que Robin estivesse com ela. Ela não queria que ele se sentisse tão mal quanto ela, mas pode ver que ele lutava contra suas próprias lágrimas.
Ele a colocou no chão novamente e se apressou em tirar suas roupas sujas de sangue, ansioso para se livrar daquelas marcas que trouxeram a Regina tanta dor. Depois, Robin a conduziu para o banho, e quando ela estava acomodada dentro da banheira, ele ajoelhou-se ao lado dela e trouxe longos cabelos dela para cima e os prendeu desajeitadamente em um penteado que nunca poderia ser chamado de coque.
—Eu provavelmente deveria praticar mais antes de ajudar a cuidar dos cabelos da menina. — Ele disse a ela, olhando para seu penteado desastrado.
—Pode ser um menino. — Ela o avisou calmamente, feliz por ainda poderem discutir sobre o sexo do bebê já que ele ainda estava dentro dela.
—Podem ser gêmeos. Um de cada. — Ele deu de ombros e Regina sorriu.
—Eu vou ser mãe. — Ela disse as palavras em voz alta pela primeira vez e olhou para ele de forma carinhosa. — Estou aterrorizada.
—Você não tem motivos para ter medo. Tenho certeza que será uma boa mãe e cuidara da criança tão bem quanto cuida de Roland. — Robin acariciou a pele macia do rosto de Regina lentamente e se curvou para beijá-la nos lábios. Suas línguas se encontraram de forma suave em um beijo lento que ele desejou que nunca acabasse. Regina acabou se afastando, entretanto, em busca de um pouco de ar. Ela roçou seu nariz no dele delicadamente e voltou sua atenção para a água, ansiosa para estar limpa.
Robin levantou as mangas de sua camisa até os ombros para que não se molhassem e enfiou suas mãos para dentro da banheira, sendo recebido pela água morna. Ele esfregou a pele de Regina até que todo sangue saísse e se tornasse padrões de borrões rosados dentro da banheira.
Ele lamentou mais uma vez pelo que tinha acontecido, falhando em não se culpar por não estar com ela em um momento tão horrível. A dor em seu peito por vê-la de maneira tão triste era uma dor que ele nunca poderia ignorar e estava o consumindo rapidamente.
Ele prometeu que seria melhor, para as crianças e para Regina. Prometeu que não os deixaria sozinhos nunca mais e que os protegeria de qualquer maldade. Ele iria os manter seguros.
As palavras eram fáceis em sua mente e ele preferia morrer no lugar de descumprir essa promessa.
Robin Hood, era conhecido por ser um homem de honra, afinal.
Fale com o autor