Fire Keeper

23 Capitulo 22 - Snow Falls


Notas iniciais
Demorei, mas cheguei. Me desculpem. :X Amo vcs ♥ Pra qualquer xingamento, me procurem no twitter haha: @lolarrilla

Branca de Neve observava as camareiras passarem por ela, apressadas, carregando montanhas de tecidos para o lado de fora do quarto. Ela estava mais nervosa do que quando fora perseguida por um caçador que estava com a intenção de arrancar seu coração. Era o dia de seu casamento.

Um dia depois dela ter recebido a informação que o castelo de Regina tinha sido atacado.

Durante todo o tempo depois que acordou da maldição, Branca pensou que Regina viria até ela. Ela pensou que quem daria o primeiro passo seria sua madrasta, por isso esteve se preparando para revidar ou para se proteger. Nunca passou pela sua mente que o povo, seu povo, teria ousadia bastante para invadir os limites de Regina e fazer um motim em seu castelo.

Não era o que Branca esperava ou queria, mas tinha acontecido. E o que mais a deixava aflita era não ter notícias da Rainha Má até o momento, pelo menos, nada além do relato do que aconteceu no castelo, contado pelos poucos que sobreviveram. Regina tinha torturado e aniquilado dezenas de pessoas, como ela costumava fazer. Mas dessas vez fora diferente... Regina fizera tudo com suas próprias mãos. Sem guardas, sem cavaleiros. Ela fora seu próprio exército. Pensar sobre isso fez um arrepio correr pela espinha de Branca e ela teve que respirar fundo para se controlar.

Ela não sabia que o que pensar sobre o ocorrido, afinal só tinha escutado um dos lados da história; o lado que, por hora, ela considerava o errado. E sentia que era por sua culpa.

Desde que anunciou ao povo que a maldição de tinha sido quebrada e que ela iria tomar de volta o reino, um incêndio se ideias alastrou rapidamente na floresta encantada. Ideias conspiratórias contra Regina, é claro. Seu reinado de horror teria que chegar ao fim. Mas Branca nunca considerou a possibilidade do povo atacá-la.

Branca de Neve queria conversar. Como Regina fizera quando a levou para um sono quase eterno.

A princesa olhou para seu vestido de noiva pela milésima vez naquele mesmo dia e esticou a mão para tocar o tecido macio. Parecia errado vesti-lo. Parecia errado comemorar sua união com Charming quando uma revolta estava instalada do lado de fora dos muros seguros do castelo em que estavam. Uma revolta causada por ela.

Branca respirou fundo mais uma vez. O grande quarto que prepararam para ela se arrumar para seu noivado agora estava vazio, mas logo Ruby chegaria para a ajudar com o vestido e o penteado.

Ela não conseguiria. Ela não podia. Não podia beber e dançar, fingindo que estava tudo bem, quando na verdade não estava. Branca sentia que nunca poderia dar outro passo em sua vida enquanto seus desentendimentos com Regina não estivessem resolvidos e seu reino estivesse em paz.

–Respire fundo — ela sussurrou para si mesma. — Você precisa vê-la.

Mas ela não podia.

Não poderia deixar Charming esperando no altar para o resto da sua vida, afinal as probabilidades de Regina matá-la na primeira oportunidade que tivesse eram altas.

E claro, se Branca dissesse a ele que queria conversar com sua madrasta ele nunca concordaria, por querer protegê-la. Porque ele a amava e esse era seu instinto, mas Branca sabia que por vezes sua proteção poderia acabar sendo demais e ela teria que tomar algumas decisões sozinha. Incluindo essa.

A princesa ponderou, pensando no amor de Charming e no ódio de Regina. Tão opostos. Ela ainda conseguia sentir compaixão por sua madrasta, diferente de Charming, que não a suportava.

Pensando nisso, ela conseguiu se lembrar de alguém, que assim como ela, se preocupava com Regina. E a amava.

Robin Hood.

Ela tinha o conhecido em uma taverna a algum tempo atrás, e mesmo sendo um breve encontro, ela conseguiu perceber que ele sustentava sentimentos por sua madrasta. Também tinha Henry, pai de Regina. Branca sabia que ele a amava mais que sua própria vida, mas esse era exatamente o problema dele. Henry faria de tudo por Regina, inclusive denunciar Branca.

Tinha que ser Robin. Branca precisava falar com ele, para entender o que tinha acontecido com Regina no castelo antes de tomar qualquer decisão. Antes de se casar com Charming e se tornar a nova Rainha daquele povo. Afinal, destronar Regina, assumindo poder não só pelas terras do antigo rei George como também as dela, seria uma afronta imensa.

Branca tinha algumas horas antes do casamento, para conseguir voltar a tempo, ela precisaria de um transporte rápido. Algo como magia.

A Fada Azul.

–--

Robin acordou mais tarde do que queria, mesmo sabendo que seu corpo precisava de um descanso, por ter passado o dia anterior inteiro sem dormir, ele queria levantar cedo para cuidar de Roland. Ele suspirou pesadamente, abrindo seus olhos.

Regina dormia tranquilamente aninhada em seus braços, suas pernas entrelaçadas as dele de modo que causaria algumas dores quando levantassem, mas ele não se importava, apenas a apertou mais contra seu peito, conseguindo sentir toda maciez de sua pele nua contra a dele.

Ele sorriu, esticando o pescoço para cheirar os cabelos negros da rainha.

Ela era maravilhosa e ele não se cansava de pensar sobre isso. Robin acariciou as costas de Regina, se lembrando de como suas mãos estavam apertando fortemente aquele local durante a madrugada, enquanto ela rebolava em seu colo.

A lembrança o arrancou uma risada deleitosa, que fez seu peito tremer e Regina espreguiçar-se, seu sono tinha sido perturbado.

Ela o olhou sonolenta, tentando descobrir porque ele a encarava sorrindo daquela maneira.

–O que foi? — Ela perguntou, com a voz rouca de sono, o que fazia parecer que ela não estava de bom humor. Robin apenas sorriu ainda mais.

–Não queria te acordar, me desculpe. — Ele beijou sua testa e voltou a olhá-la, encantado. Ele via algo de especial em suas sobrancelhas franzidas e seus olhos apertados, lutando contra a luz, e seu cabelo que ele próprio tinha desgrenhado na noite passada. Ela ficava ainda mais linda com seu corpo suado, cheirando a sexo e sua boca aberta, gemendo o nome dele. Robin estremeceu, a apertando mais contra si, enquanto as lembranças da madrugada afloravam em sua mente.

–Está tarde? — Ela quis saber, esfregando um dos olhos e deixando um bocejo escapar de sua boca.

–Um pouco, eu acho.

–Precisamos ir ver Roland. — A voz dela finalmente saía clara, parecia estar mais acordada. Regina desvencilhou-se de seus braços e sentou-se na cama, deixando o lençol escorregar para baixo de seu corpo e seu torso ficou exposto.

Robin admirou o formato dos seios, suspirando ao ver os bicos ficarem duros por causa da mudança repentina de temperatura.

Ele se perguntou se ela sabia o quanto excitante ela era e como o deixava louco até nos momentos mais inadequados.

–Precisamos mesmo. — Ele respondeu, com seu coração apertado. Ele queria ver seu filho, assim como queria derrubar Regina de volta na cama e beijar todo seu corpo. Era uma escolha difícil.

–Mas antes, um banho seria bom.

–Eu posso ajudá-la novamente, sabe. — Robin se alegrou com a possibilidade.

–Se for uma ajuda como à de ontem vamos demorar a sair desse quarto. — Ela mordeu o lábio inferior, tentada a aceitar.

–Hmmm. — Robin murmurou, concordando com ela.

Ele não conseguia resistir ao jeito que ela mexia seu corpo.

Rapidamente, ele a fez deitar-se novamente e se colocou por cima dela, feliz por já estarem nus. Ela não o impediu, sentia que poderia ficar ali por dias inteiros e não se cansaria.

Os lábios de Robin provocavam reações instantâneas enquanto desciam por seu corpo quente. Ele sugou um de seus mamilos sensíveis e Regina suspirou, ela definitivamente não iria tomar banho agora.

Ela gostava de como seus corpos se moviam com tanta sincronia e se encaixavam com tanta facilidade, como se fossem moldados um para o outro. Ele era perfeito e ela não conseguia evitar de abraçar o corpo dele com suas pernas, o trazendo para mais perto e puxar seus cabelos, para conseguir colidir seus lábios contra os dela. Robin ofegou em meio ao beijo, tentando a beijar tão profundamente quanto fosse possível e o gosto dela o deixava louco.

Ele desvencilhou seus lábios e mudou seu foco para o pescoço febril de Regina, beijando e sugando a pele macia. As pernas dela ao redor dele, forçavam seu membro duro contra a sua barriga e Robin queria entrar em suas partes quentes e escorregadias naquele momento, mas conteve sua ansiedade, fazendo seu caminho de beijos para mais abaixo em seu corpo.

Ele adorava aquilo. Adorava invadir a parte mais íntima de Regina com sua boca, explorar suas dobras macias com sua língua e sugar seu pequeno botão de nervos até que ela gritasse de prazer. O gosto dela era maravilhoso e seu cheiro o atraía de uma maneira inexplicável; Robin mordeu seu lábio inferior, olhando para cima. Ele estava entre as pernas dela e a visão do corpo nu de Regina naquele ângulo o fazia salivar. Ela o olhou de volta, ansiosa e deu um gemido irritado, ela o queria logo. Ele riu, entendo o recado e lambeu levemente a vagina de Regina, apenas por tempo suficiente para deixá-la louca. Regina arqueou seu corpo e moveu seu quadril, logo sentindo beijos salpicarem por sua pele, antes da linguá quente de Robin invadir o espaço entre sua pele e atingir seu clitóris. Seu fôlego se perdeu em algum lugar daquele quarto e ela tentou não gritar enquanto Robin continuava a estimulando.

Regina agarrou seus fios claros, rebolando seu quadril para intensificar as sensações que faziam todo seu corpo vibrar.

–Robin..- Ela sussurrou, esperando que ele entendesse que era um pedido de misericórdia. — Por favor.- Ela choramingou. Sabia que não iria aguentar por muito tempo e ele não estava facilitando as coisas para ela.

Como resposta, ele apertou levemente as coxas grossas de Regina e aumento o ritmo dos movimentos de sua língua. Robin se sentia cada vez mais excitado por ver Regina se contorcendo embaixo de seus lábios, ele queria possuí-la de todas as formas possíveis, até estar completamente bêbado pela beleza daquela mulher.

Regina mordeu o lençol para conter um grito quando o prazer no meio de suas pernas se tornou tão forte a ponto de fazer suas pernas tremerem e seus pés formigarem. Ela riu, se deixando levar pela sensação que o orgasmo a dera. Robin levantou seu rosto, lambendo seus lábios já molhados pelo líquido de Regina e ela mal tinha forças para abrir seus olhos.

Robin não a deu tempo para descansar, ele ainda queria a sentir quente e pulsante ao redor dele. Rapidamente, o ladrão se colocou na altura do rosto de Regina novamente, beijando seus lábios. Ele se posicionou de forma que seu membro rígido encostava na entrada molhada de Regina, mas ela contraiu-se, o empurrando pelo peito. Ele a encarou.

–Minha vez. -Ela disse simplesmente, o encarando maliciosa e o empurrou para a cama com facilidade. Robin desconfiava que Regina era muito mais forte que uma mulher de seu tamanho deveria ser, mas ele não discutiu. Ele não conseguira discutir, não quando ela engatinhava, trêmula, pela cama, tentando encontrar a melhor posição para ficar em cima dele.

Robin gemeu em antecipação, enquanto Regina mordia o lóbulo de sua orelha e encostava seu sexo no dele, forçando a entrada tão lentamente que quase o fazia chorar, para depois tirar, sem nenhuma cerimônia. Ele gemeu, frustrado e ela apenas riu em sua orelha.

–Calminho.- Ela pediu e mordeu seu lábio.

Robin sabia o quanto ela gostava de provocá-lo.

Ele respirou fundo e ela se tornou brasa; escorrendo por seu corpo e queimando cada pedaço de sua pele exposta, sem nenhum pudor. Regina beijou a pele abaixo de seu umbigo olhando para cima, para os olhos dele; um mar azul de amor e luxúria e apenas aquilo a fazia sentir seu corpo flutuar. O coração dela parecia estar sendo esmigalhado em seu peito e ela se perguntou se seria essa a sensação que suas vítimas sentiam quando ela lhes arrancava o coração em meio a um batimento e outro. Ela nunca iria entender por que um sentimento que deveria ser tão bom quanto o amor tinha que doer tanto — e por que essa dor a deixava tão desesperadamente feliz.

Ela respirou fundo, absorvendo cada gota do mar dos olhos de Robin que pareciam querer afogá-la, e seu corpo estava tomado em chamas, fervendo seus lábios a medida que ela tomava posse do corpo de Robin Hood, nomeando cada centímetro de pele com o gosto de sua língua.

Ela gostava de senti-lo tremendo embaixo dela, segurando em seus cabelos para encontrar algum equilíbrio, enquanto ela lambia e sugava e chupava seu sexo, saboreando sua pele salgada e quente. Robin focou seu olhar em Regina, mas ela tinha fechado os olhos, enquanto movia sua boca macia para cima e para baixo em seu pênis e ele mal conseguia se conter. A mulher o deixava louco, literalmente. Ele se esforçou para não gemer alto demais, mordendo seu lábio inferior até que doesse e segurando os cabelos de Regina fracamente, tentando não machucá-la.

–Regina. — Ele chamou, urgente. Se ela continuasse daquela forma, ele não conseguiria se controlar. Ela não parou. -Regina...- Ele pediu novamente, segurando-a pelos cabelos mais forte dessa vez, para a tirar de perto.

–Ops. — Ela sorriu para ele, levantando a cabeça e o deixando ver seus lábios brilhantes. Robin observou enquanto suas feições mudavam de um sorriso brilhante para uma careta contorcida. Ela resmungou, se levantando rapidamente e colocando uma mão sobre a boca. Robin resmungou com ela, entendendo o que estava acontecendo.

Coisas de gravidez.

Regina se levantou da cama, pisando fortemente em uma das coxas de Robin e ele grunhiu, sentindo sua excitação sumir rapidamente. Ele se levantou para ir atrás dela, mesmo sabendo que ela não gostaria de ser vista neste estado.

–Eu te ajudo com isso. — Ele disse suavemente, segurando os cabelos de Regina enquanto ela se debruçava sobre um bacia de ferro que estava em uma das bancadas de mármore.

Ela balançou a cabeça para negar, mas não conseguiria o impedir. Robin a deu seu tempo, segurando os cabelos longos e acariciando suas costas, para acalmar seu corpo trêmulo.

–Não acredito nisso. — Regina reclamou, limpando a boca com as costas de uma das mãos.

–Você não devia passar tanto tempo sem comer... — Robin disse, se amaldiçoando por ter começado tudo aquilo. -Eu vou preparar algo pra você, tudo bem? — Ele beijou suavemente a cabeça dela e acariciou seu ventre. Regina assentiu, com suas bochechas quentes. Ela sabia que esse tipo de coisa poderia acontecer a qualquer momento, mas definitivamente não estava preparada, o que a fez se perguntar o que mais de assustador sobre gravidez ela iria aprender nos próximos meses.

Robin deixou o lavabo e Regina não tinha ideia de como ele iria preparar comida para ela se ele mal conhecia a casa, mas não queria o questionar — e nem dizer que não estava com vontade de comer coisa alguma, não quando ele estava sendo tão gentil. Robin sempre era gentil, aliás, e ela não queria soar rude. Não para ele.

Ela acariciou sua barriga nua e sorriu, desejando que o bebê ali dentro soubesse que estava tudo bem. Ela olhou para a banheira, ansiosa para tomar um banho.

–--

Robin se vestiu tão rápido quanto pode e foi para fora do quarto, finalmente se lembrando da presença de Henry. Sera que ele tinha ouvido algum barulho estranho vindo do quarto de hóspedes? Robin mordeu o lábio, controlando um sorriso. Tomara que não.

Ele caminhou pelo corredor, ansioso para encontrar o quarto de Regina — onde Roland estava- enquanto terminava de colocar sua camisa para dentro da calça. A casa era surpreendentemente silenciosa e calma. Trazia uma sensação acolhedora, diferente do castelo intimidante de Regina, mas, ainda assim, ele preferia o palácio. Algo na escuridão e o cheiro de rosas daquele lugar o acalmavam, talvez por que lá ele conseguia sentia a presença de Regina em todo lugar.

Ele finalmente encontrou o quarto, que estava com a porta aberta, permitindo que ele espiasse cuidadosamente o interior. Roland ainda estava dormindo, ele estava mais cansado que todos, afinal, e Robin desconfiava que também poderia ser culpa dos remédios. O ladrão sorriu, observando os cachos grossos que o garoto herdara de Marian caírem desgrenhados sobre seus olhos, e tudo que Robin podia ver do pequeno rosto era o nariz fino e a boquinha meio aberta. O coração de Robin se aqueceu com o amor que sentia por seu filho tomando conta de suas emoções.

Robin estava prestes a fazer seu caminho de volta quando algo em um canto do quarto chamou sua atenção. Perto da penteadeira, Uma fumaça branca e brilhante vinha de lugar nenhum, primeiro, se parecendo com poeira entre os raios de sol, para depois crescer viva e pulsante, se contorcendo como algo vindo de outro mundo. Robin caminhou instintivamente para perto de Roland, se colocando entre a cama s a fumaça sinuosa. Algo o prendia ali, apenas olhando para aquela aparição sobrenatural.

Ele congelou sob seus próprios pés, observando a fumaça tomar forma até se tornar algo que ele julgava ser uma princesa amaldiçoada, surgindo branca como a neve em meio ao seu nevoeiro particular. Robin arfou, se dando conta de quem se tratava. Ele deu um passo para trás, sem saber realmente como agir.

–Oi, Robin. — Branca de Neve saudou com um sorriso nervoso.

–O que está fazendo aqui? — Ele perguntou, suas pernas se moveram sem sua autorização.

Mais um passo para trás. Mais um passo para Roland. Roland

Fique perto de Roland. Ele repetia para si.

–Eu só...- Branca olhou para curiosa para além do corpo de Robin, encontrando uma criança de cabelos revoltos dormindo profundamente em cima da cama. — Eu não vou machucá-lo. — a o tranquilizou. -Sinto muito por aparecer assim,mas era o único jeito. É seu filho?

–Sim. A criança que levou uma flechada de um de seus camponeses raivosos. — Robin soltou sem pensar, ao se lembrar do ataque no castelo de Regina. As informações que corriam pelo reino eram de que Branca estava liderando um motim.

–Oh, Deus... Eu... Ele esta bem? Eu sinto muito, Robin. Sinto muito. — Ela pediu, suplicante, se movendo com cuidado. -O ataque ao castelo de Regina... Não fui eu. Digo, fui eu, sim, indiretamente. Mas nunca iria encorajar pessoas a cometerem um assassinato organizado, se é isto que estavam planejando. Foi sobre isso que vim conversar.

–Regina está no final do corredor. Mas não tenho certeza que ira querer vê-la. — Robin disse de forma sincera. Ele sabia que Branca de Neve não era má pessoa e suspirou, não queria culpá-la.-Roland está bem melhor.

–Fico feliz que ele esteja bem. Mas eu vim para falar com você.

–Comigo?

–Sim. Me desculpe aparecer dessa forma estranha, mas eu não podia sair pela porta da frente do castelo. Hoje é meu casamento. — Ela sorriu levemente, mordendo o lábio inferior. Robin a olhava, curioso. — Tive que usar magia e tinha que ser indetectável já que o castelo está cheio de barreiras contra magia. Por isso eu virei essa... fumaça estranha.

–Oh...- Robin pensou sobre as barreiras contra magia e ele sabia que aquilo era para manter Regina do lado de fora. Ele não podia culpar Branca por isso. — Não devia estar aqui então.

–Sim, eu devo estar. Não posso simplesmente me casar fingindo que nada aconteceu com o povo desse reino... Foi uma catástrofe. E eu sinto que foi minha culpa. Eu sinto muito por todos eles, e por seu filho e por Regina. Eu precisava ver você, porque é o único capaz de me dizer como ela está. Ela própria nunca me confiaria isso.

Branca sentia suas mãos suarem enquanto Robin a olhava indiferente, de cima a baixo. Ela estava começando a reconsiderar sua visita. Talvez devesse apenas deixá-lo em paz para todo o sempre e a vida assim seria mais fácil para todos.

–Eu acho que vocês duas deveriam resolver suas pendências. — Ele disse, de repente, soltando sua respiração pesadamente. — Não quero que Regina viva desta maneira para sempre. Esse tipo de vida é miserável. E ela estava com essa intenção, Branca. No dia do ataque ela me disse que queria conversar com você... Mas, não posso falar por ela. Se quer saber como ela está devia perguntar pessoalmente.

–Ela pode me matar em um piscar de olhos. — Branca mordeu o lábio inferior, mania que tinha adquirido depois de observar muito sua madrasta.

Branca se lembrava de quando era criança e Regina se tornara para ela um exemplo de como agir. Sua mente inocente não a deixava perceber que sua madrasta a odiava, por isso continuava a seguindo pelo castelo, imitando seus gestos graciosos e as tranças no cabelo. Tinha até mesmo se esforçado para aprender hipismo — mesmo com seu pequeno trauma sobre cavalos — para agradar Regina. Só convencera a si mesma que Regina tinha se tornado uma pessoa cruel depois do assassinato de seu pai, mas numa tinha perdido a fé na bondade dela.

–Mas ela não vai. — Branca completou sua frase, observando o menino dorminhoco na cama. Regina tinha mudado, ela sabia disso. — Não importa. Eu gostaria de vê-la, de qualquer maneira.

O estômago da princesa pareceu despencar de seu eixo. Regina estava a alguns metros dela, naquela mesma casa, e nenhuma guerra estava acontecendo, a calmaria era tanta que a deixava nervosa. Afinal, quantos anos ela tinha passado fugindo de Regina? Quantas lutas tinha enfrentado? Todas as memórias vinham a sua mente amargas como veneno.

–Eu realmente não sei se ela quer vê-la...

–Não sou um tipo de visita dispensável. — Branca riu, por que entre ela e Regina, isso era verdade. — Ela vai adorar me ver. — Vai adorar ter a chance de me matar.

–Eu sei, é só que... Eu irei falar com ela. — Ele disse, se preparando para sair do quarto.

–Não, por favor. Deixe que eu vou. — Ela pediu e Robin não se sentia capaz de impedi-la.– Oh,como está Henry?

–Bem, eu espero. Ainda não o vi hoje. — O ladrão estranhou a pergunta e deu de ombros. -Eu vou estar aqui, caso algo aconteça.

–Vai ficar tudo bem. — Ela sorriu, mentia muito mal. Não sabia se tudo iria ficar realmente bem, mas ela não queria fugir desse encontro. Branca respirou fundo ao se lembrar do último encontro que tivera com Regina, quando fora colocada pra dormir eternamente. — Pode me levar até lá?

–Sim. — Robin respondeu, mesmo que não quisesse realmente. Ele tinha que admitir que estava tão nervoso quanto Branca.

O ladrão verificou Roland por uma última vez, tirando seus cachos de sua testa e dando um beijo rápido em seu rosto. Ele guiou Branca pelo corredor bem iluminado, mesmo que ela andasse passos a frente dele, parecendo familiarizada com a casa.

–Eu gostava do carpete daqui. — Ela comentou. — Não é tão macio quanto o do castelo, o que me permetia correr sem cair o tempo todo. Cora odiava minhas correrias, embora tentasse disfarçar.

–A mãe de Regina. — Robin comentou, lembrando do nome.

–Ela mesma.

–É aqui. — Robin respirou fundo e bateu lentamente na porta. Não sabia se Regina já tinha terminado seu banho, por isso. não queria entrar sem aviso.

Branca contava as batidas de seu coração -que parecia querer explodir em seu peito — enquanto esperava ansiosa para que a porta se abrisse. Nem ela ou Robin Hood disseram uma palavra.

120 batidas. batidas

Regina abriu a porta.

127 batidas.

–Branca. — Um sussurro fraco cruzou a distância entre elas, fazendo ambas tremerem. A princesa perdeu a noção de seus batimentos e encarou sua madrasta, que parecia presa em um transe.

–Oi, Regina.

Branca de Neve mordeu seu lábio inferior, com força dessa vez, mordiscando a pele fina e macia. Regina estava com um vestido vermelho e longo, acentuado na cintura por um tecido preto e Branca pensou que nunca seria capaz de parar de a achar linda e assustadora. Algo em seu peito a mandava fugir dali, correr o mais rápido que pudesse, até que suas pernas se tornassem líquido e seu corpo voasse com o vento.

Regina era perigosa.

Doce e sedutora como uma planta carnívora sedenta por sangue poderia ser.

Talvez o diabo fosse uma mulher e estava parado bem ali em sua frente.

–Oh. — Regina sorriu abertamente, como se tivesse visto o paraíso, e Branca soube que estava perdida. — Parece que esse é meu dia de sorte.

–Eu só vim para conversar . — Branca protestou, levantando suas mãos em sinal de paz.

Regina ainda tinha aquele brilho louco em seu olhar que faria qualquer um clamar por misericórdia mesmo sem que ela precisasse dizer uma palavra sobre suas intenções, mas algo tinha mudado e Branca a conhecia o suficiente para saber disso. Ela parecia... Cansada. Sua pele estava pálida e bolsas roxas formavam uma meia lua debaixo de seus olhos, estava mais magra, também, com os ossos de sua clavícula bem marcados debaixo da pele fina.

–Depois do que você fez...Veio aqui para conversar? — O sorriso de Regina se contorceu em uma carranca de ódio e ela lançou seu corpo para frente, empurrando Branca contra a parede mais próxima, enquanto segurava o pescoço fino da princesa.

–Hey, Regina. — Robin chamou, passando um braço pela cintura fina da Rainha, tentando a puxar para longe da princesa. — Não foi ela, deixe-a ir.

–Robin, aqueles camponeses imundos estavam agindo a mando dela... Eles quase mataram Roland. — Regina pressionou a garganta de Branca com mais força, ignorando o aperto de Robin em sua cintura. Ela poderia o empurrar facilmente, com magia, mas não queria machucá-lo. -Como pode defendê-la? — Ela o perguntou, indignada.

–Não acha que eu mesmo já não estaria a ponto de matá-la com minhas próprias mãos se ela tivesse feito isso? Regina, se Roland é o motivo para estar a prendendo, eu peço que solte, por favor.

Branca não tentava lutar, mesmo que seus olhos já estivessem se enchendo de lágrimas quentes. O aperto em seu pescoço roubava seu ar e Regina ainda a olhava de forma furiosa, mas ela não fraquejaria, não desistiria de conversar com Regina.

Regina não queria parecer fraca. Não queria que Branca invadisse seu espaço daquela maneira e que Robin a apoiasse, mas ela estava tão cansada e Roland estava em outro quarto com um buraco atravessando seu corpo, proveniente de uma revolta dos seguidores de Branca de Neve. Até quando ela teria que viver daquela maneira? Até quando ela perderia batalha após batalha arriscando as vidas de pessoas tão inocentes como Roland, Robin ou o bebê que estava em seu ventre?

–Você tem um minuto. -Regina disse, afrouxando o aperto ao redor do pescoço de Branca, mas sem a deixar livre.

–Eu sinto muito. — Branca disse, as lágrimas em seus olhos tinham vencido a batalha e agora escorriam por seu rosto de porcelana. — Eu não planejei nenhum ataque ao seu castelo, nunca tive a intenção de ferir Roland. O que aconteceu, foi uma consequência dos erros que cometemos no passado... E eu não quero que isso continue. Não quero viver em uma eterna batalha com você, Regina. Nós duas... não merecemos isso. Nossa família não merece essa vida.

Branca disse sua última frase olhando por cima do ombro de Regina, olhando para Robin; o homem que tinha conquistado o duro coração de sua madrasta. Ela conseguiu sorrir para ele, embora tivesse medo que Regina levasse isso como uma afronta. Ela nunca sabia o que esperar de sua madrasta, principalmente depois que Robin surgiu em suas vidas.

Regina conseguiu dar um passo para trás depois que Branca mencionou a palavra “família”. Ela odiou ainda mais a princesa, como se isso fosse possível, por estar certa. Ela não queria que seu filho – seu pequeno milagre, tivesse a mesma vida que ela, carregada de ódio e ambição. Ela só queria ser feliz.

Mas ao mesmo tempo, era estranho demais estar tão perto de Branca de Neve e não querer matá-la.

E se ela não ficasse perto de Branca de Neve? Se fugisse para longe daquela terra, carregando sua pequena família com ela, para longe daquela vida imunda que tinha levado durante todos esses anos? E se simplesmente esquecesse que Branca existiu em sua vida?

Mas não era tão simples, ela sabia. Sair daquele caminho de amarguras não era tão fácil quanto entrar nele.

–Nós podemos esquecer isso e seguir em frente. — Branca insistiu. Regina teve vontade de rir. Era fácil dizer isso quando você não causou a desgraça na vida de milhares. Ainda existiam pessoas lá fora que dariam tudo para ter a cabeça de Regina em uma estaca.

–Fácil assim? — Regina perguntou, erguendo uma sobrancelha.

–Fácil assim. — A princesa concordou suavemente e Regina soltou seu pescoço. — Hoje é meu casamento.

–Bom pra você. — Regina disse, sarcástica, sem entender porque Branca estava compartilhando com ela aquela informação. — Seu Charming deve estar te esperando.

–Ele não sabe que estou aqui, mas não é isso... Hoje é meu casamento, terá convidados de toda Floresta Encantada, aproveitarei a deixa para anunciar que você não é mais uma ameaça.

–Eu não sou?

–Estou tentando concertar as coisas, Regina.

–Todos os anos em que eu estive no governo desse reino não serão esquecidos com apenas algumas palavras de uma rainha em ascensão. Teríamos de ser mais criativas quanto a isso.

–Então, você quer? — Branca sorriu, mordendo o lábio inferior. — Você quer mudar?

Regina imitou o movimento de Branca, mordendo o lábio.

Era fácil dizer para Robin que não queria mais levar aquela vida, mas para Branca? Era outra coisa. Regina suspirou, forçando as palavras para fora.

–Eu estou em um momento qual não posso arriscar minha vida. — Regina suspirou, ela olhou para trás, buscando apoio em Robin, ele era o único que a entendia. — Eu finalmente tenho alguém que me ama e me respeita, eu tenho uma miniatura de gente que gosta de me seguir por todos os cantos e que nunca teve medo de mim... E eu não vou deixar ninguém tirar isso de mim. Não vou deixar que ninguém os machuque outra vez.

As palavras de Regina atingiram Branca como um sopro quente e primaveril, com o cheiro acolhedor de flores depois de um inverno tenebroso.

O fato de estar na casa da mulher que tentou a matar durante anos trazia uma sensação desconfortável em seu peito e arrepios em sua espinha, mas ela também estava estranhamente feliz.

Não era inocente pra pensar que tudo tinha acabado ali, com aquela conversa, mas sabia que um grande passo elas tinham dado.

Pelo menos Regina não tinha a matado. Isso era algo, não?

–Esse é o seu final feliz. — Branca sorriu. — E eu vou garantir que não tenha seu destino roubado de você outra vez, se me prometer que também não tomará o meu. Ou o de qualquer outra pessoa desta Floresta. Chega de pessoas sofrendo por más escolhas que só cabem a nós duas.

Robin olhou para as duas se sentindo um intruso naquela conversa, o que estava longe de ser uma mentira. Ele não conviveu com as mulheres por tempo suficiente para entender todas as camadas daquela relação, tudo que ele conhecia era Regina e tudo que ele queria era que ela fosse feliz, mas ele pensava que também não era fácil para Branca tomar aquela decisão ou ela realmente tinha um coração bom como todos diziam, o que era uma coisa muito rara de encontrar. Ele sentiu vontade de deixar o lugar, dar espaço para as duas, mas hora ou outra Regina o olhava como se clamasse por socorro, por isso ele ficou, as olhando quietamente.

–Acho que você arrumou um acordo. — Regina disse cuidadosamente, molhando seus lábios secos com a língua. — Mas deve saber que isso não termina só por que conversamos.

–Eu sei. — Branca concordou, séria.

Aquilo não era um convite para o chá, afinal. As duas só estavam tomando decisões que favoreciam uma a outra, não era como se pudessem esquecer tudo o que já tinham passado durante os anos anteriores.

–Não devia estar tão longe da igreja no dia de seu casamento.

–Eu precisava resolver nosso conflito antes de me casar. Como deve saber, vou me tornar rainha e não quero que meu povo sofra por minha causa.

Regina ergueu uma sobrancelha e sorriu, irônica.

–Espero que mantenha seu poder dentro de seus domínios, quais estão muito bem delineados, aliás. As terras de George se limitam as baias, menores que as minhas, mas não deixam de ser importantes... Logo você será minha principal importadora.

Ela disse suavemente, embora estivesse tentando deixar claro para Branca que ainda era a Rainha. Ela não conseguia se imaginar não governando aquelas terras, vivendo uma vida normal, fora da realeza. Era como se tivesse nascido para estar ali, mesmo que aquela posição já tivesse a causado tanto sofrimento.

Branca mordeu a língua e pigarreou.

–Vamos ver sobre isso. Agora, eu realmente preciso ir. — A preocupação tomou conta da princesa de repente, quantas horas eram, afinal?

–O castelo do rei George é tão longe... — Regina suspirou. — Como você entrou aqui?

–Magia. Eu pedi ajuda para a Fada Azul.

–E como pretende voltar? — Robin perguntou, percebendo o temor nas feições da princesa.

–Talvez eu não tenha pensado nisso. — Ela disse, puxando uma grande quantidade de ar para dentro de seu corpo.

Regina franziu a testa, pensando que talvez devesse apenas deixar Branca de Neve fazer coisas estúpidas a si mesma e ficar apenas assistindo.

–Como você pode ser tão burra?